Paulo de Tarso “criador do Cristo Mítico e Místico”

 

da série “FLORESTA COM ESPELHO”, grafite e acrílico s/ tela s/ platex, Costa Brites, 10 de Abril de 2000

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Seguem dois artigos de grande importância cultural, da autoria de LISZT RANGEL,  relacionados com o período histórico em que tomou poderes o dogmatismo religioso, nos primeiros tempos a seguir à morte de Jesus de Nazaré, com imensas e trágicas repercussões históricas que se estenderam praticamente a todo o mundo, durante dois milénios.
 
A figura histórica mais marcante em aspectos decisivos foi “Paulo de Tarso”, conhecido mais habitualmente como “S. Paulo”.
As suas cartas, que foram inseridas pelas autoridades eclesiásticas no novo testamento, serviram para configurar a ideologia da “santíssima trindade”, da figura sacralizada de “Jesus Cristo”, etc.

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PRIMEIRO ARTIGO:

18 de Dezembro de 2020.

Sim, como já demonstrei em pesquisas anteriores, Paulo de Tarso não foi só o Fundador do Cristianismo, conforme defendem modernos exegetas e historiadores, ele foi o criador do Cristo Mítico e Místico.

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Segundo o rigoroso Dicionário Oxford da Igreja Cristã, Paulo é o “criador do sistema doutrinário e eclesiástico da Igreja”.

Para agravar ainda mais o seu currículo manchado de sangue dos cristãos e dos judeus, Paulo foi o maior responsável pelo completo desaparecimento da mensagem de Jesus, tornando o Galileu, praticamente, um “ninguém”.

Em suas cartas, Paulo ignora completamente as presenças de José e Maria e só se refere duas vezes a Tiago como “o Irmão do Senhor”, na condição de apóstolo.
Quanto aos amigos de Jesus, ele só cita João uma única vez e quanto a Pedro, além de lembrá-lo de sua “covardia” em negar Jesus, se incomoda ao ponto de nominar o pescador de “O Apóstolo dos circuncidados” e ainda ridiculariza os demais galileus, chamando-os de “iminentes discípulos”, (2Cor. 11:15; 12:11).
Se autopromovendo como o “Apóstolo de Jesus Cristo” (1Cor. 1:1; 2Cor. 1:1) fazia propaganda de suas desventuras, asseverando que havia sobrevivido a um número espetaculoso de açoites, naufrágio e apedrejamentos.
Não se pode esquecer da suposta aparição de Jesus que, por sugestão, se acredita ter sido em Damasco (Gl. 1:17), quando dali em diante, o ex fariseu ficaria cego. As testemunhas dessa “Graça”, foram apenas os seus servos assalariados.
Atualmente, estudiosos do Novo Testamento já acreditam que ele possuía dificuldades prévias na visão, e até mesmo Carl Gustav Jung já havia desconfiado que ele poderia sofrer de epilepsia, de malária e até de cegueira psicogenética, conforme se observa em sua segunda carta aos Coríntios (12:7).
Isso explicaria, em muito, o porquê dele apenas ter forças para começar a escrever as suas cartas, fazendo apenas as saudações, para em seguida, os escribas continuarem, enquanto ele as ditava em grego.
Isto facilita a compreensão da grande incongruência em sua personalidade, uma vez que por carta se apresentava austero, enérgico e agressivo, mas enquanto falava às pessoas, era fraco e não sabia argumentar (2Cor. 10:10).

O Paulo de Tarso como Saulo, o fariseu e assassino de cristãos, foi um grande fracasso, até porque nem os judeus de Jerusalém, muito menos os de Damasco o aceitavam e graças ao ódio que disseminou, ele precisou fugir da cidade na escuridão da noite, escondido como um malfeitor dentro de um cesto (Atos, 9:20-25).
Por esses e outros motivos, os amigos de Jesus não o acolheram, mas o marketing de se achar escolhido por um Cristo que só ele viu, fez Paulo se arvorar com autoridade para levar suas opiniões pessoais como mensagem de Deus aos gentios, “Não sou apóstolo? Não vi Jesus, nosso Senhor?”(1Cor. 9:1).
A ambição dele era tão impressionante que não foram poucas as vezes que o vimos chamar a si de “um dos embaixadores de Cristo” (2Cor. 5:20), ou até mesmo se vendo como “um ministro de Cristo junto às nações”(Rm. 15:16).

Este é o Paulo de Tarso, o verdadeiro criador do Cristo Mítico e Místico do Cristianismo.
Este foi o homem que atiçou o ódio entre judeus e cristãos e depois fez o jogo inverso; eis o manipulador das massas que dizia ter sido “arrebatado até o terceiro céu” (2Cor. 12:2-4) e como um demagogo ainda fingia não ser “digno de ser chamado de apóstolo”, (1Cor.15:9).
Na verdade, foi um grande articulista em defesa de sua causa própria. Ganhou dinheiro entre judeus, fama entre os gentios, desenvolveu um sistema de crenças em que ora usava as Antigas Escrituras, ora as distorcia para agradar à plateia.
Graças à “graça” que ele disse ter sido por ela salvo, milhares de pessoas se jogaram nos braços da morte, nas arenas, esperando por uma segunda vinda de Cristo.
O Cristo Redentor de quem ele se dizia ser representante, vendendo com bases nas escrituras dos Judeus, velhas crenças travestidas em novas, o fez ser e fazer de tudo, a fim de conquistar uma ovelha para seu rebanho que até hoje se multiplica, “Para os judeus, fiz-me como judeus; para os que estão sujeitos à Lei, fiz-me como se estivesse sujeito à Lei; para aqueles que vivem sem Lei, fiz-me como se vivesse sem Lei; tornei-me tudo para todos.” (1Cor.9:20-22).

 

SEGUNDO ARTIGO:

26 de dezembro de 2020

A pergunta parece tola, mas quando se lê Paulo de Tarso em sua primeira carta aos Coríntios, especificamente em 11:1,”Sede meus imitadores, como eu mesmo sou de Cristo”, a situação se revela extremamente grave.
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A gravidade de Paulo se ter considerado espelho de Cristo e a buscar seus seguidores para uma religião que acabara de fundar entre os gentios, fez de Paulo não só um narcisista manipulador sob a óptica da Psicanálise, mas um estrategista político-religioso numa perspectiva da História.
 

A situação criada por Paulo e por seus “obscuros companheiros”, conforme os denomina o historiador Geza Vermes, foi tão distorcida e completamente destoante da mensagem de Jesus de Nazaré que, até hoje, os leigos crêem de forma crédula e ingénua que a mensagem de Jesus chegou ao Ocidente graças ao fariseu dissidente do Judaísmo.

Além de Paulo, nenhum de seus amigos conheceram Jesus e pouco se importaram em buscar a originalidade do pensamento do Galileu, muito menos, deram credibilidade aos pescadores que conviveram com ele.
Isto se explica por muitos argumentos. Entretanto, de início, ressalto dois, o que Paulo buscava para si era distinto do que reunia a comunidade judaica dos amigos de Jesus, em Jerusalém;
em seguida, nada mais do que óbvio, é que a vida e a mensagem de Jesus não despertava nele qualquer interesse, o que justifica a sua fixação obsessiva no sofrimento e na ressurreição daquele que passou a chamar de Senhor.
Por isso mesmo, se vê insistentemente sair das pregações de Paulo, a fé cega e irrestrita na Parusia, o que significa a crença na volta de Cristo para promover o Juízo Final e despertar os mortos para um reino glorioso.

Sendo assim, conforme já demonstrei em texto anterior, o senhor Paulo de Tarso foi o responsável directamente pela criação de novas crenças e adequações de antigas e que serviram de base para a Cristandade.
São raríssimos os momentos em que ele se revela em alguma afinidade com Jesus. O que se encontra neste sentido, se explica pela proximidade de crenças judaicas vigentes na época de ambos.
Em verdade, existem mínimas possibilidades, sequer mesmo teológicas, muito menos históricas, de encontrar continuidade da mensagem de Jesus naquela professada pelo narcisista Apóstolo dos Gentios.

Como Judeu que era, Yeshua ben Yossef ou conforme o conhecemos por Jesus, não aceitava qualquer referência a si que pudesse colocá-lo acima de seu Elohins (Criador). Até mesmo no que diz respeito aos poucos ensinos que lhe sobraram em autenticidade, vê-se a profunda diferença: “Portanto, deveis ser perfeito como o vosso Pai Celeste é perfeito”(Mt.5:48),
ao contrário de, como disse Paulo na sua Carta aos Coríntios: “Exorto-vos, portanto, sede meus imitadores.” (1Cor.4:16).

Para entender este pensamento atribuído a Yeshua, deve-se estudar a identidade cultural e religiosa do povo judeu do século I E.C (Era Comum), e não, fazer as devidas adequações, típicas da herança paulina, e que muitos ainda o fazem vinte séculos depois, como se isto fosse possível e honesto. Após breve introdução reflexiva, a pergunta inicial se mantém, “Como imitar alguém que não se conhece?”

Para tirar da disputa os pretensos seguidores de Jesus da Pós Modernidade e dar-lhes o devido lugar reconhecido de “Imitadores de Paulo”, faz-se mister esclarecer que qualquer evocação da figura de Cristo, assim como alguma suposta analogia do seu amor universal, nada disto tem a mínima relação com Jesus de Nazaré e com a essência da sua mensagem.

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VER:
LISZT RANGEL, http://lisztrangel.com/

 

Autor: espiritismo cultura

- sobre: A Realidade desta e de outras vidas. Tradução em português de Portugal de "O LIVRO DOS ESPÍRITOS" livre e aberta para todos, PUBLICADA E COMENTADA nos nossos blogues. VISITEM E INSCREVAM-SE COMO SEGUIDORES espiritismocultura.com

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