Nova tradução de O Evangelho segundo o Espiritismo – português de Portugal

O Evangelho segundo o Espiritismo,
prefácio dos tradutores


O que é o Espíritismo?

Ideias colhidas em
“O que é o Espiritismo”
de Allan Kardec, 1859

 

“…O espiritismo funda-se na existência de um mundo invisível, formado pelos seres incorpóreos que povoam o espaço e que são as almas daqueles que viveram na terra, ou noutros planetas.
São os seres a que chamamos Espíritos, que nos cercam, exercendo sobre nós uma grande influência e desempenhando papel muito ativo no mundo moral…”
 “…o Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica.
Como ciência prática consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos; como filosofia, analisa todas as consequências morais que derivam dessas relações.
Podemos defini-lo assim:

“…é uma ciência que trata da natureza, da origem e do destino dos Espíritos, bem como das suas relações com o mundo corporal…”
 “…o Espiritismo, depois de se tornar conhecido, esclareceu grande número de problemas, até certa altura insolúveis ou mal compreendidos. O seu verdadeiro caráter é o de uma ciência e não de uma religião…”

“O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO” de Allan Kardec

Conforme está na capa da obra original, trata-se categoricamente de: “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO” e de forma nenhuma “o Espiritismo segundo o Evangelho”. Convém fixar esta ideia claríssima e conservá-la em mente, porque é fundamental.
Ou seja, em nenhum dos aspetos desta obra nos é apresentada uma versão do Espiritismo paralela ou diretamente derivada do conteúdo narrativo dos Evangelhos, exceto na parte subjacente que corresponde a ensinamentos de Jesus de Nazaré, coincidentes com o ensino moral dos Espíritos, esse sim, fonte legítima e atualizada do Espiritismo.

Portanto, para todos aqueles que têm este livro como uma aproximação tácita a uma conceção evangélica do ensino dos Espíritos, afirmamos redondamente que não é esse o significado que lhe atribuiu o seu autor ou as entidades espirituais que comunicaram os seus conteúdos.
A presença na obra de citações escolhidas dos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João destinam-se predominantemente à descodificação de fragmentos desses Evangelhos concebidos com o carácter de metáforas ou de parábolas, muitas vezes redigidos numa linguagem místico-alegórica, de situações que nem sequer poderiam ter sido vividas por Jesus de Nazaré.

Citamos apenas um exemplo, entre muitos que poderíamos mostrar: as cenas referíveis a tentações a que Jesus teria sido sujeito pelo próprio “diabo”, que inconcebivelmente o teria levado para o deserto para esse efeito.
Sabemos, pelo estudo da escala espírita que está incluída em “O Livro dos Espíritos” que Jesus, sendo um Espírito puro, estaria definitivamente acima dessa eventualidade, além de que a figura de “o diabo” é meramente teórica e que “o Inferno” não existe. Pela sua intensidade imaginária, episódios como este, tão totalmente fora da possibilidade real, têm sido expressivamente ilustrados, até em cinema e em vídeo, arrastando a equívocos de carácter lamentável.
Que fique bem claro, portanto, que as explicações dos capítulos que foram acrescentadas pelo autor de “O Evangelho segundo o Espiritismo” a cada conjunto de citações dos Evangelhos, explicam o verdadeiro sentido que lhes é associável no âmbito específico do ensino dos Espíritos.

O ENSINO DOS ESPIRITOS É BEM CONHECIDO DESDE A ANTIGUIDADE

O livro que apresentamos, logo no número IV da Introdução, inclui um resumo com algum detalhe de um fenómeno geralmente desconhecido e muito pouco discutido nas suas razões histórico-culturais: Sócrates e Platão percursores da ideia cristã e do espiritismo.
Esse interessantíssimo momento desta obra fornece uma detalhada referência que comprova que os princípios do espiritismo estão no arquivo dos conhecimentos da Humanidade há muito mais de vinte séculos.
Conhecimentos resultantes de muito numerosas trocas de impressões com os Espíritos, exatamente do mesmo tipo de comunicações que foram levadas à prática por Allan Kardec e seus colaboradores, já muito conhecidas nessas recuadas épocas da história da Humanidade.
 Esses conhecimentos tiveram condições para se implantarem numa vasta sociedade culta, com grande projeção civilizacional, informando os estudos de notáveis filósofos, grandes homens de ideias e até importantes e diferenciados sectores da sociedade.

Qualquer enciclopédia nos dará uma ideia bastante concreta de “pré-socráticos”, como Pitágoras, fundador da duradoura Escola Pitagórica, com notáveis estudos sobre a alma e a reencarnação e um numeroso grupo de discípulos que se projetou por séculos, em pleno coração da Antiguidade Clássica.

Chamamos a atenção para um simples detalhe, ainda relativo à obra de Platão. Da sua importantíssima obra “A República”, faz parte “O Mito de Er”, a narrativa de um fenómeno do mesmo género de experiências que na atualidade têm atingido notoriedade mundial, com milhões de exemplos registados, investigados em numerosos países com a designação de “EQM – Experiências de Quase-Morte” ou, em inglês, as conhecidíssimas “NDE – Near Death Experiences”.

O DESCONHECIMENTO DO FUTURO EVOLUTIVO – MOTIVO DE MEDOS E ANGÚSTIAS

Uma complexa ordem de transformações que colocaram termo à Antiguidade Clássica, fez com que o ensino dos Espíritos e a vasta zona de influência de que dispunha, tivesse sido irradiado das práticas socio-culturais e ideológicas de toda a sociedade organizada.
Os vestígios de toda essa imensa cultura, foram sendo implacavelmente combatidos pela que se foi instalando nas áreas de predominância dogmática.
Não tardaria que as pessoas que praticavam a mediunidade fossem presas e condenadas, como gente que praticava feitiçarias e “falava com o diabo”. Séculos e séculos duraram em que eram queimadas vivas, como gente maldita e cúmplices do demónio.
O espiritualismo teórico e prático, o conhecimento da vida depois da morte e a evolução da humanidade concebida pelo processo das vidas sucessivas, permaneceu largamente ignorado durante cerca de vinte séculos, que mergulharam no silêncio a consciência fundamental da sequência das vidas e das mortes.
Ao longo desse imenso lapso de tempo as desigualdades e os conflitos sangrentos tiveram a palavra mais pesada nas atitudes e dores da Humanidade, cujas nefastas sementes continuam a ser plantadas num
mundo ansioso e desigual, agora já com mais de sete mil milhões de almas.
A ignorância da verdadeira natureza, da origem e do destino dos Espíritos, fez com que se tenham generalizado culturas dominadas pelo materialismo mais violento, causador de desigualdades e conflitos, como bem registam os livros de História de vários continentes.
O medo da morte aflige uma grande maioria dos habitantes da Terra, trazendo a inquietação e a angústia, sobretudo para aqueles cuja morte se aproxima. Outra situação de dor e de incerteza é a perda de entes queridos, atingindo o falecimento de parentes na idade juvenil uma incompreensão dolorosa, muito difícil de entender, para além do negrume inexplicável da própria morte.

A VIDA DEPOIS DA MORTE – CONHECIMENTO AO ALCANCE DE TODOS

Na atualidade, o estudo dessas ideias, com elevado nível de aprofundamento e de provas experimentais muito sólidas está ao pleno alcance de todas as pessoas. Só depende de cada um de nós interessarmo-nos e desejar abordar esse estudo. Tem sido feito desse há muitos anos, como é de há muitos séculos, nas reuniões tidas com assistência de pessoas especialmente dotadas com o naturalíssimo sentido da mediunidade, em reuniões especialmente organizadas para esse efeito.

Desde fins do século XIX, começos do século XX já não foi só em reuniões geralmente confidenciais e muito recolhidas.

Já de há muito são feitas por médiuns muito conhecidos e prestigiados, sob os auspícios de investigadores de elevado nível académico, em instituições especializadas.
Estudos devidamente organizados por interessados conhecidos, que já não foram perseguidos pela medonha inquisição para serem torturados ou queimados vivos por… “falarem com o demónio”.
É fácil conhecer todo esse universo, está ao alcance de todos.

O ESTUDO ESSENCIAL E COMPLETO DA OBRA DE ALLAN KARDEC

Chamamos a atenção de uma ideia que se aplica a todos os escritos de Allan Kardec: não são obras para ler; as obras de Allan Kardec, são obras para estudar!…
Não é por uma simples leitura que se chega à compreensão adequada dos temas que devem ser articulados a partir da leitura da obra, relacionando conteúdos entre si, pelo estudo cuidadoso das outras obras do mesmo autor.
Chamamos a atenção para a importância fundamental da REVISTA ESPÍRITA, tão largamente ignorada.
Há estudos sobre as obras de Allan Kardec que fazem referências concretas a certas passagens da mesma, sendo possível ter acesso imediato aos trechos citados e respetiva interpretação através da sua abundante disponibilidade internet.

Sugerimos como base de dados muitíssimo completa, a visita de: https://kardecpedia.com/.

COMO E ONDE EXISTE O ESPIRITISMO

O espiritismo, se existe e merece nome, é construído por nós, na autonomia do nosso pensamento. É fruto da nossa condição de Espíritos sujeitos ao itinerário já percorrido, ansiosos por avançar honestamente na parcela da verdade que nos for permitido construir no território amplo e livre da nossa consciência.
Ler, estudar e pesquisar é fundamental, para que o nosso pensamento se encontre com ideias novas, diferentes, pesquisadas e descobertas por outros seres como nós, empenhados na sua própria evolução, suficientemente generosos na partilha.

Vivemos a vida material responsáveis por todos os nossos atos e pensamentos, solidários com todos os nossos semelhantes. Enquanto vivos a categoria de seres dotados de consciência autónoma e livre arbítrio, permite-nos todo o tipo de diligências de associação cultural.

Mas no momento do regresso à pátria espiritual, no voo livre pelo túnel palpitante que nos conduz à luz da paz infinita, vamos sós, levando connosco o que pensámos, dissemos e fizemos durante toda uma curta vida. São essas aquisições que nos guiam, frente a novos e magníficos desafios que se seguirão.

 

José da Costa Brites e Maria da Conceição Brites

Notas importantes:

Os autores da tradução desta e de outras obras de Allan Kardec têm seguido com muita atenção todos estes estudos, individualmente, em clima de total independência cultural e ideológica.
Seguem as suas próprias ideias e não são afetos a nenhum sector com diretrizes pré-definidas.
O nosso trabalho de investigação e estudo do espiritismo encontra-se à disposição de todos em fontes de consulta residentes na internet, entre elas: “palavraluz.com” e “espiritismocultura.com”.

Pessoalmente estamos totalmente disponíveis para depoimentos, observações e críticas, através do e-mail: espiritismo.cultura@gmail.com

 

 

 

Palavras para uma jovem vidente

>

145 ppp

Palavras para uma jovem vidente que não sabe bem o que vê, para que viva em paz com esse dom e seja feliz, dando – se for possível e se quiser – importantíssimo testemunho do mesmo.

131-S-OR

Soube de uma jovem que, além de ver o que todos vêem, tem o privilégio de ver os espíritos. Outrora teve graves problemas mas habituou-se e aprendeu a viver com isso. Não retirou lições nem procurou conhecer tal fenómeno, o que foi pena.
O que escrevi foi para ela em primeiro lugar mas resolvi partilhar com todos os visitantes deste sítio.

Minha amiga,
É muito importante que saiba que poder ver os espíritos não é sintoma de doença ou desarranjo mental. Muita gente, sobretudo as crianças têm tido dons iguais ou parecidos, a que a indiferença e a ignorância têm virado as costas, tornando desconfortável uma realidade que pertence à natureza e à ordem normal das coisas. Sentir realmente uma presença invisível andar pela casa, um olhar que observa atrás de nós os nossos gestos, por isso já toda a gente passou, sem saber explicar bem o que é.
Outra coisa é ver mesmo os vultos silenciosos de pessoas reais, figuras indistintas que avançam pela casa – como me diz – sem fazerem parte do número dos vivos.
Vou tentar fazer para si um resumo simples de conhecimentos que levam muito tempo a acumular, essenciais para compreender esse facto, sabendo tirar partido dele e podendo utilizá-lo em benefício de terceiros.

00001 trat p

O MUNDO VISÍVEL E O OUTRO

As suas visões dão prova indesmentível da realidade abrangente da natureza, a mesma que contemplamos e sentimos com os nossos vulgares cinco sentidos: a vista, o ouvido, o olfato, o tato e o gosto.
A minha amiga tem a prova de que há gente que passeia por aí – espíritos iguais ao nosso, num outro estado, esperando talvez receber um aceno de simpatia ou um recado que lhes dê coragem para continuar a viagem seguindo os seu caminho.
Em concreto: Depois de mortos todos nós vamos continuar vivos de outra maneira.

Os vultos que tem visto, são figuras reais e representam pessoas que deixaram a vida material e que possuem outras faculdades e dispõem de outra forma de estar e de se deslocarem.
Não podem fazer-nos mal algum nem intervir nas nossas vidas no plano material. No plano mental são quase como outra pessoa qualquer com quem nos cruzamos na rua, embora tenham outras capacidades que são importantes.
Que fique muito claro: se tivermos bem construída a nossa personalidade e se estiver bem colocada a nossa força de vontade, os espíritos não podem fazer-nos mal algum.
Se alguém quiser vender-nos uma enciclopédia ou um conjunto de panelas inox, pode bater à nossa porta para nos convencer a isso. A decisão da compra depende exclusivamente da nossa vontade.
O trato com os espíritos está quase ao mesmo nível, embora o seu potencial de influenciar vontades deva ser melhor esclarecido.

A NATUREZA REAL DOS ESPÍRITOS

Quando acordarmos do outro lado da vida quando esta que vivemos agora se acabar, também seremos espíritos como aqueles que vê lá em casa.
Libertos das dores do corpo e das múltiplas limitações seremos, mental e moralmente, as mesmas pessoas que éramos antes, com preocupações pessoais inerentes à nossa individualidade. Estaremos livres das nossas limitações e necessidades físicas e teremos faculdades muito especiais, que são bem conhecidas e podem ser explicadas.

Com o falecimento não há perda de autonomia de individualidade e o mais natural é que o espírito liberto siga o seu caminho de evolução e aprendizagem. Há muitos casos também de espíritos menos preparados que ficam por aqui, pendentes das suas preocupações anteriores, de tal forma que há muitos que julgam que ainda estão vivos e insistem em habitar entre nós.
A observação experimental de milhões de casos de que há conhecimento comprova isso de forma clara.

Os espíritos mais bem informados e com melhor condição evolutiva passam logo em frente, avançando por uma estrada de aprendizagem, aperfeiçoamento e até de felicidade. Mas para atingir esse patamar teremos que desempenhar com brio, humildade e abnegação todas as tarefas que nos competem!…

.

107-Ch-tO AMBIENTE OPRESSIVO DO PLANETA TERRA

A sina deste mundo, na condição material e muito problemática em que estamos mergulhados, é ter de ficar a conviver com aqueles espíritos que ainda não tiveram a lucidez e a vontade de entender que o caminho é para cima e para a frente. No espaço do nosso mundo é muito mais numeroso o contingente dos espíritos invisíveis (que estão por todo o lado) do que o número de pessoas materialmente vivas.
Esses espíritos insistem em ficar presos ao desconforto da vida terrena. São esses, minha amiga, que vê passear silenciosa e misteriosamente em sua casa, nos momentos em que diz ao seu simpático marido: “Olha, hoje temos visitas!…”
Não serão só esses que vêm visitá-la, pode estar certa. Mas por agora não vou complicar este simples resumo.

FACTOS IMPORTANTES DE NATUREZA CIENTÍFICA

Ninguém deve ter medo do universo oculto que nos rodeia e de que só muito poucas pessoas se apercebem, como a minha amiga. A nossa atitude deve ser de uma grande naturalidade, confiança e espírito positivo.
Os contratempos e a perturbação pelos quais passou e aos quais demorou a habituar-se por ignorar as razões substanciais que estavam por detrás deles, tinham sido evitados de forma muito fácil.
Por isso estou aqui a conversar consigo, fazendo votos de que a mensagem possa servir a mais gente, isto é, a mais espíritos.
Quanto mais esclarecida for a nossa posição, melhor será a influência de que vamos poder usufruir E TRANSMITIR a muitas dessas almas perturbadas, confusas e não obrigatoriamente más.
Algumas estarão apenas temporariamente perdidas sem saber o que fazer.
O conhecimento das leis da natureza que governam as interações dos espíritos é fundamental, e bem assim a influência das nossas atitudes sobre o NOSSO PRÓPRIO espírito.
A lei da causa e do efeito e a lei das afinidades, de que falo mais abaixo, governam todo o género de interinfluências positivas e negativas que determinam a nossa lucidez, a FELICIDADE e, como no seu caso, a própria SAÚDE.
Moral da história: para certos problemas que podem resolver-se pelo conhecimento das suas causas naturais não é preciso andar a tomar drogas que nem fazem bem à saúde e muito menos resolvem o problema.

painel de azulejos 2004 Costa Brites

A VISUALIZAÇÃO DOS ESPÍRITOS E COMO SE PROCESSA

Como está explicado em “O Livro dos Mediuns” capítulo I, nº 54 o ser humano é composto de três elementos distintos.

  1. A alma, ou espírito, é o princípio inteligente da nossa personalidade cuja constituição e natureza não conseguimos discernir com exatidão. De imensa complexidade, caracteriza-se por elevado grau de imaterialidade.
  2. O corpo físico é aquele que conhecemos com mais intimidade mas que, ainda assim, encerra muitos segredos quanto à sua integral e complexa natureza.
  3. Há um terceiro componente dos seres humanos, a que chamamos perispírito, que constitui um plano intermédio entre os dois primeiros e que – além de inúmeras funções incompletamente conhecidas – constitui uma ferramenta de que o espírito dispõe para governar o corpo.

Em termos práticos o perispírito está alojado no mesmo espaço do corpo material (ele é o seu “principio activo”, veículo e ferramenta do espírito junto dos tecidos orgânicos e da natureza intelectual e sensível do homem) e por isso recolhe influência de ambos os lados: do espírito e do corpo.
Para os videntes muito dotados o perispírito constrói à volta do corpo físico uma espécie de reflexo brilhante e colorido. Experiências científicas muito avançadas, aliás, já conseguiram fotografá-lo.
O nascimento de um novo ser corresponde à vontade dos pais em gerar uma criança, mas só se torna uma realidade concreta porque o processo da Criação atua imediatamente após esse episódio, entrando em ação junto de cada novo ser o novo perispírito que o acompanhará toda a vida até ao dia da sua extinção, falecimento, morte ou – como dizem os espíritas – desencarnação.
É interessantíssimo estudar e conhecer todo este fenómeno que explica de forma clara uma quantidade de momentos específicos da própria vida, da morte, do sono e dos sonhos, e tantíssimos outros.
Outra propriedade fundamental do perispírito é a de ir registando todas as aprendizagens que a alma carrega durante a sua vida neste mundo, sendo – em estreita dependência do espírito – a memória de todas as vivências e aperfeiçoamentos anteriores. Por isso as reflete nas cores e no brilho que ostenta e que são visíveis aos outros espíritos.
Donde a justeza de designar-se o perispírito como interface entre o corpo material e a essência praticamente imaterial do espírito.

Citando diretamente o que está contido em “O Livro dos Mediuns”:
“…A morte é a destruição, ou, antes, a desagregação do envoltório grosseiro − invólucro que a alma abandona”. Esse envoltório é aqui designado como “grosseiro” apenas em comparação com o espírito, e é o nosso corpo físico.
Durante toda a vida, animado pela centelha do espírito o corpo evidencia capacidades complexíssimas de sobrevivência. Uma vez destituído desse princípio vital, em escassos minutos o mesmo corpo deteriora-se de forma irrecuperável, apagando-se igualmente todo o seu fulgor intelectual e anímico.
Esse momento corresponde por isso, instante por instante, à saída do perispírito do tecido corporal, do qual se afasta envergado agora pelo espírito – ao qual confere vulto e fisionomia visíveis.

EM RESUMO:

Início do ciclo da vida, fecundação do óvulo materno; início do processo de entrada em funções no tecido orgânico do ser, do perispírito – interface ou ferramenta do espírito, que torna a pessoa naquilo que ela é, com aquisições intelectuais e morais derivadas da sua experiência anterior. Esse processo só se completa no fim da idade infantil, lá pelos sete anos;

No transe do fim da vida, falecimento ou desencarne (saída da carne): abandono pelo perispírito do veículo corporal ou organismo físico da pessoa; passagem da alma a um novo ciclo de vida, carregando as respetivas memórias e aprendizagens, sem esquecer a memória exaustiva e inamovível de todas as suas responsabilidades morais!…

A transformação radical e instantânea dos tecidos do corpo e de toda a sua capacidade vital, nesse momento, motivada pela saída do perispírito – agente ativo das funções vitais conduzido pelo espírito – torna-se um argumento irrecusável e único da importância fundamental do mesmo na instituição da vida.

106-R-AzO perispírito continua pois, às ordens do espírito, na grande viagem sem fim em direção ao aperfeiçoamento, à sabedoria e à felicidade, constituindo por assim dizer o seu corpo operacional para futuras reencarnações neste e noutros mundos.

Note a minha amiga o seguinte:

Esse destino não é reservado apenas aos mais bonzinhos, aos cumpridores e bem-educados da primeira hora. Todos, mas todos os seres que são entregues ao plano infinito da evolução, irão terminar construtivamente a viagem.
Uns irão mais depressa, outros mais devagar, de acordo com a sua vontade e o seu livre arbítrio – pois que a liberdade e a consciência própria é atributo essencial de todos os humanos. E todos os humanos são filhos de pleno direito de Deus, nosso pai, a quem é legítimo atribuirmos desígnios do mais absoluto sentido de justiça e de infinita misericórdia.

Quanto aos espíritos, uns aprenderão pelo amor, pela harmonia e pela vontade positiva. Outros aprenderão pelo esforço doloroso, com lágrimas e cansaços. Mas a todos está reservada a felicidade integral e o conhecimento absoluto, em modalidades de avanço e progresso que nos é completamente impossível descrevê-las.

O conhecimento destes factos também é científico, seja qual for o entendimento que tenhamos dessa palavra. Foi um conhecimento que nos foi revelado pelos espíritos, falando por intermédio de pessoas tão sensíveis como a minha cara amiga, portadores de dotes equivalentes, parecidos e complementares ao dom da mediunidade.
Chamam-se – conforme a variedade dos casos – médiuns audientes, falantes, sonâmbulos, de cura, escreventes ou psicógrafos e ainda outros que constituem um raríssimo, precioso e importantíssimo elenco de seres hipersensíveis a quem a alta espiritualidade confiou a revelação das verdades transcendentes que ajudam os homens que vieram à carne para aprender aquilo que necessitavam de aprender, a seguir em frente nos caminhos da evolução.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACONTINUEMOS A ACOMPANHAR O PERISPÍRITO:

A plasticidade semi-material de que se caracteriza, animada pelo espírito, é capaz de se configurar fisionomicamente à medida dos seus desejos e memórias, assumindo no período após o falecimento de uma  pessoa, o aspecto dessa mesma individualidade como adulto jovem, no auge do seu potencial humano.
Quando da morte, por esse motivo, todos ficamos mais bonitos!…
Essa transformação permite aos espíritos tornarem-se identificados por conhecidos e familiares, na multiplicidade de situações em que o encontro com eles se torne possível.
Essa hipótese está largamente confirmada por diversas fontes de conhecimento científico que convergem integralmente, entre outros:

  • O conhecimento espírita;
  • O estudo das experiências de quase-morte;
  • e as inumeráveis regressões a vidas passados levadas a cabo pelo método da hipnose.

Estas fontes, completamente diversas entre si nos aspetos histórico-metodológicos e técnico-científicos são coincidentes, até aos mais diminutos pormenores, nas conclusões alcançadas e nas observações feitas.

DONDE:

Os corpos esmaecidos e flutuantes que são observados pelos hipersensíveis videntes não são outra coisa senão perispíritos, elementos semi-materiais configuráveis pela vontade dos espíritos. Essas são as figuras que entram lá em sua casa, sem precisar de chave ou de ter de tocar à campainha e que a amiga também verá na rua, nos cafés e até nos teatros de concertos onde muitos espíritos gostam de ir ouvir a música com que se deliciam aqui na terra, como no mundo espiritual – que de pequenos nos habituámos a chamar “o céu”.

.

SEGUNDA PARTE DA NOSSA CONVERSA

− trata dos aspetos científicos que definem as leis de INTERINFLUÊNCIA entre espíritos e que nos ensinarão a colher as BOAS e recusar ou transformar as MÁS influências, seja das pessoas viventes no mundo físico, seja dos espíritos já viventes (e muito bem vivos) no mundo espiritual.

Em relação com isso, e para nossa conveniência, há um trabalho que só pode ser feito por nós.
É o governo da nossa vontade, a conquista do equilíbrio moral e o conhecimento racional da vida e do espírito, princípio inteligente que está por detrás de tudo o que fomos, o que somos e o que seremos.

Este AVISO contribui:
− para a elevação do nível que nos rodeia todos os dias;
− para a melhoria do comportamento com todos os amigos, colegas de trabalho e familiares;
− para a SAÚDE PSICOLÓGICA e FÍSICA em todos os aspetos de funcionamento do nosso organismo e desenvolvimento da NOSSA FELICIDADE imediata e futura.

142-J-MA LEI DAS AFINIDADES
Se eu entrar num lugar qualquer onde esteja muita gente com quem é que vou reunir-me?
− Às pessoas de que eu gosto, aos meus amigos e conhecidos, é claro. Se possível vou para junto daqueles que me amam e daqueles que eu amo, na hipótese mais favorável.
Para junto das pessoas que eu não goste, daqueles que me maltratam e hostilizam?
− Não, para junto desses não vou!…

Nós somos espíritos − nada mais, nada menos − espíritos de vivos que se deslocam e sobrevivem temporariamente no mundo em corpo material. Os espíritos dos que já faleceram, envergados pelo perispírito, fazem exatamente o mesmo que os espíritos dos que ainda não morreram: uns e outros vão para junto dos seus iguais; procuram de modo infalível aqueles que vibram no mesmo comprimento de onda, partilhando AFINIDADES.

VEJAMOS O QUE PODEMOS FAZER PARA VIVER BEM:

É muito aconselhável para todos nós manter contactos frequentes com espíritos positivos, andar pela vida de mão dada com as pessoas que nos ajudem a viver bem, com respeito pela nossa sensibilidade e em obediência aos princípios e desejos que achamos mais corretos. Não vamos, por uma questão de solidariedade humana – a fundamental e imprescindível caridade – virar as costas a todos os outros, os que não sabem, os insensíveis e os impreparados. A esses será preciso estender a mão, abrir o entendimento, ajudar por amor – numa palavra – instituir a partilha de valores.
Mas temos que saber fazer tudo isso sob o influxo das melhores influências – ganho de causa entre valores positivos e valores negativos que só o conhecimento possibilita e a razão moral pode sustentar.

NOTAR que o mal não vem apenas dos outros.
Nós, por defeito de atitude ou pela tendência para os maus pensamentos, a crispação e a impaciência podemos também alinhar com a negatividade, gerar forças que nos abatam o moral. Os nossos maus pensamentos são um fator fundamental a ter em conta. Uma energia que se torna a mais perigosa de todas, porque está cá dentro.
Seguindo por aí, não tendo cuidado em escolher a boa ajuda e não dispondo de energias para retificar tendências negativas, lá vamos ter de tomar logo de manhã o antidepressivo que nos amortece os sentidos da alma, não dispensado ao deitar o tranquilizante que nos consinta o sono.

NOTA IMPORTANTE:

− Quando falo aqui em melhores companhias muita gente irá pensar que me refiro às pessoas – amigos e conhecidos com quem convivo no dia-a-dia.
ATENÇÃO!… Essa não é a totalidade das companhias que podem vir lançar atrapalhação e mal estar. Se leram com atenção desde princípio lembrar-se-ão que também grande quantidade de espíritos de pessoas já ausentes (os mais materializados e de menor evolução espiritual) andam por aí em grande número.

Se nos abandonarmos a pensamentos negativos e a preocupações obscuras, se fugirmos a momentos elevados de sensibilidade espiritual:

− as boas leituras como as boas acções;
− a melhor cultura como os gestos altruistas;
− as conversas e atitudes edificantes como as atitudes generosas;
− o exercício altamente importante e espiritualizante da PRECE!…

os espíritos com baixas vibrações e pensamentos negativos serão atraídos para o nosso convívio, porque estaremos fatalmente a vibrar à mesma frequência.

MUITO CUIDADO!… Esse risco arrasta-nos para a depressão, para o abatimento – numa palavra, para a obsessão!…

Para saberem o que é a obsessão consultar por favor a importantíssima obra publicada neste blogue da autoria de José Herculano Pires: OBSESSÃO/AUTO-OBSESSÃO – um tema importantíssimo

141-O-VA LEI DA CAUSA E DO EFEITO
Se eu plantar laranjeiras, colho laranjas. Se plantar ventos, colho tempestades. Se semear afetos, mereço colher afetos. Ao semear, porém, já sou beneficiário da boa intenção, que me beneficia desde o primeiro instante. A colheita é contingente, mas é possível. Semear é um dever inabalável de potencial altamente retributivo. Lembrem-se: além dos atos produtivos as boas intenções têm muitíssimo valor!…
A aliança de todos os gestos generosos pode não fazer sempre todos os milagres. Mas encurta o caminho para a perfeição.
Os espíritos que a minha amiga vê passear pela casa necessitam de nós como amigos, como vontades solidárias. Além de semearmos laranjeiras, para colher laranjas, tenhamos o gesto solidário, a palavra de carinho, a prece essencial de apelo às mais elevadas instâncias. Não olhemos de lado as estranhas visitas cujo nome desconhecemos, quer vendo-as, quer se apenas as persentimos.
Com os espíritos não alimentemos o medo; Usemos o melhor da nossa hospitalidade.
Quem sabe será aquele vulto um vizinho conhecido em busca de apoio? Quem sabe será um ente querido há algum tempo desaparecido, em busca do perdão que lhe negámos em vida? Isso acontece, é da vida e está comprovado pelo trato com os espíritos. Nós também somos espíritos e andamos pela vida, tantas vezes, à procura de um simples gesto de carinho, de compreensão ou de auxílio generoso. E se aqueles pelos quais passamos uma e outra vez, virarem sempre o rosto para o outro lado, não querendo estender-nos e, pior do que isso, TIVEREM MEDO DE NÓS por ignorância e frieza indiferente?
Ousemos entendê-los, ousemos o afeto compreensivo.
Esse semear produzirá nos outros o melhor da transformação positiva que em nós ficará a germinar como uma árvore saudável de frutos garantidos.
Chamem-lhe laranjas, chamem-lhe boa vontade, chamem- lhe consciência tranquila ou chamem-lhe a simples alegria de dar!…

106-A-reinv

ESPÍRITOS SOMOS TODOS, EM SITUAÇÕES DIFERENTES

As pessoas que evidenciam estranheza perante os espíritos por serem coisa “do outro mundo”, caiem na rejeição irracional de abordar sequer o tema da vida depois da morte.
Daí um medo mórbido, uma terrível insegurança perante o fenómeno que a todos tocará de forma inevitável. Mesmo os ateus mais dramáticos ou as pessoas a quem a falta de coragem intelectual impede de enfrentarem o assunto, como simples tema de conversa, deveriam pensar no deficit de sentido prático que isso envolve.

Vão morrer um dia, seja de que maneira for, de forma acidental ou seguindo o itinerário mais desejável da longevidade feliz, sem dores profundas de agonia arrastada.
Nesse dia, no instante após, poderão ter necessidade de um “livro de instruções” que os liberte dos transtornos de não saber o que fazer. Havendo – como parece que há – procedimentos aconselháveis, julgo que seria bom dar uma vista de olhos ao tema.

Os cidadãos bem apetrechados costumam precaver-se sempre com cautelas, mesmo nas mais raras e improváveis voltas desta vida. Quanto à morte, essa infalível ocorrência, viram as costas ao assunto quase ofendidos ou desconcertados pela indiscreta apresentação do mesmo.

103-D-PPComportamento que faz lembrar o das crianças assustadas que põem as mãozitas sobre os olhos para o que estão a ver deixe de existir, ou como se a mera hipótese da vida eterna fosse algo de somenos, sonho imerecido que não voa porque a dúvida triste lhe cortou as asas.

.

NINGUÉM SE ESQUEÇA DO SEGUINTE:

− O conhecimento da cultura e da ciência espirita, para além de esclarecer as principais questões da vida − origem e destino dos seres − é importante elemento de  libertação e progresso espiritual. Favorece de modo esclarecido a manutenção da saúde física e emocional e é um apoio firme da felicidade pessoal e familiar.
Não é imperioso frequentar nenhum centro, pertencer a nenhum grupo e muito menos frequentar sessões mediúnicas, que são  reuniões muito reservadas que solicitam grande preparação.
A cultura espírita pode desenvolver-se de forma independente mediante o interesse pessoal. O seu estudo pode ser configurado à medida dos interesses de cada um, sendo abundantíssimas as fontes de informação disponíveis, nomeadamente na internet.
Como é timbre e característica fundamental da fraternidade espírita, é sempre possível obter tais elementos de forma completamente grátis.

Juntem-se ao número dos subscritores deste blogue para receberem notícia de todas as publicações (ver coluna à direita). Contactos: palavra.luz@gmail.com