lugar@lfa – uma vanguarda do espiritismo em Portugal

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“O peregrino sobre o mar de névoa”, pintura de Caspar David Friedrich

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Do livre arbítrio à possibilidade da adulteração

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Apresentando o espiritismo vocação pluralista e não dispondo de órgãos unificados de poder, maior é o risco de desencontros entre os seus adeptos e do aparecimento de versões e adulterações diversas, cada uma reclamando a sua total legitimidade.

Tenhamos em atenção o seguinte:

“…a terceira revelação é coletiva no sentido de não ser feita para privilégio de pessoa alguma; assim sendo ninguém pode dizer-se seu profeta exclusivo. Ela foi feita simultaneamente por toda a Terra para milhões de pessoas de todas as idades, de todas as épocas e condições, desde a mais baixa até à mais alta escala…”

Allan Kardec; A GÉNESE; Capítulo I (Carácter da Revelação Espírita), nº 45.

lugar@lfa / a circunstância humana nas mãos do espírito

Venho hoje apresentar aos meus estimados leitores o trabalho de um português, Gilberto Ferreira, que nos oferece, em ritmo muito fluente, as suas intensas explorações no domínio da cultura espírita, em duas plataformas internáuticas de real valor:

“lugar@zul” foi a tarefa percursora, desde Setembro de 2010, e

“lugar@lfa” a mais recente, afirma-se desde Setembro de 2012.

Ambas têm o carácter de uma “selecta” ou repositório de textos escolhidos para ilustrar aspetos filosóficos, científicos ou de índole moral da cultura espírita. Os endereços respectivos de há longo tempo se encontram indicados na coluna à direita destes textos, no local dedicado às “Visitas recomendadas”.

Mais de quatrocentos textos depois…

O manancial de textos revelados por Gilberto Ferreira é enorme, cobre um leque alargado de autores e deriva de um processo intelectualmente estimulante para viajar através do universo riquíssimo da cultura espírita.
Trabalha diariamente com afinco. Basta conferir as datas das publicações. Estas não são apenas uma acumulação de referências; Ao longo do tempo tem vindo a marcar caminho, obrigando o visitante a pensar e a evoluir, pelo que sugiro com todo o empenho que as leituras de descoberta e exploração deste manancial sejam feitas começando pelo princípio…
Se fosse obrigado a apontar um defeito ao autor (e só obrigado poderia fazer esse injustificado exercício!…) seria denunciar o ritmo incansável das suas publicações.

O acompanhamento estético

Instalado num “template” blogger de visualizações dinâmicas “lugar@lfa” segue as pisadas do seu antecessor, “lugar@zul”, mas o formato e os enquadramentos mudam, podendo ambos ser visitados com proveito.

LugarAlfa

“lugar@lfa” beneficia de uma invulgar sofisticação gráfica que o visitante pode apreciar segundo um de vários formatos à escolha. Do “Classic” ao “Timeslide” são sete os formatos selecionáveis no menu em cima, do lado esquerdo. Clica um, vê o blogue de uma maneira, clica outro e as mesmas coisas aparecem ordenadas de modo diferente. Prodígios do “web design”, é evidente.
A versão “Flipcard” permite visionar em modalidades diferentes com grafismo próprio os textos mais recentes, as datas de publicação, as etiquetas e o elenco de autores.
Quanto às obras o autor fez a opção de lhes conferir “personalidade visual”. Muito prático para a associação de ideias e muito sugestivo esteticamente.
Na segunda coluna dos menus e passando com o cursor pelo local onde estão enumeradas as páginas interiores, temos o acesso a treze subsectores, todos eles recheados dos mais variados conteúdos artísticos e culturais.

Os conteúdos, a qualidade das ideias, a marcha do tempo

A abertura com que destas plataformas se pode contemplar a cultura espírita é muito rica e abrangente. É muitíssimo raro no universo da nossa língua, encontrarem-se lugares da net sobre cultura espírita com tão franca abertura, um tão esclarecido desejo de VER ATRAVÉS do movimento das ideias em marcha ao longo do tempo.
Há nomes importantes para a cultura espírita, evocados por Gilberto Ferreira, que muito raramente são citados, alguns deles obreiros notáveis do vastíssimo património histórico e do imenso prestígio da Cultura Espírita!…

Se visitarmos entretanto os seguintes pontos de passagem para os textos dos autores mais representados:

Allan Kardec
http://lugaralfa.blogspot.pt/search/label/Allan%20Kardec
Gabriel Delanne
http://lugaralfa.blogspot.pt/search/label/Gabriel%20Delanne
Léon Denis
http://lugaralfa.blogspot.pt/search/label/L%C3%A9on%20Denis
Camille Flammarion
http://lugaralfa.blogspot.pt/search/label/Camille%20Flammarion
Ernesto Bozzano
http://lugaralfa.blogspot.pt/search/label/Ernesto%20Bozzano
Herculano Pires
http://lugaralfa.blogspot.pt/search/label/Herculano%20Pires
Manoel Philomeno de Miranda
http://olugardovento.blogspot.pt/search/label/Manoel%20Philomeno%20de%20Miranda

…concluiremos que, em termos quantitativos, só estes autores  (e não são a totalidade das referências de qualidade certificada) acumulam cerca de 400 textos.
Se atentarmos nos nomes em causa, começamos a ver muito claro quanto à estratégia de princípios e de métodos de estudo.

Lugar 03

Conclusão a respeito das linhas de coerência

O autor não é simplista nas suas opções internáuticas e não é adepto de abordagens instantâneas. O visitante, se desejar aprofundar o que há para ver, tem que desejar fazê-lo, com tempo e paciência.
Em última análise restará a hipótese desejável de passar à leitura das obras completas, e é para isso que se fazem as “selectas” de textos dedicados a qualquer assunto.
Quanto às questões de princípio, no respeito pelas ideias e no valor da cultura que tanto respeitamos, o labor quotidiano de Gilberto Ferreira merece crédito e consideração por dar indicações seguras, já não da perfeição inquestionável e absoluta, mas por ser tarefa em busca das coisas que nem são fáceis nem são cómodas.

“lugar@lfa” e “lugar@zul” são, na minha opinião, um contributo honesto e coerente com as prestigiadas raízes culturais do Espiritismo em Portugal.

E já agora, se me dão licença, só mais algumas linhas a esse respeito:

As prestigiadas raízes culturais do espiritismo em Portugal

O “movimento espírita português” conseguiu afirmar outrora uma personalidade notável que foi sustentada por uma plêiade de intelectuais e de investigadores prestigiados. As suas raízes mergulhavam profundamente no tecido de influências universalistas do pensamento de Allan Kardec e de seus mais legítimos seguidores.
A lamentável ocorrência histórica da sua proibição durante meio século fizeram com que tivessem mudado os tempos e as vontades, tendo o mundo à volta registado também importantes modificações.
Muita coisa se perdeu e o movimento encontra-se muito necessitado de repensar alguns modelos importados, reforçando a qualidade cultural e os critérios de exigência intelectual que ostentou outrora.

Lugares da net em língua portuguesa com o juízo crítico e o critério cultural de “lugar@lfa” são raros e ajudam os interessados mais atentos a encontrar as linhas mais claramente identificadas com a seriedade intelectual que acima refiro.

200 milhões de brasileiros, multidão de visões do mundo

No Brasil há muito de tudo. A imensa juventude e o esplendor da policromia étnico-cultural do mais populoso país onde se fala a NOSSA língua (quer dizer de quase 300 milhões de pessoas espalhadas por todo o mundo!) produz inspiração, trabalho, descoberta e entusiasmos dos mais variados matizes.
Para ir lá buscar coisas convém, entretanto, estar atento e saber escolher.
É lá justamente onde se tem processado de modo palpitante o desencontro/encontro do pluralismo espírita. Aos meus compatriotas recomendaria eu, se me dessem licença e tolerassem o atrevimento, que não olhem só numa direção – aquela de onde sopra o vento.

“lugar@lfa” e a sua versão mais antiga “lugar@azul” são sítios elaborados com vontade e método dando quase todos os dias notícias de todos esses fenómenos, razões e pensamentos, no intuito de nos ajudar a pensar neles, bebendo nas melhores fontes.

Fraternas saudações a todos e um grande abraço de parabéns a Gilberto Ferreira.

 

Coerentemente com a mensagem acima, e para não se pensar que há aqui reservas quanto a autores e investigadores brasileiros, junto se acrescenta uma citação de um texto publicado no dia 27 de Outubro último por “lugar@lfa” sobre um grande espírita de elevadissimo prestígio e de autoria de um activo autor de elevado sentido crítico, ambos brasileiros.

Alexandre Cabanel-Saint-Louis-Tendo a coroa de espinhos 1878
São Luís com a coroa de espinhos, pintura de Alexandre Cabanel

apóstolos de verdade ~

Viva José Herculano Pires!

José Herculano Pires
José Herculano Pires

Este ano faz precisamente trinta anos que desencarnou José Herculano Pires, um dos maiores vultos do Espiritismo do Brasil. Sim, foi, precisamente, na noite do dia 9 de março de 1979, que a sua alma gloriosa de grande missionário, defensor da pureza doutrinária do Espiritismo e consolidador da Doutrina Espírita em terras brasileiras, regressou à Pátria Espiritual. Foi com justa razão que Jorge Rizzini, seu biógrafo, viu em sua pessoa um “Apóstolo de Allan Kardec”, com o que concordamos plenamente.

José Herculano Pires nasceu na antiga Província do Rio Novo, que é hoje a bela cidade de Avaré, no interior do Estado de São Paulo, no dia 25 de setembro de 1914. Era o filho primogénito de José Pires Correa casado com Bonina Amaral Simonetti Pires, que lhe deu sete filhos. Seu pai, inicialmente, era farmacêutico, mas abandonou a profissão para se tornar um dos mais brilhantes jornalistas do interior de São Paulo. Sua mãe foi uma distinta pianista de Avaré.
Herculano Pires pertencia a uma tradicional família católica da classe média e, na infância, teve sérios problemas de saúde.
A sua faculdade como médium vidente, começou a manifestar-se quando ele era ainda menino. Tinha visões reais de Espíritos andando de noite pela casa.
Em 1920 a sua família transferiu-se para a cidade de Itaí e depois para Cerqueira César, voltando, logo em seguida, para Avaré, onde foi matriculado na Escola de Comércio, fundada e dirigida pelo Professor Jonas Alves de Almeida.
Na adolescência, Herculano Pires foi aprendiz de tipógrafo e aluno do erudito Professor Pedro Solano de Abreu, e, durante dois anos, de 1927 a 1929, trabalhou com seu pai, na Gráfica Casa Ipiranga que o Sr. Pires Correa fundara em Cerqueira César, onde residia com a família e onde lançou o primeiro jornal político, um semanário em forma de tablóide, que recebeu o título de “O Porvir”. Herculano Pires foi o seu tipógrafo auxiliar e, nesse órgão da imprensa, publicou os seus primeiros versos e variados contos.

Herculano Pires, além de poeta e jornalista, foi também professor e grande escritor.

Desde a adolescência interessou-se muito pelo estudo de temas filosóficos. Deixou então o Catolicismo e, por influência de um parente próximo, Sr. Francisco Correa de Mello, tornou-se teosofista, passando a estudar a fundo os principais livros dessa filosofia, principalmente os de Helena Blavatsky, fundadora da Sociedade Teosófica Mas, pouco depois veio a desilusão, porque verificou que a Teosofia lhe apresentou certas explicações que lhe pareciam absurdas.
Estava então propenso a se entregar ao Materialismo marxista, quando, certo dia, em 1936, encontrando-se com um amigo, que era espírita e fiel discípulo de Allan Kardec, foi por ele desafiado a ler “O Livro dos Espíritos”. Muito a contragosto, aceitou o desafio. Leu e gostou. Gostou tanto que se tornou espírita convicto, levado pelo raciocínio e pela lógica indestrutível que encontrou no Missionário lionês, em quem o astrónomo francês, Camille Flammarion, viu o bom senso encarnado.
Para Herculano Pires, ser espírita “significa viver o Espiritismo; transformar os princípios doutrinários em norma viva de conduta, para todos os instantes da nossa curta existência na Terra; é praticar o Espiritismo, não apenas no recinto dos Centros ou no convívio dos confrades, mas, em toda a parte: na rua, no trabalho, no lar, na solidão dos próprios pensamentos”.
Tornou-se conferencista eloquente e muito solicitado pelos presidentes de centros espíritas. Num deles, situado na cidade de Ipauçu, encontrou, certa vez, a bela jovem Maria Virgínia de Anhaia Ferraz, também espírita, por quem se apaixonou e com quem veio a casar-se no dia 11 de dezembro de 1938, numa cerimónia apenas civil, em casa da noiva.

Herculano Pires foi um grande polemista, tendo mantido discussões acaloradas com pastores protestantes e sacerdotes católicos e até mesmo com muitos confrades espíritas defensores da obra “Os Quatro Evangelhos” de João Baptista Roustaing, publicada em Bordéus, em maio de 1866. Ele não era de cruzar os braços diante das mistificações e abusos praticados no meio espírita, como acontece hoje.

Ao grande Mestre as nossas sinceras homenagens de admiração e respeito.

/…

Erasto de Carvalho Prestes, in O Franco Paladino, Maio de 2009 / Órgão de divulgação do Espiritismo codificado pelo Mestre Allan Kardec – Viva José Herculano Pires!, 1º fragmento solto da obra.

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Palavras para uma jovem vidente

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Palavras para uma jovem vidente que não sabe bem o que vê, para que viva em paz com esse dom e seja feliz, dando – se for possível e se quiser – importantíssimo testemunho do mesmo.

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Soube de uma jovem que, além de ver o que todos vêem, tem o privilégio de ver os espíritos. Outrora teve graves problemas mas habituou-se e aprendeu a viver com isso. Não retirou lições nem procurou conhecer tal fenómeno, o que foi pena.
O que escrevi foi para ela em primeiro lugar mas resolvi partilhar com todos os visitantes deste sítio.

Minha amiga,
É muito importante que saiba que poder ver os espíritos não é sintoma de doença ou desarranjo mental. Muita gente, sobretudo as crianças têm tido dons iguais ou parecidos, a que a indiferença e a ignorância têm virado as costas, tornando desconfortável uma realidade que pertence à natureza e à ordem normal das coisas. Sentir realmente uma presença invisível andar pela casa, um olhar que observa atrás de nós os nossos gestos, por isso já toda a gente passou, sem saber explicar bem o que é.
Outra coisa é ver mesmo os vultos silenciosos de pessoas reais, figuras indistintas que avançam pela casa – como me diz – sem fazerem parte do número dos vivos.
Vou tentar fazer para si um resumo simples de conhecimentos que levam muito tempo a acumular, essenciais para compreender esse facto, sabendo tirar partido dele e podendo utilizá-lo em benefício de terceiros.

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O MUNDO VISÍVEL E O OUTRO

As suas visões dão prova indesmentível da realidade abrangente da natureza, a mesma que contemplamos e sentimos com os nossos vulgares cinco sentidos: a vista, o ouvido, o olfato, o tato e o gosto.
A minha amiga tem a prova de que há gente que passeia por aí – espíritos iguais ao nosso, num outro estado, esperando talvez receber um aceno de simpatia ou um recado que lhes dê coragem para continuar a viagem seguindo os seu caminho.
Em concreto: Depois de mortos todos nós vamos continuar vivos de outra maneira.

Os vultos que tem visto, são figuras reais e representam pessoas que deixaram a vida material e que possuem outras faculdades e dispõem de outra forma de estar e de se deslocarem.
Não podem fazer-nos mal algum nem intervir nas nossas vidas no plano material. No plano mental são quase como outra pessoa qualquer com quem nos cruzamos na rua, embora tenham outras capacidades que são importantes.
Que fique muito claro: se tivermos bem construída a nossa personalidade e se estiver bem colocada a nossa força de vontade, os espíritos não podem fazer-nos mal algum.
Se alguém quiser vender-nos uma enciclopédia ou um conjunto de panelas inox, pode bater à nossa porta para nos convencer a isso. A decisão da compra depende exclusivamente da nossa vontade.
O trato com os espíritos está quase ao mesmo nível, embora o seu potencial de influenciar vontades deva ser melhor esclarecido.

A NATUREZA REAL DOS ESPÍRITOS

Quando acordarmos do outro lado da vida quando esta que vivemos agora se acabar, também seremos espíritos como aqueles que vê lá em casa.
Libertos das dores do corpo e das múltiplas limitações seremos, mental e moralmente, as mesmas pessoas que éramos antes, com preocupações pessoais inerentes à nossa individualidade. Estaremos livres das nossas limitações e necessidades físicas e teremos faculdades muito especiais, que são bem conhecidas e podem ser explicadas.

Com o falecimento não há perda de autonomia de individualidade e o mais natural é que o espírito liberto siga o seu caminho de evolução e aprendizagem. Há muitos casos também de espíritos menos preparados que ficam por aqui, pendentes das suas preocupações anteriores, de tal forma que há muitos que julgam que ainda estão vivos e insistem em habitar entre nós.
A observação experimental de milhões de casos de que há conhecimento comprova isso de forma clara.

Os espíritos mais bem informados e com melhor condição evolutiva passam logo em frente, avançando por uma estrada de aprendizagem, aperfeiçoamento e até de felicidade. Mas para atingir esse patamar teremos que desempenhar com brio, humildade e abnegação todas as tarefas que nos competem!…

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107-Ch-tO AMBIENTE OPRESSIVO DO PLANETA TERRA

A sina deste mundo, na condição material e muito problemática em que estamos mergulhados, é ter de ficar a conviver com aqueles espíritos que ainda não tiveram a lucidez e a vontade de entender que o caminho é para cima e para a frente. No espaço do nosso mundo é muito mais numeroso o contingente dos espíritos invisíveis (que estão por todo o lado) do que o número de pessoas materialmente vivas.
Esses espíritos insistem em ficar presos ao desconforto da vida terrena. São esses, minha amiga, que vê passear silenciosa e misteriosamente em sua casa, nos momentos em que diz ao seu simpático marido: “Olha, hoje temos visitas!…”
Não serão só esses que vêm visitá-la, pode estar certa. Mas por agora não vou complicar este simples resumo.

FACTOS IMPORTANTES DE NATUREZA CIENTÍFICA

Ninguém deve ter medo do universo oculto que nos rodeia e de que só muito poucas pessoas se apercebem, como a minha amiga. A nossa atitude deve ser de uma grande naturalidade, confiança e espírito positivo.
Os contratempos e a perturbação pelos quais passou e aos quais demorou a habituar-se por ignorar as razões substanciais que estavam por detrás deles, tinham sido evitados de forma muito fácil.
Por isso estou aqui a conversar consigo, fazendo votos de que a mensagem possa servir a mais gente, isto é, a mais espíritos.
Quanto mais esclarecida for a nossa posição, melhor será a influência de que vamos poder usufruir E TRANSMITIR a muitas dessas almas perturbadas, confusas e não obrigatoriamente más.
Algumas estarão apenas temporariamente perdidas sem saber o que fazer.
O conhecimento das leis da natureza que governam as interações dos espíritos é fundamental, e bem assim a influência das nossas atitudes sobre o NOSSO PRÓPRIO espírito.
A lei da causa e do efeito e a lei das afinidades, de que falo mais abaixo, governam todo o género de interinfluências positivas e negativas que determinam a nossa lucidez, a FELICIDADE e, como no seu caso, a própria SAÚDE.
Moral da história: para certos problemas que podem resolver-se pelo conhecimento das suas causas naturais não é preciso andar a tomar drogas que nem fazem bem à saúde e muito menos resolvem o problema.

104-O-UMoA VISUALIZAÇÃO DOS ESPÍRITOS E COMO SE PROCESSA

Como está explicado em “O Livro dos Mediuns” capítulo I, nº 54 o ser humano é composto de três elementos distintos.

  1. A alma, ou espírito, é o princípio inteligente da nossa personalidade cuja constituição e natureza não conseguimos discernir com exatidão. De imensa complexidade, caracteriza-se por elevado grau de imaterialidade.
  2. O corpo físico é aquele que conhecemos com mais intimidade mas que, ainda assim, encerra muitos segredos quanto à sua integral e complexa natureza.
  3. Há um terceiro componente dos seres humanos, a que chamamos perispírito, que constitui um plano intermédio entre os dois primeiros e que – além de inúmeras funções incompletamente conhecidas – constitui uma ferramenta de que o espírito dispõe para governar o corpo.

Em termos práticos o perispírito está alojado no mesmo espaço do corpo material (ele é o seu “principio activo”, veículo e ferramenta do espírito junto dos tecidos orgânicos e da natureza intelectual e sensível do homem) e por isso recolhe influência de ambos os lados: do espírito e do corpo.
Para os videntes muito dotados o perispírito constrói à volta do corpo físico uma espécie de reflexo brilhante e colorido. Experiências científicas muito avançadas, aliás, já conseguiram fotografá-lo.
O nascimento de um novo ser corresponde à vontade dos pais em gerar uma criança, mas só se torna uma realidade concreta porque o processo da Criação atua imediatamente após esse episódio, entrando em ação junto de cada novo ser o novo perispírito que o acompanhará toda a vida até ao dia da sua extinção, falecimento, morte ou – como dizem os espíritas – desencarnação.
É interessantíssimo estudar e conhecer todo este fenómeno que explica de forma clara uma quantidade de momentos específicos da própria vida, da morte, do sono e dos sonhos, e tantíssimos outros.
Outra propriedade fundamental do perispírito é a de ir registando todas as aprendizagens que a alma carrega durante a sua vida neste mundo, sendo – em estreita dependência do espírito – a memória de todas as vivências e aperfeiçoamentos anteriores. Por isso as reflete nas cores e no brilho que ostenta e que são visíveis aos outros espíritos.
Donde a justeza de designar-se o perispírito como interface entre o corpo material e a essência praticamente imaterial do espírito.

Citando diretamente o que está contido em “O Livro dos Mediuns”:
“…A morte é a destruição, ou, antes, a desagregação do envoltório grosseiro − invólucro que a alma abandona”. Esse envoltório é aqui designado como “grosseiro” apenas em comparação com o espírito, e é o nosso corpo físico.
Durante toda a vida, animado pela centelha do espírito o corpo evidencia capacidades complexíssimas de sobrevivência. Uma vez destituído desse princípio vital, em escassos minutos o mesmo corpo deteriora-se de forma irrecuperável, apagando-se igualmente todo o seu fulgor intelectual e anímico.
Esse momento corresponde por isso, instante por instante, à saída do perispírito do tecido corporal, do qual se afasta envergado agora pelo espírito – ao qual confere vulto e fisionomia visíveis.

EM RESUMO:

Início do ciclo da vida, fecundação do óvulo materno; início do processo de entrada em funções no tecido orgânico do ser, do perispírito – interface ou ferramenta do espírito, que torna a pessoa naquilo que ela é, com aquisições intelectuais e morais derivadas da sua experiência anterior. Esse processo só se completa no fim da idade infantil, lá pelos sete anos;

No transe do fim da vida, falecimento ou desencarne (saída da carne): abandono pelo perispírito do veículo corporal ou organismo físico da pessoa; passagem da alma a um novo ciclo de vida, carregando as respetivas memórias e aprendizagens, sem esquecer a memória exaustiva e inamovível de todas as suas responsabilidades morais!…

A transformação radical e instantânea dos tecidos do corpo e de toda a sua capacidade vital, nesse momento, motivada pela saída do perispírito – agente ativo das funções vitais conduzido pelo espírito – torna-se um argumento irrecusável e único da importância fundamental do mesmo na instituição da vida.

106-R-AzO perispírito continua pois, às ordens do espírito, na grande viagem sem fim em direção ao aperfeiçoamento, à sabedoria e à felicidade, constituindo por assim dizer o seu corpo operacional para futuras reencarnações neste e noutros mundos.

Note a minha amiga o seguinte:

Esse destino não é reservado apenas aos mais bonzinhos, aos cumpridores e bem-educados da primeira hora. Todos, mas todos os seres que são entregues ao plano infinito da evolução, irão terminar construtivamente a viagem.
Uns irão mais depressa, outros mais devagar, de acordo com a sua vontade e o seu livre arbítrio – pois que a liberdade e a consciência própria é atributo essencial de todos os humanos. E todos os humanos são filhos de pleno direito de Deus, nosso pai, a quem é legítimo atribuirmos desígnios do mais absoluto sentido de justiça e de infinita misericórdia.

Quanto aos espíritos, uns aprenderão pelo amor, pela harmonia e pela vontade positiva. Outros aprenderão pelo esforço doloroso, com lágrimas e cansaços. Mas a todos está reservada a felicidade integral e o conhecimento absoluto, em modalidades de avanço e progresso que nos é completamente impossível descrevê-las.

O conhecimento destes factos também é científico, seja qual for o entendimento que tenhamos dessa palavra. Foi um conhecimento que nos foi revelado pelos espíritos, falando por intermédio de pessoas tão sensíveis como a minha cara amiga, portadores de dotes equivalentes, parecidos e complementares ao dom da mediunidade.
Chamam-se – conforme a variedade dos casos – médiuns audientes, falantes, sonâmbulos, de cura, escreventes ou psicógrafos e ainda outros que constituem um raríssimo, precioso e importantíssimo elenco de seres hipersensíveis a quem a alta espiritualidade confiou a revelação das verdades transcendentes que ajudam os homens que vieram à carne para aprender aquilo que necessitavam de aprender, a seguir em frente nos caminhos da evolução.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACONTINUEMOS A ACOMPANHAR O PERISPÍRITO:

A plasticidade semi-material de que se caracteriza, animada pelo espírito, é capaz de se configurar fisionomicamente à medida dos seus desejos e memórias, assumindo no período após o falecimento de uma  pessoa, o aspecto dessa mesma individualidade como adulto jovem, no auge do seu potencial humano.
Quando da morte, por esse motivo, todos ficamos mais bonitos!…
Essa transformação permite aos espíritos tornarem-se identificados por conhecidos e familiares, na multiplicidade de situações em que o encontro com eles se torne possível.
Essa hipótese está largamente confirmada por diversas fontes de conhecimento científico que convergem integralmente, entre outros:

  • O conhecimento espírita;
  • O estudo das experiências de quase-morte;
  • e as inumeráveis regressões a vidas passados levadas a cabo pelo método da hipnose.

Estas fontes, completamente diversas entre si nos aspetos histórico-metodológicos e técnico-científicos são coincidentes, até aos mais diminutos pormenores, nas conclusões alcançadas e nas observações feitas.

DONDE:

Os corpos esmaecidos e flutuantes que são observados pelos hipersensíveis videntes não são outra coisa senão perispíritos, elementos semi-materiais configuráveis pela vontade dos espíritos. Essas são as figuras que entram lá em sua casa, sem precisar de chave ou de ter de tocar à campainha e que a amiga também verá na rua, nos cafés e até nos teatros de concertos onde muitos espíritos gostam de ir ouvir a música com que se deliciam aqui na terra, como no mundo espiritual – que de pequenos nos habituámos a chamar “o céu”.

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SEGUNDA PARTE DA NOSSA CONVERSA

− trata dos aspetos científicos que definem as leis de INTERINFLUÊNCIA entre espíritos e que nos ensinarão a colher as BOAS e recusar ou transformar as MÁS influências, seja das pessoas viventes no mundo físico, seja dos espíritos já viventes (e muito bem vivos) no mundo espiritual.

Em relação com isso, e para nossa conveniência, há um trabalho que só pode ser feito por nós.
É o governo da nossa vontade, a conquista do equilíbrio moral e o conhecimento racional da vida e do espírito, princípio inteligente que está por detrás de tudo o que fomos, o que somos e o que seremos.

Este AVISO contribui:
− para a elevação do nível que nos rodeia todos os dias;
− para a melhoria do comportamento com todos os amigos, colegas de trabalho e familiares;
− para a SAÚDE PSICOLÓGICA e FÍSICA em todos os aspetos de funcionamento do nosso organismo e desenvolvimento da NOSSA FELICIDADE imediata e futura.

142-J-MA LEI DAS AFINIDADES
Se eu entrar num lugar qualquer onde esteja muita gente com quem é que vou reunir-me?
− Às pessoas de que eu gosto, aos meus amigos e conhecidos, é claro. Se possível vou para junto daqueles que me amam e daqueles que eu amo, na hipótese mais favorável.
Para junto das pessoas que eu não goste, daqueles que me maltratam e hostilizam?
− Não, para junto desses não vou!…

Nós somos espíritos − nada mais, nada menos − espíritos de vivos que se deslocam e sobrevivem temporariamente no mundo em corpo material. Os espíritos dos que já faleceram, envergados pelo perispírito, fazem exatamente o mesmo que os espíritos dos que ainda não morreram: uns e outros vão para junto dos seus iguais; procuram de modo infalível aqueles que vibram no mesmo comprimento de onda, partilhando AFINIDADES.

VEJAMOS O QUE PODEMOS FAZER PARA VIVER BEM:

É muito aconselhável para todos nós manter contactos frequentes com espíritos positivos, andar pela vida de mão dada com as pessoas que nos ajudem a viver bem, com respeito pela nossa sensibilidade e em obediência aos princípios e desejos que achamos mais corretos. Não vamos, por uma questão de solidariedade humana – a fundamental e imprescindível caridade – virar as costas a todos os outros, os que não sabem, os insensíveis e os impreparados. A esses será preciso estender a mão, abrir o entendimento, ajudar por amor – numa palavra – instituir a partilha de valores.
Mas temos que saber fazer tudo isso sob o influxo das melhores influências – ganho de causa entre valores positivos e valores negativos que só o conhecimento possibilita e a razão moral pode sustentar.

NOTAR que o mal não vem apenas dos outros.
Nós, por defeito de atitude ou pela tendência para os maus pensamentos, a crispação e a impaciência podemos também alinhar com a negatividade, gerar forças que nos abatam o moral. Os nossos maus pensamentos são um fator fundamental a ter em conta. Uma energia que se torna a mais perigosa de todas, porque está cá dentro.
Seguindo por aí, não tendo cuidado em escolher a boa ajuda e não dispondo de energias para retificar tendências negativas, lá vamos ter de tomar logo de manhã o antidepressivo que nos amortece os sentidos da alma, não dispensado ao deitar o tranquilizante que nos consinta o sono.

NOTA IMPORTANTE:

− Quando falo aqui em melhores companhias muita gente irá pensar que me refiro às pessoas – amigos e conhecidos com quem convivo no dia-a-dia.
ATENÇÃO!… Essa não é a totalidade das companhias que podem vir lançar atrapalhação e mal estar. Se leram com atenção desde princípio lembrar-se-ão que também grande quantidade de espíritos de pessoas já ausentes (os mais materializados e de menor evolução espiritual) andam por aí em grande número.

Se nos abandonarmos a pensamentos negativos e a preocupações obscuras, se fugirmos a momentos elevados de sensibilidade espiritual:

− as boas leituras como as boas acções;
− a melhor cultura como os gestos altruistas;
− as conversas e atitudes edificantes como as atitudes generosas;
− o exercício altamente importante e espiritualizante da PRECE!…

os espíritos com baixas vibrações e pensamentos negativos serão atraídos para o nosso convívio, porque estaremos fatalmente a vibrar à mesma frequência.

MUITO CUIDADO!… Esse risco arrasta-nos para a depressão, para o abatimento – numa palavra, para a obsessão!…

Para saberem o que é a obsessão consultar por favor a importantíssima obra publicada neste blogue da autoria de José Herculano Pires: OBSESSÃO/AUTO-OBSESSÃO – um tema importantíssimo

141-O-VA LEI DA CAUSA E DO EFEITO
Se eu plantar laranjeiras, colho laranjas. Se plantar ventos, colho tempestades. Se semear afetos, mereço colher afetos. Ao semear, porém, já sou beneficiário da boa intenção, que me beneficia desde o primeiro instante. A colheita é contingente, mas é possível. Semear é um dever inabalável de potencial altamente retributivo. Lembrem-se: além dos atos produtivos as boas intenções têm muitíssimo valor!…
A aliança de todos os gestos generosos pode não fazer sempre todos os milagres. Mas encurta o caminho para a perfeição.
Os espíritos que a minha amiga vê passear pela casa necessitam de nós como amigos, como vontades solidárias. Além de semearmos laranjeiras, para colher laranjas, tenhamos o gesto solidário, a palavra de carinho, a prece essencial de apelo às mais elevadas instâncias. Não olhemos de lado as estranhas visitas cujo nome desconhecemos, quer vendo-as, quer se apenas as persentimos.
Com os espíritos não alimentemos o medo; Usemos o melhor da nossa hospitalidade.
Quem sabe será aquele vulto um vizinho conhecido em busca de apoio? Quem sabe será um ente querido há algum tempo desaparecido, em busca do perdão que lhe negámos em vida? Isso acontece, é da vida e está comprovado pelo trato com os espíritos. Nós também somos espíritos e andamos pela vida, tantas vezes, à procura de um simples gesto de carinho, de compreensão ou de auxílio generoso. E se aqueles pelos quais passamos uma e outra vez, virarem sempre o rosto para o outro lado, não querendo estender-nos e, pior do que isso, TIVEREM MEDO DE NÓS por ignorância e frieza indiferente?
Ousemos entendê-los, ousemos o afeto compreensivo.
Esse semear produzirá nos outros o melhor da transformação positiva que em nós ficará a germinar como uma árvore saudável de frutos garantidos.
Chamem-lhe laranjas, chamem-lhe boa vontade, chamem- lhe consciência tranquila ou chamem-lhe a simples alegria de dar!…

106-A-reinv

ESPÍRITOS SOMOS TODOS, EM SITUAÇÕES DIFERENTES

As pessoas que evidenciam estranheza perante os espíritos por serem coisa “do outro mundo”, caiem na rejeição irracional de abordar sequer o tema da vida depois da morte.
Daí um medo mórbido, uma terrível insegurança perante o fenómeno que a todos tocará de forma inevitável. Mesmo os ateus mais dramáticos ou as pessoas a quem a falta de coragem intelectual impede de enfrentarem o assunto, como simples tema de conversa, deveriam pensar no deficit de sentido prático que isso envolve.

Vão morrer um dia, seja de que maneira for, de forma acidental ou seguindo o itinerário mais desejável da longevidade feliz, sem dores profundas de agonia arrastada.
Nesse dia, no instante após, poderão ter necessidade de um “livro de instruções” que os liberte dos transtornos de não saber o que fazer. Havendo – como parece que há – procedimentos aconselháveis, julgo que seria bom dar uma vista de olhos ao tema.

Os cidadãos bem apetrechados costumam precaver-se sempre com cautelas, mesmo nas mais raras e improváveis voltas desta vida. Quanto à morte, essa infalível ocorrência, viram as costas ao assunto quase ofendidos ou desconcertados pela indiscreta apresentação do mesmo.

103-D-PPComportamento que faz lembrar o das crianças assustadas que põem as mãozitas sobre os olhos para o que estão a ver deixe de existir, ou como se a mera hipótese da vida eterna fosse algo de somenos, sonho imerecido que não voa porque a dúvida triste lhe cortou as asas.

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NINGUÉM SE ESQUEÇA DO SEGUINTE:

− O conhecimento da cultura e da ciência espirita, para além de esclarecer as principais questões da vida − origem e destino dos seres − é importante elemento de  libertação e progresso espiritual. Favorece de modo esclarecido a manutenção da saúde física e emocional e é um apoio firme da felicidade pessoal e familiar.
Não é imperioso frequentar nenhum centro, pertencer a nenhum grupo e muito menos frequentar sessões mediúnicas, que são  reuniões muito reservadas que solicitam grande preparação.
A cultura espírita pode desenvolver-se de forma independente mediante o interesse pessoal. O seu estudo pode ser configurado à medida dos interesses de cada um, sendo abundantíssimas as fontes de informação disponíveis, nomeadamente na internet.
Como é timbre e característica fundamental da fraternidade espírita, é sempre possível obter tais elementos de forma completamente grátis.

Juntem-se ao número dos subscritores deste blogue para receberem notícia de todas as publicações (ver coluna à direita). Contactos: palavra.luz@gmail.com

As Experiências de Quase-Morte, a Consciência e o Cérebro, pelo Dr. Pim van Lommel

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As EQM observadas por opiniões insuspeitas

…> É favor ver ao fundo para ter acesso à tradução do documento, antecedido pelos comentários cuja leitura recomendo.

Os médicos e outros especialistas que se têm dedicado à investigação das chamadas experiências de quase-morte (EQM) são merecedores da nossa melhor consideração.
O trabalho de investigação que desenvolvem deriva da sua posição estratégica junto dos protagonistas essenciais dessas mesmas experiências e são naturalmente os profissionais de saúde que os acompanharam antes, durante e depois das mesmas: cardiologistas, anestesiologistas, reanimadores, enfermeiros, psicólogos, etc.

Tem sido por essa via que nos chegam os importantes estudos de um fenómeno cujo esclarecimento não poderia ser feito com mais rigor por outro tipo de pessoas, sendo eles possuidores de um distanciamento crítico que os coloca ao abrigo de tendências particulares.

Tendo feito toda a sua formação académica em ambiente adverso à aceitação da vida depois da morte, foi por disporem – no entanto – de alguma sensibilidade intuitiva para encarar a evidência dos factos que se dedicaram ao seu estudo.

Não seria justo também esquecer o ânimo que foi necessário para enfrentarem todo um sistema de conhecimentos e um ambiente socioprofissional configurado para abordagens materialistas, em tudo avesso a aberturas perante coisas tão “estranhas” como interpretação da crise da morte (como lhe chamou Ernesto Bozzano) que a todos tocará.

As investigações do Dr. Pim van Lommel

O Dr. Pim van Lommel, cardiologista holandês, é um dos principais expoentes a nível mundial da investigação a respeito deste tema, pelo facto de ter empreendido um dos mais abrangentes estudos com larga participação de doentes que sobreviveram a paragens cardíacas – em meio hospitalar – de médicos e outros profissionais de saúde.

Quando lhe escrevi solicitando autorização para traduzir o documento anexo de 2006, nunca pensei que se desse ao trabalho de responder. Não foi assim e aqui está, finalmente, o resultado dessa autorização que já lhe agradeci em meu nome e em nome de todos os leitores de língua portuguesa porque, ao que julgo, este documento ainda não estava traduzido nesta língua.

Um documento de 2006 que diz coisas essenciais 

Abaixo encontrareis um ficheiro pdf, com uma visualização gráfica feita a meu gosto, da tradução já pronta. É um texto de 2006, já algo ultrapassado por desenvolvimentos ulteriores, de que o livro de Pim van Lommel (Consciousness Beyond Life – The Science of the Near-Death Experience)  já editado em várias línguas e brevemente também em português, é exemplo muito bem documentado.

O documento cujo acesso está disponível ao fundo destes textos é um resumo das conceções do investigador relativas às EQM e a diversos aspetos da investigação em torno das mesmas, nomeadamente as que ele mesmo tinha levado a cabo na Holanda.

a capa do livro acima referido publicado em 2010

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Comentários ao texto traduzido: 

O trabalho apresentado não é de forma nenhuma um texto espírita, concebido para ser apresentado perante pessoas crentes na vida depois da morte. Tão-pouco tem a intenção, creio bem, de afirmar convicções fora dos limites da diligência científica, isto no que toca à formação e às motivações do seu autor. Sendo assim, na minha opinião, já interessa – e muito – à ciência espírita, dado que esta tem por intuito seguir atentamente todas as conquistas da ciência, assimilando nelas o que for prova de verdade no território daquilo que conhece, ou seja, a relação entre os espíritos e o mundo material.

Havendo um vasto consenso entre a realidade que se reflete nas experiências de quase-morte e aquilo que está descrito na codificação espírita – do modo que procurarei oportunamente documentar – assim se justifica a publicação do texto do Dr. Pim van Lommel.

O recurso à física quântica e as conclusões do Dr. Pim

A física quântica teve o seu início no fim do século XIX e refere-se à descrição da natureza ao nível do extraordinariamente pequeno. Vários são os textos espíritas que referem este recente avanço da ciência como reforço de certas formulações do espiritismo. Haverá quem saiba disso e possa explicar, mas não é esse o meu caso.

O Dr. Pim van Lommel entendeu avançar por aí na busca de fundamentação para interpretar o significado das EQM.

Aparece ao longo dos seus escritos a ideia da “consciência”, da “consciência alargada” da “continuidade de consciência” ou de uma versão ainda mais complexa, da “consciência não-local” – sendo a “não localidade” um termo oriundo da mecânica quântica.
Todas essas construções teóricas me parecem apenas a problematização de algo que os espíritas chamam, muito simplesmente: o espírito. Bem como me parece evidente que aquilo que ele chama “…experiências peri e post-mortem ou comunicações após a morte…” não passa pura e simplesmente de comunicações mediúnicas.

Para explicar que os seres humanos são formados de principío material e princípio espiritual; para explicar que a morte corresponde à despedida do espírito e do perispírito, deixando atrás o invólucro material – o corpo físico – quando este chega ao fim do seu préstimo; bastam apenas essas duas asserções apoiadas na base sólida da experiência espírita, dispensando portanto os argumentos da física quântica.
Neste trabalho do Dr. Pim van Lommel, a coisa mais importante que eu encontro, no entanto, não é o modo como ele orienta o seu raciocínio, ou como fundamente o mesmo.
São as conclusões que acaba por alcançar depois da profunda impressão que nele produziram as palavras daqueles que, de facto, revelaram ter contactado de forma inequívoca com uma dimensão completamente diferente daquela em que vivemos como corpos físicos.

Não haverá síntese melhor do que aquela que nos oferece, nas seguintes palavras:

“…Esta consciência acentuada e alargada baseia-se em campos indestrutíveis de informação e em permanente evolução, nos quais todo o conhecimento, sabedoria e Amor Incondicional estão presentes. Esses campos da consciência estão guardados numa dimensão que não está sujeita aos nossos conceitos de espaço e de tempo, com interligação “não-local” e universal. Podia designar-se isto como a nossa consciência Superior, a consciência Divina ou consciência Cósmica…” 

Tenho todo o respeito pelo esforço discursivo do Dr. Pim van Lommel e acho que, de uma certa forma (e isso talvez tenha pouco a ver com o carácter exato da física quântica) ele já demonstrou a sua ideia de “espírito”.

Ou que, dizendo aquilo que esclarecidamente diz em tantas das suas afirmações, ele já sabe “o que é” o espírito.
Por isso me interessam tanto as suas investigações e aqui tomo a liberdade de publicá-las. É favor clicar no título para ter acesso ao documento.

O Dr. Pim van Lommel

As Experiências de Quase-Morte, a Consciência e o Cérebro.

O texto original em inglês pode ser consultado na página pessoal do Dr. Pim Van Lommel, no seguinte endereço:

Van Lommel, P. (2006). Near-Death Experience, Consciousness and the Brain.

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GABRIEL DELANNE – Vida e Obra de um fundamental seguidor de ALLAN KARDEC

A Evolução Anímica-1…

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Abaixo se apresenta a biografia de um dos mais distintos expoentes da doutrina espírita: GABRIEL DELANNE, entendido como um dos mais destacados seguidores de ALLAN KARDEC, divulgador da vertente científica da cultura espírita e seu entusiástico impulsionador.

Além da biografia de GABRIEL DELANNE, encontra-se à disposição do visitante um documento muito interessante, encontro com DELANNE, de autoria de uma conhecida individualidade brasileira, o Dr. Silvino Canuto de Abreu, ilustre investigador espírita que se deslocou a Paris para se encontrar pessoalmente com Delanne, com o qual trocou diversas impressões que constituem um momento notável. Além do relato do encontro redigiu ainda um texto importante para a caracterização do entrevistado e do papel que desempenhou na consolidação e divulgação do espiritismo, na senda de Allan Kardec.

GABRIEL DELANNE, Vida Apostolado e Obra – Paul Bodier e Henri Regnault

Encontro com DELANNE, Silvino Canuto de Abreu

Estas são as principais obras da autoria de GABRIEL DELANNE, algumas ainda não traduzidas para a língua portuguesa:

 

O ESPIRITISMO PERANTE A CIÊNCIA

O FENÓMENO ESPÍRITA

EVOLUÇÃO ANÍMICA

L’Évolution Animique

Recherche sur la médiumnité

A ALMA É IMORTAL

Les_apparitions_matérialisées_tome_I

Les_apparitions_materialisees_tome_II

E o seu último trabalho, de 1924

La Reincarnation

A Reencarnação.

 

 

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As EQM’s confirmam cientificamente factos já conhecidos pelo espiritismo

>AS EXPERIÊNCIAS DE QUASE-MORTE (EQM)

 o mais importante conjunto de factos  com comprovação científica reveladores da vida depois da morte no decurso da História da Humanidade

Ver outros artigos a respeito deste assunto no sector: EQM NDE

“…Van Lommel chegou à inevitável conclusão de que é completamente provável que o cérebro deve ter funções que facilitam o exercício da consciência mas que não a produzem.

Ao ter instituído como tema científico a acção da consciência como fenómeno não localizado e, por isso, omnipresente, Pim van Lommel põe em causa um dos paradigmas puramente materialistas da ciência…

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Dada a importância e crescente notoriedade das EQM’s na demonstração de que existe vida para além da morte, num contexto claramente coincidente com as teorias definidas pela codificação espírita, “espiritismo cultura” continua a abordagem do referido tema.

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É muito pouco viva e fracamente documentada a atenção dispensada ao tema das chamadas Experiências de Quase-Morte ou de Morte Iminente (EQM ou EMI) no contexto dos movimentos espíritas, facto que me parece distanciado do que é pressuposto na letra e no espírito da codificação de Allan Kardec, pela decisão de permanecer atenta aos progressos do conhecimento em geral e da ciência em particular.

De notar que a eclosão deste tipo de acontecimentos é devido a desenvolvimentos na área técnico-científica e sua análise largamente documentada já tem – pelo menos – quatro dezenas de anos.

Por outro lado o seu estudo e divulgação provém de um meio tradicionalmente avesso à aceitação mínima de factos relacionados com a vida espiritual, ou seja, completamente agnóstico: a classe médica em geral e, neste caso, dos países tecnologicamente mais desenvolvidos do mundo: Estados Unidos da América, Holanda, França, Alemanha, Canadá, etc.

Entre nós, à parte a profunda consciência que o mundo espírita possui – por outras vias – da vida depois da morte, a pouca informação relativa à causalidade deste tipo de fenómenos deve-se a um generalizado desconhecimento do tema, à pouquíssima cobertura dos meios de comunicação social − sob o império de determinações praticamente insondáveis − e, ainda, pela escassez das traduções de material esclarecedor do assunto.

O esclarecimento cada vez mais documentado de tais experiências será uma oportunidade insuperável para demonstrar teses há cento e cinquenta anos sustentadas pela terceira revelação, mau grado o cepticismo reinante no meio científico e a reserva de certas instituições culturais e de comunicação social.

Esta imagem simula uma acção de Ressuscitação Cardiopulmonar por meio de desfibrilador, cuja prática exige especialistas devidamente treinados.

O momento em que começou a grande eclosão de fenómenos propriamente ditos foi a partir de fins dos anos sessenta, devido à colocação em uso pelas emergências médicas de equipamentos anteriormente descobertos (desfribiladores, entre outros). Até essa altura era praticamente impossível fazer reverter processos de morte em caso de paragem cardíaca, paragem respiratória e cessação de actividade cerebral.

As provas de uma outra vida tornadas perfeitamente evidentes

Uma enorme quantidade de pessoas, vítimas de acidentes ou de outras situações limite, depois de uma comprovada morte clínica, com paragem cardíaca e paralização completa da actividade cerebral, têm sido reanimados em todo o mundo por processos agora crescentemente difundidos em acções de salvamento ou socorro de emergência hospitalar.

Do número total dessas pessoas, há cerca de 18% que se lembra da sua viagem ao outro lado da existência, com farta quantidade de recordações de grande nitidez de que resultam memórias inapagáveis e, mais do que isso: a ocorrência de efeitos transformadores do carácter e das concepções de vida!

É preciso que se diga de forma rigorosamente clara que essas experiências não passam de viagens de ida e volta ao mundo espiritual, ao outro lado da vida, em estado de lucidez muito mais acentuado daquele que nos permitem os nossos próprios sentidos, com registo detalhado de vivências extraordinárias que incluem, em resumo e em geral:

  • percepção de um ambiente acolhedor, onde reina a mais intensa sensação de segurança e de AMOR UNIVERSAL;
  • uma recepção fraterna, a maioria das vezes protagonizada por entes que nos são queridos que já partiram antes para a vida espiritual;
  • a experimentação de um fenómeno de revisão de todos os detalhes da nossa vida, com AUTO-JULGAMENTO sem constrangimentos nem pressões morais;
  • a presença de entidades que acompanham o espírito recém-chegado em clima de grande elevação moral e espiritual.

Este tipo de experiência, pela ordem natural das coisas, e devido ao facto de se registar entretanto o fenómeno da ressuscitação dos seus protagonistas e o regresso consequente à vida material, é interrompida a um dado momento com prévia abordagem dos mesmos, a quem é anunciado “não ter chegado ainda a sua hora”.

Muitos outros detalhes poderiam ser acrescentados e estão abundantemente documentados, havendo que considerar-se que existe um número percentualmente baixo, mas abundantemente significativo, de tais experiências que decorrem em ambientes negativos, de elevado sofrimento e grande desconforto moral.

O número de protagonistas de tais acontecimentos, com larguíssimo número de depoimentos  já publicamente registados em livros, revistas e documentários filmados atinge um número de casos tão expressivo que ascende à casa das dezenas de milhões, por todo o mundo, acontecendo nos Estados Unidos da América a impressionante frequência de 800 casos por dia.

Entretanto o fenómeno já vem sendo tratado, a nível internacional, desde 1975, por um leque muito alargado de especialistas de comprovada formação científica e de várias áreas do saber.

Os fenómenos experimentados só recentemente foram sendo mais abertamente revelados pelos seus protagonistas, inicialmente mal atendidos pelo cepticismo reinante no meio médico e até no seio das próprias famílias. Os sobreviventes retraíam-se muito, porque eram tratados – como as pessoas dotadas de mediunidade, note-se – como estando “mal da cabeça.”

“palavra luz” considera que as constatações factuais comprovadas por abundante número de cientistas e estudiosos a respeito desse tema representam uma autêntica prenda da comunidade científica para o avanço qualitativo da Humanidade na compreensão:

  • da vida depois da morte e da natureza do mundo espiritual através de uma imensidade de testemunhos insuspeitos, de pessoas de todas as latitudes, origens culturais e étnicas, registados em alturas e condições muito diferentes. Tais depoimentos entre si se confirmam porque satisfazem plenamente o quesito da comparação metódica e cruzamento de dados respectivos;
  • do entendimento do corpo e do cérebro do homem como simples utensílios transitórios e dos modos de funcionamento da consciência como entidade exterior ao corpo e muito mais complexa que o mesmo;

Essas razões, analisadas à luz da filosofia e da ciência espírita traduzem na generalidade o avanço da mesma no esclarecimento de questões centrais para o entendimento do mundo e da vida e, em particular, quanto:

  • à visão  da morte como passagem natural para um plano de existência extraordinariamente superior;
  • à configuração dessa mesma passagem com riqueza de detalhes esclarecedores da natureza moral e espiritual dos seres humanos;
  • à natureza do corpo como mero utensílio temporário que não é sede principal da vida;
  • à condição do cérebro como emissor-receptor de dados de que não é sede principal nem agente produtor.

Esta “prenda da comunidade científica” está a ser feita com muita coragem por pessoas que arriscaram afrontar o fundamentalismo céptico que rejeita todas as versões fora da abordagem estritamente materialista.

“espiritismo cultura” continuará a tratar o mais possível deste assunto e o seu autor procurará efectuar traduções adequadas do material abundante que existe disponível a respeito do mesmo.

Para as pessoas que tenham conhecimentos de língua francesa, recomendo o último documentário-vídeo que foi publicado e que se encontra acessível, do lado direito sob o título: “Revelações e testemunhos sobre a vida depois da morte. Esclarecimentos de investigadores e cientistas”.

Tradução de uma breve resenha das diligências científicas do Dr. Pim van Lommel acerca das EQM’s, publicada na sua página pessoal:

Consciência para além da vida, a ciência das Experiências de Quase-Morte

Para quem quiser ler o original, clicar aqui.

“Estudar aquilo que não é normal é o melhor caminho para entender aquilo que é normal”
William James

(NT: A palavra consciência possui, na língua portuguesa, diversos significados: faculdade da razão julgar os próprios actos; sinceridade; acção que causa remorso; probidade, honradez; opinião; cuidado; atenção; esmero.
Além destes sentidos pode ser usada, no domínio da medicina como: Estado do sistema nervoso central que permite pensar, observar e interagir com o mundo exterior.
É neste sentido que a palavra é aqui utilizada.)

O Dr. Pim van Lommel, prestigiado cardiologista, foi o primeiro médico a empreender um estudo completo e sistemático das experiências de morte iminente (EQM’s em português e NDE’s em inglês, de Near Death Experiences) .

Como cardiologista foi surpreendido pela quantidade de doentes seus que afirmavam ter vivido tais experiências como consequência dos seus ataques cardíacos.

Como cientista tal facto foi difícil de aceitar.
Contudo, não seria irresponsável da sua parte ignorar cientificamente a autenticidade de tais testemunhos?

Perante tal dilema, van Lommel decidiu conceber um plano de estudos para investigar o fenómeno no âmbito controlado de uma rede de hospitais dotados de pessoal médico devidamente treinado.

Durante mais de vinte anos van Lommel estudou sistematicamente o referido tipo de experiências de quase morte (EQM’s, como também são designadas) registado por determinado número de doentes hospitalares que sobreviveram a paragens cardíacas.

Em 2001, de parceria com uma equipa de investigadores, publicou um estudo a respeito de EQM’s na prestigiada revista médico-científica, “The Lancet”.
O artigo causou enorme impacto internacional por ter sido o primeiro estudo rigorosamente científico a respeito deste assunto.

Está agora disponível internacionalmente uma apresentação em livro de Pim Van Lommel que apresenta uma visão aprofundada das suas teorias a respeito desses estudos, o qual tem merecido a melhor atenção, com elevado número de exemplares vendidos.

Van Lommel escreve que, de acordo com os conhecimentos médicos actuais, não é possível à consciência actuar durante as paragens cardíacas, a partir do momento em que a circulação e a respiração tenham cessado.
Contudo, durante o período de perda de consciência devida a uma crise de paragem cardíaca provavelmente fatal, há doentes que relatam a ocorrência paradoxal de experiências vividas num elevado estado de percepção consciente numa dimensão fora dos nossos conceitos de espaço e de tempo, com efeitos cognitivos, emoções, sentimento de identidade própria, memórias a partir da mais remota infância e, por vezes, com percepção extra-sensorial fora e acima do seu corpo sem vida.

Em quatro estudos exploratórios com um total de 562 pessoas que sobreviveram a paragens cardíacas, 11 a 18 por cento dessas pessoas relataram uma dessas experiências de quase morte, e nesses estudos não foi demonstrado que factores fisiológicos, psicológicos, farmacológicos ou demográficos pudessem explicar a causa ou o conteúdo dessas experiências.

Desde a publicação desses estudos a respeito de EQM’s ou EMI’s (Experiências de Quase Morte ou de Morte Iminente) de sobreviventes a paragens cardíacas, com resultados e conclusões surpreendentemente similares, tais fenómenos não poderão continuar a ser cientificamente ignorados.

É uma experiência tão autêntica que não poderá ser atribuída à imaginação, medo da morte, alucinação, psicose, uso de drogas ou carência de oxigénio.

Além disso as pessoas que passaram por tais experiências evidenciam mudanças permanentes de carácter por efeito de EQM’s resultantes de paragens cardíacas que tiveram apenas a duração de escassos minutos.

Ainda de acordo com tais estudos o actual conceito materialista sustentado pelos especialistas médicos, filósofos e psicólogos das relações entre o cérebro e a consciência é demasiado limitado quanto a uma adequada compreensão deste fenómeno.

Há boas razões para supor que a nossa consciência nem sempre coincide com o funcionamento do cérebro: uma acentuada percepção consciente pode por vezes ser experimentada fora do próprio corpo.

Van Lommel chegou à inevitável conclusão de que é completamente provável que o cérebro deve ter funções que facilitam o exercício da consciência mas que não a produzem.

Ao ter instituído como tema científico a acção da consciência como fenómeno não localizado e, por isso, omnipresente, Pim van Lommel põe em causa um dos paradigmas puramente materialistas da ciência.

Pim van Lommel

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NOTA:

a obra Dr. Pim van Lommel é aqui citada apenas na sua faceta de cardiologista e investigador, não lhe sendo conhecida pelo autor deste blogue qualquer opção na área a que pertence o espiritismo ou qualquer outra de carácter religioso ou filosófico.

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No site pessoal em língua inglesa do Dr. Pim Van Lommel há uma grande quantidade de dados e intervenções do mesmo. Este é o sector ali presente de elementos de intervenção mediática: http://www.pimvanlommel.nl/media_eng

Entre o material ali presente, a seguinte entrevista:

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O primeiro caso de Experiência de Quase-Morte (EQM) de que tive conhecimento detalhado

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Há mais de 20 anos anos, numa manhã em que trabalhava em casa, ouvi numa emissora de rádio alemã ( NDR, de Hamburgo), uma entrevista feita a um senhor chamado Stefan von Jankovich.

>INDÍCE DE CONTEÚDOS

A entrevista foi longa, já havia começado quando comecei a escutar e – como o assunto me interessava – coloquei uma cassete áudio a gravar.O assunto ficou na minha memória e era uma narrativa do próprio, arquitecto e engenheiro de naturalidade húngara e residente na Suíça, da sua “Experiência de Quase-Morte”, ou EQM, ocorrida em Setembro de 1964.

Muito tempo mais tarde efectuei buscas na internet, tendo tido inicialmente alguma dificuldade na grafia correcta do nome, tendo acabado por encontrar uma súmula de um livro de sua autoria “Ich war klinisch tot” /Der Tod – Mein schönstes Erlebnis, título que significa em português: “Estava clinicamente morto/A morte – a minha experiência mais bela”.

>O primeiro caso de EMI de que tive conhecimento detalhado

Embora pudesse ter feito outra escolha para divulgar este tipo de ocorrências,

  • o facto de o depoimento de Stefan v. Jankovich ter sido o primeiro que escutei;
  •  verificada a personalidade bastante vincada de homem conhecido publicamente e com largo prestígio profissional, técnico e cultural;
  • e a convicção e certa sensibilidade literária com que fazia os seus depoimentos (SJ faleceu em 2002), deram-me o necessário impulso para traduzir do alemão o referido documento.

Mais tarde encontrei num site de Radio Canada uma versão em francês, de mais fácil acesso linguístico. Mas o trabalho já estava feito e não tenho receio da tradução apresentada.
O facto de ser apenas um resumo do livro, o facto de não estarem explícitas reservas de direitos autorais, o facto de o texto estar larga e publicamente patente na internet, não me colocaram inibições de o traduzir para a nossa língua, o que tem particular interesse e corresponde, disso tenho a certeza, ao espírito com que Stefan von Jankovich generosamente se dedicou a divulgar a sua experiência.

Aqui fica para os leitores que desejem lê-lo na língua original:

Ich war klinisch tot

Uma parte muito significativa desta obra, a narrativa da experiência propriamente dita, encontra-se aqui publicada na notícia:

Resumo livro “Ich war klinisch tot”, de Stephan von Jankovich

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Resumo livro “Ich war klinisch tot”, de Stephan von Jankovich

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Peço aos leitores que entrarem nesta tradução de parte do livro acima que, para efectuarem uma necessária contextualização do seu conteúdo, leiam primeiramente a notícia:

O primeiro caso de Experiência de Quase-Morte (EQM) de que tive conhecimento detalhado

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Além das outros trabalhos aqui publicados a respeito do mesmo tema, nomeadamente o livro:

Livro sobre NDE * EQM * Espiritismo

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O primeiro caso de EMI de que tive conhecimento detalhado” width=”216″ height=”300″ />

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Tradução em português da parte do livro acima referido, que descreve a experiência de Stephan von Jankovich e todos os acontecimentos antecedentes e consequentes:

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(…) Um homem de negócios amigo meu (M.) telefonou-me para solicitar os meus serviços de arquitecto num negócio imobiliário. Combinámos uma visita ao terreno da obra, nos arredores de Lugano, para o dia 16 de Setembro de 1964. Lá nos encontraríamos no Café Federale, na Praça Riforma, às duas da tarde. Tirei bilhete para o comboio que seguia de manhã de Zürich para Lugano, para estar disponível com pontualidade para o encontro. Mais lá para o fim da tarde tinha um encontro marcado em Morcote. Ao serão estava combinada a visita a minha casa, em Cadro, do conhecido cantor de ópera Alexander Sved e da esposa. Era meu intuito aproveitar a oportunidade para fazer algumas gravações. Estava tudo portanto muito bem planeado.

Contudo, os desígnios de Deus tinham destinado para mim algo de diferente. Era tempo de levar um abanão no meu curso de vida neste mundo material, lançando-me num itinerário evolutivo completamente diferente. “Lá em cima” as agulhas já tinham sido mexidas. Nada entretanto me passava pela cabeça. Passou-se que o meu amigo me telefonou para Zürich na véspera do nosso encontro, perguntando como é que eu pensava ir para Lugano. Convidou-me para que, em vez de comboio, fosse com ele de automóvel. Fazia pouco sentido que nos deslocássemos por separado e poderíamos ir conversando pelo caminho a respeito do negócio.

(…) Depois da troca de razões e porque não queria ser indelicado, concordei aceitar a boleia. No dia imediato de manhã veio buscar-me às nove horas num rápido cabriolet Alfa Romeo, vermelho. Era dia 16 de Setembro de 1964 e pusemo-nos em marcha. Acenei ainda longamente pela janela à minha mulher. Tinha frequentemente viajado desportivamente pelo Gotthard , tão velozmente quanto era possível. Ultrapassava grande quantidade de viaturas e não tinha por isso a oportunidade de observar a paisagem.

A estrada de Tremola dava-me sempre imenso prazer. A emoção desportiva, a performance, os tempos, o número de carros ultrapassados eram nesse tempo uma alegria para mim. Desta vez, contudo, admirei o conhecido trajecto, as montanhas ainda coroadas de neve, os bosques e os rios Reuss e Ticino. Não íamos exageradamente depressa, de modo a podermos conversar comodamente. Perto de Claro, antes de Bellinzona, seguíamos no nosso caminho para o Sul, com bastante tráfico na direcção oposta. Olhei descontraído à direita enquanto o meu amigo conduzia o seu Alfa pela recta, a cerca de 110 km/h.

Subitamente ouvi-o invectivar em voz alta. Virei o rosto e dei com um enorme camião que vinha na nossa pista de encontro a nós. A intenção era a de ultrapassar a coluna militar que se cruzava lentamente connosco, a cerca de 60 km/h. Comecei eu próprio então a invectivar. O meu motorista fez sinal de luzes, buzinou, gritando, e como o camião não tivesse aproveitado o intervalo entre duas viaturas da coluna para se desviar, resolveu travar a fundo. Derrapámos para a esquerda com toda a força, de rodas bloqueadas. Na via da esquerda vinham mais viaturas militares e na nossa direcção o camião desvairado. Tudo se passou em breves instantes.

O camião disparava na nossa direcção, no intento de se escapar pela frente do primeiro carro da coluna militar, mas não conseguiu. Apercebi-me do iminente perigo de morte e gritei como último sinal de desespero. Uma mescla de visões da guerra, da vela e de Budapeste, fechando com a face transtornada da minha mulher, bailaram repentinamente perante o meu olhar, projectadas de forma surpreendente pela passagem vertiginosa do enorme guarda-lamas do camião. Fui projectado contra o painel de instrumentos (nesse tempo não se usava ainda cinto de segurança), gritando a plenos pulmões. Seguiu-se um enorme estrondo e um poderoso impulso arrastou-me para a frente. Despedacei o pára-brisas com a testa. Nessa altura fez-se um completo silêncio e não ouvi mais nada.

(…) O meu falecimento deve ter tido início no momento em que o meu coração parou, isto é, após a cessação da circulação sanguínea. Durante esse processo não registei nenhuma percepção, pelo menos que me recorde. O consciente bem como o subconsciente estavam completamente desactivados. Estava insensível: era uma pessoa viva com a percepção desligada.

No instante do início da morte clínica, separou-se da parte grosseira do meu corpo ferido um outro, a parte mais subtil e elevada do meu ser, abrindo-se perante mim uma cortina como se fora de um teatro.

Uma apresentação teve o seu início que me permitiu reviver a vida terrena e o lado de lá da sua projecção sobrenatural. Tal apresentação englobava actas, etapas ou fases. Desse número desconhecido de fases pude participar das três primeiras, o que fez perdurar em mim uma tão profunda impressão que me tornei desde então numa pessoa completamente diferente.

A partir da morte clínica passei a existir “fora do corpo”, numa situação que se caracterizava por um permanente e acentuado alargamento do EU e dos sentidos. Este alargamento teve lugar, contudo, no âmbito imaterial, que não no aspecto material.

As três fases de que atrás falei foram as seguintes:

1. Consciencialização da morte;
2. Contemplação da minha própria morte;
3. Revisão da vida e julgamento.

Entre elas situaram-se algumas transições que eu designei como “Intervalos”.

Consciencialização da morte (Fase 1)

Teve o seu início quando o coração parou motivada pela carência de oxigénio no cérebro, impedido de funcionar como agente da consciência pessoal, ao que se seguiu a separação entre o meu corpo material e a sua componente não-material.


Imediatamente recuperei a consciência de mim mesmo, o que me libertou de uma assustadora, opressiva e constrangedora situação. Muitos reanimados relataram ter transposto um túnel que os conduziu à liberdade. Com alívio tomei conta de uma readquirida consciência: “consegui sobrevir ao acidente!” foi a minha primeira impressão.

O “despertar”, contudo, não foi como esperava, dado que logo me apercebi claramente de que o que estava a passar-se era a minha própria morte!

Espantava-me imenso o facto de que morrer não era de modo nenhum desagradável. Aliás a iminência da morte em nada me assustava. Era tudo tão natural, tão evidente, deixar esta vida e abandonar a presença neste mundo. Nunca tinha pensado antes que as pessoas se separassem de modo tão simples e natural desta vida, deixando de estar crispadamente apegados a ela. O desconhecimento é a razão pela qual tanto nos apegamos à vida. A nossa religião cristã oferece-nos muito poucas perspectivas a respeito daquilo que nos espera depois da morte.

Devido ao acidente não tive, felizmente, que travar uma arrastada luta com a morte. No seguimento da colisão viram-se a minha percepção do EU, o meu corpo astral, a minha alma e o meu espírito instantaneamente separados do meu corpo material. Por isso me senti pessoalmente muito aliviado, numa situação plenamente agradável, natural, engraçada, até. Senti-me perfeitamente liberto e tive a sensação: “Até que enfim!”

Sem medo nenhum pensei: “é uma felicidade, estar a morrer”. Contudo fiquei à espera, com certa curiosidade, do que viria a seguir. Estava feliz, descontraído e ansioso como uma criança em noite de Natal.

Senti-me a deslizar ao mesmo tempo que se fazia ouvir uma música maravilhosa, que sugeria a correspondência harmónica com formas, movimentos e cores. Tinha de certa forma a percepção de que não estava sozinho, embora não visse vivalma. Senti-me invadido por uma paz divinal e por um sentimento de harmonia jamais experimentado. Estava completamente feliz e sem problema algum. Estava só: nenhum ser terreal (pais, esposa, filhos amigos ou inimigos) estorvava a minha divina tranquilidade.

Tenho pensado frequentemente no facto de não me ter vindo naquela altura à ideia qualquer espécie de problema ou ser do nosso mundo; mas era coisa que não me passava pela cabeça. Encontrava-me, como já disse, inteiramente só, completamente feliz e numa situação de harmonia sem precedentes. Apenas um outro sentimento estava comigo, comparável ao coro da melodia “Näher mein Gott zu Dir” (para mais perto de ti, Meu Deus, de Sarah F.Adams,1805-1848).

E continuava a deslizar sempre para mais perto da Luz.
Esta primeira fase da feliz morte, do encantamento, transformou-se num dos primeiros acima mencionados “Intervalos”.

Invadia-me um sentimento crescente da divina harmonia. Os sons musicais tornavam-se ainda mais transparentes, mais sonoros e belos submergiam tudo acompanhados de cores, formas e movimentos. As cores, resplandecentes e luminosas, surgiam envolvidas de tons suaves e eram inacreditavelmente belas. Posso vagamente compará-las àquelas que contemplei ao pôr do sol, a grande altitude, no voo que fiz de Geneva para Nova York. Achei tão belas essas cores que pude presenciar que desde então procuro consegui-las na arte do vitral a que me dediquei. As tonalidades dos fragmentos usados para compor vitrais, nos seus pontos de ruptura e se inundados de luz, trazem-me à lembrança esses surpreendentes reflexos coloridos.

2. Contemplação da minha própria morte;

Depois deste maravilhoso “Intervalo” abriu-se o pano de novo repentinamente, e nova fase teve o seu início. Era bastante estranho que me sentisse flutuando. De facto, levitava por sobre o local do acidente rodoviário, podendo observar o meu próprio corpo, gravemente ferido e sem vida, exactamente no mesmo sítio do qual mais tarde tive conhecimento por intermédio dos médicos e do relatório de polícia. Pude contemplar toda a cena simultaneamente de vários lados, com rigor e transparência. Vi também o carro em que seguíamos e as pessoas aglomeradas em torno do acidente, e a própria coluna militar que ficara retida pelo aglomerado de pessoas.

As pessoas agrupavam-se à minha volta. Observei um homem baixo e encorpado, aí pelos 55 anos, que tentava reanimar-me. Pude ouvir claramente aquilo que as pessoas diziam umas às outras, embora “ouvir” não seja o termo adequado, dado que flutuava por cima de todos e o meu corpo estava estendido no chão. Pude aperceber-me daquilo que as pessoas diziam e mesmo das coisas que pensavam, provavelmente por intermédio de uma espécie de transmissão de pensamento, mediante uma percepção fora dos princípios do mundo material. O homem ajoelhou do meu lado direito e deu-me uma injecção no braço esquerdo. Duas outras pessoas seguravam-me do lado oposto e libertaram-me do vestuário. Vi como o médico me abriu a boca com uma espátula para me livrar de estilhaços de vidro. Além de outras coisas também me apercebi de que o médico, quando me segurou, notou que eu tinha os membros partidos e de que a meu lado se formava uma poça de sangue. Depois observei as tentativas que o médico fez para me reanimar, e do modo como concluiu que tinha as costelas quebradas. “Não posso fazer-lhe massagem cardíaca”, observou. Alguns minutos depois levantou-se e disse: “Não dá, não é possível fazer mais nada, está morto”. Falava em dialecto suíço misturado com um italiano um tanto esquisito.

Tive quase vontade de rir da estranha cena, porque sentia que estava “vivo”, ao contrário de “morto”. O que ali jazia por terra era o meu anterior corpo físico. Achei tudo muito estranho, mas de forma alguma perturbador. Ao contrário: era bastante divertido poder observar os esforços de toda aquela gente. Desejaria dizer-lhes “lá de cima”: “Olá, estou aqui, e bem vivo! Deixem lá o meu corpo como está; sinto-me vivo e perfeitamente bem”. Porém, embora me sentisse bem, ninguém me ouvia e não conseguia produzir som que fosse audível, porque não tinha garganta nem boca para falar.

Extraordinário era entretanto que pudesse entender, não apenas as palavras proferidas em voz alta pelos presentes, mas entender os seus próprios pensamentos. Uma mulher de Tessino, por exemplo, com uma menina de cerca de sete anos, sua filha, ficou muito chocada quando viu o meu cadáver. A menina quis imediatamente fugir, mas a senhora segurou-a com a mão esquerda durante alguns minutos e rezou em pensamento um “padre nosso” e uma “avé Maria”, orando em seguida pelo perdão dos pecados do infeliz acidentado. Fiquei profundamente impressionado com essa desinteressada prece, que muito me alegrou. Senti conjuntamente a radiação de um sentimento cheio de afecto.

Ao contrário um homem idoso, de bigode, teve pensamentos negativos a meu respeito: “Ora aí está; já apanhou! Mas deve ter sido culpado. Deve ser daqueles que anda sem cuidado por aí com carros de corrida”. Bem quis dizer-lhe “lá de cima” : “Deixa-te lá de disparates, eu nem sequer vinha a conduzir, era o pendura!” Foram nítidas para mim as radiações dos seus sentimentos negativos e desagradáveis.

Em suma era bastante interessante ver-me morto “de cima”, como espectador, sem emoções, e tudo poder observar com a maior nitidez de uma posição celestial, posto que “sobrevivera”. Os meus órgãos imateriais funcionavam bem e o meu pensamento registava tudo. Podia aliás tomar decisões sem qualquer limitação própria da vida terrena. Vogava a cerca de três metros por cima de toda a cena, num espaço multidimensional.

Sucedeu então um segundo “Intervalo”. A cena anterior chegara ao fim e a aparição que surgira anteriormente, começava a desenvolver-se.

Afastei-me do local do acidente, porque tinha deixado de me interessar. Desejava voar dali, e assim fiz. Tudo estava tranquilo, radioso e belo. As sonoridades, os jogos de luz, iam ganhando expressão, cada vez mais fortes, invadindo-me bem como toda a região envolvente. Chegou até mim uma harmónica vibração. Vi então o Sol algures em cima, pulsante, do lado direito, mas não directamente por cima de mim. Voei por isso naquela direcção. O Sol tornava-se cada vez mais claro, cada vez mais esplendoroso e vibrante. Percebo finalmente a razão pela qual tantas pessoas e tantas religiões encaram o Sol como símbolo divino, chegando a adorá-lo.

Ao prosseguir no meu voo tive, contudo, a sensação de que não estava só, ao contrário, senti-me rodeado de espíritos bondosos. Tudo era tranquilo, aprazível e admirável.

A experiência da condição de imponderabilidade e do voo livre impressionou-me de tal forma que, depois da minha convalescença, matriculei-me numa escola Suíça de pilotagem. Quando tenho tempo, ainda voo por cima dos vales envoltos pelas nuvens, em cujas profundidades vivem pessoas oprimidas pelos seus problemas. Sigo de Lugano, sobrevoando a planície do rio Pó, até ao Mediterrâneo. Ao fim da tarde, quando o Sol se põe lá ao fundo, à direita, revivo o modo como tudo fica envolto pela divina luz, e resplandece, inundado de energia e de verdade. Se tenho problemas, faço essa esotérica terapia, de modo a reunir novas forças.

3. Revisão da vida e julgamento

Este “Intervalo” durou relativamente pouco, começando de seguida uma fantástica e pluridimensional peça de teatro, que reproduziu cenas da minha vida mediante inúmeras associações de imagens. Para configurar uma ordem de grandeza, posso referir terem sido duas mil, ou qualquer coisa entre as 500 e as 10.000 imagens.

Na primeira semana logo após o acidente conseguia ainda lembrar-me de algumas centenas. Infelizmente é impossível registá-las a todas no gravador.

A sua quantidade não é, em si mesma, importante. Cada cena era profundamente bem torneada. O “realizador” dessa “peça de teatro” desenrolou-a de modo estranho, de forma que a primeira cena que observei foi a do acidente de automóvel na estrada, sendo o último acto revisto o do meu nascimento à luz das velas na minha casa de Budapeste.

Comecei então por reviver o meu falecimento. Na segunda cena vi-me como acompanhante de viagem através do Gotthard. Sob um sol resplandecente revi os cumes orlados de neve. Senti-me descontraído e feliz. Tive também a ocasião de presenciar cenas não na qualidade de protagonista, mas sim na de observador, por outras palavras:

Observava-me a mim mesmo e tudo em redor numa pluridimensionalidade espacial, de todas as direcções, revivendo por completo os acontecimentos. Com todos os órgãos dos sentidos registava o que via e ouvia, além de me aperceber dos meus próprios pensamentos. Os pensamentos tornados realidade!…

A minha alma avaliava o meu comportamento e os meus pensamentos instantaneamente e fazia de imediato o seu julgamento, designando como bom ou mau aquilo que fizera.

Era notável que eram salientadas como positivas lembranças cuja apreciação fora considerada negativamente pela sociedade ou tidas como pecado (mesmo mortal) pela religião do seu tempo.

Pelo contrário são tidas como negativas certas “boas acções” deliberadamente cometidas, consequência dos erros contidos na sua origem, como é o caso de actos conduzidos com finalidades egoístas.

Os maus actos que não passaram no exame foram “apagados” por mim, depois de uma tomada de consciência e profundo remorso, quer dizer, deixaram de contar – ficando apenas comigo os bons pensamentos e os bons actos, que foram aprovados, de que pude desfrutar logo de seguida como um grande ramo de flores.

Também poderá dizer-se que só radicaram em mim as cenas relativamente às quais fiquei feliz, bem como todos os que nelas estiveram envolvidos; as cenas nas quais permaneceu reinante a harmonia não apenas em mim, mas junto de todos, participantes na positiva intenção da minha parte.

Encaro a terra desde esse momento como um campo de treinos ou uma instituição de aprendizagem onde as pessoas vivem condições provavelmente semelhantes ao purgatório. Caso não sejamos bem sucedidos nas provas a que somos sujeitos nesta vida, é sabido que a ela tornaremos para repetir as mesmas. Tal apenas pode acontecer nas mesmas condições de espaço-tempo e dimensões do nosso mundo na terra. Reencarnaremos para fazer algo melhor do que antes. É nisto que se manifesta a infinita misericórdia de Deus.Entretanto nada existe de mau além disto. Tudo não passa de uma carência do bem; tal como a escuridão é a ausência de luz. Nada existe que não tenha o seu sentido próprio.

O bem e o mal são avaliados no além mediante uma escala completamente diferente. Absoluta e, por isso, não limitada a opinições humanas e formas de pensar preconcebidas , de modo nenhum sujeitas a formulações ou interpretações confusas – como as de certas pessoas que acreditam estar na posse da verdade única de que se sentem autorizadas a ser “pregadores”. Quantas ideologias, religiões, seitas e grupos filosóficos ou religiosos, que proliferam como cogumelos por entre aqueles que perderam a sua fé originária, reclamam a posse dessa única verdade. Verifiquei que “lá em cima”, nenhum modelo de pensamento tem garantia de validade, e que apenas ali vigora uma invulgar lei cósmica geral do amor. A dificuldade reside em não termos dela conhecimento, de modo a podermos formulá-la para nosso uso próprio.

Creio que esta é uma das características de Deus, nomeadamente, o amor absoluto; o perdão mediante o perfeito bem e a infinidade positiva. Sigamos pois este princípio com firmeza, no dever de libertarmos a nossa consciência de todos os actos e pensamentos negativos, para podermos unir-nos a Ele inteiramente.

Esta estranha avaliação judicativa dos actos praticados em vida pareceu-me de início extraordinária, mas depois de pensar durante vários anos reconheci que é nisso que se manifesta o admirável sentido da justiça divina, em concordância com os princípios da criação do universo.

Depois da apresentação atrás descrita da minha “Revisão de Vida e Julgamento “ no fantástico ambiente de pluridimensionalidade em que decorreu, surgiu um balanço final que foi efectuado por mim próprio, cuja formulação exacta já não me é possível reproduzir. Na circunstância consegui aperceber-me entretanto que novas oportunidades de evolução me seriam ainda reservadas.

O terceiro “Intervalo” seguiu-se finalmente. O banho de luz que me inundava de felicidade tomou-me de novo ao som de uma música magnífica de ressonância espacial. O Sol pulsava, dando-me a ideia de um símbolo representativo do princípio de todas as coisas e fonte de toda as energias, que suponho ser o próprio Deus.

O que eu via não era de facto o sol que na terra nos aquece, mas sim uma aparição de luz maravilhosa e quente que se lhe pode comparar, princípio originário do Universo que por sobre nós se estende. Crescentemente vibrante, pulsava com harmonia, ao qual começava a adaptar-se a minha alma incorpórea, o meu espírito, crescentemente repletos de felicidade, à medida que a capacidade perceptiva se alargava a esta nova Dimensão.

Penso hoje que isso era o sinal de que se aproximava a minha morte cerebal, e que todo o processo tinha chegado ao ponto em que era irreversível o meu ingresso no além.

(…) De acordo com registo temporal na terra, teriam decorrido durante a minha morte clínica apenas alguns minutos. Nessa outra dimensão, contudo, não vigoram as nossas leis do tempo e do espaço. Como tal, a percepção que tive foi a de ter vivido o equivalente a vários dias ou semanas, dada a enorme extensão dos acontecimentos pelos quais passei.

A minha vida terrena no mundo a quatro dimensões, no plano espacio-temporal, com percepção da matéria tal como é por nós entendida, estava a terminar nos instantes do acidente. Encontrava-me num estádio de travessia, de nascimento num outro mundo de mais vastas dimensões, onde a vibração energética já não produz o que é entendido como matéria. Por outras palavras, estava a dar entrada numa nova esfera onde espírito e alma, livres do corpo, passavam a reger-se por novas leis.

O regresso à Vida

A eufórica experiência ia infelizmente a caminho do seu termo. Vi, agora no local do acidente, um jovem magro, de calção de banho preto, descalço, com uma bolsa na mão, correr direito ao meu corpo sem vida. Exprimia-se com clareza e vigor em bom alemão com o outro médico. A cena deixara já de me interessar, pelo que não prestei muita atenção. O jovem manteve uma breve troca de impressões com o médico a meu respeito. Ajoelhou e certificou-se de que estava morto, desenhou com um pedaço de giz a minha silhueta no chão e deixou-me ser levado. Fui colocado na beira da estrada e o militar que presenciava perguntou se não haveria algures um pano com que o meu cadáver fosse coberto.

O jovem, que ali permanecia dirigiu-se de novo ao médico: “Se o caro colega não tiver nada contra…” e resolveu dar-me uma injecção de adrenalina directamente no coração.

Pude nessa altura fixar a atenção no seu rosto, cuja lembrança guardei comigo.

Alguns dias mais tarde, veio visitar-me ao Hospital em Bellinzona. Vestia um facto completo. Reconheci-o imediatamente e cumprimentei-o, cheio de dores:

– Bom dia senhor doutor, porque razão me deu o diabo daquela injecção?

Consegui reconhecer com toda a clareza a sua voz clara. Ficou supreendidíssimo e perguntou-me como podia conhecê-lo. Contei-lhe tudo. Tornámo-nos mais tarde bons amigos. Recebeu até a condecoração dos “cavaleiros da estrada” por me ter feito regressar a este mundo, digo eu, infelizmente.

Depois da injecção de adrenalina, provavelmente no momento em que o meu coração foi estimulado a bater de novo, aconteceu-me uma coisa horrível: caí num abismo de negrume. Com um safanão esquisito e um choque senti-me escorregar para dentro do meu corpo. Toda a beleza se dissipou. Percebi que estava de regresso. Recuperei o conhecimento e passei a sentir dores indescritíveis. Acabei por desmaiar de dor, embora já na condição de sobrevivente.

Com a perícia de um bom médico tinha sido feito regressar à força, porque “por acaso” se encontrava no exacto local do acidente e “por acaso” trazia consigo o tipo exacto de injecção.

A sobrevivência fora conseguida “casualmente”, portanto. Os socorristas foram chamados e fui conduzido em corpo e alma, com sirenes e luzes azuis ao Ospedale San Giovanni, em Bellinzona.

“Por acaso” era lá que se encontrava presente na altura o brilhante cirurgião Clemente Mob, regressado recentemente de férias, nem de propósito, de visita ao seu gabinete. Começou logo a operar-me e salvou de novo a minha vida. Por esse motivo, no entanto, recomeçou de novo a minha penosa história.

Desde essa altura é meu cuidado dizer que o mais belo acontecimento da minha vida foi… a minha morte!

Nunca fui tão feliz em vida como fui durante a minha episódica morte, embora tenha que colocar aspas na palavra “morte”, pois que – tal como agora sei – não passava de uma situação clínica.

Decidi então registar tudo o que se tinha passado comigo, como sendo um autêntico “caso de experiência de morte”.

NOTA: para as pessoas que desejem, por qualquer razão, ter acesso ao documento na sua língua original, clicar aqui:

Ich war klinisch tot

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