Ulisses Lopes, a visão estética e a actualidade da comunicação espírita em Portugal – Parte I

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A inspiração artística, resultante legítima de valores do espírito
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A ilustração de textos noticiosos com conteúdos de bom nível é um trabalho de grande importância comunicativa, exigindo, para além de sagacidade na escolha das imagens, a criatividade honesta na sua utilização.
O que significa que uma imagem não necessita apenas de ser bonita, ou impressionante ou espectacular. Ao transmitir ideias positivas é indispensável usar-se inteligência e rigor de processos, respeitando a coerência imperiosa entre a mensagem escrita e o estímulo visual que à mesma é associado.
É muitíssimo oportuno que também esta problemática seja abordada, estimulando qualitativamente a forma como se divulga uma cultura de emancipação progressista, universal e optimista, como é a cultura espírita.
Igualmente é necessário prestar-se atenção, divulgando os melhores exemplos conhecidos, como forma de elevar o nível dos trabalhos publicados e o seu enquadramento estético.
Por outras palavras: criar um novo patamar da opinião que temos a respeito de nós mesmos, por uma mais dinâmica observação da realidade.

Tendo desenvolvido o gosto de escrever a respeito da arte e dos artistas, poderia ter publicado este trabalho numa página exclusivamente dedicada a essa temática.
Mas acho que a notícia está muito melhor aqui, visto que, se os temas estritamente teórico-culturais devem referenciar com a devida clareza os seus autores e todas as citações autorais que incluem, não há razão nenhuma para ignorar a identidade de um criador artístico que coloca ao serviço da causa comum o seu bom gosto e o seu sentido criativo.

Nos dias de hoje, face ao futuro, a comunicação das ideias não dispensa os atributos da visão plástica. E o trabalho cultural e artístico que aqui é apresentado é um exemplo vivo de eficácia e lucidez intelectual indispensáveis à divulgação de qualquer cultura.

Os cartazes virtuais das palestras de ASEB – Associação Sociocultural Espírita de Braga, da autoria de Ulisses Lopes

Por facilidade de demonstração dos pontos de vista acima expostos, passo a revelar apenas uma parte dos muito mais de duzentos cartazes virtuais dos convites que são regularmente enviados pela ASEB a todos os membros da sua “mailing-list” e que apresentam de forma expressiva e culturalmente inteligente os acontecimentos anunciados por esse processo.

Fazendo parte dessa lista de endereços, a chegada à minha caixa de correio desses cartazes virtuais é sempre um momento de contemplação interessante, de questionamento interpretativo e de admiração consequente.

Todos esses elementos gráficos estão presentes numa página quase confidencial do site de ASEB, que de todos mereceria uma visita muito cuidadosa e atenta, no título do menu do site que se intitula: Palestras Espíritas.
Uma nítida tendência de “humildade inconveniente” arrumou essa página em último lugar no elenco do referido menu e, para mais, sob rigoroso anonimato, como se tivessem sido feitos por “ninguém”.
A mesma tendência, que reflecte um conceito acanhado das pessoas e da compreensão rudimentar que a responsabilidade autoral consigo transporta, torna-se incongruente pelo simples facto de que muitos dos cartazes aqui publicados publicam o nome dos autores das palestras, permanecendo em todos eles anónimo o seu próprio autor.

Os conjuntos que aparecem de seguida estão organizados como “galerias de imagens” para poderem ser vistas em formatos maiores e cada uma por si. Para isso o visitante poderá clicar na primeira imagem, desfilando depois através da galeria.

 

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O inspirado autor deste e de muitos outros exemplos de labor estético, de presença jornalística e de intervenções de nível pedagógico, é um trabalhador da causa espírita e – sendo ainda jovem – multiplica essa acção por vários aspectos já de há bom número de anos.
Tenho coleccionado uma grande quantidade de sinais do seu talento e da energia comunicativa de que se serve para levar a tudo e a todos uma tradução perfeitamente coerente com as ideias esquematizadas nos parágrafos anteriores.
Já lhe perguntei porque espera tão demoradamente em desenvolver um site pessoal que documente a vastidão da sua obra artística – que se estende a vários domínios de actividade técnico-profissional e cultural – paralelamente à realização de uma condigna exposição individual, que documente a importância colectiva e institucional que coloca ao serviço dos valores culturais que defende.

A realização de uma iniciativa desse tipo teria todas as vantagens e seria muito dignificante para o colectivo dentro do qual o artista se movimenta. Revelaria qualidades inerentes à mensagem que se ocupa em divulgar, criando um paradigma mais aberto e dinâmico na contemplação do mundo e de nós mesmos.
Dar um nome e um rosto a esta obra é o passo essencial para nos colocarmos ao nível dessa inteligência observativa, acto de partilha de valores comuns, momento pedagógico – no mais rigoroso sentido do termo – e digno da mais alargada projecção.

“galeria de imagens” – clicar na primeira para ter acesso:

Um dos factores de qualidade formativa deste conjuntos de imagens é inserirem grande número de referências inovadoras e predominantemente diferentes do imaginário “habitual”, “típico”, por vezes infelizmente “crónico”, do meio a que dizem respeito.
A consideração individual de cada imagem oferece dimensões que podem facilmente relacionar-se com outras, dando a oportunidade a uma grande variedade de leituras, onde intuitivamente se desenvolve a capacidade crítica, o sentido de humor e, em grandes doses – a rara inteligência da ironia.
O mundo, a sociedade, os impulsos culturais, a convivência e o apelo permanente à novidade exigem que uma mensagem, seja ela qual for, sinalize a capacidade de quem ousa e tem vontade de se adaptar à energia do presente, para não ser condenado à sombra equívoca de certos passados pouco inspiradores e deprimentes.

“galeria de imagens” – clicar na primeira para ter acesso:

 

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Na imensa variedade das suas propostas ou visões do mundo, Ulisses Lopes não nos traz, como é habito, notícias e referências dos últimos 160 anos. As vibrações ideológico-imagéticas que nos oferece abrem decididamente para os horizontes do século XXI.
O espiritismo, observado desta constelação multifacetada de referências artístico-culturais, é um arco-íris de mistérios apaixonantes.

A leitura mais inteligente do passado é aquela que ousa transformá-lo em coisa nova, horizonte de esperança e fé, laboriosa e dedicada evolução intelectual e corajoso aperfeiçoamento moral.

 

“galeria de imagens” – clicar na primeira para ter acesso:

 

Para encerrar esta notícia, duas imagens de Ulisses Lopes que valem mais do que duas mil palavras:

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Caros visitantes,
por artimanhas da internet, é muito difícil visitar à primeira os comentários a esta notícia, que estão meio escondidos. Depois de terem lido e visto tudo, convido todos a verificarem, lá ao fundo, no seguinte endereço:
https://palavraluz.wordpress.com/2017/08/29/ulopes/#comment-450

 

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Ulisses Lopes, a visão estética e a actualidade da comunicação espírita em Portugal – Parte II

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Não conhecemos com pormenor a totalidade dos percursos de Ulisses Lopes ao longo da sua multifacetada carreira artística, quer no domínio profissional quer na área de militância cultural.
Para além do numeroso conjunto de trabalhos já dados a conhecer na longa notícia antes elaborada, existe ainda um número significativo de imagens nos nossos muito incompletos arquivos, tendo em conta a vastíssima obra a que nos estamos a referir e que mereceria divulgação devidamente historiada.

A já longa história do JDE / Jornal de Espiritismo

Há uma referência principal da pródiga actividade de Ulisses Lopes que não poderíamos evitar, dada a importância que tem tido, como marco assinalável da divulgação da cultura espírita entre nós. Trata-se evidentemente do JDE /Jornal de Espiritismo, de que é director e fundamental activista, do qual iremos incluir duas pequenas galerias, uma de uma fase mais antiga desse periódico, outra da fase mais recente.
Para encerrar esta segunda parte da divulgação, muito sumária aliás, do percurso de Ulisses Lopes, finalizamos com mais uma galeria de notáveis exemplos dos “cartazes virtuais” de divulgação das palestras realizadas na ASEB – Associação Sociocultural Espírita de Braga.

Galeria de raros exemplares de JDE / Jornal de Espiritismo de 2006/2008
(clicar na primeira imagem para ter acesso à galeria)

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Galeria de alguns exemplares de JDE / Jornal de Espiritismo de 2012/2017

 

Galeria de cartazes virtuais dos acontecimentos de ASEB – Associação Sociocultural Espírita de Braga

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“galeria de imagens” – clicar na primeira para ter acesso:

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Bertrand Russell – Sobre o progresso espiritual

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As publicações que o IPEAK prometera a respeito do seu trabalho mediúnico de pesquisa e ilustração continuam a surgir, com benefício para todos os interessados.

Já sendo privilégio raro o imenso interesse das reflexões que nos aparecem sob a assinatura do Espírito Russel, temos aqui também o precioso ensejo de abordar conceitos sobre o progresso moral e sobre o progresso espiritual, ditados em Agosto de 2016 pelo Espírito Allan Kardec!…

Na primeira das mensagens aqui publicadas do Espírito Russel foi-nos apresentado um relatório inspirado do seu regresso ao mundo espiritual, com impressões de um grande intelectual ateu a respeito de Deus, agora reconhecido, rematadas de forma eminente: 
…Deus foi o calor que senti após a gélida travessia. Em Deus repousa o sentido, e é nele que a busca cessa…”

Desta feita é-nos oferecida a oportunidade para reflectir sobre a longa caminhada do progresso espiritual, do qual colhemos uma breve fracção de todo o valiosíssimo texto:
“…Na medida em que a consciência se amplia, pelo conhecimento do bem e dos deveres sempre crescentes que ela lhe impõe – o homem é chamado a empreender uma luta contra suas imperfeições, seus fantasmas interiores, por vezes mais tenazes que os maus Espíritos que o rodeiam, porque o assombram ininterruptamente.”

Dizendo MUITO OBRIGADO AO IPEAK, vamos continuar a seguir estas magníficas publicações!…
Para os interessados em alargar este precioso contacto se sugere que se registem como seguidores de IPEAK.

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Na sessão do dia 30 de Agosto de 2016, havíamos estudado o texto da Revista Espírita de Fevereiro de 1864 – Dissertações espíritas – “Estudos sobre a reencarnação”, e havíamos ficado com uma dúvida relativa à seguinte afirmativa feita por Kardec em seu comentário à dissertação do Espírito: “É assim que, de um mundo material como a Terra, pode ir habitar um mundo superior, como Júpiter, se seu avanço moral e espiritual for suficiente para dispensá-lo da passagem pelos graus intermediários.”

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Evocamos nosso professor Allan Kardec e lhe fizemos a seguinte pergunta:

1. Caro mestre, gostaríamos de compreender melhor em que consiste o adiantamento moral e o espiritual a que se refere Kardec no último parágrafo do texto que estudamos, e como discernir um e outro.

Eis a resposta que recebemos:

“Embora possais eventualmente usar como sinónimos esse dois progressos, no texto citado era necessário deixar claro que são progressos distintos, pois relacionam-se a aspirações diferentes. O progresso moral advém da compreensão das leis de Deus e do desejo de relações sociais que possam tornar o mundo o melhor possível.
Por isso, as leis dos homens devem ser leis morais, se se quiser uma vida melhor neste mundo.
Notai que não precisa crer-se espírita para desejar um mundo melhor; porém, aquele que deseja progredir como Espírito deve expandir suas aspirações e almejar mais do que a moralização do mundo pela mudança de seu comportamento; deve desejar as moradas felizes, a vida dos Espíritos superiores, acrescentando ao seu bem proceder essa nova aspiração;
deve dar à vida material um valor relativo, usufruindo dela apenas o necessário para atingir o objetivo a que está destinado por Deus: progredir como Espírito imortal e aspirar a suprema felicidade, que é ser Espírito puro.
Pode-se dizer então que o progresso espiritual seria conhecer a verdade para viver de acordo com a verdade, não mais circunscrito a um mundo, mas na plenitude da unidade Divina.”

Allan Kardec
Psicografada em 30/08/2016

GEAK – Sessão do dia 22/11/2016

Nesta sessão nós relemos a resposta reproduzida acima e fizemos mais algumas reflexões sobre o tema, que nos tem despertado vivo desejo de compreender melhor.
Na sequência evocamos o Espírito de Bertrand Russell, para ditar uma dissertação sobre o progresso espiritual que ele já nos havia prometido. Ele ditou o seguinte:

“Amigos,
Sinto-me feliz pelo chamado, e sou grato pela consideração que guardam por mim. Depois de organizar melhor as minhas ideias sobre o tema, sinto-me mais seguro de, agora, ditá-las ao médium e de submetê-las a vocês, espíritas. Agradeço especialmente aos Espíritos que me ajudaram a ter noções mais justas sobre o progresso espiritual, entendido, é bom que se diga, na perspectiva que estavam debatendo desde há algumas semanas, diferindo-o essencialmente do progresso moral.

No começo do seu progresso, em mundos ainda imperfeitos, o Espírito experimenta uma forma de ignorância não viciosa e de uma simplicidade não virtuosa, mas pouco a pouco as reencarnações vão lhe auxiliando a desenvolver uma diferenciação progressiva em relação ao que ele era no momento em que foi criado. Bem se vê que na fase inicial mão invisível o sustenta e o guia até que, pela experiência, a verdadeira responsabilidade lhe pese sob os ombros e seu livre-arbítrio já esteja suficientemente desenvolvido para que sofra as consequências de suas escolhas. Aos poucos sua consciência já o adverte, e embora suas noções de bem e de mal ainda precisem de muitos aprimoramentos, já incide sobre ele a justiça de Deus, com relação aos seus próprios atos e de acordo com o seu conhecimento das coisas. É então nesse momento que uma segunda forma de ignorância – o desprezo voluntário daquilo que já se sabe sobre o bem – pode fazer-se predominante, com exceção dos Espíritos que desde o começo se decidem pelo bem.

Inicia-se, então, a luta que caracteriza o progresso moral, marcada pelo esforço por dominar as más inclinações, esforço esse que permite que novas aspirações possam lentamente surgir. Na medida em que sua consciência se amplia, pelo conhecimento do bem e dos deveres sempre crescentes que ela lhe impõe – porque o bem sempre se amplia indefinidamente, na medida em que o Espírito se habilita a voos mais altos – o homem é chamado a empreender uma luta contra suas imperfeições, seus fantasmas interiores, por vezes mais tenazes que os maus Espíritos que o rodeiam, porque o assombram ininterruptamente. Esse processo finda com a eliminação dos ditos fantasmas, que cessam de exercer predomínio sobre as consciências inseguras, receosas e incertas do que é o bem e das vantagens de escolhê-lo.

Neste ponto o Espírito já deseja o bem de todos, importa-se com seu semelhante e esforça-se sem descanso para fazer-lhe o bem, mas muitos progressos ainda lhe faltam até o pleno gozo daquilo que intitulo de suas faculdades divinas. O progresso espiritual, então, funda-se na necessidade de complementar o progresso moral, a fim de dar cumprimento ao mais profundo ensinamento do Cristo, ensino que eu, em minha última existência terrena, não compreendi: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.” Deve, assim, o Espírito elevar-se ainda mais, fazendo da aspiração de unir-se a Deus, por um amor lúcido e racional, o seu móbil, a sua marca, o seu objetivo. É desse modo que o Espírito logra ascender cada vez mais a moradas mais purificadas, de maneira que possa assumir um dia as tarefas nos conselhos do Omnipotente, tomando, em definitivo, o lugar que lhe cabe na obra da criação.

Após as considerações precedentes, um conselho lhes deixo: elevem-se, amigos; cultivem o solo de suas almas para que as sementes que estes sábios Espíritos vêm delicadamente lançar sobre todos, germinem e produzam bons frutos. Logo mais, vencidas as dificuldades morais que nos têm caracterizado, logo ali, digo eu, porque hoje eu posso sondar a imensidão, todos poderemos, ascendendo a montanha do progresso espiritual, gozar do pleno amor de Deus; então, teremos realizado o objetivo para o qual fomos, desde a nossa origem, criados.
Adeus, amigos. Até breve!”

Russell.
Psicografada em 22/11/2016.

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Diálogos com o Espírito de Bertrand Russell


 


Perguntas-me como descobri Deus.
Eu não o descobri. Ele se desvela. Ele se mostra. Ele é a totalidade racional que a razão obscurecida pela matéria e por nossos vícios não entende. Deus é o mais precioso mistério; é a abundante vida que todo ser aspira. Deus é o que nunca podemos ser, mas o que sempre podemos tocar, sentir, respirar. Deus foi o calor que senti após a gélida travessia. Em Deus repousa o sentido, e é nele que a busca cessa.

Espírito Bertrand Russel

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Não é meu hábito fazer trabalhos aqui recorrendo à simplicidade, às vezes preguiçosa, do “copy-paste”.
Mas para tudo há momentos próprios e, estando ocupadíssimo com outras investigações e tarefas que dentro de algum tempo irão animar estas páginas, não resisti à tentação de trazer aqui uma comunicação mediúnica de Bertrand Russel, uma personalidade insigne da cultura, da ciência e da filosofia que, para além disso, era um cidadão comprometido, corajoso e activo.
Admirei sempre o seu perfil de homem culto, de activista do pensamento solidário, enérgico na defesa da Humanidade, da dignidade cívica e da Paz.
O testemunho aqui registado poderá revelar-nos que os ateus, os materialistas e os cépticos, no cúmulo das suas qualidades humanas, além de cidadãos da mais alta valia, poderão ser almas brilhantes de elevadíssima evolução.

A leitura da sua comunicação é um momento inspirador, comprovativo dos horizontes inesgotáveis da magnânima obra da Criação.
Se um ateu convicto pode chegar ao mundo espiritual, vindo até nós com tão belíssimas palavras, tudo confirma o que sabemos quanto ao brilhante futuro de luz e de paz de que nos fala a magnífica cultura espírita.
Admirei  por isso a vasta constelação de oportunidades de reflexão espiritual que a comunicação encerra, merecedora de um extenso e bem elaborado comentário.

O depoimento mediúnico que nos é apresentado pelo importantíssimo trabalho do IPEAK, recomendado por aqui variadas vezes e de diversas formas, de que sou atento seguidor, presenteia-me frequentemente com documentos importantes.
Esta comunicação, assinada pelo Espírito Bertrand Russel, é produto de um avançado trabalho de pesquisa mediúnica ilustrativo do melhor que nos pode dar a magnífica cultura espírita.
Vai publicada mais abaixo, depois dos conteúdos facultados  a respeito de Bertrand Russel, com aplauso para a generosidade qualificada do IPEAK.

Diálogos com o Espírito de Bertrand Russell
Filósofo que na Terra foi ateu e materialista

Em o Livro dos Médiuns, item 292, que fala sobre a sorte dos Espíritos temos as seguintes orientações:
21ª Podemos pedir aos Espíritos informações sobre a situação em que se encontram no mundo dos Espíritos?
Sim, e eles os dão de bom grado quando o pedido é ditado pela simpatia, ou o desejo de ser útil, e não pela curiosidade.”
22ª Podem os Espíritos descrever a natureza de seus sofrimentos ou de sua felicidade?
Perfeitamente, e as revelações desta espécie são um grande ensinamento para vós, porque vos iniciam no conhecimento da verdadeira natureza das penas e das recompensas futuras; destruindo as falsas ideias que fazeis a esse respeito, elas tendem a reanimar a vossa fé e a vossa confiança na bondade de Deus. Os bons Espíritos se sentem felizes em vos descrever a felicidade dos eleitos; os maus podem ser constrangidos a descrever seus sofrimentos, a fim de provocar neles o arrependimento; nisso encontram eles, às vezes, até uma espécie de alívio: é o desgraçado que se lamenta, na esperança de obter compaixão.
Não esqueçais que o fim essencial, exclusivo, do Espiritismo é a vossa melhora e é para o alcançardes que é permitido aos Espíritos vos iniciar na vida futura, oferecendo-vos exemplos de que podeis aproveitar. Quanto mais vos identificardes com o mundo que vos espera, menos lamentareis esse onde agora estais. Eis, em suma, o objectivo actual da revelação.”

Pois bem, seguindo essas orientações dadas pela Ciência Espírita, em nosso grupo evocamos o Espírito de um filósofo contemporâneo, que na Terra foi ateu e materialista, a fim de obter informações sobre sua passagem ao mundo dos Espíritos.

Eis aqui alguns dados biográficos do filósofo que evocamos:

Nascido em 1872 e falecido em 1970, Bertrand Russell foi um influente matemático, filósofo ateu e lógico que viveu no século XX. Popularizou a filosofia e a física, em livros de divulgação científica. Publicou mais de 40 livros a respeito de temas tão variados como educação, política, história, religião, ética, casamento e ciência. Sua grande contribuição, no entanto, deu-se no campo da lógica matemática e da filosofia analítica, de que foi um dos fundadores. Foi o vencedor, em 1950, do Prémio Nobel de Literatura. Russell opôs-se constantemente à existência de armas nucleares desde a sua primeira utilização. Em 1955, Russell lançou o Manifesto Russell-Einstein, co-assinado por Albert Einstein e outros nove cientistas e intelectuais notáveis, um documento que levou à primeira das Conferências Pugwash sobre Ciência e Assuntos Mundiais em 1957. Em 1958, Russell tornou-se o primeiro presidente da Campanha para o Desarmamento Nuclear. Demitiu-se dois anos mais tarde, quando o CDN não o apoiou em um ato de desobediência civil, e formou o Comitê dos 100. Com quase noventa anos, em Setembro de 1961, foi preso por uma semana por incitar à desobediência civil e por ter participado de uma grande manifestação chamada ban-the-bomb no Ministério da Defesa, mas a sentença foi anulada por causa de sua idade já avançada.

No dia 30 de Setembro 2008 Russell foi evocado na intimidade, por um dos médiuns do GEAK, para que falasse da sua passagem ao mundo dos Espíritos. Ele ditou o que se segue:

“Morrer é despir-se. É transitar nu em avenida movimentada. Uma nudez estranha, poderosa, constrangedora. A morte do materialista é difícil, mas por um lado melhor do que a de muitos espiritualistas. Quem se dedicou para merecer o céu, às vezes não o encontra, enquanto quem esperava desfazer-se não mergulha no nada, mas no todo. Minha morte foi isso: um mergulho em um mar gelado e real de vida incessante (e nu, como havia dito).

Confesso que a proximidade do fim produz pensamentos contraditórios. As verdades consagradas tendem a perder a força, dando lugar a receios, desconforto e (para meu desespero) esperança. Esta gota de orvalho que refrescou minha alma na passagem colocou-me em situação inusitada: misto de entrega ao abismo com expectativa de algo novo. O corpo se despede da alma ainda a desejando. São como dois amantes que, mesmo sabendo da impossibilidade de continuar a relação, ainda arriscam beijos demorados de uma despedida inevitável que desejam prolongar.
A nudez gélida na sibéria da realidade sacudiu-me. Estava vivo. Estava feliz. Como isso? Nada de céu, nada de Inferno. Sem anjinhos robustos a me esperar; sem criaturas chifrudas no meu encalço. Somente o frio e a solidão de minhas inquietações naquele momento novo.
Passado esse período, que não posso precisar o tempo de duração, recebi visitas agradáveis e logo pude locomover-me para encontrar queridos amigos que, àquela altura já sabia, estavam vivos como eu. Experiências e experiências de felicidade! Venturoso é aquele que encontra seus amores e dialoga com seus pares: uma nova Matemática, uma nova Filosofia, um novo saber científico, uma nova expressão do amor. Bebi nas fontes mais puras da Sabedoria. Conheci relatos de cristãos da primeira hora, conheci passagens belíssimas dos ensinos de Buda. Dialoguei com Sócrates.
O que é a morte? Para mim é vida. É estar religado ao Universo sem amarras, sem tormentos, sem necessidades, sem anseios.
Perguntas-me como descobri Deus.
Eu não o descobri. Ele se desvela. Ele se mostra. Ele é a totalidade racional que a razão obscurecida pela matéria e por nossos vícios não entende. Deus é o mais precioso mistério; é a abundante vida que todo ser aspira. Deus é o que nunca podemos ser, mas o que sempre podemos tocar, sentir, respirar. Deus foi o calor que senti após a gélida travessia. Em Deus repousa o sentido, e é nele que a busca cessa.

Russell.

Psicografada pelo Sr. C. C. M., em 30 de setembro de 2008.

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Observação:

O IPEAK informa que estas comunicações irão continuar, facto a que estaremos muito atentos.

LER CONTINUAÇÃO EM IPEAK (basta clicar nesta frase)


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O SÁBIO BERTRAND RUSSEL ESTAVA PLENAMENTE DE ACORDO COM A CULTURA ESPÍRITA, NA SUA SENSATA RECUSA DAS PENAS ETERNAS…

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“O Espiritismo na Arte” de Léon Denis, breve tratado sobre o destino sublime de todas as humanidades

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Wassily Kandinsky, Montanha (1909) óleo s/ tela, 109 x 109 cm, visto em WikiPaintings – Visual Art Encyclopedia – Städtische Galerie im Lenbachhaus, Munique, Alemanha

Os visitantes encontrarão um ficheiro PDF da obra referida ao fundo destes textos que pedem a vossa boa atenção de leitores.

O livro que aqui se apresenta, “O Espiritismo na Arte”, da autoria de Léon Denis, é muito difícil de sintetizar, pela abundância de qualidades e informações que nos oferece.
O entendimento da arte é uma área especializada de conhecimentos e, certamente, uma daquelas que mais genuinamente acompanha e sinaliza a evolução dos espíritos.

São incessantes as indicações de parte dos autores da obra que nos dão a conhecer a impossibilidade de compreendermos certas ideias expressas devido ao condicionamento evolutivo das almas. Com efeito, muitas das coisas que são ditas chocam na barreira intransponível de uma linguagem incapaz de ir além da troca das ideias de sentido sempre muito relativo; o das nossas palavras, cujo significado se restringe ao que os dicionários pobremente nos oferecem para defini-las, infinitamente longe das linguagens do pensamento dos altos céus inundado de luz e música.

Falei atrás em autores e quem lê deverá ficar um pouco surpreendido por esse facto, pois que a autoria designada da obra é de uma só pessoa, Léon Denis. O seu conhecimento das coisas, nesta como ao longo de toda a sua monumental e excelente tarefa de estudioso, escritor e divulgador do espiritismo, também se configura como um “ensinamento comunicado pelos espíritos” dada a interpenetração de noções elaboradas pela sua própria sensibilidade. Incluo portanto na autoria da obra a pluralidade das entidades que “comunicam”, isto é – que escrevem (espíritos um e os outros!…).
A vasta percepção dos ensinamentos adquiridos pela leitura das obras de Léon Denis constitui sempre um eco genuíno do “diálogo entre humanidades”, isto é – entre a nossa vivente no corpo material – e a sua fraterna e tão íntima contraparte vivente no mundo do Além.
Não vou muito para além disto nesta apresentação para não tornar longas as razões que a leitura do livro pode fornecer melhor que a sua mesmo que entusiástica apresentação. A minha apresentação é, ou deseja ardentemente ser, entusiástica, não somente pelo que o livro nos diz mas sobretudo pela janela aberta de ansiedade esperançosa que desenha na mente de quem o leia; Janela aberta que dá para as altitudes que nos esperam depois da grande jornada de revisitação das vidas.
Muitas e muitas das coisas ditas no livro deixam-nos perplexos, com mais dúvidas que certezas, mas tão luminosamente ansiosos de espaço e de emoções que vale a pena correr o risco de lê-lo, para que disso tenhamos consciência, ou para que disso recolhamos um certamente vigoroso impulso nessa direcção.
Entusiasmado com esse facto fiz os possíveis, ao “tratar” o livro para uma leitura ao meu gosto, de prepará-lo para terceiros com a intenção honesta de entendimento o mais fácil possível.
Não vou expandir-me em razões que justifiquem esse trabalho. Aceito, por isso, todas as críticas que queiram fazer-me e prometo corrigi-las, se fizerem o favor de me escrever, fornecendo as respectivas razões.

Um dos reparos que foi feito a Léon Denis a respeito de certos momentos desta obra, refere a tendência, muito francesa, de se deixar entusiasmar pela bondade das tradições culturais gaulesas. A adjectivação de alguns críticos é pesada e não vou elaborar muito a esse respeito.
A já muito provecta idade do autor quando escreveu este trabalho, os vários sofrimentos importantes que o seu corpo físico lhe impôs – entre eles, o da cegueira – obrigam-me a aceitar como uma dádiva excepcionalmente generosa da sua abnegação, o trabalho que fez com toda a habitual lucidez nos últimos anos da sua existência.
Atendendo que os escritos não foram por ele colocados em livro e que apenas os publicou numa revista do seu próprio país para uma minoria sócio cultural com características muito próprias, deram-me coragem para omitir no texto as referidas ideias de algum “chauvinismo francófilo”. Coloquei nesses pontos o símbolo seguinte: (…)
Quem quiser dar-se ao trabalho pode ir lê-las nos textos originais, dado que os dou a conhecer com toda a clareza.

Ilustrações de Wassily Kandinsky

Tenho uma enorme admiração pela obra deste artista e as imagens que incluo são todas anteriores a 1922, ano em que foram publicados os artigos mensais de Léon Denis. Não tenho dúvidas que um artista da craveira de Wassily Kandinsky, que residiu muito tempo em Paris na fase derradeira da sua vida, deve perfeitamente ter sido do conhecimento do cultíssimo Léon Denis. Foi aliás não apenas um artista criador de enorme talento mas também um pensador do mais elevado valor intelectual e, impossível seria omiti-lo, profundamente espiritualista.
É mundialmente famosa a sua notável obra “Do espiritual na Arte”, que gostaria de vir a abordar nestas páginas com o devido cuidado e aprofundamento.
Sem ser uma obra espírita, seria uma forma excelente de reforçar tantas das empolgantes afirmações que nos oferece “O Espiritismo na Arte”, obra raríssima pelo tema e pelos seus admiráveis conteúdos.
Nela, pela mão e com os comentários de Léon Denis, outros insignes autores sem explicarem o que não é possível explicar, estimulam a convicção profunda da elevação sem limites que o nosso destino nos reserva, na longa estrada que merece ser percorrida com plena coragem, com vontade inabalável e a mais segura certeza de vamos alcançá-la.

espiritismo.cultura@gmail.com

Comentário final a “O Espiritismo e a Arte” da autoria de Léon Denis:

O estudo do Espiritismo nas suas relações com a arte incide nos mais vastos problemas do pensamento e da vida. Mostra-nos a ascensão do ser, na escala das existências e dos mundos, em direção a uma concepção sempre mais ampla e mais precisa das regras da harmonia e da beleza, segundo as quais todas as coisas são estabelecidas no Universo.
Nessa ascensão magnífica, a inteligência cresce pouco a pouco; os germes do bem e do belo, nela depositados, desenvolvem-se ao mesmo tempo que a sua compreensão da lei de eterna beleza se amplia.
A alma chega a executar a sua melodia pessoal, sobre as mil oitavas do imenso teclado do Universo; É penetrada pela harmonia sublime que sintetiza a ação de viver e interpreta-a segundo seu próprio talento, desfruta cada vez mais as felicidades que a posse do belo e do verdadeiro proporciona; felicidades que, desde este mundo, os verdadeiros artistas podem entrever.
Assim, o caminho da vida celeste está aberto a todos, e todos podem percorrê-lo, por seus esforços e seus méritos, e conseguir a posse desses bens imperecíveis que a bondade de Deus nos reserva.
A lei soberana, o supremo objetivo do Universo é, por conseguinte, o belo.
Todos os problemas do ser e do destino se resumem em poucas palavras. Cada vida deve ser a realização do belo, o cumprimento da lei. O ser que alcança uma concepção elevada dessa lei e das suas aplicações, deve ajudar todos aqueles que, abaixo dele, persistem no esforço por se elevarem .
Por sua vez, os seres inferiores devem trabalhar para assegurar a vida material e, em seguida, tornar possível a liberdade de espírito necessária aos pensadores e aos pesquisadores. Assim se consolida a imensa solidariedade dos seres, unidos numa ação comum.
Toda a ascensão da vida em direção aos cumes eternos, todo o esplendor das leis universais se resumem em três palavras: beleza, sabedoria e amor!.

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Léon Denis – O Espiritismo na Arte

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A mediunidade do piano, fala Frederic Chopin

Frederic Chopin (1810-1849)
Frederic Chopin (1810-1849)

Trago aqui hoje a tradução de uma comunicação mediúnica feita pelo médium inglês LESLIE FLINT, no dia 19 de Dezembro de 1959.

Necessário será dizer-se – para que não haja equívocos – que não se trata de um médium espírita e sim de uma pessoa que se movimentou na área espiritualista inglesa.
A comunicação, que não me parece fantasista nem discordante da  cultura espírita, inclui até uma clara referência à reencarnação, facto que contrasta com o posicionamento da religião espiritualista inglesa.

O espírito comunicante foi o de FRÉDÉRIC CHOPIN, músico conhecidíssimo de enorme talento, nascido em 1 de março de 1810 e falecido em 17 de outubro de 1849. Em termos resumidíssimos dir-se-á que foi um compositor polaco do período romântico, amplamente considerado um dos maiores compositores para piano de todos os tempos.

No fim da sua comunicação o espírito de Frederic Chopin, e porque era Dezembro, regista os seus votos de Feliz Natal. Despretenciosamente mas com muita alegria, espiritismo cultura irmana-se com esta atitude e deseja a todos os visitantes, nesta quadra e no próximo ano, muitas felicidades, plena alegria e o mais bem sucedido progresso espiritual.

Leslie Flint (1911-1994), médium inglês de voz directa
Leslie Flint (1911-1994), médium inglês de voz directa

Tradução feita a partir do site The Leslie Flint Educational Trust que é dedicado a perpetuar a personalidade e acção de Leslie Flint, considerado – no meio espiritualista em que viveu inserido – um dos mais extraordinários médiuns de sempre.

Betty Greene e George Woods, colaboradores de Leslie Flint
Betty Greene e George Woods, colaboradores de Leslie Flint

 A coleção de gravações de vozes paranormais de George Woods e Betty Greene, auxiliares do médium, é considerada a prova mais convincente e aceitável que foi oferecida ao mundo sobre a existência depois da morte.

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Notas e objectivos desta tradução:

A explicitação das ideias transmitidas pelo espírito de Frederic Chopin, revelação das suas percepções do mundo espiritual, da sua vivência da música e da criatividade artística nesse plano.

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Greene:  Boa tarde.
Woods:  Oh, boa tarde.

Chopin: Não sei realmente se é de tarde ou de manhã. O tempo para nós, espíritos, é sempre uma noção muito incerta. Quando regressamos de visita às vossas condições terrenas vemo-nos sempre numa situação confusa acerca de várias coisas. O tempo é sempre problemático. É muito  difícil saber qual é o dia da semana. É coisa que só cabe na vossa mente, o vosso calendário confunde-nos. Mas não tem importância. De qualquer forma, desejo-vos Bom Dia!

Woods: Bom Dia.

Chopin: Sabem, estou muitíssimo interessado em tudo aquilo que estão a tentar fazer. Sois muitíssimo ambiciosos (como vós dizeis) em propagar de facto esta verdade. Produzistes estes aparelhos de gravação, gravadores como lhes chamais. É muito interessante. É magnífico, penso eu. Só desejava que isso pudesse ter sido possível no meu tempo, dispor de tais aparelhos. Mas as coisas então eram diferentes. Não tínhamos nada disso. Foi há muito tempo.

Greene:  Posso saber qual o seu nome, por favor?
Chopin:  O meu nome é Chopin.
Greene: Oh, Chopin!
Woods:  Chopin, oh!
Chopin:  Frédéric Chopin.
Greene: Que maravilha!

Chopin: Que coisa formidável seria ter tido este género de aparelhos para fazer gravações de música. Teria sido um recurso formidável, imagine-se! Vós agora tendes tudo. A ciência tem feito maravilhosas descobertas. O vosso mundo está diferente de tudo o que era possível imaginar. As pessoas têm tantas possibilidades. É muito frequente ouvir as pessoas no vosso mundo queixarem-se acerca da idade moderna, mas são muitos os seus privilégios. Tantos! É certo que em relação a vários assuntos dispõem de coisas que podem causar alarme e preocupação e podem, sim, causar grande infelicidade, mas as compensações são muitas.

Greene:  Poderia fazer o favor de falar-nos de si? A pergunta habitual que fazemos é a respeito da passagem para o mundo espiritual, como se sentiu e como se encontra agora?

Chopin: Querem saber a respeito da minha morte, é isso?

Greene:  Sim.

Chopin: Fiquei muito surpreendido. Provavelmente tinha muito poucos conhecimentos (como vós dizeis). De facto não tinha nenhuns. Não tinha qualquer religião. Suponho que seria católico mas muito fraco. Era um católico muito mau. Não tinha ideias definidas a respeito das coisas. Quando lá cheguei foi uma surpresa. Encontrei imensos amigos, pessoas que conhecera há muitos anos; amigos que tinha conhecido quando era mesmo um menino, todos lá.

Apenas me recordo de estar muito doente, deitado na cama. Os meus amigos – alguns deles – estavam comigo, e gradualmente tudo pareceu afastar-se para cada vez mais longe de mim, até que tudo ficou quieto.

Deixei de ouvir vozes. Deixei de me aperceber ou de tomar conhecimento de nada. Era como se estivesse a deslizar para longe, para cada vez mais longe de tudo. Já nada parecia real. O que fora deixara de o ser. Comecei então a ver uma luz enorme. De início apenas uma pequena claridade que se tornou cada vez mais intensa… acompanhada de sons. Música que se expandia e se tornou cada vez mais e mais forte. E comecei a ouvir sons, que eram música. Começou a aumentar e tornou-se sonora, como se tratasse de uma grande, grande orquestra, magnífica! Tentei ouvir, como vós dizeis, que melodia era. Parecia um tema fascinante. Não o reconheci, não era música com que estivesse minimamente familiarizado. Era diferente, muito mais magnífica que tudo o que ouvira antes…

Depois apercebi-me subitamente de que me encontrava num edifício magnífico. Era um lugar formidável com um auditório completo, tudo repleto de gente. As cores magníficas. Tudo mergulhado em cores e, não obstante, translúcido. Podia ver-se através das cores e, contudo, parecia que estava respirando por dentro das coisas, como se todas me envolvessem, como se estivessem a tornar coisas vivas. Não sei como explicar, era tudo formidável. Era… (pausa) … como se fosse matéria viva, tudo ali… em harmonia. Difícil, impossível de descrever.

Vi o magnífico edifício vivo de cor e vibração e música. A pouco e pouco alguns indivíduos destacaram-se da massa dos presentes. Alguns tinha eu conhecido. Era gente muito chegada, da minha juventude, gente minha. Era formidável! A música deteve-se e a cor começou a tornar-se mais (como dizeis) definida, porque de início fora muito suave e… admirável.

Entretanto as cores começaram a fundir-se e a tornar-se uma linda cor, não sei como diga – da família do azul, um azul diferente de tudo aquilo que tivera visto antes. Em vez da policromia, tudo se transformou e adquiriu o tom daquele perfeito azul, e tudo parecia reflectido na luz. As pessoas começaram a aproximar-se de mim e senti-me cercado de amor, calor e harmonia.

Muitas pessoas que tinha conhecido cumprimentaram-me e deram-me as boas vindas. E mostraram-me a pouco e pouco, não sei como o fizeram, revelando as coisas à minha mente, suponho, de forma que pudesse ver para lá das paredes daquele edifício. Parecia que nos tínhamos deslocado em grupo para fora dele. As paredes pareciam ter desaparecido e todos estávamos nos terrenos adjacentes a uma casa magnífica. Porque podia vê-la à distância, com torreões e belas cores e um lindo lago à frente da casa. Fazia pensar um pouco em Versalhes com as fontes os pássaros e os animais.

Vi alguns veados. A longo de uma grande avenida arborizada pareceu-me seguir, com todas aquelas pessoas, como se… Ao longo dessa caminhada tive a sensação de me dirigir algures, como se fosse ser recebido. Não sei mas era essa a sensação – a estar a ser levado para o edifício. Lembro-me de que quando lá cheguei havia uma longa escadaria. Pensei comigo mesmo “Que estranho, tantos degraus para subir!”… Mas nada me lembro quanto a passos nem degraus. Os pés nem tocavam os degraus. Era como se fosse transportado por sobre cada um deles sem necessidade de fazer esforço. Foi uma das coisas que mais me impressionou: senti que o esforço deixara de existir, enquanto que previamente na terra, tudo o que fizesse era feito com tal esforço!… Terrível. Não pude fazer grande coisa durante muito tempo. Tinha que descansar.

Aqui senti-me tão leve, tão diferente, tão cheio de vitalidade, nada exigia esforço. Na minha mente, contudo, ao ver os enormes degraus, pensei: “Que grande quantidade de degraus para subir”. Eram restos das minhas preocupações terrenas. Comecei então a convencer-me de que estava liberto pela enfermidade e pelos problemas do corpo. Tinha um corpo diferente, que não tinha visto, mas sentia que era diferente. Estava inquieto para ver como era. Estranho que tenha que se pensar nestas coisas: “Oh, sinto-me diferente, já não tenho que me esforçar, imagino o diferente que estou”.

Tudo conduziu para que concluísse nessa altura que passara por uma enorme mudança.

Quando cheguei à escadaria comecei a subi-la (como vós dizeis…) e entrei na tal casa que vira à distância. Na frente estava um pátio espaçoso com um arco enorme (como lhe chamais…) e passei por ele. Avancei para dentro do edifício para uma sala com teto alto, abobadado. O piso empedrado finamente polido muito belo. Nas paredes belas imagens de pessoas por todo o lado. Passeei olhando tudo com a sensação que estava a ser levado, sem que ninguém me mostrasse o caminho que eu parecia já conhecer. Ao atravessar a galeria dos retratos pensei: “Julgo que reconheço aqui algumas pessoas, mas de há muito tempo, é estranho”. Ainda hoje não tenho uma ideia clara de tudo o que se passou ali comigo.

Lá continuei e por fim cheguei a uma sala espaçosa onde estava muita gente, com um estrado elevado ao fundo, ou plataforma com degraus e nele um homem de belíssima figura, elegantemente vestido com um longo casaco doirado e púrpura, longos cabelos negros e ondulados até aos ombros, belos olhos castanhos, brilhantes. A sensação que tive era de que devia ser uma alta individualidade da maior importância.

Aproximei-me dele e tive o sentimento de estar a ser recebido, como pode ser-se recebido por um papa ou outra figura assim. Dirigiu-se a mim, saudando-me e apresentando-me as boas vindas, anunciando-me que tinha sido trazido para a esfera da música, e que ficaria ali como seu hóspede (como dizeis). As suas boas vindas eram-me entregues em nome de todos e faria uma visita acompanhado para ser apresentado, visitando a residência que me estava reservada nas imediações da grande casa, onde continuaria a fazer música e a estudar. Era a sociedade de músicos e artistas. Ali encontrei altas individualidades, como Miguel Angelo. Tanta gente que fora grande, como Cellini.

Greene:  Continue, é extraordinariamente interessante.
Woods:  Sim, muito interessante.

Chopin: Sabem, é extraordinário: nada sabemos a respeito de nós mesmos enquanto vivemos na Terra. Somos muito obtusos (como dizeis)… Talvez em certa medida seja importante que não nos seja permitido saber muito. Talvez seja melhor.

Encontrei pessoas deste lado com quem convivera na minha encarnação anterior na Terra. Lembro-me de há muito, na Terra, ter discutido a possibilidade da reencarnação. Não era teoria muito popular. Nada a que se desse importância, não era discutido pelas pessoas.

Os meus conhecidos, religiosos ou não, ou aceitavam o cristianismo completamente como haviam sido educados, ou pouca ou nenhuma religião seguiam, a menos que fossem muçulmanos, judeus ou coisa assim. Sabeis naturalmente que em Paris havia muita gente atenta a toda a espécie de “ismos”, coisas ocultas em que eu me interessara até certo ponto, mas que não tivera tempo para aprofundar. Não sei muito a respeito do assunto, mas era assunto discutido por amigos meus.

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Sei agora porém que nem todos somos almas novas. Apraz-nos pensar por vezes que somos almas jovens. Gostamos de pensar que nascemos, morremos depois e de novo viveremos numa esfera mais elevada na companhia de Deus. Teorias sempre muito simplificadas. Mas a vida é coisa mais difícil, em certo sentido mais complicada, o que faz dela algo de muito mais interessante.

Já estivemos na Terra muito mais vezes antes.

Descobri que vivera muitas vidas, de diferentes formas. Vejam a minha vida, como a da muita gente, tal como uma progressão, em largas fases sucessivas, alternando esferas sendo necessário regressar à Terra para adquirir novos conhecimentos ou cumprir certas tarefas, ou encontrar pessoas para ajudá-las na sua evolução.

Não temos a ideia a respeito de quanto aprendemos uns com os outros. É muito importante termos a noção de que não vivemos isolados.

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Vivemos lado a lado, uns para os outros e de nós mesmos como dos outros. Somos todos do mesmo espírito, embora em corpos diferentes, e todos contribuímos para os outros na medida do possível. Na minha vida, na minha última encarnação, contribui muito para a música mas, noutras vidas, contribuí de outras maneiras.

Não posso dizer-lhes tudo agora mas sei que quanto mais antiga é uma alma, mais progresso assimilou e é essencial que aprendamos pela prática e que o planeta Terra é como uma escola onde é essencial que aprendamos e ajudemos ouras pessoas a aprender. Por vezes somos enviados de regresso na qualidade de professores.

A minha tarefa no planeta terminou – no ponto de vista de ter habitado um corpo físico – mantendo entretanto as ligações em aberto dado que sinto que posso vir a ser útil. Ajudo também vários músicos no vosso mundo que se encontram a fazer esforços, a tentar energicamente progredir; gente com capacidade que julgo poder tornar-se valiosa no sentido em que podem engrandecer a vida e contribuir para a sua beleza. E além disso, claro, tentamos fazer passar por música certas ideias e sugestões que talvez não possam ser dadas por palavras!… Como sabem, a música às vezes consegue dizer mais às pessoas do que as palavras.

A religião é algo… qualquer coisa… muito dentro de cada um. Há muitas ideias que não podem traduzir-se por palavras, não podem ser descritas, nada se pode ler sobre elas, como não se sabe escrever a seu respeito. A verdadeira religião é algo que deriva da alma e do íntimo do homem, que não pode ser descrito ou analisado.

É como uma expressão pessoal, a parte divina, eterna, da pessoa, que não pode ser destruída, permanente através de toda a humanidade e de todos os tempos. Essa é a verdadeira religião, a verdadeira realização e desenvolvimento da alma e do entendimento dela. Não é qualquer coisa, como alguns julgam, que pode descrever-se num livro; o fim, o princípio, nada tendo existido antes ou depois. É a ignorância que faz as pessoas dizerem essas coisas.

A verdadeira religião e o seu entendimento, a realização da pessoa e da unidade com o Divino e os objetivos e o plano – todas essas coisas estão para além do espaço e do tempo, para além dos livros, para além do que o homem possa dizer por palavras. Coisas que em si, estão profundamente escondidas no íntimo, mas que podem ser reveladas com o tempo e a experiência. E nós não podemos fazer tudo numa só vida ou numa só era.

Greene:  A música dos nossos dias deve ter-lhe desagradado por vezes, não é assim?

Chopin:  Bem, de alguma não gosto e de outra não desgosto. Penso que por aqui e por ali surgem algumas propostas, reproduções de obras que podem ser um produto do seu tempo. Como sabem a música muda. Embora as notas sejam poucas, é admirável o que se pode fazer com elas. Podem reproduzir-se muitos sons e muitas experiências da alma interior, das condições da vida, da experiência e da época. Não aprecio muita da vossa música moderna, não obstante respeito aqueles que são sinceros e se esforçam por reproduzir algo sentido com intensidade e que para si representa os valores do seu tempo.

É evidente que a música real, a verdadeira e grandiosa música é algo que está para além do vosso mundo. Essa deriva do lado espiritual do homem e é a realização da grandeza e da unicidade com Deus.

A grande música é algo que realmente nasceu no espírito, e aparece reproduzido, talvez de modo muito deficiente, no vosso mundo. Os grandes génios da música, sejam de que época forem, reproduzem por meio de sons, como dizeis, certos aspectos do ser superior: a aspiração do homem.
O Senhor ia dizer algo?

Woods: Sim, ia; A vossa música é muito diferente da música feita na Terra? Muito mais avançada?

Chopin: Claro que é muito diferente. Temos muitos instrumentos que não existem na Terra. Nos níveis mais altos da evolução podemos criar música sem instrumentos, por acção exclusiva do pensamento – que no mundo espiritual é criativo. Um grande músico, por exemplo, pode compor e executar uma obra completa sem usar um só instrumento. Do mesmo modo que pode, por si mesmo, criar todos os sons.

Por consequência, os espíritos que estiverem em sintonia com os seus pensamentos ouvirão a reprodução daquilo que o compositor tenha criado.

Reparem que muito naturalmente vos habituastes a que tudo entre vós tenha a matéria como origem, dado que vivem num mundo material.

Têm que ter uma pá para cavar um buraco no chão e um violino para executar um concerto. E ambos os instrumentos têm que ser mecânicos. São objectos construídos e idealizados pelo homem para conseguir certas coisas, ou atingir certos objectivos. No mundo espiritual o pensamento é de tal forma preponderante e forte que, quando se sabe e se pode usá-lo, qualquer coisa de fundamental e poderoso, como o próprio som (por exemplo) pode ser conseguido sem o uso de objectos.

Os espíritos podem produzir o som por si mesmos, colocando em vibração a harmonia e a atmosfera (?…) Podem pois criar música sem dispor de instrumentos. Ao fim ao cabo, o pensamento antecede a fala, o pensamento aparece antes (em vez?…) da fala e do som. Aqui o nosso pensamento pode ser percebido por aqueles que se encontram em harmonia connosco, no mesmo sistema de vibração. Mesmo fechando os olhos é-vos possível ver figuras no escuro. A vossa imaginação faz isso.

O que é a imaginação? Ninguém respondeu ainda a esta pergunta. Muitas vezes, é a realidade. Aquilo que imaginais é, frequentes vezes, mais real do que as coisas apreendidas pela consciência.

O homem do mundo material, embora tenha avançado tremendamente em muitos domínios, é ainda muito ignorante em relação ao poder e à força que encerra o espírito. Foi-vos dito: “Batei e abrir-se-vos-á”. Mas poucos se dão ao trabalho de bater, ficando contentes com aquilo que lhes foi dado. Frequentes vezes aqueles que mais empenhados em ver e saber, são os mais ignorantes, porque não fazem a menor ideia do poder que está contido em si mesmos. Parecem satisfeitos com o que lhes foi ensinado, ou o que já sabem, não continuando na busca. Não “batem” à porta. Há na Terra muita gente sincera, bondosa, honesta e feliz. Mas muito infantil!…

Greene: Pode parecer-lhe uma pergunta muito tonta, mas qual é a sua impressão de um piano quando pela primeira tocou no mundo espiritual?

Chopin: a impressão que tive é de que estava em casa porque, sem piano, sentia-me perdido. Por isso me senti feliz quando pude fazê-lo.

Greene: Quais eram as diferenças? Foi diferente o que sentiu?

Chopin: Bem, não, senti exactamente o mesmo. Ao mesmo tempo porém parecia ter uma tonalidade mais rica, mais bela, e não tinha as mesmas limitações que na Terra. Mas devo observar que isto se passou apenas nos primeiros momentos de chegada aqui, para me dar felicidade, para me dar a ideia de que estava em casa. Gradualmente comecei a dar-me conta das possibilidades aqui disponíveis e comecei a tornar-me mais capaz de fazer coisas mais elevadas.

Bem vejam, nós limitamo-nos devido à falta de conhecimentos. À medida do avanço no saber, ficamos menos limitados e aquilo que nos esforçamos por fazer torna-se progressivamente mais realizável e mais insigne. E o formidável que é! Imaginais o maravilhoso que é um mundo sem limitações, para além daquelas que estabelecemos?
Nada é impossível, tudo o que é bom é possível e tornamo-nos cada vez mais capazes à medida do esforço que fazemos para isso.

O vosso mundo é limitado mas apenas porque o homem assim o fez. Na sua ignorância não vê, não concebe as capacidades e as possibilidades reais. Limita-se a pensar no que é material e nas respectivas acções consequentes. Mas não há limites para aquilo que o homem possa conseguir se buscar profunda e seguramente o que deriva do espírito. O poder do espírito vence tudo, como bem sabeis, mediante os milagres de Jesus e de outros espíritos superiores. O que aparece como limitações, não o são. Nada é impossível se o homem tiver fé; fé no Criador e fé no poder que ele nos dá.

Tenho grande alegria em vir até vós e poder falar connvosco.
Gostaria imenso de poder regressar de novo…

 Woods:  Posso fazer-lhe uma pergunta?
Chopin: Sim Senhor.
Woods:  Gosto muito de tocar piano mas nem sequer conheço as notas. Gosto de tirar melodias ao piano e coisas assim. Não toco senão quando estou só, porque se ririam de mim. Divirto-me fazendo a música que consegui criar por mim mesmo. Gosto de me sentar num jardim – sei que as pessoas iriam rir-se de mim se soubessem – escuto certos sons e imagino que os transformo em música, esquecendo o barulho circundante. Portanto, será música aquilo que faço?

Chopin: Indirectamente, é. Mas vejamos, como todas as coisas, realizar exige esforço, trabalho. No vosso mundo para se tocar piano é preciso ser treinado. É preciso saber o que é um piano e aquilo que se pode conseguir com ele e os dedos têm de ser acostumados à agilidade, etc. Para consigo mesmo, obviamente, existe o desejo inato de ser criativo e de tocar, e no mundo espiritual longe das limitações da carne, sem dúvida criará e fará música!…

Como está no seu mundo limitado, devido à falta de experiência e porque como criança não foi treinado, tudo são limitações. Apesar de tais limitações não é impossível para uma pessoa que nunca tocou piano, na condição de dispor dessa fé, poder controlar as limitações de tal forma que seja capaz de tocar piano como um mestre.

Veja que embora estes aspectos materiais sejam importantes, nem sempre são o inconveniente que as pessoas julgam. Nada é impossível e, se alguém tiver fé, pode ser que resulte. O senhor pode ser controlado de certa forma para tocar o piano, mas não seria coisa propriamente sua.

Woods:  Sim

Chopin: Quando estiver aqui, se tiver esse desejo e eu vejo que tem, tornar-se-á músico, muito mais, e será capaz de tocar.

Mas ainda terá que passar por várias fases. Não há um caminho certo e rápido (como dizeis…) para o sucesso. Tudo tem que ser feito gradualmente. Tudo tem que ser conquistado, sabem? Temos de sofrer para alcançar. Entretanto, tenho que ir-me, porque a energia enfraquece.

Foi uma alegria estar entre vós. Desejo-vos um feliz Natal. Até à vista, Deus vos abençoe Senhora e Senhor.

But it has been joy for me to come to you.  I wish you a happy Noël.  Au revoir. God bless you, Madame et Monsieur.

Woods, Greene:  Muito obrigado.

FIM DA GRAVAÇÃO

Nota:

A minha intenção em realçar a amarelo o momento da comunicação de Frederic Chopin em que fala da reencarnação e do regresso reiterado ao plano da vida material, baseia-se no facto de que, sendo Leslie Flint inglês, “médium psíquico” como se diz em Inglaterra, na área de influência espiritualista, adquire particular relevância este claríssimo posicionamento.

De facto, a religião espiritualista britânica, porque assim se assume organizadamente, não perfilha a tese reencarnacionista. A franqueza e a lealdade com que este momento da comunicação aparece transcrito na documentação publicada pelo The Leslie Flint Educational Trust, confere significado especial ao facto e dá nota de probidade das pessoas que fizeram o trabalho.

O realce que tive a iniciativa de fazer, para além de se basear no teor do que nos diz o espírito de Frederic Chopin é uma homenagem a essa atitude de autenticidade cultural e de honestidade intelectual.

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A prodigiosa mediunidade de Augustin Lesage, humilde mineiro e pintor espírita (1876-1954)

Augustin Lesage (1876-1954)

Humilde e prestigiado servidor da arte mediúnica, expôs as suas telas surpreendentes de beleza e de luz, não obstante a sua avançada idade.

Deixemos que ele mesmo se nos apresente:


“…Chamo-me Augustin Lesage, nascido a 9 de Agosto de 1876, em St Pierre les Auchel, perto de Béthune, no Pas-de-Calais. O meu pai era mineiro, pois que vivia nesta região de minas. Andei na escola primária de St-Pierre-les-Auchel até à idade de 14 anos, altura em que fui trabalhar nas minas. Conheci ali o mais duro trabalho, durante 27 anos; deixei a mina a 23 de Julho de 1923.

Foi em Janeiro de 1912 que os poderosos Espíritos vieram manifestar-se-me, ordenando que desenhasse e pintasse, coisa que jamais havia feito anteriormente. Nunca tendo visto, até esse momento, um simples tubo de tinta para pintar, imaginem a minha surpresa perante tal revelação.

Ignoro completamente seja o que for a respeito de pintura.

– Não te inquietes por causa desse pormenor insignificante, responderam os espíritos. Seremos nós a conduzir as tuas mãos.

Recebi então, por escrito, o nome das cores e dos pincéis de que necessitava e comecei a pintar sob a influência dos artistas do além, sempre que chegava a casa extenuado depois do trabalho na mina. Tal fadiga, contudo, desaparecia quando me encontrava sob a influência dos espíritos.

Recebo sempre, por escrito, conselhos favoráveis a respeito dos trabalhos, que executo sem modelo, o que é uma grande facilidade para mim, por não ter de procurar compreender, visto que as composições não são de minha autoria. Sou apenas a mão que executa e não o cérebro que concebe o que faço.

Pinto sempre desperto, mas sem poder estar na presença de quem quer que seja. Represento aquilo que os vivos não podem ver, enquanto que os artistas pintores representam o que a natureza coloca perante o seu olhar. Permaneço em relação permanente com os nossos queridos amigos do além, que me trazem grandes revelações. Raros são aqueles que concebem a fé vivida com esses espíritos, não material, mas espiritualmente.

Nada compreendo da confusão de cores diversas que aplico sobre a tela. De acordo com os conselhos que dão os meus amigos do espaço, as obras que executo representam todas as religiões associadas do passado longínquo. Tais enigmas serão por nós conhecidos um dia. De momento podemos chamar-lhe “pintura nova”…”

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Texto escrito por Augustin Lesage em Barbuse (Pas-de-Calais) a 20 de Maio de 1925

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Este depoimento, de autoria do próprio Augustin Lesage foi confirmado por declarações emitidas por entidades independentes e organismos públicos, além de ser do conhecimento de muitos vizinhos e de grande quantidade de personalidades do mundo artístico e cultural com que o mesmo se relacionou ao longo da sua vida. Entre os quais, os seguintes:

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“… o Presidente da Câmara da comuna de Burbure certifica que o Senhor Augustin Henri Lesage, aqui residente, nascido em Auchel no dia 9 de Agosto de 1876, exerceu sempre a profissão de mineiro e nunca frequentou nenhuma escola de desenho ou de pintura. Assinado em Burbure a 22 de Maio de 1925 pelo Maire Decroix…”

“…O abaixo assinado Emile Lacroze, engenheiro, director das minas de Ferfay-Cauchy, declara que Augustin Henri Lesage trabalhou como mineiro nas nossas explorações, de 23 de Agosto de 1890 a 14 de Novembro de 1897, (serviço militar), de 27 de Setembro de 1900 a 12 de Julho de 1913 e de 11 de Março de 1916 a 6 de Julho de 1923. Ass. 22 de Maio de 1925…”

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De 7 a 14 de Junho de 1953 foram expostas na “Maison des Spirites”, situada no nº 8 da Rue de Copernic, em Paris, várias obras de Augustin Lesage, o mineiro pintor.

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“…Observar-se-á nas obras qualquer coisa de completamente diferente de uma habilidade adquirida pela prática manual continuada que pudesse servir uma documentação recolhida aqui e ali e engenhosamente interpretada.

Aquilo que caracteriza a sua arte é incontestavelmente a invenção, e – em verdade – é impossível conceber de acordo com o raciocínio corrente como poderá Lesage, ao longo dos anos e isolado na localidade onde viveu, longe de qualquer fonte de informação, ter adquirido primeiro uma destreza técnica tal, e depois o conhecimento de utilização dos temas decorativos de que se serve – os quais evocam – com toda a originalidade pessoal e novidade – reminiscências persas e hindus.

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Como poderá o extenuado mineiro, finda a sua jornada de trabalho, ter regressado para defronte da sua tela com capacidade para construir com pinceladas fáceis e subtis, esses pagodes fantásticos, e desenrolar seus bordados soberbos, associar harmonias cromáticas e coordenar tão enorme variedade de combinações gráficas?…”

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Quando pela primeira vez o médium se exercitou numa tarefa que ele julgava impossível, serviu-se – aconselhado pelas “vozes” e pelas mensagens escritas – de uma tela de 9 metros quadrados. Para começar era uma audácia. Estendeu-a como pôde, na sala inferior da casa, transformada em atelier. Era forçado, aliás, a tê-la parcialmente enrolada, de modo a poder avançar com o trabalho, dado que as dimensões da tela eram tais que excediam o tamanho do compartimento. As mensagens inspiradoras também lhe tinham dado instruções relativas à compra das tintas de óleo e respectivas cores, dos pincéis e dos godés nos quais diluía as cores com essência. Fora-lhe dado igualmente conselho de se ajoelhar e de orar, tal como fazia Fra Angelico, antes de iniciar o seu trabalho de pintor.

A partir desse momento o trabalho tornava-se fácil: empunhar ao acaso um pincel e erguer uma mão que um tremor súbito anima, colher tinta de um dos godés e, em gestos agora firmes, pigmentar a composição, já começada, de pequenos pontos, cuja justaposição, no seu conjunto, determina o conjunto das formas e define as gradações de cor e os detalhes da obra.

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Trabalho de uma extrema lentidão e de rigor impressionante. Labor de miniaturista, de iluminura, ocupava decorativamente vastas superfícies, porventura concebidas para um trabalho a fresco. Contudo, à força de preserverança, de dócil impassibilidade, Lesage acaba por cobrir toda a tela até ao limite das suas margens, sem esquecer, durante a execução, os retoques, repetições e rectificações que não derivam de seu motu próprio, mas da orientação do espírito artista ao qual obedece o artesão respeitoso. Estas referências e acentuações não são a parte menos extraordinária do trabalho. Sucede por vezes que o “inspirador” insatisfeito consigo mesmo, retém o pincel, durante várias semanas, sobre uma superfície de alguns centímetros quadrados, sempre, sempre rectificando as linhas e a coloração, correndo o risco de empastar ou produzir a confusão.

Não se passa nada diso. Os detalhes assim aprofundados são frequentemente os mais notáveis, pela sua estrutura de mosaic e o seu gosto cromático. É com espanto que se descobrem alusões à paleta e aos tons pastel do grande visionário que foi Odilon Redon.

Não é exagero dizer-se que no tempo presente, ninguém poderia inventar ritmos ornamentais, com tal fantasia e riqueza. Tais são os que criou o pincel de Lesage, achados com tanta felicidade, que os criadores de rendas de Calais vieram a Burbure procurar ideias para novos modelos.

Que ali não se busquem regras de composição escolástica. Nem mais ciência no equilíbrio de volumes que no jogo de valores. Poderia falar-se de valores. Ou de ramos de flores, de vagas iridiscentes e de vibrações luminosas.

Perto, arquitecturas atrevidas, acentuadamente alinhadas e fantasticamente sobrepostas; pés-direitos que sustêm arcadas, cúpulas às quais se associam galerias de onde se projectam abóbadas, recortadas por pilares incrustados de pedrarias, que conduzem a miradouros, ameias e lanternins. Nestas estruturações acontece que uma cripta sustem uma nave e os seus altares, contudo, sem obediência à realidade. Lesage (ou o espírito, mais propriamente) ultrapassa as circunstâncias, zomba da resistência dos materiais, cria a instabilidade, lança um piso imenso sobre uma cúpula central, reedifica um segundo templo por cima dum primeiro. Um arquitecto rir-se-ia. Um pedreiro diria: “é impossível!”; un decorador exclamaria: “é improvável, mas com estilo, brilhantismo e um emaranhado que encanta a vista!…”

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M. Cassiopée.

Extrait de la Revue Spirite de Mai-Juin 1953.

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“…Em geral as coisas são vistas em corte. O olhar do espectador mergulha no interior de um movimento prodigioso, ali se perde e se conduz no entanto através de uma multiplicidade de artérias, de capelas e naves laterais, onde se mostram – em tonalidades neutras – misteriosas neblinas nas quais flutuam cintilantes painéis, caixotões e nervuras, nas quais se dispersam em leves grinaldas – pérolas, corais, safiras, esmeraldas e rubis.

Lesage teve, pelo menos, duas fases, precedidas de uma primeira, feita um tanto às apalpadelas, que produziu painéis que se encontram expostos em diversas instituições, à maneira de estuques relevados nos quais se encontra toda a delicadeza e as cores aveludadas de um Vuillard. A primeira fase é menos sensacional que a segunda.

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Como artista, “Augustin Lesage apresenta-nos um dos mais belos casos de mediunidade pictórica …”

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“…atingiu uma arte depurada, lúcida, suave, leve, onde a invenção decorativa retoma curso livre com à-vontade e variedade, extremamente sedutora, pela franqueza de toques feitos em geito de esmalte. É-se levado a pensar que talvez o artista mineiro tenha tido dois “guias” pintores, o que não é hipótese sem fundamento.

No dia em que visitámos em Burbure o atelier do médium, exprimimos essa opinião ao comparar as telas antigas com as actuais. Lesage teve imediatamente uma comunicação psicografada, cujos termos elucidavam que o pintor tinha sido conduzido na execução da sua obra por duas entidades distintas, uma delas dedicada aos temas arquitectónicos e outra para a vertente puramente decorativa. As nossas suposições foram desse modo confirmadas e bem assim o facto de os seus inspiradores serem de origem asiática, o que se encontrava esclarecido na já mencionada comunicação: a primeira entidade era Indu e a segunda vivera muito tempo no Extremo Oriente…”


A história da Colheita Egípcia

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Um facto mais do que marcante, nós diríamos revelador, é o da história da “Colheita Egípcia”.

Em Outubro de 1938, Augustin Lesage começou a tela da “Colheita Egípcia”. Terminou-a dois meses depois, em Dezembro.

As suas disponibilidades financeiras mantinham-se escassas, fiéis à definição que Allan Kardec fornecia da mediunidade de que o que é um dom da mediunidade não é para ser objecto de negócio.

Bela lição para aqueles que, nos nossos dias, se proclamam mestres em ciências do espiritismo e que fazem negócio com ele.

Sabe-se que a coberto das interpretações de tais “mestres”, a mediunidade é afastada do seu sentido espiritual. Para isso fazem uso da palavra “parapsicologia” e de outras designações,  para enganar todos aqueles que desejam compreender o sentido cristalino da alma tal como era entendido por Allan Kardec.

Saberão escutar as suas vozes interiors? Saberão o que é de facto a mediunidade?

Desejamos que sim muito fraternalmente, antes de mais por si próprios, e por uma questão de respeito por tudo aquilo que recebemos do mundo espiritual, portanto da fonte divina.

Regressemos contudo a Augustin Lessage, num dia de 1939, em que almoçava com seu amigo Fournier. Foi informado que a Associação Guillaume Budé estava a organizar um cruzeiro ao Egipto e de que esse mesmo amigo lhe oferecia a viagem.

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Marie-Christine Victor conta no seu livro:

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“…Em Marselha, no dia 29 de Fevereiro de 1939, ao meio dia, Augustin Lesage embarcou com o seu amigo Fournier no navio “El Mansour” (…). Teve oportunidade de conhecer a bordo um egiptólogo de nomeada que se manifestou muito interessado na obra que descobrira por ter visto uma dúzia de quadros seus, dentre os quais a “Colheita Egípcia”.

– Porque é que atribui tanta importância a esta última tela? Perguntou ao velho mineiro.

– Porque, respondeu ele, não é apenas da última que pintei, mas porque os meus guias me revelaram que eu iria reencontrar o fresco da época egípcia que representam os trabalhos da colheita…”.

“…o egiptólogo não partilhou essa opinião, derivada mais de um acto de fé que de um processo científico, dado que apenas é científico e válido aquilo que é material e tangível. Não acreditou pois um só instante que a tela de Lesage pudesse ser outra coisa que não produto da sua imaginação ou dos seus fantasmas. O artista não ficou minimamente impressionado pelo espírito científico do seu companheiro de viagem e preferiu tomar a atitude prudente de quem está tomado pela certeza profunda, logo, fora do comum…”

“… No Domingo 26 de Fevereiro chegámos a Alexandria e no dia imediato ao Cairo. Foi a tomada de conctacto com o Egipto moderno.

…arquólogos franceses tinham por missão acompanhar e dar explicações aos turistas dos quais fazia parte Augustin, a respeito da história e do significado dos monumentos da época faraónica…”

“…Augustin viu a imensa estátua de Ramsés II caída na areia, e a esfinge de Memfis, a pirâmide de Sakkarah, construída 5000 anos antes da nossa era, no tempo do rei Toser. Por fim as grandes pirâmides de Kéops, Kefren e Mikerinos, a grande esfíngie de Gizé, conhecida em todo o mundo. Experimentou um sentimento profundo:

– Como se tudo aquilo fosse para mim mais do que uma curiosidade, como se as pedras me fossem familiares, como se esse novo país que nunca tinha visto não me fosse inteiramente desconhecido, causando-me mais um sentimento de apego que de admiração…”

Tal caso não nos surpreende, tendo sucedido o mesmo, mas com muito mais rigor e certeza no caso de Lucienne Marmonnier, igualmente uma artista médium. Para nós, espíritas, é facto adquirido que Augustin Lessage deve ter vivido uma encarnação no Antigo Egipto; de outro modo o sentimento do momento já vivido não teria em si uma tão grande ressonância.

“…Nos dias seguintes visitámos o Museu do Cairo onde se encontram expostos, em especial, todos os objectos encontrados no túmulo de Toutankhamon. No dia 4, Sábado, partimos para o Sul, até à primeira catarata, tendo a visita ao Alto Egipto começado por Assouan.

Augustin Lesage, depois de ter visitado Luxor e e visto a base sobre a qual estava colocado o obelisco que actualmente se encontra na Praça de la Concorde, em Paris, chegou ao Vale das Rainhas.

Escutemos aquilo que nos contou:

– Dois anos antes, neste vale, fora desenterrada uma pequena povoação. O arqueólogo contou-nos que no tempo de Ramsés II, da XVIII dinastia, cerca de 1.500 anos antes da nossa era, a mesma povoação era habitada por 700 a 800 operários especializados em trabalhos funerários. Tais operários eram preciosos porque os Egípcios davam mais importância à sua morada eterna que às casas em que habitavam durante a sua vida, e que não necessitavam de uma decoração tão rica, dado o curto lapso de tempo que dura a vida.

Um dos operários chamava-se Mena. Encontrámos o seu túmulo, com muitas inscrições e cenas que descrevem o que foi a sua vida. Desse modo ficámos a saber como se chamava. Nos momentos durante os quais não trabalhava na execução dos túmulos oficiais , Mena tinha sido autorizado a trabalhar no seu próprio túmulo, um pouco afastado da localidade. Visitámos esse pequeno túmulo que continha uma vintena de sarcófagos e, de repente, apercebi-me de um fresco bem pintado numa das paredes, bem conservado e – nesse mesmo fresco – reconheci a cena da “Colheita Egípcia”.

“Apoderou-se de mim uma forte e complexa emoção, que teria grande dificuldade em descrever com exactidão. Pareceu-me, de repente, sentir-me muito próximo dessa pequena cena ainda intacta, ao vê-la tão parecida com aquela que havia pintado, e pareceu-me que também eu era o seu autor. Estabeleceu-se entre a pintura e eu uma relação indefinível, sem ser possível esclarecer se tinha acabado de pintá-la ou se apenas a encontrara. Desejei ter ficado junto daquela comovente e fresca pintura mural. Senti-me imobilizado, simultaneamente suspenso e esmagado pela surpresa.”

“…E a alegria, uma imensa alegria me invadiu, como se fosse a de um exilado de regresso ao seu povoado…”

Claro e perceptível se torna que, as coisas a que somos sensíveis, não se encontram no ensino dos livros, mas sim na mais profunda intimidade da alma.

“…Fiquei tomado de entusiasmo, o meu sangue pulsava, era puro e carregado de afecto o ar que respirava dentro do túmulo e a experiência que tivera entrava com toda a nitidez comovida nas minhas recordações, o acontecimento mais claramente marcante da minha vida, de resto, bem repleta de surpresas…”

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No dizer do arqueólogo que nos acompanhava, o túmulo, descoberto havia apenas dois anos, era pouco conhecido e tinha sido até então muito pouco visitado. Acentuou, face às perguntas dos turistas, que não poderiam existir reproduções do fresco em França. O que excluiu a ideia de uma cópia a partir de qualquer revista ou uma reprodução inconsciente depois de leituras feitas sobre o assunto…”

Augustin Lesage concluiu depois esta maravilhosa revelação de uma vida anterior:

“…Compreendo enfim aquela viagem, desejada durante tanto tempo, e que fora impossível até àquele momento. Não era necessário que visitasse o Egipto antes da descoberta do fresco; era necessário que a visse para que ficasse provado que os meus quadros não são o fruto da minha imaginação, e que a minha mão é o instrumento de um cérebro que não é meu…”

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Marie-Christine Victor pensa da seguinte forma:

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“…Como poderia existir trucagem num caso somo este? Como é que um mineiro que não saiu da sua aldeia poderia ter visto e reproduzido um fresco que se encontrava a tantas léguas de sua casa, que até os próprios egiptólogos desconheciam ainda e que, por isso, nenhuma revista poderia ter publicado?…”

É bem entendido que as críticas mais preversas e mais dolorosas para Augustin Lesage não faltaram, mas amar e servir a Deus também é aprender o que está por detrás do sofrimento, e qual o motivo porque, como dizia Santa Teresa de Ávila “há tão poucos amigos”.

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Augustin Lesage dizia:

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“… Não quero enganar ninguém. Não odeio ninguém. Não desejo mal a ninguém… Não desejo nem a riqueza nem a celebridade. Não tenho senão o desejo ardente de ser acreditado, porque aquilo que digo é verdade, porque aquilo que vivi é autêntico. Desejo sobretudo que a mensagem do invisível seja recebida e compreendida por todo o mundo, com o respeito e a admiração que ela não pode deixar de suscitar…”

Marie-Christine Victor afirma que a prece de Lesage não ficou sem resposta (como, de resto, todas as preces sinceras). Os seus guias avisaram-no de que iriam executar um trabalho e que seria necessário convidar um público que viesse vê-lo trabalhar.

A prova seria dada dessa forma de que toda a obra do pintor tinha sido feita de forma honesta e com pureza de intenções.

Desta forma, no dia 24 de Fevereiro de 1947, em Marrocos, pintou uma tela em público. Foi feito nessa altura um abaixo-assinado com 112 assinaturas entre as quais médicos, psiquiatras, professores, jornalistas, comissários de polícia, pintores, arquitectos…”

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Composição Simbólica  do Mundo Espiritual, Augustin Lesage, 1923

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Este artigo foi traduzido do nº 78 de La Revue Spirite, do primeiro trimestre de 2008, de acordo com o texto ali publicado sem referência à autoria do mesmo.

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