O Espiritismo na sua expressão mais simples, de Allan Kardec

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Exposição sumária do ensino dos Espíritos e da natureza das suas manifestações

Allan Kardec

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sem caridade não há salvação;
Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei;
Fé inquebrantável, só aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade.

Tradução a partir de um texto original francês ao gosto pessoal de leitura do autor deste blogue e conforme a língua portuguesa de Portugal

“O Espiritismo na sua Expressão mais simples”

 Este é um começo ideal no estudo dos textos base mais importantes e legítimos do espiritismo.
O livrinho que Allan Kardec escreveu em 1862, ainda não estava completa a série de obras da codificação, poderá constituir – conforme aqui se procura demonstrar – um precioso auxiliar na divulgação rápida do Espiritismo.
Chamou-se em francês “Le Spiritisme à sa plus Simple Expression”.
Por ser um texto muito rico, recheado de ideias fundamentais e momentos fortes, tomei a iniciativa de criar um encadeado de sub-títulos que servirão para individualizar esses momentos, criando um ritmo de leitura propício à reflexão.
Com a boa-vontade com que foram colocados, tenho a ideia que o professor Hipólito Leão não iria zangar-se…
José da Costa Brites

RESUMO HISTÓRICO DO ESPIRITISMO

O início das comunicações organizadas com os espíritos

Por volta de 1848, começou a prestar-se atenção nos Estados Unidos da América a certos fenómenos estranhos, ruídos, pancadas e movimento de objetos sem causa conhecida.
Esses fenómenos sucediam com frequência de modo espontâneo, com uma intensidade e uma persistência singulares; notou-se também que se produziam especialmente sob influência de certas pessoas designadas como “médiuns”, que podiam provocá-los à sua vontade, ou seja, podiam repetir as experiências.
Foram usadas para isso mesas; não por serem objetos mais práticos do que outros, mas unicamente porque é o móvel mais cómodo para alguém se sentar à sua volta.
Obteve-se, dessa maneira, a rotação das mesas, depois movimentos em todos os sentidos, sobressaltos, quedas, levantamentos, pancadas com violência, etc.

Foi o fenómeno designado a princípio, como das “mesas girantes” ou “dança das mesas”

Até aí o fenómeno podia perfeitamente explicar-se por razões electro-magnéticas, ou por ação energética desconhecida, e essa foi mesmo a opinião que se formou.
Não tardou porém a reconhecer-se nesses fenómenos a categoria de efeitos inteligentes.
Isso porque o movimento obedecia ao que era solicitado; a mesa movia-se para a direita ou para a esquerda em direção à pessoa designada e, uma das pernas da mesa levantava-se podendo dar o número certo de pancadas no chão, a compasso, etc., tudo conforme fosse pedido.

As mesas falavam porque eram controladas por seres inteligentes

Desde então tornou-se evidente que a causa não era puramente física e, de acordo o axioma de que:  “Se todo o efeito tem uma causa, todo o efeito inteligente deve ter uma causa inteligente”.
A conclusão que se tirou foi de que o fenómeno deveria ser provocado por uma vontade inteligente.
Qual era a natureza dessa inteligência?
O primeiro pensamento foi que isso poderia ser um reflexo da inteligência do médium ou dos assistentes, mas a experiência logo demonstrou ser impossível; os resultados obtidos eram completamente alheios ao pensamento e aos conhecimentos das pessoas presentes, e mesmo contrários às suas ideias, à sua vontade e ao seu desejo.

A origem da ação inteligente só podia pertencer a um ser invisível.

O meio para averiguar isso era muito simples: Era necessário entrar em conversação com o ser que provocava os efeitos observados, o que se fez por meio de pancadas da perna da mesa.
De acordo com o número combinado, as pancadas significariam um SIM ou um NÃO a certas perguntas, ou ajudariam a designar certas letras do alfabeto para com elas formar palavras. Inventou-se assim uma forma de fazer perguntas e de obter respostas do ser que provocava os fenómenos.

Os seres inteligentes eram os espíritos e a sua mensagem era coerente

A partir desse momento as mesas deixaram de ser “dançantes” ou “girantes” e passaram a chamar-se MESAS FALANTES porque comunicavam deliberadamente mensagens.
Os seres que comunicavam tais mensagens, interrogados sobre a sua natureza, declararam ser Espíritos e pertencerem a um mundo invisível.
Tendo-se repetido os mesmos efeitos em grande número de localidades, por intermédio de pessoas diferentes e testemunhados por pessoas sérias e esclarecidas, tornou-se impossível aceitar que todos fossem vítimas de ilusão.

Dos Estados Unidos para vários países na Europa

Da América o fenómeno passou para a França e para o resto da Europa onde, durante alguns anos, as mesas girantes e falantes estiveram em moda nos salões onde se buscava entretenimento. Deixando de ser novidade, foram postas de lado em benefício de novas distrações.
O fenómeno não tardou a assumir um novo aspeto, deixando de ser uma mera curiosidade. Dado que a brevidade deste resumo não nos permite descrever todas as fases desse processo, passamos a descrever quais os aspetos que passaram a atrair, sobretudo, a atenção dos mais sérios interessados.
Digamos à partida e de passagem que a realidade do fenómeno encontrou numerosos contraditores; Alguns, sem levarem em conta o desprendimento material e a honradez dos experimentadores, apenas viram neles malabarismo hábil e passes de ilusionismo.
Aqueles que nada admitem para além da matéria, que só acreditam no mundo visível, que pensam que tudo morre com o corpo, os materialistas, numa palavra: aqueles que, por se sentirem “espíritos fortes”, imunes a patranhas, rejeitam a existência dos espíritos invisíveis que arrumam na classe de fábulas absurdas; classificaram de loucos aqueles que levavam essas experiências a sério e tentaram acabrunhá-los com sarcasmos e troça.
Outros, não podendo negar os fatos, e sob o império de uma certa ordem de ideias, atribuíram esses fenómenos à influência exclusiva do diabo e procuraram, por esse meio, atemorizar os tímidos.
Atualmente o medo do diabo perdeu o estatuto que possuía; tanto dele se falou, foi pintado de tão variadas formas que se trivializou, tendo muita gente ficado com a ideia que talvez não fosse pior ideia acabar por conhecê-lo para ver como de facto é.
O resultado disso é que, à parte um pequeno grupo de mulheres receosas, o anúncio de chegada do verdadeiro diabo não deixava de causar sensação junto dos que apenas o tinham visto pintado na tela ou às piruetas no palco.
Tornou-se por isso um atrativo que pregou uma partida aos que quiseram servir-se dele para colocar uma barreira frente a novas ideias, tendo acabado de desempenhar – contra vontade – o papel de eficazes denunciadores dos disparates de que foram inventores.
Os outros críticos não tiveram maior sucesso, porque perante os fatos concretos e os raciocínios categóricos, só puderam opor desmentidos.
Lede o que publicaram e por toda parte encontrareis a prova da ignorância e da falta de observação séria dos fatos, jamais tendo conseguido demonstrar a sua impossibilidade.
Tudo o que afirmaram se resumia a dizer que “não acredito, por isso, nada existe”; “todos os que acreditam são parvos”; “só nós é que temos o privilégio da razão e do bom-senso”.
O número dos adeptos produzidos pela crítica séria ou brincalhona é incalculável, porque por todo o lado só se encontram opiniões pessoais vazias de provas de impossibilidade. Prossigamos, pois, com a nossa apresentação.

A evolução das técnicas de comunicação com os espíritos

As comunicações por pancadas eram lentas e incompletas; Verificou-se que adaptando-se um lápis a um objeto móvel: cesta, prancheta ou outro qualquer que se segurasse com os dedos, esse objeto punha-se em movimento e desenhava letras.
Mais tarde concluiu-se também que tais utensílios eram dispensáveis, demonstrando a prática que o o espírito podia atuar diretamente por intermédio dos membros do médium, que escrevia a mensagem pela sua própria mão. Isso deu origem aos médiuns de escrita, isto é, pessoas que escrevem involuntariamente sob a influência dos espíritos de quem se tornam instrumentos ou intérpretes.

Finalmente: falar em direto com os espíritos

A partir daí as comunicações tornaram-se mais fáceis e a troca de pensamentos pôde começar a fazer-se como entre pessoas vivas, com rapidez e fluência. Foi um vasto campo que se abriu à exploração e descoberta de um mundo novo: o mundo dos invisíveis, da mesma forma que o microscópio tinha revelado o mundo das coisas ínfimas.
O que são esses espíritos? que papel desempenham no universo? Com que propósito comunicam com os mortais? Eram essas as primeiras perguntas que era necessário esclarecer. Em breve se soube, por eles mesmo, que não eram seres à parte na criação, mas sim as próprias almas dos que tinham vivido sobre a terra ou noutros mundos; almas que, libertas do seu veículo, ou envoltório corporal , povoavam e percorriam ainda o espaço.

Os espíritos dão provas porque são pessoas conhecidas ou de família

Deixou de poder duvidar-se da proximidade dos espíritos quando, dentre as várias entidades contactadas, foi possível reconhecer amigos e familiares; Quando estes mesmo vieram dar provas de existirem, demonstrando:

− que neles apenas haviam falecido os corpos;
− que os espíritos continuavam vivos, que estavam ali junto de nós, observando-nos e vendo-nos como quando viviam ainda materialmente, rodeando de atenções os seus entes queridos cuja recordação continuava a ser para eles a mais doce satisfação.

A constituição científica de todos os seres humanos como nós

Tem-se geralmente dos espíritos uma ideia completamente falsa. Não são, como é vulgar imaginá-los, seres abstratos, vagos e indefinidos, nada que se pareça com uma mancha luminosa ou uma centelha. Pelo contrário são seres bem reais, individualizados e com formas definidas. Pode-se ter uma ideia aproximada a seu respeito da seguinte maneira:

As pessoas enquanto materialmente vivas são constituídas por três elementos essenciais:

1º − a alma ou espírito, princípio inteligente no qual reside o pensamento, a vontade e o sentido moral;
2º − O corpo, parcela, ou invólucro material, pesado e comparativamente mais denso, que serve para que o espírito se relacione dom o mundo exterior;
3º − o perispírito, parcela ou sistema energético, muito leve, que serve de elemento de ligação e intermediário entre o espírito e o corpo.

A morte não existe

Quando a parcela ou invólucro material, o corpo, se gasta e deixa de funcionar, o espírito desembaraça-se dele como fruto da casca ou como quem despe um fato já usado.
A morte é só a destruição desse elemento mais denso se comparado com o espírito e que lhe serve de veículo durante a vida terrena.
Durante toda essa vida o espírito está constrangido às limitações da matéria à qual é transitoriamente associado e que condiciona parte significativa das suas faculdades.
A morte do corpo liberta-o desse constrangimento, do qual se vê livre recuperando a liberdade natural que lhe é própria, tal borboleta que se desprende da crisálida.
Mas só se liberta do corpo material, mantendo a seu serviço e levando consigo para o mundo espiritual o já falado perispírito, que passa a ser o seu corpo etéreo e vaporoso, cuja imponderabilidade conserva o aspeto humano, sua forma-tipo.

As propriedades do perispírito

No seu estado normal o perispírito é invisível para nós, podendo o espírito imprimir-lhe modificações que o tornam momentaneamente acessível à vista e ao tato, como se passa com o vapor condensado. É sob essa forma que pode revelar-se-nos em aparições.
Com a ajuda do perispírito, o espírito pode atuar sobre a matéria, produzindo ruídos, movimentando objetos e provocando atos de escrita.

As manifestações dos espíritos

Certos ruídos e movimentação de objetos são meios de que os espíritos se servem para dar provas da sua presença e chamarem a atenção, da mesma forma que fazemos para revelar a nossa presença. Em certos casos não se limitam a ruídos moderados, indo ao ponto de simular grande barulheira de louça partindo-se, portas abrindo e fechando-se, ou móveis que caiem ao chão.
Pelas pancadas e movimentos combinados puderam começar a revelar os seus pensamentos, oferecendo-lhes a escrita um processo mais rápido e cómodo. Foi esse o que preferiram. Do mesmo modo que puderam traçar letras passaram a guiar as mãos executando desenhos, compondo música, e tangendo instrumentos musicais. Numa palavra, não dispondo já de corpo ativo, serviram-se do corpo dos médiuns para se manifestar aos homens de forma percetível.
Há ainda outras formas pelas quais se podem manifestar os espíritos, entre outras pela vista e pela audição. Certas pessoas, chamados médiuns auditivos têm a faculdade de ouvir, e podem por isso conversar com eles.

Os médiuns videntes

Outras pessoas podem ver os espíritos, são os médiuns videntes. Os espíritos que se manifestam dessa forma apresentam-se geralmente de forma análoga àquela que tinham em vida, embora vaporosa.
Certas vezes, porém, esse aspeto reproduz exatamente um ser vivo, ao ponto de provocar a ilusão completa das pessoas em carne e osso com as quais foi possível conversar e apertar a mão, sem reparar que se tratava de espíritos, senão no momento da sua desaparição súbita.
A visão permanente e geral dos espíritos é raríssima, mas as aparições individuais frequentes, sobretudo no momento da morte.  Os espíritos que se libertam da vida material parece terem urgência de ver os seus familiares e amigos, como para avisá-los de que deixaram a terra e que continuam vivos.
(NT.: ter em atenção o fenómeno das “visões no leito de morte” estudado e recenseado por especialistas de diversas áreas, mesmo sem ser espíritas).
Se as pessoas em geral fizerem um inventário de recordações ver-se-á ao certo qual o número de factos deste género a que não se deu atenção e que sucederam não apenas de noite, durante o sono, mas em pleno dia no estado mais completo de vigília. Outrora entendiam-se tais fenómenos como sobrenaturais e maravilhosos, e atribuíam-se à magia ou à feitiçaria. Os incrédulos levam-nos à conta de imaginários, mas, desde a altura que a ciência espírita esclareceu as suas causas, sabemos como se produzem e que são acontecimentos da ordem dos fenómenos naturais.

Os espíritos nem são todos bons nem são todos sábios

Acreditou-se além disso que os espíritos, pela simples razão de o serem, dominariam toda a ciência e toda a sabedoria. É um erro que a experiência não tardou a revelar. Dentre as comunicações dos espíritos há as que têm uma sublime profundidade, eloquência, sabedoria, moral e que só respiram bondade e benevolência. Paralelamente há as que mostram vulgaridade, ligeireza, trivialidade e mesmo grosseria, revelando que o espírito comunicante revela instintos os mais perversos. É evidente que esta diversidade de comunicações não deriva das mesmas fontes e que tanto existem espíritos bons como espíritos maus.
Os espíritos, que não passam de almas humanas, não podem tornar-se perfeitos no momento em que deixam o corpo físico. Até que se não dê a sua evolução, conservam todas as imperfeições da vida corporal. É por esse motivo que existem espíritos de todos os graus de bondade e de maldade, de sabedoria e de ignorância.

Quem fundou o espiritismo foram os espíritos, que são almas dos homens

Os espíritos comunicam com as pessoas deste mundo com prazer, sendo para eles uma satisfação ver que não foram esquecidos. Descrevem com boa vontade as suas impressões a respeito da partida para o mundo espiritual e da sua nova situação, a natureza das suas alegrias e dos seus sofrimentos no mundo em que se encontram,
Uns são muito felizes, outros infelizes, alguns passam mesmo por tormentos horríveis, segundo a maneira como viveram e de acordo com o bom ou mau emprego, útil ou inútil, que fizeram da sua vida. Observando-os em todas as fases da sua nova existência, de acordo com as posições que ocuparam na terra, o género de morte pelo que passaram, os seus caracteres e hábitos enquanto homens chega-se a um conhecimento, senão completo, pelo menos bastante exato do mundo espiritual, o que nos permite avaliar as nossas futuras condições e pressentir que sorte nos espera, feliz ou infeliz.
As instruções dadas por espíritos de ordem elevada a respeito dos assuntos que interessam à humanidade, as respostas que deram às perguntas que lhe foram apresentadas, tendo sido recolhidas e coordenadas com cuidado, constituem toda a ciência, toda a doutrina moral e filosófica que tem o nome de Espiritismo.

O Espiritismo É, POIS, a doutrina fundada sobre a existência, as manifestações e o ensinamento dos espíritos.

Essa doutrina encontra-se exposta de maneira completa em:

− “O Livro dos Espíritos” nos seus aspetos filosóficos;
− “O Livro dos Médiuns” nos aspetos da sua prática experimental;
− “O Evangelho segundo o Espiritismo” nos seus aspetos morais;

(Nota do tradutor: ao tempo da publicação desta pequena obra – em 1862 – não estavam ainda publicados os restantes livros da codificação espírita, a saber: “O Céu e o Inferno” e “A Génese”.)
Podemos ajuizar, pela análise que fornecemos conjuntamente dessas obras da variedade, da extensão e da importância das matérias que a doutrina referida abarca.
Tal como foi dito acima o Espiritismo teve o seu início no fenómeno vulgar das mesas girantes, que falava mais aos olhos que à inteligência e estimulava mais a curiosidade que o sentimento.
Uma vez esgotada a novidade, no caso de nada se ter compreendido, o interesse morria.
Esse panorama mudou por completo quando foram tiradas as devidas conclusões a respeito dos factos e se atingiram as causas respetivas.
Sobretudo quando se concluiu que essas “mesas girantes”, que tinham servido serões de divertimento, tinham a capacidade de produzir uma doutrina moral dirigida às almas;
− dissipando a dúvida angustiante da origem e do futuro das nossas vidas;
− e preenchendo o enorme vazio provocado pela falta de esclarecimento sobre o destino da humanidade;
as pessoas sérias receberam de braços abertos o benefício dessa nova doutrina que, desde logo, longe de declinar, se viu progredir na sociedade com incrível rapidez.

(…)

O Espiritismo, contudo, não é uma descoberta moderna. Os factos e os princípios sobre os quais se apoia perdem-se na noite dos tempos, encontrando-se os seus vestígios nas crenças de todos os povos, em todas as religiões e na maior parte dos escritores dos textos sagrados e profanos. Somente os factos, incompletamente observados foram frequentemente interpretados de acordo com as superstições da ignorância, e deles não se tinham retirado as respetivas conclusões.
Com efeito o Espiritismo fundou-se na existência dos espíritos, que eram exatamente as almas dos homens.
Desde que há homens, há espíritos; o Espiritismo nem os descobriu nem os inventou.
Se as almas, ou espíritos podem manifestar-se aos vivos é porque isso está na própria natureza e é por isso que tais manifestações se verificaram desde sempre.
Por esse facto, são de todos os tempos e de todos os lugares as provas de tais manifestações, especialmente abundantes sobretudo nos textos bíblicos.

O Espiritismo: a verdade comprovada pelos fatos

O que é moderno é a explicação lógica dos factos, o conhecimento mais completo da natureza dos espíritos, do seu papel e das suas formas de agir, da revelação do nosso estado futuro, enfim, da constituição de um corpo científico e doutrinário e suas aplicações.
Os antigos conheciam os princípios e os modernos conhecem os detalhes.
Na antiguidade o estudo destes fenómenos era privilégio de certas castas que só os revelavam aos iniciados em tais mistérios. Na Idade Média aqueles que se dedicavam ostensivamente a tais estudos eram olhados como feiticeiros e eram queimados nas fogueiras.
Hoje não há mistérios para ninguém, já não se mandam pessoas para as fogueiras. Tudo se passa às claras e todos têm o direito de aprender e de fazer experiências, porque os médiuns abundam.
A própria doutrina que é hoje ensinada pelos espíritos nada tem de novo. Encontra-se fragmentada pela maior parte dos filósofos da Índia, do Egito e da Grécia, e por inteiro nos ensinamentos do Cristo.

Os efeitos do Espiritismo

A que vem agora o Espiritismo?
Vem confirmar novos testemunhos, demonstrados pelos factos verdades desconhecidas ou mal compreendidas e colocar no seu devido lugar ideias que têm sido mal interpretadas.
O Espiritismo não ensina nada de novo, é certo. Mas é muito importante provar de modo claro e inegável a existência da alma, a sobrevivência e a conservação da individualidade depois da morte, a imortalidade, as penas e recompensas futuras!…
Imensa gente acredita nessas coisas, mas com uma vaga reserva de incertidão, dizendo de si para consigo: “Se calhar, as coisas não são bem assim!” Muitos terão sido levados à incredulidade por lhes ter sido apresentado o futuro de maneira que não podiam conceber racionalmente.
Para o crente duvidoso é fundamental poder dizer para si próprio de uma vez por todas: “Agora, tenho a certeza!” Tanto como para o cego é fundamental poder ver claramente de novo.

Pelos factos e pela sua lógica o Espiritismo vem

− dissipar a ansiedade da dúvida e trazer à fé aqueles que dela se tinham afastado;
− revelando-nos a existência do mundo invisível que nos rodeia, e no meio do qual vivemos sem disso fazer a mínima ideia, dá-nos a conhecer, pelo exemplo daqueles que deixaram de viver, as condições que nos cabem da felicidade ou da infelicidade que nos espera.
− Explica-nos a causa dos nossos sofrimentos na vida terrena e os meios que de que dispomos para aliviá-los.

A propagação do Espiritismo terá como consequência inevitável a destruição das doutrinas materialistas que não podem resistir à evidência dos fatos.
O homem, convencido da grandeza e da importância da sua existência futura, que é eterna, compara-a à incertidão da vida terrestre, que é tão curta, e eleva-se pelo pensamento acima das questiúnculas humanas.
Conhecendo a causa e o propósito das suas misérias, suporta-as com paciência e resignação, porque sabe que são um meio para alcançar um estado de melhor evolução.
O exemplo daqueles que vêm de além-túmulo descrever o seu júbilo e as suas dores, como provas da vida futura, prova de igual modo que nenhum vício fica impune e nenhuma virtude fica sem recompensa.
Acrescentemos enfim que as comunicações com os entes queridos que nos deixaram são causa da doce consolação de que eles existem, e que mais próximos deles nos encontramos que se – estando vivos – tivessem ido morar para qualquer país estrangeiro.

Em resumo o Espiritismo abranda a a amargura dos desgostos da vida,

− acalma os desesperos e as agitações da alma,
− dissipa as incertezas e os receios do futuro,
− desencoraja o intuito de encurtar a vida pelo suicídio; por isso mesmo torna felizes aqueles que à vida e ao futuro se entregam; e é esse o grande segredo da sua rápida propagação.

Sob o ponto de vista religioso o Espiritismo tem por base as verdades fundamentais de todas as religiões : Deus, a alma, a imortalidade, as penas e recompensas futuras, mas é independente de qualquer espécie de culto.
A sua finalidade é a de provar àqueles que negam ou que duvidam que a alma existe, não só que ela existe como sobrevive ao corpo; que, após a morte, sofre as consequências do bem e do mal que tenha feito durante a vida corporal. Isso, é de todas as religiões.
O Espiritismo, como crença nos espíritos é igualmente de todas as religiões e de todos os povos, porque onde há homens há almas e espíritos e de todos os tempos são as manifestações cujos relatos em todas se podem encontrar sem exceção.
Pode ser-se católico, grego ou romano, protestante judeu ou muçulmano, e acreditar-se nas manifestações dos espíritos e, por conseguinte, ser-se espírita; a prova é que o Espiritismo tem aderentes de todas essas correntes religiosas.
Como moral é essencialmente Cristão, porque a moral que ensina é justamente o desenvolvimento e a aplicação da moral de Jesus, a mais pura de todas e cuja superioridade não é contestada por ninguém, o que faz dela a lei de Deus. A moral está ao serviço de todos os homens.

O Espiritismo não é uma religião

O Espiritismo, sendo independente das formas de culto, não prescreve nenhum; não se ocupando de dogmas, não é religião, dado que nem tem padres nem templos. Aos que lhe perguntam se fazem bem em seguir esta ou aquela prática, responde: “Se acreditais que a vossa consciência nisso vos empenha, fazei-o”: Deus leva sempre em conta as intenções.
Numa palavra, o Espiritismo não se impõe a ninguém nem se dirige aos que têm fé, e aos que com a fé se satisfazem, mas à categoria numerosa dos inseguros e dos incrédulos; não os tira da Igreja da qual se separaram moralmente no todo ou em parte; obriga-os a fazer três quartas partes do caminho para nela entrar – cabendo-lhe a ela fazer a parte restante da tarefa.
É certo que o Espiritismo combate algumas ideias como a das penas eternas, a do fogo do inferno e da figura do diabo, etc. Algumas destas crenças impostas como indiscutíveis produziram incrédulos ao longo dos séculos, tal como ainda hoje o fazem.
O Espiritismo, dando destes dogmas e de alguns outros uma explicação racional, devolve desse modo a fé aos que a haviam abandonado, prestando à religião um serviço de valor. A esse respeito afirmava um venerando membro do clero: “O Espiritismo faz com que se acredite em algo. E é melhor isso do que não acreditar em nada”.
Sendo os espíritos propriamente almas, não podemos negar uns sem negar as outras.
Admitindo-se a existência das almas e dos espíritos na sua expressão mais simples, a questão que se coloca é esta: as almas daqueles que já morreram podem comunicar com os que ainda estão vivos na carne?
O Espiritismo dá a essa pergunta uma resposta afirmativa baseado em factos materiais. Que provas podem dar-se de que tal não é possível?
Se tais comunicação são um facto, nem todas as negações do mundo podem pô-las em dúvida. Essas comunicaçóes não são um sistema ou uma teoria. São uma lei da natureza, contra a qual a vontade do homem nada pode. De boa ou de má vontade é preciso aceitar as suas consequências, acomodando a ela crenças e hábitos.

RESUMO DO ENSINAMENTO DOS ESPÍRITOS

Deus

  1. Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas.
    Deus é eterno, único, imaterial, imutável, todo-poderoso, soberanamente justo e bom. Deve ser infinito em todas as suas perfeições, porque supondo-se um único de seus atributos imperfeito, já não seria Deus.
  2. Deus criou a matéria que constitui os mundos; criou também seres inteligentes, que chamamos Espíritos, encarregados de administrarem os mundos materiais segundo as leis imutáveis da criação, os quais podem ser aperfeiçoados na sua própria natureza, aproximando-se por isso da divindade.

 

O espírito

  1. O espírito propriamente dito é o princípio inteligente. A sua natureza íntima é-nos desconhecida; para nós é imaterial porque não tem nenhuma analogia com o que chamamos matéria.
  2. Os Espíritos são seres individuais; têm um envoltório etéreo, imponderável, chamado perispírito, complexíssimo sistema energéticoflui com configuração semelhante à da forma humana. Povoam os espaços, que percorrem com a rapidez do relâmpago e constituem o mundo invisível.
  3. A origem e o modo de criação dos Espíritos são desconhecidos; sabemos apenas que foram criados simples e ignorantes, quer dizer, sem ciência e sem conhecimento do bem e do mal mas com igual aptidão para tudo porque Deus, em sua justiça, não poderia isentar uns do trabalho que tivesse imposto a outros para chegarem à perfeição. Ao princípio estão numa espécie de infância, sem vontade própria e sem consciência perfeita de sua existência.
  4. Tendo-se desenvolvido o livre arbítrio nos Espíritos ao mesmo tempo que as ideias, disse-lhes Deus: “Podeis todos aspirar à felicidade suprema quando houverdes adquirido os conhecimentos que vos faltam e cumprida a tarefa que vos imponho. Trabalhai, pois, para o vosso aperfeiçoamento. O objectivo é este:  atingi-lo-eis seguindo as leis que gravei na vossa consciência.”

O livre arbítrio e o Mal

Em consequência de seu livre arbítrio, uns tomam a estrada mais curta, que é o do bem, outros a mais longa, que é a do mal.

  1. Deus não criou o mal; estabeleceu leis e essas sempre boas, porque ele é soberanamente bom; aquele que as observasse fielmente seria perfeitamente feliz; mas os Espíritos, tendo seu livre arbítrio, nem sempre as observaram e o mal resultou, para eles, da sua desobediência. Pode dizer-se, pois, que o bem é tudo o que está conforme com a lei de Deus e o mal tudo o que é contrário a essa mesma lei.

A encarnação

  1. Para contribuir, como agentes do poder divino, para a edificação dos mundos materiais, os Espíritos revestem-se temporariamente de um corpo material. Pelo trabalho que sua existência corpórea necessita, aperfeiçoam a sua inteligência e adquirem, observando a lei de Deus, os méritos que devem conduzi-los à felicidade eterna.
  2. A encarnação não foi imposta ao Espírito, de início, como punição; ela é necessária ao seu desenvolvimento e à realização das obras de Deus, e todos devem passar por ela, tomem o caminho do bem ou do mal; somente aqueles que seguem a rota do bem, avançando mais rapidamente, demoram menos a atingir o objetivo e alcançam-no em condições menos penosas.
  3. Os Espíritos encarnados constituem a Humanidade, que não é circunscrita à Terra, mas que povoa todos os mundos disseminados no espaço.
  4. A alma do homem é um Espírito encarnado. Para ajudá-lo no cumprimento da sua tarefa, Deus deu-lhe como auxiliares, os animais que lhe são submissos e cuja inteligência e caráter são proporcionados às suas necessidades.

 

A evolução do espírito

  1. O aperfeiçoamento do Espírito é fruto do seu próprio trabalho; não podendo, numa só existência corpórea, adquirir todas as qualidades morais e intelectuais que devem conduzi-lo ao objetivo, faz isso por uma sucessão de existências, em cada uma das quais dá alguns passos em frente no caminho do progresso.
  2. Em cada existência corpórea, o Espírito deve dedicar-se a uma tarefa proporcional ao seu desenvolvimento; quanto mais rude e laboriosa for, mais mérito tem em cumpri-la. Cada existência, assim, é uma prova que o aproxima do objetivo. O número dessas existências é indeterminado. Depende da vontade do Espírito encurtar o seu número, trabalhando ativamente pelo seu aperfeiçoamento moral; do mesmo modo que depende da vontade do obreiro que tem uma tarefa reduzir o número de dias que leva para cumpri-la.
  3. Quando uma existência foi mal empregada não terá proveito para o Espírito, que deve repeti-la em condições mais ou menos penosas, em função da sua negligência e da sua má vontade; assim é que, na vida, pode ser-se constrangido a fazer no dia seguinte, o que não se fez na véspera, ou a fazer de novo o que se fez mal.

Os espíritos são imortais − a vida normal é passageira

  1. A vida espiritual é a vida normal do Espírito: é eterna; a vida corpórea é transitória e passageira: é apenas um instante na eternidade.
  2. No intervalo de suas existências corpóreas, o Espírito é errante. A erraticidade não tem duração determinada; nesse estado, o Espírito é feliz ou infeliz, segundo o bom ou o mau emprego que fez de sua última existência; estuda as causas que apressaram ou retardaram o seu adiantamento; toma as resoluções que procurará pôr em prática na sua próxima encarnação e escolhe, ele mesmo, as provas que julga mais ajustadas para progredir: algumas vezes engana-se ou sucumbe, não assumindo como homem as resoluções que tomou como Espírito.
  3. O Espírito culpado é punido por sofrimentos morais no mundo dos Espíritos e por penas físicas na vida corpórea. As suas aflições são consequência das faltas cometidas, quer dizer, das infrações à lei de Deus; São por isso, ao mesmo tempo, uma expiação do passado e uma prova para o futuro; o orgulhoso pode vir a ter uma existência de humilhação, o tirano uma de servidão e o mau rico uma de miséria.

A pluralidade dos mundos habitados

  1. Há mundos apropriados para diferentes graus de adiantamento dos Espíritos e onde a existência corpórea se encontra em condições muito diferentes. Quanto mais atrasado é o Espírito, mais os corpos que reveste são pesados e espessos; à medida que se purifica, passa para mundos moral e fisicamente superiores. A Terra não é nem dos primeiros nem dos últimos, mas é do grupo dos mais atrasados.
  2. Os Espíritos culpados encarnam nos mundos menos avançados, onde expiam as suas faltas pelas atribulações da vida material. Esses mundos são para eles verdadeiros purgatórios, mas depende deles saírem dali, trabalhando pelo seu adiantamento moral. A Terra é um desses mundos.

Não existem as penas eternas – a evolução será completa e igual para todos

  1. Deus, sendo soberanamente justo e bom, não condena suas criaturas a castigos perpétuos por faltas transitórias; oferece-lhes permanentemente meios de progredir e de reparar o mal que tenham podido fazer. Deus perdoa mas exige o arrependimento, a reparação e o regresso à prática do bem. A duração do castigo é proporcional à persistência do Espírito no mal; donde se conclui que o castigo seria eterno para aquele que permanecesse eternamente no mau caminho. Se a qualquer momento um clarão de arrependimento entrar no coração do culpado, Deus estende sobre ele a sua misericórdia. A eternidade das penas deve também ser entendida no sentido relativo e não no sentido absoluto.
  2. Os Espíritos, ao virem à carne, trazem com eles o que adquiriram nas suas existências anteriores; é a razão pela qual os homens mostram, instintivamente, aptidões especiais, inclinações boas ou más que parecem inatas.
    As más tendências naturais são os restos das imperfeições do Espírito das quais não está inteiramente despojado; são também os indícios das faltas que cometera anteriormente, que devem ser entendidas como o verdadeiro pecado original. E cada existência deve servir para os homens se irem lavando de algumas impurezas.

O esquecimento das vidas anteriores

  1. O esquecimento das existências anteriores é um benefício de Deus que, na sua bondade, quis poupar ao homem lembranças tantas vezes penosas. Em cada nova existência, ele é aquilo que fez anteriormente de si mesmo; um novo ponto de partida para aquele que conhece os seus defeitos atuais; sabe que esses defeitos são a consequência daqueles que tinha antes e que lhe dá a conhecer o mal que pode ter cometido cometer e isso lhe basta para trabalhar a fim de se corrigir. Se tinha outrora defeitos já vencidos, nada tem a se preocupar com isso; as imperfeições presentes são quanto lhe basta.
  2. Se a alma não viveu antes é porque é criada ao mesmo tempo que o corpo. Supondo isso não pode ter nenhuma relação com as almas que a precederam. Pergunta-se então como é que Deus, que é soberanamente justo e bom, pode tê-la feito responsável por culpas do pai do género humano, manchando-a com um pecado original que não cometeu?
    Dizendo, pelo contrário, que que ela carrega consigo ao nascer o germe das imperfeições de existências anteriores; que ela sofre na existência actual as consequências dos erros cometidos antes, dá-se do pecado original uma explicação lógica que todos podem compreender e aceitar, porque a alma só é responsável pelas suas próprias falhas.

A lógica da Criação confirma-se a si própria

  1. A diversidade das aptidões inatas, morais e intelectuais, é a prova que as almas já tiveram vidas anteriores. Se fossem criadas ao mesmo tempo que o corpo, seria contrário à bondade de Deus ter feito umas mais avançadas que as outras. Como explicar a existência dos selvagens e das pessoas civilizadas, dos bons e dos maus, dos parvos e das pessoas de espírito? Essas diferenças só se explicam dizendo que uns viveram mais do que outros e por isso mais evoluídos se encontram.
  2. Se a existência actual fosse única e determinasse o futuro da alma para todo o sempre, qual seria o destino das crianças que morrem na sua infância? Não tendo feito nem o bem nem o mal, não merecem nem recompensas nem punições. Segundo a palavra do Cristo, sendo cada um recompensado pelas suas obras, não têm direito à felicidade perfeita dos anjos, nem merecem ser privados dela. Digamos que poderão, noutra existência, realizar aquilo que não puderam fazer naquela que foi abreviada, e não há mais excepções.
  3. Pelo mesmo motivo, qual seria a sorte dos cretinos e dos idiotas? Não tendo nenhuma consciência do bem e do mal, não têm nenhuma responsabilidade pelos seus atos. Teria sido Deus justo e bom se criasse almas estúpidas para votá-las a uma existência miserável e sem frutos?
    Se admitirmos, pelo contrário, que o caso da alma de um cretino ou de um idiota se trata de um espírito em punição, vivendo aprisionado num corpo incapaz de pensar, já não haverá motivo nenhum para pensarmos que algo estará em desarmonia com a justiça de Deus.

O fim das existências corpóreas e ajuda para todos na evolução

  1. Na sucessão das encarnações, ficando o Espírito pouco a pouco liberto das suas impurezas e aperfeiçoado pelo trabalho, chega ao fim das suas existências corpóreas; pertence, então, à ordem dos Espíritos puros ou dos anjos e goza ao mesmo tempo, da vida completa de Deus e de uma felicidade sem mácula pela eternidade.
  2. Aos homens em expiação sobre a terra, Deus − como um bom pai − não os deixou entregues a si próprios, sem o amparo de um guia. Em primeiro lugar têm os seus espíritos protectores ou anjos guardiões, que velam por eles e se esforçam por conduzi-los ao bom caminho. Têm ainda os espíritos em missão sobre a terra, espíritos superiores que encarnam em certas alturas entre eles, para iluminarem o caminho pelos trabalhos que realizam e fazer avançar a humanidade. Embora Deus tenha gravado a sua lei na consciência dos homens, entendeu dever formulá-la de uma forma explícita; enviou-lhes primeiro Moisés, cujas leis foram apropriadas para os homens do seu tempo. Só lhes falava da vida terrestre, das penas e recompensas temporais. O Cristo veio de seguida completar a lei de Moisés com ensinamentos mais elevados. A pluralidade das existências, a vida espiritual, as penas e recompensas morais. Moisés conduziu os homens pelo temor, O Cristo conduziu-os pelo amor e pela caridade.
  3. O Espiritismo, melhor compreendido actualmente, associa para os incrédulos as provas à teoria; prova o futuro por meio de factos concretos, diz em termos claros e inequívocos aquilo que Jesus disse por parábolas; explica verdades mal conhecidas ou falsamente interpretadas; revela a existência do mundo visível, ou dos espíritos, e inicia os homens nos mistérios da vida futura; vem combater o materialismo que é uma revolta contra o poder de Deus; vem enfim instaurar entre os homens o reino da caridade anunciada pelo Cristo. Moisés lavrou, o Cristo semeou e o Espiritismo vem fazer a colheita.
  4. O Espiritismo não é uma luz nova, mas uma luz resplandecente, porque surgiu por toda a terra por intermédio das palavras daqueles que já viveram. Tornando claro o que era obscuro, elimina as falsas interpretações ligando os homens em torno de uma mesma crença, porque só existe um Deus, sendo as leis as mesmas para todos os homens; demarca enfim a era dos tempos previamente anunciados pelo Cristo e pelos profetas.
  5. Os males que afligem os homens sobre a terra têm por origem o orgulho, o egoísmo e todas as más paixões. Pelo convívio com os seus vícios os homens tornam-se reciprocamente infelizes e agridem-se uns aos outros. A caridade e a humildade devem substituir o egoísmo e o orgulho, deixando de se causar dano. Respeitarão os direitos de cada um e farão reinar entre si a concórdia e a justiça.
  6. Como destruir o egoísmo e o orgulho que parecem ser inatos no coração do homem? O orgulho e o egoísmo estão no coração do homem, porque os homens são espíritos que seguiram desde o princípio o caminho do mal e foram exilados na terra para punição dos seus vícios; aí reside ainda o seu pecado original do qual muitos ainda não se libertaram. Pelo Espiritismo Deus vem efectuar um último apelo à pratica da lei ensinada pelo Cristo, a lei do amor e da caridade.
  7. Tendo a Terra chegado ao momento marcado para se tornar estância de felicidade e de paz, Deus não quer que os espíritos encarnados continuer a trazer distúrbios em prejuízo dos que são bons. É por isso que devem desaparecer. Irão expiar o seu endurecimento em mundos menos avançados onde continuarão a trabalhar para a sua evolução numa série de existências ainda mais infelizes e penosas que na Terra.
    Formarão nesses mundos uma nova raça mais esclarecida cuja tarefa será de fazer progredir os seres atrasados que ali habitam, com o auxílio dos conhecimentos adquiridos. Só sairão para mundos melhores quando tenham o devido mérito, e assim por diante até terem atingido a purificação completa. Se a Terra fora para eles um purgatório, esses mundos serão o seu inferno, um inferno, contudo, de onde a esperança nunca estará ausente.
  8. Considerando que a geração proscrita vai desaparecer rapidamente, uma nova geração aparecerá, cujas crenças estarão fundadas no Espiritismo cristão. Assistimos à transição que se opera, prelúdio da renovação moral cuja chegada é marcada pelo Espiritismo.

NORMAS DERIVADAS DO ENSINAMENTO DOS ESPÍRITOS

  1. O objectivo essencial do Espiritismo é o aperfeiçoamento dos homens. Essencialmente nos domínios do progresso moral e intelectual.
  2. O verdadeiro espírita não é aquele que acredita nas manifestações, e sim o que tira proveito dos ensinamentos dos espíritos. De nada serve a crença se não servir ao homem para avançar no caminho do progresso e se não o tornar melhor para o seu próximo.
  3. O egoísmo, o orgulho, a vaidade, a ambição, a cupidez, o ódio, a inveja, o ciúme e a maledicência são para a alma as ervas daninhas que é preciso todos os dias ir desbastando, e que têm por antídoto: a caridade e a humildade.
  4. A crença no Espiritismo só é proveitosa para aqueles de quem possa dizer-se: Vale mais hoje do que valia ontem.
  5. A importância que o homem atribui aos bens temporais está na razão inversa da sua fé no mundo espiritual; é a dúvida a respeito do futuro que o leva a procurar as alegrias deste mundo, satisfazendo as suas paixões, nem que seja à custa do próximo.
  6. As aflições sobre a terra são os remédios da alma; tratam-na para o futuro como uma operação cirúrgica salva a vida de um doente. É a razão pela qual o Cristo disse: “bem aventurados os aflitos, porque serão consolados.
  7. Nas vossas aflições, olhai abaixo de vós e não acima; pensai naqueles que sofrem ainda mais que vós.
  8. O desespero é natural naquele que acredita que tudo acaba com a vida do corpo; é um contra-senso naquele que tem fé no futuro.
  9. O homem é, frequentemente, o artífice de sua própria infelicidade neste mundo; Pense na fonte dos seus infortúnios e verá que na sua maior parte são resultado da sua imprevidência , do seu orgulho e da sua avidez e, por conseguinte das suas infracções às leis de Deus.
  10. A prece á um acto de adoração. Orar a Deus é pensar n’Ele, é aproximar-se d’Ele e colocar-se em comunicação com Ele.
  11. Aquele que ora com fervor e confiança fica mais forte contra as tentações do mal e Deus envia bons espíritos para ajudá-lo. É um pedido de ajuda que nunca é recusado quando é feito com sinceridade.
  12. O essencial não é orar muito, mas orar bem. Certas pessoas julgam que todo o mérito está no tamanho da prece, enquanto que ignoram os seus próprios defeitos. A prece é para elas uma ocupação, um passatempo, mas não um estudo de si mesmas.
  13. Aquele que pede a Deus perdão das suas faltas, só o obtêm mudando de conduta. As boas ações são a melhor das preces, porque os atos valem mais do que as palavras.
  14. A prece é recomendada por todos os bons Espíritos; ela é, por outro lado, pedida por todos os Espíritos imperfeitos como um meio de aliviar seus sofrimentos.
  15. A prece não pode mudar os decretos da Providência; mas, vendo que alguém se interessa por eles, os Espíritos sofredores sentem-se menos abandonados; são menos infelizes; a sua coragem é reforçada, aumenta o desejo de se elevarem pelo arrependimento e pela reparação das faltas, e pode desviá-los dos maus pensamentos. É nesse sentido que ela pode não somente aliviar, mas abreviar seus sofrimentos.
  16. Orai, cada um, segundo suas convicções e da maneira que acredita a mais conveniente, porque a forma não é nada, o pensamento é tudo; a sinceridade e pureza de intenção são essenciais; um bom pensamento vale mais que numerosas palavras, que se assemelham ao ruído de um moinho e de onde o coração está ausente.
  17. Deus fez homens fortes e poderosos para serem o sustentáculo dos fracos; o forte que oprime o fraco é maldito de Deus; frequentemente, recebe castigo disso ainda nesta vida, sem prejuízo de possíveis penas futuras.
  18. A fortuna é como um depósito em dinheiro de que o titular não tem mais do que o usufruto temporário. Não o levará para o túmulo e com toda a certeza terá de prestar contas rigorosas do uso que fez com ele.
  19. A fortuna é uma prova mais arriscada do que a miséria porque é uma tentação para cometer abusos e excessos. As pessoas de fortuna têm muito mais dificuldade em ser moderado do que em ser resignado.
  20. O ambicioso que triunfa e o rico que se deleita com prazeres materiais são mais de lastimar do que de invejar, porque é necessário olhar às consequências. O Espiritismo, pelos exemplos terríveis daqueles que viveram e que nos vêm falar da sua sorte, revela a verdade destas palavras do Cristo: “Aqueles que se exalta será humilhado e aquele que se humilha será exaltado”.
  21. A caridade é a lei suprema de Cristo: “Amai-vos uns aos outros como irmãos, amai o vosso próximo como a vós mesmos, perdoai aos vossos inimigos; não façais aos outros o que não quereis que vos façam”, tudo isso se resume numa palavra: caridade.
  22. A caridade não está somente na esmola, porque há caridade em pensamentos, em palavras e em atos. Aquele é caridoso em pensamentos porque é indulgente com as faltas do seu próximo; caridoso em palavras porque nada diz que possa agravar o seu próximo; caridoso em atitudes porque ajuda o próximo na medida das suas possibilidades.
  23. O pobre que reparte o seu pedaço de pão com alguém ainda mais pobre do que ele é mais caridoso e tem mais mérito aos olhos de Deus do que aquele que dá do que lhe é supérfluo sem de nada se privar.
  24. Quem quer que alimenta contra o seu próximo sentimentos de animosidade, ódio, ciúme e rancor não é caridoso, mente se se diz cristão e ofende a Deus.
  25. Homens de todas as castas, de todas as ideologias e de todas as cores, todos vós sois irmãos, porque Deus a todos chama para si; estendei a mão a toda e qualquer pessoa, qualquer que seja a vossa forma de culto ou a vossa maneira de adorar a Deus e não lanceis maldições sobre ninguém, porque a maldição é a violação da lei da caridade proclamada pelo Cristo.

SEM CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO

  1. Com base no egoísmo os homens estão em luta perpétua, com base na caridade viverão em paz.
    Apenas a caridade, como base das instituições, pode garantir a felicidade aos homens neste mundo; de acordo com as palavras do Cristo apenas a caridade pode garantir a felicidade futura, porque encerra em si mesma todas as virtudes que podem conduzir à perfeição.
    Com a verdadeira caridade tal como a ensinou e praticou o Cristo, deixará de haver egoísmo, orgulho, ódio, ciúme e maledicência, além de deixar de haver apego desordenado aos bens materiais deste mundo. É essa a razão pela qual para o Espiritismo cristão tem por lema o seguinte princípio: FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO.

Os incrédulos podem rir dos espíritos e fazer troça daqueles que acreditam nas suas manifestações; Riam se se atrevem do princípio que ele acaba de ensinar e que é a vossa própria salvaguarda, porque se a caridade desaparecesse da face da Terra os homens matavam-se uns aos outros e vós seríeis talvez as primeiras vítimas.
Não está longe o tempo em que esta regra, proclamada abertamente em nome dos Espíritos, será uma garantia protetora e um título de confiança em todos aqueles que a trouxerem gravada no seu coração.
Um Espírito disse: “Troçaram das mesas girantes; não se troçará jamais da filosofia e da moral que delas derivaram”.
Já estamos longe desses primeiros fenómenos que serviram de distração passageira do ócio e da curiosidade. Essa moral é antiquada, dizem alguns: “Os espíritos deveriam ter bastante mais espírito para nos dar realmente novidades”  foi dito por graça por mais de um crítico.
Se é antiquada, tanto melhor, isso prova que é de todos os tempos. Aos homens cabe a culpa de não a ter praticado, porque só as verdades eternas é que são autênticas.   Os Espíritos vêm chamar-vos, não por uma revelação isolada feita a um único homem, mas pela voz dos próprios Espíritos.
Esta, como trombeta final, vêm proclamar: “Podem acreditar  que aqueles que chamam mortos, estão mais vivos que vós, porque eles vêem o que não vedes e ouvem o que não ouvis.
Será fácil reconhecer naqueles que vos vêm falar, os vossos pais, os vossos amigos e todos aqueles que amastes na Terra e que acreditastes perdidos sem regresso.
Infelizes aqueles que julgam que tudo acaba com o corpo, porque serão cruelmente desenganados; infelizes aqueles que tiverem falta de caridade, porque sofrerão o que tiverem feito os outros sofrerem!
Escutem a voz daqueles que sofrem e que vêm dizer: “Nós sofremos por termos ignorado o poder de Deus e por ter duvidado da sua infinita misericórdia; sofremos pelo nosso orgulho, pelo nosso egoísmo, pela nossa avareza e por todas as más paixões que não soubemos  reprimir; sofremos por todo o mal que fizemos aos nossos semelhantes por termos esquecido a caridade”.
Incrédulos! Será para rir uma doutrina que ensina semelhantes coisas? Será boa ou má?

Encarando-a do ponto de vista da ordem social, dizei se os homens que a pratiquem seriam melhores ou piores, felizes ou infelizes!

 

 

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A não perder… entrevista com LUCAS OLLES

Uma conversa lindíssima:
quem conta o sucedido, quem pergunta e quer saber; vozes serenas sem palavras demais…

Ouvir os três episódios, a não perder
revelações de ontem, de hoje e de sempre.

 

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Esta ligação dá acesso ao primeiro dos vídeos, que transita automaticamente para o segundo e para o terceiro. Tem todo o interesse ver e ouvir os três vídeos.

 

As Experiências de Quase-Morte, a Consciência e o Cérebro, pelo Dr. Pim van Lommel

>

As EQM observadas por opiniões insuspeitas

…> É favor ver ao fundo para ter acesso à tradução do documento, antecedido pelos comentários cuja leitura recomendo.

Os médicos e outros especialistas que se têm dedicado à investigação das chamadas experiências de quase-morte (EQM) são merecedores da nossa melhor consideração.
O trabalho de investigação que desenvolvem deriva da sua posição estratégica junto dos protagonistas essenciais dessas mesmas experiências e são naturalmente os profissionais de saúde que os acompanharam antes, durante e depois das mesmas: cardiologistas, anestesiologistas, reanimadores, enfermeiros, psicólogos, etc.

Tem sido por essa via que nos chegam os importantes estudos de um fenómeno cujo esclarecimento não poderia ser feito com mais rigor por outro tipo de pessoas, sendo eles possuidores de um distanciamento crítico que os coloca ao abrigo de tendências particulares.

Tendo feito toda a sua formação académica em ambiente adverso à aceitação da vida depois da morte, foi por disporem – no entanto – de alguma sensibilidade intuitiva para encarar a evidência dos factos que se dedicaram ao seu estudo.

Não seria justo também esquecer o ânimo que foi necessário para enfrentarem todo um sistema de conhecimentos e um ambiente socioprofissional configurado para abordagens materialistas, em tudo avesso a aberturas perante coisas tão “estranhas” como interpretação da crise da morte (como lhe chamou Ernesto Bozzano) que a todos tocará.

As investigações do Dr. Pim van Lommel

O Dr. Pim van Lommel, cardiologista holandês, é um dos principais expoentes a nível mundial da investigação a respeito deste tema, pelo facto de ter empreendido um dos mais abrangentes estudos com larga participação de doentes que sobreviveram a paragens cardíacas – em meio hospitalar – de médicos e outros profissionais de saúde.

Quando lhe escrevi solicitando autorização para traduzir o documento anexo de 2006, nunca pensei que se desse ao trabalho de responder. Não foi assim e aqui está, finalmente, o resultado dessa autorização que já lhe agradeci em meu nome e em nome de todos os leitores de língua portuguesa porque, ao que julgo, este documento ainda não estava traduzido nesta língua.

Um documento de 2006 que diz coisas essenciais 

Abaixo encontrareis um ficheiro pdf, com uma visualização gráfica feita a meu gosto, da tradução já pronta. É um texto de 2006, já algo ultrapassado por desenvolvimentos ulteriores, de que o livro de Pim van Lommel (Consciousness Beyond Life – The Science of the Near-Death Experience)  já editado em várias línguas e brevemente também em português, é exemplo muito bem documentado.

O documento cujo acesso está disponível ao fundo destes textos é um resumo das conceções do investigador relativas às EQM e a diversos aspetos da investigação em torno das mesmas, nomeadamente as que ele mesmo tinha levado a cabo na Holanda.

a capa do livro acima referido publicado em 2010

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Comentários ao texto traduzido: 

O trabalho apresentado não é de forma nenhuma um texto espírita, concebido para ser apresentado perante pessoas crentes na vida depois da morte. Tão-pouco tem a intenção, creio bem, de afirmar convicções fora dos limites da diligência científica, isto no que toca à formação e às motivações do seu autor. Sendo assim, na minha opinião, já interessa – e muito – à ciência espírita, dado que esta tem por intuito seguir atentamente todas as conquistas da ciência, assimilando nelas o que for prova de verdade no território daquilo que conhece, ou seja, a relação entre os espíritos e o mundo material.

Havendo um vasto consenso entre a realidade que se reflete nas experiências de quase-morte e aquilo que está descrito na codificação espírita – do modo que procurarei oportunamente documentar – assim se justifica a publicação do texto do Dr. Pim van Lommel.

O recurso à física quântica e as conclusões do Dr. Pim

A física quântica teve o seu início no fim do século XIX e refere-se à descrição da natureza ao nível do extraordinariamente pequeno. Vários são os textos espíritas que referem este recente avanço da ciência como reforço de certas formulações do espiritismo. Haverá quem saiba disso e possa explicar, mas não é esse o meu caso.

O Dr. Pim van Lommel entendeu avançar por aí na busca de fundamentação para interpretar o significado das EQM.

Aparece ao longo dos seus escritos a ideia da “consciência”, da “consciência alargada” da “continuidade de consciência” ou de uma versão ainda mais complexa, da “consciência não-local” – sendo a “não localidade” um termo oriundo da mecânica quântica.
Todas essas construções teóricas me parecem apenas a problematização de algo que os espíritas chamam, muito simplesmente: o espírito. Bem como me parece evidente que aquilo que ele chama “…experiências peri e post-mortem ou comunicações após a morte…” não passa pura e simplesmente de comunicações mediúnicas.

Para explicar que os seres humanos são formados de principío material e princípio espiritual; para explicar que a morte corresponde à despedida do espírito e do perispírito, deixando atrás o invólucro material – o corpo físico – quando este chega ao fim do seu préstimo; bastam apenas essas duas asserções apoiadas na base sólida da experiência espírita, dispensando portanto os argumentos da física quântica.
Neste trabalho do Dr. Pim van Lommel, a coisa mais importante que eu encontro, no entanto, não é o modo como ele orienta o seu raciocínio, ou como fundamente o mesmo.
São as conclusões que acaba por alcançar depois da profunda impressão que nele produziram as palavras daqueles que, de facto, revelaram ter contactado de forma inequívoca com uma dimensão completamente diferente daquela em que vivemos como corpos físicos.

Não haverá síntese melhor do que aquela que nos oferece, nas seguintes palavras:

“…Esta consciência acentuada e alargada baseia-se em campos indestrutíveis de informação e em permanente evolução, nos quais todo o conhecimento, sabedoria e Amor Incondicional estão presentes. Esses campos da consciência estão guardados numa dimensão que não está sujeita aos nossos conceitos de espaço e de tempo, com interligação “não-local” e universal. Podia designar-se isto como a nossa consciência Superior, a consciência Divina ou consciência Cósmica…” 

Tenho todo o respeito pelo esforço discursivo do Dr. Pim van Lommel e acho que, de uma certa forma (e isso talvez tenha pouco a ver com o carácter exato da física quântica) ele já demonstrou a sua ideia de “espírito”.

Ou que, dizendo aquilo que esclarecidamente diz em tantas das suas afirmações, ele já sabe “o que é” o espírito.
Por isso me interessam tanto as suas investigações e aqui tomo a liberdade de publicá-las. É favor clicar no título para ter acesso ao documento.

O Dr. Pim van Lommel

As Experiências de Quase-Morte, a Consciência e o Cérebro.

O texto original em inglês pode ser consultado na página pessoal do Dr. Pim Van Lommel, no seguinte endereço:

Van Lommel, P. (2006). Near-Death Experience, Consciousness and the Brain.

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As EQM’s confirmam cientificamente factos já conhecidos pelo espiritismo

>AS EXPERIÊNCIAS DE QUASE-MORTE (EQM)

 o mais importante conjunto de factos  com comprovação científica reveladores da vida depois da morte no decurso da História da Humanidade

Ver outros artigos a respeito deste assunto no sector: EQM NDE

“…Van Lommel chegou à inevitável conclusão de que é completamente provável que o cérebro deve ter funções que facilitam o exercício da consciência mas que não a produzem.

Ao ter instituído como tema científico a acção da consciência como fenómeno não localizado e, por isso, omnipresente, Pim van Lommel põe em causa um dos paradigmas puramente materialistas da ciência…

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Dada a importância e crescente notoriedade das EQM’s na demonstração de que existe vida para além da morte, num contexto claramente coincidente com as teorias definidas pela codificação espírita, “espiritismo cultura” continua a abordagem do referido tema.

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É muito pouco viva e fracamente documentada a atenção dispensada ao tema das chamadas Experiências de Quase-Morte ou de Morte Iminente (EQM ou EMI) no contexto dos movimentos espíritas, facto que me parece distanciado do que é pressuposto na letra e no espírito da codificação de Allan Kardec, pela decisão de permanecer atenta aos progressos do conhecimento em geral e da ciência em particular.

De notar que a eclosão deste tipo de acontecimentos é devido a desenvolvimentos na área técnico-científica e sua análise largamente documentada já tem – pelo menos – quatro dezenas de anos.

Por outro lado o seu estudo e divulgação provém de um meio tradicionalmente avesso à aceitação mínima de factos relacionados com a vida espiritual, ou seja, completamente agnóstico: a classe médica em geral e, neste caso, dos países tecnologicamente mais desenvolvidos do mundo: Estados Unidos da América, Holanda, França, Alemanha, Canadá, etc.

Entre nós, à parte a profunda consciência que o mundo espírita possui – por outras vias – da vida depois da morte, a pouca informação relativa à causalidade deste tipo de fenómenos deve-se a um generalizado desconhecimento do tema, à pouquíssima cobertura dos meios de comunicação social − sob o império de determinações praticamente insondáveis − e, ainda, pela escassez das traduções de material esclarecedor do assunto.

O esclarecimento cada vez mais documentado de tais experiências será uma oportunidade insuperável para demonstrar teses há cento e cinquenta anos sustentadas pela terceira revelação, mau grado o cepticismo reinante no meio científico e a reserva de certas instituições culturais e de comunicação social.

Esta imagem simula uma acção de Ressuscitação Cardiopulmonar por meio de desfibrilador, cuja prática exige especialistas devidamente treinados.

O momento em que começou a grande eclosão de fenómenos propriamente ditos foi a partir de fins dos anos sessenta, devido à colocação em uso pelas emergências médicas de equipamentos anteriormente descobertos (desfribiladores, entre outros). Até essa altura era praticamente impossível fazer reverter processos de morte em caso de paragem cardíaca, paragem respiratória e cessação de actividade cerebral.

As provas de uma outra vida tornadas perfeitamente evidentes

Uma enorme quantidade de pessoas, vítimas de acidentes ou de outras situações limite, depois de uma comprovada morte clínica, com paragem cardíaca e paralização completa da actividade cerebral, têm sido reanimados em todo o mundo por processos agora crescentemente difundidos em acções de salvamento ou socorro de emergência hospitalar.

Do número total dessas pessoas, há cerca de 18% que se lembra da sua viagem ao outro lado da existência, com farta quantidade de recordações de grande nitidez de que resultam memórias inapagáveis e, mais do que isso: a ocorrência de efeitos transformadores do carácter e das concepções de vida!

É preciso que se diga de forma rigorosamente clara que essas experiências não passam de viagens de ida e volta ao mundo espiritual, ao outro lado da vida, em estado de lucidez muito mais acentuado daquele que nos permitem os nossos próprios sentidos, com registo detalhado de vivências extraordinárias que incluem, em resumo e em geral:

  • percepção de um ambiente acolhedor, onde reina a mais intensa sensação de segurança e de AMOR UNIVERSAL;
  • uma recepção fraterna, a maioria das vezes protagonizada por entes que nos são queridos que já partiram antes para a vida espiritual;
  • a experimentação de um fenómeno de revisão de todos os detalhes da nossa vida, com AUTO-JULGAMENTO sem constrangimentos nem pressões morais;
  • a presença de entidades que acompanham o espírito recém-chegado em clima de grande elevação moral e espiritual.

Este tipo de experiência, pela ordem natural das coisas, e devido ao facto de se registar entretanto o fenómeno da ressuscitação dos seus protagonistas e o regresso consequente à vida material, é interrompida a um dado momento com prévia abordagem dos mesmos, a quem é anunciado “não ter chegado ainda a sua hora”.

Muitos outros detalhes poderiam ser acrescentados e estão abundantemente documentados, havendo que considerar-se que existe um número percentualmente baixo, mas abundantemente significativo, de tais experiências que decorrem em ambientes negativos, de elevado sofrimento e grande desconforto moral.

O número de protagonistas de tais acontecimentos, com larguíssimo número de depoimentos  já publicamente registados em livros, revistas e documentários filmados atinge um número de casos tão expressivo que ascende à casa das dezenas de milhões, por todo o mundo, acontecendo nos Estados Unidos da América a impressionante frequência de 800 casos por dia.

Entretanto o fenómeno já vem sendo tratado, a nível internacional, desde 1975, por um leque muito alargado de especialistas de comprovada formação científica e de várias áreas do saber.

Os fenómenos experimentados só recentemente foram sendo mais abertamente revelados pelos seus protagonistas, inicialmente mal atendidos pelo cepticismo reinante no meio médico e até no seio das próprias famílias. Os sobreviventes retraíam-se muito, porque eram tratados – como as pessoas dotadas de mediunidade, note-se – como estando “mal da cabeça.”

“palavra luz” considera que as constatações factuais comprovadas por abundante número de cientistas e estudiosos a respeito desse tema representam uma autêntica prenda da comunidade científica para o avanço qualitativo da Humanidade na compreensão:

  • da vida depois da morte e da natureza do mundo espiritual através de uma imensidade de testemunhos insuspeitos, de pessoas de todas as latitudes, origens culturais e étnicas, registados em alturas e condições muito diferentes. Tais depoimentos entre si se confirmam porque satisfazem plenamente o quesito da comparação metódica e cruzamento de dados respectivos;
  • do entendimento do corpo e do cérebro do homem como simples utensílios transitórios e dos modos de funcionamento da consciência como entidade exterior ao corpo e muito mais complexa que o mesmo;

Essas razões, analisadas à luz da filosofia e da ciência espírita traduzem na generalidade o avanço da mesma no esclarecimento de questões centrais para o entendimento do mundo e da vida e, em particular, quanto:

  • à visão  da morte como passagem natural para um plano de existência extraordinariamente superior;
  • à configuração dessa mesma passagem com riqueza de detalhes esclarecedores da natureza moral e espiritual dos seres humanos;
  • à natureza do corpo como mero utensílio temporário que não é sede principal da vida;
  • à condição do cérebro como emissor-receptor de dados de que não é sede principal nem agente produtor.

Esta “prenda da comunidade científica” está a ser feita com muita coragem por pessoas que arriscaram afrontar o fundamentalismo céptico que rejeita todas as versões fora da abordagem estritamente materialista.

“espiritismo cultura” continuará a tratar o mais possível deste assunto e o seu autor procurará efectuar traduções adequadas do material abundante que existe disponível a respeito do mesmo.

Para as pessoas que tenham conhecimentos de língua francesa, recomendo o último documentário-vídeo que foi publicado e que se encontra acessível, do lado direito sob o título: “Revelações e testemunhos sobre a vida depois da morte. Esclarecimentos de investigadores e cientistas”.

Tradução de uma breve resenha das diligências científicas do Dr. Pim van Lommel acerca das EQM’s, publicada na sua página pessoal:

Consciência para além da vida, a ciência das Experiências de Quase-Morte

Para quem quiser ler o original, clicar aqui.

“Estudar aquilo que não é normal é o melhor caminho para entender aquilo que é normal”
William James

(NT: A palavra consciência possui, na língua portuguesa, diversos significados: faculdade da razão julgar os próprios actos; sinceridade; acção que causa remorso; probidade, honradez; opinião; cuidado; atenção; esmero.
Além destes sentidos pode ser usada, no domínio da medicina como: Estado do sistema nervoso central que permite pensar, observar e interagir com o mundo exterior.
É neste sentido que a palavra é aqui utilizada.)

O Dr. Pim van Lommel, prestigiado cardiologista, foi o primeiro médico a empreender um estudo completo e sistemático das experiências de morte iminente (EQM’s em português e NDE’s em inglês, de Near Death Experiences) .

Como cardiologista foi surpreendido pela quantidade de doentes seus que afirmavam ter vivido tais experiências como consequência dos seus ataques cardíacos.

Como cientista tal facto foi difícil de aceitar.
Contudo, não seria irresponsável da sua parte ignorar cientificamente a autenticidade de tais testemunhos?

Perante tal dilema, van Lommel decidiu conceber um plano de estudos para investigar o fenómeno no âmbito controlado de uma rede de hospitais dotados de pessoal médico devidamente treinado.

Durante mais de vinte anos van Lommel estudou sistematicamente o referido tipo de experiências de quase morte (EQM’s, como também são designadas) registado por determinado número de doentes hospitalares que sobreviveram a paragens cardíacas.

Em 2001, de parceria com uma equipa de investigadores, publicou um estudo a respeito de EQM’s na prestigiada revista médico-científica, “The Lancet”.
O artigo causou enorme impacto internacional por ter sido o primeiro estudo rigorosamente científico a respeito deste assunto.

Está agora disponível internacionalmente uma apresentação em livro de Pim Van Lommel que apresenta uma visão aprofundada das suas teorias a respeito desses estudos, o qual tem merecido a melhor atenção, com elevado número de exemplares vendidos.

Van Lommel escreve que, de acordo com os conhecimentos médicos actuais, não é possível à consciência actuar durante as paragens cardíacas, a partir do momento em que a circulação e a respiração tenham cessado.
Contudo, durante o período de perda de consciência devida a uma crise de paragem cardíaca provavelmente fatal, há doentes que relatam a ocorrência paradoxal de experiências vividas num elevado estado de percepção consciente numa dimensão fora dos nossos conceitos de espaço e de tempo, com efeitos cognitivos, emoções, sentimento de identidade própria, memórias a partir da mais remota infância e, por vezes, com percepção extra-sensorial fora e acima do seu corpo sem vida.

Em quatro estudos exploratórios com um total de 562 pessoas que sobreviveram a paragens cardíacas, 11 a 18 por cento dessas pessoas relataram uma dessas experiências de quase morte, e nesses estudos não foi demonstrado que factores fisiológicos, psicológicos, farmacológicos ou demográficos pudessem explicar a causa ou o conteúdo dessas experiências.

Desde a publicação desses estudos a respeito de EQM’s ou EMI’s (Experiências de Quase Morte ou de Morte Iminente) de sobreviventes a paragens cardíacas, com resultados e conclusões surpreendentemente similares, tais fenómenos não poderão continuar a ser cientificamente ignorados.

É uma experiência tão autêntica que não poderá ser atribuída à imaginação, medo da morte, alucinação, psicose, uso de drogas ou carência de oxigénio.

Além disso as pessoas que passaram por tais experiências evidenciam mudanças permanentes de carácter por efeito de EQM’s resultantes de paragens cardíacas que tiveram apenas a duração de escassos minutos.

Ainda de acordo com tais estudos o actual conceito materialista sustentado pelos especialistas médicos, filósofos e psicólogos das relações entre o cérebro e a consciência é demasiado limitado quanto a uma adequada compreensão deste fenómeno.

Há boas razões para supor que a nossa consciência nem sempre coincide com o funcionamento do cérebro: uma acentuada percepção consciente pode por vezes ser experimentada fora do próprio corpo.

Van Lommel chegou à inevitável conclusão de que é completamente provável que o cérebro deve ter funções que facilitam o exercício da consciência mas que não a produzem.

Ao ter instituído como tema científico a acção da consciência como fenómeno não localizado e, por isso, omnipresente, Pim van Lommel põe em causa um dos paradigmas puramente materialistas da ciência.

Pim van Lommel

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NOTA:

a obra Dr. Pim van Lommel é aqui citada apenas na sua faceta de cardiologista e investigador, não lhe sendo conhecida pelo autor deste blogue qualquer opção na área a que pertence o espiritismo ou qualquer outra de carácter religioso ou filosófico.

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No site pessoal em língua inglesa do Dr. Pim Van Lommel há uma grande quantidade de dados e intervenções do mesmo. Este é o sector ali presente de elementos de intervenção mediática: http://www.pimvanlommel.nl/media_eng

Entre o material ali presente, a seguinte entrevista:

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Dr. Pim van Lommel, Entrevistas Vídeo

O Dr. Pim van Lommel

Pim van Lommel, nascido em 1943, estudou medicina na Universidade de Utrecht, na Holanda, e especializou-se em cardiologia. Trabalhou de 1977 a 2003, no Rijnstate Hospital em Arnhem, na Holanda. Publicou diversos estudos sobre cardiologia e em 1986 começou a estudar as “experiências de quase morte” (ou “experiências de morte iminente”) vividas por doentes que tinham sido vítimas de paragem cardíaca.
Em 2001 o Dr. Van Lommel e outros autores publicaram os seus estudos na prestigiada revista científica The Lancet. Além disso assinou capítulos em diversos livros a respeito do assunto, além de artigos vários.

Em 2007 publicou na Holanda o seu livro “Eindeloos Bewustzijn: een wetenschappelijke visie op de Bijna-Dood Ervaring”; “Consciência Ilimitada; uma abordagem científica das experiências de quase morte”.

Foi um best-seller, com 100.000 exemplares vendidos na Holanda ao fim do primeiro ano, tendo ganho o Prémio do Melhor Livro de 2008. Foi traduzido para o alemão “Endloses Bewusstsein. Neue Medizinische Fakten zur Nahtoderfahrung” e em 2010 foi publicado pelos editores Harper Collins em Inglês e no ano seguinte em Francês pela editora Robert Laffont.

Nos últimos sete anos Pim van Lommel tem feito conferências em todo o mundo a respeito das relações entre a consciência e as funções cerebrais. Em 2005 recebeu o “Prémio de Investigação Bruce Greyson”. Em Setembro de 2006, o Presidente da India Dr. A.P.J. Abdul Kalam, condecorou-o com o “Life Time Achievement Award” no Congresso Mundial sobre Cardiologia Preventiva em Nova Delhi.

Os vídeos abaixo indicados apenas serão úteis para quem tenha conhecimentos da língua inglesa, o que peço desculpa, dado que não estão disponíveis versões legendadas que possam ser aqui apresentadas.

Ainda e apenas para pessoas com conhecimentos de língua inglesa, um extenso artigo sobre este tema, publicado no site Norte Americano da IANDS:

Dr. Pim van Lommel, M.D.: Continuity of Consciousness

E dois curtos vídeos com uma apresentação genérica, mas elucidativa, dos temas apresentados:

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