Dr. Pim van Lommel, Entrevistas Vídeo

O Dr. Pim van Lommel

Pim van Lommel, nascido em 1943, estudou medicina na Universidade de Utrecht, na Holanda, e especializou-se em cardiologia. Trabalhou de 1977 a 2003, no Rijnstate Hospital em Arnhem, na Holanda. Publicou diversos estudos sobre cardiologia e em 1986 começou a estudar as “experiências de quase morte” (ou “experiências de morte iminente”) vividas por doentes que tinham sido vítimas de paragem cardíaca.
Em 2001 o Dr. Van Lommel e outros autores publicaram os seus estudos na prestigiada revista científica The Lancet. Além disso assinou capítulos em diversos livros a respeito do assunto, além de artigos vários.

Em 2007 publicou na Holanda o seu livro “Eindeloos Bewustzijn: een wetenschappelijke visie op de Bijna-Dood Ervaring”; “Consciência Ilimitada; uma abordagem científica das experiências de quase morte”.

Foi um best-seller, com 100.000 exemplares vendidos na Holanda ao fim do primeiro ano, tendo ganho o Prémio do Melhor Livro de 2008. Foi traduzido para o alemão “Endloses Bewusstsein. Neue Medizinische Fakten zur Nahtoderfahrung” e em 2010 foi publicado pelos editores Harper Collins em Inglês e no ano seguinte em Francês pela editora Robert Laffont.

Nos últimos sete anos Pim van Lommel tem feito conferências em todo o mundo a respeito das relações entre a consciência e as funções cerebrais. Em 2005 recebeu o “Prémio de Investigação Bruce Greyson”. Em Setembro de 2006, o Presidente da India Dr. A.P.J. Abdul Kalam, condecorou-o com o “Life Time Achievement Award” no Congresso Mundial sobre Cardiologia Preventiva em Nova Delhi.

Os vídeos abaixo indicados apenas serão úteis para quem tenha conhecimentos da língua inglesa, o que peço desculpa, dado que não estão disponíveis versões legendadas que possam ser aqui apresentadas.

Ainda e apenas para pessoas com conhecimentos de língua inglesa, um extenso artigo sobre este tema, publicado no site Norte Americano da IANDS:

Dr. Pim van Lommel, M.D.: Continuity of Consciousness

E dois curtos vídeos com uma apresentação genérica, mas elucidativa, dos temas apresentados:

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ERNESTO BOZZANO – A Crise da Morte; Anexo e Autobiografia

Ernesto Bozzano

Informo todos os visitantes que esta apresentação de “A Crise da Morte” de Ernesto Bozzano foi pesquisado no valioso “site” dos “Autores Espíritas Clássicos”. As adaptações gráficas, gramaticais e sintácticas que efectuei devem ser entendidas como o resultado de uma adaptação para meu uso pessoal, com as anotações que correspondem ao meu gosto de leitura ao computador, pese muito embora algum caos sintáctico e ortográfico em que me encontro inocente e excessivamente fatigado para começar tudo de novo… As minhas desculpas a brasileiros e a portugueses.

O insignificante trabalho feito, no entanto, equivale por certo a ter lido o livro mais de dez vezes por inteiro, com manifesto benefício próprio, diga-se de passagem.

A inclusão de um ANEXO não pertence de modo nenhum à obra original nem à tradução referida, é apenas um resumo muito sintético das inumeráveis e trabalhosas consultas que efectuei para contextualizar a minha apreensão desta valiosíssima obra que acho uma peça inestimável da eminente Cultura Espírita, no sentido que tem de ciência de observação com importância filosófica e objectivos morais do mais transcendente valor, tal como abundantemente demonstra a preciosa acção esclarecedora de Ernesto Bozzano.

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Acrescento também, aliás, uma peça autobiográfica do autor, que não será uma raridade, mas que descobri com trabalho meticuloso ao fim de um livro de sua autoria, prestando-lhe com isso preito de homenagem e imensa gratidão.

É inteiramente natural que Ernesto Bozzano não faça parte do elenco de espíritos que irão apresentar-me boas vindas na minha chegada ao Além. Prometo, contudo, ir incomodá-lo onde quer que esteja – se isso me for concedido, claro – para lhe dar um fortíssimo
abraço celestial, da mais exaltante vibração sensível!…

PARA TER ACESSO AO DOCUMENTO CLICAR NO TÍTULO ABAIXO:

BOZZANO A Crise da Morte Notas+Autobiografia

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A prodigiosa mediunidade de Augustin Lesage, humilde mineiro e pintor espírita (1876-1954)

Augustin Lesage (1876-1954)

Humilde e prestigiado servidor da arte mediúnica, expôs as suas telas surpreendentes de beleza e de luz, não obstante a sua avançada idade.

Deixemos que ele mesmo se nos apresente:


“…Chamo-me Augustin Lesage, nascido a 9 de Agosto de 1876, em St Pierre les Auchel, perto de Béthune, no Pas-de-Calais. O meu pai era mineiro, pois que vivia nesta região de minas. Andei na escola primária de St-Pierre-les-Auchel até à idade de 14 anos, altura em que fui trabalhar nas minas. Conheci ali o mais duro trabalho, durante 27 anos; deixei a mina a 23 de Julho de 1923.

Foi em Janeiro de 1912 que os poderosos Espíritos vieram manifestar-se-me, ordenando que desenhasse e pintasse, coisa que jamais havia feito anteriormente. Nunca tendo visto, até esse momento, um simples tubo de tinta para pintar, imaginem a minha surpresa perante tal revelação.

Ignoro completamente seja o que for a respeito de pintura.

– Não te inquietes por causa desse pormenor insignificante, responderam os espíritos. Seremos nós a conduzir as tuas mãos.

Recebi então, por escrito, o nome das cores e dos pincéis de que necessitava e comecei a pintar sob a influência dos artistas do além, sempre que chegava a casa extenuado depois do trabalho na mina. Tal fadiga, contudo, desaparecia quando me encontrava sob a influência dos espíritos.

Recebo sempre, por escrito, conselhos favoráveis a respeito dos trabalhos, que executo sem modelo, o que é uma grande facilidade para mim, por não ter de procurar compreender, visto que as composições não são de minha autoria. Sou apenas a mão que executa e não o cérebro que concebe o que faço.

Pinto sempre desperto, mas sem poder estar na presença de quem quer que seja. Represento aquilo que os vivos não podem ver, enquanto que os artistas pintores representam o que a natureza coloca perante o seu olhar. Permaneço em relação permanente com os nossos queridos amigos do além, que me trazem grandes revelações. Raros são aqueles que concebem a fé vivida com esses espíritos, não material, mas espiritualmente.

Nada compreendo da confusão de cores diversas que aplico sobre a tela. De acordo com os conselhos que dão os meus amigos do espaço, as obras que executo representam todas as religiões associadas do passado longínquo. Tais enigmas serão por nós conhecidos um dia. De momento podemos chamar-lhe “pintura nova”…”

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Texto escrito por Augustin Lesage em Barbuse (Pas-de-Calais) a 20 de Maio de 1925

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Este depoimento, de autoria do próprio Augustin Lesage foi confirmado por declarações emitidas por entidades independentes e organismos públicos, além de ser do conhecimento de muitos vizinhos e de grande quantidade de personalidades do mundo artístico e cultural com que o mesmo se relacionou ao longo da sua vida. Entre os quais, os seguintes:

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“… o Presidente da Câmara da comuna de Burbure certifica que o Senhor Augustin Henri Lesage, aqui residente, nascido em Auchel no dia 9 de Agosto de 1876, exerceu sempre a profissão de mineiro e nunca frequentou nenhuma escola de desenho ou de pintura. Assinado em Burbure a 22 de Maio de 1925 pelo Maire Decroix…”

“…O abaixo assinado Emile Lacroze, engenheiro, director das minas de Ferfay-Cauchy, declara que Augustin Henri Lesage trabalhou como mineiro nas nossas explorações, de 23 de Agosto de 1890 a 14 de Novembro de 1897, (serviço militar), de 27 de Setembro de 1900 a 12 de Julho de 1913 e de 11 de Março de 1916 a 6 de Julho de 1923. Ass. 22 de Maio de 1925…”

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De 7 a 14 de Junho de 1953 foram expostas na “Maison des Spirites”, situada no nº 8 da Rue de Copernic, em Paris, várias obras de Augustin Lesage, o mineiro pintor.

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“…Observar-se-á nas obras qualquer coisa de completamente diferente de uma habilidade adquirida pela prática manual continuada que pudesse servir uma documentação recolhida aqui e ali e engenhosamente interpretada.

Aquilo que caracteriza a sua arte é incontestavelmente a invenção, e – em verdade – é impossível conceber de acordo com o raciocínio corrente como poderá Lesage, ao longo dos anos e isolado na localidade onde viveu, longe de qualquer fonte de informação, ter adquirido primeiro uma destreza técnica tal, e depois o conhecimento de utilização dos temas decorativos de que se serve – os quais evocam – com toda a originalidade pessoal e novidade – reminiscências persas e hindus.

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Como poderá o extenuado mineiro, finda a sua jornada de trabalho, ter regressado para defronte da sua tela com capacidade para construir com pinceladas fáceis e subtis, esses pagodes fantásticos, e desenrolar seus bordados soberbos, associar harmonias cromáticas e coordenar tão enorme variedade de combinações gráficas?…”

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Quando pela primeira vez o médium se exercitou numa tarefa que ele julgava impossível, serviu-se – aconselhado pelas “vozes” e pelas mensagens escritas – de uma tela de 9 metros quadrados. Para começar era uma audácia. Estendeu-a como pôde, na sala inferior da casa, transformada em atelier. Era forçado, aliás, a tê-la parcialmente enrolada, de modo a poder avançar com o trabalho, dado que as dimensões da tela eram tais que excediam o tamanho do compartimento. As mensagens inspiradoras também lhe tinham dado instruções relativas à compra das tintas de óleo e respectivas cores, dos pincéis e dos godés nos quais diluía as cores com essência. Fora-lhe dado igualmente conselho de se ajoelhar e de orar, tal como fazia Fra Angelico, antes de iniciar o seu trabalho de pintor.

A partir desse momento o trabalho tornava-se fácil: empunhar ao acaso um pincel e erguer uma mão que um tremor súbito anima, colher tinta de um dos godés e, em gestos agora firmes, pigmentar a composição, já começada, de pequenos pontos, cuja justaposição, no seu conjunto, determina o conjunto das formas e define as gradações de cor e os detalhes da obra.

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Trabalho de uma extrema lentidão e de rigor impressionante. Labor de miniaturista, de iluminura, ocupava decorativamente vastas superfícies, porventura concebidas para um trabalho a fresco. Contudo, à força de preserverança, de dócil impassibilidade, Lesage acaba por cobrir toda a tela até ao limite das suas margens, sem esquecer, durante a execução, os retoques, repetições e rectificações que não derivam de seu motu próprio, mas da orientação do espírito artista ao qual obedece o artesão respeitoso. Estas referências e acentuações não são a parte menos extraordinária do trabalho. Sucede por vezes que o “inspirador” insatisfeito consigo mesmo, retém o pincel, durante várias semanas, sobre uma superfície de alguns centímetros quadrados, sempre, sempre rectificando as linhas e a coloração, correndo o risco de empastar ou produzir a confusão.

Não se passa nada diso. Os detalhes assim aprofundados são frequentemente os mais notáveis, pela sua estrutura de mosaic e o seu gosto cromático. É com espanto que se descobrem alusões à paleta e aos tons pastel do grande visionário que foi Odilon Redon.

Não é exagero dizer-se que no tempo presente, ninguém poderia inventar ritmos ornamentais, com tal fantasia e riqueza. Tais são os que criou o pincel de Lesage, achados com tanta felicidade, que os criadores de rendas de Calais vieram a Burbure procurar ideias para novos modelos.

Que ali não se busquem regras de composição escolástica. Nem mais ciência no equilíbrio de volumes que no jogo de valores. Poderia falar-se de valores. Ou de ramos de flores, de vagas iridiscentes e de vibrações luminosas.

Perto, arquitecturas atrevidas, acentuadamente alinhadas e fantasticamente sobrepostas; pés-direitos que sustêm arcadas, cúpulas às quais se associam galerias de onde se projectam abóbadas, recortadas por pilares incrustados de pedrarias, que conduzem a miradouros, ameias e lanternins. Nestas estruturações acontece que uma cripta sustem uma nave e os seus altares, contudo, sem obediência à realidade. Lesage (ou o espírito, mais propriamente) ultrapassa as circunstâncias, zomba da resistência dos materiais, cria a instabilidade, lança um piso imenso sobre uma cúpula central, reedifica um segundo templo por cima dum primeiro. Um arquitecto rir-se-ia. Um pedreiro diria: “é impossível!”; un decorador exclamaria: “é improvável, mas com estilo, brilhantismo e um emaranhado que encanta a vista!…”

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M. Cassiopée.

Extrait de la Revue Spirite de Mai-Juin 1953.

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“…Em geral as coisas são vistas em corte. O olhar do espectador mergulha no interior de um movimento prodigioso, ali se perde e se conduz no entanto através de uma multiplicidade de artérias, de capelas e naves laterais, onde se mostram – em tonalidades neutras – misteriosas neblinas nas quais flutuam cintilantes painéis, caixotões e nervuras, nas quais se dispersam em leves grinaldas – pérolas, corais, safiras, esmeraldas e rubis.

Lesage teve, pelo menos, duas fases, precedidas de uma primeira, feita um tanto às apalpadelas, que produziu painéis que se encontram expostos em diversas instituições, à maneira de estuques relevados nos quais se encontra toda a delicadeza e as cores aveludadas de um Vuillard. A primeira fase é menos sensacional que a segunda.

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Como artista, “Augustin Lesage apresenta-nos um dos mais belos casos de mediunidade pictórica …”

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“…atingiu uma arte depurada, lúcida, suave, leve, onde a invenção decorativa retoma curso livre com à-vontade e variedade, extremamente sedutora, pela franqueza de toques feitos em geito de esmalte. É-se levado a pensar que talvez o artista mineiro tenha tido dois “guias” pintores, o que não é hipótese sem fundamento.

No dia em que visitámos em Burbure o atelier do médium, exprimimos essa opinião ao comparar as telas antigas com as actuais. Lesage teve imediatamente uma comunicação psicografada, cujos termos elucidavam que o pintor tinha sido conduzido na execução da sua obra por duas entidades distintas, uma delas dedicada aos temas arquitectónicos e outra para a vertente puramente decorativa. As nossas suposições foram desse modo confirmadas e bem assim o facto de os seus inspiradores serem de origem asiática, o que se encontrava esclarecido na já mencionada comunicação: a primeira entidade era Indu e a segunda vivera muito tempo no Extremo Oriente…”


A história da Colheita Egípcia

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Um facto mais do que marcante, nós diríamos revelador, é o da história da “Colheita Egípcia”.

Em Outubro de 1938, Augustin Lesage começou a tela da “Colheita Egípcia”. Terminou-a dois meses depois, em Dezembro.

As suas disponibilidades financeiras mantinham-se escassas, fiéis à definição que Allan Kardec fornecia da mediunidade de que o que é um dom da mediunidade não é para ser objecto de negócio.

Bela lição para aqueles que, nos nossos dias, se proclamam mestres em ciências do espiritismo e que fazem negócio com ele.

Sabe-se que a coberto das interpretações de tais “mestres”, a mediunidade é afastada do seu sentido espiritual. Para isso fazem uso da palavra “parapsicologia” e de outras designações,  para enganar todos aqueles que desejam compreender o sentido cristalino da alma tal como era entendido por Allan Kardec.

Saberão escutar as suas vozes interiors? Saberão o que é de facto a mediunidade?

Desejamos que sim muito fraternalmente, antes de mais por si próprios, e por uma questão de respeito por tudo aquilo que recebemos do mundo espiritual, portanto da fonte divina.

Regressemos contudo a Augustin Lessage, num dia de 1939, em que almoçava com seu amigo Fournier. Foi informado que a Associação Guillaume Budé estava a organizar um cruzeiro ao Egipto e de que esse mesmo amigo lhe oferecia a viagem.

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Marie-Christine Victor conta no seu livro:

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“…Em Marselha, no dia 29 de Fevereiro de 1939, ao meio dia, Augustin Lesage embarcou com o seu amigo Fournier no navio “El Mansour” (…). Teve oportunidade de conhecer a bordo um egiptólogo de nomeada que se manifestou muito interessado na obra que descobrira por ter visto uma dúzia de quadros seus, dentre os quais a “Colheita Egípcia”.

– Porque é que atribui tanta importância a esta última tela? Perguntou ao velho mineiro.

– Porque, respondeu ele, não é apenas da última que pintei, mas porque os meus guias me revelaram que eu iria reencontrar o fresco da época egípcia que representam os trabalhos da colheita…”.

“…o egiptólogo não partilhou essa opinião, derivada mais de um acto de fé que de um processo científico, dado que apenas é científico e válido aquilo que é material e tangível. Não acreditou pois um só instante que a tela de Lesage pudesse ser outra coisa que não produto da sua imaginação ou dos seus fantasmas. O artista não ficou minimamente impressionado pelo espírito científico do seu companheiro de viagem e preferiu tomar a atitude prudente de quem está tomado pela certeza profunda, logo, fora do comum…”

“… No Domingo 26 de Fevereiro chegámos a Alexandria e no dia imediato ao Cairo. Foi a tomada de conctacto com o Egipto moderno.

…arquólogos franceses tinham por missão acompanhar e dar explicações aos turistas dos quais fazia parte Augustin, a respeito da história e do significado dos monumentos da época faraónica…”

“…Augustin viu a imensa estátua de Ramsés II caída na areia, e a esfinge de Memfis, a pirâmide de Sakkarah, construída 5000 anos antes da nossa era, no tempo do rei Toser. Por fim as grandes pirâmides de Kéops, Kefren e Mikerinos, a grande esfíngie de Gizé, conhecida em todo o mundo. Experimentou um sentimento profundo:

– Como se tudo aquilo fosse para mim mais do que uma curiosidade, como se as pedras me fossem familiares, como se esse novo país que nunca tinha visto não me fosse inteiramente desconhecido, causando-me mais um sentimento de apego que de admiração…”

Tal caso não nos surpreende, tendo sucedido o mesmo, mas com muito mais rigor e certeza no caso de Lucienne Marmonnier, igualmente uma artista médium. Para nós, espíritas, é facto adquirido que Augustin Lessage deve ter vivido uma encarnação no Antigo Egipto; de outro modo o sentimento do momento já vivido não teria em si uma tão grande ressonância.

“…Nos dias seguintes visitámos o Museu do Cairo onde se encontram expostos, em especial, todos os objectos encontrados no túmulo de Toutankhamon. No dia 4, Sábado, partimos para o Sul, até à primeira catarata, tendo a visita ao Alto Egipto começado por Assouan.

Augustin Lesage, depois de ter visitado Luxor e e visto a base sobre a qual estava colocado o obelisco que actualmente se encontra na Praça de la Concorde, em Paris, chegou ao Vale das Rainhas.

Escutemos aquilo que nos contou:

– Dois anos antes, neste vale, fora desenterrada uma pequena povoação. O arqueólogo contou-nos que no tempo de Ramsés II, da XVIII dinastia, cerca de 1.500 anos antes da nossa era, a mesma povoação era habitada por 700 a 800 operários especializados em trabalhos funerários. Tais operários eram preciosos porque os Egípcios davam mais importância à sua morada eterna que às casas em que habitavam durante a sua vida, e que não necessitavam de uma decoração tão rica, dado o curto lapso de tempo que dura a vida.

Um dos operários chamava-se Mena. Encontrámos o seu túmulo, com muitas inscrições e cenas que descrevem o que foi a sua vida. Desse modo ficámos a saber como se chamava. Nos momentos durante os quais não trabalhava na execução dos túmulos oficiais , Mena tinha sido autorizado a trabalhar no seu próprio túmulo, um pouco afastado da localidade. Visitámos esse pequeno túmulo que continha uma vintena de sarcófagos e, de repente, apercebi-me de um fresco bem pintado numa das paredes, bem conservado e – nesse mesmo fresco – reconheci a cena da “Colheita Egípcia”.

“Apoderou-se de mim uma forte e complexa emoção, que teria grande dificuldade em descrever com exactidão. Pareceu-me, de repente, sentir-me muito próximo dessa pequena cena ainda intacta, ao vê-la tão parecida com aquela que havia pintado, e pareceu-me que também eu era o seu autor. Estabeleceu-se entre a pintura e eu uma relação indefinível, sem ser possível esclarecer se tinha acabado de pintá-la ou se apenas a encontrara. Desejei ter ficado junto daquela comovente e fresca pintura mural. Senti-me imobilizado, simultaneamente suspenso e esmagado pela surpresa.”

“…E a alegria, uma imensa alegria me invadiu, como se fosse a de um exilado de regresso ao seu povoado…”

Claro e perceptível se torna que, as coisas a que somos sensíveis, não se encontram no ensino dos livros, mas sim na mais profunda intimidade da alma.

“…Fiquei tomado de entusiasmo, o meu sangue pulsava, era puro e carregado de afecto o ar que respirava dentro do túmulo e a experiência que tivera entrava com toda a nitidez comovida nas minhas recordações, o acontecimento mais claramente marcante da minha vida, de resto, bem repleta de surpresas…”

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No dizer do arqueólogo que nos acompanhava, o túmulo, descoberto havia apenas dois anos, era pouco conhecido e tinha sido até então muito pouco visitado. Acentuou, face às perguntas dos turistas, que não poderiam existir reproduções do fresco em França. O que excluiu a ideia de uma cópia a partir de qualquer revista ou uma reprodução inconsciente depois de leituras feitas sobre o assunto…”

Augustin Lesage concluiu depois esta maravilhosa revelação de uma vida anterior:

“…Compreendo enfim aquela viagem, desejada durante tanto tempo, e que fora impossível até àquele momento. Não era necessário que visitasse o Egipto antes da descoberta do fresco; era necessário que a visse para que ficasse provado que os meus quadros não são o fruto da minha imaginação, e que a minha mão é o instrumento de um cérebro que não é meu…”

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Marie-Christine Victor pensa da seguinte forma:

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“…Como poderia existir trucagem num caso somo este? Como é que um mineiro que não saiu da sua aldeia poderia ter visto e reproduzido um fresco que se encontrava a tantas léguas de sua casa, que até os próprios egiptólogos desconheciam ainda e que, por isso, nenhuma revista poderia ter publicado?…”

É bem entendido que as críticas mais preversas e mais dolorosas para Augustin Lesage não faltaram, mas amar e servir a Deus também é aprender o que está por detrás do sofrimento, e qual o motivo porque, como dizia Santa Teresa de Ávila “há tão poucos amigos”.

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Augustin Lesage dizia:

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“… Não quero enganar ninguém. Não odeio ninguém. Não desejo mal a ninguém… Não desejo nem a riqueza nem a celebridade. Não tenho senão o desejo ardente de ser acreditado, porque aquilo que digo é verdade, porque aquilo que vivi é autêntico. Desejo sobretudo que a mensagem do invisível seja recebida e compreendida por todo o mundo, com o respeito e a admiração que ela não pode deixar de suscitar…”

Marie-Christine Victor afirma que a prece de Lesage não ficou sem resposta (como, de resto, todas as preces sinceras). Os seus guias avisaram-no de que iriam executar um trabalho e que seria necessário convidar um público que viesse vê-lo trabalhar.

A prova seria dada dessa forma de que toda a obra do pintor tinha sido feita de forma honesta e com pureza de intenções.

Desta forma, no dia 24 de Fevereiro de 1947, em Marrocos, pintou uma tela em público. Foi feito nessa altura um abaixo-assinado com 112 assinaturas entre as quais médicos, psiquiatras, professores, jornalistas, comissários de polícia, pintores, arquitectos…”

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Composição Simbólica  do Mundo Espiritual, Augustin Lesage, 1923

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Este artigo foi traduzido do nº 78 de La Revue Spirite, do primeiro trimestre de 2008, de acordo com o texto ali publicado sem referência à autoria do mesmo.

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Uma fraternidade espírita que atravessa muitos anos e abraça a Lousã a Toronto.

O escudo da portuguesa Vila da Lousã e a bandeira da cidade canadiana de Toronto

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No recanto reservado às memórias tem lugar hoje uma evocação de mais de sessenta anos de fraternidade natural que, com o tempo, também se transformou em fraternidade espírita, neste caso com base num intercâmbio entre a magnífica cidade de Toronto, nas margens do Lago Ontário e a pequena mas nobre Vila da Lousã, em Portugal, à beira da Serra do mesmo nome.

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O Alfredo José e o seu primo direito José Sebastião, algures perto do mar, em Portugal, no ano de 1950

As duas insignes figuras que acima estão retratadas, cavalgando nas asas do sonho em cima dos guarda-lamas de um notabilíssimo Ford Prefect de aprazível memória, chamam-se Alfredo José e José Sebastião.

Somos filhos de irmãs pelo lado materno e netos de irmãs pelo lado paterno, portanto algo mais do que simples primos direitos. Ambos envergamos “calças à golf”, como o famoso Tin-Tin das bandas desenhadas, o Alfredo José é menos que três anos mais novo e tem o cabelo castanho claro. O do lado direito sou eu, José Sebastião, nessa altura com o cabelo totalmente negro, tendo ambos herdado o privilégio de olhos claros da nossa querida avó materna.

O carro está estacionado algures, perto da costa ocidental atlântica de Portugal, muito perto do mar e de Leiria, cidade onde habitávamos.

Passados 68 anos (!…) vive o primeiro em Toronto, no Canadá e eu na Lousã, em Portugal.

Somos ambos espíritas pelo facto de as nossas avós serem membros activos do Centro Espírita de Leiria desde os anos vinte do século passado, até à altura da proibição do espiritismo em Portugal.
Por curiosa coincidência ambos fomos registando ao longo da vida uma certa sensibilidade mediúnica, a minha mais intensa em plena infância e a do meu primo Alfredo mais evidente ao longo da sua idade adulta.

Assimilámos muito cedo a dignificadíssima e muito respeitável cultura espírita reinante na família dos nossos pais e avós paternas, sob as vicissitudes de um regime autocrático – quer política quer religiosamente, tendo vindo agora a dar-lhe o lugar mais adequado nas nossas próprias vivências de todos os dias e no respectivo desenvolvimento cultural.

Eu investigo e escrevo na Lousã, de forma voluntária e independente como sempre, e o meu primo é um elemento activo do Centro Espírita “Rest on the Way” em Toronto.

Além das variadíssimas e longas trocas de impressões que mantenho com o Alfredo José, já tive o grato prazer, e o muito proveito, de recolher ensinamentos do muito conhecido director do Centro Espírita  “Rest on the Way” em Toronto, Sobek de Alcântara Rebêllo, brasileiro de Manaus, que fez o favor de me dar preciosos ensinamentos de que me encontrei carente há algum tempo.


Exibe-se aqui a imagem que ele próprio compôs para figurar na apresentação do seu blogue e que, com os adereços que estão em evidência (chapéu, cachimbo, camisa negra, gato – o “Nemo” – e hieróglifos egípcios) são todo um reflexo do seu carácter multifacetado de homem com elevados dotes espirituais, culto e imaginativo.

Enumerar o conjunto de ensinamentos que tenho colhido nas conversas com o meu primo, dava pano para largas mangas, e ficará para outra altura.

Com a facilidade de recursos que nos oferece a Internet, temos quase diariamente longas conversas a respeito de assuntos familiares e também a respeito de abundantes temas respeitantes ao espiritualismo científico, com objectivos morais. Encerra esta notícia um importante comentário do meu primo Alfredo José Brites a uma notícia que publiquei num post actualmente desactualizado e fora de publicação.

Pelo genuíno fervor espírita e pelo teor de abrangência quanto ao desenvolvimento da nossa doutrina, não é publicado como comentário mas sim como um autêntico “post”.

Caro Zé:

O número de visitas que o teu blogue tem, indica que os ensinamentos que estás a transmitir são importantes não só para a comunidade em geral, mas também para a comunidade espirita. É necessário o estudo para que possamos dar uma colaboração à espiritualidade e deixarmos de ser guiados por outros. A semente do espiritismo foi lançada em França nos meados do séc. XIX. Devido aos conflitos mundiais e a outros factores, a espiritualidade procurou áreas menos problemáticas, nomeadamente na América Latina, para dar a continuação aos ensinamentos que o Mestre Jesus nos transmitiu há 2000 anos.

De então para cá temos deixado nos controlar pelas ideias que vieram da pátria do espiritismo – a França, deixando de dar colaboração eficaz à colónia “Campo Luz Divina” e outras comunidades espirituais europeias através da mediunidade edificante.

Está na altura de darmos mais atenção ao trabalho edificante da mediunidade para ajudar os nossos irmãos desencarnados que habitam nas zonas umbralinas.

Só com o estudo, dedicação e perseverança é que podemos reactivar aquilo que deixámos um pouco de lado, e começar a cavar a vinha para depressa colher os frutos bons. É preciso procurar a nossa identidade quer filosófica quer científica sem no entanto nos desviarmos dos ensinamentos que o mestre Lionês nos proporcionou. Chega de nos deixarmos levar pelas ondas que vêm do hemisfério Sul e criarmos os nossos próprios rumos.
Cada sociedade tem uma definição própria e temos que recriar a nossa sem estarmos à espera que outros o façam por nós.

Aqui nas terras de Corte Real apesar de estarmos na infância temos vindo a criar as nossas próprias identidades. Há 12 anos começámos na criação e no trabalho, com a fundação do “Rest on The Way Spiritist Centre” por Sobek de Alcântara Rebêllo e Regina Yamagusi começando com o Evangelho no Lar, e com o rolar dos tempos criamos um site e um página no facebook.

Há 12 anos começámos na criação e no trabalho.
Nós continuámos a dar o nosso contributo sem nos lamentarmos e sem entrar em discussões escusadas.

Hoje o nosso pequenos grupo dá colaboração à espiritualidade para o bem dos nossos irmãos ainda nas esferas inferiores. 
Temos agregado à nossa humilde casa, Centro Espirita Repouso no Caminho (“Rest on the way”), um posto socorro na espiritualidade, com infraestruturas já de algumas dimensões tendo presentemente 30 médicos, equipas de enfermeiros, irmãs de caridade e outros membros caravaneiros do bem. Uma larga comunidade espiritual, em suma, para ajudar todos os que recorrem a nós.

Faça-se o mesmo em Portugal onde a necessidade é premente.

A espiritualidade da Europa teve que recorrer a médiuns psicógrafos do continente sul-americano para nos trazer a continuação dos estudos que o mestre Lionês começou no séc. XIX. Pela nossa parte começámos a levantarmo-nos para dar resposta às necessidades dos nossos irmãos que se querem comunicar connosco transmitindo ensinamentos que nos levam ao conforto pela reforma intima. Começamos a preparar-nos para dar continuidade àquilo que foi nos princípios do século XX o auxílio e colaboração à espiritualidade, para podermos evoluir mais.

ORAI E VIGIAI, disse o Mestre Jesus; estudemos os seus ensinamentos para nos prepararmos e para dar entrada a um MUNDO DE REGENERAÇÃO que nos está sendo preparado, ajudando os nossos irmãos mais atrasados a chegar mais à frente.

Para terminar cito um parágrafo de Roberto Vilmar Quaresma do artigo “Ninguém vem ao Pai senão por mim”, publicado na “Revista Internacional de Espiritismo”:
“Para sentirmos Jesus é preciso aproximação da moralidade, da ética; para sentirmos Jesus não bastam sentimentos superficiais, é preciso transcender, seja: usarmos a intelectualidade interiorizada e elevá-la aos parâmetros do bem, pois só a partir daí começamos a penetrar as verdades maiores, disponibilizadas pelo Mestre dos mestres”.

E só com o estudo das leis divinas é que poderemos chegar a bom porto. Coragem e dedicação! Continua no teu caminho José Sebastião, sem dares atenção a “Velhos do Restelo” que possam espreitar daqui e dali.

Um grande abraço fraterno deste que habita nas paragens dos Corte Reais

Alfredo José

O meu primo Alfredo José na actualidade

Espiritismo na literatura

“…no meio em que vivo tem-se a intuição de tudo e são-nos familiares as várias línguas que falaram as raças humanas, antes e depois da dispersão de Babel. As palavras são a sombra da ideia e nós possuímos a ideia mesma no seu estado essencial…”
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 ( Teófilo Gautier. Espírita. Valencia : Pascual Aguilar, c. 1880, p. 99)
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William Blake (1757-1827) Cristo como Redentor do Homem/aguarela 1808

A representação do mundo dos espíritos ao longo da história da cultura sempre existiu, tanto na literatura como nas artes plásticas, dado que a mediunidade sempre acompanhou o homem em todas as épocas. Escritores inspirados como Dante Alighieri (Divina Commedia), Daniel Defoe (The Serious Reflections during the life and surprising adventures of Robinson Crusoe, with his vision of the angelick world, 1720) ou os poemas de William Blake, são apenas uma amostra.

Robinson Crusoe (Daniel Defoe)
No entanto a influência do Espiritismo, como ciência, filosofia e moral é palpável desde que em 1857 apareceu a primeira edição do Livro dos Espíritos, obra acerca da imortalidade da alma, a natureza dos espíritos e as suas relações com os homens, as leis morais, recebida dos espíritos superiores e codificada por Allan Kardec (1854 – 1869).
Anos mais tarde, formando parte da Revue Spirite de Agosto de 1869 foi editado um opúsculo denominado “Catalogue raisonné des ouvrages pouvant servir à fonder une bibliothèque spirite” (Catálogo Racional das Obras para se Fundar uma Biblioteca Espírita) obra póstuma de Kardec que revela o seu importante empenho pedagógico e que caracteriza de novo o livro como veículo essencial de formação do indivíduo, para o seu progresso intelectual e moral.
Neste catálogo bibliográfico Allan Kardec propunha uma série de títulos que deveriam estar presentes nas bibliotecas de todos os centros de estudo da doutrina espírita. Esse documento assinala obras importantes em diversas áreas culturais e científicas produzidas à data dos inícios da divulgação do espiritismo.
Entre elas encontramos obras de Honoré de Balzac (Seraphitus Seraphita y Ursue Mirouet, herdeiras do conhecimento de Swedenborg), Charles Dickens (Crishtmas Carol), Alexandre Dumas (Madame de Chamblay), Armand Durantin (La legende de l’homme éternel, 1863), Theophile Gautier (Avatar 1857, e sobretudo a sua última novela, Spirite, 1866, que narra uma história de amor no Além), George Sand (Consuelo, La comtesse de Rudolstadt , Spiridion, Mademoiselle de la Quintine, etc.).

Como é lógico, neste repertório bibliográfico predomina a literatura francesa desses tempos já recuados do início do espiritismo, muito embora ele se tenha difundido muito rapidamente por toda a Europa, a seguir pelas Américas, através de Portugal e da Espanha.

Victor Hugo 1878 – fotografia de Nadar
Os artistas que declararam posteriormente aderir ao espiritismo também devem ser considerados, tais como Victor Hugo, em França e Sir Arthur Conan Doyle em Inglaterra.
Também encontramos referências de interesse nas obras de León Tolstoi e em conferências e artigos de Valle-Inclán, nas “Rimas y Leyendas” de Gustavo Adolfo Bécquer e na poesia de Amalia Domingo Soler, Salvador Sellés y Màrius Torres em Espanha, só para dar alguns exemplos.
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Em Inglaterra a literatura relacionada com os espíritos é abundante.
No tempo da Rainha Victória era costume passar o serão da Noite de Natal sentados ao lume ouvindo histórias tradicionais sobre espíritos e revelações das almas.
Charles Dickens (1812 – 1870) foi o autor mais popular do seu tempo com novelas inolvidáveis pertencentes ao realismo social, com realce para os seus famosos contos de Natal. Surpreendem nessas histórias a fluência e a naturalidade com que se fala dos espíritos, como na conhecida A Crishtmas Carol (Um Cântico de Natal), onde aparecem os espíritos do passado, do presente e do futuro, para darem uma lição de ética do comportamento em sentimentos fraternos e universais.
No entanto Dickens mantinha uma posição ambivalente e até contrária em obras como “A Casa Assombrada”, ficando claro que, tanto em Dickens como noutros autores, a inspiração é dominante em relação à própria opinião do autor.
Do máximo interesse é o caso do seu último romance “O mistério de Edwin Drood” que devia ser publicado em 12 fascículos mensais. Dickens faleceu em 1871, antes de ter a possibilidade de acabar a obra.
Um ano mais tarde o jovem tipógrafo norte-americano Thomas P. James, médium principiante, psicografou a continuação do romance, com o estilo inconfundível de Dickens, o que foi confirmado por numerosos críticos literários.
Outro autor inglês a destacar é Sir Arthur Conan Doyle (1859-1930), criador do celebérrimo Sherlock Holmes, homem de elevada capacidade intelectual e que foi, além do mais, presidente do Instituto Britânico de Ciência Psíquica e presidente da Associação espírita de Londres.
Pese muito embora o facto de que muitas biografias ignoram essa faceta da sua personalidade, foi o autor da “História do Espiritismo” (1926), um trabalho que recolhe textos a respeito de Swedenborg, Irving, Davis, o caso de Hydesville, as irmãs Fox, sir William Crookes etc.
No prefácio dessa importante obra de referência histórica, afirma que “…o espiritismo é, para muitos de nós, o mais importante movimento da história do mundo desde a passagem de Jesus Cristo sobre a terra…”, posto que na base do mesmo se encontra a moral de comportamento transmitida por ele há dois milénios.
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Na Rússia, encontramos na obra de Leon Tolstoi (1828 – 1910) referências a sessões mediúnicas como divertimento para as classes cultas, em Anna Karenina e Ressurreição.
Parece que Tolstoi não chegou a conhecer de facto a profunda mensagem da espiritualidade que encerram as obras de Allan Kardec. Limitou-se a observar o fenómeno das mesas girantes, divulgado no século XIX simplesmenta para chamar a atenção da existência da acção dos espíritos.

No conjunto, porém, encontra-se em Tolstoi um profundo misticismo e a assimilação da mensagem do amor incondicional de Jesus de Nazaré.

Amalia Domingo Soler (1835-1910), que disse: “os mortos são invisíveis , mas não ausentes”
Em Espanha a corrente espiritualista dá-se a conhecer na maior parte das lendas de Gustavo Adolfo Bécquer, onde o mundo invisível tem lugar de destaque, bem como nos escritos de Valle-Inclán.
Na poesia é onde encontramos os melhores exemplos de literatura claramente espírita. Além de “Ramos de Violetas y Cuentos Espiritistas” de Amalia Domingo Soler, a grande Senhora do Espiritismo Espanhol, destacamos o caso dos poetas: Màrius Torres, médico e poeta republicano, neto e filho de espíritas, que morreu prematuramente em 1942, e Salvador Sellés, o poeta alicantino que escreveu:
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“…O homem não vive somente na Terra. As suas ideias, os seus sentimentos, perdem-se como a essência das flores, no Céu. A verdade da existência de um Deus infinito, eterno, encontra-a o homem de igual maneira nas maravilhas de sua alma como nas maravilhas da natureza…”

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Este artigo foi traduzido do nº 1 da Revista Espírita da Federación Espírita Española, de Julho de 2011.
É da autoria de Lola Garcia, Historiadora de Arte e bibliotecária, membro da Asociación Espírita de Valencia Hogar Fraterno.

(Ilustrações: de minha responsabilidade)
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Aqui se falará, DE FORMA COMPLETAMENTE INDEPENDENTE, desta e de outras vidas que nos esperam, tendo em vista a evolução do homem como um todo, social, cultural e espiritual, na perspectiva do espiritualismo científico tal como foi metodologicamente esclarecido por Hipólito Leão Denisard Rival, aliás Allan Kardec.

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