Nova tradução de “O Livro dos Médiuns” em português de Portugal


Prefácio dos tradutores

Achámos fundamental redigir este prefácio, primeiro para dar o devido relevo a uma obra que, embora escrita numa linguagem e com argumentos fortemente datados, continua a ser da máxima importância para a configuração da cultura a que diz respeito, que tem sido pouco estudada e ainda menos seguida cuidadosamente nos princípios que enuncia.
A nossa tradução de “O Livro dos Médiuns”, da mesma forma como dissemos no prefácio de tradutores de “O Livro dos Espíritos”:
…resulta da imensa admiração e respeito que temos pelo ensinamento dos Espíritos, na forma que foi metodicamente organizada por Hipólito Leão Dénisard Rivail, aliás Allan Kardec.
Confirmando as intenções que nos animaram quando começámos a traduzir Kardec, repetimos que “… se destina tanto a leitores espíritas como não espíritas… dando a conhecer as condições essenciais para aceder à mensagem da obra e aos seus ensinamentos.”

Sendo este livro o desenvolvimento da vertente científica do espiritismo, sentimo-nos agora obrigados a dirigir a nossa palavra às pessoas que têm assumido a nobre tarefa de possibilitar a “comunicação dos Espíritos com o mundo material”, tal como foi afirmado na conhecida definição da autoria de Allan Kardec.

“O Livro dos médiuns”, aquele que ensina a aprender com os Espíritos

A base do entendimento dos valores da mediunidade está no edifício de conhecimentos que nos foi deixado por Allan Kardec, mensagem exemplar que podia e devia ter continuado a evoluir usando os métodos e critérios por ele mesmo instituídos.
Sobretudo aqueles que têm o privilégio de falar pelos Espíritos, na nossa opinião, nunca deveriam ter abandonado a pesquisa mediúnica, abrindo cada vez mais o património das informações sobre as vidas depois das vidas, tendo em atenção aquilo que está claramente delineado em muitas das páginas deste livro.

É, pois, urgente, relançar as perspetivas da filosofia que nos legou Kardec, com a ajuda principal do ensino dos Espíritos e com raízes no pensamento da religião natural, configurada antes por filósofos e homens de cultura como Immanuel Kant, Jean-Jacques Rousseau e seus sucessores e discípulos.

Coroando esta ideia, citamos de seguida palavras de Sandro Fontana, inseridas no texto de abertura da Revista Ciência Espírita, Edição 7 de Março de 2016, onde é referida a importância do Controlo Universal do Ensino dos Espíritos (CUEE), tão fundamental para Kardec e, por vezes, tão esquecido nos nossos dias:

“É de conhecimento básico do espiritismo que a mediunidade é o seu principal “agente”, ou seja, sem a mediunidade não existiria o espiritismo, principalmente porque a fonte base de informações é proveniente do trabalho beneficente dos médiuns; afinal, são eles quem transmite a informação proveniente do mundo espiritual.

Também é de conhecimento geral espirita que, “a opinião de um Espirito é somente uma opinião”, sendo assim esse pressuposto garante que um Espirito, ao comunicar, está passando as informações que lhe são tangíveis baseada nas suas próprias perceções e seu grau evolutivo.

Tanto é assim que Kardec elaborou um método que “cruzava” informações de vários médiuns e espíritos para poder chegar a alguma conclusão sobre um assunto ou tema, lembrando que isso nunca foi, nem deve ser definitivo, como muitos idólatras e dogmáticos pretendem, isso porque a conclusão final ainda é humana e condicionada ao tempo do observador/pesquisador, que é limitado.

Então, se toda a fonte básica de conhecimento (e ajuda em muitos casos) é proveniente da mediunidade, por que motivo os Centros Espiritas limitam o desenvolvimento mediúnico?

A Humanidade, como nunca, à beira de compreender factualmente a vida depois da morte

A conceção intelectual do espiritismo foi uma extraordinária realização, se atendermos à época em que foi concretizada, com imensa dedicação intelectual e desprendimento pessoal de Allan Kardec, que não quis ser fundador nem dirigente de qualquer movimento instituído. Levava o seu sentido da tolerância até aos limites, sem qualquer desejo abusivo de poder.

A leitura das suas obras, deste “Livro dos Médiuns” e de todos os conteúdos da Revista Espírita, é ainda hoje surpreendente, quer sob o ponto de vista filosófico e científico, a que hoje ─ muito mais do que há um século e meio de distância – vastas áreas da cultura científica se vão rapidamente abrindo.

O espiritualismo científico – uma cultura em explosiva transformação

Julgamos não ser necessário reunir argumentos detalhados para demonstrar a evidência deste subtítulo. A explosão citada diz respeito ao esclarecimento da vida depois da morte em praticamente todo o mundo, no contexto das imensas facilidades que os meios de comunicação nos oferecem e da crescente intervenção de cada vez mais qualificadas entidades de pesquisa. Vamos por partes.

Visitas ao “céu”, com direito a receção e outros detalhes fantásticos…

Há vários domínios da evolução da Humanidade que têm dado passos de gigante na aprendizagem da natureza, da origem e do destino dos seres vivos, sendo de referir em especial o aparecimento – propiciado pelo desenvolvimento técnico-científico dos métodos de ressuscitação – das chamadas “experiências de quase-morte”, as EQM, referidas em inglês como “Near-Death Experiences” − NDE’s.
O número das pessoas que já referiram ter vivido tais experiências – por todo o mundo – conta-se por muitos milhões, em rápida expansão. Muitos dos depoimentos que chegam agora ao nosso conhecimento derivam de fenómenos decorridos há dezenas de anos, visto que estão a ser vencidos os preconceitos e as inibições em falar abertamente sobre esse tema.
Um dos argumentos que confere especial credibilidade à solidez das suas perceções é o facto de serem todas essencialmente semelhantes umas às outras, seja qual for a língua, a cultura e a localização geográfica dos protagonistas.
Os meios internacionais de comunicação e um já larguíssimo número de instituições de pesquisa, a nível mundial, revelam que esses factos são a porta aberta para uma nova visão da vida e da sua continuação para além da morte, apesar de não serem nem novos nem recentes, havendo relatos de tais acontecimentos há já muitos séculos, originários de praticamente todas as grandes culturas.
O despertar do nosso interesse por esses fenómenos data de há mais de vinte anos, e foi em 2013 que publicámos, na internet, uma análise das principais facetas dos depoimentos respetivos, conotando-os com os ensinamentos que nos foram deixados por Allan Kardec:
É favor consultar a página: https://palavraluz.com/2019/12/29/ndeeqmesp-2/

Esses fenómenos, no entanto, são muito antigos…

Afirmámos acima a perenidade no tempo das “Experiências de Quase-Morte”, sendo muito conhecido “O mito de Er”, um dos exemplos mais remotos que se podem referir, contado por Platão no Livro X de “A República”.
Trazendo essas referências para mais perto de nós referimos seguidamente temas da autoria de Kardec que mencionam a ocorrência desses factos, que não tinham ainda adquirido as modernas designações e siglas respetivas.
O primeiro caso foi publicado em 1858, no ano inaugural da Revista Espírita, no mês de Setembro: “Conversas familiares de Além-Túmulo”, em que o fenómeno narrado na América acerca duma Senhora Schwabenhaus foi designado por Allan Kardec como um episódio de “letargia estática”.
Outro exemplo pode ler-se em “O Céu e o Inferno”, Segunda Parte – Exemplos; Capítulo III – Espíritos em condição mediana; Senhor Cardon, Médico; e que também foi publicado na “Revue Spirite” de Agosto de 1863/Conversas familiares de Além-Túmulo; Monsieur Cardon, médico, morto em Setembro de 1862.
Sugerimos a leitura destes dois casos, que não transcrevemos aqui devido à sua extensão. Sobre o Mito de Er é muito fácil encontrar referências concretas disponíveis nas Enciclopédias da Internet.

A grande obra de Allan Kardec, vítima de maus continuadores

Hipólito Leão Denisard Rivail foi um cidadão francês do século XIX, especialmente notável pela sua capacidade de organização intelectual, embora não pertencesse às camadas socialmente privilegiadas dessa época, o que lhe granjeou um perfil cívico e intelectual especialmente notável.
Tendo sido convidado por conhecidos e amigos, a sistematizar o resultado de certas pesquisas mediúnicas que tinham levado a cabo, acabou por aceitar, embora se tivesse declarado à partida muito cético relativamente a toda a matéria que lhe foi proposta.
Foi penetrando no estudo do tema até se ter convencido – pela evidência natural e óbvia dos fenómenos apresentados para estudo – de que era matéria muito importante e merecedora da sua total dedicação.
Nos últimos onze anos da sua vida entregou-se generosamente a essa tarefa tendo deixado atrás de si um importantíssimo património de estudos e observações que constitui o que conhecemos como “espiritismo”.
Não é de estranhar que, após o momento em que faleceu, repentinamente e, pode dizer-se, por exaustão, o escasso número de apoiantes dedicados e coerentes não teve a capacidade de manter ativa e segura a instituição que ele tinha estruturado, e dar continuidade ao trabalho de defesa e promoção das ideias espíritas.
Esse fenómeno acontece, quase por via de regra, com todos os movimentos de transformação profunda da sociedade, sendo todas as alterações positivas combatidas e desvalorizadas pelos seus detratores. Com o espiritismo também isso aconteceu, e foi Pierre-Gaëtan Leymarie que tomou conta dos destinos da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e operou uma enorme quantidade de oportunismos deformadores das ideias que inspiravam Kardec.
Todas essas modificações abusivas, de desvalorização cultural e científica do espiritismo, conduziram ao seu desprestígio e quase esvaziamento, em França.
Tendo sido levado para o Brasil, por intelectuais muito sérios e bem informados, foi institucionalmente condenado, logo de início, à sua desfiguração, pela adoção de alguns princípios antagónicos das ideias promovidas por Allan Kardec.
Esse foi um dos problemas que apoquentou muitíssimo o desenvolvimento e a unidade dos grupos de interessados no espiritismo, sendo legítimo e da maior utilidade não manter ignorado esse problema pelas suas nefastas consequências, cuja origem e desenvolvimentos são bem conhecidos em Portugal e no Brasil.
Felizmente, 160 anos depois, está em marcha, no Brasil, um vigoroso movimento de recuperação da autenticidade espírita. Várias equipas de trabalho, de pessoas bem qualificadas para o efeito, têm em mãos documentos da época, incluindo grande número de escritos originais redigidos por Allan Kardec, até aqui inteiramente desconhecidos. Essas equipas estão a trabalhar para dar acesso, na sua totalidade, à verdadeira versão do espiritismo proposta por Allan Kardec.

Sugestões para a leitura de “O Livro dos Médiuns”

Também aqui vamos referir algumas ideias que inserimos no prefácio dos tradutores de “O Livro dos Espíritos”.
“…Para quem começa, este não é um livro para ler de empreitada, como uma peregrinação e, muito menos, como uma penitência. Alguns conselhos que aqui registamos aumentarão a recetividade de muitos leitores, dando-lhes a exata noção do que vão encontrar pela frente…”
“…O leitor deve ter a liberdade de procurar inicialmente no livro o que mais lhe interessar, lendo por aqui e por ali os temas mais apetecíveis. Poderá, para esse efeito, consultar primeiramente o Índice.
Leia e releia com atenção o que achar mais válido e interessante.…”

Estas sugestões de leitura têm o propósito de não vincular o leitor a uma leitura demorada de uma obra que não foi redigida de acordo com as modernas técnicas de comunicação e na qual, o seu autor, se dirige a sectores de opinião enfronhados na cultura dessa época, hoje em dia completamente ultrapassada.

Traduzir é escrever tudo de novo, amar como quem dá à luz

Temos lido Kardec com a máxima atenção, usando o conhecimento da língua francesa que, no tempo da nossa juventude, era a segunda língua mais estudada, por ser, como o português, de origem latina, e por ser oriunda de um país de vasta cultura, de onde nos veio – sem ser por acaso – a grande cultura espírita.
Entregámo-nos de início ao trabalho de tradução com o objetivo principal de desvendar com minúcia o significado de cada página, de cada frase, de cada expressão e de todas as palavras, uma a uma. Quando acabámos a tradução do primeiro livro – “O Livro dos Espíritos” – não tínhamos a mínima ideia de podermos um dia tê-lo na nossa mão, impresso em papel como qualquer outro livro.
Serve isto para dizer que, para nós, o principal objetivo − ler o livro com atenção de minúcia e pleno entendimento − estava plenamente alcançado.
Quanto à tradução que foi feita, deu-nos coragem para continuar traduzindo Kardec, maneira excelente de o ler com a máxima penetração que nos é possível.
Após a tradução da primeira obra, já aspiramos ver completa a conclusão dos seus principais cinco livros.
Se Deus nos der vida e saúde, gostaríamos ainda de fazer uma tradução antológica de textos da Revista Espírita, que temos amplamente explorado, visto que é fundamental para instalar devidamente a noção completa do espiritismo edificado pelo nosso grande e íntimo amigo Hipólito Leão, generosamente ajudado pelos Espíritos superiores.

Sonhar é fácil e ninguém pode levar-nos a mal que sonhemos.

Porque também temos filhos e netos, esse é apenas um dos nossos principais desejos!…

E que Deus nos ajude a todos.

Para ter acesso ao PDF com a obra acima indicada, é favor clicar sobre a imagem da capa

Apresentação do Cercle Spirite Allan Kardec, de Nancy / França

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Há já muitos anos que visitamos o site do Cercle Spirite Allan Kardec, que conhecemos os seus principais expoentes e a sua extraordinária tarefa em favor da cultura espírita.
Lemos livros que estão publicitados na sua livraria, muitos textos publicados na internet, nos diversos sites que tem em França e no seu forum e sobretudo, temos tido a possibilidade de acompanhar a imensa riqueza que vem sendo publicada há vários anos no seu Journal Spirite.
É costume ouvir dizer que o espiritismo decaiu em França desde o falecimento de Allan Kardec, sendo de lamentar o facto que tenham sido exatamente os seus compatriotas que deixaram esquecer o seu precioso património de conhecimentos e de ideias.
No que nos diz respeito, consideramos que em França – sem desprimor para outras entidades igualmente ativas na divulgação e no estudo do espiritismo – o profundo conhecimento dessa cultura e dessa atitude do intelecto e do conhecimento humanos estão magnificamente representados pelo Cercle Spirite Allan Kardec.
O que se passa é que em França, como em muitos outros países, determinantes insondáveis relacionadas com o próprio desenvolvimento das pessoas, muitos fatores se têm conjugado para que a Humanidade permaneça distante do interesse ativo e esclarecido de fenómenos que nos determinam de forma transcendentemente complexa.
A atenção, apreciação e o estudo de todo o imenso saber e de toda a dinâmica de intervenção cultural que caracterizam o Cercle Spirite Allan Kardec pode abrir, a todos nós, uma nova e extraordinária perspetiva da vida e do mundo, isto é, da magnífica transcendência da natureza, da origem e do destino de toda a criação.

Teríamos muitíssimo gosto em poder apresentar todo este manancial traduzido em português. De todo o trabalho que aqui temos apresentado constam trabalhos importantes, originalmente escritos noutras línguas estrangeiras. Mas essa tarefa, pela sua extensão, ser-nos-ia impossível de realizar. Confiamos mesmo assim que o francês, por ser uma língua que nos é muito próxima pelas suas origens e pelo seu desenvolvimento cultural, seja do conhecimento de um vasto número dos nossos visitantes de língua portuguesa.

Le Cercle Spirite Allan Kardec

http://www.spiritisme.com/

A la rencontre des espritsLes premières séances spirites qui furent à l’origine du cercle remontent à 1974. L’association fut créée en 1977 à Nancy sous l’appellation « Cercle Spirite Allan Kardec ». Elle s’est donnée pour buts, d’une part, de poursuivre les expériences de communications avec les esprits, et d’autre part, de promouvoir une large diffusion de la pensée spirite.

Après plusieurs décennies de dérives religieuses, ésotériques et commerciales du spiritisme en France, le cercle assure un renouveau, dans le sens philosophique et non religieux d’une actualisation indispensable face aux avancées de la science et aux transformations de la société.

Un cercle spirite est une structure appropriée dans laquelle les médiums peuvent exercer et développer leurs facultés en toute sérénité, en évitant les écueils et les dangers inhérents à une pratique empirique et hasardeuse. La communication avec l’au-delà fait intervenir plusieurs types de médiumnités qui sont pratiquées dans notre cercle : l’incorporation, l’écriture automatique, les médiumnités artistiques (peinture, sculpture, musique), le oui ja et le sommeil magnétique.

Sont développées d’autres facultés, non médiumniques comme la clairvoyance, la psychométrie, la psychokinèse, la radiesthésie, l’hypnose et le magnétisme.

Le cercle compte plus de 50 magnétiseurs ; certains d’entre eux sont responsables des cellules de soins magnétiques ouvertes au public, dans les villes où le cercle est représenté : Nancy, Paris, Besançon, Belfort, Montpellier, Toulouse et Lyon. L’association compte des adhérents à part entière, des membres sympathisants et des abonnés à la revue trimestrielle Le Journal Spirite.

 

Esta apresentação está substancialmente desenvolvida em duas notícias publicadas noutra das nossas páginas dedicadas à cultura espírita:

Cercle Spirite ALLAN KARDEC – Nancy / França
A magnífica revista do CENTRE SPIRITE ALLAN KARDEC

 

 

Uma epidemia nova num tempo diferente

A Humanidade já foi numerosas vezes atacada por epidemias, terríveis ameaças à vida de muitas pessoas. As mesmas dificuldades, o medo e o desespero visitam-nos mais uma vez, mas de uma maneira nova e diferente.
Entretanto, os efeitos da doença em si, a nível global, não são de proporções muito elevadas perante gravíssimos problemas aos quais a sociedade continua indiferente.
O número das pessoas que diariamente são vítimas da FOME por todo o mundo é LARGAMENTE MAIS ELEVADO que o número de vítimas desta epidemia.
Com a diferença de que as grandes fomes e as carências de justiça e fraternidade são de todos os tempos e têm podido sobreviver a todas as epidemias.
O número de pessoas transtornadas e feridas por tudo o que há de mau na GUERRA e nos seus múltiplos sucedâneos, É MUITO MAIS GRAVE E DOLOROSO que todo o desarranjo causado por esta epidemia.
As vítimas da FOME e da GUERRA, fazem parte duma naturalidade aparente e estão reduzidas ao silêncio. Estão longe, ninguém as vê.

O que tem de diferente a nova epidemia é estar a desenvolver-se muito perto das pessoas que sabem ler e ocupam lugares confortáveis nas chamadas “civilizações Ocidentais” (com maiúscula!).
Entretanto, só tem aparecido como enormemente diferente, porque tem a possibilidade evidente de transtornar radicalmente o sistema económico da maioria dos países do mundo.
Caiu sobre nós de um instante para o outro e já encerrou um número incontável de empresas e lançou grande número de trabalhadores no desespero da falta imediata de recursos, em sociedades nas quais a capacidade de sobrevivência sem dinheiro é praticamente nula.
Nas ruas e lugares frondosos dos países civilizados não estão plantadas bananeiras às quais possamos subir, para colher grátis um cacho de bananas, que possamos comer durante uma semana, como acontecia em grandes áreas do mundo, em que a vida das pessoas pôde continuar com grande escassez de meios.

NO SISTEMA ECONÓMICO E NO DINHEIRO, AÍ SIM, É QUE RESIDE A ALMA AFLITA DESTA CRISE.

Visitem por favor as estatísticas das vitimas das principais guerras por todo o mundo e comparem. Façam o mesmo em relação com o número aproximado dos que passam e morrem de fome no mundo inteiro, e verão onde quero chegar.
Uma pobre mulher vestida de negro, falando algures num país devastado pela guerra, dizia num noticiário que, se a morte lhe chegasse pelo vírus, seria bom, porque poderia finalmente descansar desta vida.
O vírus desta epidemia, contudo, parece ter a ductilidade suficiente para não matar só mulheres de negro em países onde persiste a angústia de crónicas rebeliões armadas.
Por isso é tão temido no Ocidente (com maiúscula…) onde ninguém esperava por uma coisa assim.
Vou continuar a falar aqui da vida depois da morte, na paz de espírito dos cidadãos sem história que não fazem noticiários, mas olham sem medo o mundo inquieto.
Esperamos com paciência e fé que os homens, de uma vez por todas, resolvam dar-se as mãos, construindo a verdade e a justiça em paz, num mundo de igualdade e de confiança.
Nesse, mesmo que apareçam epidemias, tudo deverá ser muito mais fácil de resolver. Por existirem vacinas muito boas?
Não. Porque haverá fraternidade para tratar toda a gente com o mesmo amor diligente que une aqueles que são da mesma casa e da mesma família.

Conclusão:
É sabido que uma pequena percentagem dos orçamentos militares do mundo poderia irradicar a pobreza e resolver outros problemas centrais das sociedades humanas, caso houvesse vontade e coragem para tomar essa decisão.
Pensemos agora o que seria possível fazer deste planeta e de todas as suas populações se fosse possível acabar com a corrida aos armamentos e se se utilizassem todos esses milionários orçamentos em benefício do bem estar, da cultura e  da educação, em benefício da paz e do progresso moral da Humanidade!…

 

Autor: CB

“…navegar é solitário e cansa-se o navegante à medida do silêncio
da esperança do mar
do ardor da viagem
não se cansa não”