A Doutrina Espírita precisa ser salva do Movimento Espírita

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O importante artigo que publicamos abaixo é de autoria de um importante intelectual e publicista brasileiro que encontrámos na alargada participação que mantemos na net (neste caso no facebook, sob o nome de Dacosta Brites).
Edson Figueiredo de Abreu, consegue alinhar um conjunto de ideias que, quanto à metodologia de intervenção e de trabalho, se aplicariam perfeitamente ao caso Português.
Por isso se justifica plenamente a sua publicação, para além de revelar a vasta experiência e a capacidade de análise que o artigo largamente nos oferece.
As nossas mais amistosas saudações aos espíritas brasileiros e a Edson Figueiredo de Abreu a maior consideração e os votos de continuada e profícua ação em benefício da grande cultura espírita; aquela que aplaina os caminhos que trilhamos com enorme entusiasmo e a maior convicção em direção ao brilhante futuro que a todos nos espera, no além das luzes, dos sentimentos universais e da presença envolvente do esplendor DIVINO.

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da autoria de EDSON FIGUEIREDO DE ABREU

A Doutrina Espírita é a clássica codificação – elaborada no extrafísico – pelos Espíritos Superiores e organizada – no plano físico – por Allan Kardec.
O Espiritismo, como também é conhecido, foi formulado por Allan Kardec, primeiramente observando os fenómenos e estudando suas causas e efeitos; depois, ponderando sobre os diversos ensinos recebidos, os organizou e colocou em ordem didática; por fim, comentando-os e difundindo-os através de 32 publicações ao longo de 12 anos de dedicado e extenuante trabalho.
É importante frisar que Kardec preocupava-se e primava pela “unidade e integridade da doutrina espírita”, como podemos constatar no seu seguinte comentário: 

“Um dos maiores obstáculos capazes de retardar a propagação da Doutrina seria a falta de unidade e o único meio de evitá-la, senão quanto ao presente, pelo menos quanto ao futuro, é formulá-la em todas as suas partes e até nos mais mínimos detalhes, com tanta precisão e clareza, que impossível se torne qualquer interpretação divergente”. (Allan Kardec em Obras Póstumas – cap. 84 – Projeto 1868)

Já o chamado Movimento Espírita, é o que os espíritas, aqueles adeptos do Espiritismo, realizam em nome dessa doutrina.
Neste sentido é preciso ter em mente que, depois de Allan Kardec, não existe alguém ou algo – seja médium, espírito ou organização – que possa falar em nome da Doutrina Espírita como seu representante oficial, apesar da soberba pretensão de alguns.
Por ser a doutrina do livre pensar, qualquer manifestação, escrita ou oral, emitida por dirigentes, médiuns ou federativas que não tenham como base a codificação, devem ser levadas em conta como interpretações adaptadas ou ainda opiniões conceituais sobre os princípios do Espiritismo.
E qual seria, então, a responsabilidade dos espíritas em relação a doutrina?
É preciso ter em mente que nem todo “médium” é espírita e nem todo “espírito” que se manifesta também o é. Não é preciso se aprofundar muito na análise de algumas mensagens que circulam no movimento espírita, para constatar, com relativa facilidade, que muitos médiuns e muitos espíritos não conhecem os princípios básicos da codificação.

Também é preciso ter em mente que a maioria dos espíritas chegam à doutrina trazendo uma série de conceitos, preconceitos, costumes, crenças e condicionamentos adquiridos nos usos e costumes e nas religiões tradicionais anteriormente professadas.

Em respeito ao trabalho dos Espíritos Superiores e ao próprio Allan Kardec, todo espírita sério precisa estudar, se conscientizar e estar bem-preparado para fazer a necessária análise de tudo e atuar corretamente no Movimento Espírita, questionando e aceitando o que for bom, como também recusando o que não for condizente ou ainda contraditório com a codificação elaborada por Kardec.

Infelizmente no Brasil, devido à falta de estudo da codificação, o chamado Movimento Espírita, que é recheado de médiuns e editoras com interesses comerciais, apresenta muitas falhas, deturpações, rituais e enxertos indevidos, tanto nas ideias e conceitos, como nas práticas espíritas.

Para espanto geral, atualmente o mercado editorial espírita conta com mais de 8.407 livros editados por aproximadamente 181 editoras e 1.691 médiuns diferentes. Destes, 3.183 livros foram ditados por 712 espíritos a 434 médiuns. Esses números se baseiam em pesquisa realizada por Ivan Rene Franzolim em 2017.

Assim sendo, a pergunta que não quer calar é:
Como manter, neste cenário, a unidade da codificação preconizada por Kardec e o CUEE? (Controle Universal dos Ensinos dos Espíritos)?

Somente com o estudo sério da base doutrinária organizada por Allan Kardec, é possível adquirir a capacidade de raciocínio necessária para discernir entre o joio e o trigo, e aprender a separar o que de fato é doutrinário, das opiniões pessoais de médiuns e espíritos ou ainda organizações.
São poucas as editoras que mantem um corpo doutrinário para avaliar as obras psicografadas antes de lançá-las e, na realidade, muitas não o fazem, o que contribui para pôr a perder a base doutrinária calcada no raciocínio e bom senso, originando confusão e a implantação de crendices e superstições.
Este cenário também contribui para a criação de um ambiente em que se aceita de tudo, principalmente o servilismo cego e o religiosíssimo fátuo calcado em ideias de pecados e resgates, assim como também a anuência da existência do maravilhoso e sobrenatural, além de práticas, as mais estranhas.


A falta de estudo da base doutrinaria elaborada por Kardec contribui também para a ascensão de gurus e pseudossábios que, sem nenhum pudor, se colocam como baluartes do espiritismo, emitindo sua opinião para todo tipo de assunto, sem deixar claro que se trata de seu conceito particular, adquirido da sua interpretação da doutrina, e não do Espiritismo em si.


Mas isso não é de estranhar, pois já na época de Kardec, a Doutrina Espírita, assim que surgiu, causou admiração e satisfação para alguns, espanto e receio para outros e sentimentos de escarnio e ódio para muitos.
Foi severamente combatida e perseguida pelo poderio religioso – veja o auto de fé de Barcelona em 1861 -, o que fez com que alguns de seus profitentes tentassem modificá-la em alguns pontos e também enxertar novos conceitos, procurando adequá-la as ideias religiosas vigentes. (Vide os livros – Os Quatro Evangelhos de Jean Batista Roustaing).

Esta situação fez com que Kardec inquirisse os espíritos a respeito, através da seguinte questão: 

“As doutrinas erróneas, que certos Espíritos podem ensinar, não têm por efeito retardar o progresso da verdadeira ciência?
“Desejais tudo obter sem trabalho. Sabei, pois, que não há campo onde não cresçam as ervas más, cuja extirpação cabe ao lavrador. Essas doutrinas errôneas são uma consequência da inferioridade do vosso mundo. Se os seres fossem perfeitos, só aceitariam o que é verdadeiro”.
“Os erros são como as pedras falsas, que só um olhar experiente pode distinguir. Precisais, portanto, de um aprendizado, para distinguirdes o verdadeiro do falso. Pois bem! as falsas doutrinas têm a utilidade de vos exercitarem em fazerdes a distinção entre o erro e a verdade. Se adotam o erro, é que não estão bastante adiantados para compreender a verdade.”
 (O Livro dos Médiuns – cap. 27 – item 301 – 10ª questão)

Porém, infelizmente o Movimento Espírita no Brasil não seguiu, desde o início, os conselhos dos Espíritos Superiores e o CUEE proposto por Kardec.
Devido ao momento histórico, os primeiros espiritas tinham crenças católicas muito fortes e enraizadas, afinal a igreja exercia forte influência no comando do estado.
Então, o espiritismo no Brasil passou a receber, em larga escala, uma grande influência religiosa que culminou com muitos enxertos doutrinários, uns inclusive, totalmente em desacordo com a própria base doutrinária original, chegando mesmo a desfigurá-la em alguns aspectos, a saber:

a) Deus que pune pela reencarnação e sentencia através de pecados e culpas;
b) Exaltação mística da luta da luz contra as trevas;
c) Substituição dos santos católicos por médiuns e espíritos;
d) Ideia presunçosa de que o Brasil é o coração do mundo e pátria do evangelho;
e) Ascensão paralela , direta e reta de Jesus, mantendo-o como um semideus;
f) Jesus como governador planetário;
g) Exaltação e culto a Maria, apresentado no plano espiritual servos e lanceiros;
h) Confirmação da existência de Almas Gêmeas;
i) Apresentação de zonas purgatórias católicas como o Umbral e o Vale dos Suicidas;
j) A mulher devendo cuidar dos afazeres domésticos e ser submissa ao homem;
k) Existência de animais e crianças no plano espiritual;
l) Degeneração espiritual a ponto de transformar o espírito em ovoide e alusão a segunda morte;
m) Cidades organizadas no plano espiritual com muros protetores e armas de defesa;
n) Alimentação no plano espiritual;
o) Órgãos no períspirito similares aos do físico;
p) Rituais de casamentos e casais no plano espiritual;
q) Procriação no plano espiritual;
r) Moeda pecuniária no plano espiritual (bônus horas);
s) Compra de tickets para ingressar em eventos;
t) Datas marcadas para eventos catastróficos ou a transformação planetária etc.

Diante deste cenário, como é possível ao espírita se manter longe das crendices, sabendo discernir entre o que é estapafúrdio e o que é racional?

Como salvar a Doutrina Espírita do movimento espírita, contribuindo para que estas ideias não se propaguem?

1) Estudar as 32 obras de Kardec, iniciando pelos chamados livros básicos, para entender os princípios fundamentais da doutrina;

2) Não aceitar tudo do movimento espírita prontamente, raciocinar, questionar, ler, ouvir, trocar ideias;

3) Conhecer e divulgar corretamente o Espiritismo, sem ficar replicando ideias e falas de expositores ou médiuns famosos;

4) Não acreditar que a Doutrina Espírita precise de órgãos reguladores se auto intitulando “casa mater” do espiritismo;

5) Considerar as informações e mensagens de livros paralelos sob o crivo da razão, da verdade, da utilidade e da bondade;

6) Antes de se pôr a defender teses espíritas se questionar e se perguntar:
– eu conheço bem a doutrina espírita, sei os seus princípios fundamentais?
– Eu tomo cuidado para não divulgar e replicar informações doutrinárias não confirmadas na base?


Lembrar que tudo que se pregue, divulgue e pratique contrário aos princípios da Doutrina Espírita, é responsabilidade direta de quem escreve, quem ensina; quem dirige casas espíritas;
de quem comanda sessões mediúnicas e de quem psicografa.


Concluindo, gostaria de me pautar no bem senso de Kardec que diz:

“Eis uma recomendação feita de forma incessante pelos bons Espíritos. Dizem eles: “Deus não vos deu o raciocínio sem propósito. Servi-vos dele a fim de saber o que estais fazendo.” (Revista Espírita – fevereiro 1859);

Então, ao verdadeiro espírita, questionar tudo, não só é permitido, como é extremamente necessário.
Salvemos a doutrina espírita dos espíritas!!!

Autor: espiritismo cultura

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Um pensamento em “A Doutrina Espírita precisa ser salva do Movimento Espírita”

  1. Parabéns, Edson, pelo excelente texto! Parabéns, Da Costa Brites, pela sua qualificada divulgação do espiritismo!

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