Tradução de “A Génese” de Allan Kardec, para português de Portugal

O ESPIRITISMO, REENCONTRO E CLARIFICAÇÃO

O Espiritismo encontra-se num momento extraordinário de reencontro e de clarificação de erros fundamentais que o mantiveram na penumbra dos mais graves equívocos, desde o momento em que faleceu o seu fundador, Allan Kardec.

É essencial que os leitores de “A Génese”, e também de “O Céu e o Inferno”, cuja tradução inteiramente fiel aos originais legítimos também já fizemos, tomem conhecimento das falsificações deliberadas que foram feitas nestas duas obras, logo após o falecimento do seu autor, e que depois se tornaram especialmente nefastas em todas as áreas de língua portuguesa e sul americana.

Verificar as alterações especializadas que foram feitas nessas obras:

https://palavraluz.com/2021/06/10/ocicomp/

Essas versões falsificadas têm sido publicadas durante todo o tempo até hoje, com um conteúdo que não é diferente das obras originais em pormenores aparentemente casuais: é o conteúdo dessas obras especializadamente adulterado.

O ESCLARECIMENTO FUNDAMENTAL DE QUEM INVESTIGOU

Para ilustrar convenientemente estes temas recorremos, como finalização desta abertura, a dois textos muito importantes e recentes da autoria do conhecidíssimo investigador espírita Paulo Henrique de Figueiredo e da sua compatriota, igualmente investigadora e ativa divulgadora do espiritismo: Simoni Privato Goidanich.
Têm o intuito de revelar acontecimentos que tiveram lugar em França, logo após o falecimento de Allan Kardec, e que viriam a ter consequências muitíssimo graves para o teor e desenvolvimento do espiritismo.
Esclarecemos que a tradução que fizemos deste livro, seguiu os verdadeiros originais da autoria de Allan Kardec, expurgando todas as modificações muito especializadas que transformam radicalmente a sua verdadeira mensagem. Um prefácio que explicasse toda esta complexa ordem de razões, além de certos aspectos dos nossos próprios pontos de vista seria impossível, porque os temas são vastos.
Nestas nossas páginas da internet publicaremos em breve bibliografias base a respeito destes temas, de obras para descarga livre.

Temos dedicado os últimos anos da nossa vida a ler e a traduzir Kardec, tarefa que se nos afigura fundamental para nossa própria conveniência intelectual e moral.
Felizmente que o espiritismo é uma cultura para ser assimilada pelo indivíduo, de acordo com a liberdade que a sua intuição lhe permite alcançar. A autonomia da vontade e do raciocínio confere a independência necessária para ir adiante, adotando as melhores ideias e o nível da evolução espiritual de cada um.
Embora achemos fundamental a comunicação entre as pessoas, na troca de ideias de progresso e evolução, aconselhamos que essa busca seja independente e livre, apelando à razão e ao livre arbítrio.
Esse é, na assimilação de princípios de humanismo progressista, o caminho mais concreto para o entendimento, para a compreensão, numa palavra – PARA A PAZ NO MUNDO.

Não fazemos parte de nenhum grupo espírita nem obedecemos aos princípios de nenhum sector de opiniões. Fazemos a nossa própria investigação, de acordo com as nossas possibilidades e a nossa sensibilidade intelectual.

Maria da Conceição Brites e José da Costa Brites
Lousã/Portugal −  Ano de 2020

 

 

 

“O Céu Inferno” de Allan Kardec, em português de Portugal

 

 

 

 

Caríssimos leitores,

Tendo começado há algum tempo a tradução para a língua portuguesa de Portugal dos nossos dias, das cinco obras principais da cultura espírita da autoria de Allan Kardec, apresentamos agora a versão digital da última tradução feita, o “Céu e o Inferno, ou a Justiça Divina segundo o Espiritismo”.
A primeira das obras por nós traduzida foi editada em papel em Abril de 2017, com o apoio de amigos espíritas do Norte de Portugal, membros ativos da ASEB de Braga, tendo-se esgotado essa edição pouco tempo depois.
Não sendo membros de nenhuma organização espírita, mas não nos faltando meios para divulgar a nossa obra em todo o mundo de língua portuguesa através do nosso site na internet, não hesitámos em passar a publicar as nossas traduções em https://palavraluz.com, e em https://espiritismocultura.com , a que demos o carácter de iniciativa sem objetivos materiais.
As muito largas centenas de obras que já foram descarregadas daqueles livros nos nossos blogues, por todo o mundo, sem que saibamos sequer o seu número exato, nada custaram aos interessados, e enchem-nos de satisfação.

A ADULTERAÇÃO DAS DUAS ÚLTIMAS OBRAS DE ALLAN KARDEC, APÓS A SUA MORTE

Este fenómeno é dificílimo de compreender, agora como no tempo em que ocorreu, sem levarmos em conta o muito escasso interesse que o espiritismo suscitou, sobretudo em França, ao longo de tempos muitíssimo conturbados por conflitos imensos de toda a ordem.
O espiritismo é, no país em que nasceu, uma minoria sem categoria estatística, e o grande interesse que merece o espiritualismo científico quer na Europa quer noutros continentes, é algo que só minorias muito isoladas associam a Allan Kardec.
As piores consequências dessas adulterações, tiveram os seus efeitos no Brasil, onde a percentagem de pessoas interessadas naquilo que se chama ali “o espiritismo”, e que tem variadíssimas facetas, chegou a alcançar uma expressão estatística como em nenhuma outra parte do mundo.
A precedência histórica e social nesse vastíssimo país, era marcada pela poderosa influência do catolicismo, o que facilitou, quase naturalmente, a insinuação da trágica deformação do “roustainguismo”, inventada em França, como o próprio espiritismo, mas que naquele país não teve os mesmos efeitos e projeções que no Brasil.
Se um bom número de franceses tivesse tomado a devida nota do conteúdo e do significado das autênticas obras espíritas, as falsificações que ocorreram logo após a morte do seu autor, não teriam a mínima hipótese, porque teriam defendido – como era justo – uma grande obra universalista, que seguirá em frente, ajudada pelos bons Espíritos, com grande esperança e fervor da nossa parte.
Os próprios contemporâneos franceses que sobreviveram a Allan Kardec e que tinham o conhecimento exato do conteúdo dos seus livros, alguns houve que deram conta das movimentações dos péssimos sucessores herdeiros de Kardec e, tendo tomados posições claras, não conseguiram fazer-se ouvir nem impor as suas razões.
A instabilidade geral da França em termos político-estratégicos e sócio-económicos, nessa época, teve efeitos avassaladores e o espiritismo, praticamente, foi esquecido.
O Roustainguismo e a teosofia, entre várias outras formas de adulteração do espiritualismo, tiveram a sua vida facilitada e foram ostensivamente divulgadas na revista que sucedeu àquela que Kardec tinha fundado. Não tiveram uma propagação notável, mas ajudaram muitíssimo a desprestigiar o verdadeiro espiritismo.

OS TRABALHADORES HUMILDES – OS MAIS DEVOTADOS SEGUIDORES DO ESPIRITISMO

 Em França, a classe que principalmente apoiava e tinha interesse no espiritismo era a dos trabalhadores humildes dos principais sectores da economia. Conflitos tremendos e confrontações sangrentas a nível nacional e internacional transtornaram de tal forma toda a sociedade – e sobretudo as classes trabalhadoras – que não foi possível evitar o pior que, neste caso também foi essencialmente prejudicial para a cultura espírita em todo o mundo.
Um século e meio depois, com a disponibilidade evidente de originais franceses das obras autênticas de Kardec em certas bibliotecas públicas e particulares, se o espiritismo fosse matéria devidamente estudada na Europa, o nome de Allan Kardec não seria tão escandalosamente ausente em quase todas as obras que falam no espiritualismo nas suas várias facetas, que hoje se afirmam das mais diversas maneiras em várias sociedades.
Dedicamo-nos há vinte anos à investigação de tais matérias e temos originais franceses não adulterados, que foram aqueles pelos quais fizemos as nossas traduções.
Para dispor deles não tivemos que sair de casa. Quem faz as buscas na internet em mais do que uma língua, pode consegui-los sem dotes milagrosos, basta ter interesse e saber escolher.
Sempre encarámos o Espiritismo com maiúscula, como ele é para nós, e sempre tivemos o roustainguismo, com seus sucedâneos e afins, como incompreensíveis aberrações.
Já publicámos a tradução em português de Portugal de “A Génese” expurgada dessas adulterações, publicando agora a tradução de “O Céu e o Inferno”, igualmente fiel à às palavras de Allan Kardec.
Chamamos a atenção para um estudo exaustivo de todas as modificações introduzidas pelas adulterações em “A Génese”:

É favor ver: https://palavraluz.com/2021/01/13/compgeneseporponto/

É evidente que tentaremos publicar simultaneamente com esta tradução um trabalho semelhante aplicado ao texto de “O Céu e o Inferno”.
Um prefácio que esclarecesse todos os factos desta área de problemas, teria a dimensão de uma obra extensíssima, que não só referisse a sua origem histórica, como as gravíssimas consequências prejudiciais a uma cultura importantíssima que se viu desfigurada de alto a baixo, durante mais de século e meio após o seu início.
Isto deu-se pelas movimentações originadas no Brasil, da parte de entidades federadas, que conseguiram poderes invulgares de intervenção e vantagens materiais que têm tido reflexos em diversos outros países, atendendo à vitalidade comunicativa dos brasileiros.

A NOSSA TRADUÇÃO DE “O CÉU E O INFERNO”

Esta tradução da última das grandes cinco obras de Allan Kardec, foi feita, em princípio, para nossa própria utilidade de aprendizes de uma sabedoria que achamos fundamental para o entendimento e construção das vidas da atualidade e de todas as outras que se seguem.
Não temos como objetivo criar uma escola, ou formar uma tendência. As nossas traduções foram feitas como leitura aprofundada dos originais para nossa própria conveniência, largamente acompanhados pela leitura atenta da Revista Espírita, também publicada por Allan Kardec.
Temos seguido o princípio de redigir prefácios que revelam a visão que temos de cada uma dessas magníficas obras, ao mesmo tempo que procuramos tomar conhecimento do desenvolvimento de ideias convergentes com esta, de base científica.
A reincarnação, as memórias de outras vidas e até a própria semelhança fisiológica e os sinais corporais de fenómenos ocorridos em vidas anteriores, têm sido investigadas a nível académico-científico em vários países muito desenvolvidos, bem como muitos outros fenómenos cuja naturalidade não poderia escapar a uma imensidade de observadores, durante muitos séculos. Basta procurar ler o que existe a este respeito em várias das línguas mais conhecidas no mundo, na imensíssima área de pesquisa que é a Internet.

 

A CHAMADA “REVOLUÇÃO ESPÍRITA”

Apareceu recentemente no Brasil um movimento esclarecedor das gravíssimas adulterações das duas últimas obras de Allan Kardec, logo depois do seu falecimento, “A Génese” e “O Céu e o Inferno”.
Temos seguido todo esse fenómeno, embora para nós – que temos investigado sempre por fontes legítimas pesquisadas em arquivos franceses – não constituiu de forma nenhuma novidade.
Podíamo-nos ter enganado, é evidente, e até nem vale a pena acrescentar razões. As recentes investigações de SIMONI PRIVATO GOIDANICH e de LUCAS SAMPAIO, feitas nos arquivos franceses vieram consagrar as escolhas que fizéramos antes, confirmando a felicidade óbvia das nossas pesquisas de exemplares originais.

A EXTRAORDINÁRIA IMPORTÂNCIA DA OBRA DE PAULO HENRIQUE DE FIGUEIREDO

A mais importante série de obras que tem vindo, na nossa opinião, a transformar positivamente a visão do espiritualismo racional no Brasil deve-se a Paulo Henrique de Figueiredo.
Recorrendo a um processo naturalíssimo de referenciação histórico-cultural, PHF remete o início da odisseia do espiritualismo racional para muito mais atrás de Allan Kardec, recuperando com especial incidência a figura de Franz Anton Mesmer e o prodigioso trabalho que fez a respeito do magnetismo animal, referido claramente por Allan Kardec na primeira de todas as suas Revistas Espíritas, tal como PHF nos informa com toda a justificação, no início do Capítulo VIII da sua obra “Mesmer, a ciência negada do magnetismo. animal”, ao aludir às “Ciências solidárias”.

Nessa obra, como noutras, PHF recheia páginas e páginas de uma magnífica sequência de citações à cultura desse tempo, que não esquece, antes valoriza, a imensa antiguidade do profundo relacionamento que a Humanidade sempre desenvolveu com o Mundo dos Espíritos.

A sua passagem à obra “REVOLUÇÃO ESPÍRITA – A teoria esquecida de Allan Kardec” é uma tentativa apaixonada para preencher esse esquecimento, enriquecendo a perspectiva habitualmente traçada em vôo de pássaro por sobre acontecimentos arriscadamente simplificados da história “habitual” do espiritismo. Como nós temos tentado mostrar, há imensidade de exemplos, desde os tempos mais remotos da Antiguidade ao progresso evidente de todas as ciências e da evolução do pensamento nos últimos séculos, que revelam o Espírito como cenário principal da vida profunda e da evolução sem fim.

Nesse grande Teatro de ideias sempre disponível para os Espíritos abertos, como seria possível prestar atenção, um instante que fosse, à perspectiva cruel dos dogmatismos absurdos?

Como poderia acreditar-se num Deus que criasse Céus para espíritos de cores imóveis e luz fluorescente, e Infernos povoados de criaturas abandonadas para todo o sempre, devoradas pela solidão da dor e do medo?

SIMÓNI PRIVATO GOIDANICH e LUCAS SAMPAIO

Um dos livros mais importantes publicados no Brasil a respeito do espiritismo, foi “O LEGADO DE ALLAN KARDEC”, resultante das investigações feitas por Simoni Privato Goidanich nos arquivos franceses a respeito das adulterações feitas em França dos dois últimos livros daquele autor. Na mesma linha foram feitas investigações, também em França, por Lucas Sampaio que, juntamente com Paulo Henrique Figueiredo publicaram um texto chave para todas estas questões, com a obra “Nem Céu nem Inferno”.

A NATUREZA DE TODOS OS SERES, A SUA ORIGEM E O SEU DESTINO

Julgamos que este título refere tópicos culturais e filosófico-científicos, que são do maior valor para toda a gente. Entendemos que o nosso prefácio já vai longo e não podemos dizer tudo.
Por isso desejamos as maiores felicidades a todos, recomendando, como pessoas de mais idade que a grande maioria dos leitores – disso não temos dúvidas – que façam o favor de usar algum do vosso precioso tempo livre para ler pelo menos, as nossas traduções dos livros de Allan Kardec.
Vai ser tempo ganho, podem crer. E contribuirá para a felicidade e o bem-estar presente e futuro de todos os que o fizerem.

Maria da Conceição Brites e José da Costa Brites

 

Este trabalho não é de uma empresa editora. É de dois cidadãos portugueses que dessa maneira lêem Allan Kardec com a máxima atenção da primeira à última linha.

 

University of Virginia – Division of Perceptual Studies

Para conseguir ver todos os elementos do quadro docente desta faculdade é favor clicar na imagem

  Fundada em 1967 pelo Dr. Ian Stevenson, a DOPS (Division of Perceptual Studies) da Universidade de Virgínia, em Charlottesville é um grupo universitário de investigação há muito estabelecido, exclusivamente dedicado à análise de fenómenos que desafiam as correntes principais do paradigma materialista ainda dominante quanto à mente e ao cérebro, como estruturas ligadas e interdependentes. Ao contrário, os investigadores da DOPS estão a avançar no estudo dos fenómenos relacionados com a consciência como entidade independente claramente fora do corpo, bem como os fenómenos que revelam directamente a sobrevivência da consciência humana depois da morte física. Através de estudo cuidadoso, os investigadores do DOPS analisam e documentam os dados empíricos que foram registados quanto às experiências humanas que revelam a sobrevivência da consciência em casos de morte física, aparecendo a mente e o cérebro como diferentes e separados.

“É nossa a esperança de que outros cientistas de mente aberta se aproximem de nós para continuarmos os desafios de um estudo sério, o da natureza da consciência e as suas interacções com o mundo físico.”

O professor Ian Stevenson, fundador do DOPS, (1918 – 2007) que desenvolveu profundos estudos experimentais relacionados com a tese das vidas múltiplas, ou reincarnação.

As investigações da Divisão de Estudos de Perceção (DOPS) da Universidade de Virginia, entre outros, incluem:

  • Investigação dos meninos que, ao redor do mundo, relataram casos de memórias retidas de vidas passadas;
  • Investigação da consciência; casos comprovados de relacionamento da mente separada do corpo;
  • Estudo de imenso número de casos de Experiências de Quase-Morte (EQM, Near Death Experiences, NDE, em inglês), para sistematização científica, mediante entrevistas com os respetivos protagonistas;
  • Estudo de neuro-imagens de casos PSI; etc

O vídeo aqui apresentado desenvolve-se, naturalmente, em língua inglesa. Para melhorar a sua compreensão, sugere-se o uso das legendas, também em inglês, que é possível inserir num dos comandos, do lado direito em baixo. O processo de inserção é automático, por isso, não 100% perfeito.

Neste vídeo, a respeito da VIDA DEPOIS DA MORTE está documentado uma série de depoimentos de 5 professores universitários, sendo moderador um conhecidíssimo escritor e actor, John Cleese, um dos fundadores do Monty Python, e teve lugar no dia 12 de Abril de 2018 no Paramount Theatre em Charlottesville, com os seguintes participantes:

O professor Bruce Greyson, um dos fundadores do IANDS e professor da UVA. Para melhor esclarecimento consultar: https://med.virginia.edu/perceptual-studies/dops-staff/bruce-greysons-bio/

O professor James Tucker, continuador de Ian Stevenson: https://med.virginia.edu/perceptual-studies/dops-staff/jim-tuckers-bio/

Emily Williams Kelly, Ph.D. , UVA, Assistant Professor of Research, Division of Perceptual Studies, Department of Psychiatry and Neurobehavioral Sciences:

Emily Kelly’s Bio

Jennifer Penberthy, Ph.D. , Universidade da Virgínia; ABPP:

Jennifer Penberthy, PhD

Edward Kelly, Ph.D. Professor of Research, Division of Perceptual Studies, Department of Psychiatry and Neurobehavioral Sciences | Universidade de Virgínia;

https://med.virginia.edu/perceptual-studies/dops-staff/ed-kellys-bio/

Alguns exemplos de livros editados pelas entidades acima referidas no âmbito do seu trabalho no DOPS

O Espiritismo, cultura desprestigiada pelos seus pretensos representantes

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Pedimos a todos os nossos amigos e seguidores que leiam este artigo com a maior atenção. No caso de estarem de acordo com o que dizemos pedimos o especial favor de o divulgarem o melhor que vos for possível.

Uma cultura distorcida que pretende divulgar-se por fontes adulteradas

O espiritismo institucionalizado não tem, um século e meio depois do seu aparecimento, o prestígio socio-cultural correspondente ao legítimo valor da mensagem que foi instituída pelo pensamento de Allan Kardec.

Os valores culturais que propõe essa visão desvalorizada não assumem a categoria transcendentemente valiosa do “diálogo entre humanidades”, como é designada por certos autores de grande prestígio, como Léon Denis.

É chegado o momento de assumirmos de forma explícita esse desgosto, pois temos plena consciência que a maior parte dos coletivos auto-designados como “espíritas”, além de não seguirem de forma concreta os princípios do espiritismo de Allan Kardec, propagam sem brilho nem proveito uma literatura dispersiva dos seus princípios fundamentais.

Promovem na internet e nas suas mesas e prateleiras livros  que indicam como sendo da autoria de Allan Kardec, com capítulos adulterados, contrários às linhas fundamentais dos seus princípios propriamente ditos.

Pior do que isso, nota-se uma geral indiferença a todos os avanços culturais que estão a surgir em sociedades onde ninguém conhece o nome de Allan Kardec, que nunca é citado nas bibliografias de uma imensidade de publicações e de estudos de carácter espiritualista que são publicados por todo o mundo nas várias línguas mais conhecidas.

Fenómeno atribuível ao nível filosófico-cultural e científico do espiritismo “oficial” que nunca quis, nem soube transportar a sua cultura aos níveis de reconhecimento geral que podia e devia ter alcançado.

O beco sem saída das perspetivas dogmáticas

Um dos aspetos fundamentais da configuração magistral que foi conferida ao Espiritismo em meados do século XIX por Allan Kardec, foi o da rutura definitiva com todas as teorias religiosas tradicionais, com caracter assumidamente dogmático.

Uma sociedade culturalmente evoluída, cujos cidadãos já pisaram a Lua, e cujos investigadores científicos já alcançaram visões da própria matéria e do Universo que modificam conceitos milenares a seu respeito, não podem continuar a entronizar visões dogmáticas da nossa natureza, da origem e destino de todos nós, que já eram plenamente rejeitáveis no próprio momento em que foram impostas.

As experiências de quase morte, o espiritismo e a indiferença do meio espírita

De há vários anos que dedicamos uma atenção muito ativa a estes fenómenos, tendo publicado um trabalho bastante detalhado e documentado a seu respeito, efetuando a sua análise pela confrontação com os princípios fundamentais dos conhecimentos espíritas.

Sendo um estudo que conheceu uma versão anterior ainda mais aprofundada, já de há um bom número de anos, não obteve nenhum reconhecimento explícito por parte de instituições espíritas federadas. Tendo, como temos, um bom número de seguidores, e muitos milhares de visitas, será que nunca foi lido nem visto PELAS ENTIDADES MAIS RESPONSÁVEIS do espiritismo em língua portuguesa?

As EQM e as ideias dogmático-roustainguistas

É evidente que os milhões de narrativas das Experiências de Quase Morte que constituem neste momento uma vastíssima área de investigação científica, com incalculáveis reflexos em todas as sociedades do mundo,  têm o imenso “defeito” de não terem a mínima convergência com as doutrinas federativas dos retrógrados princípios roustainguistas.

Será por isso que o “meio espírita” permanece indiferente a essa extraordinária fonte de conhecimentos a respeito da vida depois da morte?

 O espiritismo não pode continuar a ser uma igreja confidencial e indiferente ao progresso da sociedade

Os principais objetivos da ciência espiritualista, aquela plataforma universal de exploração inteligente da vida depois da morte, não é apenas uma ideologia de quem mergulha na confidencialidade de pequenos círculos mediúnicos, sem eco nem efeitos emancipadores.

Estamos à espera, com disponibilidade ativa já de há muitos anos, de que os principais interessados comecem a usar de forma mais concreta do direito e do dever de assumirem as suas responsabilidades que lhes atribui uma cultura emancipadora, na concretização do progresso espiritual e de todas as consequências de utilidade HUMANA.

Esta imagem tem um texto alternativo em branco, o nome da imagem é 103-alta-b-abaixo.jpg

Coimbra, desenho s/ Steinbach-Malmedy, Costa Brites/1993

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A finalizar este artigo inserimos a ligação que dá acesso ao ficheiro do nosso trabalho sobre NDE EQM e o Espiritismo de há muito publicado neste blogue.

+ EQM + ESP resumido DESCARREGAR



A visão racional e progressista do espiritismo

“(…) o livre-pensamento eleva a dignidade
do homem; faz dele um ser activo, inteligente,
em lugar de uma máquina de crer”.
Allan Kardec (Revista Espírita, Fevereiro, 1867)

Para descarga, os três livros já publicados. Aconselho vivamente a sua leitura.

Apresentam uma visão actualizada do espiritismo racional e progressista

“…A filosofia espírita rompeu com a dicotomia entre o sagrado e o profano. O que importa para os espíritos entrevistados por Allan Kardec, na elaboração de “O Livro dos Espíritos”, é a chamada lei natural.
Para eles, a lei natural é a própria “lei de Deus”.
“É a única verdadeira para a felicidade do homem”, pois “indica-lhe o que deve fazer ou não fazer” (pergunta 614, p.361).
Eles vêem na Natureza e em suas leis a presença da divindade que a tudo preside como “inteligência suprema e causa primeira de todas as coisas”, como disposto na pergunta nº 1 de O Livro dos Espíritos.
A lei natural, vista sob esse prisma, envolveria todos os fenómenos do Universo e, logo, também as relações dos seres humanos entre si e com a divindade, retirando esta do sobrenatural.
Dessa forma, o que para a teologia estava contido na revelação sagrada, sobrenatural e não necessariamente conforme a razão, para os espíritos entrevistados por Kardec era potencialmente alcançável pela razão humana, eis que a lei natural se encontra inscrita “na consciência” do ser inteligente (questão 621).

Sobre a designação dos espíritas como “livres-pensadores” Diz-nos Milton Rubens Medran Moreira no quarto capítulo da primeira obra aqui apresentada:
“…Em artigo que publicou na Revista Espírita de Janeiro de 1867, Allan Kardec, em plena sintonia com as tendências do novo tempo em que se firmava a autonomia de pensamento, saudou o advento de uma “nova denominação pela qual se designam os que não se sujeitam à opinião de ninguém em matéria de religião e de espiritualidade, que não se julgam ligados pelo culto em que o nascimento os colocou sem seu consentimento, nem à observação de práticas religiosas quaisquer”. Essa nova categoria de homens e mulheres, segundo ele, eram os “livres-pensadores”. E ali ele situava os verdadeiros espíritas, explicitando: “Todo homem que não se guia pela fé cega é, por isso mesmo livre-pensador”, para acrescentar: “A este título os Espíritas também são livres-pensadores”.

O roustainguismo nas obras de Chico Xavier, por SÉRGIO ALEIXO

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O artigo que aqui se publica, da autoria de SÉRGIO ALEIXO tem muita importância e foi publicado em vários blogues (citado por vários autores) e na sua importantíssima obra “O PRIMADO DE KARDEC”

PREFÁCIO do livro da autoria de
Artur Felipe de A. Ferreira

Allan Kardec, o insigne Codificador do Espiritismo, inspirado nos ditados dos espíritos superiores, por chamou-nos a atenção para o perigo de aceitarmos sem exame o que nos chega do mundo espiritual.
Ressaltou, sempre que o pôde, a importância do estudo e do aprofundamento das questões, em nossa incessante busca pela verdade, para que não nos deixássemos levar por concepções fantasiosas e exóticas, sempre oriundas da ignorância acerca das leis naturais que nos regem a todos.
Confirmando este esforço conjunto dos espíritos verdadeiramente comprometidos com o bem e a justiça, o Espírito Erasto, presente à reunião geral dos espíritas de Bordéus—cidade em que o advogado J. B. Roustaing estava prestes a desenvolver suas estranhas teses —, advertiu acerca da luta que teriam aqueles adeptos do Espiritismo contra uma turba de espíritos inferiores, razão pela qual afirmou ser-lhe obrigação premuni-los contra o perigo.
Da mesma forma, Sérgio Aleixo nos brinda com a presente obra, cumprindo com o seu dever de espiritista, preocupado que é, e como todos o devemos ser, com os rumos do movimento espírita no Brasil e no mundo.
Deixou corajosamente de lado a postura inerme que predomina no nosso meio que, a pretexto de caridade, fecha os olhos para os desvios, adulterações e tentativas de ridicularização do Espiritismo.
Munido de dados históricos hauridos em fontes fidedignas, como bom discípulo de J. Herculano Pires, Sérgio Aleixo utiliza seu grande poder de observação e análise para mostrar que as teses rustenistas (roustainguistas) aportaram no Brasil, depois de ignoradas na França à época de Kardec, como um autêntico“Cavalo de Tróia”, que tem por objectivo provocar a cizânia, o cisma em nossas fileiras, justamente como Erasto, em Bordéus, previra que aconteceria, pela acção de “ditados mentirosos e astuciosos,emanados de uma turba de espíritos enganadores,imperfeitos e maus”.
Nada mais exacto, já que, para melhor ludibriarem, os espíritos que se comunicaram com Roustaing, através de uma só médium, Émilie Collignon, valeram-se, em seus ditados, de nomes venerados: os apóstolos de Jesus, Moisés, etc.
Porém, como os prezados leitores poderão observar,foram e ainda são muitos os artifícios utilizados na tentativa de impor aos espíritas toda uma série de conceitos, ideias e teorias que, além de antidoutrinárias, são absurdas e ilógicas e que, por diversas vezes,se chocam com a razão e o bom-senso.

Este trabalho de Sérgio Aleixo é, portanto, de fundamental importância, como mais um alerta que nos chega, para que possamos separar o joio do trigo em matéria de Espiritismo, ajudando-nos, ao demais, a entender como tudo se passou (e passa) e os meios empregados pelos espíritos mistificadores e falsos sábios na tentativa inglória de provocar a derrocada do Espiritismo com enxertias que se vão espraiando pouco a pouco, tal qual erva daninha num jardim de flores. Aproveitemos todos esta oportunidade de estudo e reflexão, de modo que possamos colaborar para a unidade doutrinária a partir do melhor entendimento do Espiritismo em suas bases sólidas, que se assentam na codificação kardeciana.
É seguindo este imperativo que o confrade Sérgio Aleixo nos presenteia, mais uma vez, com estudos diligentes e questionadores, que merecem, por parte de todos os espíritas sérios, muita atenção e respeito, a fim de que não nos tornemos pedra de tropeço àquilo que nos é mais caro: o Espiritismo.

 

Ao fim desta publicação encontra-se um vídeo recente, também da autoria de Sérgio Aleixo, que actualiza o tema do artigo.

 

Pode ser uma imagem de 2 pessoas, livro e texto que diz "SERGIO FERNANDES ALEIXO SERGIO FERNANDES ALEIXO 0 Espírito das Revelações Fundamentos Relação Espiritismo oCristianismo Cristo o MAIS PROFUNDO RELIGA Fundamentos históricos conceituais despiritimo SERGIO FERNANDES ALEIXO LEIXO Com quem falaram OS profetas? FUNDAME TOS BiBLICOS NOLOGIA ESPiRIT o Primado de Kardec Metodologia espírita ecisma rustenista"

.SergAl(o termo “rustenismo” é usado no Brasil como equivalente a “roustainguismo”, isto é, referido à obra de Jean-Baptiste Roustaing)


O rustenismo é deturpação perigosa, porque se alastra sorrateiro, não em suas obras principais, mas mediante livros psicografados por Chico Xavier.

Conforme prevê o assim chamado “Pacto Áureo” (05/10/1949), “cabe aos espíritas do Brasil porem em prática a exposição contida no livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, de maneira a acelerar a marcha evolutiva do Espiritismo”. Pois bem! Isto passou ao art. 63 do estatuto da Casa-Mater do rustenismo no mundo, que regista:

O Conselho [Federativo Nacional da F.E.B.] fará sentir a todas as sociedades espíritas do Brasil que lhes cabe pôr em prática a exposição contida no livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, de Francisco Cândido Xavier.

Entre outras piadas de além-túmulo, no capítulo I desta obra, “a amargura divina” de Jesus “empolga” toda uma “formosa assembleia de querubins e arcanjos” e ele, “que dirige este globo”,[1] não sabe sequer onde é o Brasil.
Não bastasse isto, no cap. XXII, o confuso Jean-Baptiste Roustaing emerge do estatuto da F.E.B. para ser equiparado a Léon Denis e a Gabriel Delanne, figurando adiante destes na condição de cooperador de Allan Kardec para “o trabalho da fé”.
Subsiste ainda o questionamento levantado por Júlio Abreu Filho em O Verbo e a Carne, isto é, por que Humberto de Campos se referiu a Roustaing, Denis e Delanne em Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho de 1938 e, no livro Crónicas de Além-Túmulo, de 1937, reportou-se tão só a Denis e Delanne?

Em O Consolador, de Emmanuel, há, igualmente, certas estranhezas. Será que houve, então, uma afronta à integridade conceitual do movimento espírita, do tipo “pílula dourada”, sob a chancela do trabalho do médium de maior projecção dos últimos tempos? Foi isto à revelia dele ou, por outra, com sua anuência? Mas como provar qualquer hipótese? Da própria F.E.B., em 1942, Chico Xavier recebeu a informação de que seus originais, após publicação, eram inutilizados por aquela instituição.[2]

A contradição seguinte parece mesmo sugerir o douramento da pílula rustenista na obra de Chico Xavier: o problema do Espírito Santo, expresso nos ns. 303 e 312 de O Consolador. O Espírito Santo não pode ser “a centelha do espírito divino, que se encontra no âmago de todas as criaturas” e, a um só tempo, uma “falange de Espíritos”. Só a primeira resposta, à questão 303, faz sentido à luz do Evangelho e da codificação kardeciana. Já a segunda, à pergunta 312, reflecte o rustenismo e, se for interpolação febiana, que ironia, porque se esmera em elucidar outra interpolação, mas bíblica.

O texto oferecido pelo interlocutor da F.E.B. (abaixo, a negrito), conforme parecer insuspeito do tradutor da Bíblia de Jerusalém (Paulinas, 1985), apresenta “um inciso ausente dos antigos manuscritos gregos, das antigas versões e dos melhores manuscritos da Vulgata, […] uma glosa marginal introduzida posteriormente” em 1.ª João, cap. 5, vv. 7-8, onde se lê: “Porque há três que testemunham [no céu: o Pai, o Verbo e o Espírito Santo, e esses três são um só; há três que testemunham na terra]: o espírito, a água e o sangue, e esses três são um só”.

Portanto, o interlocutor febiano, no n. 312 de O Consolador, driblou a parte do texto bíblico que se refere ao testemunho de Jesus em “espírito, água e sangue”, para só se referir à glosa marginal, ensejando a Emmanuel esta interpretação da Trindade: “Pai” => Deus, “Verbo” => Jesus, e “Espírito Santo” => “legião dos Espíritos redimidos e santificados que cooperam com o Divino Mestre, desde os primeiros dias da organização terrestre”. Definição tipicamente rustenista do Espírito Santo, assim como, por vezes, do Espírito da Verdade e mesmo do Consolador: “conjunto dos Espíritos puros, dos Espíritos superiores e dos bons Espíritos”; ou “falange sagrada dos Espíritos do Senhor”.[3]

Há, no entanto, um prefácio amistoso de Emmanuel ao livro Vida de Jesus, de Antonio Lima (F.E.B.) Na obra é defendida a tese do corpo meramente fluídico do Cristo. Da mesma forma em relação a Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, que menciona Roustaing ao lado de Delanne e Denis como cooperador de Kardec, e que é prefaciado por Emmanuel. Sobre A Grande Síntese, de P. Ubaldi, escritor que reeditou a queda angélica e a involução como pressuposto para a evolução, postulados afins do rustenismo, o jesuíta disse:

Aqui, fala a Sua Voz [de Jesus] divina e doce, austera e compassiva. […] é o Evangelho da Ciência, renovando todas as capacidades da religião e da filosofia, reunindo-as à revelação espiritual e restaurando o messianismo do Cristo, em todos os institutos da evolução terrestre. Curvemo-nos diante da misericórdia do Mestre e agradeçamos de coração genuflexo a sua bondade. Acerquemo-nos deste altar da esperança e da sabedoria, onde a ciência e a fé se irmanam para Deus.[4]

Ante um comunicado destes, natural é que alguns mais exaltados digam que Kardec foi superado por Ubaldi. Quanto a este pensador italiano, ao indigesto Roustaing e até ao excêntrico Ramatis, será que adeptos de suas doutrinas heterodoxas podem ter pleiteado para publicações afins o “aval” dos já cultuados instrutores de Chico Xavier, na intenção de facilitar a infiltração de tais obras no movimento espírita? E Chico? Analisava tudo? Infelizmente, não. Ele dizia que não era da sua competência entrar na apreciação sequer dos livros que psicografava, sendo um simples “animal de carga”.[5] E os Espíritos que davam o “aval”? Eram mesmo os seus guias? Em caso positivo, são confiáveis?
Normal é que o estudioso se reserve o direito de duvidar, até porque a codificação kardeciana assegura que “o melhor [médium] é o que, simpatizando somente com os bons Espíritos, tem sido enganado menos vezes”, assim como preconiza que, “por melhor que seja um médium, jamais é tão perfeito que não tenha um lado fraco, pelo qual possa ser atacado”.[6] Kardec já advertira também: “Pelo próprio fato de o médium não ser perfeito, Espíritos levianos, embusteiros e mentirosos podem interferir em suas comunicações, alterar-lhes a pureza e induzir em erro o médium e os que a ele se dirigem”. Consignara o mestre que este é, sim, “o maior escolho do Espiritismo” e que o meio determinante para evitá-lo é o “discernimento”; e por quê? Kardec assim responde:

As boas intenções, a própria moralidade do médium nem sempre são suficientes para o preservarem da ingerência dos Espíritos levianos, mentirosos ou pseudossábios, nas comunicações. Além dos defeitos de seu próprio Espírito, pode dar-lhes guarida por outras causas, das quais a principal é a fraqueza de carácter e uma confiança excessiva na invariável superioridade dos Espíritos que com ele se comunicam.[7]

O problema, todavia, é mais complexo, transcende a simetria óbvia entre a F.E.B. e a obra de Roustaing. Não constitui rustenismo a doutrina das almas gémeas, que, segundo Emmanuel, são criadas umas para as outras e umas às outras destinadas na eternidade, contrariando o comentário kardeciano ao n. 303-a de O Livro dos Espíritos, que diz: “É necessário rejeitar esta ideia de que dois espíritos, criados um para o outro, devem um dia fatalmente reunir-se na eternidade”. A F.E.B. até questionou o ensino das almas gémeas na obra O Consolador, ali o deixando, contudo, a pedido do próprio jesuíta.[8]

Quanto a isto, já não faz o menor sentido a hipótese de interpolação da Casa-Mater por força do rustenismo, que nunca professou a existência de almas gémeas, assim como jamais disse, por exemplo, que Marte é mais avançado em civilização do que a Terra, ou que os exilados adâmicos vieram de um suposto orbe não purificado física e moralmente, que guarda muitas afinidades com nosso mundo na órbita do “magnífico sol” Capela; na verdade, segundo a astronomia, um sistema de sóis com ausência de planetas.[9]

De fato, consta que Emmanuel teria dito a Chico Xavier que deveria permanecer com Jesus e Kardec caso lhe aconselhasse algo em desacordo com as palavras de ambos.[10] Mas nenhum ensino contrário a Kardec deixou de ser publicado por essa razão. Eis o fato.[11] De mais consistente lógica e de melhor proveito à clareza analítica, portanto, é que se atribua ao próprio Emmanuel tudo aquilo que dos seus livros conste.
Só Chico Xavier teve o poder de dirimir as dúvidas, mas nunca o fez, nunca levantou uma suspeita sequer sobre a F.E.B.; ao contrário, não é difícil encontrar-lhe pronunciamentos com os mais efusivos aplausos à Casa do “Anjo” Ismael, assim como ao grande J. Herculano Pires, maior opositor do rustenismo febiano. O médium sempre aparece ao lado de todos os partidos.
De tudo, restam os objectos, milhares de milhares de livros, o papel e a tinta, a confusão nas estantes, sempre bem acessível aos neófitos que chegam às casas espíritas e aos incautos leitores em busca de um Consolador que lhes dê milagrosas respostas. Só se pode julgar do que foi publicado. Eis a verdade. Cabe, pois, aos espíritas atentos a apreciação rigorosa de toda obra mediúnica, segundo os padrões de Kardec. Este deve ser o procedimento dos adeptos estudiosos, e a produção atribuída a qualquer Espírito não pode nem deve escapar a isso, seja quem for ou quem se diga ser.
Não passa de temeridade, com lamentáveis consequências já em curso, a ideia de que não se deve agir deste modo para não confundir ou chocar os simples. Na prática, isto é licitar ao Espiritismo que erros manifestos sejam arrolados à conta de patrimônio das consolações que prodigaliza a seus adeptos.
Encaminhemos os simples à segurança e pureza da fonte original do Espiritismo, à codificação kardeciana, em vez de entretê-los com equívocos que, mais tarde, os surpreenderão desprevenidos e, quem sabe, os convidarão à apostasia. O que disse Erasto a Kardec?
Deve-se eliminar sem piedade toda palavra e toda frase equívocas, conservando no ditado somente o que a lógica aprova ou o que a Doutrina já ensinou. […] Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos antigos provérbios. Não admitais, pois, o que não for para vós de evidência inegável. Ao aparecer uma nova opinião, por menos que vos pareça duvidosa, passai-a pelo crivo da razão e da lógica. O que a razão e o bom-senso reprovam, rejeitai corajosamente. Mais vale rejeitar dez verdades do que admitir uma única mentira, uma única teoria falsa. Com efeito, sobre essa teoria poderíeis edificar todo um sistema que desmoronaria ao primeiro sopro da verdade, como um monumento construído sobre a areia movediça.[12]
Para o movimento espírita, no entanto, isto não há passado de meras frases de efeito, inseridas em retóricas quase sempre desmentidas pelo cotidiano institucional da maior parte dos adeptos do espiritismo à moda da Casa-Máter do rustenismo. Sobre o assunto espinhoso deste capítulo, decerto que muito a propósito são as reflexões de nosso valoroso confrade Artur Felipe de A. Ferreira, em seu artigo “De Que Lado Está Emmanuel?”.[13]


[1] Revista Espírita. Jan/1864. Um Caso de Possessão. Senhorita Júlia. Nota: O sábio Hahnemann é quem afirma ali que o Espírito de Verdade dirige este globo, ou seja, a Terra.
[2] Cf. SCHUBERT, Sueli Caldas. Testemunhos de Chico Xavier, p. 23-24. Apud DA SILVA, Gélio Lacerda. Conscientização Espírita. Chico Xavier, Emmanuel e a F.E.B.
[3] Os Quatro Evangelhos. Vol. I, n. 9; Vol. II, n. 187; Vol. IV, n. 1.

Nota: Quanto ao Espírito da Verdade, é curioso, o rustenismo muito se divide, porque subsiste na obra a instrução dos bons Espíritos que, em Bordéus — na casa de Roustaing e na de Sabo —, chegaram a revelar que se tratava de Jesus, como o próprio advogado fez questão de consignar a Kardec, bem antes do cisma que promoveria. (Cf. Revista Espírita. Jun/1861. Correspondência.) Evidentemente, os Espíritos que passaram a substituir os Iniciadores se valeram de uma autêntica revelação destes para impor aos bordeleses mais incautos lamentáveis sistemáticas a título de comandos do Cristo, de Moisés, dos evangelistas, de Maria e dos apóstolos. J.-B. Roustaing, infelizmente, faliu ante provável missão que não chegou a cumprir, tornando um pouco mais árdua a gigantesca tarefa do gênio lionês. Não foi sem motivo que disse o mestre sobre o livro rustenista: “[…] ao lado de coisas duvidosas, em nosso ponto de vista, encerra outras incontestavelmente boas e verdadeiras, e será consultada com proveito pelos espíritas sérios […]”. (Revista Espírita. Jun/1866. Os Evangelhos Explicados.)

[4] Ob. cit. 18.ª ed. Trad.: Carlos Torres Pastorino e Paulo Vieira da Silva. Vol. II. Z
5] Cf. Emmanuel. 15.ª ed., F.E.B., Prefácio, p. 21. Cf. DVD Pinga-Fogo 2. Clube de Arte. Cf. ALEIXO. Ensaios da Hora Extrema. Não Há Médiuns Infalíveis.
[6] O Livro dos Médiuns. XX, 226, 9.ª e 10.ª
[7] Revista Espírita. Fev/1859. Escolhos dos Médiuns.
[8] Cf. n. 323 e nota à primeira edição.
[9] Cf. Emmanuel, “A Tarefa dos Guias Espirituais”. A Caminho da Luz, cap. 3. Cf. ALEIXO. Ensaios da Hora Extrema. Kardec e os Exilados.
[10] Diálogo dos Vivos [em parceria com Herculano Pires], cap. 23: Permanecer com Jesus e Kardec.
[11] Cf. ALEIXO. Ensaios da Hora Extrema. Léon Denis, Emmanuel e as Almas Gêmeas; Mística Marciana e Segurança Doutrinária; Kardec e os Exilados; Sobre André Luiz.
[12] O Livro dos Médiuns, 230.
[13] http://coerenciaespirita.blogspot.com/2008/10/de-que-lado-est-emmanuel.html

O vídeo acima, encontra-se no YouTube horizontalmente invertido, da direita para a esquerda. Isso deforma inclusivamente o título do livros que Sérgio Aleixo segura na mão “Francisco Cândido Xavier, Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”. Tentei mudar isso, mas não consegui. O próprio rosto de Sérgio Aleixo está um pouco deformado.

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University of Virginia – Division of Perceptual Studies

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  Fundada em 1967 pelo Dr. Ian Stevenson, a DOPS (Division of Perceptual Studies) da Universidade de Virgínia, em Charlottesville é um grupo universitário de investigação há muito estabelecido, exclusivamente dedicado à análise de fenómenos que desafiam as correntes principais do paradigma materialista ainda dominante quanto à mente e ao cérebro, como estruturas ligadas e interdependentes. Ao contrário, os investigadores da DOPS estão a avançar no estudo dos fenómenos relacionados com a consciência como entidade independente claramente fora do corpo, bem como os fenómenos que revelam directamente a sobrevivência da consciência humana depois da morte física. Através de estudo cuidadoso, os investigadores do DOPS analisam e documentam os dados empíricos que foram registados quanto às experiências humanas que revelam a sobrevivência da consciência em casos de morte física, aparecendo a mente e o cérebro como diferentes e separados.

“É nossa a esperança de que outros cientistas de mente aberta se aproximem de nós para continuarmos os desafios de um estudo sério, o da natureza da consciência e as suas interacções com o mundo físico.”

O professor Ian Stevenson, fundador do DOPS, (1918 – 2007) que desenvolveu profundos estudos experimentais relacionados com a tese das vidas múltiplas, ou reincarnação.

As investigações da Divisão de Estudos de Perceção (DOPS) da Universidade de Virginia, entre outros, incluem:

  • Investigação dos meninos que, ao redor do mundo, relataram casos de memórias retidas de vidas passadas;
  • Investigação da consciência; casos comprovados de relacionamento da mente separada do corpo;
  • Estudo de imenso número de casos de Experiências de Quase-Morte (EQM, Near Death Experiences, NDE, em inglês), para sistematização científica, mediante entrevistas com os respetivos protagonistas;
  • Estudo de neuro-imagens de casos PSI; etc

 

O vídeo aqui apresentado desenvolve-se, naturalmente, em língua inglesa. Para melhorar a sua compreensão, sugere-se o uso das legendas, também em inglês, que é possível inserir num dos comandos, do lado direito em baixo. O processo de inserção é automático, por isso, não 100% perfeito.

Neste vídeo, a respeito da VIDA DEPOIS DA MORTE está documentado uma série de depoimentos de 5 professores universitários, sendo moderador um conhecidíssimo escritor e actor, John Cleese, um dos fundadores do Monty Python, e teve lugar no dia 12 de Abril de 2018 no Paramount Theatre em Charlottesville, com os seguintes participantes:

O professor Bruce Greyson, um dos fundadores do IANDS e professor da UVA. Para melhor esclarecimento consultar: https://med.virginia.edu/perceptual-studies/dops-staff/bruce-greysons-bio/

O professor James Tucker, continuador de Ian Stevenson: https://med.virginia.edu/perceptual-studies/dops-staff/jim-tuckers-bio/

Emily Williams Kelly, Ph.D. , UVA, Assistant Professor of Research, Division of Perceptual Studies, Department of Psychiatry and Neurobehavioral Sciences:

Emily Kelly’s Bio

Jennifer Penberthy, Ph.D. , Universidade da Virgínia; ABPP:

Jennifer Penberthy, PhD

Edward Kelly, Ph.D. Professor of Research, Division of Perceptual Studies, Department of Psychiatry and Neurobehavioral Sciences | Universidade de Virgínia;

https://med.virginia.edu/perceptual-studies/dops-staff/ed-kellys-bio/

Alguns exemplos de livros editados pelas entidades acima referidas no âmbito do seu trabalho no DOPS