Espiritismo – Capítulo 01

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Querer explicar:

A razão de existirmos;
O funcionamento da realidade;
O sentido da vida e o seu aperfeiçoamento
é um objectivo bastante difícil…

As primeiras noções que recebi do ESPIRITISMO causaram-me a impressão de que – com o esclarecimento dessa visão do mundo – era possível encontrar a resposta clara para essas três questões cruciais. Por outro lado produziram em mim um tão enorme entusiasmo e uma tão grande fé e confiança no futuro, que me atrevo a vir aqui divulgar uma visão breve e simplificada do mesmo.
Não se trata de apresentar uma nova religião com rituais, clero hierarquizado, dogmas e ortodoxia, mas sim de esquematizar: uma cultura abrangente com carácter filosófico, método científico e objectivos morais.

PRIMEIRA NOÇÃO ESSENCIAL

O espiritismo baseia-se no conhecimento do contacto com o mundo dos espíritos, ou seja, na COMUNICAÇÃO COM O OUTRO LADO DA VIDA, numa abordagem cultural integralmente liberta de  dogmatismo.
Essa comunicação efectua-se, conforme o que está dito mais abaixo, através de um sentido especial de que só são dotadas certas pessoas, o sentido da MEDIUNIDADE.

A dificuldade em entender as características desse sentido especial resulta do facto de ser, ainda assim, bastante raro. E não é compreendido pela maioria, da mesma forma que não poderíamos entender o sentido da vista se fossemos cegos, ou o da audição se fossemos surdos.
Por falta de esclarecimento há até muitas pessoas que possuem esse dom e não têm consciência disso.
Sofrem de certas perturbações, por serem dotadas com o dom da mediunidade e andam a tomar comprimidos receitadas por psiquiatras SEM NECESSIDADE NENHUMA, sendo até prejudicadas por causa disso.

Se procurarem aconselhamento junto de pessoas conhecedoras (ver esclarecimentos mais adiante) poderão evitar tais problemas, visto que a mediunidade é um sentido como a vista ou o ouvido e se enquadra perfeitamente:
– nas LEIS DA NATUREZA;
– na realidade espiritual vivida por muitíssimas pessoas ao longo dos séculos e que permaneceram longe do estudo e do esclarecimento devido às mais diversas razões:

As religiões oficiais são sistemas DOGMÁTICOS de poder fortemente hierarquizado, sujeitam as pessoas a normas rígidas de rituais que se repetem sem esclarecimento concreto da realidade das coisas.
A sua acção tem-se mantido ao longo de séculos, reduzindo a noção de Deus a fórmulas acanhadas de visão quase antropomórfica, que tem conduzido inúmeros fiéis à descrença, quando não ao ateísmo.
Para esclarecer de modo elevado este tema recomendo a leitura da obra “Depois da Morte” de Léon Denis, senão por inteiro, pelo menos a primeira parte “Crenças e Negações”.
A ciência materialista e académica, de costas voltadas para a transcendência do Espírito,  a seu modo também inteiramente DOGMÁTICA, só aceita aquilo que vêem os olhos do corpo, aquilo que pode pesar-se numa balança ou que pode manipular-se na mesa dum laboratório, ignorando – ou fazendo orelhas moucas – ao facto de que toda a estrutura do espiritismo passa por uma abordagem com carácter científico,  fundamentado no método observativo e na experimentação aferida com toda a isenção e critério intelectual.

Em que é que se baseia o espiritismo?

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O espiritismo baseia-se fundamentalmente no conhecimento, devidamente metodizado há cerca de 160 anos, em Paris, por Hippolyte Leon Dénisard Rivail (aliás Allan Kardec) – Vidé também o Capítulo II – depois de estudados e coligidos os resultados de inúmeros contactos estabelecidos com o MUNDO DOS ESPÍRITOS, por intermédio de pessoas dotadas dos necessários dotes mediúnicos para esse efeito.

  • A colheita desses testemunhos não foi feita ao acaso, mas sim com metodologia aferida pelos mais rigorosos moldes de honestidade intelectual e o acompanhamento de observadores independentes;
  • resulta da convergência de multiplicidade de tais depoimentos feitos em lugares diferentes, através de individualidades que nada sabiam umas das outras e em ocasiões diferenciadas no tempo;
  • Muitas dessas comunicações tinham essencialmente propósitos de carácter informativo/formativo de importância universal e são compagináveis com a ciência e com os métodos de observação das LEIS DA NATUREZA;

Outras comunicações mediúnicas, que continuam a decorrer nos autênticos e legítimos Centros Espíritas de todo o mundo, são efectuados com propósitos de auxílio moral, esclarecimento de problemas sensíveis e solidariedade espiritual COMPLETAMENTE LIVRES DE PAGAMENTO MONETÁRIO.
Fique perfeitamente entendido que, nos autênticos e devidamente credenciados Centros Espíritas tais trabalhos são movidos com exclusivo objectivo de SOLIDARIEDADE FRATERNA, tendo produzido em imensidade de casos efeitos comprovadamente úteis para as pessoas neles participantes, de acordo com os mais honestos, concretos e comprováveis testemunhos.

Ainda a respeito da mediunidade:

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Tal faculdade, na grande maioria das pessoas, resulta apenas – o que já é muito
– numa percepção subentendida de coisas que connosco se passam (e que tantas vezes acabamos, inconscientemente, de designar como o nosso “6º sentido”):
– numa intuição secreta e disfarçada,  de causas e efeitos de que não temos consciência plena, mas que nos afectam seja de que maneira for.

O “psicológico”, a tristeza ou a alegria, os sentimentos depressivos, as quebras de ânimo, os entusiasmos ocasionais, a tão celebrada “inspiração” que nos anima, por vezes, são o combustível de acção e intervenção das pessoas sensíveis, dos artistas e criativos e de quase todos nós, de uma maneira ou de outra.
Tudo isso se encontra dependente desse território desconhecido a que continuamos ligados sem o saber, que não controlamos, mas que nos condiciona de muitas e variadas maneiras.
Nos casos das pessoas em que a MEDIUNIDADE é mais explícita e – melhor ainda – nos casos em que é orientada e estudada de modo cultural e cientificamente adequado, é uma ferramenta importante para conhecer coisas fundamentais, instrumento de intervenções de solidariedade e auxílio precioso, esclarecendo o verdadeiro destino do homem, o lugar e as circunstâncias de que derivamos e o caminho que nos resta percorrer.

Apresentação desta versão resumida do espiritismo:

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Este trabalho irá ser desenvolvido em capítulos sucessivos que irão sendo publicados aqui.
Escrito como está, corresponde àquela conversa sossegada e íntima que gostaria de ter com toda e qualquer pessoa que desejasse ouvir-me.
Lembrei-me de a escrever pensando num grande amigo que fez o favor de ter comigo uma conversa semelhante, mas sem ser por escrito: o Senhor Joaquim Inácio Zapata de Vasconcelos, tipógrafo, músico ensaiador do meu naipe no Orfeão de Leiria, o dos segundos tenores, há uns bons 60 anos!…
Considerem, por favor, que se trata de uma conversa entre amigos, ultrapassando a dificuldade formal e a extensão de alguns cursos de qualidade que existem na internet. Críticas e comentários, agradecem-se.

Ideias essenciais deste Capítulo:

Allan Kardec definiu o Espiritismo como sendo:
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“…uma ciência que trata da natureza, da origem e destino dos Espíritos, e das suas relações com o mundo corporal”.
“É ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que decorrem dessas relações”.
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In: “O que é o Espiritismo”, de Allan Kardec
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Espiritismo – Capítulo 02

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O segundo capítulo desta nossa conversa vai tratar de dois assuntos:
I A REENCARNAÇÃO; por ser um aspecto fundamental de toda a razão de ser da ciência de observação que também é doutrina filosófica com consequências morais que se chama espiritismo.
II A construção metodológica do espiritismo da autoria de ALLAN KARDEC ; por ser um dado histórico já mencionado no Capítulo I.

I A REENCARNAÇÃO

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A reencarnação é o conceito de que o espírito, como princípio inteligente dos seres, vai acumulando experiência e conhecimentos, vai-se aperfeiçoando intelectual e moralmente, não apenas na fugaz oportunidade de uma existência neste mundo através do seu corpo, veículo material – cuja associação forma aquilo que os espíritas designam como alma.

O espírito regressa todas as vezes necessárias para que se enriqueça e alcance os necessários dotes da inteligência e as qualidades morais que lhe permitam avançar para outros horizontes de perfeição iluminada.

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O corpo físico, veículo transitório da eternidade do espírito
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O corpo físico, nessa ordem de ideias, não passa de um meio transitório, com durabilidade dependente de factores os mais diversos – inclusive dos que dependem de acidentes que ocorrem por aparente fatalidade.
O progresso dos Espíritos processa-se, sempre no sentido ascendente, isto é sem regressões, até um ponto de aperfeiçoamento que os liberta da sucessão das vidas.
Desses Espíritos (e usamos aqui o critério do uso de maiúsculas esclarecido por Allan Kardec em “O Livro dos Espíritos”), só regressam à vida aqueles que, por generosa abnegação, se dispõem – de acordo com decisões tomadas a níveis superiores – a servir de guias orientadores da humanidade que habita este nosso mundo que é caracterizado, na hierarquia respectiva, como mundo de “expiação e de provas”.
Este é o caso do planeta Terra, entre o incontável número de mundos igualmente habitados por todo o Universo, cada um deles servindo a seu modo, de conformidade com o seu nível, os desígnios do Criador,

“…A doutrina da REENCARNAÇÃO, que consiste em admitir para o ser humano muitas existências sucessivas, é a única que corresponde à ideia que fazemos da justiça de Deus, para com os que se encontram colocados numa condição moral inferior, a única que pode explicar o nosso futuro e fundamentar as nossas esperanças, dado que nos oferece o meio de redimir os nossos erros através de novas provas. A razão assim nos diz, e os Espíritos nos ensinam.…”
In “O Livro dos Espíritos” comentário de Allan Kardec à pergunta 171..

Sem admitirmos a REENCARNAÇÃO, nada faz sentido no mundo e na natureza das nossas vidas como consequência inteligente de uma causa inteligente que garanta a todos os seres um futuro de evolução e aperfeiçoamento em condições de perfeita igualdade.

O espiritismo serve-se da sua cultura, e do exercício da mesma, para comprovar – mediante a “ciência de observação” que de facto é – essa antiquíssima teoria, comum a uma grande variedade de concepções históricas do mundo e da vida, inclusivamente a que vigorava na contemporaneidade de Jesus e que se manteve nos “textos sagrados” até ao segundo Concílio de Constantinopla no ano 553 e de onde foi retirada por determinantes ilegítimas que conduziram à adulteração dogmatizante da mensagem de Jesus de Nazaré.
O espiritismo não inventou a reencarnação, cujo conhecimento é tão antiga como a Humanidade.

Aliás, também o sentido orgânico da mediunidade é um fenómeno natural familiar e utilizado pelos mais diversos povos de todo o mundo desde a noite dos tempos.

Ambos são elementos de fundamentação e de prova da vida depois da morte, da pluralidade das existências – ou reencarnação, isto é, dos fundamentos principais da natureza e do funcionamento do mundo material e do mundo espiritual, e da interacção entre ambos.

A evolução de estudos conduzidos por todo o mundo a respeito da reencarnação e o alargamento dos conhecimentos científicos a seu respeito, já fizeram com que ingressasse na área de investigações académicas em importantes institutos científicos e universitários não-espíritas.
Dessa realidade, crescentemente tratada e divulgada em variadíssimos círculos já temos dado conhecimento nestas páginas.

A doutrina da criação da alma no instante do nascimento

De acordo com algumas concepções religiosas conhecidas, a alma é criada no instante do nascimento dos indivíduos, dando a uns o destino de imperadores, a outros o de pedintes; a uns a categoria de intelectuais de valor, a outros a de analfabetos
Algumas pessoas têm prestações excelentes e gloriosas, de acordo com a sua inteligência superior, outros arrastam-se na carência de meios e na inferioridade moral. Uns são abnegados e justos, outros arrogantes e desrespeitadores, praticamente desde a mais tenra idade. Como se o Criador tivesse como método natural criar almas de primeira, de segunda, etc.

A desigualdade de destinos que isso pressupõe, ao fim de apenas uma existência terrena, às vezes muito curta e muito acidentada, não é compreensível perante as perspectivas de evolução equivalente a que todas as pessoas têm direito.

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A admissão de apenas uma existência também não explica um grande número de factos notáveis da nossa mente, como as pré-aquisições, a memória intuitiva de factos inexplicáveis, a sensação do “momento já vivido”, as crianças prodigiosas que nascem com dotes surpreendentes e impossíveis de enquadrar na realidade simples e toda a infinita assimetria de capacidades e particularismos das condições de vida de cada um.

A intuição sensível dos artistas e o “pecado original”

Dos génios pintores e poetas, por exemplo, toda a gente entende que a sensibilidade e os saberes que tão bem dominam não foram “aprendidos” em lado nenhum. Há visões e percepções na criação artística que surgem “naturalmente” NÃO SE SABE DE ONDE.
Todas essas realidades como muitas outras que dizem respeito à natureza intuitiva da Humanidade, às suas qualidades sensíveis e à sua profunda memória, em evidência em todos os seres, mesmo nas crianças de tenra idade, se encontram devidamente explicadas e justificadas no contexto de justiça e de igualdade de direitos que pode entender-se considerando a tese da sucessão das vidas ou da pluralidade das existências.
O que seria do ser humano, do seu génio, da sua criatividade, do seu desejo de futuro e de progresso, se todos fossemos criados a partir do nível zero de conhecimentos, de sensibilidade e de memória afectiva e cultural?
E a maldade, o vício e a violência, perguntará o leitor. Sim tudo isso faz parte do Universo criado e das contingências dependentes do ilimitado e consciente livre arbítrio de que fomos dotados pela inteligência superior que criou todas as coisas.
Mais uma razão ponderosa para estudarmos com atenção a doutrina emancipadora e luminosa dos Espíritos que também a respeito disso, como da imensidade de outras coisas, nos esclarecerá com razões lógicas e comprováveis.

Quanto ao pecado original, muito haveria para dizer, mas basta delinear as contradições sem sentido que imporia a todos os seres humanos uma condenação antecipada, ou teoria da queda, que tem como única razão o simples facto de terem nascido.
Nasceste, como tal já és culpado!.. Que absurdo lamentável!…

As religiões dogmáticas declaram-se únicas detentoras da faculdade de libertar os seres desse pecado, através do baptismo, evidentemente. É uma sujeição abusiva e destinada a cimentar o seu poder.
Há dias, ouvi um sacerdote que celebrava um ofício de defuntos, dizer publicamente numa igreja que “fulano”, o falecido, tinha tido muita sorte, porque fora baptizado conforme preceito de catecismo da sua religião.
Por isso se transformara “em filho de Deus”. Por isso poderia “ir para o Céu”!…
Perguntei-me, mergulhado em espanto, qual é a ideia que aquela autoridade religiosa alimenta na sua mente e na sua consciência a respeito dos milhares de milhões de pessoas, seres humanos, que não foram baptizados na “sua igreja”?
Só de pensar que o infeliz julga que todos eles NÃO SÃO FILHOS DE DEUS, me faz rezar por ele uma prece, pedindo que se lhe abra o entendimento e que os bem intencionados fiéis que o procuram não fiquem com esse mau conceito do seu Criador, que os elege só a eles como privilegiados filhos de Deus, mas só se tiverem sido baptizados naquela ( E SÓ NAQUELA!…) Igreja.
Seria, só de pensá-lo, um grave atentado ao mínimo sentido da bondade e da justiça divina.

E é nestes pressupostos que se baseou a dominação de povos inteiros, com guerras, cruzadas dentro e fora dos países e das culturas, injustiças medonhas, inquisições, perseguições, torturas e assassinatos bárbaros, durante praticamente dezassete séculos.
Será que foram eliminadas no mundo todas as consequências de tão abomináveis alienações?

A evolução em regime de igualdade universal

A chocante variedade de destinos que acima se refere tem sido, ao longo de toda vida, motivo de crises existenciais sem fim, arrastando ao descrédito uma concepção da vida sem projecto inteligente respeitador de todos os seres e das suas legítimas aspirações.
Os incrédulos estribam-se nesse tipo de razões para desacreditarem a tese da existência de um Deus criador que a uns dá o corpo de beldades e mentes de inteligência genial e a outros dá o corpo retorcido do sofrimento informe e a mente entorpecida do tresloucado.

O espiritismo inclui a visão racional de todo esse tipo de circunstâncias, que pode comprovar mediante o exercício do “diálogo entre humanidades”, servindo de guia e amparo substancial a todos os sofredores e de estímulo de aperfeiçoamento a todos os que não forem muito bem sucedidos, conforme as justificáveis circunstâncias e apenas temporariamente.

Se é importante a primeira das ideias, a de amparo dos menos felizes, enfermos ou aparentemente deserdados, muito importante também é orientar os beneficiados por um quadro de vida pleno de felicidade e favores do destino – em direcção a atitudes conscientemente justas, modestas e solidárias para com todos os seus semelhantes.
As informações disponíveis a respeito deste assunto esclarecem devidamente a longa marcha dos espíritos para aprender, melhorar e aperfeiçoar-se até atingir a clarividência e a plenitude dos Espíritos de Luz.


II – A construção metodológica do espiritismo da autoria de Allan Kardec

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O ordenamento metódico e sistemático dos conhecimentos espíritas foi feito há cerca de 160 anos, em Paris, por Hippolyte Léon Denizard Rivail (que adoptou o pseudónimo de Allan Kardec).
Nascido em 1804 e falecido em 1869, foi um prestigiado pedagogo e homem de ciência (discípulo de Johann Heinrich Pestalozzi ver a Nota final nº 67 da nossa tradução de “O Livro sos Espíritos” à disposição de todos os leitores nestas páginas) que lançou mão dos recursos da sua formação académica para dar início a uma investigação metódica de algo que nessa época surpreendia a França e variados círculos espalhados pelo mundo.
No agitado universo de profundas transformações de meados do século XIX, largo número de interessados se mobilizava em torno de manifestações surpreendentes, cujos contornos não se conheciam devidamente: o fenómeno das comunicações espíritas, cuja ocorrência – por numerosa e evidente – não podia deixar as pessoas indiferentes.
A sistemática ordenação metodológica foi feita a partir da recolha de elementos colhidos por vários grupos de investigadores e o professor Hippolyte Léon foi convidado por um amigo seu, que com ele se dedicava ao estudo do magnetismo humano (o Senhor Fortier), para coligir o conteúdo de perguntas e respostas de um famoso conjunto de cinquenta cadernos com notas tomadas em múltiplos círculos de reuniões espíritas.

O espiritismo foi, portanto – e continuará a ser – obra de uma colectividade de seres que, em plena independência e liberdade, se dão as mãos na construção de um novo horizonte de esperança e evolução para toda a humanidade.

É a uma nova visão do mundo e do homem como ser espiritual dirigido por princípios inteligentes e destinados a uma evolução sem fronteiras.
Tais objectivos são para dar frutos futuros e também poderão contribuir para uma acentuada evolução positiva do nível de entendimento e do progresso espiritual no mundo em que habitamos.
Pressupõem uma vivência e uma partilha de valores como jamais tinha havido na História e corresponde ao levantar da esperança e de progresso para toda a humanidade, que coroa as melhores conquistas da era moderna.

Anexo I

De acordo com Allan Kardec, no Capítulo I da sua obra “A Génese”, três foram as grandes revelações da Lei de Deus: A primeira representada por Moisés; a segunda por Jesus de Nazaré e a terceira a que foi efectuada pelo Espiritismo.
Do ponto de vista de uma revelação religiosa, o Espiritismo apresenta algumas características muito específicas:

a) Estruturação Colectiva:
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“…as duas primeiras revelações, sendo fruto do ensino pessoal ficaram forçosamente localizadas, isto é, apareceram num só ponto, em torno do qual a ideia se propagou pouco a pouco; mas foram precisos muitos séculos para que atingissem as extremidades do mundo, sem mesmo o invadirem inteiramente. A terceira tem isto de particular: não estando personificada num só indivíduo, surgiu simultaneamente em milhares de pontos diferentes, que se tornaram centros ou focos de irradiação.”
A Génese, Allan Kardec
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b) Origem Humano-Espiritual:

O Espiritismo tem uma dupla origem:
espiritual dado que a sua estrutura doutrinária foi em grande parte ditada por Espíritos superiores e, por isso, tem sido considerado uma revelação;
e humana, dado que foi e continua sendo enriquecido e trabalhado por espíritas cultos e dedicados que dão o melhor de si no seu aperfeiçoamento.

c) Carácter Progressivo:

A ordenação cultural espírita, apoiando-se em factos, tem de ser, e não pode deixar de ser, essencialmente progressiva como todas as ciências de observação.

“Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará.”
A Génese, Allan Kardec; cap I ,it 55
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Anexo II

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O ESPIRITISMO

  • Parte originariamente dos ensinamentos conhecidos de Jesus de Nazaré, Espírito muito antigo de elevadíssimo nível evolutivo, mas filho de Deus como nós mesmos e que nos é proposto em “O Livro dos Espíritos” como modelo de virtudes morais; Os ensinamentos conhecidos de Jesus de Nazaré e que foram levados em conta por Allan Kardec, estão devidamente esclarecidos na sua obra “O Evangelho segundo o Espiritismo”;
  • Revela a origem e a natureza mundo espiritual e suas relações com o mundo material;
  • Levanta o véu dos “mistérios” do nascimento e da morte;
  • O espírita sabe de onde vem, porque razão está na Terra, porque motivos sofre, qual é o seu destino e a razão de existir;
  • Nos princípios e claramente apresentados pela sua cultura filosófica com objectivos morais, vê em tudo e por toda a parte a justiça de Deus;
  • Sabe que alma progride incessantemente, pela pluralidade das existências, até atingir o grau de perfeição que o aproxima de Deus;
  • O espírita toma conhecimento da pluralidade dos mundos habitados;
  • Descobre o livre-arbítrio;
  • É demonstrada a existência do perispírito, cuja natureza e propriedades são de fundamental importância;
  • Todos estas aquisições científico-filosóficas se encontram devidamente ordenadas e esclarecidas nos restantes quatro livros da autoria de Allan Kardec: “O Livro dos Espíritos”, “O Livro dos Médiuns”, “A Génese” e “O Céu e o Inferno”.
A nossa época e o privilégio da informação fácil; PRECAUÇÕES ACONSELHADAS

A clarificação de horizontes tão empolgantes como os que se descrevem, solicitam evidentemente grande número de esclarecimentos.
O objectivo desta visão resumida do espiritismo e da sua doutrina, tem como único propósito falar com toda a abertura e muito sinteticamente a todos aqueles que têm tido a curiosidade, mas não ousaram aproximar-se com mais cuidado e atenção.
Meios, documentos e elucidação mais completa é o que não falta, desde logo na enorme rede de relacionamentos que é a internet.
Para fazer essa buscas é importante ter cuidado e usar das necessárias precauções de natureza cultural, porque nem todos bebem nas melhores fontes.

Aqui se propõe aos interessados uma cautela permanente e, na dúvida, devem ter como fonte original de conhecimentos o estudo cuidadoso, metódico e a profundado das obras da autoria de ALLAN KARDEC, profundamente documentada nas suas restantes obras, nomeadamente na sua REVISTA ESPÍRITA, publicada por ele mesmo durante 11 anos.

Espiritismo – Capítulo 03

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. desenho lápis de cor sobre papel – cb 2010

DE HIPPOLYTE LÉON DENIZARD RIVAIL A ALLAN KARDEC

O conhecimento do exemplo de vida e dedicação intelectual de Hippolyte Léon/Allan Kardec é um estímulo valioso para qualquer um de nós.
A enorme virtude que teve, foi o de estar atento, disponível, e de actuar de acordo com o que via com os olhos da inteligência sensível. Não se deixou levar na corrente destrutiva do materialismo imediato e foi premiado com a descoberta de uma das ideias mais extraordinariamente libertadoras da era moderna: o conhecimento certificado da origem e do destino do homem enquanto ser ligado à transcendência.
Hippolyte Léon/Allan Kardec, abriu resolutamente a cortina que escondia a nossa “sala comum” da entrada franca da luz do Sol, ou mais além, da Luz-Luz!…
Só não sabe quem não quiser ser informado.
Só não acredita quem não se consentir uma hora de atenção e diálogo.
No estado actual dos conhecimentos, a percepção e a intimidade com a transcendência já não é uma questão de fé subjectiva ou de predestinação casual: É uma questão de querer saber e ser informado.
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Hippolyte Léon Denizard Rivail/Allan Kardec (1804-1869)

Neste terceiro capítulo vamos falar um pouco sobre Hippolyte Léon Denizard Rivail, o homem que mais tarde veio a ser conhecido por Allan Kardec, tendo por base uma obra da autoria de Henri Sausse, considerado o seu mais importante biógrafo.
Não ignorei também o trabalho de um outro biógrafo, muito mais recente, André Moreil, sobre cuja personalidade não se encontram dados disponíveis na internet e cujas obras terão sido publicadas, de acordo com as referências mais antigas que encontrei, a partir de 1961.

Hippolyte Léon, aquele que não cuidou de poder nem de imagem para a posteridade

Enquanto Hippolyte Léon, e muito menos como Allan Kardec, não foi uma personalidade que tenha gasto tempo a notabilizar-se a si próprio, contrariamente ao que acontece com aqueles que parecem obcecados pela acumulação dos fugazes vestígios que irão deixar neste mundo.
Não registou impressões suas que constituíssem “curriculum vitae”, não fez considerandos subjectivos que não fossem ao essencial dos temas que ocupavam a sua mente e, muito menos, criou uma qualquer fundação ou museu com o seu próprio nome.
Tendo sido uma pessoa perfeitamente normal, como qualquer de nós, ou seja: nem santo nem profeta, o seu percurso em direcção ao esclarecimento das causas fundamentais da origem e razão de ser do homem como ser espiritual tem uma exemplaridade tão notável que constituem – conforme será possível demonstrar factualmente – um marco essencial na evolução presente e futura da humanidade.

A aceitação da validade e da importância do trabalho de Allan Kardec não se coloca no plano da fé, no facto de acreditar ou de não acreditar em coisas vulgarmente consideradas – e de forma errónea – misteriosas e vagas. Situa-se unicamente no plano da vontade do esclarecimento de factos identificados com a observação experimental, hoje exemplarmente esclarecidos por estudiosos do mais notável prestígio e autoridade.
Depende da coragem intelectual de enfrentar realidades claríssimas de grande actualidade, mas com as suas raízes profundamente lançadas na antiguidade histórica e antropológica.

O que é de salientar à partida é que Hippolyte Léon, ele próprio;

• viveu a maior parte de sua vida sem que tenha existido o espiritismo na sua cabeça;
• a codificação do mesmo resultou de um conjunto de razões e de factos que se impuseram à sua consciência científica e cultural, depois de ter começado a estudá-los, a pedido e por insistência de amigos seus;
• verificando-se a circunstância concreta de que, para a sua anterior formação, tais fenómenos tinham um carácter estranho e até francamente duvidoso.

A determinação de Allan Kardec em abordar “os fenómenos” que lhe foram recomendados por amigos surgiu, é preciso acentuar-se, já depois de ter atingido os cinquenta anos de idade.
Note-se que nessa altura o marco dos cinquenta era uma idade muito mais madura do que é agora devido à mudança do tipo de vida e à esperança de longevidade muito mais alargada.
Isto para além de que, sendo a sua cultura perfeitamente académica, positivista mesmo, a uma primeira solicitação para estudar “uns certos fenómenos magnéticos” que lhe foi feita por um amigo que se chamava Fortier, a resposta dele foi pouco entusiástica, mesmo francamente dubitativa.

As origens, a família e as circunstâncias históricas em França

Cerftif naiss
certidão de nascimento de Denisard Hypolite Leon Rivail. Notar a forma um pouco estranha como se encontra redigido o nome, com acentuadas diferenças relativamente aos nossos hábitos e ao modo como é geralmente identificado.

A sua infância e juventude têm sido resumidas de forma muito diferente da realidade, como filho de gente de boa sociedade e haveres, residente em Lyon com um pai juiz bem instalado que o teria mandado estudar para um colégio prestigiado na Suiça.
Nada mais irreal e fantasioso do que de facto sucedeu.
Seu pai, que não chegou a dar o nome a sua mãe, foi alistado nas tropas de Napoleão, era Hipólito Leão muito menino. Quem o levou para a Suiça foi sua mãe,  dado que o ambiente em França era caracterizado por uma instabilidade enorme, com imensas hipóteses de trágicos acontecimentos.

Não uma simples “crise”, mas conflagrações sociais medonhas que fizeram de todo o século XIX, em França como no resto da Europa, um cenário de violências, guerras, miséria e instabilidade.
Do lado positivo dos acontecimentos registaram-se avanços e progressos notáveis, apesar de tudo. A cultura, a arte e as ciências avançaram extraordinariamente em inúmeros domínios, sendo pena que regimes arrogantes e insensíveis tenham permanecido alheios ao sofrimento dos povos, presos às paixões materialistas, à cupidez egocêntrica e a uma insaciável sede de poder.
Guerras entre estados, revoluções e contra revoluções, amotinações dos desesperados e dos desvalidos reprimidas com mão de ferro, prisões e fuzilamentos, fazem com que este século não tenha constituído uma excepção no conjunto de tantos séculos igualmente saturados da sem razão das guerras, da injustiça e da má distribuição das riquezas.

Já no fim do século dezoito haviam ocorrido factos poderosamente transformadores da ordem e do sistema vigentes (com a Revolução Francesa), e todo o período subsequente, sem esquecer o primeiro império e as guerras napoleónicas, tão devastadoramente trágicas para tantos milhares de vítimas, pese muito embora o efeito das transformações sociais e culturais que arrastaram consigo.

Em 1848 houve milhares de prisões e um número indeterminado de cidadãos foram fuzilados em Paris; em 1851, de novo barricadas em Paris com fuzilaria e muitos mortos e execuções; em 53 a França declara guerra à Turquia e à Rússia, com tudo o que isso envolve para o povo combatente e tributário, sem falar de uma longa lista de missões francesas de colonização e conquista e outros conflitos coroados pela guerra franco-prussiana em 1870, com uma vastíssima a invasão da França e o cerco de Paris, seguido da sublevação da Comuna afogada em sangue durante a “semana sangrenta” (cerca de 30 mil mortos, um número suposto jamais confirmado visto que os combatentes eram anónimos cidadãos que se haviam amotinado, cansados da sua miséria).

Gravura ilustrando um dos inúmeros fuzilamentos de populares amotinados que tomaram parte no conhecido episódio histórico da “Comuna de Paris”, que é dado como uma das consequências da guerra franco-prussiana, em 1870. De salientar, entretanto, que as condições de vida da imensa maioria dos trabalhadores, nessa época, assumiam aspectos da mais dramática miséria e falta de justiça social. Foi muito desse povo que engrossou o número daqueles que seguiram com esperança e fé os ensinamentos propagados na altura pela pela mensagem espírita propagada pela obra de Allan Kardec.

A eclosão do espiritismo teve lugar durante o período chamado do Segundo Império de Napoleão III, de 1852 à 1870. Este mesmo homem de estado, primeiramente eleito presidente da república e logo depois auto-consagrado como imperador e o “préfet Haussmann” renovaram de modo espectacular o urbanismo parisiense, tendo inovado com a abertura dos larguíssimos “Grands Boulevards” e das praças vastíssimas.
De visita à “cidade luz”, qualquer guia turístico vos dirá, contudo, que um dos propósitos dessa medida formidável que fez da capital da França aquilo que ela é, seria o de abrir espaços amplos por onde esquadrões de cavalaria pudessem carregar sobre cidadãos amotinados pela fome, e regimentos de artilharia pudessem esfrangalhar à bomba as trágicas barricadas populares, celebradas no luto de milhares em muitas cantigas de camisardos tornadas conhecidas pelos piores motivos.

Estampa popular ilustrando o cerco e o bombardeamento de Paris pelos exércitos da Prússia

Basta dar uma pequena vista de olhos pelos compêndios de história e mergulhar na leitura dos monumentos literários da época, tais como, por simples exemplo, “Os Miseráveis” de Victor Hugo – artista e grande herói da França – notório adepto do pensamento espírita e mentor de reuniões mediúnicas que a história abundantemente documenta.
O esclarecimento das características sociopolíticas e culturais vigentes durante todo esse século foram de uma complexidade impossível de abordar aqui, sendo entretanto indispensável referir que eram muitíssimo adversas ao estudo e à divulgação de ideias estranhas ao regime, de que o poderosíssimo catolicismo fazia parte.
Certos estavam aqueles avisos e considerandos que foram conscienciosamente feitos por Hyppolite Léon, no que toca às imensas dificuldades, azedumes e perseguições de que iria ser vítima, obstáculos que – tendo iniciado a tarefa a que entretanto se propôs – não enfraqueceram em nada o seu ânimo, antes pelo contrário.

A cronologia dos acontecimentos a partir da juventude

1823, o interesse pelo magnetismo

Ainda muito novo, pelos 19 anos (1823), um dos assuntos de exploração científica que motivou o jovem Hippolyte Léon, era o magnetismo, as fases do sonambulismo e todos os mistérios adjacentes, conforme esclareceu muito mais tarde, em Março de 1858, a pgs. 92 da Revue Spirite.

«…O magnetismo preparou o acesso ao espiritismo, e os rápidos progressos desta doutrina devem-se incontestavelmente à vulgarização das ideias daquele.
Dos fenómenos do magnetismo, do sonambulismo ao êxtase próprio das manifestações espíritas não dista senão um passo; a ligação é tal que, por assim dizer, é impossível falar de um sem falar do outro.
Se tivéssemos que nos manter afastados da ciência magnética, o quadro ficaria incompleto e seríamos comparáveis a um professor de física que se abstivesse de falar da luz.
Todavia, como o magnetismo já possui entre nós entidades devidamente acreditadas, seria desnecessário insistir num assunto tratado com a superioridade do talento e da experiência; não falaremos nele senão de modo acessório, o suficiente para mostrar as íntimas relações das duas ciências que, na realidade, não passam de uma só…”.

Porém, conforme nos diz Henri Sausse:

“…Não nos antecipemos; a conclusão final não fora ainda atingida. Allan Kardec não tinha encontrado ainda a via que o conduziria à imortalidade…”.

1854 – a maturidade e a proposta do Senhor Fortier

Em 1854, uma das pessoas que como ele se interessava pelos fenómenos do magnetismo, o Senhor Fortier, falou-lhe no caso das mesas girantes que “falavam”. A resposta que lhe deu o professor Rival ficou registada para o futuro de forma explícita, para que não restassem dúvidas quanto à sua atitude céptica que tais fenómenos lhe inspiravam:

«…Acredito quando puder ver, quando me tiverem dado provas de que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que pode tornar-se sonâmbula. Até lá permita-me que veja nisso apenas uma historieta para fazer dormir de pé…».

(NOTA: Antes da adopção pelos espíritas do termo “médium” utilizava-se a expressão “sonâmbulo”, oriundo dos estudos sobre o magnetismo, para designar as pessoas que, num estado hipnótico, evidenciavam uma sensibilidade excepcional ou comportamentos fora da sua personalidade habitual.).

Nos dois anos seguintes iria desenrolar-se uma enorme quantidade de observações e de experiências que iriam mudar a face dos conhecimentos relativos ao espírito, à origem e ao destino da humanidade e que correspondem ao aparecimento de uma nova cultura, cujo ressonância vibra no coração e na mente de todos nós: a cultura espírita.

1855 – Carlotti, Fortier, a Senhora Plainemaison e muitos outros

A partir daqui vale a pena citar as próprias palavras de Allan Kardec:

« …No ano seguinte (começos de 55) encontrei Carlotti, um amigo de 25 anos, que me ocupou durante mais de uma hora a respeito do fenómeno das “mesas falantes”», com o entusiasmo que dedicava a todas as ideias novas.
Falou-me, antes de mais, na intervenção dos espíritos, o que aumentou as minhas dúvidas.
– O meu amigo será um dia dos nossos, asseverou.
– Veremos isso mais tarde, retorqui.
Pelo mês de Maio, estando em casa da Senhora Roger com Fortier, seu magnetizador, encontrei o Senhor Pâtier e a Senhora Plainemaison, que me falaram dos mesmos assuntos que abordara Carlotti, mas num tom completamente diferente.
Pâtier era funcionário público de certa idade, grave, frio e calmo. A sua linguagem ponderada, livre de entusiasmos, impressionou-me bastante e resolvi aceitar com empenho o convite que me fez para assistir às experiências que eram feitas em casa da Senhora Plainemaison.

Foi lá, pela primeira vez, que fui testemunha do fenómeno das “mesas girantes”, em condições tais que não havia lugar a dúvidas.
Assisti também a alguns ensaios muito imperfeitos de escrita «medianímica» feita numa ardósia por meio de uma cestinha.
As minhas ideias não se encontravam definidas, mas um facto de tal natureza devia ter necessariamente uma causa. Por detrás daquelas aparentes futilidades e daquela espécie de brincadeira, descortinei algo de sério, como que a revelação de uma nova lei que prometi aprofundar.

Num dos serões da Senhora Plainemaison conheci a família Baudin, que me convidou a assistir a uma das suas sessões semanais, das quais passei a ser visita assídua.
Foi lá que fiz os meus primeiros estudos sérios de espíritismo, ainda não tanto pelas revelações como pelas observações…”

A dúvida metódica e o método da experimentação

“…Apliquei a esta nova ciência, tal como costumava fazer até então, o método da experimentação.
Nunca estabeleci teorias preconcebidas, observava com atenção, comparava e deduzia as conclusões; Procurava encontrar para os efeitos as respectivas causas, pela dedução, e pelo encadeamento lógico dos factos, não assumindo como válida uma explicação senão quando ela esclarecia todas as dificuldades da questão.

Era assim que tinha procedido sempre nos meus trabalhos anteriores, desde a idade de quinze ou dezasseis anos.
Estava consciente, antes de mais, da seriedade da exploração que ia levar a cabo.
Entrevi no seio dos fenómenos estudados, a chave do problema tão profundo e controverso do passado e futuro da humanidade, cuja solução tinha buscado toda a minha vida: era, numa palavra, uma revolução de ideias e de crenças.
Era por isso necessário agir com ponderação e profundidade; ser positivista e não idealista, para não embarcar em ilusões.
Um dos resultados das minhas observações foi de que os espíritos, sendo as almas dos homens, não possuem a sabedoria plena nem a ciência esclarecida;
O seu saber depende do seu grau de evolução e a sua opinião só tem o valor de uma opinião pessoal.

Esta verdade, reconhecida desde o princípio, livrou-me do grave inconveniente de acreditar na sua infalibilidade e impediu-me de formular teorias prematuras baseado na opinião de um só ou de vários testemunhos.

O facto de existir uma comunicação com os espíritos, dissessem eles o que dissessem, provava por si só a existência de um mundo invisível envolvente.

Esse facto já era de importância capital, um campo imenso aberto às nossas explorações, a chave de uma multidão de fenómenos inexplicáveis;
O segundo ponto, não menos importante, era conhecer o estado desse mundo, os seus costumes, se assim se pode dizer;

Depressa concluí que cada Espírito, em função da sua posição pessoal e dos seus conhecimentos, me revelava uma faceta, tal e qual como quando se procura conhecer o estado de um país interrogando os habitantes de todas as classes e de todas as condições, cada qual podendo ensinar-nos algo, sem nenhum poder, individualmente, ensinar-nos tudo;

É ao observador que compete formar o quadro geral com a ajuda de documentos recolhidos de fontes diversas, comparados, conjugados e controlados uns pelos outros.
Agi portanto com os Espíritos do mesmo modo como teria feito com os vivos; foram para mim, desde o mais modesto ao mais notável, meios de me informar e não reveladores predestinados…”

Henri Sausse prossegue:

“…Conforme sabemos convém acrescentar que, de início, o Senhor Rivail, longe de ser um entusiasta destas manifestações e, absorvido por outros afazeres, esteve a ponto de abandonar o seu estudo.
O que teria feito sem as empenhadas solicitações de Carlotti, René Taillandier – membro da Academia das Ciências, Tiedeman-Mantèse, Sardou pai e filho, e Didier, editor, que há cinco anos seguiam o estudo destes fenómenos e que tinham reunido cinquenta cadernos de comunicações diversas que não haviam conseguido ordenar de forma adequada.

Conhecedores do raro espírito de síntese de Rivail, entregaram-lhe esses cadernos pedindo-lhe que tomasse deles conhecimento e que organizasse devidamente o seu conteúdo.
Era um trabalho árduo que exigia muito tempo, em função das lacunas e da obscuridade das comunicações, e o enciclopédico conhecedor que era Rivail recusou uma tão absorvente como cansativa tarefa, em nome de outras que tinha entre mãos…»

1856-57 – o “surgimento” de Allan Kardec e a primeira edição do “livro dos Espíritos”

Rivail toma em mãos a tarefa para a qual fora convocado, analisa o conteúdo da enorme quantidade de comunicações mediúnicas que tinha ao seu alcance, fez todas as anotações necessárias, eliminou as repetições, ordenou as matérias em registo, além de ter identificado as lacunas e pontos duvidosos, preparando questões específicas para esclarecer em comunicações futuras.

Ainda ele próprio:

«…até então, as sessões em casa do Senhor Baudin não tinham nenhum objectivo determinado.
O que levei a cabo então foi esclarecer os problemas que me interessavam do ponto de vista filosófico, psicológico e da natureza do mundo invisível;
para cada sessão preparava um conjunto de perguntas metodicamente ordenadas, as quais sempre obtinham respostas precisas, aprofundadas e de sentido lógico, donde a modificação completa do carácter de tais reuniões.
Estas eram, além disso, presenciadas por pessoas sérias e vivamente interessadas. Se por acidente faltava a uma reunião, os assistentes ficavam como que perdidos, perdendo sentido para a maioria a futilidade das questões.

O meu intento não era o da minha própria aprendizagem; mais tarde, quando senti que o conjunto de noções disponível formava conjunto e tomava as proporções de uma doutrina, pensei publicá-las para elucidação geral.
Foi esse conjunto de ideias, sucessivamente desenvolvidas e completadas, que constituiu a base de «O Livro dos Espíritos…».

Em 1856 Rivail seguiu as reuniões que se realizavam na Rua Tiquetonne, na casa do Senhor Roustan (não confundir com advogado Jean-Baptiste Roustaing, de Bordéus, promotor do gravoso “cisma roustainguista”, de que teremos de falar mais tarde) com a presença da Mademoiselle Japhet, médium, que trabalhava ainda pelo processo da cesta que produzia, aliás, comunicações muito interessantes. Essas sessões foram dirigidas no sentido de controlar as noções anteriormente organizadas.

Allan Kardec esclarece:

«…A verificação feita desse modo não me satisfazia ainda de acordo com a recomendação que recebera dos Espíritos. As circunstâncias tinham-me posto em contacto com outros médiuns e, cada vez que a ocasião se apresentava, fazia perguntas de modo a resolver as questões mais espinhosas.
Deste modo houve mais de dez médiuns a colaborar na realização desta tarefa. É da comparação e da combinação de todas essas respostas, devidamente ordenadas e muitas vezes cruzadas no silêncio da meditação, que redigi a primeira edição do « Livro dos Espíritos » publicado no dia 18 de Abril de 1857… »

Publicada sob a autoria do seu pseudónimo a obra conheceu um sucesso tal que se esgotou em pouco tempo. No ano seguinte houve uma reedição revista e largamente aumentada.
Houve nova edição em Abril de 1860, outra em Agosto de 1860, outra ainda em Fevereiro de 1861 ou seja, três edições em menos de um ano,

OLE Fr marg

 

1858, a “Revue Spirite”

Pressionado pelos acontecimentos e pelos documentos que tinha na sua posse, Allan Kardec – com razões fundamentadas no sucesso do « Livro dos Espíritos » –concebeu o projecto de criar um jornal espírita, para o que se dirigiu ao Senhor Tiedeman em busca de apoio financeiro, o que este recusou.
Consultou por isso os seus guias espirituais, por intermédio do médium Senhora E. Dufaux, tendo-lhe sido dito que lançasse mãos à obra, sem se inquietar com nada.

O primeiro número saiu no dia 1 de Janeiro de 1858, à sua exclusiva responsabilidade, não tendo tido que se arrepender, dado que o êxito da iniciativa ultrapassou de longe todas as expectativas.
Esta tarefa iria ampliar-se, tanto no que toca ao trabalho como às responsabilidades, em luta contra toda a sorte de entraves, obstáculos e perigos. À medida que isso sucedia ia também aumentando a sua coragem e determinação, o que produziu frutos durante onze anos de publicação da «REVUE SPIRITE» cujo bom acolhimento e cujos conteúdos constituem um marco histórico de toda a importância no devir e no alargamento das conquistas da doutrina dos Espíritos.

Em 12 de Junho de 1856 havia-lhe sido feita uma comunicação mediúnica do ESPIRITO DA VERDADE, seu guia, por intermédio do médium Mademoiselle Aline C., para as enormes dificuldades e campanhas negativas que iria ter de enfrentar ao longo do cumprimento da sua tarefa.
Dez anos depois, diria Allan Kardec a esse respeito :

«…Escrevo esta nota no dia 1 de Janeiro de 1867, dez anos e meio depois dessa comunicação me ter sido feita, e concluo que ela se concretizou em todos os detalhes, dado que sofri todos as vicissitudes nela indicados.
Fui ameaçado pelo ódio de inimigos encarniçados, à injúria, à calúnia, à inveja e ao ciúme; libelos infames foram publicados contra mim; as minhas melhores indicações foram desvirtuadas; fui traído por aqueles em quem tinha depositado toda a confiança, e recebi a ingratidão como pagamento de serviços prestados.
A «Société de Paris» foi um alfobre de contínuas intrigas urdidas por aqueles que se diziam do meu lado, que me faziam boa cara pela frente e me dilaceravam por detrás. Disseram que aqueles que tomavam o meu partido estavam subornados por mim com dinheiro que ganhava com o espiritismo.
Nunca mais tive descanso; mais do que uma vez sucumbi sob o excesso de trabalho, a minha saúde degradou-se e a minha vida foi prejudicada. No entanto, graças à protecção e à assistência dos bons espíritos que sem cessar me deram provas da sua solicitude, estou feliz por reconhecer que nem um só instante passei pelo desfalecimento ou pela falta de coragem, e que sempre persisti na minha tarefa com o mesmo ardor, sem me preocupar pela malevolência de que era objecto.
De acordo com a comunicação que havia recebido de parte do ESPÍRITO DA VERDADE, deveria contar com todas essas coisas, o que veio realmente a suceder…»

Estas e outras realidades, passados muitos anos, continuam a marcar o nosso quotidiano e as limitações e dificuldades daqueles que, honesta e generosamente, continuam a desejar o progresso moral da humanidade, o seu aperfeiçoamento espiritual e o bom viver que pressupõe a difusão da nossa doutrina.

1867, Léon Denis e… uma sessão à luz das estrelas

O segundo Império de Napoleão III reinou em França de 1852 a 1870 de forma autoritária e teve, além de muitos episódios dolorosos para o seu povo um fim catastrófico com o desastre da guerra franco-prussiana e a morte no exílio.
Para ilustrar o ambiente, apenas um pequeno incidente “normal” do que se passava na sociedade francesa durante esses tempos, descrito por Léon Denis: este havia lido aos 18 anos “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, o que constituiu para ele “uma súbita iluminação de todo o seu ser” e, cerca de três anos mais tarde (tendo 21 anos de idade e Hippolyte Léon 63) colaborou com a organização de uma sessão de esclarecimento feita por Allan Kardec na cidade de Tours, em 1867.
Léon Denis havia alugado uma sala onde o mesmo teria lugar.
A polícia imperial não esteve pelos ajustes e a sessão foi proibida, acabando por decorrer, “à luz das estrelas” como refere Léon, no jardim de um amigo. Nessa sessão campestre dirigida por Allan Kardec teriam estado presentes cerca de trezentos devotados seguidores.
Por essa altura o interesse pelo espiritismo tinha já feito caminho e a adesão à doutrina, que mais tarde foi decaindo em França devido à pressão da cultura oficial materialista, e registava um progresso pujante, em clima de grande desespero moral dos cidadãos.

 

 

Léon Denis 1846 – 1927

Filósofo, escritor, conferencista, Léon Denis, desenvolveu intensa actividade na divulgação do espiritismo e assinou, em 1927, o prefácio de uma nova edição do livro da autoria de Henri Sausse, um dos mais devotados investigadores da biografia de Allan Kardec.
Muito mais tarde viria a merecer o epíteto de “Apóstolo do Espiritismo” e a ser aclamado em 1925 presidente do Congresso Espírita em Paris.

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Regresso de Hippolyte Léon ao mundo dos Espíritos

Depois de uma vida magnificamente intensa coroada pela concretização de uma tarefa que representa o esclarecimento das questões centrais da vida do homem, sua origem e seu futuro, Hipollyte Léon/Allan Kardec acabou por falecer naturalmente, pela ruptura de um aneurisma, entregue a tarefas normais de uma programada mudança de residência.
O seu funeral foi um acontecimento público do maior relevo, acompanhado por uma multidão de pessoas, entre as quais figuravam numerosas individualidades ligadas aos interesses de carácter científico de que abundantemente compartilhava.

Camille Flammarion (1842 – 1925)

Muito adequadamente, um dos cientistas que usou da palavra, tanto por ser seu amigo como por ser adepto das mesmas concepções, foi o prestigiado astrónomo Camille Flamarion, cujo discurso passou a constituir um marco referencial dos depoimentos a respeito de Allan Kardec, de que a seguir se incluem alguns fragmentos:

“…Com efeito, seria um acto importante aqui estabelecer (…) que o exame metódico dos fenómenos, erradamente chamados sobrenaturais, longe de renovar o espírito supersticioso e de enfraquecer a energia da razão, ao contrário, afasta os erros e as ilusões da ignorância e serve melhor ao progresso que a negação ilegítima dos que não se querem dar ao trabalho de ver…”
“…Allan Kardec era o que eu chamarei simplesmente “o bom senso encarnado”. Raciocínio recto e judicioso, aplicava, sem esquecer, à sua obra permanente as indicações íntimas do senso comum. Aí não estava uma qualidade menor, na ordem das coisas que nos ocupam. Era – pode-se afirmar – a primeira de todas e a mais preciosa, sem a qual a obra não poderia tornar-se popular, nem lançar no mundo as suas raízes imensas…”
“…O espiritismo não é uma religião, mas uma ciência, da qual apenas conhecemos o á-bê-cê. O tempo dos dogmas terminou. A Natureza abarca o Universo. O próprio Deus, que outrora foi feito à imagem do homem, não pode ser considerado pela Metafísica moderna senão como um espírito na Natureza. O sobrenatural não existe. As manifestações obtidas através dos médiuns, como as do magnetismo e do sonambulismo, são de ordem natural e devem ser severamente submetidas ao controle da experiência. Não há mais milagres. Assistimos à aurora de uma Ciência desconhecida. Quem poderá prever a que consequências conduzirá, no mundo do pensamento, o estudo positivo desta Psicologia nova?…”
“…tu foste o primeiro que, desde o começo de minha carreira astronómica, testemunhou uma viva simpatia por minhas deduções relativas à existência das Humanidades Celestes; porque, tomando nas mãos o livro “Pluralidade dos mundos habitados”, puseste-o a seguir na base do edifício doutrinário que sonhaste…”
“…O corpo cai, a alma fica e retorna ao Espaço. Encontrar-nos-emos num mundo melhor. E, no céu imenso, onde se exercitarão as nossas mais poderosas faculdades, continuaremos os estudos que na Terra dispunham de local muito acanhado para os conter. Preferimos saber esta verdade, a crer que jazes por inteiro neste cadáver, e que tua alma tenha sido destruída pela cessação do jogo de um órgão. A imortalidade é a luz da vida, como este sol brilhante é a luz da Natureza…”

“…Até logo, meu caro Allan Kardec, até logo”.

(publicado na Revue Spirite, em 1869).

Henri Sausse, o mais importante biógrafo de Allan Kardec

A biografia de Allan Kardec da autoria de Henri Sausse é um livro que francamente recomendo a qualquer interessado. Foi escrita uma primeira versão em Março de 1896 para acudir a uma solicitação feita pelos seus amigos de Lyon da Federação Espírita Lionesa, por altura da comemoração do dia 31 de Março, data do falecimento do codificador, e mais tarde publicado nessa cidade – também em 31 de Março – mas de 1909. A versão que consultei para redigir este breve resumo é consultável aqui. Além dos dois prefácios, é seguida do historial comentado da vida de Hippolyte Léon/Allan Kardec e tem como anexos artigos importantíssimos da autoria do mesmo e que constituem, como afirma Henri Sausse, uma espécie complementar de autobiografia do próprio, dada a raridade de referências exactas a respeito da sua personalidade propriamente dita.

Uma visão resumida das obras de Allan Kardec

Allan Kardec


O LIVRO DOS ESPÍRITOS /1857

É a sistematização metodológica do ensino coletivo dos Espíritos, quanto às Causas Primárias, ao Mundo Espírita e às suas relações com os homens, às Leis Morais e às Esperanças e Consolações. Sublinhe-se que os restantes livros principais da obra de Allan Kardec são desenvolvimentos, mais ou menos por capítulos, dos conteúdos deste livro, que é a obra fundadora da visão espírita do mundo e da vida.


REVISTA ESPÍRITA / 1858 a 1869

A Revista Espírita foi criada por Allan Kardec em janeiro de 1858 e foi publicada mensalmente sob a sua direção até março de 1869, mês em que faleceu, tendo sido ainda publicado o número que tinha preparado para o mês seguinte. Representa um trabalho gigantesco de 136 fascículos mensais, com uma totalida­de de cerca de 4.000 páginas, ao longo das quais está documentado todo o seu tra­balho na defesa e divulgação do espiritismo. Contou com inúmeras colaborações das mais diversas origens na Europa e no mundo, sobre os mais diversos aspetos da fenomenologia espírita e outros assuntos relacionados.
Segundo palavras do próprio Allan Kardec eram do interesse da Revista Espirita:
“O relato das manifestações materiais ou inteligentes dos Espíritos, aparições, evocações, etc., bem como todas as notícias relativas ao espiritismo; o ensino dos Espíritos sobre as coisas do mundo visível e do invisível; sobre as ciências, a moral, a imortalidade da alma, a natureza do homem e o seu futuro; A história do espiritismo na antiguidade; as suas relações com o magnetismo e com o sonambulismo; a explicação das lendas e das crenças populares, da mitologia de todos os povos, etc.”.

A Revista também dá testemunho das controvérsias que Allan Kardec enfrentou na defesa e na divulgação da nova cultura. Apresenta a correspondência que trocou com inúmeros opositores a quem respondia sempre de forma construtiva, dialogante e racional. Descreve a sua atividade no seio de um movimento que se afirmou muito rapidamente na sociedade francesa, sobretudo no mundo do trabalho e dos direitos sociais.
A Revista foi um instrumento fundamental na construção do espiritismo, por documentar e abrir horizontes sobre todos os temas que Allan Kardec tratou nas outras cinco obras fundamentais.
Dá-nos uma ideia do seu esforço e sofrimento pessoal, ao longo de 11 anos, dando a conhecer o homem por detrás do escritor.

O LIVRO DOS MÉDIUNS / 1861

Este é considerado o livro científico do espiritismo, por tratar do carácter experimental das comunicações entre o mundo espiritual e o mundo material, esclarecendo as principais dificuldades que se podem encontrar na prática do espiritismo. É um guia, tanto para os médiuns como para os evocadores e doutrinadores. Faz o desenvolvimento da matéria constante dos capítulos I a VIII do Livro Segundo de O Livro dos Espíritos, cujo tema é o “Mundo Espírita ou dos Espíritos”.

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO / 1864

É a obra que desenvolve o Livro Terceiro de O Livro dos Espíritos, isto é, a matéria relacionada com as Lei Morais. Abordando o ensino moral contido nos quatro Evangelhos canónicos, fornece-nos a visão espírita dos principais episódios da vida de Jesus, clarificando a subjetividade alegórica dos seus ensinamentos.

O CÉU E O INFERNO – ou “A Justiça Divina segundo o Espiritismo” / 1865.

Faz o desenvolvimento do Livro Quarto de O Livro dos Espíritos que tem por título “Esperanças e Consolações”; expõe alguns conceitos segundo a óptica espírita: a vida após a morte, o Céu, o Inferno, o Purgatório e a Justiça Divina, seguido de numerosos exemplos acerca da situação real da alma durante e depois da morte.

A GÉNESE, os Milagres e as Profecias segundo o Espiritismo / 1868

– É o desenvolvimento do Livro Primeiro de O Livro dos Espíritos que trata das causas primárias, com uma análise da génese, ou criação do mundo, contida no primeiro livro da Bíblia (Génesis), vista a uma nova luz
“…graças à qual o homem sabe de onde vem e para onde vai, porque se encontra agora no planeta Terra e porque sofre; sabe que tem o seu futuro nas mãos e que a duração do seu cativeiro depende de si. A Génese, saída da alegoria, mostra-se-lhe grande e digna da majestade, da bondade e da justiça do Criador. Sob este ponto de vista, a Génese irá ultrapassar e vencer a incredulidade…” citação de um breve trecho de A Génese, n° 26 do capítulo XII – sobre a Génese Mosaica (os seis dias e o paraíso perdido).
No restante, a obra debruça-se sobre o fenómeno dos “milagres e das profecias do Evangelho”, igualmente à novíssima luz da racionalidade emancipadora da cultura espírita.

SOBRE A GÉNESE / MUITO IMPORTANTE

Solicitamos a boa atenção dos leitores pata a notícia publicada aqui, no seguinte endereço:  É urgentíssimo despertar e fortalecer a cultura espírita

É fundamental para conhecer factos da maior importância relacionados com “A Génese”, a sua autoria e devir histórico, que inclui gravíssimas distorções da sua mensagem, agora felizmente esclarecidos.

É IMPORTANTÍSSIMO LER O TRABALHO INSERIDO

 

RESUMO DE IDEIAS SOBRE A VIDA DEPOIS DA MORTE

Há dias um amigo telefonou-me fazendo perguntas a respeito daquilo que acontece depois da morte, impressionado pelo facto de sua mãe ter morrido há poucos dias.

É impressionante a ignorância da maioria das pessoas a esse respeito.
Resolvi fazer um resumo de ideias e do conteúdo deste blogue para facilitar ao máximo o acesso ao principal do que SEI a este respeito.
Digo que SEI e não digo que ACREDITO, porque as ideias que existem de parte de muita gente em Portugal e em muitos países estrangeiros, sobretudo os mais evoluídos cientificamente, ESTE ASSUNTO DE HÁ MUITOS ANOS QUE NÃO É MATÉRIA DE FÉ, MAS SIM DE CONHECIMENTO BASEADO EM FACTOS DEMONSTRÁVEIS NA PRÁTICA OBJETIVA.
Vou ordenar a seguir, pela ordem de tamanho e de acessibilidade, os textos que tenho publicados e que podem servir para esclarecer o tema que está em título: RESUMO DE IDEIAS SOBRE A VIDA DEPOIS DA MORTE:

Observar cada um dos textos, escolhendo para ler aquele que parecer mais interessante para leitura imediata. A finalizar o conjunto, está disponível para descarga a nossa tradução de “O Livro dos Espíritos”:

Da cultura da Grécia antiga a Allan Kardec, a falta de memória da Humanidade

O Espiritismo na sua expressão mais simples, de Allan Kardec

Albert de Rochas e a tese das vidas múltiplas

Nova tradução de O LIVRO DOS ESPÍRITOS

Da cultura da Grécia antiga a Allan Kardec, a falta de memória da Humanidade

Da cultura da Grécia antiga a Allan Kardec, passando por Jesus de Nazaré, a falta de memória da Humanidade

 

socr-e-plat
Sócrates e Platão

SÓCRATES (469—399 AC.) É um dos poucos indivíduos dos quais se poderá dizer, pela influência cultural e intelectual que exerceu no mundo, que sem ele a história teria sido profundamente diferente. Ficou especialmente conhecido pelo método, que tem o seu nome, de pergunta e resposta, pela noção que tinha da sua própria ignorância e pela afirmação de que uma vida sem o questionamento de si mesma não merece a pena ser vivida.

PLATÃO (427—347 AC.) é um dos mais conhecidos, lidos e estudados filósofos do mundo. Foi aluno de Sócrates e professor de Aristóteles, e viveu na Grécia em meados do século IV A.C. Embora influenciado inicialmente por Sócrates, a tal ponto de o ter tornado a principal figura dos seus escritos, também foi influenciado por Heráclito, Parménides e pelos Pitagóricos.


Sócrates e Platão, precursores do cristianismo e do espiritismo


O Capítulo IV da Introdução de “O Evangelho segundo o Espiritismo” surpreende-nos com uma referência fortíssima ao legado de Platão e de Sócrates que está na linha do que nos informa a Introdução de “O Livro dos Espíritos”, no número VI – Resumo dos ensinamentos dos Espíritos, e é coerente com a restante obra de Allan Kardec.
São esses os temas desta publicação, que apresenta os seguintes conteúdos:

  • NOTA PRÉVIA alertando para a falta de memória da Humanidade e os seus trágicos efeitos.
  • CAPÍTULO IV da Introdução de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, com o texto introdutório e resumo do legado de Sócrates e Platão, em vinte e cinco pontos, a maioria dos quais é seguido por um comentário de Allan Kardec, salientado a azul;
  • Como elemento de contextualização do texto anterior, referência de um valioso trabalho de Reinaldo Di Lucia, apresentado no VII Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita, São Paulo, Brasil, em 2001, cujo ficheiro PDF incluímos e cuja leitura e análise completa empenhadamente recomendamos;
  • Inserção Capítulo VI da Introdução de “O Livro dos Espíritos”, para os visitantes poderem reler e comparar o seu conteúdo com o Capítulo IV da Introdução de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” e o referido legado de Sócrates/Platão.

A FALTA DE MEMÓRIA DA HUMANIDADE E OS SEUS TRÁGICOS EFEITOS

A impiedosa e quase sempre cruel marcha da História impediu que a sequência das culturas e das sensibilidades pudessem ter tido acesso, ao longo dos séculos, às conceções filosóficas aqui referidas e à sua proveitosa utilidade no estabelecimento da paz e na manutenção da tolerância.
Referimos, é claro, o manancial de informações científico-filosóficas que nos apresenta a cultura espírita dos nossos dias, em paralelo com o conhecimento já em evidência na Grécia Clássica, plasmado há mais de dois mil anos por alguns dos mais insignes pensadores da História da Humanidade.

Levando em conta o momento superior da civilização, salto qualitativo da Humanidade, durante o qual passou pelo planeta a presença, a palavra e o exemplo de Jesus de Nazaré, muito se perdeu na memória dos homens desde o classicismo Grego até aos tempos de hoje.

Entre o pensamento dos Clássicos Gregos e a actualidade posterior a Allan Kardec, não estamos perante conhecimentos casuais ou desirmanados. Foram informações coligidas a seu tempo exatamente pelos mesmos métodos e derivaram das mesmas fontes de que ainda hoje nos servimos, OS ESPÍRITOS.
Os Espíritos na Grécia falaram aos viventes na Terra, irmãos seus como nós o somos agora, com os mesmos propósitos, a mesma vontade generosa e, tantas vezes, para minorar as saudades da pátria espiritual daqueles que prestavam provas e cumpriam expiações como nós o fazemos nas nossas vidas.
Profundo e precioso é o património de conhecimentos da Humanidade, mas lamentável a força dispersiva das piores tendências do Homem, em luta consigo mesmo!…
Com a prática condizente com as ideias aqui expostas, os critérios dogmáticos não teriam surgido ou podiam ter-se resolvido em paz, em harmonia e convivência.

De nada serviram, pelo caminho, os hábitos de milhões de vidas sombrias orientadas pelo medo dos infernos e purgatórios, DAS CRUZADAS ‒ exportação da violência pelo recurso organizado dos organismos político-estratégicos EM ESTREITA CUMPLICIDADE com o DOGMATISMO RELIGIOSO, as conversões à força, a colonização dos corpos, das mentes e das culturas, o pretexto das dilatações da FÉ e dos IMPÉRIOS para a prática dos maiores abusos históricos de todos os tempos, o silêncio mantido à custa de TORMENTOS INQUISITORIAIS e tantas outras abominações que esmagaram as sociedades e foram transportados por todos os continentes, num delírio materialista, desalmado e cego!…

A acentuação destas ideias nada tem de despropositado, antes pelo contrário. A senda pedregosa dos dogmatismos está aberta, e muitos milhões de almas e poderosas forças obscuras continuam a trilhá-la.
Por isso temos recomendado, ao longo destas páginas, uma atenção permanente à memória dos povos e à História da Humanidade. Porque, com o conhecimento dos erros do passado, se resolvem os erros do presente e se evitam as infelicidades injustas do futuro. Muitíssimo grande é a responsabilidade dos portadores de mensagens do ESPÍRITO EMANCIPADOR.

Capítulo IV da Introdução de “O Evangelho segundo o Espiritismo”

A morte de Sócrates, de Jacques-Louis David (1787)

Resumo dos conceitos de Sócrates e Platão que elucidam a ideia da origem e do destino do homem:
Depois de cada tema segue a azul comentários de Allan Kardec.

I – “O homem é uma alma encarnada. Antes da sua encarnação, existia junto aos modelos primordiais, às ideias do verdadeiro, do bem e do belo. Separou-se deles ao encarnar e, lembrando o seu passado, sente-se mais ou menos atormentada pelo desejo de lá voltar.”

Não se pode enunciar mais claramente a distinção e a independência do princípio inteligente e do princípio material. É, além disso, a doutrina da preexistência da alma, da vaga intuição que ela conserva da existência de outro mundo ao qual aspira, da sua sobrevivência à morte do corpo, da sua saída do mundo espiritual para encarnar, e do seu regresso a esse mundo após a morte. É, enfim, o germe da doutrina dos anjos caídos.

II – “A Alma perturba-se e confunde-se quando se serve do corpo para analisar algum objeto. Sente vertigens, como se estivesse ébria, porque se liga a coisas que são, pela sua natureza, sujeitas a transformações. Em vez disso, quando contempla a sua própria essência volta-se para o que é puro, eterno, imortal, e sendo da mesma natureza, aí permanece ligada tanto tempo quanto possa. Cessam então as suas perturbações, porque está unida ao que é imutável. Este estado da alma é o que chamamos sabedoria”.

Assim, o homem que considera as coisas vistas de baixo, terra à terra, do ponto de vista material, vive iludido. Para as apreciar com clareza é necessário vê-las do alto, ou seja, do ponto de vista espiritual. O verdadeiro sábio deve, por qualquer forma, isolar a alma do corpo, para ver com os olhos do Espírito. É isso o que ensina o Espiritismo (Cap. II, n° 5).

III – “Enquanto tivermos o nosso corpo, e a nossa alma se encontrar mergulhada nessa corrupção, nunca possuiremos o objeto dos nossos desejos ─ a verdade. De facto, o corpo oferece-nos mil obstáculos, pela necessidade que temos de cuidar dele. Além disso, enche-nos de desejos, de apetites, de temores, de mil quimeras e de mil tolices, de maneira que, com ele, é impossível ser sensato, mesmo por um momento. Mas, se nada se pode conhecer verdadeiramente enquanto a alma está unida ao corpo, uma destas duas coisas se impõe: ou que nunca se conhecerá a verdade, ou que se conhecerá depois da morte. Livres da loucura do corpo, então conversaremos, é de esperar-se, com pessoas igualmente livres, e conheceremos por nós mesmos a essência das coisas. É por isso que os verdadeiros filósofos se preparam para morrer e a morte não lhes parece de maneira alguma temível”. (Ver O Céu e o Inferno, 1ª parte, cap. II, e 2ª parte, cap. I).

Aqui está o princípio das faculdades da alma, obscurecidas devido aos órgãos corporais, e da expansão dessas faculdades depois da morte. Mas trata-se aqui das almas evoluídas, já depuradas. Não acontece o mesmo com as almas impuras.

IV – “A alma impura, nesse estado, encontra-se pesada e é novamente arrastada para o mundo visível, pelo horror ao que é invisível e imaterial. Vagueia, então, segundo se diz, ao redor dos monumentos e dos túmulos, junto dos quais foram vistos, às vezes, fantasmas tenebrosos. Assim devem ser as imagens das almas que deixaram o corpo sem estar inteiramente puras, e que conservam alguma coisa da forma material, o que permite aos nossos olhos apercebê-las. Essas não são as almas dos bons, mas as dos maus, que são forçadas a vaguear nesses lugares, onde carregam as penas das suas vidas passadas e onde continuam a vaguear até que os apetites inerentes à sua forma material as coloquem de novo a habitar um corpo. Então, retomam sem dúvida os mesmos costumes que, durante a vida anterior, eram da sua predileção”.

Não somente o princípio da reencarnação está aqui claramente expresso, mas também o estado das almas, que ainda estão sob o domínio da matéria, é descrito tal como o Espiritismo o demonstra nas evocações. E há mais, pois afirma-se que a reencarnação é uma consequência da impureza da alma, enquanto as almas purificadas estão livres dela.
O Espiritismo diz isto mesmo, apenas acrescenta que a alma que tomou boas resoluções na erraticidade, e que tem conhecimentos adquiridos, trará ao renascer menos defeitos, mais virtudes e mais ideias intuitivas do que na existência anterior. Assim, cada existência marca para ela um progresso intelectual e moral. (O Céu e o Inferno, 2ª parte: Exemplos).

V – “Após a nossa morte, o génio (daïmon, em grego) que nos fora designado durante a vida, leva-nos a um lugar onde se reúnem todos os que devem ser conduzidos ao Hades, para aí serem julgados. As almas, depois de permanecerem no Hades o tempo necessário, são reconduzidas a esta vida por numerosos e longos períodos”.

Esta é a doutrina dos Anjos da Guarda ou Espíritos protetores, e das reencarnações sucessivas, após intervalos mais ou menos longos de erraticidade.

VI – “Os demónios preenchem o espaço que separa o Céu da Terra, são os laços que ligam o Grande Todo consigo mesmo. A divindade nunca entra em comunicação direta com os homens, é por meio dos demónios que os deuses se relacionam e conversam com ele, quer durante o estado de vigília quer durante o sono”.

A palavra “daïmon”, que originou o termo “demónio”, na Antiguidade não tinha o sentido do mal, como acontece entre nós. Não se aplicava essa palavra exclusivamente aos seres maldosos, mas a todos os Espíritos em geral, entre os quais se distinguiam os espíritos superiores chamados deuses e os Espíritos menos elevados ou demónios propriamente ditos, que comunicavam diretamente com os homens. O Espiritismo ensina também que os Espíritos povoam o espaço, que Deus não comunica com os homens senão por intermédio dos Espíritos puros, encarregados de nos transmitir a sua vontade, que os Espíritos comunicam connosco durante o estado de vigília e durante o sono.
Substituindo a palavra demónio pela palavra Espírito teremos a doutrina espírita; usando a palavra anjo, teremos a doutrina cristã.

VII – “A preocupação constante do filósofo (tal como o compreendiam Sócrates e Platão) é a de ter o maior cuidado com a alma, não tanto por esta vida, que é apenas um instante, mas tendo em vista a eternidade. Se a alma é imortal, não é sábio viver para a eternidade?”

O Cristianismo e o Espiritismo ensinam a mesma coisa.

VIII – “Se a alma é imaterial, deve voltar, após esta vida, a um mundo igualmente invisível e imaterial, da mesma forma que o corpo, ao decompor-se, volta à matéria. Importa somente distinguir bem a alma pura, verdadeiramente imaterial, que se alimenta, como Deus, da sabedoria e dos pensamentos, da alma mais ou menos manchada por impurezas materiais, que a impedem de se elevar ao divino, retendo-a nos lugares da sua passagem pela Terra”.

Sócrates e Platão, como se vê, compreendiam perfeitamente os diferentes graus de desmaterialização da alma. Insistem nas diferenças que resultam da sua maior ou menor pureza. O que eles diziam por intuição, o Espiritismo prova-o, pelos numerosos exemplos que nos põe diante dos olhos (O Céu e o Inferno, 2ª parte).

IX – “Se a morte fosse o desaparecimento total do homem, isso seria de grande vantagem para os maus, que após a morte estariam livres, ao mesmo tempo, dos seus corpos, das suas almas e dos seus vícios.
Só aquele que enriqueceu a sua alma, não com estranhas ornamentações, mas com as que lhe são próprias, poderá esperar tranquilamente a hora da sua partida para o outro mundo”.

Por outras palavras: o materialismo, que proclama o nada após a morte, seria a negação de todas as responsabilidades morais posteriores e, por conseguinte, um estímulo ao mal. O malvado tem tudo a ganhar com o nada, o homem que se livrou dos seus vícios e se enriqueceu de virtudes é o único que pode esperar tranquilamente o despertar na outra vida. O Espiritismo mostra-nos, pelos exemplos que diariamente nos apresenta, quanto é penosa a passagem desta para a outra vida e a entrada na vida futura, para os que praticam o mal. (O Céu e o Inferno, 2ª parte, cap. I).

X – “O corpo conserva bem marcados os vestígios dos cuidados que se teve com ele ou dos acidentes que sofreu. Acontece o mesmo com a alma. Quando está separada do corpo conserva os traços evidentes do seu caráter, dos seus sentimentos, e as marcas que nela deixaram os atos que praticou durante a vida. Assim, a maior desgraça que pode acontecer a um homem é a de ir para o outro mundo com uma alma carregada de crimes. Tu vês, Callicles, que nem tu, nem Polus, nem Górgias, podereis provar que se deve levar outra vida que nos seja mais útil quando formos para o outro mundo. De tantas opiniões diferentes, a única que permanece inabalável é a de que mais vale receber uma injustiça do que cometê-la, e que antes de tudo devemos aplicar-nos, não a parecer, mas a ser um homem de bem”. (Conversas de Sócrates com os discípulos na prisão).

Aqui encontra-se outro ponto capital hoje confirmado pela experiência, segundo o qual a alma não purificada conserva as ideias, as tendências, o caráter e as paixões que tinha na Terra. Esta máxima: mais vale receber uma injustiça do que cometê-la, não é totalmente cristã? É o mesmo pensamento que Jesus exprime por este juízo: “Se alguém te bater numa face, oferece-lhe a outra”. (Cap. XII, nºs 7 e 8)).

XI – “De duas, uma: ou a morte é a destruição absoluta, ou é a passagem da alma para outro lugar. Se tudo deve extinguir- se, a morte será como uma dessas raras noites que passamos sem sonhar e sem nenhuma consciência de nós mesmos. Mas se a morte é apenas uma mudança de morada, a passagem para um lugar onde os mortos se devem reunir, que felicidade a de ali reencontrarmos os nossos conhecidos! O meu maior prazer seria o de examinar de perto os habitantes dessa outra morada e distinguir entre eles, como aqui, os que são sensatos dos que creem sê-lo e não o são. Mas já é tempo de partirmos, eu para morrer e vós para viver”. (Sócrates aos seus juízes).

Segundo Sócrates, os homens que viveram na Terra encontram-se depois da morte e reconhecem-se. O Espiritismo no-los mostra, continuando as suas relações, de tal maneira que a morte não é uma interrupção, nem uma cessação da vida, mas uma transformação sem solução de continuidade.
Sócrates e Platão, se tivessem conhecido os ensinamentos transmitidos por Jesus quinhentos anos mais tarde, e os que o Espiritismo nos transmite hoje, não teriam falado de outra maneira. Nisso, nada há que nos deva surpreender, se considerarmos que as grandes verdades são eternas e que os Espíritos adiantados devem tê-las conhecido antes de vir para a Terra, para onde as trouxeram. Sócrates, Platão e os grandes filósofos do seu tempo poderiam estar, mais tarde, entre aqueles que secundaram Jesus na sua divina missão, sendo escolhidos precisamente porque estavam mais aptos do que outros a compreenderem os seus sublimes ensinamentos. E pode acontecer que façam agora parte da grande plêiade de Espíritos encarregados de virem ensinar aos homens as mesmas verdades.

XII – “Não se deve nunca retribuir a injustiça com a injustiça, nem fazer mal a ninguém, qualquer que seja o mal que nos tenha feito. Poucas pessoas, contudo, admitem este princípio, e as que não concordam com ele só podem desprezar-se umas às outras”.

Não é este o princípio da caridade, que nos ensina a não retribuir o mal com o mal e a perdoar aos inimigos?

XIII – “É pelos frutos que se conhece a árvore. É necessário qualificar cada ação por aquilo que ela produz: chamá-la má quando a sua consequência é má, e boa quando produz o bem”.

Esta expressão: “É pelos frutos que se reconhece a árvore”, encontra-se textualmente repetida, muitas vezes, no Evangelho.

XIV – “A riqueza é um grande perigo. Todo o homem que ama a riqueza, não se ama a si próprio nem ao que é seu, mas ama algo que lhe é mais estranho do que aquilo que é dele”. (Cap. XVI).

XV – “As mais belas preces e os mais belos sacrifícios agradam menos à Divindade do que uma alma virtuosa que se esforce por se lhe assemelhar. Seria grave que os deuses se interessassem mais pelas nossas oferendas do que pelas nossas almas. Se tal acontecesse, os maiores culpados poderiam conquistar os seus favores. Mas não, pois só são verdadeiramente retos e justos os que, pelas suas palavras e pelos seus atos, cumprem os deveres para com os deuses e os homens”. (Cap. X, nºs 7 e 8).

XVI – “Chamo homem violento ao amante vulgar, que ama mais o corpo do que a alma. O amor está por toda a natureza que nos convida a exercitar a nossa inteligência. Encontramo-lo até mesmo no movimento dos astros. É o amor que ornamenta a natureza com os seus admiráveis adornos. Enfeita-se e fixa a sua morada onde encontra flores e perfumes. É ainda o amor que traz a paz à Humanidade, a calma ao mar, o silêncio aos ventos e o sossego à dor”.

O amor, que deve unir os seres humanos por um sentimento de fraternidade, é uma consequência desta teoria de Platão sobre o amor universal, como lei da natureza. Sócrates disse que “o amor não é um deus nem um mortal, mas um grande Daïmon”, ou seja, um grande Espírito que preside ao amor universal. Foi sobretudo esta afirmação que lhe foi imputada como crime.

XVII – “A virtude não pode ser ensinada, vem por um dom de Deus aos que a possuem”.

É quase como a graça no conceito cristão. Mas se a virtude é um dom de Deus, um favor, pode perguntar-se por que razão não é concedida a todos? Por outro lado, se é um dom, não há mérito da parte do que a possui? O Espiritismo é mais explícito, ensina que aquele que a possui já a adquiriu pelos seus esforços nas vidas sucessivas, ao livrar-se pouco a pouco das suas imperfeições. A graça é a força que Deus concede aos homens de boa vontade, para se livrarem do mal e fazerem o bem.

XVIII – “Há uma disposição natural em cada um de nós, é a de nos apercebermos muito menos dos nossos defeitos do que dos defeitos alheios”.

O Evangelho diz: “Vês o argueiro no olho do teu irmão, e não vês a trave no teu?” (Cap. X, nº 9 e 10).

XIX – “Se os médicos não conseguem debelar a maior parte das doenças, é porque tratam o corpo sem a alma, e porque, se o todo não se encontra em bom estado, é impossível que as suas partes estejam bem”.

O Espiritismo esclarece as relações entre a alma e o corpo, e prova que um atua incessantemente sobre o outro. Assim, abre um novo caminho à ciência. Mostrando-lhe a verdadeira causa de certas doenças, dá-lhe, pois, o meio de as combater. Quando a ciência levar em conta a ação do elemento espiritual no conjunto orgânico, será mais eficaz.

XX – “Todos os homens, desde a infância, fazem mais mal do que bem”.

Estas palavras de Sócrates tocam a grave questão da predominância do mal sobre a Terra, questão insolúvel sem o conhecimento da pluralidade dos mundos e do destino da Terra, onde habita apenas uma pequena parte da Humanidade. Só o espiritismo lhe dá a solução, que se encontra desenvolvida mais adiante, nos capítulos II, III e V.

XXI – “A sabedoria está em não julgares que sabes aquilo que não sabes”.

Isto vai dirigido àqueles que criticam as coisas de que, frequentemente, nada sabem. Platão completa este pensamento de Sócrates, ao dizer: “Tentemos primeiro torná-los, se possível, mais honestos nas palavras. Se não conseguirmos, não nos preocupemos com eles e busquemos nós a verdade. Tratemos de nos instruir, mas sem nos incomodarmos“. É assim que devem agir os espíritas, em relação aos seus contraditores de boa ou má-fé. Se Platão vivesse hoje encontraria as coisas mais ou menos como no seu tempo e poderia usar a mesma linguagem. Sócrates também encontraria quem zombasse da sua crença nos Espíritos e o tratasse como se fosse louco, assim como ao seu discípulo Platão.
Foi por ter professado esses princípios que Sócrates foi ridicularizado, primeiro, depois acusado de impiedade e condenado a beber a cicuta. É bem certo que as grandes e novas verdades, levantando contra si os interesses e os preconceitos que elas ferem, não podem ser estabelecidas sem lutas e sem mártires.


Para as pessoas interessadas em documentar histórico-culturalmente, identificando bem a origem destas referências a Sócrates e Platão, recomendo a leitura integral do seguinte trabalho de Reinaldo Di Lucia:

VII Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita /
São Paulo 2001
da autoria de REINALDO DI LUCIA

Sócrates e Platão: percursores do espiritismo
de REINALDO DI LUCIA – PDF


A Escola de Atenas, de Raffaello Sanzio (pintura de 1509-1511), uma das obras mais extraordinárias do Museu do Vaticano que representa grande número de pensadores, entre os quais Platão e Sócrates.
A Escola de Atenas, de Raffaello Sanzio (pintura de 1509-1511), uma das obras mais extraordinárias do Museu do Vaticano que representa grande número de pensadores, entre os quais Platão e Sócrates.
Para completar e actualizar as referências aqui expostas, nada como a palavra de ALLAN KARDEC, com a conhecida síntese:

 

Resumo dos ensinamentos dos Espíritos, conforme o Capítulo VI da Introdução de “O Livro dos Espíritos”:

Os seres que deste modo comunicam designam-se a si mesmos – como já dissemos – pelo nome de Espíritos ou génios, e como tendo pertencido, pelo menos alguns, a pessoas que viveram na Terra. Constituem o mundo espiritual, como nós constituímos, durante a vida, o mundo corporal. Resumimos a seguir, em poucas palavras, os pontos mais salientes dos ensinamentos que nos transmitiram:

Deus é eterno, imutável, imaterial, único, todo poderoso, soberanamente justo e bom. Criou o Universo que inclui todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais. Os seres materiais constituem o mundo visível ou corporal e os seres imateriais constituem o mundo invisível ou espírita, isto é, dos Espíritos.

O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo.

O mundo corporal é secundário, poderia deixar de existir ou nunca ter existido sem alterar a essência do mundo espírita. Os Espíritos animam temporariamente um corpo material perecível, cuja morte os devolve à liberdade.

Entre as diferentes espécies de seres corporais, Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos Espíritos que chegaram a um certo grau de desenvolvimento, o que lhe dá superioridade moral e intelectual sobre as outras. A alma é um Espírito encarnado num corpo material.

Há nos seres humanos três coisas:

1º) O corpo ou ser material, semelhante ao dos animais e animado pelo mesmo princípio vital;
2º) A alma ou ser imaterial, Espírito encarnado no corpo;
3º) O sistema de ligação que une a alma ao corpo, o perispírito, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito.

O ser humano tem assim duas naturezas: pelo corpo participa da natureza dos animais, dos quais possui os instintos; pela alma participa da natureza dos Espíritos. O sistema de ligação entre corpo e Espírito, o perispírito, é um complexíssimo sistema semimaterial.

A morte é o falecimento do corpo mais denso. O Espírito conserva o organismo de ligação ou perispírito, que lhe serve como corpo semimaterial, de muito baixa densidade, invisível para nós no seu estado normal. O Espírito pode torná-lo circunstancialmente visível e mesmo tangível, como acontece no fenómeno das aparições.

O Espírito não é, portanto, um ser abstrato, indefinido, que só o pensamento pode compreender. É um ser real, definido, que em certos casos pode ser apreendido pelos nossos sentidos da vista, da audição e do tato. Os Espíritos pertencem a diferentes níveis, não sendo iguais em poder, inteligência, saber ou moralidade:

– Os da primeira ordem são os Espíritos superiores que se distinguem dos outros pela perfeição, pelos conhecimentos, pela proximidade de Deus, pela pureza dos sentimentos e pelo seu amor ao bem: são os anjos ou Espíritos puros.

− Os dos outros níveis distanciam-se progressivamente desta perfeição.

– Os dos níveis inferiores são propensos às nossas paixões: o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho, etc. e comprazem-se no mal.

Neste número há os que não são muito bons nem muito maus, são mais perturbadores e intrigantes do que maus. A malícia e as inconsequências parecem ser as suas características: são os Espíritos tolos ou frívolos.

Os Espíritos não pertencem eternamente à mesma ordem. Todos se vão aperfeiçoando, passando pelos diferentes graus da hierarquia espírita. Esta evolução dá-se mediante a encarnação, imposta a uns como expiação e a outros como missão.

A vida material é uma prova a que devem submeter-se repetidas vezes até atingirem a perfeição absoluta: é uma espécie de filtro purificador, do qual vão saindo mais ou menos aperfeiçoados.

Deixando o corpo, a alma regressa ao mundo dos Espíritos, do qual saíra para reiniciar uma nova existência material, após um lapso de tempo mais ou menos longo, durante o qual fica no estado de Espírito errante. Devendo o Espírito passar por muitas encarnações, conclui-se que todos nós tivemos muitas existências e que teremos ainda outras, mais ou menos aperfeiçoadas, seja na Terra, seja noutros mundos. A encarnação dos Espíritos ocorre sempre na espécie humana. Seria um erro acreditar que a alma ou Espírito pudesse encarnar no corpo de um animal. (Ver pergunta 611 e seguintes.)

As diversas existências corporais do Espírito são sempre de evolução positiva e nunca de evolução negativa ou retrógrada: a rapidez desse progresso evolutivo, contudo, depende dos esforços que fazemos para chegar à perfeição. As qualidades da alma são as do Espírito que está encarnado em nós. Assim, o homem de bem é a encarnação de um bom Espírito e o homem perverso a de um Espírito impuro.

A alma tinha a sua individualidade antes da encarnação e conserva-a após a separação do corpo. No seu regresso ao mundo dos Espíritos, a alma reencontra ali todos os que conheceu na Terra e todas as suas existências anteriores desfilam na sua memória, com a recordação de todo o bem e de todo o mal que fez. (Ver perguntas 305 a 307)

O Espírito encarnado está sob a influência da matéria. O ser humano que supera essa influência, pela elevação e purificação da sua alma, aproxima-se dos bons Espíritos com os quais estará um dia. Aquele que se deixa dominar pelas más paixões, e põe todas as suas alegrias na satisfação dos apetites mais rudes, aproxima-se dos Espíritos impuros, dando preponderância à sua natureza animal.

Os Espíritos encarnados habitam a multiplicidade dos astros do Universo.

Os Espíritos não encarnados ou errantes não ocupam nenhuma região determinada ou circunscrita. Estão por toda a parte, no espaço e ao nosso lado, vendo-nos e convivendo connosco com grande proximidade: é toda uma população invisível que se agita em nosso redor.

Os Espíritos exercem sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico uma ação incessante. Agem sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das forças da natureza, causa eficiente de uma multidão de fenómenos até agora inexplicados ou mal explicados, que só encontram solução racional no espiritismo.

As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons Espíritos estimulam-nos para o bem, apoiam-nos nas provas da vida e ajudam-nos a suportá-las com coragem e resignação. Os maus instigam-nos ao mal: para eles é um prazer ver-nos sucumbir e tornarmo-nos iguais a eles.

As comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As comunicações ocultas têm lugar pela boa ou má influência que exercem sobre nós sem o sabermos, cabendo ao nosso julgamento discernir as más e as boas inspirações. As ostensivas realizam-se por meio da escrita, da palavra ou de outras manifestações materiais, na maioria das vezes através dos médiuns que lhes servem de instrumentos.

Os Espíritos manifestam-se espontaneamente ou pela evocação.

Podemos evocar todos os Espíritos:

− Os que animaram homens obscuros e os das personagens mais ilustres, qualquer que seja a época em que tenham vivido;

− Os dos nossos parentes, dos nossos amigos ou inimigos e deles obter, por comunicações escritas ou verbais, conselhos, informações sobre a situação em que se acham além túmulo, sobre os seus pensamentos a nosso respeito, assim como as revelações que lhes seja permitido fazer-nos.

Os Espíritos são atraídos em função da sua simpatia pela natureza moral do meio que os evoca. Os Espíritos superiores gostam das reuniões sérias, dominadas pelo amor do bem e pelo desejo sincero de instrução e de melhoria. A sua presença afasta os Espíritos inferiores que, pelo contrário, têm acesso fácil e liberdade de ação entre pessoas frívolas guiadas apenas pela curiosidade, onde quer que predominem os maus instintos.

Longe de obter bons conselhos e informações úteis, só é possível esperar desses Espíritos futilidades, mentiras, brincadeiras de mau gosto ou mistificações, pois servem-se frequentemente de nomes veneráveis para melhor induzirem em erro.

Distinguir os bons dos maus Espíritos é extremamente fácil. A linguagem dos Espíritos superiores é constantemente digna, nobre, cheia da mais alta moralidade, livre de qualquer paixão inferior. Os seus conselhos revelam a mais pura sabedoria e têm sempre por alvo o nosso progresso e o bem da Humanidade.

A dos Espíritos inferiores, pelo contrário, é inconsequente, muitas vezes banal e mesmo grosseira; se dizem às vezes coisas boas e verdadeiras, dizem com mais frequência falsidades e absurdos, por malícia ou por ignorância. Zombam da credulidade e divertem-se à custa dos que os interrogam, lisonjeando-lhes a vaidade e alimentando os seus desejos com falsas esperanças. Em resumo, as comunicações sérias, na verdadeira aceção da palavra, só se verificam nos centros sérios, cujos membros estão unidos por uma íntima comunhão de pensamentos dirigidos para o bem.

A moral dos Espíritos superiores resume-se, como a de Jesus, nesta máxima evangélica: “Fazer aos outros o que desejamos que os outros nos façam”, ou seja, fazer o bem e não o mal. O ser humano encontra nesse princípio a regra universal de conduta, mesmo para as ações menores.

Os Espíritos superiores ensinam-nos que:
─ O egoísmo, o orgulho e a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria;
─ Aqueles que neste mundo se libertam da matéria, pelo desprezo das futilidades mundanas e pelo exercício do amor ao próximo, se aproximam da natureza espiritual;
─ Cada um de nós se deve tornar útil segundo as faculdades e os meios que Deus nos colocou nas mãos, como prova;
─ O forte e o poderoso devem apoio e proteção ao fraco, porque aquele que abusa da sua força e do seu poder para oprimir o seu semelhante viola a lei de Deus.

Ensinam-nos, enfim:
─ No mundo dos Espíritos, onde nada pode estar escondido, o hipócrita será desmascarado e todas as suas torpezas reveladas;
─ A presença inevitável e incessante daqueles que prejudicámos é um dos castigos que nos estão reservados;
─ Ao estado de inferioridade e de superioridade dos Espíritos correspondem penas e alegrias que nos são desconhecidas na Terra.

Os Espíritos superiores ensinam-nos, também, que não há faltas cujo perdão seja impossível e que não possam ser apagadas pela expiação. É nas sucessivas existências que o ser humano encontra os meios que lhe permitem avançar, segundo o seu desejo e os seus esforços, no caminho do progresso que conduz à perfeição, que é o seu objetivo final.”

Este é o resumo do espiritismo tal como resulta do ensino dado pelos Espíritos superiores.

É urgentíssimo despertar e fortalecer a cultura espírita

para ter acesso ao ficheiro PDF é favor clicar na imagem

O presente trabalho tem como referência qualitativa a importante obra de PAULO HENRIQUE DE FIGUEIREDO, de quem já lemos:

  • duas obras importantes “MESMER – A ciência negada do magnetismo animal” e a “REVOLUÇÃO ESPÍRITA – A teoria esquecida de Allan Kardec”;
  • Todo o conteúdo organizado da sua página pessoal: http://revolucaoespirita.com.br/
  • Muito do conteúdo de palestras e entrevistas publicadas no YouTube que temos visitado assiduamente e temos escutado com atenção.
  • Estamos a par de vários episódios da sua longa carreira como investigador e, por consideração ao seu trabalho e propósitos, inscrevemo-nos como modestos apoiantes, há mais de um ano, do projeto CARTAS DE KARDEC (ID do apoio: 60809270).
  • Não incluímos aqui a sua última publicação “AUTONOMIA”, dado que não conseguimos ainda fazer a sua aquisição directamente do Brasil. Manifestamos aqui o desgosto que temos pelas dificuldades impostas à compra de livros brasileiros daqui de Portugal. Temos a encomenda feita a uns amigos brasileiros que vão ao Brasil neste fim de ano. Oxalá chegue depressa o livro pelo qual tanto temos esperado!…

O presente trabalho foi baseado no teor de mais do que uma das suas palestras, mas não é uma transcrição literal das suas palavras.

Fazemos também referência às importantíssimas investigações de: SIMONI PRIVATO GOIDANICH

Contem várias particularidades específicas do nosso trabalho e algumas notas e comentários de nossa autoria, que julgámos oportunos. De resto, estão sujeitas à aprovação de PHF.

O trabalho de PAULO HENRIQUE DE FIGUEIREDO, pela sua inteligente aproximação a interesses de nível cultural histórico-filosófico e científico, é perfeitamente compatível e valoriza as origens e as perspetivas da grande cultura espírita.

O espiritismo é uma visão aberta e profunda da natureza, da origem e do destino da Humanidade. As suas raízes mergulham nos mais avançados valores da cultura deste terceiro milénio, com sentido universalista que leva em conta o percurso de todos os seres, desde os mais remotos inícios.

Tendo essa imagem do espiritismo e achando que merece novas gerações de interessados capazes de fazê-lo progredir, estamos atentos às mudanças necessárias de uma cultura que nos parece não ter adquirida ainda a projeção que podia e devia ter tido, caso tivesse sido, desde há mais de século e meio, defendida e divulgada com a devida seriedade e rigor merecidos.

Novembro de 2019
José da Costa Brites

 

“Roustainguismo” – a teoria de falsificação do espiritismo e os enormes prejuízos que causou

Para cada salto em frente da Humanidade há sempre tentativas perversas para falsificar, adulterar e contrariar o progresso que desperta e a esperança que se configura.

O espiritismo, logo de início, defrontou-se com uma teoria que o reduzia aos horizontes retrógrados do dogmatismo imperante em todas as religiões, que se servem da heteronomia para imporem o seu poder pelo medo dos infernos, do sentimento do pecado e da culpa!…

Essa teoria foi criada por iniciativa de um francês contemporâneo de Allan Kardec que se chamava Jean-Baptiste Roustaing, que se tornou malfadadamente conhecida como “roustainguismo” e foi adotado no Brasil, há mais de 100 anos, como tema obrigatório de estudo e divulgação pela federação espírita brasileira. E como o tal o inscreveu nos seus próprios estatutos oficiais.

As consequências culturais de um tal absurdo são incalculáveis dada a enorme quantidade de mal-entendidos, conceitos erróneos, conflitos e divisões a que deu origem no seio do movimento espírita, durante mais de 100 anos.

Foi, no nosso entender, o mais extraordinário factor para a falta de prestígio científico e cultural, que fez do espiritismo uma cultura confidencial, altamente minoritária e confinada a pequenos círculos de carácter místico e ritualista, quando poderia ter-se tornado uma frente de reforço consistente da PAZ, do PROGRESSO e da EVOLUÇÂO de toda a Humanidade.

O espiritismo é um avanço inovador que oferece à Humanidade as perspectivas mais avançadas da AUTONOMIA que é tema de uma valiosa obra de Paulo Henrique de Figueiredo, cuja leitura se recomenda a todos os visitantes: “A HISTÓRIA JAMAIS CONTADA DO ESPIRITISMO”:

Esperamos que, com a devida celeridade, esta lúcida mensagem, apoiada em factos concretos e investigações idóneas, abranja o maior número possível de interessados, para que o espiritismo possa, o mais urgentemente possível, alcançar a notoriedade prestigiada que merece.

Acrescentamos apenas a página disponínel para poderem ter acesso a um alargado conjunto de palestras e apresentações de Paulo Henrique de Figueiredo:

É favor clicar na imagem para ter acesso

Wilson Garcia, as federações e o movimento espírita

As Federações e o seu Papel no Movimento Espírita

 

Escolhemos das nossas pesquisas na Internet um artigo escrito por Wilson Garcia, importante estudioso e autor espírita com vasta obra feita e muitíssimo conhecido no Brasil, que no trabalho a seguir inserido apresenta o problema muito sério do papel que as federações desempenharam, e desempenham ainda, no movimento espírita. Já nos interessaria muito se fosse só isso, mas a sua publicação aqui tem o intuito de levar até junto dos leitores portugueses ideias bem claras e documentadas a respeito da história do espiritismo no Brasil.

Tendo a Federação Espírita Portuguesa ao que nos parece, pelas mais do que evidentes aparências, posicionamentos estratégicos francamente coincidentes com os da FEB, embora nunca tenha inserido nos seus estatutos a divulgação organizada e sistemática da mensagem roustainguista,
julgamos muito importante o retrato bastante realista que nos apresenta Wilson Garcia, para podermos avaliar o que tais afinidades poderão significar para o espiritismo em Portugal.
O trabalho em questão foi enviado ao “Portal do Espírito”
por Wilson Garcia em 30/12/2015

Para ter acesso ao artigo é favor clicar nesta frase

 

A teoria esquecida de Allan Kardec, palestra de Paulo Henrique de Figueiredo

AS INVESTIGAÇÕES DE PAULO HENRIQUE DE FIGUEIREDO

Um passo em frente na caracterização filosófica da ideia espírita

De Immanuel Kant se disse que, depois dele, nada seria como dantes no pensamento ocidental. Depois de assimilado o avanço conceptual proposto por Paulo Henrique de Figueiredo, nada será igual no espiritismo em português.


RECEBI, OPORTUNAMENTE,  DE UM JOVEM BOM AMIGO BRASILEIRO O FAVOR DA REMESSA DE DOIS LIVROS IMPORTANTÍSSIMOS PARA O PRESENTE E PARA O FUTURO DO ENSINO DOS ESPÍRITOS, TAL COMO NOS FOI LEGADO POR ALLAN KARDEC.
SÃO
OBRAS ESSENCIAIS, RESULTANTES DE MUITOS ANOS DE PESQUISAS DE PAULO HENRIQUE DE FIGUEIREDO, PARA QUE DESPERTE E SE RENOVE UMA CULTURA QUE MUITOS INSISTEM EM  ANESTESIAR, DETURPAR OU DEMOLIR:

REVOLUÇÃO ESPÍRITA – A teoria esquecida de ALLAN KARDEC
MESMER – A ciência negada do magnetismo animal

O essencial desta notícia é a oferta aos visitantes de uma introdução às ideias de PAULO HENRIQUE DE FIGUEIREDO, de que tomei conhecimento pela generosidade comunicativa das suas palestras e da sua página pessoal.

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AO FUNDO está incluído para descarga um ficheiro PDF da transcrição livre de uma dessas palestras de 17 de Setembro de 2016.
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Reparei depois que o texto da mensagem de agradecimento que mandara ao meu jovem amigo brasileiro, com o entusiasmo com que a escrevi, pode servir como abertura para esse tema:

Caríssimo amigo “J”

“…Deves estar lembrado do Pdf que te enviei a respeito das ideias e da investigação de Paulo Henrique de Figueiredo…”
A propósito disso, tenho estado a assentar ideias a respeito de Immanuel Kant e de todos os antecedentes culturais que poderão fundamentar a lógica histórico-filosófica do aparecimento do ensino dos Espíritos, tal como nos foram transmitidos pela notabilíssima  obra de Allan Kardec.
Esse processo implica a visão abrangente e coordenada da História da Humanidade e da marcha do pensamento filosófico, tarefa a que PHF tem vindo a dedicar a sua melhor atenção, já há dezenas de anos, e que preenche uma lacuna antiga do estudo e da apreciação do conhecimento espírita em português.
Faço esta compartimentação linguística da grande cultura, porque os franceses, que foram os seus legítimos percursores – quer na teoria, quer na prática – deram-se ao luxo de a deixar um pouco ao Deus dará e não a integraram de forma consequente na vasto seio da cultura europeia.
A essa tarefa meteu ombros este brasileiro universalista iluminado por uma formidável lucidez cultural, que veio buscar ao velho continente – provando largamente a abundância de dados e conceitos entretanto negligenciados – a panaceia adequada para um sem número de sincretismos já dramaticamente enraízados na versão tropical do legado de Allan Kardec.
Levará tempo a clarear essa mescla de impulsos desencontrados, conforme também esclarece Paulo Henrique de Figueiredo. Felizmente que a clarividência emancipadora do ensino dos Espíritos não nos foi comunicada por palavras limitadas do quotidiano confuso do suor e das lágrimas de quem caminha lenta, mas persistentemente, para a Luz. Foi-nos comunicada pelo pensamento enorme de quem contempla o mundo de alto e de largo.

Por isso também nós traduzimos “O Livro dos Espíritos” para a língua portuguesa dos dias de hoje, para novas gerações de leitores, alheios à estratificação do pensamento formalista. O que está nas páginas daquele livro não são as palavras petrificadas de um século passado. São ideias luminosas e esclarecidas que dia a dia se renovam, assim haja a lucidez para entender a cada instante a libertadora mensagem dos Espíritos.

Sendo o ensino dos Espíritos uma culminância da modernidade é evidente que os pontos mais elevados e sensíveis da marcha das ideias filosóficas e do desenvolvimento dos factos históricos, têm obrigatoriamente de ter uma correspondência activa e consequente com o seu aparecimento.

Kant não hesitou em definir a sua filosofia como uma “revolução copernicana” na história do pensamento, pois a sua obra significava uma revolução equivalente à que representara o heliocentrismo de Copérnico para a ciência.
Kant foi, indiscutivelmente, o fundador da filosofia moderna: com a sua obra completa-se essa viragem rumo à subjectividade, timidamente iniciada por Descartes e radicalizada por David Hume, que caracterizou toda a filosofia até aos nossos dias.
Após as suas famosas três Críticas (Crítica da Razão Pura, 1781; Crítica da Razão Prática, 1788 e Crítica do Juízo (ou da Faculdade de Julgar), 1790) nada voltaria a ser como dantes.

 A importância fantástica que tem a obra de Paulo Henrique de Figueiredo é ser o avanço mais consequente e organizado que eu conheço no estabelecimento e solidificação dessa correspondência activa!…
A virtude conceptual e ideológica que tem esse avanço é constituir uma ultrapassagem, uma superação, de um conjunto de debates mesquinhos e infindáveis, que estorvam a compreensão das qualidades essenciais do espiritismo, mesmo para alguns que – de certa forma – se julgam adeptos certificados.
PHF, para além de lançar um desafio sem precedentes aos interessados activos na proposta espírita, tal como foi delineada por ALLAN KARDEC, identifica vários aspectos em que tem sido omissa a compreensão dos antecedentes  que possibilitaram a sua eclosão e de várias contingências do seu devir histórico.
Relativamente ao seu próprio país, a redescoberta e elucidação de estudiosos fundadores como Manuel José de Araújo Porto-Alegre, Gonçalves de Magalhães e Gonçalves Dias, desmistifica mitos pseudo-inauguradores de um movimento irremediavelmente marcado por cismas fracturantes e sincretismos incompatíveis com o espiritismo como impulso intelectual emancipador e universalista com profundas raízes intelectuais.
Há sectores, ditos “progressistas”, do espiritismo, que ainda não chegaram às ideias de Immanuel Kant, resumidamente, porque ainda não perceberam a natureza de uma ideologia e de um exercício programático caracterizado pelo sentido da AUTONOMIA, pela ideia da EVOLUÇÃO, e pela CONSCIÊNCIA como residência originária da orientação MORAL, ou seja – ainda não chegaram ao ponto zero da “revolução copernicana” de Kant!…
Estou a ler um livro muito inspirado e envolvente, que é da autoria de Joan Solé, um jovem catalão para aí da tua idade, excepcionalmente bem escrito, que oferece numa bandeja de analogias multi culturais (até artísticas…) o perfil das ideias de Kant, e que se chama exactamente ” A revolução copernicana na filosofia”:

Nota: Esse livro faz parte de uma colecção de 40 obras a respeito dos principais filósofos e da marcha das ideias filosóficas; foi editada em Portugal, por um semanário, sob o título “Descobrir a Filosofia”. Deve ter sido editada no Brasil, pela certa.
Se leres bem em Espanhol (a língua castelhana, atenção…) posso-te mandar 30 pdf’s de 30 dessas obras. Para quem quiser completar ideias a respeito da Filosofia, ou inaugurá-las, é um apetitoso convite à leitura.

O projecto da colecção foi dirigido por Manuel Cruz, catedrático de Filosofia na Universidade de Barcelona, com a colaboração de muito conceituados especialistas!…
O Paulo Henrique de Figueiredo tem sido muito simpático e já pré-anunciou a sua autorização para publicar o Pdf com a transcrição  da apresentação do livro: Revolução Espírita – A Teoria Esquecida de Allan Kardec

Aqui fica o link para a notícia que diz respeito à obra. O site – do próprio autor – tem uma variedade de artigos a não perder. Como requinte técnico que é raro, cada artigo é antecedido da indicação do número de minutos que leva a ler!…

Felicidades e os melhores votos de saúde

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PDF com a transcrição livre, de minha inteira responsabilidade, da palestra devidamente identificada de PAULO HENRIQUE DE FIGUEIREDO:

REVOLUÇÃO ESPÍRITA – A teoria esquecida de ALLAN KARDEC.

 

 

Revolução Espírita, de Paulo Henrique de Figueiredo

Este trabalho, feito no interesse de pesquisa de dois portugueses, seguidores e divulgadores da mensagem de Paulo Henrique de Figueiredo, apresenta a leitura integral e cuidadosa, com facilidade de pesquisa e inter-relação de conteúdos, de todos os artigos publicados entre 12/Jun/2016 e 28/Set/2017, por Paulo Henrique de Figueiredo na sua página pessoal.
Está publicado num ficheiro PDF, ao fundo deste artigo.>

A REVOLUÇÃO ESPÍRITA é o título de um livro que recebemos do Brasil, que começámos a ler com entusiasmo no momento em que nos demos conta da importância da sua mensagem, das reflexões e das propostas construtivas que consigo transporta.
Como é sabido de muitos e muitos milhares de referências Históricas, a REVOLUÇÃO FRANCESA, assim escrita, com maiúsculas, representa – com as inerências dolorosas de todos os grandes dramas da História da Humanidade, e estamos a pensar, nada mais nada menos que no sacrifício do cidadão Jesus de Nazaré – um ponto absolutamente essencial na viragem dos tempos, das atitudes e das conceções das sociedades organizadas, pelo menos no hemisfério que habitamos.
A REVOLUÇÃO ESPÍRITA de Paulo Henrique de Figueiredo, evidencia à partida o lúcido reconhecimento das realidades que estiveram na base do maior levantamento político-social e ideológico que sacudiu a Europa, ao fim de muitos séculos de abominável dogmatismo, intolerância, desigualdades e inenarráveis violências institucionais, quase sempre “sacralizadas”.

A REVOLUÇÃO ESPÍRITA que Paulo Henrique de Figueiredo nos apresenta possui, porém, potencial transformador muito mais vasto, pode dizer-se, universal, porque reside na consciência; procede pelo raciocínio, pelo sentido de liberdade e pelo mais absoluto respeito pela paz e pela elevação moral.

Intelectualmente pode abarcar a antiguidade e a seriedade das mesmas razões que fundamentaram a Revolução Francesa. Surgem deste modo, aglutinando muitas outras, as referências ao pensamento inspirador de Jean-Jacques Rousseau e ao seu desenvolvimento filosófico levado a cabo por Immanuel Kant.
Segue-se, no encadeado complexo de muitas razões e acontecimentos (entre elas o avanço científico proposto por Franz Anton Mesmer) a tarefa de metodização efetuada por Allan Kardec de conhecimentos excecionais, embora radicados na antiguidade do Homem, e que o relacionam com a transcendência, a sua origem e o seu destino.
Uma Revolução faz pensar na outra. Não são iguais nem parecidas, nem nas suas motivações fundamentais, nem nos processos utilizados e muito menos nos objetivos alcançáveis.
Uma faz pensar na outra porque ambas permanecem dificílimas de concretizar, e porque oferecem a perspetiva de mudanças radicais. Mas a Revolução Espírita, no âmbito e na projeção dos seus objetivos é muitíssimo mais vasta, profunda e intemporal.
O desenvolvimento da sociedade humana é de uma complexidade trágica. Mas é o único caminho inevitável e indispensável, porque vai ordenando lentamente as vontades e as atitudes individuais e coletivas em direção ao grande e necessário Progresso.
Haja a coragem para estudá-las a ambas, na íntegra seriedade das suas causas e consequências.

Quanto à que chamaremos nossa, a REVOLUÇÃO ESPÍRITA, a ser conduzida em PAZ, progresso intelectual e elevação moral será certamente – neste Terceiro Milénio – a grande – a SUPERIOR transformação de toda a HUMANIDADE!…

Para ter acesso ao ficheiro PDF com a totalidade dos artigos acima referida,
é favor clicar neste “link”:

REVOLUÇÃO ESPÍRITA, de Paulo Henrique de Figueiredo

 

O UMBRAL, sucedâneo do INFERNO, desmistificado pelo ensino dos Espíritos

O elemento principal deste artigo é a entrevista dada a respeito do tema em título por Paulo Henrique de Figueiredo, à TV Mundo Maior, cuja transcrição integral se encontra mais abaixo.

Como elemento bibliográfico de muito interesse é anexado um PDF que foi feito a partir de um artigo da Drª Maria das Graças Cabral de 9 de Outubro de 2011, devidamente referenciado, sobre o mesmo tema, com consultas efectuadas nas obras de Alan Kardec e considerandos da autora.>

Cena pertencente ao filme brasileiro “Nosso Lar” dirigido por Walter de Assis baseado no livro do mesmo nome, psicografado por Francisco de Paula Cândido Xavier, e que documenta visualmente o suposto “umbral”, aqui discutido.

Uma das ferramentas das doutrinas dogmáticas para amedrontarem as pessoas, mantendo-as prisioneiras do medo do futuro e obrigando-as a obedecer inflexivelmente aos seus mandamentos sacramentais, foi terem inventado o Inferno, ideia completamente inclassificável numa base minimamente racional.
Como poderia uma entidade criadora de seres naturalmente vulneráveis e tantas vezes desprovidos de recursos para enfrentarem as dificuldades naturais do mundo e da vida, estabelecer regras tão cruéis e que conduzissem tais seres aos sofrimentos eternos?

Uns ricos e poderosos, outros pobres e desvalidos, uns saudáveis e corajosos outros fracos e doentes, todos ameaçados desde o nascimento ao risco eminente (sobretudo para aqueles que morrem com poucos anos, ou meses, ou dias de vida!…) todos, sem apelo nem agravo, sujeitos obrigatoriamente à obediência sacramental de permanentes imposições incompreensíveis e de rigores implacáveis das condenações aos sofrimentos mais horríveis, por todos os séculos dos séculos!…
Quem domina os mecanismos dessas obrigações litúrgicas e sacramentais, em proveito próprio, mantendo os cidadãos mais humildes durante toda a vida, à beira do precipício de julgamentos tão infernalmente intolerantes?
Todos sabemos do que estou a falar, a cultura de milhares de milhões de pessoas em todo o mundo permanece prisioneira desse género de perspetivas, seja qual for a denominação religiosa que continua a alimentar e explorar – repito, em proveito próprio – tais abominações sem nome!…

E então o espiritismo que diferença faz se também nos ameaça com o UMBRAL?

O dia a dia de grande quantidade de frequentadores de centros espíritas está habituado ao elevado nível de teorias penalizadoras, da ideias do “carma”, que não pertence de todo ao vocabulário espírita e cuja lógica é absolutamente alheia à cultura respetiva, já para não falarmos de cenas alucinantes de filmes e vídeos “espíritas” que “mostram” cenários alucinantes povoados por fantasmas andrajosos nos “umbralinos” vales dos suicidas!….

A COMPLETA DESMISTIFICAÇÃO da ideia do UMBRAL, pela palavra de Paulo Henrique de Figueiredo

O artigo de hoje de “espiritismo cultura” apresenta a transcrição (o mais fiel possível) de uma palestra já não muito recente de Paulo Henrique de Figueiredo que, coerentemente com pontos de vista plenamente fundamentados já abordados aqui (ver A Revolução Espírita – A teoria esquecida de Allan Kardec, de Paulo Henrique de Figueiredo), clarifica de forma resumida e inexistência no mundo espiritual de lugares reservados para coletivos de Espíritos, seja qual for o seu nível de evolução e, muito menos, a prevalência de sistemas punitivos sistematizados e muito menos dogmaticamente fechados.

A responsabilidade espiritual das pessoas tem carácter individual, e depende unicamente da sua autodeterminação em liberdade e do nível de afirmação da sua consciência moral.
De resto, está ao alcance de todos a adoção de atitudes construtivas e de evoluções positivas.
A todos é acessível o auxílio, através do conselho e da solidariedade dos bons Espíritos que, libertos do orgulho, podemos e devemos solicitar a todo o momento e seja qual for a nossa circunstância específica.

UMBRAL VISÃO ESPÍRITA/ TV mundo maior

Olá amigos da TVMUNDO MAIOR!
Muitas das histórias que ouvimos a respeito do UMBRAL relatam um local de dor e sofrimento. Para falar sobre este assunto e esclarecer alguns pontos nós vamos receber o pesquisador e escritor espírita Paulo Henrique de Figeiredo.

 ELEN ARÇA
̶  Paulo seja bem vindo!
Paulo Henrique de Figueiredo:
̶  Eu é que agradeço o convite!
O que é o UMBRAL para o espiritismo?
̶  A grande maioria dos espíritas que participa no movimento espírita foram educados nas religiões cristãs, protestantes e, na maioria, católicos.
Há uma tradição do entendimento do que ocorre na espiritualidade, desde as religiões antigas, de uma semelhança entre o que se vive neste mundo e o que acontece no outro. Um exemplo disso é o que acontece após o julgamento final.  A ideia é que os bons vão viver no paraíso e usufruir do prazer. E os maus vão viver no sofrimento. Mas o sofrimento que se imagina é um sofrimento físico.
Na Índia por exemplo, eram concebidos dois infernos, o inferno quente e o inferno gelado, da neve, do sofrimento do frio. O que se tornou clássico na Grécia e na tradição cristã foi o inferno quente.

O espiritismo traz uma inovação ao explicar o que é o mundo espiritual que não tem paralelo nas metafísicas anteriores a ele. E o espiritismo é muito recente, tem apenas 160 anos.

Então, compreender bem o que o espiritismo explica não é muito corrente.
As pessoas normalmente associam o entendimento das descrições, por exemplo, lendo em André Luís a descrição do “umbral”. Imaginam a vivência lá equivalente à que existe aqui no mundo material. Ou seja, um lugar onde se sente muito sofrimento. Seria um paralelo relativo ao inferno.
A questão é que os Espíritos, na obra de Kardec, demonstram que o mundo espiritual é muito diferente do que normalmente se imagina. No mundo material estamos determinados pelo ambiente em que nos encontramos. Se estivermos num ambiente muito quente, não importa quem seja, vai sofrer com o calor. Dos simples aos inteligentes, o bandido ou um santo, vão sentir muito calor, porque no mundo físico o organismo é igual para todos.
Quando formos para o mundo espiritual, as pessoas não percebem que o nosso corpo espiritual, num grau de evolução mediano, tem aparência equivalente à vivência que temos aqui. Muitas das pessoas que desencarnam, nem percebem que morreram, quando regressam ao mundo espiritual!…

A realidade do mundo espiritual é determinada pelo seguinte facto: O que se pensa e se sente altera as condições físicas do corpo espiritual, do perispírito.
Exemplificando: quando mais ligado às questões deste mundo, quanto mais ligado aos instintos, às paixões, às emoções, mais denso fica o perispírito, mais pesado.
E quanto menos apegado, mais desprendido, menos denso e mais leve ficará o seu perispírito.
A densidade do perispírito é que determina a localização do mundo espiritual a que vai estar associado, o nível de sintonia a que o seu perispírito está situado.
A associação que você fez do mundo espiritual com a ideia do inferno, corresponde à ideia de que quem comete erros, vai ser julgado e colocado num local de sofrimento.
O que o espiritismo veio ensinar-nos é de que o local onde estamos ambientados depende do que pensamos e sentimos.
Portanto, quando as pessoas morrem, vítimas de apegos, remorsos, desejos de vingança, sentimentos desses aproximam-nos da condição animal. No mundo espiritual a consequência disso é ter um corpo espiritual denso, pesado.
Esse corpo espiritual mais denso e pesado vai situar-se num ambiente com outras pessoas que se encontram nas mesmas condições.

Muito diferente da ideia do inferno, que é um lugar sem saída, o verdadeiro mundo espiritual como explica o espiritismo é formado por níveis diferenciados – onde se entra e de onde se sai – pela livre escolha de cada um.
Quem muda o seu padrão de pensamento, modifica o nível de sintonia com aquele lugar.
Muitas pessoas que desencarnam, regressando ao mundo espiritual, não têm uma noção do mundo em que se encontram, passam a viver do mesmo modo que viviam no mundo material. Procuram as mesmas coisas e mantêm os mesmos hábitos, as mesmas emoções e o mesmo medo, procurando satisfazer as mesmas necessidades.
Quanto mais medo tiver, mais denso e pesado se torna. Sem modificar essas tendências essas características as entidades espirituais não percebem que estar ali é uma decisão deles mesmo.

Conclusão: no mundo espiritual não existem lugares determinados por Deus para alojar este ou aquele Espírito. Não há nenhum castigo pré-determinado ou condição de sofrimento que seja imposta. Tudo é fundamentado no conceito de liberdade. Cada um vai para onde quer e fica onde quer. E essa decisão é tomada em função do seu padrão de pensamento e sentimento.

E nós encarnados, em sonhos ou desdobramentos, podemos entrar nessas zonas mais densas?

̶  Veja bem: o que significa estar encarnado? Significa que antes de nascermos, estávamos no mundo espiritual. E ligámo-nos à primeira célula que representou o surgimento do nosso corpo físico. Quando as células se vão multiplicando o ser vai-se ligando a cada uma delas, até ao momento que está ligado ao embrião, e depois, quando a criança nasce, a sua consciência como espírito passa a ser determinada pelo cérebro. Passa a pensar pelo cérebro. No momento, os que estamos a conversar aqui e os que nos estão escutando, encontramo-nos na condição de pessoas que pensam pelo corpo. Isso não significa, porém, que não estejamos presentes no mundo espiritual.
Como a nossa consciência está no corpo é como se o nosso perispírito ficasse ligado a ele, mais ou menos na mesma localização. Se vamos dormir, ou no caso do desdobramento como na pergunta que me fez, o corpo dorme, a consciência desliga-se do nosso cérebro e passamos a pensar com o corpo espiritual, com perispírito.
Estando de posse desse perispírito, onde estaremos? Estaremos num ambiente com o qual estivermos em sintonia.
Enquanto encarnados, nós já temos um ambiente espiritual determinado pelos nossos padrões de pensamento.
Há pessoas que ficam preocupadas e que me perguntam:

Para onde vamos depois da morte?

̶  Eu respondo-lhes que a pergunta que me fazem não devia ser essa. Deveriam perguntar-me onde é que estão nesse mesmo momento, agora. Porque onde estamos agora é exatamente aí onde vamos estar depois da morte.
Como espírita, a melhor maneira de entender o espiritismo é reconhecermos que somos espíritos, nós somos espíritos!…
As consequências dos nossos atos, portanto, não são futuras, são imediatas. Todas as decisões que tomamos no nosso quotidiano, elas devem estar voltadas para termos controle das nossas emoções, não é não termos emoções, porque o nosso corpo necessita delas. Necessitamos de medo, de raiva, precisamos de ter fome, necessitamos dos prazeres, tudo isso está ligado à sobrevivência do organismo.
A nossa capacidade, como espíritos conscientes é fazer uso de todas essas emoções e sentimentos e paixões nos limites do necessário.
Se morreu alguém, ficamos tristes com esse facto, e experimentar essa tristeza é extremamente natural, mas isso tem de ir-se extinguindo e recuperarmos esses factos como lembranças do passado.
Ficar a viver essas penas permanentemente no futuro, é uma coisa que não devemos fazer.
Em paralelo podemos observar o comportamento dos animais, que vivem as emoções nas circunstâncias, mas não guardam a lembrança das circunstâncias passadas, nem ficam projetando um futuro ruim.
O Homem, nessas condições, ganha a liberdade e tem que aprender que fazer uso dela, mantendo o equilíbrio, é a grande saída para a saúde, para o bem estar e para a felicidade.

E quanto aos espíritos desencarnados que se encontram num estado mais evoluído, conseguem transitar para essas regiões, passam por alguma orientação? Como se passa isso?

̶  Imagine o seguinte: se você tiver um objetivo determinado, vai onde for necessário para alcançá-lo! Imaginemos que está a fazer certa prova, de corrida de bicicleta, ou de esforço extremo em que tem que rastejar na lama, atravessar o mato. Se esse for um objetivo determinado e que vai terminar em breve, mas que é necessário para conquistar algo, isso deixa de ser um sofrimento.
Os bons espíritos, contrariamente ao que certas pessoas imaginam, não ficam como se fosse num céu, muito contentes por estarem num lugar bom.
Os bons espíritos vão onde podem ser úteis!
Têm por isso a capacidade de alterar a densidade do seu organismo, e essa alteração de densidade não representa de forma nenhuma uma situação de mal estar. Fazem isso com a intenção de estarem próximos daqueles que vão ajudar.
Se estiverem invisíveis podem inspirar alguém, mas se forem surgir a um outro espírito em estado de igualdade, conseguem ser muito mais tocantes na sua mensagem e no seu conselho.
Os bons espíritos, portanto, em muitos momentos das suas missões, passeiam pelo mundo espiritual do mais denso para menos denso, sempre tentando levar a sua mensagem, o seu entendimento. Fazendo com que os espíritos que estão ali despertem.
O que eles não podem é agir pelo outro. Se alguém estiver, portanto, no mundo espiritual, passando por uma situação de dificuldade, o espírito bom pode aproximar-se e sugerir que o outro mude o seu modo de pensar, que seja otimista, que peça ajuda.

Porque o que mais dificulta um Espírito no mundo espiritual é o orgulho. É o não pedir ajuda, é o não reconhecer que precisa de recomeçar, e esse é o primeiro passo para a mudança.

É recomendável vibrar ou fazer preces pelos espíritos que se encontram nessas regiões?

̶  Não há a mínima dúvida!
Todos os espíritos vivem num ambiente que se estabelece de tal forma que o que se pensa e sente determina o seu corpo e o ambiente em que ele está. Se tiver alguma ligação afetiva com alguém, seja qual for a condição em que se encontre, o espírito que procura ajudar pode ter acesso à sua mente.
Se pensar em alguém que se foi deste mundo, com tristeza, com pesar excessivo, estaremos a transmitir-lhe angústia.
Se a energia transmitida for otimista, vai dar tudo certo, vai superar, esse é o pensamento que temos que transmitir-lhe.  Porque ao receber esse pensamento, ele vai sentir um impulso, uma força, uma luz que o motivam. A soma dessas motivações mais a vontade dele vai possibilitar-lhe ultrapassar a condição em que se encontra.
Portanto, é sempre útil, estabelecer esses pensamentos, para aqueles que nós conhecemos e também para os que não conhecemos.
Mas sempre numa atitude de otimismo, boa vontade.
Se formos espectadores de uma corrida, e estimularmos com entusiasmo, aplausos e frases de encorajamento aqueles que começam a fraquejar, ajudamo-los a prosseguir. Passa-se o mesmo com os espíritos, sobretudo os que estiverem com dificuldades. Os sentimentos otimistas e estimulantes vão chegar-lhes como um impulso.
A pessoa que transmite essa ajuda é realmente como alguém que também se encontra a competir enfrentando-se a si mesmo naquela prova, tentando superar os seus limites. De resto, todos os bons espíritos já passaram por situações semelhantes!
Enfrentaram as dificuldades e superaram-nas pelo seu próprio esforço. Os que estimulam terceiros têm sempre o argumento principal que é o de poderem dizer que já estiveram numa situação semelhante e conseguiram superá-la.

Muito obrigada Paulo!
̶  Eu é que agradeço!

Cena pertencente ao filme brasileiro “Nosso Lar” dirigido por Walter de Assis baseado no livro do mesmo nome psicografado por Francisco de Paula Cândido Xavier, e que documenta visualmente o suposto “Nosso Lar”, aqui discutido

PDF de um artigo da Drª Maria das Graças Cabral de 9 de Outubro de 2011, devidamente referenciado, sobre o mesmo tema, com consultas efectuadas nas obras de Alan Kardec e considerandos da autora:


+ UMBRAL E NOSSO LAR


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“O Inferno”, painel do retábulo “O Jardim das Delícias”, de Hieronymus Bosch, 1504 (Museu do Prado, Madrid)

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A indesmentível realidade das reencarnações!….

A vida para além da morte está cabalmente provada pela absoluta evidência da vida antes da vida!…


Se observarmos uma qualquer criança pequenina no dia a dia dos seus primeiros meses ou anos de vida, poderemos notar  que revela de forma evidente ter guardada na sua capacidade de ver e de sentir uma vastíssima e complexa memória de percepções e sentimentos baseados em muitas vidas já vividas.


É impossível que a inteligência afectiva, os recursos de ordem prática e todas as variadíssimas reacções  de carácter intelectual objectivo e subjectivo possam ter sido achados e desenvolvidos por acaso, sem memórias muito anteriores ao seu respectivo nascimento.


É evidente que o materialismo dogmático vai poder encontrar razões unicamente materiais e orgânicas para tudo isso…


Onde as coisas podem atingir uma incompreensível e inatingível complexidade é nos casos como o dos meninos  Tsung Tsung, Evan Le, Shinichi Nakamoto, e Anna Lee, tocando Paganini… solista de orquestra! abaixo documentados, por tantas e tão intrincadas razões que não ousamos (nem é preciso…) enumerá-las.

 

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A Universidade de Virgínia, em busca de um novo paradigma

 

 

Fundada em 1967 pelo Dr. Ian Stevenson, a DOPS (Division of Perceptual Studies) da Universidade de Virgínia, em Charlottesville é um grupo universitário de investigação há muito estabelecido, exclusivamente dedicado à análise de fenómenos que desafiam as correntes principais do paradigma materialista ainda dominante quanto à mente e o cérebro, como estruturas ligadas e interdependentes.

Ao contrário, os investigadores da DOPS estão a avançar no estudo dos fenómenos relacionados com a consciência como entidade independente claramente fora do corpo, bem como os fenómenos que revelam directamente a sobrevivência da consciência humana depois da morte física.

Através de estudo cuidadoso, os investigadores do DOPS analisam e documentam os dados empíricos que foram registados quanto às experiências humanas que revelam a sobrevivência da consciência em casos de morte física, aparecendo a mente e o cérebro como diferentes e separados.

“É nossa a esperança de que outros cientistas de mente aberta se aproximem de nós para continuarmos os desafios de um estudo sério, o da natureza da consciência e as suas interacções com o mundo físico.”

O professor Ian Stevenson, fundador do DOPS, (1918 – 2007) que desenvolveu profundos estudos experimentais relacionados com a tese das vidas múltiplas, ou reincarnação.

As investigações da Divisão de Estudos de Perceção (DOPS) da Universidade de Virginia, entre outros, incluem:

  • Investigação dos meninos que, ao redor do mundo, relataram casos de memórias retidas de vidas passadas;
  • Investigação da consciência; casos comprovados de relacionamento da mente separada do corpo;
  • Estudo de imenso número de casos de Experiências de Quase-Morte (EQM, Near Death Experiences, NDE, em inglês), para sistematização científica, mediante entrevistas com os respetivos protagonistas;
  • Estudo de neuro-imagens de casos PSI; etc

O vídeo aqui apresentado desenvolve-se, naturalmente, em língua inglesa. Para melhorar a sua compreensão, sugere-se o uso das legendas, também em inglês, que é possível inserir num dos comandos, do lado direito em baixo. O processo de inserção é automático, por isso, não 100% perfeito.

Neste vídeo, a respeito da VIDA DEPOIS DA MORTE está documentado uma série de depoimentos de 5 professores universitários, sendo moderador um conhecidíssimo escritor e actor, John  Cleese, um dos fundadores do Monty Python, e teve lugar no dia 12 de Abril de 2018 no Paramount Theatre em Charlottesville, com os seguintes participantes:

O professor Bruce Greyson, um dos fundadores do IANDS e professor da UVA. Para melhor esclarecimento consultar:
https://med.virginia.edu/perceptual-studies/dops-staff/bruce-greysons-bio/

O professor James Tucker, continuador de Ian Stevenson:
https://med.virginia.edu/perceptual-studies/dops-staff/jim-tuckers-bio/

Emily Williams Kelly, Ph.D. , UVA, Assistant Professor of Research, Division of Perceptual Studies, Department of Psychiatry and Neurobehavioral Sciences:

Emily Kelly’s Bio

Jennifer Penberthy, Ph.D. , Universidade da Virgínia; ABPP:

Jennifer Penberthy, PhD

Edward Kelly, Ph.D. Professor of Research, Division of Perceptual Studies, Department of Psychiatry and Neurobehavioral Sciences | Universidade de Virgínia;

Ed Kelly’s Bio

 

Alguns exemplos de livros editados pelas entidades acima referidas no âmbito do seu trabalho no DOPS

Terezinha Colle / IPEAK – Reuniões Espíritas Familiares 01 e 02

Aqui se apresentam duas obras de imenso interesse da autoria de TEREZINHA COLLE que tratam do importantíssimo tema das Reuniões Espíritas Familiares da forma como foram desenvolvidas por Allan Kardec, no momento histórico em que fundou o espiritismo.
O tema é muito vasto, vamos por isso dar a palavra à autora dos livros, fazendo uma citação substancial de um capítulo da sua primeira obra, chamando ao fim a Vossa atenção para a segunda.

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4. As vozes do céu – necessitamos delas e as desejamos

Em nossos dias ainda pensa-se que apenas alguns médiuns têm o privilégio de se comunicar com os Espíritos, ou melhor, receber deles “mensagens”. Fala-se que somente se pode conversar com os Espíritos em determinados lugares, tidos por únicos a receber a “proteção do Alto”. Diz- se que as evocações, as instruções solicitadas aos Espíritos superiores “foram importantes no tempo de Kardec” para estruturação do Espiritismo, e que hoje em dia não se tem mais necessidade delas, ou até mesmo que seria perigoso alguém dedicar-se a tal prática.

Para ilustrar o que acabamos de dizer reproduzimos aqui pequenos trechos de orientações dadas por Espíritos, e que notoriamente são contraditórias com os ensinos de Kardec, mas tidas como verdadeiras por boa parte dos espíritas atuais:

“Coibir-se de evocar a presença de determinada entidade, no curso das sessões, aceitando, sem exigência, os ditames da Esfera Superior no que tange ao bem geral. (André Luiz, Conduta Espírita, cap. 11, “No templo”.)
“Abolir a prática da invocação nominal dessa ou daquela entidade, em razão dos inconvenientes e da desnecessidade de tal procedimento em nossos dias, buscando identificar os benfeitores e amigos espirituais pelos objetivos que demonstrem e pelos bens que espalhem.”
(André Luiz, Conduta Espírita, cap. 25, “Perante os mentores espirituais”.)

369 – É aconselhável a evocação direta de determinados Espíritos?
– “Não somos dos que aconselham a evocação direta e pessoal, em caso algum. Se essa evocação é passível de êxito, sua exequilibilidade somente pode ser examinada no plano espiritual. Daí a necessidade de sermos espontâneos, porquanto, no complexo dos fenômenos espiríticos, a solução de muitas incógnitas espera o avanço moral dos aprendizes sinceros da Doutrina. O estudioso bem-intencionado, portanto, deve pedir sem exigir, orar sem reclamar, observar sem pressa, considerando que a esfera espiritual lhe conhece os méritos e retribuirá os seus esforços de acordo com a necessidade de sua posição evolutiva e segundo o merecimento do seu coração.
Podereis objetar que Allan Kardec se interessou pela evocação direta, procedendo a realizações dessa natureza, mas precisamos ponderar, no seu esforço, a tarefa excepcional do Codificador, aliada a necessidade de méritos ainda distantes da esfera de atividade dos aprendizes comuns.”
(Emmanuel, O Consolador, pergunta 369.)

Preferimos, no entanto, nos embasar, quanto a esses pontos, nas próprias instruções de nosso mestre Allan Kardec, espalhadas por diversos lugares de sua obra, inclusive em uma das mais folheadas pelos Espíritas dos nossos dias: “O Evangelho segundo o Espiritismo”.

Vejamos o que escreveu Kardec:

“Esta obra é para uso de todos. Dela podem todos haurir os meios de conformar com a moral do Cristo o respectivo proceder. Aos espíritas oferece aplicações que lhes concernem de modo especial. Graças às comunicações estabelecidas doravante e de maneira permanente entre os homens e o mundo invisível, a lei evangélica, ensinada a todas as nações pelos próprios Espíritos, não será mais letra morta, porque cada um a compreenderá, e será incessantemente solicitado a colocá-la em prática, a conselho de seus guias espirituais.  As instruções dos Espíritos são verdadeiramente as vozes do céu que vêm esclarecer os homens e convidá-los à prática do Evangelho.” [1]

Kardec deixa claro que as comunicações com os Guias espirituais, para fins de instrução, é para ser estabelecida doravante e permanentemente, e por todos aqueles que desejem viver de conformidade com a moral do Cristo e não se julguem autossuficientes para consegui-lo sem o auxílio dos bons Espíritos.
Ainda a esse respeito, encontramos as respostas dadas por Kardec ao interlocutor que ele denominou “O Visitante”, em seu opúsculo intitulado “O que é o Espiritismo?”

O Visitante – Solicito-vos uma última questão. O Espiritismo tem poderosos inimigos; não poderiam eles fazer interditar seu exercício e as sociedades e, por esse meio deter sua propagação?

Allan Kardec – Seria um modo de perder a partida um pouco mais rápido, pois a violência é o argumento daqueles que não têm boas razões. Se o Espiritismo é uma quimera ele cairá por si mesmo, sem que para isso precise tanto esforço; se o perseguem é por que o temem, e só se teme o que é sério. Se é uma realidade, ele está, como eu disse, em a Natureza, e não se revoga uma lei natural com um traço de pena [caneta].
Se as manifestações espíritas fossem privilégio de um homem, não há dúvida que, colocando-se de lado esse homem, se poria um fim às manifestações; infelizmente para os adversários, elas não são um mistério para ninguém; não contém nada de secreto, nada de oculto, tudo se passa às claras; elas estão à disposição de toda gente, e se produzem desde o palácio até a mansarda. Pode-se proibir seu exercício público, mas sabe-se precisamente que não é em público que elas melhor se produzem; é na intimidade; ora, podendo cada pessoa ser médium, quem pode impedir uma família em seu lar, um indivíduo no silêncio do seu gabinete, o prisioneiro em seu cárcere, de obter comunicações com os Espíritos, mesmo nas barbas da polícia e sem que ela saiba?
Admitamos, entretanto, que um governo fosse forte bastante para impedi-las em seu território; impediria também nos territórios vizinhos, no mundo inteiro, pois não há país algum, nos dois hemisférios, onde não haja médiuns?
O Espiritismo, além disso, não tem sua fonte entre os homens; ele é obra dos Espíritos, que não podem ser queimados nem encarcerados. Ele consiste na crença individual, e não nas sociedades que absolutamente não são necessárias. Se se chegasse a destruir todos os livros espíritas, os Espíritos ditariam outros. (…)[2]

[1] O Evangelho segundo o Espiritismo – Introdução – I – Objetivo desta obra.
[2] O que é o Espiritismo?, cap. I – Pequena conferência Espírita – Segundo diálogo – O céptico – Interdição do Espiritismo.

Mediunidade Limitada – Sandro Fontana / Revista Ciência Espírita Março 2016

Sandro Fontana

– REVISTA CIÊNCIA ESPÍRITA – Março 2016 (Ver abaixo)

ESPAÇO DO EDITOR
MEDIUNIDADE NO “CATIVEIRO”

MEDIUNIDADE LIMITADA

Por que será que muitos dos Centros Espiritas brasileiros limitam tanto os médiuns e a mediunidade?

É de conhecimento básico do espiritismo que a mediunidade é seu principal “agente”, ou seja, sem a mediunidade não existiria o espiritismo, principalmente porque a fonte base de informações é proveniente do trabalho beneficente dos médiuns, afinal, são eles quem transmitem a informação proveniente do mundo espiritual.

Também é de conhecimento geral espirita que, “a opinião de um espírito é somente uma opinião”, sendo assim esse pressuposto garante (e entende) que um espírito, ao se comunicar, está passando as informações que lhe são tangíveis baseada nas suas próprias percepções e seu grau evolutivo.

Tanto é assim que Kardec havia elaborado um método que “cruzava” informações de vários médiuns e espíritos para poder chegar a alguma conclusão sobre um assunto ou tema, lembrando que isso nunca foi, e nem deve ser definitivo, como muitos idólatras e dogmáticos pretendem, isso porque a conclusão final ainda é humana e condicionada ao tempo (Era) do observador/pesquisador, que é limitada.

Então, se toda a fonte básica de conhecimento (e ajuda em muitos casos) é proveniente da mediunidade, por que muitos Centros Espíritas limitam o desenvolvimento mediúnico?

A resposta é simples e o atual cenário mundial a que passamos é o mesmo: Excesso de padronização!

Esse “mal ” não atinge somente o espiritismo, mas empresas onde tem se implantando um sistema de padronização e metodologia de processos que parece, em muitos casos, tender a perdermos os propósitos básicos e a essência do que somos ou devemos fazer.

A padronização não é de toda ruim, melhor dizendo, é necessária, mas parece que esta, ao entrar fortemente num meio, passa a sufocar ou aniquilar a razão básica por excesso. Devido a isso, é possível percebermos que o problema não reside na padronização em si, mas sim nas pessoas que as impõe dentro de um grupo.

Na prática, referindo-me ao meio espirita atual (especificamente aos Centros Espíritas confederados e federados), podemos ver um excesso de controles, tanto de médiuns como de âmbito geral, parecendo que os princípios básicos tem ficado de lado.

Tal fato parece direcionar o entendimento de que os espíritos e médiuns é que trabalham num Centro Espirita e não que este foi criado para permitir o trabalho dos médiuns e dos mentores.

Esse tema vem sendo discutido em diversos grupos e, dias atrás, foi tema num grupo fechado sobre espiritismo.

Quem defende a ideia do controle, argumenta a necessidade e responsabilidade que as entidades possuem perante a sociedade e a Doutrina (dentro de um entendimento restrito do grupo), por outro lado, temos os que defendem maior liberdade aos médiuns e aos trabalhos.

Essa liberdade, por exemplo, é a de exercer a mediunidade de forma plena e não controlada como exigem certos CEs.

Médiuns reclamam de não ser permitido ficarem inconscientes durante as sessões, ou de terem que atuar conforme rege ou organiza-se o mundo encarnado, ao invés de ouvirem os mentores sobre como deveriam ser feitos os trabalhos.

Independente de ambas as opiniões, o fato é que o espiritismo kardequiano brasileiro tomou um rumo arriscado, onde muitos jovens desistem de atuar e onde muitos médiuns preferem abrirem seus próprios estabelecimentos (ou atuar em suas casas) e dai já passam a serem excluídos e chamados de espiritualistas.

Com isso perdemos todos nós, pois assim surge o preconceito, as separações e deixamos de ser uma grande família onde poderíamos avançar juntos, com um desenvolvimento pleno da mediunidade e, consequentemente, de um aprimoramento no conhecimento e na moralidade mais exata.

Não é incomum eu visitar muitos lugares e encontrar os médiuns ostensivos fora dos CE federados, me pergunto então:

Será que os médiuns que permanecem nos CEs Federados, em sua absoluta maioria, não são ostensivos ou não os permitem serem?

É prudente refletirmos sobre isso.

Sandro Fontana

Revista Ciência Espirita – 2016 – Março

 

PERISPÍRITO – 2

.

A IMPORTÂNCIA FUNDAMENTAL DO PERISPÍRITO

NOTA: este texto é a Nota final nº 72 da nossa tradução de “O Livro dos Espíritos”

Ao ler o conteúdo de “O Livro dos Espíritos” e tudo o que ele nos diz a respeito da evolução dos seres humanos, já ficámos com uma ideia da “concentração de complexidades” que o nosso veículo perispiritual carrega consigo. A ciência atual, oferecendo-nos informações técnico-científicas que a experiência e os factos confirmam, ajuda-nos a construir uma imagem mais compreensível da sua verdadeira natureza e propriedades.

Apresentamos algumas ideias base, ponto de partida para as pesquisas que os leitores desejarem fazer:

  • Texto de Gabriel Delanne, Carlos de Brito Imbassahy, e Reinaldo di Lucia, importantes expoentes de épocas diversas da investigação científica relativa a temas de espiritismo;
  • A seguir ao texto de Carlos de Brito Imbassahy, por fazer parte dos investigadores que ele mesmo refere, fazemos alusão a um notável cientista norte americano, Harold Saxton Burr, que trabalhou em eletrodinâmica biológica e fez investigações acerca dos “campos de vida” (fields of life) e dos “agentes estruturadores”, termos e ideias fundamentais para a compreensão da natureza e funcionamento do perispírito.

Fragmentos de Gabriel Delanne:

 

“…Se realmente existe no homem um segundo corpo, que é o modelo inabalável pelo qual se ordena a matéria carnal, compreende-se que – apesar do turbilhão de matéria que se movimenta no corpo humano – se mantenha em nós o tipo individual que nos caracteriza, no meio das incessantes mutações resultantes da desagregação e da reconstituição de todas as partes do corpo, comparáveis a uma máquina à qual, a cada instante, se mudassem todas as suas partes constituintes. O perispírito é o regulador das funções, o arquiteto que vela pela manutenção do edifício, porque essa tarefa não pode depender essencialmente das atividades cegas da matéria.

Reflitamos sobre:

  • A diversidade dos órgãos que compõem o corpo humano;
  • Os tecidos que servem à construção dos órgãos;
  • A cifra prodigiosa de muitos triliões de células aglomeradas, que formam todos os tecidos;
  • O número colossal de moléculas do protoplasma;
  • E, enfim, a imensa quantidade dos átomos que constituem as moléculas orgânicas.

Achamo-nos em presença de um verdadeiro Universo, tão variado que ultrapassa em complexidade o que a imaginação possa conceber.

A maravilha é a ordem que reina nesses milhares de milhões de ações enredadas.

(…) Se no meio desse turbilhão existe um factor que permanece estável, é lógico que seja ele o organizador ao qual a matéria obedece. Esse factor é o perispírito, visto que é evidente a sua existência durante a vida, como é evidente que existe para além da morte. Os avanços no conhecimento das suas propriedades resultarão preciosíssimos no domínio da Fisiologia e da Medicina.

O que os antigos chamavam a “vis medicatrix naturae” é o mecanismo estável, incorruptível, sempre ativo, que defende o organismo contra as ações mecânicas, físicas, químicas e microbianas às quais está sempre sujeito, e que recompõe a cada instante a integridade do ser vivo quando é afetada.

Numa palavra, o corpo não é somente um aglomerado de células  justapostas: é um todo harmónico cujas partes constituintes têm funções bem definidas, subordinadas ao papel que desempenham no plano geral.

Claude Bernard (1813 – 1878) Fundador da Medicina Experimental

O perispírito é a realização física dessa “ideia diretora”, que o grande cientista CLAUDE BERNARD assinalou como a verdadeira característica da vida. Essa “ideia diretora” é também o “desígnio vital” que cada um de nós realiza e conserva ao longo de toda a sua existência…”

Texto pesquisado e traduzido a partir da obra “Documents pour servir à l’étude de la Réincarnation” (A Reencarnação). Paris: Éditions de la B.P.S, 1927.

Palavras de Carlos de Brito Imbassahy *

Breve citação de um texto visto no site Era do Espírito enviado a Ellio Mollo pelo autor no dia 2 de novembro de 2007; Tema, “O Perispírito ante a Psico-bio-física”

“…o “campo de vida” seria o que Kardec definiu como perispírito e o “agente estruturador” seria, portanto – e por correspondência – o Espírito encarnante.(.,,)

“… o campo pode ser definido como sendo a área física em torno de um agente qualquer sobre a qual sua ação é percebida. Exemplificando: em torno de uma fogueira há uma região em que seu calor é percebido; será, pois, o campo térmico da mesma. O íman é sempre o exemplo ideal porque em sua volta há uma região restrita de atração fora da qual ela não é sentida.”

“. A primeira característica de qualquer campo é a energia atuante e relacionada com o agente estruturador. O campo do imã tem a propriedade de aglutinar limalhas de ferro e níquel dando-lhes uma formação relacionada com o imã, criando imagens conhecidas como “linhas de força” do campo.

Temos aí uma ideia do que Kardec disse ao definir o perispírito como não sendo material, ou melhor, sendo semimaterial, porque teria esta propriedade aglutinadora de reunir a energia cósmica em si como o campo do imã quando atua sobre as aludidas limalhas.

Esta energia cósmica modulada por um agente físico que atua em determinada região em torno do seu agente estruturador é conhecida como sendo um dos estados físicos da energia fundamental. Assim, o conceito de “semimaterial” emitido à época de Kardec satisfaz plenamente às condições de conhecimento da atualidade. O perispírito só tem sentido porque é capaz de agir de forma semelhante, agregando energia cósmica em seu campo para poder atuar sobre as células orgânicas fetais no útero materno, quando no processo encarnatório.

 

  • campo do íman também é formado de energia agregada a ele, sem o que jamais atuaria sobre as limalhas.

Cabe lembrar que, na época de Kardec, não se conhecia a energia. O próprio Newton teria definido a energia cósmica fundamental como sendo um fluido, o FCU. Portanto, naquela época, não sendo material, só poderia ser considerado como “semimaterial”. Entenda-se, pois, desta forma, o conceito em apreciação.”

Propriedades do perispírito

(…) “…Rigorosamente coerente com o que Kardec informa em O Livro dos Médiuns e na Seleta de artigos da Revista Espírita, vamos chegar às seguintes conclusões obtidas pela verificação feita em laboratório com uso de aparelhos espectrográficos capazes de detetar o aludido “campo de vida”:

  • – O perispírito é elaborado pelo Espírito segundo suas necessidades junto ao mundo cósmico em que vá viver;
  • – É um campo quântico de natureza psíquica capaz de estruturar células orgânicas e formar corpos somáticos;
  • – Em decorrência da propriedade anterior, ele detém a condição de transmitir ao corpo dito somático as suas necessidades orgânicas decorrentes da vida que deva ter;
  • – Como tal, comparando-o ao campo de uma fita de gravador, ele pode interferir diretamente no corpo somático modulando-o para que ele se estruture segundo suas necessidades encarnatórias.
  • – No sentido inverso, ele pode gravar tudo o que o encarnante faça durante sua vida terrena, sendo o arquivo temporário das suas reações; dessa forma, nossas atitudes presentes podem se refletir nas vidas futuras e o “assim como fizeres, assim acharás” terá plena justificativa, lembrando que, como numa pilha elétrica, toda energia que emana de um polo volta para o outro, fechando o circuito; caso contrário, ela não circula pelo mesmo.
  • – Sendo transitório, como todo e qualquer campo, decorrente da ação indutora do agente, ele não poderá ser o registro de nossos atos, ou seja, a “memória inconsciente” freudiana, arquivo de todos os nossos atos passados, mas servirá de elo entre nossa vida encarnada e os demais campos e sistemas integrados do Espírito. – Do mesmo modo que um campo de um condutor elétrico se modifica de acordo com a corrente que passe por ele, também o perispírito será modulado pela índole ou variação de sentimentos do Espírito, motivo pelo qual este necessita de um ambiente compatível com a sua evolução para nele se encarnar, a fim de que seu perispírito possa atuar nas suas energias materiais.

O que se pode concluir é que tudo isso foi comentado por Kardec sem que, à sua época, se tivesse noção ou o conhecimento atual relacionado com um campo energético e principalmente, de natureza psíquica.”

* O Engenheiro e professor universitário Carlos de Brito Imbassahy é investigador espírita com formação científica, muito conhecido no universo espírita brasileiro, tem numerosos artigos e livros publicados a respeito do tema de que tratamos aqui. É filho de Carlos Imbassahy (1883-1969), advogado, jornalista e importante individualidade ligada ao espiritismo brasileiro.

 

– A Eletrodinâmica Biológica e a noção dos “campos de vida” e dos “agentes estruturadores” na obra de Harold Saxton Burr (citado em textos da autoria de Carlos de Brito Imbassahy).

Harold Saxton Burr (1889-1973)
cientista norte americano não espírita, não foi o único investigador a ter interesse por estes temas e a estudá-los.

Na linguagem dos homens de ciência é possível afirmar que tudo o que existe, visível ou invisível, obedece ao potencial organizador de “campos de vida”, “agentes estruturadores” ou “FRAMEWORKERS”.

Harold S. Burr foi professor da “Yale University School of Medicine”, na área da neuroanatomia e da eletrodinâmica biológica. As suas principais áreas de estudo foram: “A teoria eletrodinâmica da vida”; “As características elétricas dos sistemas vivos” e “A comprovação da existência de campos eletrodinâmicos nos organismos vivos”.

Há três obras suas bastante marcantes: “A Natureza do Homem e o Significado da Existência”, “Projeto para a Imortalidade” e “Os Campos de Vida, as Nossas Ligações com o Universo”.

Na sua obra “A Natureza do Homem e o Significado da Existência” de 1962, a que tivemos acesso online, conclui de forma muito expressiva, e com argumentos científico-filosóficos, pela existência de DEUS.

Recomendamos vivamente a leitura desta obra, que pode ser consultada online, e descarregada, página a página, pelo menos nos “sites” de duas bibliotecas universitárias dos EUA.

O Perispírito / Uma abordagem do século XX

Reinaldo Di Lucia *

Incluímos esta breve citação do investigador aqui referido, por ser o documento mais recente que conseguimos encontrar, de fonte espírita, com referências científicas, a respeito do perispírito. Com efeito foi publicado no site do Instituto Cultural Kardecista de Santos em 5 de setembro e 10 de outubro de 2016, como atualização de outro artigo do mesmo autor e com o mesmo título, publicado em outubro de 2002 no Caderno Cultural Espírita.

“…Dentre todos os continuadores do pensamento de Allan Kardec, Delanne é o que maior importância atribui ao perispírito. Provavelmente, isto se dá na medida em que é de grande dificuldade para qualquer pessoa adepta ao positivismo, aceitar que o Espírito, este ser imaterial e, para muitos, puramente abstrato, possa ser o princípio de todas as manifestações intelectivas do homem.

Assim, ele vai atribuir ao perispírito uma gama significativa de funções relativas à organização ou mesmo às capacidades inteligentes do ser humano. As principais funções cujas bases são por ele atribuídas ao perispírito são sumariamente descritas abaixo.

Primeiramente, temos a formação do corpo físico. Delanne depara-se com o problema de explicar como o corpo físico pode ser formado com tantos detalhes e reconstruído, com a mesma semelhança, sempre que certas partes são destruídas. Lança mão então da explicação perispiritual:

A força vital por si só não bastaria para explicar a forma característica de todos os indivíduos, e tampouco justificaria a hierarquia sistematizada de todos os órgãos, sua sinergia em função de um esforço comum, visto serem eles, simultaneamente, autónomos e solidários. Neste ponto é que incide o ascendente da intervenção do perispírito, ou seja, de um órgão que possua as leis organogenéticas, mantenedoras da fixidez do organismo, através de constantes mutações moleculares.”

O perispírito é então, em sua opinião, o modelo fluídico, o molde que servirá para construir o corpo físico. Como veremos, esta também é a opinião de Hernâni Guimarães, atualizando o raciocínio a partir de recentes descobertas científicas.

A grande preocupação desse pensador, para atribuir ao perispírito o papel de molde do corpo está na explicação da forma. Enquanto que ele podia perfeitamente admitir uma força vital primária idêntica para todos os seres vivos, desde a planta até o homem, pressupunha que deveria existir uma outra força que diferenciasse as muitas espécies no que tange à sua forma. Essa força seria o perispírito.

Em segundo lugar, Delanne dá ao perispírito um papel psicológico fundamental. Para ele, o perispírito é a base da memória do homem, a qual, por sua vez, é fundamental para a asseguração contínua de sua identidade.

Ele baseia esta opinião sobre a ideia que, mais que qualquer outra célula do corpo humano, as do cérebro são substituídas rapidamente, o que impossibilitaria a manutenção, neste órgão, da memória.

“O cérebro, porém, muda perpetuamente, as células dos seus tecidos são incessantemente agitadas, modificadas, destruídas por sensações vindas do interior e exterior. Mais do que as outras, essas células submetem-se a uma desagregação rápida e, num período assaz curto, são integralmente substituídas.”

Partindo do principio acima descrito, o eminente pensador espírita debita ao perispírito a função da memória, já que esta não poderia ser unicamente do corpo. Em sua tese, qualquer facto guardado pela memória é registrado no perispírito. Quando uma célula cerebral morre, é substituída por outra formada pelo mesmo perispírito, que lhe imprimirá, qual disco gravado por uma matriz, as mesmas impressões que ele próprio guarda. Fica assim resguardada a memória.

Ideias semelhantes a essas são igualmente defendidas por Léon Denis e Gustave Geley, em vários dos seus livros, o que nos dá a impressão que eram bastante difundidas no meio espirita à época – apesar de não terem sido defendidas por Kardec em sua obra.

(•••)

Em resumo, as principais ideias sobre o perispírito expostas por estes eminentes pensadores, e ainda hoje bastante difundidas no movimento espírita são:

O perispírito é um envoltório do espírito, que o acompanha desde a sua criação e, portanto, preexistente ao nascimento e sobrevive à morte do corpo físico. É composto de matéria, porém, em nível diferente daquela a que os encarnados estão acostumados. Kardec afirma ser uma matéria “quintessenciada”, obtida por modificação direta do fluido cósmico (que é a matéria primordial), contendo ainda elementos do princípio vital e mesmo de componentes físicos e eletromagnéticos.

A sua composição energética é tanto mais densa, ou menos subtil, quanto menos evoluído (do ponto de vista intelectual e moral) for o espírito. Com a evolução deste, vai-se tornando mais subtil, ainda que não se saiba ao certo o que isto significa fisicamente, mas sempre acompanha o espírito.

É totalmente sujeito à vontade do espírito, que pode plasmá-lo a seu gosto e dar-lhe a forma que

Serve como elemento de ligação entre o espírito e o corpo físico, uma vez que um e outro não podem interagir diretamente devido à diferença estrutural entre ambos.

É o elemento que possibilita a manutenção de uma forma para o espírito desencarnado e, assim, permite que este possa identificar-se como uma individualidade.

É o princípio fundamental das manifestações mediúnicas, em especial daquelas caracterizadas como efeitos físicos.

É o molde do corpo físico, uma forma que conteria os elementos informacionais que permitiriam a sua formação e a sua manutenção. Esta função também é a única forma de adequar o surgimento da vida à Segunda Lei da Termodinâmica.

É a sede dos sentimentos e das faculdades, notadamente da memória. Por vezes, é apontado como sede da inteligência.

Possui órgãos e células, como o corpo físico. Este, aliás, é uma cópia daquele.

Reinaldo di Lucia *

(Nota curricular provavelmente desatualizada e inexata)

Engenheiro Químico formado pela Faculdade de Engenharia Industrial, FEI, S.Bernardo,SP; professor universitário, com especialização em Qualidade na Fundação Getúlio Vargas, Reinaldo Di Lucia tem formação em MBA executivo em Gestão Empresarial também pela FGV e pós-graduação em Engenharia de Qualidade pela Faculdade de Engenharia Industrial. Reinaldo di Lucia, da cidade de Santos, Brasil, é membro do Centro                  de Pesquisa    e Documentação Espírita- CPDoc e colunista do Jornal Abertura, mantido pelo Instituto Cultural Kardecista de Santos-ICKS, em que trata de assuntos  contemporâneos sob a ótica progressista do espiritismo.

 

Este artigo está disponível em formato PDF para todos os nossos prezados leitores, aqui:

A IMPORTÂNCIA FUNDAMENTAL DO PERISPÍRITO 02

 

Antigas e modernas visões do mundo

Esta é a continuação do trabalho iniciado há dias, de publicação de um conjunto de estudos de divulgação dos diversos capítulos de A Génese de Allan Kardec, para estimular o interesse nessa importantíssima obra, recentemente envolvida em problematizações complexas, que também iremos abordar, depois de publicada toda a série destes PowerPoints.

De autoria de uma grande amiga e colaboradora deste blogue, que construiu este interessante conjunto de trabalhos, para divulgação num numa sala de estudos da nossa terra.

Nesta semana trazemos aos nossos leitores o
Capitulo V – Antigas e modernas visões do mundo

O PowerPoint respectivo pode ser descarregado no link abaixo inserido:

A Génese Cap V Antigas e modernas
visões do mundo

O papel da Ciência na Génese

 

 

Uma aplicada colaboradora de “espiritismo cultura” tem estado a realizar um importante trabalho pedagógico num activo centro cultural espírita dirigido por pessoas muito dedicadas e competentes, nossas amigas.

Temos o prazer de iniciar essa proveitosa colaboração, que irá prosseguir, com a publicação do Capítulo IV de A Génese de Allan Kardec, que tem por subtítulo “O Papel da Ciência na Génese”.

O PowerPoint respectivo pode ser descarregado no link abaixo inserido:

 

A Génese Cap IV – O papel da Ciência na Génese

 

Publicação de “A Génese” e o Instituto Canuto de Abreu

A FEAL, em Junho de 2018  lançou edição especial de “A Génese” e anunciou o projeto do Instituto Canuto Abreu

Em 8 de Junho de 2018, a capital paulista foi palco de um importante evento espírita promovido pela FEAL – Fundação Espírita André Luiz, com o lançamento de uma edição do livro A Génese de Allan Kardec, que, aliás, está num ano jubilar . Esta publicação da Editora FEAL consagra a campanha de resgate do texto original da obra kardequiana, sendo então traduzida para o nosso português a partir da 1ª edição francesa em alternativa às tradições tradicionais feitas da 5ª edição, que ficou demonstrada, conforme intenso trabalho de pesquisas históricas, ser uma obra adulterada.

O evento contou com a presença da diplomata brasileira e pesquisadora espírita Simoni Privato Goidanich, autora do marcante livro O Legado de Allan Kardec. Na sua exposição, Simoni apresentou um resumo da sua pesquisa na evidenciação da adulteração da obra de Kardec a partir da 5ª edição, de 1872, quando o codificador espírita já tinha desencarnado (31 de março de 1869).

Em seguida, o pesquisador Paulo Henrique de Figueiredo (de São Paulo) discorreu sobre alguns pontos doutrinários atacados nas alterações feitas com a 5ª edição, em prejuízo ao entendimento espírita. Logo após foi a vez do advogado Júlio Nogueira (de Salvador, Bahia) fazer uma leitura técnica sobre a adulteração considerando as normas jurídicas vigentes inerentes aos direitos autorais da obra. E, fechando o ciclo programado da exposição, Marcelo Henrique (Florianópolis, SC), mestre em ciência jurídica, fez palestrou sobre a necessidade de os espíritas tomarem de forma efetiva o legado deixado por Allan Kardec em face do projeto espírita de promover a evolução espiritual da humanidade.

Grande surpresa: projeto Instituto Canuto Abreu
Além do lançamento oficial desta obra histórica, a FEAL fez um anúncio importantíssimo para o Movimento Espírita: o projeto de instauração do Instituto Canuto Abreu, em parceria com familiares herdeiros do emérito médico, advogado e grande pesquisador espírita Canuto Abreu.
Neste espaço será exposto ao público o seu valioso acervo espírita, contando, dentre outras preciosidades, com cartas pessoais e artigos doutrinários originais — muitos dos quais inéditos até então — escritas por Allan Kardec e outros memoráveis colaboradores da primeira geração do Espiritismo, por exemplo, Léon Denis e Gabriel Delanne.
Os participantes do evento da FEAL também tiveram a satisfação de conferir uma pequena amostra do acervo do Dr. Canuto: livros raros, manuscritos de Kardec e Léon Denis, além de algumas fotografias forma exibidas a todos.
Amostra do acervo do Instituto Canuto de Abreu
Essa novidade foi uma surpresa e nos encheu de alegria com a possibilidade de resgatar verdadeiros tesouros históricos e doutrinários do Espiritismo que foram salvos pelo Dr. Canuto Abreu. O material do Instituto, que é de milhares de peças, está sendo catalogado e a promessa é a de que todo o seu conteúdo será disponibilizado ao público.
É FAVOR  CLICAR NA IMAGEM PARA DESCARREGAR PDF

João Donha – Espiritismo / 9 anos / 88 reflexões importantes

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Sem comentários, recomenda-se visita e leitura atenta

Diz-nos João Donha, com toda a razão de sempre:
O inusitado dos blogs é que, tal como nos mangás, os primeiros textos que vemos são, na verdade, os últimos. Assim, quem quiser acompanhar o pensamento do bloguero na sequência em que surgiu, deve começar pelo fim, para encontrar o início.

PERISPÍRITO – 1

Para disporem de melhores condições
de visualização deste primeiro artigo
a respeito do PERISPÍRITO
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O PERISPÍRITO – 1.

O Homem de Vitrúvio, LEONARDO DA VINCI 1490

Ser espírita em Portugal

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fragmento de um painel de azulejos /CB 2005

O presente artigo tem texto do nosso prezado amigo Francisco Alves que, de forma metódica, reuniu na sua presença internautico-cultural  ESPIRITISMO, A RAZÃO FACE A FACE, um conjunto de valiosos depoimentos e referèncias históricas ao mesmo assunto que tanto nos preocupa por altura de mais uma edição da nossa tradução para português de Portugal do importantíssimo trabalho de Allan Kardec “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”.
A insistente revisitação dessa obra e de muitos outros textos de Allan Kardec que o trabalho da traduçáo nos suscitou, levaram-nos a considerar a mensagem do Livro e da forma como tem sido entendida e divulgada.
A inequívoca importancia do trabalho de Franciscio Alves, cuja autorização de publicação muito agradecemos, justifica uma detalhada referência e já de há muito é divulgado à direita desta nossa página, como 

SER ESPÍRITA EM PORTUGAL – palavras muito sérias acerca do espiritismo que nos vem do BRASIL.
Para cuja leitura convidamos todos os nossos visitantes.

JCB/MCB .

ESTE TRABALHO É DESTINADO AOS PORTUGUESES QUE SE ENTREGAM A UM ESPIRITISMO TOTALMENTE CONFIGURADO NO BRASIL, SEM TEREM A MÍNIMA IDEIA DO ITINERÁRIO HISTÓRICO QUE A DOUTRINA ALI PERCORREU E QUAIS AS TRANSFORMAÇÕES PORQUE PASSOU.

A intenção deste trabalho é a de abrir janelas sobre esse fenómeno, dando prioridade às opiniões que em Portugal não têm sido ouvidas.
As estruturas federativas pretendem dar uma imagem de unanimidade pacífica e de concordâncias inexistentes. Quem perde é a mensagem dos Espíritos como nos foi legada por Allan Kardec, que a todos serve com nobreza e legitimidade.
As contradições desse processo, acarretam inconvenientes graves para a grande cultura espirita que esclarece as principais questões da vida e da morte, apontando-nos o caminho seguro para uma evolução sem limites.

Os espíritas brasileiros, muito embora sejam uma minoria fragmentada em várias tendências, representam um universo muito rico. Pode lá ir buscar-se o espiritismo que melhor nos sirva, mais aproximado ou mais afastado da mensagem de Allan Kardec.
O MEIO ESPÍRITA PORTUGUÊS DOS CENTROS FEDERADOS VIVE COMPLETAMENTE SOB TUTELA DA FEB – FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA, pelo que tenho recomendado aos interessados que se aproximem da doutrina de forma cultural, pelos seus próprios meios – de preferência lendo e estudando o mais possível metodicamente toda a obra de Allan Kardec.

Nada perdem com isso, sendo muito fácil observar que nos centros espíritas em Portugal, a prática do diálogo aberto é quase nula, falam sempre os mesmos e dizem sempre o mesmo.
QUANTO AO ROUSTAINGUISMO OFICIAL E ESTATUTÁRIO DA FEB-Federação Espírita Brasileira, ninguém lhe falará nisso!…

ATENÇÂO, porque aqui vai divulgar-se amplamente o que muitos dos nossos bons amigos brasileiros – grandes e cultíssimos estudiosos da causa espírita – sabem e esclarecem a esse respeito num clima aberto de diálogo racional e anti-dogmático!…

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allan_kardec

Hipólito Leão Denizard Rivail, fundador da doutrina científico-filosófica com objectivos morais, chamada espiritismo, termo por ele criado em 1857, no momento em que publicou o livro fundamental da doutrina dos Espíritos, isto é: “O Livro dos Espíritos” que assinou sob o pseudónimo de Allan Kardec.

 


 

 

 

 

O “roustainguismo” afinal existe ou não em Portugal?…

Esta é a dificuldade principal dado que o “roustainguismo” em Portugal não corre à superfície.
ESTÁ OCULTO DEBAIXO DAS PRÁTICAS QUE SE FORAM APODERANDO DE PRATICAMENTE TODAS AS CASAS ESPÍRITAS FEDERADAS.
Uma explicação completa deste tema é difícil de fazer exactamente por causa dessa ocultação enganosa.

Nenhum dirigente espírita em Portugal vos dirá que é adepto do roustainguismo e muito menos apresentará sequer o assunto. Um pouco envergonhadamente, quer a teoria quer a prática dessa escola de actuação e pensamento, lá vai passando na prática diária, sem timidez.
É NA PRATICA CONCRETA DE TODOS OS DIAS E DE TODAS AS ACTIVIDADES que essa tendência se exercita da forma mais evidente.

A desvalorização progressiva de obra de ALLAN KARDEC

Como é sabido de todas as pessoas que se dedicam ao estudo destes temas, a origem mais nítida e a consequência mais séria deste fenómeno é a SUBALTERNIZAÇÃO, A INDIFERENÇA E O EMPOBRECIMENTO DO ESTUDO ACTIVO DA OBRA DE ALLAN KARDEC.
Nunca ninguém fez uma estatística séria das pessoas “espíritas” que nunca leram os cinco livros principais que constituem o núcleo essencial da cultura espírita, e julgo até que uma grande maioria dos que se consideram espíritas nunca leram sequer, de modo atento e metódico, “O Livro dos Espíritos”.
Fazendo a pergunta às avessas, para não ser tão contundente, gostaria de saber, ainda que aproximadamente, qual a percentagem dos dirigentes espíritas mesmo, que ainda não teve tempo para ler e reflectir convenientemente sobre toda a obra de Kardec?!…
Donde, a aceitação sem critério das mil e uma penetrações esotéricas que fazem parte integrante do dia a dia das palestras dos centros espíritas em Portugal, com a integração de vocabulários completamente alheios à cultura espírita propriamente dita, QUE CONSTITUI UM SISTEMA CIENTÍFICO-FILOSÓFICO, com objetivos morais, ESTRUTURADO COM A MÁXIMA SERIEDADE na obra de ALLAN KARDEC, nos seus cinco livros principais e enriquecido e documentado largamente noutras obras de sua autoria, sem esquecer as seis mil páginas publicadas durante onze anos na REVISTA ESPÍRITA.
Os grupos esotéricos que proliferam por todo o mundo, já para não falar nas igrejas organizadas e poderosíssimas do cristianismo dogmático, cujo vocabulário é cada vez mais abundantemente utilizado pelos palestrantes e dirigentes espíritas, não tem perante o espiritismo a mesma atitude permissiva e laxista.
Experimentem os espíritas que me lêem, se o não fizeram já, dialogar com católicos, evangélicos ou qualquer membro dos inúmeros grupos espiritualistas, frequentemente muito mais fortes e bem organizados que o desarticulado meio espírita, e saberão com desconforto e desagrado do que estou a falar, concluindo pelo seu explícito anti-espiritismo.
A respeito de algumas destas organizações religiosas, poderosíssimas e globalmente influentes, lancemos quanto mais não seja um breve olhar à História da Humanidade, observemos as abomináveis consequências da sua atitude perante povos e continentes inteiros, e isto inclui de forma evidentemente clara toda a América Latina!…


•    Um dos sintomas mais claros da invasão silenciosa da influência roustainguista nos meios espíritas, é a prática constante da CRISTOLATRIA, com laivos crescentes de DOGMATISMO, em tudo paralelos ao que se verificou, de há muitos séculos, com as doutrinas dogmáticasbaseadas navisão distorcida dos ensinamentos de JESUS DE NAZARÉ que nada tem a ver com Jesus, o Cristo (o “ungido”, ou filho unigénito de Deus!…).

•    A Cristolatria deriva directamente das concepções da sacralização de Jesus, ao qual se fazem as orações nos centros espíritas, no princípio, no meio e no fim das sessões e palestras.

•    O espiritismo é monoteísta e baseia-se na existência de uma inteligência suprema criadora de todas as coisas, a que chamamos DEUS. A chamada santíssima trindade foi inventada há mil e setecentos anos pelas igrejas dogmáticas, seguindo interesses políticos bem caracterizados e nada religiosos, que desvalorizaram Jesus de Nazaré e os seus ensinamentos. Até lhe trocaram o nome passando a chamar-lhe CRISTO, adjectivo que não é nome, mas que serviu para a sua sacralização e consequente instrumentalização político-institucional.

Além disso observa-se nos centros federados:

•    a prática enraizada de ritualismos vários, como a “água fluidificada” o “passe padronizado”, etc. – coisas ausentes do ensino dos Espíritos, longe da pureza inicial do passe pela imposição das mãos, como fez Jesus;

•    o formalismo da igreja confidencial, esotérica e ocultista com catecismo, clero informalmente muito bem organizado (a falta de diálogo impera e limita o conhecimento da cultura espírita).

• Nos centros espíritas a palavra é reservada apenas aos concordantes incondicionais, aos dirigentes da casa, e aos “convidados especiais”, muitos deles brasileiros;

•  Na aceitação vulgarizada de dados culturais exóticos que nada têm a ver com o espiritismo; os orientalismos e sincretismos de vária ordem, de origem espiritualista, teosófica e esotérica etc. donde a grande variedade de termos esquisitos alheios à cultura espírita;

•    e em muitas atitudes interiores que não enganam porque têm a marca influente de quem as criou e desenvolveu, sem que tenham a ver – nem muito nem pouco – com essa outra cultura a que podem chamar os que a amam e respeitam: o espiritismo.

Caros espíritas portugueses,

O estudo da doutrina espírita pode perfeitamente fazer-se de forma individual e independente, de acordo com a sensibilidade de cada um.
O autor deste trabalho tem sido sempre muito interessado a respeito do espiritismo, que tem estudado de forma independente, na versão racional e aberta, científico-filosófica e com profundos objectivos morais, tal como foi organizada em meados do século XIX por Hippolyte Léon Denizard Rivail, aliás Allan Kardec.
Na internet não faltam elementos para estudar o espiritismo da vertente que mais nos agradar e para os interessados haverá sempre um amigo com quem dialogar, estando o autor deste trabalho permanentemente disponível para estabelecer o diálogo, registar ideias, sugestões ou críticas e responder às questões que lhe forem remetidas, pelos comentários ou pelo e.mail desta página: luzycor@sapo.pt

É fundamental que se entenda que os livros genuínos da cultura espírita, não são só para ler, mas para estudar com toda a atenção.

Quanto as esta publicação só ganhará a devida expressão com a necessária continuidade e com a participação dos visitantes. Para esse efeito solicito o seguimento e a leitura atenta dos visitantes deespírito aberto, dialogante e anti-dogmático.

Os textos que aqui vão aparecer reúnem estudos de investigadores espíritas brasileiros DO MÁXIMO VALOR que têm, ao longo de muitos anos, feito a crítica corajosa  de um estado de coisas muito complicado de desmontar, repleto de ocultações sem nome e distorções lamentáveis.
O objectivo é defender uma cultura essencial para viver a vida com serenidade de consciência, confiança e optimismo.
O Espiritismo é uma  visão essencialmente positiva e optimista das origens e do destino da humanidade, no contexto da mais surpreendente realidade, que nos é oferecida a todo o instante no maravilhoso Universo que nos rodeia, fruto sem limites nem fronteiras do magnânimo e  imperturbável pensamento de Deus.

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JOSÉ PASSINI, crítica de “Os Quatro Evangelhos” de J.B. Roustaing

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José Passini (foto) é natural de Nova Itapirema, interior de São Paulo, mas reside há muito tempo na cidade mineira de Juiz de Fora. Espírita desde a infância, Passini considera a Doutrina codificada por Kardec como uma bússola em sua vida, assim como ele mesmo diz. Segundo ele, o Espiritismo pode ser comparado a um farol que ilumina seus caminhos. “Ele me faz assumir, cada vez mais, a minha condição de espírito imortal, temporariamente encarnado, isto é, consciencializando-me da minha cidadania espiritual.” Esperantista conhecido internacionalmente, Passini foi reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora. Doutor em Linguística, seu extenso currículo revela a ocupação de diversos cargos em casas espíritas.

CRÍTICA LITERÁRIA

Os Quatro Evangelhos

 

Autor: Diversos Espíritos / J.B. Roustaing
Médium: Emile Collignon
Editora: Federação Espírita Brasileira
Número de Páginas: (4 volumes)
Análise de José Passini


O Espiritismo, na sua condição de Cristianismo redivivo, não poderia deixar de receber os ataques das forças contrárias ao esclarecimento e libertação do espírito humano. Embora pareça ironia, o volume e a intensidade dos ataques constituem um verdadeiro atestado da legitimidade do Consolador.

A primeira, e talvez a mais forte das investidas, foi a publicação da obra de J. B. Roustaing, conhecida, em língua portuguesa como “Os Quatro Evangelhos”.

Na obra “Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho”, Roustaing é citado como pertencente à equipe de Kardec. Há aqueles que contestam a autenticidade de tal afirmativa. Entretanto, sabe-se que todo missionário que vem à Terra traz consigo uma equipe, constituída de Espíritos, trabalhadores de boa vontade, mas sujeitos a falhas. Zamenhof veio à Terra com um grupo de Espíritos, para a implantação do Esperanto. Dentro dessa equipe, houve um Espírito que falhou, traindo mesmo o grande Missionário, a ponto de ser chamado Judas por alguns biógrafos exaltados.
E Roustaing, embora tenha reencarnado com tarefa definida junto à obra de Kardec, desejou produzir obra própria, tornando-se presa fácil de fascinação. Esse não foi o primeiro, nem o último caso na Humanidade da falência de um Espírito pertencente a um grupo de trabalho. Judas, da equipe de Jesus, falhou redondamente.

Os quatro volumes de “Os Quatro Evangelhos” de J.B. Roustaing  constituem obra fantasiosa, repetitiva, que pretendeu dar nova versão à tese da virgindade de Maria, através de uma pseudo-gravidez, que teria culminado no aparecimento de um bébé fluídico, surgido de um parto fictício, de uma lactação aparente, de um desenvolvimento físico falso e de uma desencarnação enganosa.

Entretanto, não é a tese do corpo fluídico o ponto mais grave da obra. Há afirmativas que contrariam frontalmente as bases doutrinárias do Espiritismo. Vejamos algumas, dentre muitas:

Evolução do Espírito:

Com Kardec, aprende-se que o princípio inteligente percorre, durante milénios incontáveis, as trilhas da evolução, antes de atingir o estágio de humanidade. Aprende-se que a consciência moral que caracteriza o ser humano, libertando-o gradualmente do jugo dos instintos, desabrocha lentamente, revelando a perfeição imanente no Ser:

Pergunta 607 a, de “O Livro dos Espíritos” :

– Já dissemos que tudo se encadeia na natureza e tende para a unidade. É nesses seres, que estais longe de conhecer inteiramente, que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco, e se prepara para a vida, como dissemos.
É, de certa maneira, um trabalho preparatório como o da germinação, a seguir ao qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. É então que começa para ele o período de humanidade, e com este a consciência do seu futuro, a distinção do bem e do mal e a responsabilidade dos seus atos. Como depois do período da infância vem o da adolescência, depois a juventude, e por fim a idade madura. Aliás, nada há nessa origem que deva humilhar o homem.
Os grandes génios sentem-se humilhados por terem sido fetos informes no ventre materno? Se alguma coisa deve humilhá-los é a sua inferioridade perante Deus e sua impotência para sondar a profundeza dos seus desígnios e a sabedoria das leis que regulam a harmonia do Universo.
Reconhecei a grandeza de Deus nessa admirável harmonia que faz com que tudo seja solidário na natureza. Crer que Deus pudesse ter feito qualquer coisa sem objetivo e criar seres inteligentes sem futuro, seria blasfemar contra a sua bondade que se estende sobre todas as suas criaturas.

Segundo as mensagens registadas por Roustaing, dar-se-ia uma transformação do instinto em inteligência – num determinado momento – levada a efeito por agentes exteriores e não através do próprio processo evolutivo, o que faz pensar numa espécie de fim de curso ou licenciatura espiritual.
Interessante notar, nesse caso, que o Espírito, depois de todas as aquisições individuais retorne ao “todo universal”, onde, certamente, perderia a sua individualidade. Além disso, como teria, um Espírito recém-saído da animalidade ter um perispírito tão subtil a ponto de quase ser invisível aos Espíritos Superiores?

No 1º volume da obra de Roustaing, na página 308 pode ler-se:

Como é que, chegado ao período de preparação para entrar na humanidade, na espiritualidade consciente, o Espírito passa desse estado misto, que o separa do animal e o prepara para a vida espiritual, ao estado de Espírito formado, isto é, de individualidade inteligente, livre e responsável?
“É nesse momento que se prepara a transformação do instinto em inteligência consciente. Suficientemente desenvolvido no estado animal, o Espírito é, de certo modo, restituído ao todo universal, mas em condições especiais é conduzido aos mundos ad hoc, às regiões preparativas, pois que lhe cumpre achar o meio onde elaboram os princípios constitutivos do perispírito.
(…) Aí perde a consciência do seu ser, porquanto a influência da matéria tem que se anular no período da estagnação, e cai num estado a que chamaremos, para que nos possais compreender, letargia.
Durante esse período, o perispírito, destinado a receber o princípio espiritual, se desenvolve, se constitui ao derredor daquela centelha de verdadeira vida. Toma a princípio uma forma indistinta, depois se aperfeiçoa gradualmente como o gérmen no seio materno e passa por todas as fases do desenvolvimento. Quando o invólucro está pronto para contê-lo, o Espírito sai do torpor em que jazia e solta o seu primeiro brado de admiração. Nesse ponto, o perispírito é completamente fluídico, mesmo para nós. Tão pálida é a chama que ele encerra, a essência espiritual da vida, que os nossos sentidos, embora subtilíssimos, dificilmente a distinguem.” : (1º vol., pág. 308).


Segundo a mensagem de Kardec, os Espíritos ensinam que o Espírito emerge lentamente da animalidade, das necessidades materiais, através de sucessivas encarnações, que se constituem em oportunidades absolutamente necessárias ao progresso do Espírito.

O Livro dos Espíritos, pergunta 609:
Tendo entrado no período da humanidade, o Espírito conserva os traços do que havia sido precedentemente, isto é, do estado em que se encontrava no período anterior à humanidade?

– Isso depende da distância que separa os dois períodos e do progresso realizado. Durante algumas gerações pode conservar um reflexo mais ou menos pronunciado do estado primitivo, porque na natureza nada se faz por transição brusca; há sempre elos que ligam as extremidades da cadeia dos seres e dos acontecimentos.
Mas esses vestígios apagam-se com o desenvolvimento do livre arbítrio. Os primeiros progressos realizam-se lentamente, porque não são ainda apoiados pela vontade. Seguem depois uma progressão mais rápida à medida que o Espírito adquire consciência mais perfeita de si mesmo.

Os Espíritos, respondendo a Roustaing, afirmam que o Espírito só volta à vida material por castigo. Se só é humanizado após a primeira falta, depreende-se que a população da Terra é constituída de Espíritos faltosos: (…)

No 1º volume da obra de Roustaing, na página 317 pode lêr-se:
“…para o Espírito formado, que já tem inteligência independente, consciência de suas faculdades, consciência e liberdade dos seus atos, livre-arbítrio e que se encontra no estado de inocência e ignorância, a encarnação, primeiro, em terras primitivas, depois, nos mundos inferiores e superiores, até que haja atingido a perfeição, é uma necessidade e não um castigo?

A encarnação humana não é uma necessidade, é um castigo, já o dissemos. E o castigo não pode preceder a culpa. O Espírito não é humanizado, também já o explicamos, antes que a primeira falta o tenha sujeitado à encarnação humana. Só então ele é preparado, como igualmente já o mostramos, para lhe sofrer as consequências.”


Em Kardec, aprende-se que o progresso do Espírito é irreversível, o que é racional, pois se não houvesse a irreversibilidade do progresso espiritual não haveria segurança nem estabilidade no Universo.

“O Livro dos Espíritos”, pergunta nº 118:
Os Espíritos podem degenerar?
“Não. À medida que avançam, compreendem o que os afastava da perfeição. Quando o Espírito conclui uma prova, adquiriu conhecimento e já não o perde. Pode estacionar, mas não recua no seu aperfeiçoamento.”

Roustaing admite possa um Espírito que já desempenhou funções elevadas no Mundo Espiritual ser tomado pela inveja, pelo orgulho, etc., o que evidencia uma nova versão para a “queda dos anjos”, conforme a teologia Católica Romana e, também, a Protestante.

No 1º volume da obra de Roustaing, na página 311 pode lêr-se:

“…Já tendo grande poder sobre as regiões inferiores, cujo governo aprenderam a exercer, no sentido de que, sempre sob as vistas dos Espíritos prepostos à missão de educá-los e sob a do protetor especial do planeta de que se trate, aprendem a dirigir a revolução das estações, a regular a fertilidade do solo, a guiar os encarnados, influenciando-os ocultamente, muitos acreditam que só ao merecimento próprio devem o que podem e, desprezando todos os conselhos, caem. É a queda pelo orgulho.

Outros, por nem sempre compreenderam a ação poderosa de Deus, não admitem haja uma hierarquia espiritual e acusam de injustiça aquele que os criou, porquanto é Deus quem cria, não o esqueçais. Esses os que caem por inveja. Até o ateísmo – por mais impossível que pareça – até o ateísmo se manifesta naqueles pobres cegos colocados no centro mesmo da luz.
(…) Nesse caso, sobretudo nesse caso, mais severo é o castigo. É um dos casos de primitiva encarnação humana. Preciso se torna que os culpados sintam, no seu interesse, o peso da mão cuja existência não quiseram reconhecer. Qualquer que seja a causa da queda, orgulho, inveja ou ateísmo, os que caem, tornando-se, por isso, Espíritos de trevas, são precipitados nos tenebrosos lugares de encarnação humana, conforme o grau de culpabilidade, nas condições impostas pela necessidade de expiar e progredir.” (1º vol., pág. 311)


Kardec obtém dos Espíritos Superiores resposta que deixa muito claro que o Espírito que atingiu a humanização não retorna jamais às formas animais, o que contraria frontalmente a teoria da Metempsicose,

“O Livro dos Espíritos”, pergunta 612:

Poderia encarnar num animal o Espírito que animou o corpo de um homem?
“Isso seria retrogradar e o Espírito não retrograda. O rio não remonta à sua nascente.”


Em Roustaing, vê-se que, além de admitir a Metempsicose, afirmam seus interlocutores possa um Espírito voltar à Terra, ou a outros mundos, animando corpos primitivíssimos, como larvas!

Haveis dito que os Espíritos destinados a ser humanizados, por terem errado muito gravemente, são lançados em terras primitivas, virgens ainda do aparecimento do homem, do reino humano, mas preparadas e prontas para essas encarnações e que aí encarnam em substâncias humanas, às quais não se pode dar propriamente o nome de corpos, nas condições de macho e fêmea, aptos para a procriação e para a reprodução. Quais as condições dessas substâncias humanas?

No 1º volume da obra de Roustaing, na página 312/313 pode lêr-se:
“São corpos ainda rudimentares. O homem aporta a essas terras no estado de esboço, como tudo que se forma nas terras primitivas. O macho e a fêmea não são nem desenvolvidos, nem fortes, nem inteligentes. Mal se arrastando nos seus grosseiros invólucros, vivem, como os animais, do que encontram no solo e lhes convenha. As árvores e o terreno produzem abundantemente para a nutrição de cada espécie. Os animais carnívoros não os caçam. A providência do Senhor vela pela conservação de todos. Seus únicos instintos são os da alimentação e os da reprodução. Não poderíamos compará-los melhor do que a criptógamos carnudos. Poderíeis formar ideia da criação humana, estudando essas larvas informes que vegetam em certas plantas, particularmente nos lírios.”


Autenticidade da Encarnação de Jesus:

Kardec mostra Jesus como o modelo mais perfeito para a evolução humana, logo, o seu corpo deveria ter a mesma constituição do corpo daqueles aos quais ele deveria servir de modelo, e seu testemunho basear-se na verdade:

O Livro dos Espíritos, perguntas 624 e 625:

Qual o caráter do verdadeiro profeta?
“O verdadeiro profeta é um homem de bem, inspirado por Deus. Podeis reconhecê-lo pelas suas palavras e pelos seus actos. Impossível é que Deus se sirva da boca do mentiroso para a ensinar a verdade.”

Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?
“Jesus.”


Roustaing mostra um Jesus que estaria fingindo estar encarnado, desde o seu nascimento até a sua morte, que teria sido também um simulacro, uma verdadeira encenação teatral.
Além do mais, ainda o chama de um Deus milagrosamente encarnado!

No 1º volume da obra de Roustaing, na página 242/243 pode lêr-se:

“(…) um homem tal como vós quanto ao invólucro corporal e, ao mesmo tempo, quanto ao Espírito, um Deus: portanto, um homem-Deus.

Em “A Génese”, capítulo XV, números 65 e 66
Kardec afirma categoricamente que Jesus teve um corpo carnal e um corpo fluídico, como todos encarnados temos:

“A estada de Jesus na Terra apresenta dois períodos: o que precedeu e o que se seguiu à sua morte.

No primeiro, desde a sua concepção até o nascimento, tudo se passa, pelo que respeita à sua mãe, como nas condições ordinárias da vida. Desde o seu nascimento até a sua morte, tudo, em seus atos, na sua linguagem e nas diversas circunstâncias de sua vida, revela caracteres inequívocos de corporeidade. (…) também forçoso é se conclua que, se Jesus sofreu materialmente, do que não se pode duvidar, é que ele tinha um corpo material de natureza semelhante ao de toda gente.”
“Aos fatos materiais juntam-se fortíssimas considerações morais. Se as condições de Jesus, durante sua vida, fossem as dos seres fluídicos, ele não teria experimentado nem a dor, nem as necessidades do corpo.

Supor que assim haja sido, é tirar-lhe o mérito da vida de privações e de sofrimentos que escolhera, como exemplo de resignação. (…) e fazer crer num sacrifício ilusório de sua vida, numa comédia indigna de um homem simplesmente honesto, indigna, portanto, e com mais forte razão de um ser tão superior. Numa palavra, ele teria abusado da boa-fé dos seus contemporâneos e da posteridade. Tais as consequências lógicas desse sistema, consequências inadmissíveis, porque o rebaixariam moralmente, em vez de o elevarem.

Jesus teve, pois, como todo homem, um corpo carnal e um corpo fluídico, o que é atestado pelos fenómenos materiais e pelos fenómenos psíquicos que lhe assinalaram a existência.”

Roustaing, ao contrário, mostra um Jesus que estaria fingindo estar encarnado, que fingia alimentar-se, desde o seu nascimento. (1º vol, págs. 243, 362 e 363)

“Quando Maria, sendo Jesus, na aparência, pequenino, lhe dava o seio – o leite era desviado pelos Espíritos superiores que o cercavam, de um modo bem simples: em vez de ser sorvido pelo menino, que dele não precisava, era restituído à massa do sangue por uma ação fluídica, que se exercia sobre Maria, inconsciente dela.” (pág. 243)

“Os Espíritos superiores que o cercavam em número, para vós, incalculável, todos submissos à sua vontade, seus dedicados auxiliares, faziam desaparecer os alimentos que lhe eram apresentados e que não tinha para ele utilidade. Aqueles Espíritos os subtraiam da vista dos homens, de modo a lhes causar completa ilusão, à medida que pareciam ser ingeridos por Jesus, cobrindo-os, para esse fim, de fluidos que os tornavam invisíveis.


Aparição de Moisés e Elias:

Inegavelmente, as afirmações mais claras a respeito da reencarnação, contidas no Novo Testamento, encontram-se nos Evangelhos de Mateus (17: 10-13) e de Marcos (9: 11), onde se lê que Jesus dialogou com Moisés e Elias no Tabor, diante dos discípulos Pedro, Tiago e João. Questionado quanto à identidade de Elias, o Mestre afirma categoricamente que João Batista foi a reencarnação do Profeta Elias.

Em Roustaing, de maneira fantasiosa e completamente inverossímil, numa tentativa de desacreditar a reencarnação, misturando fatos e fantasias, é declarado que Moisés, Elias e, consequentemente, João Baptista são o mesmo Espírito, e que ali, no Monte Tabor, um outro Espírito tomou a aparência de Moisés e conversou com Jesus:

“O que, porém, Jesus naquela ocasião não podia nem devia dizer e que agora tem que ser dito é o seguinte: Moisés – Elias – João Baptista – são uma mesma e única entidade. Estamos incumbidos de vos revelar isso, porque chegou o tempo em que se tem de “realizar” a “nova aliança”, em que todos os homens (Judeus e Gentios) se têm que abrigar debaixo de uma só crença, da crença – em um Deus, uno, único, indivisível, Criador incriado, eterno, único eterno: o Pai; em Jesus-Cristo, vosso protector, vosso governador, vosso mestre: o Filho; nos Espíritos do Senhor, Espíritos puros, Espíritos superiores, bons Espíritos que, sob a direção do Cristo, trabalham pelo progresso do vosso planeta e da sua humanidade: o Espírito Santo. (2º vol., págs 497 / 498)

A obra é volumosa, pesada, extremamente repetitiva, escrita em tom catedrático, pretensioso, que nos remete diretamente a “O Livro dos Espíritos”, item 104, no magistral estudo que o Codificador faz a respeito da “Escala Espírita”, quando se refere aos Espíritos pseudo-sábios.
São Espíritos pertencentes a comunidades espirituais que teimam em manter erros doutrinários relativamente à interpretação da Mensagem Cristã, para as quais o Espiritismo representa grande perigo por esclarecer a Humanidade.
A respeito desses Espíritos, Emmanuel faz séria advertência, que serve também como alertamento, diante dessa verdadeira “onda editorial” que está alimentando a vaidade de médiuns invigilantes e enriquecendo editoras: “As próprias esferas mais próximas da Terra, que pela força das circunstâncias se acercam mais das controvérsias dos homens que do sincero aprendizado dos espíritos estudiosos e desprendidos do orbe, refletem as opiniões contraditórias da Humanidade, a respeito do Salvador de todas as criaturas.”
(“A Caminho da Luz,” cap. 12).

Felizmente, a onda de roustainguismo está passando. Mas como existem ainda muitos volumes dessa obra em bibliotecas e livrarias, animamo-nos a fazer estas anotações.

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Alexandre Herculano, Herculano Pires e a memória da Humanidade

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AHerc 01 p.

“Aquellos que no recuerdan el pasado, están condenados a repetirlo.”
― George Santayana

Não é possível avaliar certos factos importantes da vida, nem discutir as ideias, os princípios morais e a natureza das relações colectivas sem cultivar a memória culta dos povos.
A História é a ciência que regista os caminhos que a Humanidade foi trilhando e quais os bons e os maus passos que foi dando. Recordar com inteligência as figuras, os factos e os exemplos mais marcantes que configuraram a alma colectiva é o primeiro passo para o progresso de todos e de tudo.
Esquecer é deitar fora tesouros valiosíssimos da experiência, é correr o risco de estar sempre a regressar aos mesmos erros, facto que acontece com lamentável frequência.
A esse respeito vem muito a propósito falar daqueles que souberam defender a memória como património da Humanidade, alicerce principal das condutas individuais e colectivas.

Os povos, os países, as culturas de qualquer género são aquilo que for a memória que os habita, que os ilumina e que os conduz.

Vou recordar dois homens importantes e moralmente marcantes nos países em que viveram, visto que o exercício de relembrar os bons exemplos é a parte que toca aos cidadãos no trabalho muito sério de reforçar e valorizar a memória.

JHPir

Falo de José Herculano Pires, individualidade que, em meio espírita, não é necessário apresentar e de um outro insigne HERCULANO, desta vez a excepcional figura de escritor, investigador e cidadão português que foi Alexandre Herculano.
A associação entre estes dois nomes não é apenas derivada da presença comum do nome “Herculano”.

Entre não crentes, aqueles que só levam em conta aquilo que é trivialmente imediato, o pouco que tocam com as mão e alcançam com a vista, esse facto não passará de uma mera coincidência ou pura casualidade.
Os espíritas, habituados a entender e estudar toda a outra maior parte do Universo, aquela que não se revela através dos nossos limitadíssimos cinco sentidos, para esses, o campo da pesquisa é muito mais extenso e as hipóteses de compreensão muito mais numerosas.

Chamo pois a atenção dos leitores para a obra de Jorge Rizzini: “J. Herculano Pires, o Apóstolo de Kardec – o Homem, a Vida, a Obra”, na qual traça a biografia do prestigiado professor, também seu grande amigo.
Ali se tece uma relação especialíssima entre esses dois homens de memória qualificada que é mais do que a de simples familiaridade, um dos tais elos misteriosos engendrados pela trama admirável da sucessão das vidas.
Leiamos pois algumas linhas da citada obra de Rizzini, a respeito das impressões que trocara com Herculano Pires a respeito da sua anterior encarnação e que era para guardar em segredo, pelo menos enquanto fosse vivo:

“…Herculano Pires, certamente tomado por um súbito sentimento de pejo, não revelou o nome que tivera na existência anterior em Portugal, mas anos depois de sua desencarnação pesquisei a vida dos grandes vultos da literatura lusitana do século XIX e descobri inúmeros pontos de contato (a começar pelo nome) entre ele e o célebre jornalista, romancista, poeta e historiador Alexandre Herculano, o qual ao tempo de Allan Kardec se exilara na França. O mesmo caráter impoluto e inflexível; o sentimento religioso; a oposição ao clero; o amor à literatura, particularmente à poesia e ao romance; e, sobretudo, a fidelidade à verdade.
A propósito da extremada fidelidade à verdade, medite o leitor sobre o seguinte texto, mas procurando descobrir se o autor é o Herculano nascido em Portugal ou o brasileiro:

“Quando a justiça de Deus põe a pena na destra do historiador, ao passo que lhe põe na esquerda os documentos indubitáveis de crimes que pareciam escondidos para sempre debaixo das lousas, ele deve seguir avante sem hesitar, embora a hipocrisia ruja em redor, porque a missão do historiador tem nesse caso o que quer que seja de divina.”

(Texto extraído do volume terceiro, página 192, da obra Opúsculos, de Alexandre Herculano (autor, inclusive, da História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal).

Parece-nos evidente tratar-se de um só Espírito.
As informações sobre a reencarnação de Herculano Pires foram por mim guardadas, sigilosamente, durante décadas. Somente dias atrás, em conversa com Heloísa Pires, referi-me à pesquisa, mas antes que lhe revelasse o resultado ela exclamou sorrindo:
– Meu pai é a reencarnação de Alexandre Herculano. O pai, certa vez, comentou isso!
Não foi, pois, por outra razão que quatro anos antes da desencarnação Herculano Pires redigira um extenso e belo artigo exaltando sua antiga pátria e o renascimento do movimento espírita lusitano.
Vide a revista “Estudos Psíquicos”, de Lisboa, edição de junho de 1975.
Não estamos, porém, dogmatizando, mesmo porque o julgamento final cabe, evidentemente, ao leitor.”

Como forma de coroar a ideia de que a memória é um apetrecho fundamental na cultura do aperfeiçoamento das sociedades, nada melhor que publicar, em complemento coerente com o direito (e o dever…) de enriquecer a memória, uma das mais notáveis, entre todas as outras muito notáveis obras de Alexandre Herculano, mas de que se fala pouco:

História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal – 1854-1859

inserção que me foi sugerida pela própria referência que foi feita por Jorge Rizzini na parte do texto que acima está inserido. Clicar no texto a seguir, para ter acesso ao livro:

História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal
(1854/1859)/Alexandre Herculano (1810-1877)
Nona edição definitiva conforme com as edições da vida do autor
dirigida por David Lopes (1867-1942)/Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Homenagem ao generoso sentido de partilha do povo brasileiro

Faço aqui uma muito singela homenagem à vitalidade participativa e à grande generosidade de partilha dos brasileiros.
A inserção desta obra nesta página foi tornada mais fácil e vantajosa devido ao enorme trabalho que os brasileiros desenvolvem em torno da partilha de livros e outros documentos, da sua e de outras culturas – que neste caso são muitíssimo beneficiadas – como é o caso da cultura portuguesa, em muitíssimos aspectos.

Esta edição da referida obra de Alexandre Herculano também pode ser consultada em Portugal, numa edição antiga, nomeadamente no muito vasto site  da Biblioteca Nacional de Portugal.
A edição que preferi foi encontrada num site generosíssimo de partilha de livros:

http://www.ebooksbrasil.org

porque a edição em causa, além de nos oferecer  a obra em si, também tem carácter informativo quanto ao direito livre ao seu acesso, para efeitos não comerciais e de divulgação cultural, como é este caso. Inclui também a abrir uma breve apresentação biográfica do autor, o que tem interesse.

AH Inq.

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O legado documental de Allan Kardec: queimado, escondido ou leiloado?

 

Dito assim, soa a blasfémia. Mas onde está, o que terá sofrido ou de que modo foi alienado o preciosíssimo legado documental que reunia todos os escritos, cadernos com comunicações mediúnicas, publicações, correspondências, registos e outros vestígios do prodigioso e hercúleo trabalho feito pelo abnegado professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido pelo seu pseudónimo: Allan Kardec?…

É disso que tratam os textos abaixo publicados, sendo elementos principais os artigos de investigação e questionamento histórico da autoria do professor João Donha da cidade de Curitiba, estado do Paraná, no Brasil.

 


As considerações de abertura feitas a seguir são da responsabilidade do autor deste blogue:

No pequeno colectivo familiar de que faço parte temos dedicado o melhor dos nossos últimos tempos a ler, directamente do francês, algumas das obras que o nosso muito estimado professor Hipólito Rivail publicou sob o pseudónimo de Allan Kardec.
Para o trazermos para junto de nós, ou para nos transportarmos até junto dele, fizemos um mínimo esforço indispensável para rememorar a História de França, na turbulenta passagem do “ancien régime” aristocraticamente absolutista, decadente e sanguinário, para situações sociais e humanas infelizmente pouco compatíveis com o almejado horizonte de “liberdade, igualdade e fraternidade”, tal como sonharam os cidadãos que fizeram, com dores de muito sofrimento, a “grande revolução”.

Uma das coisas que mais nos doeu nas conclusões que atingimos, foi verificar ter sido Hipólito Rivail um homem praticamente só, a braços com uma tarefa ciclópica.
Empreendeu o seu trabalho já numa idade avançada, com a tremenda falta de meios técnicos, que as pessoas dos dia de hoje mal podem imaginar. Num tempo de violentos contrastes e injustiças, sob o peso esmagador de conceitos religiosos dogmáticos de sentido totalitarista, sombrio e infernal.

Em 1854 o céptico e positivista Hipólito Rivail ouviu, pela primeira vez, o seu amigo Fortier falar-lhe nas mesas girantes. Em 1857 publicou a primeira edição de “O Livro dos Espíritos” e, tendo cumprido integralmente o destino que assumiu, apenas escassos doze anos depois faleceu, completamente exausto.

A história que assim tão brevemente se descreve tem a ver com as interessantíssimas informações abaixo apresentadas nos trechos do professor João Donha, que confirmam de modo inequívoco as conclusões que tirámos da leitura sossegada e da íntima convivência que tivemos o distinto prazer de estabelecer com Hipólito Rivail.
Isto, evidentemente, quanto à falta de solidariedades activas e atitudes organizadas de seguidores atentos que quisessem e pudessem ter salvaguardado, de modo digno e conveniente para todo o entendimento futuro, o verdadeiro teor das intenções e ensinamentos cientifica e filosoficamente tão bem sistematizados por Hipólito Rivail.

Tal circunstância não derivava de nenhuma vocação isolacionista; era a sua própria índole de pessoa sem pretensões de poder, que não recomendava federações nem agremiações de elevado número de adeptos, porque via nesse modelo de associação a raiz o mal, a semente daninha do poder.

Hipólito Rivail, a pessoa íntegra que lutou tudo enquanto pode, não quis fazer-se dono de nada. Nunca foi cabeça de cartaz em comícios, nem convocou concílios, nem se fez fotografar ao lado de poderosos!…

As poucas, muito poucas fotografias que restaram de Hipólito Rivail, mostram-no mais do que apenas sério e compenetrado. Hipólito Rivail revelava nessas imagens o olhar recolhido e receoso de quem teme pelo grande tesouro que lhe coube acautelar com zelo e decisão.
Onde está, ao fim e ao resto, toda documentação preciosa resultante do trabalho acumulado por Hipólito Rivail?

A primeira dramática conclusão que temos diante de nós, é de que foi, à partida, desprezada pelos próprios franceses, num país que é justamente considerado uma das vanguardas culturais e humanistas da velha e contraditória Europa!…
Depois disso, independentemente dos vários enredos incertos, uma coisa é real: a preciosa documentação dorme em esconderijos onde não há quem os estude e muito menos quem queira revelar às claras, de forma honesta e válida, o seu conteúdo, os valores de que é portadora.

Já que nada mais nos resta, não nos constituamos cúmplices desse mau cuidado e desse desprezo pelos valores mais insignes. Ainda ficou muito, muitíssimo, do generoso trabalho de Hipólito Rivail.
Vamos tentar chegar até junto dele. Ou façamos, com delicada atenção, que venha sentar-se a nosso lado.


Mãos à obra, amigos, mãos e mentes à obra!…


O blogue “João Donha – Espiritismo” é daqueles que vale a pena ler de uma ponta à outra, porque não nos diz o mesmo que muitos outros, nem o diz da mesma forma.
Pedimos desculpa do extenso preâmbulo acima, que serviu unicamente para contextualizar no domínio das nossas próprias indagações, realidades quase confidenciais, embora muito significativas. Ora vejamos :

passage saint anne
Esta imagem é interessante por dois motivos. Mostra-nos a entrada da “Passage de Sainte Anne”, à frente da qual pode ver-se o professor João Donha, autor da parte essencial deste trabalho. Foi para aqui que o casal Rivail (Rue de Sainte-Anne nº 59) se mudou em 1860, e onde residiu e tão intensamente trabalhou nos últimos 9 anos de vida de Hipólito Rivail. Foi aqui que se situou inicialmente o escritório da “Revue Spirite” e onde foram escritas as obras espíritas essenciais de Allan Kardec.

EM BUSCA DO SANTO GRAAL


 Primeiro artigo publicado por João Donha em 7 de dezembro de 2012

“Essa espontânea concentração de forças dispersas deu lugar a uma amplíssima correspondência, monumento único no mundo, quadro vivo da verdadeira história do Espiritismo moderno, onde se reflectem ao mesmo tempo os trabalhos parciais, os sentimentos múltiplos que a doutrina fez nascer, os resultados morais, as dedicações, os desfalecimentos; arquivos preciosos para a posteridade, que poderá julgar os homens e as coisas através de documentos autênticos. Em presença desses testemunhos inexpugnáveis, a que se reduzirão, com o tempo, todas as falsas alegações da inveja e do ciúme?…”
(Allan Kardec; G, I, 52, N.1).

Onde está essa “amplíssima correspondência”? Onde foram parar esses “arquivos preciosos” de “documentos autênticos” com os quais a posteridade poderia “julgar os homens”?
Os documentos históricos do espiritismo sofreram as consequências de terem sido, os negócios da doutrina, tratados sempre como algo de família, constituindo heranças e, consequentemente, dependendo de herdeiros.

Kardec pretendia criar uma sociedade impessoal, mas não deu tempo. Morreu antes de concretizar seus planos e, tudo o que era do espiritismo (sociedade, obras, revista, documentos) tornaram-se a herança de sua esposa, Amelie Boudet.
De início, ela disse que ia tudo gerir; mas, talvez pela idade ou a solidão, acabou por entregar tudo nas mãos do Pierre-Gaëtan Leymarie, que criou uma tal “Sociedade para continuar a obra de Allan Kardec”.

Após a morte da herdeira, Amélie, em 1883, e como único remanescente da tal sociedade, Leymarie tornou-se o dono absoluto dos documentos de Kardec.
Uma parte, ele foi publicando na “Revue Spirite”, e acabou por usar em “Obras Póstumas”; outra parte, segundo uma lenda, ele teria enviado para a FEB, onde se encontra sepultado num cofre-forte.
É bom lembrar que Leymarie tinha muita afinidade com o Brasil, particularmente no Rio; ele esteve exilado aqui em 1851, quando houve o golpe do Luís Napoleão. Ademais, nunca escondeu amizades e afinidades roustainguistas.

O que sobrou na França foi herdado (novamente em família!) pelo filho dele, o Paul Leymarie.
Este, após um breve intervalo de três anos em que os negócios ficaram com sua mãe Marina, tornou-se, em 1904, dono absoluto dos destinos do espiritismo até 1914, quando, em função da I Guerra Mundial, desistiu. O que não foi de todo mal, pois o Paul Leymarie vendia até bolas de cristal pela Revue.

Antes mesmo de terminar a I Guerra, em 1916, um rico empresário francês, o Jean Meyer, assumiu o movimento órfão (Léon Denis e Gabriel Delanne eram sumidades intelectuais; eram referências; mas alguém tinha que cuidar dos negócios). As pessoas malvadas, como eu, imaginamos o Meyer compensando regiamente o Paul.

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Meyer criou a Casa dos Espíritas (“Maison des Spirites”, na imagem acima), para onde levou os documentos e objetos pessoais de Kardec.
Este mesmo mecenas fundou o “Instituto de Metapsíquica”, sob o comando inicial do Gustave Geley, e onde foi gerado o “Tratado de Metapsíquica”, no qual Charles Richet diz que o “espiritismo é inimigo da ciência”.
Jean Meyer foi o dono do movimento até sua morte em 1931. Foi ele quem inaugurou a vocação assistencialista do espiritismo. Bem, até aí os jacobinos; a partir daí, os xenófobos.

Assume Hubert Forestier, e torna-se tão particularmente dono que, em 1968, chega a registrar a Revue em seu nome no órgão de propriedade industrial. Morre em 1971, deixando um movimento mais que anêmico, agonizante mesmo.
Seus herdeiros, não sabendo o que fazer de tal herança, vendem tudo por um franco para o André Dumas. A essa altura os direitos autorais das obras de Kardec já tinham caducado. O resto – muito pouco: o nome da Revue e da Societé – ficou nas mãos do Dumas.
André Dumas, seja por ter mudado suas preferências filosóficas, seja por constatar que o status de espírita não conferia mais prestigio, resolveu liquidar tudo: em 1975, mudou o nome da “Revue Spirite” para “Renaitre 2000”, e a Societé para uma tal “sociedade para pesquisa da consciência e sobrevivência”, colocando, dessa forma, duas ou três pás de cal sobre o “espiritismo francês”.

Dizem que os brasileiros tentaram recuperar o nome da Revue Spirite,uma vez que o cidadão não pretendia mais publicá-la, mas o Dumas não aceitou. Alegou que o movimento no Brasil se desviara para o religiosismo e não abriu mão.
Paralelamente, surge na França o Jacques Peccatte dizendo que o próprio Kardec se comunicou no grupo dele, o “Cercle Spirite Allan Kardec”, em 1977, e o mandou ressuscitar o movimento. Ele o tenta até hoje.
Mas, pelo lado digamos, oficial, o Roger Perez, retornando das desativadas colônias, resolveu, certamente com o patrocínio da FEB, retomar as coisas.
Conseguiu reaver do André Dumas, na justiça, o nome da Revue, e passou a editá-la pela “Federação Espírita Francesa e Francófona” (já extinta), da qual foi fundador. Ali pelo ano 2000 passou os direitos para o CEI – Conselho Espírita Internacional.

E os documentos de Kardec, suficientes para comprovar ou desmentir o famoso “controle universal” num julgamento pela posteridade, não deveriam acompanhar toda essa trajetória de mandos e poderes, acondicionados num majestoso baú?
Deveriam, mas o baú transformou-se num “cálice sagrado”, num Santo Graal, ou seja, numa lenda.
Conta Wallace Leal que quando tentava aproximação com Hubert Forestier (aquele que foi dono de 1931 a 1971) para saber dos documentos, ele respondia friamente que a “Maison des Spirites” tinha sido “pillée” (pilhada) pelos alemães.
Dizem que os papéis de Kardec foram queimados para aquecer os soldados alemães, aquartelados na “Casa dos Espíritas”, por uns quatro invernos, os mais rigorosos do século.

Mas, existe outra saga…

Em 1939, Canuto Abreu seria um adido na embaixada brasileira em Paris, quando foi procurado por algumas pessoas que se diziam a mando dos espíritos – que por certo realizaram escutas espirituais no gabinete do Hitler e souberam da iminente invasão alemã à Cidade Luz – e lhe entregaram valiosos documentos de Kardec, para que ele os salvasse trazendo para o Brasil.
Para que não se fuja à regra lendária, tais documentos, “salvos dos alemães”, acabaram transformando-se numa herança, ora sepultada em mãos dos descendentes do Canuto.

Assim, a lenda divide os famosos documentos tão cuidadosamente arquivados e citados por Kardec em três conjuntos:

  • um nos porões da FEB;
  • outro com os herdeiros do Canuto;
  • e, o que ficou na França, queimado como combustível pelos nazistas.
  • Consideremos perdido este último lote.
  • O que está em poder da FEB, segundo a lenda, foi-lhe dado pelo Leymarie, na época legítimo proprietário dos mesmos, legitimando, dessa forma, sua apropriação por essa entidade.
  • Mas, e o lote em poder dos descendentes do Canuto? Ao Wallace, Forestier teria dito que foram “pilhados”, sem se referir à história do Canuto. Teriam, aquelas misteriosas figuras, entregue ao Canuto sem o conhecimento do Forestier, seu proprietário no momento? Não teria havido, assim, uma apropriação indébita?

Por outro lado, considerando as simpatias do governo brasileiro por Hitler – o que só mudaria com as mudanças no rumo da guerra, lá por 1942 – e os agrados despendidos pelas grandes potências no jogo político internacional, se um adido da embaixada brasileira em Paris se dirigisse à autoridade militar alemã, invasora, e solicitasse permissão para “retirar alguns documentos daquela “Maison des Spirites” que seus soldados ocuparam”, seria prontamente atendido. Daí, a “pilhagem” não teria sido feita propriamente pelos nazistas.

Mas, e as datas?…

Os tais “ET’s” teriam aparecido em 1939, e a invasão alemã ocorreu em Junho de 1940. Bem, se esta for uma história dispersiva surgida duas ou três décadas após o ocorrido, um deslocamento de seis meses é bastante viável.
Neste caso – e considerando-se a moda atual de buscarem, os países, nos foros internacionais, documentos, relíquias e artefatos arqueológicos que lhes foram pilhados durantes séculos de guerras e colonizações – o que poderia acontecer se o Roger Perez, ou o Estado Francês – ou mesmo um franco-atirador – se dessem conta de que importantes documentos franceses, pilhados durante a ocupação alemã, se encontram escondidos em São Paulo?

Porque, se esta historia for verdadeira – e, não, apenas uma lenda, como parece ser – há uma diferença em relação às cartas de Kardec que temos visto em leilões.

Uma carta, uma vez enviada e recebida, passa a integrar o acervo do destinatário. Portanto, se o Freud tivesse escrito uma carta à minha bisavó, e agora ela me coubesse por herança, eu faria dela o que quisesse.

Enfim, como em toda lenda, aqui há mais perguntas que respostas.


CURIOSIDADE HISTÓRICA – Os atentados aos documentos de Kardec.



Segundo artigo publicado por João Donha em 7 de Fevereiro de 2014

“Nossa expectativa não foi em vão, e a circulação foi precariamente restabelecida; os Correios ainda estão desorganizados, mas as cartas chegam de todas as partes ao nosso escritório na Rue de Lille, salvo das chamas pela vigilância inquieta de um espírita, o Senhor X., tenente de embarcação.
Diga-se de passagem que o Senhor X., ocupando a área com os seus marinheiros, frustrou, por meio de um monitoramento constante, duas tentativas de incêndio contra o que ainda restava da Rue de Lille, o que teria por resultado condenar à aniquilação o que foi possível salvar desse maravilhoso ‘quartier’.
Estamos felizes em fazer, nesta circunstância, junto ao Senhor X., eco aos agradecimentos do mundo espírita europeu pelo papel que ele desempenhou no salvamento dos nossos documentos.”

Quem já leu os percalços pelos quais passaram os documentos de Kardec no texto “Em busca do Santo Graal”, pode acrescentar mais este aí, relatado pelo Desliens na Revista Espírita de Julho de 1871.

Em 19 de Julho de 1870, cerca de quinze meses após o decesso de Kardec, o Imperador Napoleão III, provocado por Bismarck, declarou guerra à Prússia.
A batalha decisiva ocorreu em 2 de Setembro, quando os franceses foram derrotados e o Imperador aprisionado pelos prussianos.
Mas Bismarck estendeu a guerra até o final de Janeiro do ano próximo com o fim de enfraquecer bastante a França e ficar em definitivo com a Alsácia-Lorena.
Os alemães só deixarão a França em 1873, cobrando pesadas compensações de guerra (“Levando nossas riquezas, a Prússia leva uma parte dos nossos vícios; pois ao ficarmos menos ricos, por certo ficaremos mais virtuosos”, diz uma das cartas recebidas pela Revue).
Em 8 de Fevereiro de 1871, a recém-instalada III República realiza eleições para a Assembléia Nacional.
O interior vota nos conservadores e enrustidos monarquistas;
Paris, vota nos socialistas, anarquistas, liberais e republicanos autênticos.
O líder da assembléia, Thiers, instala o governo em Bordéus, depois em Versalhes.
A cidade luz se revolta: é instalada a Comuna de Paris.
Thiers tenta, em 18 de Março, tomar os canhões da Guarda Nacional; o povo reage e fuzila os generais.
Então, Bismarck liberta e arma os cem mil prisioneiros de guerra para que se unam ao pequeno exército de Thiers e reprimam a Comuna.
O cerco se inicia em 21 de Maio.
Dada a superioridade dos conservadores, a população provoca incêndios na tentativa de conter os soldados. Paris em chamas! É a “semana sangrenta”, que dura até 28 de maio, quando a Comuna se extingue em meio a vinte mil mortos e dez mil prisioneiros ou exilados.
O último reduto caiu em Menilmontant, próximo à porta por onde eu e minha esposa entramos no Père Lachaise quando lá estivemos.

É interessante como os preciosos arquivos, com os quais “a posteridade poderia julgar os homens”, correm o risco de extinção desde o começo de sua existência.
Terá valido a pena, o arriscado esforço do valoroso marinheiro espírita e seus comandados, dando uma sobrevida a este “quadro único da história do espiritismo moderno”?
Dizem que alguns anos depois, Leymarie, então todo-poderoso gerente do espólio kardeciano, enviou vários desses documentos aos seus amigos do Brasil.
O restante do acervo foi novamente ameaçado quando seu filho, assustado com uma “reentrée” dos canhões germânicos e franceses ameaçou abandoná-los à própria sorte.
Foram salvos, desta vez, pelo Jean Meyer, que os recolheu na Maison des Spirites, onde distribuíram suas luzes por um quarto de século, até a Maison virar quartel de tropas, novamente germânicas, e serem pilhados e sepultados impunemente nos porões dos descendentes de quem os retirou de seu devido lugar.
Seria a força do destino tentando se contrapor à força das coisas?

 


A respeito do autor:

JD 02

 

 

 

 

 

 

 

 


JOÃO DONHA

de Curitiba, Paraná, BRASIL
apresentação redigida pelo próprio e vista no seu perfil Blogger
(clicar para ter acesso)

  • Ex-professor eventual de português e história; ex-quase-escritor; ex-funcionário estatal;…
  • Algumas publicações infanto-juvenis; artigos e poesias em diversos periódicos.
    E… nada a “completar”… a não ser o exercício atual de duas profissões não regulamentadas (graças a Deus):
  • a de “fiscal da natureza”, exercida na rive gauche do rio Cachoeira, e a de “palpiteiro contumaz”, que pode ser verificada aqui no blog.

PUBLICAÇÕES:


“Os Gatos de Angaetama” (1979, CooEditora;1985, Criar; 1995, HDLivros).
“Pelos Outros, Pela Gente” (1980, CooEditora).
“O Lambari Comilão” (1985, Criar). “Brás Brasileiro” (1986, HDV). “Espaço Agrário” (1980, Vozes). “Os Desconhecidos” (1979, Beija-Flor).

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Palavras para uma jovem vidente

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Palavras para uma jovem vidente que não sabe bem o que vê, para que viva em paz com esse dom e seja feliz, dando – se for possível e se quiser – importantíssimo testemunho do mesmo.

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Soube de uma jovem que, além de ver o que todos vêem, tem o privilégio de ver os espíritos. Outrora teve graves problemas mas habituou-se e aprendeu a viver com isso. Não retirou lições nem procurou conhecer tal fenómeno, o que foi pena.
O que escrevi foi para ela em primeiro lugar mas resolvi partilhar com todos os visitantes deste sítio.

Minha amiga,
É muito importante que saiba que poder ver os espíritos não é sintoma de doença ou desarranjo mental. Muita gente, sobretudo as crianças têm tido dons iguais ou parecidos, a que a indiferença e a ignorância têm virado as costas, tornando desconfortável uma realidade que pertence à natureza e à ordem normal das coisas. Sentir realmente uma presença invisível andar pela casa, um olhar que observa atrás de nós os nossos gestos, por isso já toda a gente passou, sem saber explicar bem o que é.
Outra coisa é ver mesmo os vultos silenciosos de pessoas reais, figuras indistintas que avançam pela casa – como me diz – sem fazerem parte do número dos vivos.
Vou tentar fazer para si um resumo simples de conhecimentos que levam muito tempo a acumular, essenciais para compreender esse facto, sabendo tirar partido dele e podendo utilizá-lo em benefício de terceiros.

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O MUNDO VISÍVEL E O OUTRO

As suas visões dão prova indesmentível da realidade abrangente da natureza, a mesma que contemplamos e sentimos com os nossos vulgares cinco sentidos: a vista, o ouvido, o olfato, o tato e o gosto.
A minha amiga tem a prova de que há gente que passeia por aí – espíritos iguais ao nosso, num outro estado, esperando talvez receber um aceno de simpatia ou um recado que lhes dê coragem para continuar a viagem seguindo os seu caminho.
Em concreto: Depois de mortos todos nós vamos continuar vivos de outra maneira.

Os vultos que tem visto, são figuras reais e representam pessoas que deixaram a vida material e que possuem outras faculdades e dispõem de outra forma de estar e de se deslocarem.
Não podem fazer-nos mal algum nem intervir nas nossas vidas no plano material. No plano mental são quase como outra pessoa qualquer com quem nos cruzamos na rua, embora tenham outras capacidades que são importantes.
Que fique muito claro: se tivermos bem construída a nossa personalidade e se estiver bem colocada a nossa força de vontade, os espíritos não podem fazer-nos mal algum.
Se alguém quiser vender-nos uma enciclopédia ou um conjunto de panelas inox, pode bater à nossa porta para nos convencer a isso. A decisão da compra depende exclusivamente da nossa vontade.
O trato com os espíritos está quase ao mesmo nível, embora o seu potencial de influenciar vontades deva ser melhor esclarecido.

A NATUREZA REAL DOS ESPÍRITOS

Quando acordarmos do outro lado da vida quando esta que vivemos agora se acabar, também seremos espíritos como aqueles que vê lá em casa.
Libertos das dores do corpo e das múltiplas limitações seremos, mental e moralmente, as mesmas pessoas que éramos antes, com preocupações pessoais inerentes à nossa individualidade. Estaremos livres das nossas limitações e necessidades físicas e teremos faculdades muito especiais, que são bem conhecidas e podem ser explicadas.

Com o falecimento não há perda de autonomia de individualidade e o mais natural é que o espírito liberto siga o seu caminho de evolução e aprendizagem. Há muitos casos também de espíritos menos preparados que ficam por aqui, pendentes das suas preocupações anteriores, de tal forma que há muitos que julgam que ainda estão vivos e insistem em habitar entre nós.
A observação experimental de milhões de casos de que há conhecimento comprova isso de forma clara.

Os espíritos mais bem informados e com melhor condição evolutiva passam logo em frente, avançando por uma estrada de aprendizagem, aperfeiçoamento e até de felicidade. Mas para atingir esse patamar teremos que desempenhar com brio, humildade e abnegação todas as tarefas que nos competem!…

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107-Ch-tO AMBIENTE OPRESSIVO DO PLANETA TERRA

A sina deste mundo, na condição material e muito problemática em que estamos mergulhados, é ter de ficar a conviver com aqueles espíritos que ainda não tiveram a lucidez e a vontade de entender que o caminho é para cima e para a frente. No espaço do nosso mundo é muito mais numeroso o contingente dos espíritos invisíveis (que estão por todo o lado) do que o número de pessoas materialmente vivas.
Esses espíritos insistem em ficar presos ao desconforto da vida terrena. São esses, minha amiga, que vê passear silenciosa e misteriosamente em sua casa, nos momentos em que diz ao seu simpático marido: “Olha, hoje temos visitas!…”
Não serão só esses que vêm visitá-la, pode estar certa. Mas por agora não vou complicar este simples resumo.

FACTOS IMPORTANTES DE NATUREZA CIENTÍFICA

Ninguém deve ter medo do universo oculto que nos rodeia e de que só muito poucas pessoas se apercebem, como a minha amiga. A nossa atitude deve ser de uma grande naturalidade, confiança e espírito positivo.
Os contratempos e a perturbação pelos quais passou e aos quais demorou a habituar-se por ignorar as razões substanciais que estavam por detrás deles, tinham sido evitados de forma muito fácil.
Por isso estou aqui a conversar consigo, fazendo votos de que a mensagem possa servir a mais gente, isto é, a mais espíritos.
Quanto mais esclarecida for a nossa posição, melhor será a influência de que vamos poder usufruir E TRANSMITIR a muitas dessas almas perturbadas, confusas e não obrigatoriamente más.
Algumas estarão apenas temporariamente perdidas sem saber o que fazer.
O conhecimento das leis da natureza que governam as interações dos espíritos é fundamental, e bem assim a influência das nossas atitudes sobre o NOSSO PRÓPRIO espírito.
A lei da causa e do efeito e a lei das afinidades, de que falo mais abaixo, governam todo o género de interinfluências positivas e negativas que determinam a nossa lucidez, a FELICIDADE e, como no seu caso, a própria SAÚDE.
Moral da história: para certos problemas que podem resolver-se pelo conhecimento das suas causas naturais não é preciso andar a tomar drogas que nem fazem bem à saúde e muito menos resolvem o problema.

painel de azulejos 2004 Costa Brites

A VISUALIZAÇÃO DOS ESPÍRITOS E COMO SE PROCESSA

Como está explicado em “O Livro dos Mediuns” capítulo I, nº 54 o ser humano é composto de três elementos distintos.

  1. A alma, ou espírito, é o princípio inteligente da nossa personalidade cuja constituição e natureza não conseguimos discernir com exatidão. De imensa complexidade, caracteriza-se por elevado grau de imaterialidade.
  2. O corpo físico é aquele que conhecemos com mais intimidade mas que, ainda assim, encerra muitos segredos quanto à sua integral e complexa natureza.
  3. Há um terceiro componente dos seres humanos, a que chamamos perispírito, que constitui um plano intermédio entre os dois primeiros e que – além de inúmeras funções incompletamente conhecidas – constitui uma ferramenta de que o espírito dispõe para governar o corpo.

Em termos práticos o perispírito está alojado no mesmo espaço do corpo material (ele é o seu “principio activo”, veículo e ferramenta do espírito junto dos tecidos orgânicos e da natureza intelectual e sensível do homem) e por isso recolhe influência de ambos os lados: do espírito e do corpo.
Para os videntes muito dotados o perispírito constrói à volta do corpo físico uma espécie de reflexo brilhante e colorido. Experiências científicas muito avançadas, aliás, já conseguiram fotografá-lo.
O nascimento de um novo ser corresponde à vontade dos pais em gerar uma criança, mas só se torna uma realidade concreta porque o processo da Criação atua imediatamente após esse episódio, entrando em ação junto de cada novo ser o novo perispírito que o acompanhará toda a vida até ao dia da sua extinção, falecimento, morte ou – como dizem os espíritas – desencarnação.
É interessantíssimo estudar e conhecer todo este fenómeno que explica de forma clara uma quantidade de momentos específicos da própria vida, da morte, do sono e dos sonhos, e tantíssimos outros.
Outra propriedade fundamental do perispírito é a de ir registando todas as aprendizagens que a alma carrega durante a sua vida neste mundo, sendo – em estreita dependência do espírito – a memória de todas as vivências e aperfeiçoamentos anteriores. Por isso as reflete nas cores e no brilho que ostenta e que são visíveis aos outros espíritos.
Donde a justeza de designar-se o perispírito como interface entre o corpo material e a essência praticamente imaterial do espírito.

Citando diretamente o que está contido em “O Livro dos Mediuns”:
“…A morte é a destruição, ou, antes, a desagregação do envoltório grosseiro − invólucro que a alma abandona”. Esse envoltório é aqui designado como “grosseiro” apenas em comparação com o espírito, e é o nosso corpo físico.
Durante toda a vida, animado pela centelha do espírito o corpo evidencia capacidades complexíssimas de sobrevivência. Uma vez destituído desse princípio vital, em escassos minutos o mesmo corpo deteriora-se de forma irrecuperável, apagando-se igualmente todo o seu fulgor intelectual e anímico.
Esse momento corresponde por isso, instante por instante, à saída do perispírito do tecido corporal, do qual se afasta envergado agora pelo espírito – ao qual confere vulto e fisionomia visíveis.

EM RESUMO:

Início do ciclo da vida, fecundação do óvulo materno; início do processo de entrada em funções no tecido orgânico do ser, do perispírito – interface ou ferramenta do espírito, que torna a pessoa naquilo que ela é, com aquisições intelectuais e morais derivadas da sua experiência anterior. Esse processo só se completa no fim da idade infantil, lá pelos sete anos;

No transe do fim da vida, falecimento ou desencarne (saída da carne): abandono pelo perispírito do veículo corporal ou organismo físico da pessoa; passagem da alma a um novo ciclo de vida, carregando as respetivas memórias e aprendizagens, sem esquecer a memória exaustiva e inamovível de todas as suas responsabilidades morais!…

A transformação radical e instantânea dos tecidos do corpo e de toda a sua capacidade vital, nesse momento, motivada pela saída do perispírito – agente ativo das funções vitais conduzido pelo espírito – torna-se um argumento irrecusável e único da importância fundamental do mesmo na instituição da vida.

106-R-AzO perispírito continua pois, às ordens do espírito, na grande viagem sem fim em direção ao aperfeiçoamento, à sabedoria e à felicidade, constituindo por assim dizer o seu corpo operacional para futuras reencarnações neste e noutros mundos.

Note a minha amiga o seguinte:

Esse destino não é reservado apenas aos mais bonzinhos, aos cumpridores e bem-educados da primeira hora. Todos, mas todos os seres que são entregues ao plano infinito da evolução, irão terminar construtivamente a viagem.
Uns irão mais depressa, outros mais devagar, de acordo com a sua vontade e o seu livre arbítrio – pois que a liberdade e a consciência própria é atributo essencial de todos os humanos. E todos os humanos são filhos de pleno direito de Deus, nosso pai, a quem é legítimo atribuirmos desígnios do mais absoluto sentido de justiça e de infinita misericórdia.

Quanto aos espíritos, uns aprenderão pelo amor, pela harmonia e pela vontade positiva. Outros aprenderão pelo esforço doloroso, com lágrimas e cansaços. Mas a todos está reservada a felicidade integral e o conhecimento absoluto, em modalidades de avanço e progresso que nos é completamente impossível descrevê-las.

O conhecimento destes factos também é científico, seja qual for o entendimento que tenhamos dessa palavra. Foi um conhecimento que nos foi revelado pelos espíritos, falando por intermédio de pessoas tão sensíveis como a minha cara amiga, portadores de dotes equivalentes, parecidos e complementares ao dom da mediunidade.
Chamam-se – conforme a variedade dos casos – médiuns audientes, falantes, sonâmbulos, de cura, escreventes ou psicógrafos e ainda outros que constituem um raríssimo, precioso e importantíssimo elenco de seres hipersensíveis a quem a alta espiritualidade confiou a revelação das verdades transcendentes que ajudam os homens que vieram à carne para aprender aquilo que necessitavam de aprender, a seguir em frente nos caminhos da evolução.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACONTINUEMOS A ACOMPANHAR O PERISPÍRITO:

A plasticidade semi-material de que se caracteriza, animada pelo espírito, é capaz de se configurar fisionomicamente à medida dos seus desejos e memórias, assumindo no período após o falecimento de uma  pessoa, o aspecto dessa mesma individualidade como adulto jovem, no auge do seu potencial humano.
Quando da morte, por esse motivo, todos ficamos mais bonitos!…
Essa transformação permite aos espíritos tornarem-se identificados por conhecidos e familiares, na multiplicidade de situações em que o encontro com eles se torne possível.
Essa hipótese está largamente confirmada por diversas fontes de conhecimento científico que convergem integralmente, entre outros:

  • O conhecimento espírita;
  • O estudo das experiências de quase-morte;
  • e as inumeráveis regressões a vidas passados levadas a cabo pelo método da hipnose.

Estas fontes, completamente diversas entre si nos aspetos histórico-metodológicos e técnico-científicos são coincidentes, até aos mais diminutos pormenores, nas conclusões alcançadas e nas observações feitas.

DONDE:

Os corpos esmaecidos e flutuantes que são observados pelos hipersensíveis videntes não são outra coisa senão perispíritos, elementos semi-materiais configuráveis pela vontade dos espíritos. Essas são as figuras que entram lá em sua casa, sem precisar de chave ou de ter de tocar à campainha e que a amiga também verá na rua, nos cafés e até nos teatros de concertos onde muitos espíritos gostam de ir ouvir a música com que se deliciam aqui na terra, como no mundo espiritual – que de pequenos nos habituámos a chamar “o céu”.

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SEGUNDA PARTE DA NOSSA CONVERSA

− trata dos aspetos científicos que definem as leis de INTERINFLUÊNCIA entre espíritos e que nos ensinarão a colher as BOAS e recusar ou transformar as MÁS influências, seja das pessoas viventes no mundo físico, seja dos espíritos já viventes (e muito bem vivos) no mundo espiritual.

Em relação com isso, e para nossa conveniência, há um trabalho que só pode ser feito por nós.
É o governo da nossa vontade, a conquista do equilíbrio moral e o conhecimento racional da vida e do espírito, princípio inteligente que está por detrás de tudo o que fomos, o que somos e o que seremos.

Este AVISO contribui:
− para a elevação do nível que nos rodeia todos os dias;
− para a melhoria do comportamento com todos os amigos, colegas de trabalho e familiares;
− para a SAÚDE PSICOLÓGICA e FÍSICA em todos os aspetos de funcionamento do nosso organismo e desenvolvimento da NOSSA FELICIDADE imediata e futura.

142-J-MA LEI DAS AFINIDADES
Se eu entrar num lugar qualquer onde esteja muita gente com quem é que vou reunir-me?
− Às pessoas de que eu gosto, aos meus amigos e conhecidos, é claro. Se possível vou para junto daqueles que me amam e daqueles que eu amo, na hipótese mais favorável.
Para junto das pessoas que eu não goste, daqueles que me maltratam e hostilizam?
− Não, para junto desses não vou!…

Nós somos espíritos − nada mais, nada menos − espíritos de vivos que se deslocam e sobrevivem temporariamente no mundo em corpo material. Os espíritos dos que já faleceram, envergados pelo perispírito, fazem exatamente o mesmo que os espíritos dos que ainda não morreram: uns e outros vão para junto dos seus iguais; procuram de modo infalível aqueles que vibram no mesmo comprimento de onda, partilhando AFINIDADES.

VEJAMOS O QUE PODEMOS FAZER PARA VIVER BEM:

É muito aconselhável para todos nós manter contactos frequentes com espíritos positivos, andar pela vida de mão dada com as pessoas que nos ajudem a viver bem, com respeito pela nossa sensibilidade e em obediência aos princípios e desejos que achamos mais corretos. Não vamos, por uma questão de solidariedade humana – a fundamental e imprescindível caridade – virar as costas a todos os outros, os que não sabem, os insensíveis e os impreparados. A esses será preciso estender a mão, abrir o entendimento, ajudar por amor – numa palavra – instituir a partilha de valores.
Mas temos que saber fazer tudo isso sob o influxo das melhores influências – ganho de causa entre valores positivos e valores negativos que só o conhecimento possibilita e a razão moral pode sustentar.

NOTAR que o mal não vem apenas dos outros.
Nós, por defeito de atitude ou pela tendência para os maus pensamentos, a crispação e a impaciência podemos também alinhar com a negatividade, gerar forças que nos abatam o moral. Os nossos maus pensamentos são um fator fundamental a ter em conta. Uma energia que se torna a mais perigosa de todas, porque está cá dentro.
Seguindo por aí, não tendo cuidado em escolher a boa ajuda e não dispondo de energias para retificar tendências negativas, lá vamos ter de tomar logo de manhã o antidepressivo que nos amortece os sentidos da alma, não dispensado ao deitar o tranquilizante que nos consinta o sono.

NOTA IMPORTANTE:

− Quando falo aqui em melhores companhias muita gente irá pensar que me refiro às pessoas – amigos e conhecidos com quem convivo no dia-a-dia.
ATENÇÃO!… Essa não é a totalidade das companhias que podem vir lançar atrapalhação e mal estar. Se leram com atenção desde princípio lembrar-se-ão que também grande quantidade de espíritos de pessoas já ausentes (os mais materializados e de menor evolução espiritual) andam por aí em grande número.

Se nos abandonarmos a pensamentos negativos e a preocupações obscuras, se fugirmos a momentos elevados de sensibilidade espiritual:

− as boas leituras como as boas acções;
− a melhor cultura como os gestos altruistas;
− as conversas e atitudes edificantes como as atitudes generosas;
− o exercício altamente importante e espiritualizante da PRECE!…

os espíritos com baixas vibrações e pensamentos negativos serão atraídos para o nosso convívio, porque estaremos fatalmente a vibrar à mesma frequência.

MUITO CUIDADO!… Esse risco arrasta-nos para a depressão, para o abatimento – numa palavra, para a obsessão!…

Para saberem o que é a obsessão consultar por favor a importantíssima obra publicada neste blogue da autoria de José Herculano Pires: OBSESSÃO/AUTO-OBSESSÃO – um tema importantíssimo

141-O-VA LEI DA CAUSA E DO EFEITO
Se eu plantar laranjeiras, colho laranjas. Se plantar ventos, colho tempestades. Se semear afetos, mereço colher afetos. Ao semear, porém, já sou beneficiário da boa intenção, que me beneficia desde o primeiro instante. A colheita é contingente, mas é possível. Semear é um dever inabalável de potencial altamente retributivo. Lembrem-se: além dos atos produtivos as boas intenções têm muitíssimo valor!…
A aliança de todos os gestos generosos pode não fazer sempre todos os milagres. Mas encurta o caminho para a perfeição.
Os espíritos que a minha amiga vê passear pela casa necessitam de nós como amigos, como vontades solidárias. Além de semearmos laranjeiras, para colher laranjas, tenhamos o gesto solidário, a palavra de carinho, a prece essencial de apelo às mais elevadas instâncias. Não olhemos de lado as estranhas visitas cujo nome desconhecemos, quer vendo-as, quer se apenas as persentimos.
Com os espíritos não alimentemos o medo; Usemos o melhor da nossa hospitalidade.
Quem sabe será aquele vulto um vizinho conhecido em busca de apoio? Quem sabe será um ente querido há algum tempo desaparecido, em busca do perdão que lhe negámos em vida? Isso acontece, é da vida e está comprovado pelo trato com os espíritos. Nós também somos espíritos e andamos pela vida, tantas vezes, à procura de um simples gesto de carinho, de compreensão ou de auxílio generoso. E se aqueles pelos quais passamos uma e outra vez, virarem sempre o rosto para o outro lado, não querendo estender-nos e, pior do que isso, TIVEREM MEDO DE NÓS por ignorância e frieza indiferente?
Ousemos entendê-los, ousemos o afeto compreensivo.
Esse semear produzirá nos outros o melhor da transformação positiva que em nós ficará a germinar como uma árvore saudável de frutos garantidos.
Chamem-lhe laranjas, chamem-lhe boa vontade, chamem- lhe consciência tranquila ou chamem-lhe a simples alegria de dar!…

106-A-reinv

ESPÍRITOS SOMOS TODOS, EM SITUAÇÕES DIFERENTES

As pessoas que evidenciam estranheza perante os espíritos por serem coisa “do outro mundo”, caiem na rejeição irracional de abordar sequer o tema da vida depois da morte.
Daí um medo mórbido, uma terrível insegurança perante o fenómeno que a todos tocará de forma inevitável. Mesmo os ateus mais dramáticos ou as pessoas a quem a falta de coragem intelectual impede de enfrentarem o assunto, como simples tema de conversa, deveriam pensar no deficit de sentido prático que isso envolve.

Vão morrer um dia, seja de que maneira for, de forma acidental ou seguindo o itinerário mais desejável da longevidade feliz, sem dores profundas de agonia arrastada.
Nesse dia, no instante após, poderão ter necessidade de um “livro de instruções” que os liberte dos transtornos de não saber o que fazer. Havendo – como parece que há – procedimentos aconselháveis, julgo que seria bom dar uma vista de olhos ao tema.

Os cidadãos bem apetrechados costumam precaver-se sempre com cautelas, mesmo nas mais raras e improváveis voltas desta vida. Quanto à morte, essa infalível ocorrência, viram as costas ao assunto quase ofendidos ou desconcertados pela indiscreta apresentação do mesmo.

103-D-PPComportamento que faz lembrar o das crianças assustadas que põem as mãozitas sobre os olhos para o que estão a ver deixe de existir, ou como se a mera hipótese da vida eterna fosse algo de somenos, sonho imerecido que não voa porque a dúvida triste lhe cortou as asas.

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NINGUÉM SE ESQUEÇA DO SEGUINTE:

− O conhecimento da cultura e da ciência espirita, para além de esclarecer as principais questões da vida − origem e destino dos seres − é importante elemento de  libertação e progresso espiritual. Favorece de modo esclarecido a manutenção da saúde física e emocional e é um apoio firme da felicidade pessoal e familiar.
Não é imperioso frequentar nenhum centro, pertencer a nenhum grupo e muito menos frequentar sessões mediúnicas, que são  reuniões muito reservadas que solicitam grande preparação.
A cultura espírita pode desenvolver-se de forma independente mediante o interesse pessoal. O seu estudo pode ser configurado à medida dos interesses de cada um, sendo abundantíssimas as fontes de informação disponíveis, nomeadamente na internet.
Como é timbre e característica fundamental da fraternidade espírita, é sempre possível obter tais elementos de forma completamente grátis.

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