Restabelecer o espiritismo ensinado por Allan Kardec

A nossa luta em defesa do espiritualismo racional
baseia-se no estudo dos antecedentes histórico-culturais que fazem da Humanidade o coração sensível e fundamental da Criação, entendendo os Universos como produto de uma Inteligência Superior impossível de definir no âmbito do nosso entendimento.
A nossa luta pela divulgação do espiritismo
adquire um sentido universalista e totalmente liberto de tutelas dogmáticas, redutoras da AUTONOMIA moral ou autogoverno.
A mensagem de ALLAN KARDEC na edificação da ideologia espírita foi, após o seu falecimento, objecto de modificações abusivas nas suas duas últimas obras, por figuras que desejavam transformá-la numa religião dogmática, destinada a comandar colectivos obedientes a projectos de poder, negócios políticos rentáveis para os seus dirigentes.
O roustainguismo (das teorias criadas pela iniciativa de Jean-Baptiste Roustaing) foi instituído no Brasil pela FEB – Federação Espírita Brasileira, que inscreveu nos seus estatutos a prática que tem levado a cabo durante de mais de um século, de divulgar o ROUSTAINGUISMO e ensiná-no metodicamente a todos os seus associados, em todos os centros espíritas brasileiros
Tendo retirado recentemente essa determinação do artigo nº 2 dos seus estatutos, pelo escândalo que representava, permanece essa determinação por efeito de outro artigo dos mesmos estatutos, conforme nos é explicado pelo investigador espírita SÉRGIO ALEIXO.
VAMOS DAR INÍCIO A UM CONJUNTO DE PUBLICAÇÕES QUE PRETENDEM CLARIFICAR ESSE TIPO DE ANORMALIDADES, GRANDEMENTE PREJUDICIAIS PARA O ENTENDIMENTO DA VERDADEIRA ALMA DAS IDEIAS ESPÍRITAS, PELO MENOS EM LÍNGUA PORTUGUESA.

 

 

Página 22 deste livro:

“…Pretendemos demonstrar nesta obra que a doutrina dos espíritos defende e fundamenta uma revolucionária moralidade descoberta na era moderna: a autonomia moral ou o autogoverno.
Durante milénios, as religiões tradicionais e seu clero sustentaram a moral como sinónimo de submissão a um deus que castiga e condena por toda a eternidade aqueles que ousam enfrentar as suas ordens, perdoando e deixando todas as recompensas aos obedientes e submissos, quando chegasse o fim do mundo.
Essa é a tese da heteronomia.
Todavia, afirma o espiritismo, a transformação do nosso mundo, superando o predomínio do mal e abrindo nova era para a humanidade, não se dará por uma intervenção divina, mas pela adesão voluntária e consciente de cada ser humano.
A autonomia estará estabelecida quando os indivíduos se reconhecerem livres e responsáveis, agindo de forma solidária seguindo a lei presente na sua consciência e não obedecendo aos outros homens. Essa mudança de paradigma representa aquela modificação na disposição moral capaz de regenerar a Humanidade, como previu Allan Kardec.
Surgida na época em que os dogmas caíam no descrédito, a teoria espirita é moderna, progressista, liberal, adequada para extinguir os equívocos do velho mundo, de tal forma que “não é o Espiritismo que cria a renovação social, é a maturidade da Humanidade que faz dessa renovação uma necessidade.” (RE66, 196).
Assim, a regeneração da humanidade ocorrerá progressivamente, pela consciencialização do homem novo. Deste modo, a vocação revolucionária do espiritismo está nessa mudança de paradigma quanto ao principio moral.
No entanto, o entusiasmo de Kardec não corresponde ao que hoje se divulga como sendo sua doutrina.
Como bem viu o filósofo Herculano Pires, o espiritismo tem sido considerado como uma “seita comum, carregada de superstições.
Muitos vêem-no como uma tentativa de sistematização de crendices populares, onde todos os absurdos podem ser encontrados”, concluindo que, “na verdade os seus próprios adeptos não o conhecem (…).
O espiritismo, nascido ontem, nos meados do século passado, é hoje o grande desconhecido dos que o aprovam e o louvam e dos que o atacam e o criticam” (PIRES, 1979, p. 11). Sejam opositores ou simpatizantes, adeptos ou divulgadores, todos desconhecem o verdadeiro espiritismo.
A teoria revolucionária dos Espíritos está esquecida.
Tendo surgido num cenário histórico e cultural complexo e muito diferente do actual, o pensamento liberal espiritualista do século 19, contemporâneo da doutrina espírita, almejava a real conquista de uma sociedade solidária, livre e igualitária estabelecida pela educação universal.
Pretendia superar em definitivo os preconceitos de raça, género e classes sociais, pela igualdade de oportunidades para todos…

Acaba aqui a página 22 de “REVOLUÇÃO ESPÍRITA” da autoria de Paulo Henrique de Figueiredo.

Se desejar fortemente continuar a ler, é um sintoma óptimo. Faça o favor de adquirir o livro, como nós fizemos!….

Pedimos a boa atenção dos leitores para a série de ESTUDOS que vão continuar a ser publicados neste ponto do nosso MENU

 

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