Mediunidade Limitada – Sandro Fontana / Revista Ciência Espírita Março 2016

Sandro Fontana

– REVISTA CIÊNCIA ESPÍRITA – Março 2016 (Ver abaixo)

ESPAÇO DO EDITOR
MEDIUNIDADE NO “CATIVEIRO”

MEDIUNIDADE LIMITADA

Por que será que muitos dos Centros Espiritas brasileiros limitam tanto os médiuns e a mediunidade?

É de conhecimento básico do espiritismo que a mediunidade é seu principal “agente”, ou seja, sem a mediunidade não existiria o espiritismo, principalmente porque a fonte base de informações é proveniente do trabalho beneficente dos médiuns, afinal, são eles quem transmitem a informação proveniente do mundo espiritual.

Também é de conhecimento geral espirita que, “a opinião de um espírito é somente uma opinião”, sendo assim esse pressuposto garante (e entende) que um espírito, ao se comunicar, está passando as informações que lhe são tangíveis baseada nas suas próprias percepções e seu grau evolutivo.

Tanto é assim que Kardec havia elaborado um método que “cruzava” informações de vários médiuns e espíritos para poder chegar a alguma conclusão sobre um assunto ou tema, lembrando que isso nunca foi, e nem deve ser definitivo, como muitos idólatras e dogmáticos pretendem, isso porque a conclusão final ainda é humana e condicionada ao tempo (Era) do observador/pesquisador, que é limitada.

Então, se toda a fonte básica de conhecimento (e ajuda em muitos casos) é proveniente da mediunidade, por que muitos Centros Espíritas limitam o desenvolvimento mediúnico?

A resposta é simples e o atual cenário mundial a que passamos é o mesmo: Excesso de padronização!

Esse “mal ” não atinge somente o espiritismo, mas empresas onde tem se implantando um sistema de padronização e metodologia de processos que parece, em muitos casos, tender a perdermos os propósitos básicos e a essência do que somos ou devemos fazer.

A padronização não é de toda ruim, melhor dizendo, é necessária, mas parece que esta, ao entrar fortemente num meio, passa a sufocar ou aniquilar a razão básica por excesso. Devido a isso, é possível percebermos que o problema não reside na padronização em si, mas sim nas pessoas que as impõe dentro de um grupo.

Na prática, referindo-me ao meio espirita atual (especificamente aos Centros Espíritas confederados e federados), podemos ver um excesso de controles, tanto de médiuns como de âmbito geral, parecendo que os princípios básicos tem ficado de lado.

Tal fato parece direcionar o entendimento de que os espíritos e médiuns é que trabalham num Centro Espirita e não que este foi criado para permitir o trabalho dos médiuns e dos mentores.

Esse tema vem sendo discutido em diversos grupos e, dias atrás, foi tema num grupo fechado sobre espiritismo.

Quem defende a ideia do controle, argumenta a necessidade e responsabilidade que as entidades possuem perante a sociedade e a Doutrina (dentro de um entendimento restrito do grupo), por outro lado, temos os que defendem maior liberdade aos médiuns e aos trabalhos.

Essa liberdade, por exemplo, é a de exercer a mediunidade de forma plena e não controlada como exigem certos CEs.

Médiuns reclamam de não ser permitido ficarem inconscientes durante as sessões, ou de terem que atuar conforme rege ou organiza-se o mundo encarnado, ao invés de ouvirem os mentores sobre como deveriam ser feitos os trabalhos.

Independente de ambas as opiniões, o fato é que o espiritismo kardequiano brasileiro tomou um rumo arriscado, onde muitos jovens desistem de atuar e onde muitos médiuns preferem abrirem seus próprios estabelecimentos (ou atuar em suas casas) e dai já passam a serem excluídos e chamados de espiritualistas.

Com isso perdemos todos nós, pois assim surge o preconceito, as separações e deixamos de ser uma grande família onde poderíamos avançar juntos, com um desenvolvimento pleno da mediunidade e, consequentemente, de um aprimoramento no conhecimento e na moralidade mais exata.

Não é incomum eu visitar muitos lugares e encontrar os médiuns ostensivos fora dos CE federados, me pergunto então:

Será que os médiuns que permanecem nos CEs Federados, em sua absoluta maioria, não são ostensivos ou não os permitem serem?

É prudente refletirmos sobre isso.

Sandro Fontana

Revista Ciência Espirita – 2016 – Março