Ler e melhorar detalhes

Temos estado a ler a nossa tradução de “O Céu e o Inferno” de Allan Kardec”. Tendo feito o melhor trabalho que nos foi possível, surgem aqui e ali pequenos defeitos que vamos corrigindo. As diferenças são mínimas, uma vírgula aqui, uma letra trocada acolá. Nas Notas há pequenas coisas, também, porque fizemos muitas. Os ficheiros que estão publicados são datados, para orientação do leitor.

Reforçamos a ideia que não somos profissionais, somos apenas leitores de Allan Kardec, que aproveitam a tradução que fazem para colher o melhor do texto original.

“O Céu Inferno” de Allan Kardec, em português de Portugal

Caríssimos leitores,

Tendo começado há algum tempo a tradução para a língua portuguesa de Portugal dos nossos dias, das cinco obras principais da cultura espírita da autoria de Allan Kardec, apresentamos agora a versão digital da última tradução feita, o “Céu e o Inferno, ou a Justiça Divina segundo o Espiritismo”.
A primeira das obras por nós traduzida foi editada em papel em Abril de 2017, com o apoio de amigos espíritas do Norte de Portugal, membros ativos da ASEB de Braga, tendo-se esgotado essa edição pouco tempo depois.
Não sendo membros de nenhuma organização espírita, mas não nos faltando meios para divulgar a nossa obra em todo o mundo de língua portuguesa através do nosso site na internet, não hesitámos em passar a publicar as nossas traduções em https://palavraluz.com, e em https://espiritismocultura.com , a que demos o carácter de iniciativa sem objetivos materiais.
As muito largas centenas de obras que já foram descarregadas daqueles livros nos nossos blogues, por todo o mundo, sem que saibamos sequer o seu número exato, nada custaram aos interessados, e enchem-nos de satisfação.

A ADULTERAÇÃO DAS DUAS ÚLTIMAS OBRAS DE ALLAN KARDEC, APÓS A SUA MORTE

Este fenómeno é dificílimo de compreender, agora como no tempo em que ocorreu, sem levarmos em conta o muito escasso interesse que o espiritismo suscitou, sobretudo em França, ao longo de tempos muitíssimo conturbados por conflitos imensos de toda a ordem.
O espiritismo é, no país em que nasceu, uma minoria sem categoria estatística, e o grande interesse que merece o espiritualismo científico quer na Europa quer noutros continentes, é algo que só minorias muito isoladas associam a Allan Kardec.
As piores consequências dessas adulterações, tiveram os seus efeitos no Brasil, onde a percentagem de pessoas interessadas naquilo que se chama ali “o espiritismo”, e que tem variadíssimas facetas, chegou a alcançar uma expressão estatística como em nenhuma outra parte do mundo.
A precedência histórica e social nesse vastíssimo país, era marcada pela poderosa influência do catolicismo, o que facilitou, quase naturalmente, a insinuação da trágica deformação do “roustainguismo”, inventada em França, como o próprio espiritismo, mas que naquele país não teve os mesmos efeitos e projeções que no Brasil.
Se um bom número de franceses tivesse tomado a devida nota do conteúdo e do significado das autênticas obras espíritas, as falsificações que ocorreram logo após a morte do seu autor, não teriam a mínima hipótese, porque teriam defendido – como era justo – uma grande obra universalista, que seguirá em frente, ajudada pelos bons Espíritos, com grande esperança e fervor da nossa parte.
Os próprios contemporâneos franceses que sobreviveram a Allan Kardec e que tinham o conhecimento exato do conteúdo dos seus livros, alguns houve que deram conta das movimentações dos péssimos sucessores herdeiros de Kardec e, tendo tomados posições claras, não conseguiram fazer-se ouvir nem impor as suas razões.
A instabilidade geral da França em termos político-estratégicos e sócio-económicos, nessa época, teve efeitos avassaladores e o espiritismo, praticamente, foi esquecido.
O Roustainguismo e a teosofia, entre várias outras formas de adulteração do espiritualismo, tiveram a sua vida facilitada e foram ostensivamente divulgadas na revista que sucedeu àquela que Kardec tinha fundado. Não tiveram uma propagação notável, mas ajudaram muitíssimo a desprestigiar o verdadeiro espiritismo.

OS TRABALHADORES HUMILDES – OS MAIS DEVOTADOS SEGUIDORES DO ESPIRITISMO

 Em França, a classe que principalmente apoiava e tinha interesse no espiritismo era a dos trabalhadores humildes dos principais sectores da economia. Conflitos tremendos e confrontações sangrentas a nível nacional e internacional transtornaram de tal forma toda a sociedade – e sobretudo as classes trabalhadoras – que não foi possível evitar o pior que, neste caso também foi essencialmente prejudicial para a cultura espírita em todo o mundo.
Um século e meio depois, com a disponibilidade evidente de originais franceses das obras autênticas de Kardec em certas bibliotecas públicas e particulares, se o espiritismo fosse matéria devidamente estudada na Europa, o nome de Allan Kardec não seria tão escandalosamente ausente em quase todas as obras que falam no espiritualismo nas suas várias facetas, que hoje se afirmam das mais diversas maneiras em várias sociedades.
Dedicamo-nos há vinte anos à investigação de tais matérias e temos originais franceses não adulterados, que foram aqueles pelos quais fizemos as nossas traduções.
Para dispor deles não tivemos que sair de casa. Quem faz as buscas na internet em mais do que uma língua, pode consegui-los sem dotes milagrosos, basta ter interesse e saber escolher.
Sempre encarámos o Espiritismo com maiúscula, como ele é para nós, e sempre tivemos o roustainguismo, com seus sucedâneos e afins, como incompreensíveis aberrações.
Já publicámos a tradução em português de Portugal de “A Génese” expurgada dessas adulterações, publicando agora a tradução de “O Céu e o Inferno”, igualmente fiel à às palavras de Allan Kardec.
Chamamos a atenção para um estudo exaustivo de todas as modificações introduzidas pelas adulterações em “A Génese”:

É favor ver: https://palavraluz.com/2021/01/13/compgeneseporponto/

É evidente que tentaremos publicar simultaneamente com esta tradução um trabalho semelhante aplicado ao texto de “O Céu e o Inferno”.
Um prefácio que esclarecesse todos os factos desta área de problemas, teria a dimensão de uma obra extensíssima, que não só referisse a sua origem histórica, como as gravíssimas consequências prejudiciais a uma cultura importantíssima que se viu desfigurada de alto a baixo, durante mais de século e meio após o seu início.
Isto deu-se pelas movimentações originadas no Brasil, da parte de entidades federadas, que conseguiram poderes invulgares de intervenção e vantagens materiais que têm tido reflexos em diversos outros países, atendendo à vitalidade comunicativa dos brasileiros.

A NOSSA TRADUÇÃO DE “O CÉU E O INFERNO”

Esta tradução da última das grandes cinco obras de Allan Kardec, foi feita, em princípio, para nossa própria utilidade de aprendizes de uma sabedoria que achamos fundamental para o entendimento e construção das vidas da atualidade e de todas as outras que se seguem.
Não temos como objetivo criar uma escola, ou formar uma tendência. As nossas traduções foram feitas como leitura aprofundada dos originais para nossa própria conveniência, largamente acompanhados pela leitura atenta da Revista Espírita, também publicada por Allan Kardec.
Temos seguido o princípio de redigir prefácios que revelam a visão que temos de cada uma dessas magníficas obras, ao mesmo tempo que procuramos tomar conhecimento do desenvolvimento de ideias convergentes com esta, de base científica.
A reincarnação, as memórias de outras vidas e até a própria semelhança fisiológica e os sinais corporais de fenómenos ocorridos em vidas anteriores, têm sido investigadas a nível académico-científico em vários países muito desenvolvidos, bem como muitos outros fenómenos cuja naturalidade não poderia escapar a uma imensidade de observadores, durante muitos séculos. Basta procurar ler o que existe a este respeito em várias das línguas mais conhecidas no mundo, na imensíssima área de pesquisa que é a Internet.

A CHAMADA “REVOLUÇÃO ESPÍRITA”

Apareceu recentemente no Brasil um movimento esclarecedor das gravíssimas adulterações das duas últimas obras de Allan Kardec, logo depois do seu falecimento, “A Génese” e “O Céu e o Inferno”.
Temos seguido todo esse fenómeno, embora para nós – que temos investigado sempre por fontes legítimas pesquisadas em arquivos franceses – não constituiu de forma nenhuma novidade.
Podíamo-nos ter enganado, é evidente, e até nem vale a pena acrescentar razões. As recentes investigações de SIMONI PRIVATO GOIDANICH e de LUCAS SAMPAIO, feitas nos arquivos franceses vieram consagrar as escolhas que fizéramos antes, confirmando a felicidade óbvia das nossas pesquisas de exemplares originais.

A EXTRAORDINÁRIA IMPORTÂNCIA DA OBRA DE PAULO HENRIQUE DE FIGUEIREDO

A mais importante série de obras que tem vindo, na nossa opinião, a transformar positivamente a visão do espiritualismo racional no Brasil deve-se a Paulo Henrique de Figueiredo.
Recorrendo a um processo naturalíssimo de referenciação histórico-cultural, PHF remete o início da odisseia do espiritualismo racional para muito mais atrás de Allan Kardec, recuperando com especial incidência a figura de Franz Anton Mesmer e o prodigioso trabalho que fez a respeito do magnetismo animal, referido claramente por Allan Kardec na primeira de todas as suas Revistas Espíritas, tal como PHF nos informa com toda a justificação, no início do Capítulo VIII da sua obra “Mesmer, a ciência negada do magnetismo. animal”, ao aludir às “Ciências solidárias”.

Nessa obra, como noutras, PHF recheia páginas e páginas de uma magnífica sequência de citações à cultura desse tempo, que não esquece, antes valoriza, a imensa antiguidade do profundo relacionamento que a Humanidade sempre desenvolveu com o Mundo dos Espíritos.

A sua passagem à obra “REVOLUÇÃO ESPÍRITA – A teoria esquecida de Allan Kardec” é uma tentativa apaixonada para preencher esse esquecimento, enriquecendo a perspectiva habitualmente traçada em vôo de pássaro por sobre acontecimentos arriscadamente simplificados da história “habitual” do espiritismo. Como nós temos tentado mostrar, há imensidade de exemplos, desde os tempos mais remotos da Antiguidade ao progresso evidente de todas as ciências e da evolução do pensamento nos últimos séculos, que revelam o Espírito como cenário principal da vida profunda e da evolução sem fim.

Nesse grande Teatro de ideias sempre disponível para os Espíritos abertos, como seria possível prestar atenção, um instante que fosse, à perspectiva cruel dos dogmatismos absurdos?

Como poderia acreditar-se num Deus que criasse Céus para espíritos de cores imóveis e luz fluorescente, e Infernos povoados de criaturas abandonadas para todo o sempre, devoradas pela solidão da dor e do medo?

SIMÓNI PRIVATO GOIDANICH e LUCAS SAMPAIO

Um dos livros mais importantes publicados no Brasil a respeito do espiritismo, foi “O LEGADO DE ALLAN KARDEC”, resultante das investigações feitas por Simoni Privato Goidanich nos arquivos franceses a respeito das adulterações feitas em França dos dois últimos livros daquele autor. Na mesma linha foram feitas investigações, também em França, por Lucas Sampaio que, juntamente com Paulo Henrique Figueiredo publicaram um texto chave para todas estas questões, com a obra “Nem Céu nem Inferno”.

A NATUREZA DE TODOS OS SERES, A SUA ORIGEM E O SEU DESTINO

Julgamos que este título refere tópicos culturais e filosófico-científicos, que são do maior valor para toda a gente. Entendemos que o nosso prefácio já vai longo e não podemos dizer tudo.
Por isso desejamos as maiores felicidades a todos, recomendando, como pessoas de mais idade que a grande maioria dos leitores – disso não temos dúvidas – que façam o favor de usar algum do vosso precioso tempo livre para ler pelo menos, as nossas traduções dos livros de Allan Kardec.
Vai ser tempo ganho, podem crer. E contribuirá para a felicidade e o bem-estar presente e futuro de todos os que o fizerem.

Maria da Conceição Brites e José da Costa Brites

Este trabalho não é de uma empresa editora. É de dois cidadãos portugueses que dessa maneira lêem Allan Kardec com a máxima atenção da primeira à última linha.

OCI – Comparação entre a 1ª edição (1865) de Allan Kardec e a 4ª (1869) adulterada

Maria da Conceição Brites / Lousã Maio Junho de 2021

Acreditamos que todos os espíritas já tiveram conhecimento das adulterações dos livros de A. K., nomeadamente “A Génese” e “O Céu e o Inferno”, levadas a cabo logo após a sua morte, por antigos colaboradores, influenciados por Espíritos obsessores que queriam um regresso aos princípios das religiões dogmáticas.

Em A Génese houve alterações em quase todos os capítulos.

Em O Céu e o Inferno há uma enorme quantidade de diferenças, mas elas concentram-se sobretudo na eliminação do Prefácio e na transformação do capítulo VIII 1ª parte, que foi o mais adulterado. A seguir, o capítulo IV,  dessa 1ª parte, também foi suprimido parcialmente.

Sabemos já que os outros livros não foram modificados, havendo apenas dúvidas sobre “Obras póstumas”, publicado também depois da morte do Mestre, e cujo estudo ainda está a realizar-se.

Não vamos aqui relatar a trama das modificações, suas causas e seus autores, pois isso já está à disposição de todos em obras publicadas pelos investigadores espíritas brasileiros Paulo Henrique de Figueiredo, Simoni Privato Goidanich, Lucas Sampaio, e outros. Também não vamos falar em A Génese, visto que já apresentámos a tradução da edição original, com todas as notas que achámos por bem acrescentar, tendo já publicado um trabalho comparativo como este.

Vamos neste estudo considerar as alterações realizadas em O Céu e o Inferno, e sabemos, confiadamente, que a 4ª edição é a única em que foi alterado o texto de Kardec, tendo sido publicada depois da sua morte. Juridicamente nem poderia circular pois é considerada obra apócrifa. Existe, naturalmente, a edição verdadeira, legítima, com as ideias originais de A.K., nas três edições publicadas em 1865. Inicialmente, a intenção deste trabalho era simplesmente o nosso esclarecimento, como sempre fazemos. Depois pensámos que, se pudéssemos ser úteis a mais alguém, tanto melhor.

Por falta de outras informações, as notas que inserimos referentes às adulterações foram quase todas retiradas e adaptadas de “Nem Céu nem Inferno” editado pela FEAL, em 2020. Os seus autores, Paulo Henrique de Figueiredo e Lucas Sampaio, são os investigadores que, com Simoni Privato Goidanich  mais se distinguiram na procura da verdadeira mensagem de Allan Kardec. As suas publicações estão à disposição de todos, só é necessário procurar. Sabemos que não é fácil, pois os livros brasileiros ainda são muito difíceis de adquirir em Portugal. 

Comparação, ponto por ponto, entre a 1ª e a 4ª edição, para facilitar a consulte do documento

Na 1ª edição o texto é tradução nossa. Se está em negrito é porque foi retirado na 4ª edição.

Na 4ª edição o texto é tradução de José Herculano Pires. Se está em negrito é porque foi acrescentado.

O texto sublinhado indica que não existe nos trabalhos de A.K., foi redação do adulterador.

O texto a azul indica que existe nas duas edições, mas na 4ª edição foi mudado de lugar.

A vermelho vão as nossas observações.

A Doutrina Espírita precisa ser salva do Movimento Espírita

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O importante artigo que publicamos abaixo é de autoria de um importante intelectual e publicista brasileiro que encontrámos na alargada participação que mantemos na net (neste caso no facebook, sob o nome de Dacosta Brites).
Edson Figueiredo de Abreu, consegue alinhar um conjunto de ideias que, quanto à metodologia de intervenção e de trabalho, se aplicariam perfeitamente ao caso Português.
Por isso se justifica plenamente a sua publicação, para além de revelar a vasta experiência e a capacidade de análise que o artigo largamente nos oferece.
As nossas mais amistosas saudações aos espíritas brasileiros e a Edson Figueiredo de Abreu a maior consideração e os votos de continuada e profícua ação em benefício da grande cultura espírita; aquela que aplaina os caminhos que trilhamos com enorme entusiasmo e a maior convicção em direção ao brilhante futuro que a todos nos espera, no além das luzes, dos sentimentos universais e da presença envolvente do esplendor DIVINO.

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da autoria de EDSON FIGUEIREDO DE ABREU

A Doutrina Espírita é a clássica codificação – elaborada no extrafísico – pelos Espíritos Superiores e organizada – no plano físico – por Allan Kardec.
O Espiritismo, como também é conhecido, foi formulado por Allan Kardec, primeiramente observando os fenómenos e estudando suas causas e efeitos; depois, ponderando sobre os diversos ensinos recebidos, os organizou e colocou em ordem didática; por fim, comentando-os e difundindo-os através de 32 publicações ao longo de 12 anos de dedicado e extenuante trabalho.
É importante frisar que Kardec preocupava-se e primava pela “unidade e integridade da doutrina espírita”, como podemos constatar no seu seguinte comentário: 

“Um dos maiores obstáculos capazes de retardar a propagação da Doutrina seria a falta de unidade e o único meio de evitá-la, senão quanto ao presente, pelo menos quanto ao futuro, é formulá-la em todas as suas partes e até nos mais mínimos detalhes, com tanta precisão e clareza, que impossível se torne qualquer interpretação divergente”. (Allan Kardec em Obras Póstumas – cap. 84 – Projeto 1868)

Já o chamado Movimento Espírita, é o que os espíritas, aqueles adeptos do Espiritismo, realizam em nome dessa doutrina.
Neste sentido é preciso ter em mente que, depois de Allan Kardec, não existe alguém ou algo – seja médium, espírito ou organização – que possa falar em nome da Doutrina Espírita como seu representante oficial, apesar da soberba pretensão de alguns.
Por ser a doutrina do livre pensar, qualquer manifestação, escrita ou oral, emitida por dirigentes, médiuns ou federativas que não tenham como base a codificação, devem ser levadas em conta como interpretações adaptadas ou ainda opiniões conceituais sobre os princípios do Espiritismo.
E qual seria, então, a responsabilidade dos espíritas em relação a doutrina?
É preciso ter em mente que nem todo “médium” é espírita e nem todo “espírito” que se manifesta também o é. Não é preciso se aprofundar muito na análise de algumas mensagens que circulam no movimento espírita, para constatar, com relativa facilidade, que muitos médiuns e muitos espíritos não conhecem os princípios básicos da codificação.

Também é preciso ter em mente que a maioria dos espíritas chegam à doutrina trazendo uma série de conceitos, preconceitos, costumes, crenças e condicionamentos adquiridos nos usos e costumes e nas religiões tradicionais anteriormente professadas.

Em respeito ao trabalho dos Espíritos Superiores e ao próprio Allan Kardec, todo espírita sério precisa estudar, se conscientizar e estar bem-preparado para fazer a necessária análise de tudo e atuar corretamente no Movimento Espírita, questionando e aceitando o que for bom, como também recusando o que não for condizente ou ainda contraditório com a codificação elaborada por Kardec.

Infelizmente no Brasil, devido à falta de estudo da codificação, o chamado Movimento Espírita, que é recheado de médiuns e editoras com interesses comerciais, apresenta muitas falhas, deturpações, rituais e enxertos indevidos, tanto nas ideias e conceitos, como nas práticas espíritas.

Para espanto geral, atualmente o mercado editorial espírita conta com mais de 8.407 livros editados por aproximadamente 181 editoras e 1.691 médiuns diferentes. Destes, 3.183 livros foram ditados por 712 espíritos a 434 médiuns. Esses números se baseiam em pesquisa realizada por Ivan Rene Franzolim em 2017.

Assim sendo, a pergunta que não quer calar é:
Como manter, neste cenário, a unidade da codificação preconizada por Kardec e o CUEE? (Controle Universal dos Ensinos dos Espíritos)?

Somente com o estudo sério da base doutrinária organizada por Allan Kardec, é possível adquirir a capacidade de raciocínio necessária para discernir entre o joio e o trigo, e aprender a separar o que de fato é doutrinário, das opiniões pessoais de médiuns e espíritos ou ainda organizações.
São poucas as editoras que mantem um corpo doutrinário para avaliar as obras psicografadas antes de lançá-las e, na realidade, muitas não o fazem, o que contribui para pôr a perder a base doutrinária calcada no raciocínio e bom senso, originando confusão e a implantação de crendices e superstições.
Este cenário também contribui para a criação de um ambiente em que se aceita de tudo, principalmente o servilismo cego e o religiosíssimo fátuo calcado em ideias de pecados e resgates, assim como também a anuência da existência do maravilhoso e sobrenatural, além de práticas, as mais estranhas.


A falta de estudo da base doutrinaria elaborada por Kardec contribui também para a ascensão de gurus e pseudossábios que, sem nenhum pudor, se colocam como baluartes do espiritismo, emitindo sua opinião para todo tipo de assunto, sem deixar claro que se trata de seu conceito particular, adquirido da sua interpretação da doutrina, e não do Espiritismo em si.


Mas isso não é de estranhar, pois já na época de Kardec, a Doutrina Espírita, assim que surgiu, causou admiração e satisfação para alguns, espanto e receio para outros e sentimentos de escarnio e ódio para muitos.
Foi severamente combatida e perseguida pelo poderio religioso – veja o auto de fé de Barcelona em 1861 -, o que fez com que alguns de seus profitentes tentassem modificá-la em alguns pontos e também enxertar novos conceitos, procurando adequá-la as ideias religiosas vigentes. (Vide os livros – Os Quatro Evangelhos de Jean Batista Roustaing).

Esta situação fez com que Kardec inquirisse os espíritos a respeito, através da seguinte questão: 

“As doutrinas erróneas, que certos Espíritos podem ensinar, não têm por efeito retardar o progresso da verdadeira ciência?
“Desejais tudo obter sem trabalho. Sabei, pois, que não há campo onde não cresçam as ervas más, cuja extirpação cabe ao lavrador. Essas doutrinas errôneas são uma consequência da inferioridade do vosso mundo. Se os seres fossem perfeitos, só aceitariam o que é verdadeiro”.
“Os erros são como as pedras falsas, que só um olhar experiente pode distinguir. Precisais, portanto, de um aprendizado, para distinguirdes o verdadeiro do falso. Pois bem! as falsas doutrinas têm a utilidade de vos exercitarem em fazerdes a distinção entre o erro e a verdade. Se adotam o erro, é que não estão bastante adiantados para compreender a verdade.”
 (O Livro dos Médiuns – cap. 27 – item 301 – 10ª questão)

Porém, infelizmente o Movimento Espírita no Brasil não seguiu, desde o início, os conselhos dos Espíritos Superiores e o CUEE proposto por Kardec.
Devido ao momento histórico, os primeiros espiritas tinham crenças católicas muito fortes e enraizadas, afinal a igreja exercia forte influência no comando do estado.
Então, o espiritismo no Brasil passou a receber, em larga escala, uma grande influência religiosa que culminou com muitos enxertos doutrinários, uns inclusive, totalmente em desacordo com a própria base doutrinária original, chegando mesmo a desfigurá-la em alguns aspectos, a saber:

a) Deus que pune pela reencarnação e sentencia através de pecados e culpas;
b) Exaltação mística da luta da luz contra as trevas;
c) Substituição dos santos católicos por médiuns e espíritos;
d) Ideia presunçosa de que o Brasil é o coração do mundo e pátria do evangelho;
e) Ascensão paralela , direta e reta de Jesus, mantendo-o como um semideus;
f) Jesus como governador planetário;
g) Exaltação e culto a Maria, apresentado no plano espiritual servos e lanceiros;
h) Confirmação da existência de Almas Gêmeas;
i) Apresentação de zonas purgatórias católicas como o Umbral e o Vale dos Suicidas;
j) A mulher devendo cuidar dos afazeres domésticos e ser submissa ao homem;
k) Existência de animais e crianças no plano espiritual;
l) Degeneração espiritual a ponto de transformar o espírito em ovoide e alusão a segunda morte;
m) Cidades organizadas no plano espiritual com muros protetores e armas de defesa;
n) Alimentação no plano espiritual;
o) Órgãos no períspirito similares aos do físico;
p) Rituais de casamentos e casais no plano espiritual;
q) Procriação no plano espiritual;
r) Moeda pecuniária no plano espiritual (bônus horas);
s) Compra de tickets para ingressar em eventos;
t) Datas marcadas para eventos catastróficos ou a transformação planetária etc.

Diante deste cenário, como é possível ao espírita se manter longe das crendices, sabendo discernir entre o que é estapafúrdio e o que é racional?

Como salvar a Doutrina Espírita do movimento espírita, contribuindo para que estas ideias não se propaguem?

1) Estudar as 32 obras de Kardec, iniciando pelos chamados livros básicos, para entender os princípios fundamentais da doutrina;

2) Não aceitar tudo do movimento espírita prontamente, raciocinar, questionar, ler, ouvir, trocar ideias;

3) Conhecer e divulgar corretamente o Espiritismo, sem ficar replicando ideias e falas de expositores ou médiuns famosos;

4) Não acreditar que a Doutrina Espírita precise de órgãos reguladores se auto intitulando “casa mater” do espiritismo;

5) Considerar as informações e mensagens de livros paralelos sob o crivo da razão, da verdade, da utilidade e da bondade;

6) Antes de se pôr a defender teses espíritas se questionar e se perguntar:
– eu conheço bem a doutrina espírita, sei os seus princípios fundamentais?
– Eu tomo cuidado para não divulgar e replicar informações doutrinárias não confirmadas na base?


Lembrar que tudo que se pregue, divulgue e pratique contrário aos princípios da Doutrina Espírita, é responsabilidade direta de quem escreve, quem ensina; quem dirige casas espíritas;
de quem comanda sessões mediúnicas e de quem psicografa.


Concluindo, gostaria de me pautar no bem senso de Kardec que diz:

“Eis uma recomendação feita de forma incessante pelos bons Espíritos. Dizem eles: “Deus não vos deu o raciocínio sem propósito. Servi-vos dele a fim de saber o que estais fazendo.” (Revista Espírita – fevereiro 1859);

Então, ao verdadeiro espírita, questionar tudo, não só é permitido, como é extremamente necessário.
Salvemos a doutrina espírita dos espíritas!!!

University of Virginia – Division of Perceptual Studies

Para conseguir ver todos os elementos do quadro docente desta faculdade é favor clicar na imagem

  Fundada em 1967 pelo Dr. Ian Stevenson, a DOPS (Division of Perceptual Studies) da Universidade de Virgínia, em Charlottesville é um grupo universitário de investigação há muito estabelecido, exclusivamente dedicado à análise de fenómenos que desafiam as correntes principais do paradigma materialista ainda dominante quanto à mente e ao cérebro, como estruturas ligadas e interdependentes. Ao contrário, os investigadores da DOPS estão a avançar no estudo dos fenómenos relacionados com a consciência como entidade independente claramente fora do corpo, bem como os fenómenos que revelam directamente a sobrevivência da consciência humana depois da morte física. Através de estudo cuidadoso, os investigadores do DOPS analisam e documentam os dados empíricos que foram registados quanto às experiências humanas que revelam a sobrevivência da consciência em casos de morte física, aparecendo a mente e o cérebro como diferentes e separados.

“É nossa a esperança de que outros cientistas de mente aberta se aproximem de nós para continuarmos os desafios de um estudo sério, o da natureza da consciência e as suas interacções com o mundo físico.”

O professor Ian Stevenson, fundador do DOPS, (1918 – 2007) que desenvolveu profundos estudos experimentais relacionados com a tese das vidas múltiplas, ou reincarnação.

As investigações da Divisão de Estudos de Perceção (DOPS) da Universidade de Virginia, entre outros, incluem:

  • Investigação dos meninos que, ao redor do mundo, relataram casos de memórias retidas de vidas passadas;
  • Investigação da consciência; casos comprovados de relacionamento da mente separada do corpo;
  • Estudo de imenso número de casos de Experiências de Quase-Morte (EQM, Near Death Experiences, NDE, em inglês), para sistematização científica, mediante entrevistas com os respetivos protagonistas;
  • Estudo de neuro-imagens de casos PSI; etc

O vídeo aqui apresentado desenvolve-se, naturalmente, em língua inglesa. Para melhorar a sua compreensão, sugere-se o uso das legendas, também em inglês, que é possível inserir num dos comandos, do lado direito em baixo. O processo de inserção é automático, por isso, não 100% perfeito.

Neste vídeo, a respeito da VIDA DEPOIS DA MORTE está documentado uma série de depoimentos de 5 professores universitários, sendo moderador um conhecidíssimo escritor e actor, John Cleese, um dos fundadores do Monty Python, e teve lugar no dia 12 de Abril de 2018 no Paramount Theatre em Charlottesville, com os seguintes participantes:

O professor Bruce Greyson, um dos fundadores do IANDS e professor da UVA. Para melhor esclarecimento consultar: https://med.virginia.edu/perceptual-studies/dops-staff/bruce-greysons-bio/

O professor James Tucker, continuador de Ian Stevenson: https://med.virginia.edu/perceptual-studies/dops-staff/jim-tuckers-bio/

Emily Williams Kelly, Ph.D. , UVA, Assistant Professor of Research, Division of Perceptual Studies, Department of Psychiatry and Neurobehavioral Sciences:

Emily Kelly’s Bio

Jennifer Penberthy, Ph.D. , Universidade da Virgínia; ABPP:

Jennifer Penberthy, PhD

Edward Kelly, Ph.D. Professor of Research, Division of Perceptual Studies, Department of Psychiatry and Neurobehavioral Sciences | Universidade de Virgínia;

https://med.virginia.edu/perceptual-studies/dops-staff/ed-kellys-bio/

Alguns exemplos de livros editados pelas entidades acima referidas no âmbito do seu trabalho no DOPS

Dialogar para não morrer…

Inscrevam-se como SEGUIDORES, façam comentários, divulguem junto de todos os vossos amigos. Se são utilizadores do Facebook, idem aspas!.. MUITO OBRIGADO EM NOME DE IDEIAS MAGNÍFICAS, em clima de total INDEPENDÊNCIA.

Aqui não há federações, as opiniões são SEMPRE de cada um que as constrói!…

Acima, página atual do FACEBOOK de um dos autores desta página. https://www.facebook.com/dacosta.brites

Adiram, dialoguem e trabalhem positivamente para o progresso do espiritismo, cultura universalista, emancipadora e FÁBRICA DE PROGRESSO ESPIRITUAL!!!…

Aos nossos amigos portugueses, porque os amigos brasileiros já despertaram, peço muito urgentemente que ponham de lado o silêncio e procurem ir de encontro ao ESPIRITISMO AUTÓNOMO E COMUNICATIVO que nos deixou ALLAN KARDEC.

 “…O espiritismo não pode continuar a ser uma igreja confidencial e indiferente ao progresso da sociedade

Os principais objetivos da ciência espiritualista, aquela plataforma universal de exploração inteligente da vida depois da morte, não é apenas uma ideologia de quem mergulha na confidencialidade de pequenos círculos mediúnicos, sem eco nem efeitos emancipadores.

Estamos à espera, com disponibilidade ativa já de há muitos anos, de que os principais interessados comecem a usar de forma mais concreta do direito e do dever de assumirem as suas responsabilidades que lhes atribui uma cultura emancipadora, na concretização do progresso espiritual e de todas as consequências de utilidade HUMANA…”

O Espiritismo, cultura desprestigiada pelos seus pretensos representantes

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Pedimos a todos os nossos amigos e seguidores que leiam este artigo com a maior atenção. No caso de estarem de acordo com o que dizemos pedimos o especial favor de o divulgarem o melhor que vos for possível.

Uma cultura distorcida que pretende divulgar-se por fontes adulteradas

O espiritismo institucionalizado não tem, um século e meio depois do seu aparecimento, o prestígio socio-cultural correspondente ao legítimo valor da mensagem que foi instituída pelo pensamento de Allan Kardec.

Os valores culturais que propõe essa visão desvalorizada não assumem a categoria transcendentemente valiosa do “diálogo entre humanidades”, como é designada por certos autores de grande prestígio, como Léon Denis.

É chegado o momento de assumirmos de forma explícita esse desgosto, pois temos plena consciência que a maior parte dos coletivos auto-designados como “espíritas”, além de não seguirem de forma concreta os princípios do espiritismo de Allan Kardec, propagam sem brilho nem proveito uma literatura dispersiva dos seus princípios fundamentais.

Promovem na internet e nas suas mesas e prateleiras livros  que indicam como sendo da autoria de Allan Kardec, com capítulos adulterados, contrários às linhas fundamentais dos seus princípios propriamente ditos.

Pior do que isso, nota-se uma geral indiferença a todos os avanços culturais que estão a surgir em sociedades onde ninguém conhece o nome de Allan Kardec, que nunca é citado nas bibliografias de uma imensidade de publicações e de estudos de carácter espiritualista que são publicados por todo o mundo nas várias línguas mais conhecidas.

Fenómeno atribuível ao nível filosófico-cultural e científico do espiritismo “oficial” que nunca quis, nem soube transportar a sua cultura aos níveis de reconhecimento geral que podia e devia ter alcançado.

O beco sem saída das perspetivas dogmáticas

Um dos aspetos fundamentais da configuração magistral que foi conferida ao Espiritismo em meados do século XIX por Allan Kardec, foi o da rutura definitiva com todas as teorias religiosas tradicionais, com caracter assumidamente dogmático.

Uma sociedade culturalmente evoluída, cujos cidadãos já pisaram a Lua, e cujos investigadores científicos já alcançaram visões da própria matéria e do Universo que modificam conceitos milenares a seu respeito, não podem continuar a entronizar visões dogmáticas da nossa natureza, da origem e destino de todos nós, que já eram plenamente rejeitáveis no próprio momento em que foram impostas.

As experiências de quase morte, o espiritismo e a indiferença do meio espírita

De há vários anos que dedicamos uma atenção muito ativa a estes fenómenos, tendo publicado um trabalho bastante detalhado e documentado a seu respeito, efetuando a sua análise pela confrontação com os princípios fundamentais dos conhecimentos espíritas.

Sendo um estudo que conheceu uma versão anterior ainda mais aprofundada, já de há um bom número de anos, não obteve nenhum reconhecimento explícito por parte de instituições espíritas federadas. Tendo, como temos, um bom número de seguidores, e muitos milhares de visitas, será que nunca foi lido nem visto PELAS ENTIDADES MAIS RESPONSÁVEIS do espiritismo em língua portuguesa?

As EQM e as ideias dogmático-roustainguistas

É evidente que os milhões de narrativas das Experiências de Quase Morte que constituem neste momento uma vastíssima área de investigação científica, com incalculáveis reflexos em todas as sociedades do mundo,  têm o imenso “defeito” de não terem a mínima convergência com as doutrinas federativas dos retrógrados princípios roustainguistas.

Será por isso que o “meio espírita” permanece indiferente a essa extraordinária fonte de conhecimentos a respeito da vida depois da morte?

 O espiritismo não pode continuar a ser uma igreja confidencial e indiferente ao progresso da sociedade

Os principais objetivos da ciência espiritualista, aquela plataforma universal de exploração inteligente da vida depois da morte, não é apenas uma ideologia de quem mergulha na confidencialidade de pequenos círculos mediúnicos, sem eco nem efeitos emancipadores.

Estamos à espera, com disponibilidade ativa já de há muitos anos, de que os principais interessados comecem a usar de forma mais concreta do direito e do dever de assumirem as suas responsabilidades que lhes atribui uma cultura emancipadora, na concretização do progresso espiritual e de todas as consequências de utilidade HUMANA.

Esta imagem tem um texto alternativo em branco, o nome da imagem é 103-alta-b-abaixo.jpg

Coimbra, desenho s/ Steinbach-Malmedy, Costa Brites/1993

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A finalizar este artigo inserimos a ligação que dá acesso ao ficheiro do nosso trabalho sobre NDE EQM e o Espiritismo de há muito publicado neste blogue.

+ EQM + ESP resumido DESCARREGAR



Objectivos e contacto

Aqui se fala, de FORMA COMPLETAMENTE INDEPENDENTE
 desta e de outras vidas que nos esperam, tendo em vista a evolução do homem como um todo, social, cultural e espiritual,
na perspectiva do espiritualismo científico e racional.
contacto:
espiritismo.cultura@gmail.com

A visão racional e progressista do espiritismo

“(…) o livre-pensamento eleva a dignidade
do homem; faz dele um ser activo, inteligente,
em lugar de uma máquina de crer”.
Allan Kardec (Revista Espírita, Fevereiro, 1867)

Para descarga, os três livros já publicados. Aconselho vivamente a sua leitura.

Apresentam uma visão actualizada do espiritismo racional e progressista

“…A filosofia espírita rompeu com a dicotomia entre o sagrado e o profano. O que importa para os espíritos entrevistados por Allan Kardec, na elaboração de “O Livro dos Espíritos”, é a chamada lei natural.
Para eles, a lei natural é a própria “lei de Deus”.
“É a única verdadeira para a felicidade do homem”, pois “indica-lhe o que deve fazer ou não fazer” (pergunta 614, p.361).
Eles vêem na Natureza e em suas leis a presença da divindade que a tudo preside como “inteligência suprema e causa primeira de todas as coisas”, como disposto na pergunta nº 1 de O Livro dos Espíritos.
A lei natural, vista sob esse prisma, envolveria todos os fenómenos do Universo e, logo, também as relações dos seres humanos entre si e com a divindade, retirando esta do sobrenatural.
Dessa forma, o que para a teologia estava contido na revelação sagrada, sobrenatural e não necessariamente conforme a razão, para os espíritos entrevistados por Kardec era potencialmente alcançável pela razão humana, eis que a lei natural se encontra inscrita “na consciência” do ser inteligente (questão 621).

Sobre a designação dos espíritas como “livres-pensadores” Diz-nos Milton Rubens Medran Moreira no quarto capítulo da primeira obra aqui apresentada:
“…Em artigo que publicou na Revista Espírita de Janeiro de 1867, Allan Kardec, em plena sintonia com as tendências do novo tempo em que se firmava a autonomia de pensamento, saudou o advento de uma “nova denominação pela qual se designam os que não se sujeitam à opinião de ninguém em matéria de religião e de espiritualidade, que não se julgam ligados pelo culto em que o nascimento os colocou sem seu consentimento, nem à observação de práticas religiosas quaisquer”. Essa nova categoria de homens e mulheres, segundo ele, eram os “livres-pensadores”. E ali ele situava os verdadeiros espíritas, explicitando: “Todo homem que não se guia pela fé cega é, por isso mesmo livre-pensador”, para acrescentar: “A este título os Espíritas também são livres-pensadores”.

A vida depois da vida /1

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Estes blogues, nos últimos tempos, têm sido dirigidos aos visitantes  com perspectivas esclarecidas acerca da vida depois da morte. A partir de agora, a abrir, vão a ser apresentados textos de iniciação.
Vamos ler então uma apresentação do estudo da vida depois da morte.
Para quem queira conversar, pode recorrer ao e.mail espiritismo.cultura@gmail.com
ESTAMOS AO INTEIRO DISPOR

NOTA MUITO IMPORTANTE:
As pessoas que fazem este trabalho são estudiosos independentes, formaram-se por iniciativa pessoal em inteira liberdade.
NÃO PERTENCEM A NENHUMA ORGANIZAÇÃO RELIGIOSA OU DE QUALQUER OUTRO TIPO.
Este assunto é livre, a literatura informativa é abundante, de fácil acesso, e é culturalmente vantajoso abordar-se por iniciativa própria.

A vida depois da vida / 2

A compreensão natural da vida depois da morte e de outros factos relacionados com a transcendência já não dependem da crença, ou de qualquer predisposição religiosa, MUITO MENOS DOGMÁTICA.

 Com a abundância de dados científicos que existem, basta ter vontade e coragem intelectual, para enfrentar os dados existentes, tal como muitos que aqui são apresentados..

As provas evidentes de uma outra vida têm muito diversas áreas de afirmação científica. Vamos abrir com um caso especial e muito completo de “experiência de quase morte” (EQM), por serem conhecidos por todo o mundo milhões de casos recentes. São conhecidos, entretanto, um bom número de casos históricos que atingiram notoriedade mundial.

Há pessoas, vítimas de acidentes ou de outras situações limite, depois de uma comprovada morte clínica, com paragem cardíaca e paralização completa da actividade cerebral, que têm sido reanimados por processos agora crescentemente difundidos em acções de salvamento ou socorro de emergência hospitalar.
Do número total dessas pessoas, há cerca de 18% que se lembra da sua viagem ao outro lado da existência, com variável quantidade de recordações, mas inapagáveis. Mais do que isso: a ocorrência tem efeitos transformadores do carácter e das concepções de vida, libertando os protagonistas completamente do medo da morte!

O fenómeno em si é antiquíssimo, e pode ter ocorrido no passado por mera casualidade, mesmo sem a intervenção de recursos médicos.
Platão, num dos livros da República, descreve o “mito de Er”, o Arménio, Panfílio de nascimento, um soldado que “morre” e vem de novo a si, narrando a sua odisseia no além, duma forma em tudo compaginável com os actuais depoimentos das pessoas que passam por NDE’s (em inglês) EQM’s (em português) ou EMI’s (em francês)!

Há muitos registos desde a antiguidade, até textos na Bíblia que podem ser conotados com esta ordem de fenómenos e tantos outros depoimentos e casos ao longo da História, como o do notabilíssimo caso do sueco Emanuel Swedenborg (1688-1772).
Os casos deste tipo abundam em todo o mundo, inclusivé em Portugal, e temos um vizinho aqui onde vivemos, uma pessoa bem conhecida, com a qual se passou esse fenómeno.

O nosso vizinho e bom amigo é categórico: o medo da morte para ele deixou de existir, a sua confiança no futuro é, quanto isso, absolutamente tranquila!…

AO FUNDO APRESENTAMOS UM CONJUNTO DE TRÊS VÍDEOS COM UM DOS MAIS ESPANTOSOS CASOS DE QUE TIVEMOS CONHECIMENTO, PUBLICADO PELO CONHECIDÍSSIMO SITE BRASILEIRO “AFINAL O QUE SOMOS NÓS”.

Para já, é favor lerem o depoimento de Stefan von Jankovich, ele próprio protagonista de uma impressionante Experiência de Morte Iminente, em Setembro de 1964, inserido adiante neste blogue, bem como outras notícias insertas no menu respectivo.

É FAVOR CLICAR NA FRASE, PARA TER ACESSO AO DEPOIMENTO.

É favor clicar nas imagens para ter acesso aos vídeos.

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Espiritismo – Capítulo 01

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Querer explicar:

A razão de existirmos;
O funcionamento da realidade;
O sentido da vida e o seu aperfeiçoamento
é um objectivo bastante difícil…

As primeiras noções que recebi do ESPIRITISMO causaram-me a impressão de que – com o esclarecimento dessa visão do mundo – era possível encontrar a resposta clara para essas três questões cruciais. Por outro lado produziram em mim um tão enorme entusiasmo e uma tão grande fé e confiança no futuro, que me atrevo a vir aqui divulgar uma visão breve e simplificada do mesmo.
Não se trata de apresentar uma nova religião com rituais, clero hierarquizado, dogmas e ortodoxia, mas sim de esquematizar: uma cultura abrangente com carácter filosófico, método científico e objectivos morais.

PRIMEIRA NOÇÃO ESSENCIAL

O espiritismo baseia-se no conhecimento do contacto com o mundo dos espíritos, ou seja, na COMUNICAÇÃO COM O OUTRO LADO DA VIDA, numa abordagem cultural integralmente liberta de  dogmatismo.
Essa comunicação efectua-se, conforme o que está dito mais abaixo, através de um sentido especial de que só são dotadas certas pessoas, o sentido da MEDIUNIDADE.

A dificuldade em entender as características desse sentido especial resulta do facto de ser, ainda assim, bastante raro. E não é compreendido pela maioria, da mesma forma que não poderíamos entender o sentido da vista se fossemos cegos, ou o da audição se fossemos surdos.
Por falta de esclarecimento há até muitas pessoas que possuem esse dom e não têm consciência disso.
Sofrem de certas perturbações, por serem dotadas com o dom da mediunidade e andam a tomar comprimidos receitadas por psiquiatras SEM NECESSIDADE NENHUMA, sendo até prejudicadas por causa disso.

Se procurarem aconselhamento junto de pessoas conhecedoras (ver esclarecimentos mais adiante) poderão evitar tais problemas, visto que a mediunidade é um sentido como a vista ou o ouvido e se enquadra perfeitamente:
– nas LEIS DA NATUREZA;
– na realidade espiritual vivida por muitíssimas pessoas ao longo dos séculos e que permaneceram longe do estudo e do esclarecimento devido às mais diversas razões:

As religiões oficiais são sistemas DOGMÁTICOS de poder fortemente hierarquizado, sujeitam as pessoas a normas rígidas de rituais que se repetem sem esclarecimento concreto da realidade das coisas.
A sua acção tem-se mantido ao longo de séculos, reduzindo a noção de Deus a fórmulas acanhadas de visão quase antropomórfica, que tem conduzido inúmeros fiéis à descrença, quando não ao ateísmo.
Para esclarecer de modo elevado este tema recomendo a leitura da obra “Depois da Morte” de Léon Denis, senão por inteiro, pelo menos a primeira parte “Crenças e Negações”.
A ciência materialista e académica, de costas voltadas para a transcendência do Espírito,  a seu modo também inteiramente DOGMÁTICA, só aceita aquilo que vêem os olhos do corpo, aquilo que pode pesar-se numa balança ou que pode manipular-se na mesa dum laboratório, ignorando – ou fazendo orelhas moucas – ao facto de que toda a estrutura do espiritismo passa por uma abordagem com carácter científico,  fundamentado no método observativo e na experimentação aferida com toda a isenção e critério intelectual.

Em que é que se baseia o espiritismo?

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O espiritismo baseia-se fundamentalmente no conhecimento, devidamente metodizado há cerca de 160 anos, em Paris, por Hippolyte Leon Dénisard Rivail (aliás Allan Kardec) – Vidé também o Capítulo II – depois de estudados e coligidos os resultados de inúmeros contactos estabelecidos com o MUNDO DOS ESPÍRITOS, por intermédio de pessoas dotadas dos necessários dotes mediúnicos para esse efeito.

  • A colheita desses testemunhos não foi feita ao acaso, mas sim com metodologia aferida pelos mais rigorosos moldes de honestidade intelectual e o acompanhamento de observadores independentes;
  • resulta da convergência de multiplicidade de tais depoimentos feitos em lugares diferentes, através de individualidades que nada sabiam umas das outras e em ocasiões diferenciadas no tempo;
  • Muitas dessas comunicações tinham essencialmente propósitos de carácter informativo/formativo de importância universal e são compagináveis com a ciência e com os métodos de observação das LEIS DA NATUREZA;

Outras comunicações mediúnicas, que continuam a decorrer nos autênticos e legítimos Centros Espíritas de todo o mundo, são efectuados com propósitos de auxílio moral, esclarecimento de problemas sensíveis e solidariedade espiritual COMPLETAMENTE LIVRES DE PAGAMENTO MONETÁRIO.
Fique perfeitamente entendido que, nos autênticos e devidamente credenciados Centros Espíritas tais trabalhos são movidos com exclusivo objectivo de SOLIDARIEDADE FRATERNA, tendo produzido em imensidade de casos efeitos comprovadamente úteis para as pessoas neles participantes, de acordo com os mais honestos, concretos e comprováveis testemunhos.

Ainda a respeito da mediunidade:

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Tal faculdade, na grande maioria das pessoas, resulta apenas – o que já é muito
– numa percepção subentendida de coisas que connosco se passam (e que tantas vezes acabamos, inconscientemente, de designar como o nosso “6º sentido”):
– numa intuição secreta e disfarçada,  de causas e efeitos de que não temos consciência plena, mas que nos afectam seja de que maneira for.

O “psicológico”, a tristeza ou a alegria, os sentimentos depressivos, as quebras de ânimo, os entusiasmos ocasionais, a tão celebrada “inspiração” que nos anima, por vezes, são o combustível de acção e intervenção das pessoas sensíveis, dos artistas e criativos e de quase todos nós, de uma maneira ou de outra.
Tudo isso se encontra dependente desse território desconhecido a que continuamos ligados sem o saber, que não controlamos, mas que nos condiciona de muitas e variadas maneiras.
Nos casos das pessoas em que a MEDIUNIDADE é mais explícita e – melhor ainda – nos casos em que é orientada e estudada de modo cultural e cientificamente adequado, é uma ferramenta importante para conhecer coisas fundamentais, instrumento de intervenções de solidariedade e auxílio precioso, esclarecendo o verdadeiro destino do homem, o lugar e as circunstâncias de que derivamos e o caminho que nos resta percorrer.

Apresentação desta versão resumida do espiritismo:

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Este trabalho irá ser desenvolvido em capítulos sucessivos que irão sendo publicados aqui.
Escrito como está, corresponde àquela conversa sossegada e íntima que gostaria de ter com toda e qualquer pessoa que desejasse ouvir-me.
Lembrei-me de a escrever pensando num grande amigo que fez o favor de ter comigo uma conversa semelhante, mas sem ser por escrito: o Senhor Joaquim Inácio Zapata de Vasconcelos, tipógrafo, músico ensaiador do meu naipe no Orfeão de Leiria, o dos segundos tenores, há uns bons 60 anos!…
Considerem, por favor, que se trata de uma conversa entre amigos, ultrapassando a dificuldade formal e a extensão de alguns cursos de qualidade que existem na internet. Críticas e comentários, agradecem-se.

Ideias essenciais deste Capítulo:

Allan Kardec definiu o Espiritismo como sendo:
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“…uma ciência que trata da natureza, da origem e destino dos Espíritos, e das suas relações com o mundo corporal”.
“É ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que decorrem dessas relações”.
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Espiritismo – Capítulo 02

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O segundo capítulo desta nossa conversa vai tratar de dois assuntos:
I A REENCARNAÇÃO; por ser um aspecto fundamental de toda a razão de ser da ciência de observação que também é doutrina filosófica com consequências morais que se chama espiritismo.
II A construção metodológica do espiritismo da autoria de ALLAN KARDEC ; por ser um dado histórico já mencionado no Capítulo I.

I A REENCARNAÇÃO

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A reencarnação é o conceito de que o espírito, como princípio inteligente dos seres, vai acumulando experiência e conhecimentos, vai-se aperfeiçoando intelectual e moralmente, não apenas na fugaz oportunidade de uma existência neste mundo através do seu corpo, veículo material – cuja associação forma aquilo que os espíritas designam como alma.

O espírito regressa todas as vezes necessárias para que se enriqueça e alcance os necessários dotes da inteligência e as qualidades morais que lhe permitam avançar para outros horizontes de perfeição iluminada.

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O corpo físico, veículo transitório da eternidade do espírito
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O corpo físico, nessa ordem de ideias, não passa de um meio transitório, com durabilidade dependente de factores os mais diversos – inclusive dos que dependem de acidentes que ocorrem por aparente fatalidade.
O progresso dos Espíritos processa-se, sempre no sentido ascendente, isto é sem regressões, até um ponto de aperfeiçoamento que os liberta da sucessão das vidas.
Desses Espíritos (e usamos aqui o critério do uso de maiúsculas esclarecido por Allan Kardec em “O Livro dos Espíritos”), só regressam à vida aqueles que, por generosa abnegação, se dispõem – de acordo com decisões tomadas a níveis superiores – a servir de guias orientadores da humanidade que habita este nosso mundo que é caracterizado, na hierarquia respectiva, como mundo de “expiação e de provas”.
Este é o caso do planeta Terra, entre o incontável número de mundos igualmente habitados por todo o Universo, cada um deles servindo a seu modo, de conformidade com o seu nível, os desígnios do Criador,

“…A doutrina da REENCARNAÇÃO, que consiste em admitir para o ser humano muitas existências sucessivas, é a única que corresponde à ideia que fazemos da justiça de Deus, para com os que se encontram colocados numa condição moral inferior, a única que pode explicar o nosso futuro e fundamentar as nossas esperanças, dado que nos oferece o meio de redimir os nossos erros através de novas provas. A razão assim nos diz, e os Espíritos nos ensinam.…”
In “O Livro dos Espíritos” comentário de Allan Kardec à pergunta 171..

Sem admitirmos a REENCARNAÇÃO, nada faz sentido no mundo e na natureza das nossas vidas como consequência inteligente de uma causa inteligente que garanta a todos os seres um futuro de evolução e aperfeiçoamento em condições de perfeita igualdade.

O espiritismo serve-se da sua cultura, e do exercício da mesma, para comprovar – mediante a “ciência de observação” que de facto é – essa antiquíssima teoria, comum a uma grande variedade de concepções históricas do mundo e da vida, inclusivamente a que vigorava na contemporaneidade de Jesus e que se manteve nos “textos sagrados” até ao segundo Concílio de Constantinopla no ano 553 e de onde foi retirada por determinantes ilegítimas que conduziram à adulteração dogmatizante da mensagem de Jesus de Nazaré.
O espiritismo não inventou a reencarnação, cujo conhecimento é tão antiga como a Humanidade.

Aliás, também o sentido orgânico da mediunidade é um fenómeno natural familiar e utilizado pelos mais diversos povos de todo o mundo desde a noite dos tempos.

Ambos são elementos de fundamentação e de prova da vida depois da morte, da pluralidade das existências – ou reencarnação, isto é, dos fundamentos principais da natureza e do funcionamento do mundo material e do mundo espiritual, e da interacção entre ambos.

A evolução de estudos conduzidos por todo o mundo a respeito da reencarnação e o alargamento dos conhecimentos científicos a seu respeito, já fizeram com que ingressasse na área de investigações académicas em importantes institutos científicos e universitários não-espíritas.
Dessa realidade, crescentemente tratada e divulgada em variadíssimos círculos já temos dado conhecimento nestas páginas.

A doutrina da criação da alma no instante do nascimento

De acordo com algumas concepções religiosas conhecidas, a alma é criada no instante do nascimento dos indivíduos, dando a uns o destino de imperadores, a outros o de pedintes; a uns a categoria de intelectuais de valor, a outros a de analfabetos
Algumas pessoas têm prestações excelentes e gloriosas, de acordo com a sua inteligência superior, outros arrastam-se na carência de meios e na inferioridade moral. Uns são abnegados e justos, outros arrogantes e desrespeitadores, praticamente desde a mais tenra idade. Como se o Criador tivesse como método natural criar almas de primeira, de segunda, etc.

A desigualdade de destinos que isso pressupõe, ao fim de apenas uma existência terrena, às vezes muito curta e muito acidentada, não é compreensível perante as perspectivas de evolução equivalente a que todas as pessoas têm direito.

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A admissão de apenas uma existência também não explica um grande número de factos notáveis da nossa mente, como as pré-aquisições, a memória intuitiva de factos inexplicáveis, a sensação do “momento já vivido”, as crianças prodigiosas que nascem com dotes surpreendentes e impossíveis de enquadrar na realidade simples e toda a infinita assimetria de capacidades e particularismos das condições de vida de cada um.

A intuição sensível dos artistas e o “pecado original”

Dos génios pintores e poetas, por exemplo, toda a gente entende que a sensibilidade e os saberes que tão bem dominam não foram “aprendidos” em lado nenhum. Há visões e percepções na criação artística que surgem “naturalmente” NÃO SE SABE DE ONDE.
Todas essas realidades como muitas outras que dizem respeito à natureza intuitiva da Humanidade, às suas qualidades sensíveis e à sua profunda memória, em evidência em todos os seres, mesmo nas crianças de tenra idade, se encontram devidamente explicadas e justificadas no contexto de justiça e de igualdade de direitos que pode entender-se considerando a tese da sucessão das vidas ou da pluralidade das existências.
O que seria do ser humano, do seu génio, da sua criatividade, do seu desejo de futuro e de progresso, se todos fossemos criados a partir do nível zero de conhecimentos, de sensibilidade e de memória afectiva e cultural?
E a maldade, o vício e a violência, perguntará o leitor. Sim tudo isso faz parte do Universo criado e das contingências dependentes do ilimitado e consciente livre arbítrio de que fomos dotados pela inteligência superior que criou todas as coisas.
Mais uma razão ponderosa para estudarmos com atenção a doutrina emancipadora e luminosa dos Espíritos que também a respeito disso, como da imensidade de outras coisas, nos esclarecerá com razões lógicas e comprováveis.

Quanto ao pecado original, muito haveria para dizer, mas basta delinear as contradições sem sentido que imporia a todos os seres humanos uma condenação antecipada, ou teoria da queda, que tem como única razão o simples facto de terem nascido.
Nasceste, como tal já és culpado!.. Que absurdo lamentável!…

As religiões dogmáticas declaram-se únicas detentoras da faculdade de libertar os seres desse pecado, através do baptismo, evidentemente. É uma sujeição abusiva e destinada a cimentar o seu poder.
Há dias, ouvi um sacerdote que celebrava um ofício de defuntos, dizer publicamente numa igreja que “fulano”, o falecido, tinha tido muita sorte, porque fora baptizado conforme preceito de catecismo da sua religião.
Por isso se transformara “em filho de Deus”. Por isso poderia “ir para o Céu”!…
Perguntei-me, mergulhado em espanto, qual é a ideia que aquela autoridade religiosa alimenta na sua mente e na sua consciência a respeito dos milhares de milhões de pessoas, seres humanos, que não foram baptizados na “sua igreja”?
Só de pensar que o infeliz julga que todos eles NÃO SÃO FILHOS DE DEUS, me faz rezar por ele uma prece, pedindo que se lhe abra o entendimento e que os bem intencionados fiéis que o procuram não fiquem com esse mau conceito do seu Criador, que os elege só a eles como privilegiados filhos de Deus, mas só se tiverem sido baptizados naquela ( E SÓ NAQUELA!…) Igreja.
Seria, só de pensá-lo, um grave atentado ao mínimo sentido da bondade e da justiça divina.

E é nestes pressupostos que se baseou a dominação de povos inteiros, com guerras, cruzadas dentro e fora dos países e das culturas, injustiças medonhas, inquisições, perseguições, torturas e assassinatos bárbaros, durante praticamente dezassete séculos.
Será que foram eliminadas no mundo todas as consequências de tão abomináveis alienações?

A evolução em regime de igualdade universal

A chocante variedade de destinos que acima se refere tem sido, ao longo de toda vida, motivo de crises existenciais sem fim, arrastando ao descrédito uma concepção da vida sem projecto inteligente respeitador de todos os seres e das suas legítimas aspirações.
Os incrédulos estribam-se nesse tipo de razões para desacreditarem a tese da existência de um Deus criador que a uns dá o corpo de beldades e mentes de inteligência genial e a outros dá o corpo retorcido do sofrimento informe e a mente entorpecida do tresloucado.

O espiritismo inclui a visão racional de todo esse tipo de circunstâncias, que pode comprovar mediante o exercício do “diálogo entre humanidades”, servindo de guia e amparo substancial a todos os sofredores e de estímulo de aperfeiçoamento a todos os que não forem muito bem sucedidos, conforme as justificáveis circunstâncias e apenas temporariamente.

Se é importante a primeira das ideias, a de amparo dos menos felizes, enfermos ou aparentemente deserdados, muito importante também é orientar os beneficiados por um quadro de vida pleno de felicidade e favores do destino – em direcção a atitudes conscientemente justas, modestas e solidárias para com todos os seus semelhantes.
As informações disponíveis a respeito deste assunto esclarecem devidamente a longa marcha dos espíritos para aprender, melhorar e aperfeiçoar-se até atingir a clarividência e a plenitude dos Espíritos de Luz.


II – A construção metodológica do espiritismo da autoria de Allan Kardec

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O ordenamento metódico e sistemático dos conhecimentos espíritas foi feito há cerca de 160 anos, em Paris, por Hippolyte Léon Denizard Rivail (que adoptou o pseudónimo de Allan Kardec).
Nascido em 1804 e falecido em 1869, foi um prestigiado pedagogo e homem de ciência (discípulo de Johann Heinrich Pestalozzi ver a Nota final nº 67 da nossa tradução de “O Livro sos Espíritos” à disposição de todos os leitores nestas páginas) que lançou mão dos recursos da sua formação académica para dar início a uma investigação metódica de algo que nessa época surpreendia a França e variados círculos espalhados pelo mundo.
No agitado universo de profundas transformações de meados do século XIX, largo número de interessados se mobilizava em torno de manifestações surpreendentes, cujos contornos não se conheciam devidamente: o fenómeno das comunicações espíritas, cuja ocorrência – por numerosa e evidente – não podia deixar as pessoas indiferentes.
A sistemática ordenação metodológica foi feita a partir da recolha de elementos colhidos por vários grupos de investigadores e o professor Hippolyte Léon foi convidado por um amigo seu, que com ele se dedicava ao estudo do magnetismo humano (o Senhor Fortier), para coligir o conteúdo de perguntas e respostas de um famoso conjunto de cinquenta cadernos com notas tomadas em múltiplos círculos de reuniões espíritas.

O espiritismo foi, portanto – e continuará a ser – obra de uma colectividade de seres que, em plena independência e liberdade, se dão as mãos na construção de um novo horizonte de esperança e evolução para toda a humanidade.

É a uma nova visão do mundo e do homem como ser espiritual dirigido por princípios inteligentes e destinados a uma evolução sem fronteiras.
Tais objectivos são para dar frutos futuros e também poderão contribuir para uma acentuada evolução positiva do nível de entendimento e do progresso espiritual no mundo em que habitamos.
Pressupõem uma vivência e uma partilha de valores como jamais tinha havido na História e corresponde ao levantar da esperança e de progresso para toda a humanidade, que coroa as melhores conquistas da era moderna.

Anexo I

De acordo com Allan Kardec, no Capítulo I da sua obra “A Génese”, três foram as grandes revelações da Lei de Deus: A primeira representada por Moisés; a segunda por Jesus de Nazaré e a terceira a que foi efectuada pelo Espiritismo.
Do ponto de vista de uma revelação religiosa, o Espiritismo apresenta algumas características muito específicas:

a) Estruturação Colectiva:
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“…as duas primeiras revelações, sendo fruto do ensino pessoal ficaram forçosamente localizadas, isto é, apareceram num só ponto, em torno do qual a ideia se propagou pouco a pouco; mas foram precisos muitos séculos para que atingissem as extremidades do mundo, sem mesmo o invadirem inteiramente. A terceira tem isto de particular: não estando personificada num só indivíduo, surgiu simultaneamente em milhares de pontos diferentes, que se tornaram centros ou focos de irradiação.”
A Génese, Allan Kardec
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b) Origem Humano-Espiritual:

O Espiritismo tem uma dupla origem:
espiritual dado que a sua estrutura doutrinária foi em grande parte ditada por Espíritos superiores e, por isso, tem sido considerado uma revelação;
e humana, dado que foi e continua sendo enriquecido e trabalhado por espíritas cultos e dedicados que dão o melhor de si no seu aperfeiçoamento.

c) Carácter Progressivo:

A ordenação cultural espírita, apoiando-se em factos, tem de ser, e não pode deixar de ser, essencialmente progressiva como todas as ciências de observação.

“Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará.”
A Génese, Allan Kardec; cap I ,it 55
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Anexo II

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O ESPIRITISMO

  • Parte originariamente dos ensinamentos conhecidos de Jesus de Nazaré, Espírito muito antigo de elevadíssimo nível evolutivo, mas filho de Deus como nós mesmos e que nos é proposto em “O Livro dos Espíritos” como modelo de virtudes morais; Os ensinamentos conhecidos de Jesus de Nazaré e que foram levados em conta por Allan Kardec, estão devidamente esclarecidos na sua obra “O Evangelho segundo o Espiritismo”;
  • Revela a origem e a natureza mundo espiritual e suas relações com o mundo material;
  • Levanta o véu dos “mistérios” do nascimento e da morte;
  • O espírita sabe de onde vem, porque razão está na Terra, porque motivos sofre, qual é o seu destino e a razão de existir;
  • Nos princípios e claramente apresentados pela sua cultura filosófica com objectivos morais, vê em tudo e por toda a parte a justiça de Deus;
  • Sabe que alma progride incessantemente, pela pluralidade das existências, até atingir o grau de perfeição que o aproxima de Deus;
  • O espírita toma conhecimento da pluralidade dos mundos habitados;
  • Descobre o livre-arbítrio;
  • É demonstrada a existência do perispírito, cuja natureza e propriedades são de fundamental importância;
  • Todos estas aquisições científico-filosóficas se encontram devidamente ordenadas e esclarecidas nos restantes quatro livros da autoria de Allan Kardec: “O Livro dos Espíritos”, “O Livro dos Médiuns”, “A Génese” e “O Céu e o Inferno”.
A nossa época e o privilégio da informação fácil; PRECAUÇÕES ACONSELHADAS

A clarificação de horizontes tão empolgantes como os que se descrevem, solicitam evidentemente grande número de esclarecimentos.
O objectivo desta visão resumida do espiritismo e da sua doutrina, tem como único propósito falar com toda a abertura e muito sinteticamente a todos aqueles que têm tido a curiosidade, mas não ousaram aproximar-se com mais cuidado e atenção.
Meios, documentos e elucidação mais completa é o que não falta, desde logo na enorme rede de relacionamentos que é a internet.
Para fazer essa buscas é importante ter cuidado e usar das necessárias precauções de natureza cultural, porque nem todos bebem nas melhores fontes.

Aqui se propõe aos interessados uma cautela permanente e, na dúvida, devem ter como fonte original de conhecimentos o estudo cuidadoso, metódico e a profundado das obras da autoria de ALLAN KARDEC, profundamente documentada nas suas restantes obras, nomeadamente na sua REVISTA ESPÍRITA, publicada por ele mesmo durante 11 anos.

Espiritismo – Capítulo 03

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. desenho lápis de cor sobre papel – cb 2010

DE HIPPOLYTE LÉON DENIZARD RIVAIL A ALLAN KARDEC

O conhecimento do exemplo de vida e dedicação intelectual de Hippolyte Léon/Allan Kardec é um estímulo valioso para qualquer um de nós.
A enorme virtude que teve, foi o de estar atento, disponível, e de actuar de acordo com o que via com os olhos da inteligência sensível. Não se deixou levar na corrente destrutiva do materialismo imediato e foi premiado com a descoberta de uma das ideias mais extraordinariamente libertadoras da era moderna: o conhecimento certificado da origem e do destino do homem enquanto ser ligado à transcendência.
Hippolyte Léon/Allan Kardec, abriu resolutamente a cortina que escondia a nossa “sala comum” da entrada franca da luz do Sol, ou mais além, da Luz-Luz!…
Só não sabe quem não quiser ser informado.
Só não acredita quem não se consentir uma hora de atenção e diálogo.
No estado actual dos conhecimentos, a percepção e a intimidade com a transcendência já não é uma questão de fé subjectiva ou de predestinação casual: É uma questão de querer saber e ser informado.
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Hippolyte Léon Denizard Rivail/Allan Kardec (1804-1869)

Neste terceiro capítulo vamos falar um pouco sobre Hippolyte Léon Denizard Rivail, o homem que mais tarde veio a ser conhecido por Allan Kardec, tendo por base uma obra da autoria de Henri Sausse, considerado o seu mais importante biógrafo.
Não ignorei também o trabalho de um outro biógrafo, muito mais recente, André Moreil, sobre cuja personalidade não se encontram dados disponíveis na internet e cujas obras terão sido publicadas, de acordo com as referências mais antigas que encontrei, a partir de 1961.

Hippolyte Léon, aquele que não cuidou de poder nem de imagem para a posteridade

Enquanto Hippolyte Léon, e muito menos como Allan Kardec, não foi uma personalidade que tenha gasto tempo a notabilizar-se a si próprio, contrariamente ao que acontece com aqueles que parecem obcecados pela acumulação dos fugazes vestígios que irão deixar neste mundo.
Não registou impressões suas que constituíssem “curriculum vitae”, não fez considerandos subjectivos que não fossem ao essencial dos temas que ocupavam a sua mente e, muito menos, criou uma qualquer fundação ou museu com o seu próprio nome.
Tendo sido uma pessoa perfeitamente normal, como qualquer de nós, ou seja: nem santo nem profeta, o seu percurso em direcção ao esclarecimento das causas fundamentais da origem e razão de ser do homem como ser espiritual tem uma exemplaridade tão notável que constituem – conforme será possível demonstrar factualmente – um marco essencial na evolução presente e futura da humanidade.

A aceitação da validade e da importância do trabalho de Allan Kardec não se coloca no plano da fé, no facto de acreditar ou de não acreditar em coisas vulgarmente consideradas – e de forma errónea – misteriosas e vagas. Situa-se unicamente no plano da vontade do esclarecimento de factos identificados com a observação experimental, hoje exemplarmente esclarecidos por estudiosos do mais notável prestígio e autoridade.
Depende da coragem intelectual de enfrentar realidades claríssimas de grande actualidade, mas com as suas raízes profundamente lançadas na antiguidade histórica e antropológica.

O que é de salientar à partida é que Hippolyte Léon, ele próprio;

• viveu a maior parte de sua vida sem que tenha existido o espiritismo na sua cabeça;
• a codificação do mesmo resultou de um conjunto de razões e de factos que se impuseram à sua consciência científica e cultural, depois de ter começado a estudá-los, a pedido e por insistência de amigos seus;
• verificando-se a circunstância concreta de que, para a sua anterior formação, tais fenómenos tinham um carácter estranho e até francamente duvidoso.

A determinação de Allan Kardec em abordar “os fenómenos” que lhe foram recomendados por amigos surgiu, é preciso acentuar-se, já depois de ter atingido os cinquenta anos de idade.
Note-se que nessa altura o marco dos cinquenta era uma idade muito mais madura do que é agora devido à mudança do tipo de vida e à esperança de longevidade muito mais alargada.
Isto para além de que, sendo a sua cultura perfeitamente académica, positivista mesmo, a uma primeira solicitação para estudar “uns certos fenómenos magnéticos” que lhe foi feita por um amigo que se chamava Fortier, a resposta dele foi pouco entusiástica, mesmo francamente dubitativa.

As origens, a família e as circunstâncias históricas em França

Cerftif naiss
certidão de nascimento de Denisard Hypolite Leon Rivail. Notar a forma um pouco estranha como se encontra redigido o nome, com acentuadas diferenças relativamente aos nossos hábitos e ao modo como é geralmente identificado.

A sua infância e juventude têm sido resumidas de forma muito diferente da realidade, como filho de gente de boa sociedade e haveres, residente em Lyon com um pai juiz bem instalado que o teria mandado estudar para um colégio prestigiado na Suiça.
Nada mais irreal e fantasioso do que de facto sucedeu.
Seu pai, que não chegou a dar o nome a sua mãe, foi alistado nas tropas de Napoleão, era Hipólito Leão muito menino. Quem o levou para a Suiça foi sua mãe,  dado que o ambiente em França era caracterizado por uma instabilidade enorme, com imensas hipóteses de trágicos acontecimentos.

Não uma simples “crise”, mas conflagrações sociais medonhas que fizeram de todo o século XIX, em França como no resto da Europa, um cenário de violências, guerras, miséria e instabilidade.
Do lado positivo dos acontecimentos registaram-se avanços e progressos notáveis, apesar de tudo. A cultura, a arte e as ciências avançaram extraordinariamente em inúmeros domínios, sendo pena que regimes arrogantes e insensíveis tenham permanecido alheios ao sofrimento dos povos, presos às paixões materialistas, à cupidez egocêntrica e a uma insaciável sede de poder.
Guerras entre estados, revoluções e contra revoluções, amotinações dos desesperados e dos desvalidos reprimidas com mão de ferro, prisões e fuzilamentos, fazem com que este século não tenha constituído uma excepção no conjunto de tantos séculos igualmente saturados da sem razão das guerras, da injustiça e da má distribuição das riquezas.

Já no fim do século dezoito haviam ocorrido factos poderosamente transformadores da ordem e do sistema vigentes (com a Revolução Francesa), e todo o período subsequente, sem esquecer o primeiro império e as guerras napoleónicas, tão devastadoramente trágicas para tantos milhares de vítimas, pese muito embora o efeito das transformações sociais e culturais que arrastaram consigo.

Em 1848 houve milhares de prisões e um número indeterminado de cidadãos foram fuzilados em Paris; em 1851, de novo barricadas em Paris com fuzilaria e muitos mortos e execuções; em 53 a França declara guerra à Turquia e à Rússia, com tudo o que isso envolve para o povo combatente e tributário, sem falar de uma longa lista de missões francesas de colonização e conquista e outros conflitos coroados pela guerra franco-prussiana em 1870, com uma vastíssima a invasão da França e o cerco de Paris, seguido da sublevação da Comuna afogada em sangue durante a “semana sangrenta” (cerca de 30 mil mortos, um número suposto jamais confirmado visto que os combatentes eram anónimos cidadãos que se haviam amotinado, cansados da sua miséria).

Gravura ilustrando um dos inúmeros fuzilamentos de populares amotinados que tomaram parte no conhecido episódio histórico da “Comuna de Paris”, que é dado como uma das consequências da guerra franco-prussiana, em 1870. De salientar, entretanto, que as condições de vida da imensa maioria dos trabalhadores, nessa época, assumiam aspectos da mais dramática miséria e falta de justiça social. Foi muito desse povo que engrossou o número daqueles que seguiram com esperança e fé os ensinamentos propagados na altura pela pela mensagem espírita propagada pela obra de Allan Kardec.

A eclosão do espiritismo teve lugar durante o período chamado do Segundo Império de Napoleão III, de 1852 à 1870. Este mesmo homem de estado, primeiramente eleito presidente da república e logo depois auto-consagrado como imperador e o “préfet Haussmann” renovaram de modo espectacular o urbanismo parisiense, tendo inovado com a abertura dos larguíssimos “Grands Boulevards” e das praças vastíssimas.
De visita à “cidade luz”, qualquer guia turístico vos dirá, contudo, que um dos propósitos dessa medida formidável que fez da capital da França aquilo que ela é, seria o de abrir espaços amplos por onde esquadrões de cavalaria pudessem carregar sobre cidadãos amotinados pela fome, e regimentos de artilharia pudessem esfrangalhar à bomba as trágicas barricadas populares, celebradas no luto de milhares em muitas cantigas de camisardos tornadas conhecidas pelos piores motivos.

Estampa popular ilustrando o cerco e o bombardeamento de Paris pelos exércitos da Prússia

Basta dar uma pequena vista de olhos pelos compêndios de história e mergulhar na leitura dos monumentos literários da época, tais como, por simples exemplo, “Os Miseráveis” de Victor Hugo – artista e grande herói da França – notório adepto do pensamento espírita e mentor de reuniões mediúnicas que a história abundantemente documenta.
O esclarecimento das características sociopolíticas e culturais vigentes durante todo esse século foram de uma complexidade impossível de abordar aqui, sendo entretanto indispensável referir que eram muitíssimo adversas ao estudo e à divulgação de ideias estranhas ao regime, de que o poderosíssimo catolicismo fazia parte.
Certos estavam aqueles avisos e considerandos que foram conscienciosamente feitos por Hyppolite Léon, no que toca às imensas dificuldades, azedumes e perseguições de que iria ser vítima, obstáculos que – tendo iniciado a tarefa a que entretanto se propôs – não enfraqueceram em nada o seu ânimo, antes pelo contrário.

A cronologia dos acontecimentos a partir da juventude

1823, o interesse pelo magnetismo

Ainda muito novo, pelos 19 anos (1823), um dos assuntos de exploração científica que motivou o jovem Hippolyte Léon, era o magnetismo, as fases do sonambulismo e todos os mistérios adjacentes, conforme esclareceu muito mais tarde, em Março de 1858, a pgs. 92 da Revue Spirite.

«…O magnetismo preparou o acesso ao espiritismo, e os rápidos progressos desta doutrina devem-se incontestavelmente à vulgarização das ideias daquele.
Dos fenómenos do magnetismo, do sonambulismo ao êxtase próprio das manifestações espíritas não dista senão um passo; a ligação é tal que, por assim dizer, é impossível falar de um sem falar do outro.
Se tivéssemos que nos manter afastados da ciência magnética, o quadro ficaria incompleto e seríamos comparáveis a um professor de física que se abstivesse de falar da luz.
Todavia, como o magnetismo já possui entre nós entidades devidamente acreditadas, seria desnecessário insistir num assunto tratado com a superioridade do talento e da experiência; não falaremos nele senão de modo acessório, o suficiente para mostrar as íntimas relações das duas ciências que, na realidade, não passam de uma só…”.

Porém, conforme nos diz Henri Sausse:

“…Não nos antecipemos; a conclusão final não fora ainda atingida. Allan Kardec não tinha encontrado ainda a via que o conduziria à imortalidade…”.

1854 – a maturidade e a proposta do Senhor Fortier

Em 1854, uma das pessoas que como ele se interessava pelos fenómenos do magnetismo, o Senhor Fortier, falou-lhe no caso das mesas girantes que “falavam”. A resposta que lhe deu o professor Rival ficou registada para o futuro de forma explícita, para que não restassem dúvidas quanto à sua atitude céptica que tais fenómenos lhe inspiravam:

«…Acredito quando puder ver, quando me tiverem dado provas de que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que pode tornar-se sonâmbula. Até lá permita-me que veja nisso apenas uma historieta para fazer dormir de pé…».

(NOTA: Antes da adopção pelos espíritas do termo “médium” utilizava-se a expressão “sonâmbulo”, oriundo dos estudos sobre o magnetismo, para designar as pessoas que, num estado hipnótico, evidenciavam uma sensibilidade excepcional ou comportamentos fora da sua personalidade habitual.).

Nos dois anos seguintes iria desenrolar-se uma enorme quantidade de observações e de experiências que iriam mudar a face dos conhecimentos relativos ao espírito, à origem e ao destino da humanidade e que correspondem ao aparecimento de uma nova cultura, cujo ressonância vibra no coração e na mente de todos nós: a cultura espírita.

1855 – Carlotti, Fortier, a Senhora Plainemaison e muitos outros

A partir daqui vale a pena citar as próprias palavras de Allan Kardec:

« …No ano seguinte (começos de 55) encontrei Carlotti, um amigo de 25 anos, que me ocupou durante mais de uma hora a respeito do fenómeno das “mesas falantes”», com o entusiasmo que dedicava a todas as ideias novas.
Falou-me, antes de mais, na intervenção dos espíritos, o que aumentou as minhas dúvidas.
– O meu amigo será um dia dos nossos, asseverou.
– Veremos isso mais tarde, retorqui.
Pelo mês de Maio, estando em casa da Senhora Roger com Fortier, seu magnetizador, encontrei o Senhor Pâtier e a Senhora Plainemaison, que me falaram dos mesmos assuntos que abordara Carlotti, mas num tom completamente diferente.
Pâtier era funcionário público de certa idade, grave, frio e calmo. A sua linguagem ponderada, livre de entusiasmos, impressionou-me bastante e resolvi aceitar com empenho o convite que me fez para assistir às experiências que eram feitas em casa da Senhora Plainemaison.

Foi lá, pela primeira vez, que fui testemunha do fenómeno das “mesas girantes”, em condições tais que não havia lugar a dúvidas.
Assisti também a alguns ensaios muito imperfeitos de escrita «medianímica» feita numa ardósia por meio de uma cestinha.
As minhas ideias não se encontravam definidas, mas um facto de tal natureza devia ter necessariamente uma causa. Por detrás daquelas aparentes futilidades e daquela espécie de brincadeira, descortinei algo de sério, como que a revelação de uma nova lei que prometi aprofundar.

Num dos serões da Senhora Plainemaison conheci a família Baudin, que me convidou a assistir a uma das suas sessões semanais, das quais passei a ser visita assídua.
Foi lá que fiz os meus primeiros estudos sérios de espíritismo, ainda não tanto pelas revelações como pelas observações…”

A dúvida metódica e o método da experimentação

“…Apliquei a esta nova ciência, tal como costumava fazer até então, o método da experimentação.
Nunca estabeleci teorias preconcebidas, observava com atenção, comparava e deduzia as conclusões; Procurava encontrar para os efeitos as respectivas causas, pela dedução, e pelo encadeamento lógico dos factos, não assumindo como válida uma explicação senão quando ela esclarecia todas as dificuldades da questão.

Era assim que tinha procedido sempre nos meus trabalhos anteriores, desde a idade de quinze ou dezasseis anos.
Estava consciente, antes de mais, da seriedade da exploração que ia levar a cabo.
Entrevi no seio dos fenómenos estudados, a chave do problema tão profundo e controverso do passado e futuro da humanidade, cuja solução tinha buscado toda a minha vida: era, numa palavra, uma revolução de ideias e de crenças.
Era por isso necessário agir com ponderação e profundidade; ser positivista e não idealista, para não embarcar em ilusões.
Um dos resultados das minhas observações foi de que os espíritos, sendo as almas dos homens, não possuem a sabedoria plena nem a ciência esclarecida;
O seu saber depende do seu grau de evolução e a sua opinião só tem o valor de uma opinião pessoal.

Esta verdade, reconhecida desde o princípio, livrou-me do grave inconveniente de acreditar na sua infalibilidade e impediu-me de formular teorias prematuras baseado na opinião de um só ou de vários testemunhos.

O facto de existir uma comunicação com os espíritos, dissessem eles o que dissessem, provava por si só a existência de um mundo invisível envolvente.

Esse facto já era de importância capital, um campo imenso aberto às nossas explorações, a chave de uma multidão de fenómenos inexplicáveis;
O segundo ponto, não menos importante, era conhecer o estado desse mundo, os seus costumes, se assim se pode dizer;

Depressa concluí que cada Espírito, em função da sua posição pessoal e dos seus conhecimentos, me revelava uma faceta, tal e qual como quando se procura conhecer o estado de um país interrogando os habitantes de todas as classes e de todas as condições, cada qual podendo ensinar-nos algo, sem nenhum poder, individualmente, ensinar-nos tudo;

É ao observador que compete formar o quadro geral com a ajuda de documentos recolhidos de fontes diversas, comparados, conjugados e controlados uns pelos outros.
Agi portanto com os Espíritos do mesmo modo como teria feito com os vivos; foram para mim, desde o mais modesto ao mais notável, meios de me informar e não reveladores predestinados…”

Henri Sausse prossegue:

“…Conforme sabemos convém acrescentar que, de início, o Senhor Rivail, longe de ser um entusiasta destas manifestações e, absorvido por outros afazeres, esteve a ponto de abandonar o seu estudo.
O que teria feito sem as empenhadas solicitações de Carlotti, René Taillandier – membro da Academia das Ciências, Tiedeman-Mantèse, Sardou pai e filho, e Didier, editor, que há cinco anos seguiam o estudo destes fenómenos e que tinham reunido cinquenta cadernos de comunicações diversas que não haviam conseguido ordenar de forma adequada.

Conhecedores do raro espírito de síntese de Rivail, entregaram-lhe esses cadernos pedindo-lhe que tomasse deles conhecimento e que organizasse devidamente o seu conteúdo.
Era um trabalho árduo que exigia muito tempo, em função das lacunas e da obscuridade das comunicações, e o enciclopédico conhecedor que era Rivail recusou uma tão absorvente como cansativa tarefa, em nome de outras que tinha entre mãos…»

1856-57 – o “surgimento” de Allan Kardec e a primeira edição do “livro dos Espíritos”

Rivail toma em mãos a tarefa para a qual fora convocado, analisa o conteúdo da enorme quantidade de comunicações mediúnicas que tinha ao seu alcance, fez todas as anotações necessárias, eliminou as repetições, ordenou as matérias em registo, além de ter identificado as lacunas e pontos duvidosos, preparando questões específicas para esclarecer em comunicações futuras.

Ainda ele próprio:

«…até então, as sessões em casa do Senhor Baudin não tinham nenhum objectivo determinado.
O que levei a cabo então foi esclarecer os problemas que me interessavam do ponto de vista filosófico, psicológico e da natureza do mundo invisível;
para cada sessão preparava um conjunto de perguntas metodicamente ordenadas, as quais sempre obtinham respostas precisas, aprofundadas e de sentido lógico, donde a modificação completa do carácter de tais reuniões.
Estas eram, além disso, presenciadas por pessoas sérias e vivamente interessadas. Se por acidente faltava a uma reunião, os assistentes ficavam como que perdidos, perdendo sentido para a maioria a futilidade das questões.

O meu intento não era o da minha própria aprendizagem; mais tarde, quando senti que o conjunto de noções disponível formava conjunto e tomava as proporções de uma doutrina, pensei publicá-las para elucidação geral.
Foi esse conjunto de ideias, sucessivamente desenvolvidas e completadas, que constituiu a base de «O Livro dos Espíritos…».

Em 1856 Rivail seguiu as reuniões que se realizavam na Rua Tiquetonne, na casa do Senhor Roustan (não confundir com advogado Jean-Baptiste Roustaing, de Bordéus, promotor do gravoso “cisma roustainguista”, de que teremos de falar mais tarde) com a presença da Mademoiselle Japhet, médium, que trabalhava ainda pelo processo da cesta que produzia, aliás, comunicações muito interessantes. Essas sessões foram dirigidas no sentido de controlar as noções anteriormente organizadas.

Allan Kardec esclarece:

«…A verificação feita desse modo não me satisfazia ainda de acordo com a recomendação que recebera dos Espíritos. As circunstâncias tinham-me posto em contacto com outros médiuns e, cada vez que a ocasião se apresentava, fazia perguntas de modo a resolver as questões mais espinhosas.
Deste modo houve mais de dez médiuns a colaborar na realização desta tarefa. É da comparação e da combinação de todas essas respostas, devidamente ordenadas e muitas vezes cruzadas no silêncio da meditação, que redigi a primeira edição do « Livro dos Espíritos » publicado no dia 18 de Abril de 1857… »

Publicada sob a autoria do seu pseudónimo a obra conheceu um sucesso tal que se esgotou em pouco tempo. No ano seguinte houve uma reedição revista e largamente aumentada.
Houve nova edição em Abril de 1860, outra em Agosto de 1860, outra ainda em Fevereiro de 1861 ou seja, três edições em menos de um ano,

OLE Fr marg

 

1858, a “Revue Spirite”

Pressionado pelos acontecimentos e pelos documentos que tinha na sua posse, Allan Kardec – com razões fundamentadas no sucesso do « Livro dos Espíritos » –concebeu o projecto de criar um jornal espírita, para o que se dirigiu ao Senhor Tiedeman em busca de apoio financeiro, o que este recusou.
Consultou por isso os seus guias espirituais, por intermédio do médium Senhora E. Dufaux, tendo-lhe sido dito que lançasse mãos à obra, sem se inquietar com nada.

O primeiro número saiu no dia 1 de Janeiro de 1858, à sua exclusiva responsabilidade, não tendo tido que se arrepender, dado que o êxito da iniciativa ultrapassou de longe todas as expectativas.
Esta tarefa iria ampliar-se, tanto no que toca ao trabalho como às responsabilidades, em luta contra toda a sorte de entraves, obstáculos e perigos. À medida que isso sucedia ia também aumentando a sua coragem e determinação, o que produziu frutos durante onze anos de publicação da «REVUE SPIRITE» cujo bom acolhimento e cujos conteúdos constituem um marco histórico de toda a importância no devir e no alargamento das conquistas da doutrina dos Espíritos.

Em 12 de Junho de 1856 havia-lhe sido feita uma comunicação mediúnica do ESPIRITO DA VERDADE, seu guia, por intermédio do médium Mademoiselle Aline C., para as enormes dificuldades e campanhas negativas que iria ter de enfrentar ao longo do cumprimento da sua tarefa.
Dez anos depois, diria Allan Kardec a esse respeito :

«…Escrevo esta nota no dia 1 de Janeiro de 1867, dez anos e meio depois dessa comunicação me ter sido feita, e concluo que ela se concretizou em todos os detalhes, dado que sofri todos as vicissitudes nela indicados.
Fui ameaçado pelo ódio de inimigos encarniçados, à injúria, à calúnia, à inveja e ao ciúme; libelos infames foram publicados contra mim; as minhas melhores indicações foram desvirtuadas; fui traído por aqueles em quem tinha depositado toda a confiança, e recebi a ingratidão como pagamento de serviços prestados.
A «Société de Paris» foi um alfobre de contínuas intrigas urdidas por aqueles que se diziam do meu lado, que me faziam boa cara pela frente e me dilaceravam por detrás. Disseram que aqueles que tomavam o meu partido estavam subornados por mim com dinheiro que ganhava com o espiritismo.
Nunca mais tive descanso; mais do que uma vez sucumbi sob o excesso de trabalho, a minha saúde degradou-se e a minha vida foi prejudicada. No entanto, graças à protecção e à assistência dos bons espíritos que sem cessar me deram provas da sua solicitude, estou feliz por reconhecer que nem um só instante passei pelo desfalecimento ou pela falta de coragem, e que sempre persisti na minha tarefa com o mesmo ardor, sem me preocupar pela malevolência de que era objecto.
De acordo com a comunicação que havia recebido de parte do ESPÍRITO DA VERDADE, deveria contar com todas essas coisas, o que veio realmente a suceder…»

Estas e outras realidades, passados muitos anos, continuam a marcar o nosso quotidiano e as limitações e dificuldades daqueles que, honesta e generosamente, continuam a desejar o progresso moral da humanidade, o seu aperfeiçoamento espiritual e o bom viver que pressupõe a difusão da nossa doutrina.

1867, Léon Denis e… uma sessão à luz das estrelas

O segundo Império de Napoleão III reinou em França de 1852 a 1870 de forma autoritária e teve, além de muitos episódios dolorosos para o seu povo um fim catastrófico com o desastre da guerra franco-prussiana e a morte no exílio.
Para ilustrar o ambiente, apenas um pequeno incidente “normal” do que se passava na sociedade francesa durante esses tempos, descrito por Léon Denis: este havia lido aos 18 anos “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, o que constituiu para ele “uma súbita iluminação de todo o seu ser” e, cerca de três anos mais tarde (tendo 21 anos de idade e Hippolyte Léon 63) colaborou com a organização de uma sessão de esclarecimento feita por Allan Kardec na cidade de Tours, em 1867.
Léon Denis havia alugado uma sala onde o mesmo teria lugar.
A polícia imperial não esteve pelos ajustes e a sessão foi proibida, acabando por decorrer, “à luz das estrelas” como refere Léon, no jardim de um amigo. Nessa sessão campestre dirigida por Allan Kardec teriam estado presentes cerca de trezentos devotados seguidores.
Por essa altura o interesse pelo espiritismo tinha já feito caminho e a adesão à doutrina, que mais tarde foi decaindo em França devido à pressão da cultura oficial materialista, e registava um progresso pujante, em clima de grande desespero moral dos cidadãos.

 

 

Léon Denis 1846 – 1927

Filósofo, escritor, conferencista, Léon Denis, desenvolveu intensa actividade na divulgação do espiritismo e assinou, em 1927, o prefácio de uma nova edição do livro da autoria de Henri Sausse, um dos mais devotados investigadores da biografia de Allan Kardec.
Muito mais tarde viria a merecer o epíteto de “Apóstolo do Espiritismo” e a ser aclamado em 1925 presidente do Congresso Espírita em Paris.

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Regresso de Hippolyte Léon ao mundo dos Espíritos

Depois de uma vida magnificamente intensa coroada pela concretização de uma tarefa que representa o esclarecimento das questões centrais da vida do homem, sua origem e seu futuro, Hipollyte Léon/Allan Kardec acabou por falecer naturalmente, pela ruptura de um aneurisma, entregue a tarefas normais de uma programada mudança de residência.
O seu funeral foi um acontecimento público do maior relevo, acompanhado por uma multidão de pessoas, entre as quais figuravam numerosas individualidades ligadas aos interesses de carácter científico de que abundantemente compartilhava.

Camille Flammarion (1842 – 1925)

Muito adequadamente, um dos cientistas que usou da palavra, tanto por ser seu amigo como por ser adepto das mesmas concepções, foi o prestigiado astrónomo Camille Flamarion, cujo discurso passou a constituir um marco referencial dos depoimentos a respeito de Allan Kardec, de que a seguir se incluem alguns fragmentos:

“…Com efeito, seria um acto importante aqui estabelecer (…) que o exame metódico dos fenómenos, erradamente chamados sobrenaturais, longe de renovar o espírito supersticioso e de enfraquecer a energia da razão, ao contrário, afasta os erros e as ilusões da ignorância e serve melhor ao progresso que a negação ilegítima dos que não se querem dar ao trabalho de ver…”
“…Allan Kardec era o que eu chamarei simplesmente “o bom senso encarnado”. Raciocínio recto e judicioso, aplicava, sem esquecer, à sua obra permanente as indicações íntimas do senso comum. Aí não estava uma qualidade menor, na ordem das coisas que nos ocupam. Era – pode-se afirmar – a primeira de todas e a mais preciosa, sem a qual a obra não poderia tornar-se popular, nem lançar no mundo as suas raízes imensas…”
“…O espiritismo não é uma religião, mas uma ciência, da qual apenas conhecemos o á-bê-cê. O tempo dos dogmas terminou. A Natureza abarca o Universo. O próprio Deus, que outrora foi feito à imagem do homem, não pode ser considerado pela Metafísica moderna senão como um espírito na Natureza. O sobrenatural não existe. As manifestações obtidas através dos médiuns, como as do magnetismo e do sonambulismo, são de ordem natural e devem ser severamente submetidas ao controle da experiência. Não há mais milagres. Assistimos à aurora de uma Ciência desconhecida. Quem poderá prever a que consequências conduzirá, no mundo do pensamento, o estudo positivo desta Psicologia nova?…”
“…tu foste o primeiro que, desde o começo de minha carreira astronómica, testemunhou uma viva simpatia por minhas deduções relativas à existência das Humanidades Celestes; porque, tomando nas mãos o livro “Pluralidade dos mundos habitados”, puseste-o a seguir na base do edifício doutrinário que sonhaste…”
“…O corpo cai, a alma fica e retorna ao Espaço. Encontrar-nos-emos num mundo melhor. E, no céu imenso, onde se exercitarão as nossas mais poderosas faculdades, continuaremos os estudos que na Terra dispunham de local muito acanhado para os conter. Preferimos saber esta verdade, a crer que jazes por inteiro neste cadáver, e que tua alma tenha sido destruída pela cessação do jogo de um órgão. A imortalidade é a luz da vida, como este sol brilhante é a luz da Natureza…”

“…Até logo, meu caro Allan Kardec, até logo”.

(publicado na Revue Spirite, em 1869).

Henri Sausse, o mais importante biógrafo de Allan Kardec

A biografia de Allan Kardec da autoria de Henri Sausse é um livro que francamente recomendo a qualquer interessado. Foi escrita uma primeira versão em Março de 1896 para acudir a uma solicitação feita pelos seus amigos de Lyon da Federação Espírita Lionesa, por altura da comemoração do dia 31 de Março, data do falecimento do codificador, e mais tarde publicado nessa cidade – também em 31 de Março – mas de 1909. A versão que consultei para redigir este breve resumo é consultável aqui. Além dos dois prefácios, é seguida do historial comentado da vida de Hippolyte Léon/Allan Kardec e tem como anexos artigos importantíssimos da autoria do mesmo e que constituem, como afirma Henri Sausse, uma espécie complementar de autobiografia do próprio, dada a raridade de referências exactas a respeito da sua personalidade propriamente dita.

Uma visão resumida das obras de Allan Kardec

Allan Kardec


O LIVRO DOS ESPÍRITOS /1857

É a sistematização metodológica do ensino coletivo dos Espíritos, quanto às Causas Primárias, ao Mundo Espírita e às suas relações com os homens, às Leis Morais e às Esperanças e Consolações. Sublinhe-se que os restantes livros principais da obra de Allan Kardec são desenvolvimentos, mais ou menos por capítulos, dos conteúdos deste livro, que é a obra fundadora da visão espírita do mundo e da vida.


REVISTA ESPÍRITA / 1858 a 1869

A Revista Espírita foi criada por Allan Kardec em janeiro de 1858 e foi publicada mensalmente sob a sua direção até março de 1869, mês em que faleceu, tendo sido ainda publicado o número que tinha preparado para o mês seguinte. Representa um trabalho gigantesco de 136 fascículos mensais, com uma totalida­de de cerca de 4.000 páginas, ao longo das quais está documentado todo o seu tra­balho na defesa e divulgação do espiritismo. Contou com inúmeras colaborações das mais diversas origens na Europa e no mundo, sobre os mais diversos aspetos da fenomenologia espírita e outros assuntos relacionados.
Segundo palavras do próprio Allan Kardec eram do interesse da Revista Espirita:
“O relato das manifestações materiais ou inteligentes dos Espíritos, aparições, evocações, etc., bem como todas as notícias relativas ao espiritismo; o ensino dos Espíritos sobre as coisas do mundo visível e do invisível; sobre as ciências, a moral, a imortalidade da alma, a natureza do homem e o seu futuro; A história do espiritismo na antiguidade; as suas relações com o magnetismo e com o sonambulismo; a explicação das lendas e das crenças populares, da mitologia de todos os povos, etc.”.

A Revista também dá testemunho das controvérsias que Allan Kardec enfrentou na defesa e na divulgação da nova cultura. Apresenta a correspondência que trocou com inúmeros opositores a quem respondia sempre de forma construtiva, dialogante e racional. Descreve a sua atividade no seio de um movimento que se afirmou muito rapidamente na sociedade francesa, sobretudo no mundo do trabalho e dos direitos sociais.
A Revista foi um instrumento fundamental na construção do espiritismo, por documentar e abrir horizontes sobre todos os temas que Allan Kardec tratou nas outras cinco obras fundamentais.
Dá-nos uma ideia do seu esforço e sofrimento pessoal, ao longo de 11 anos, dando a conhecer o homem por detrás do escritor.

O LIVRO DOS MÉDIUNS / 1861

Este é considerado o livro científico do espiritismo, por tratar do carácter experimental das comunicações entre o mundo espiritual e o mundo material, esclarecendo as principais dificuldades que se podem encontrar na prática do espiritismo. É um guia, tanto para os médiuns como para os evocadores e doutrinadores. Faz o desenvolvimento da matéria constante dos capítulos I a VIII do Livro Segundo de O Livro dos Espíritos, cujo tema é o “Mundo Espírita ou dos Espíritos”.

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO / 1864

É a obra que desenvolve o Livro Terceiro de O Livro dos Espíritos, isto é, a matéria relacionada com as Lei Morais. Abordando o ensino moral contido nos quatro Evangelhos canónicos, fornece-nos a visão espírita dos principais episódios da vida de Jesus, clarificando a subjetividade alegórica dos seus ensinamentos.

O CÉU E O INFERNO – ou “A Justiça Divina segundo o Espiritismo” / 1865.

Faz o desenvolvimento do Livro Quarto de O Livro dos Espíritos que tem por título “Esperanças e Consolações”; expõe alguns conceitos segundo a óptica espírita: a vida após a morte, o Céu, o Inferno, o Purgatório e a Justiça Divina, seguido de numerosos exemplos acerca da situação real da alma durante e depois da morte.

A GÉNESE, os Milagres e as Profecias segundo o Espiritismo / 1868

– É o desenvolvimento do Livro Primeiro de O Livro dos Espíritos que trata das causas primárias, com uma análise da génese, ou criação do mundo, contida no primeiro livro da Bíblia (Génesis), vista a uma nova luz
“…graças à qual o homem sabe de onde vem e para onde vai, porque se encontra agora no planeta Terra e porque sofre; sabe que tem o seu futuro nas mãos e que a duração do seu cativeiro depende de si. A Génese, saída da alegoria, mostra-se-lhe grande e digna da majestade, da bondade e da justiça do Criador. Sob este ponto de vista, a Génese irá ultrapassar e vencer a incredulidade…” citação de um breve trecho de A Génese, n° 26 do capítulo XII – sobre a Génese Mosaica (os seis dias e o paraíso perdido).
No restante, a obra debruça-se sobre o fenómeno dos “milagres e das profecias do Evangelho”, igualmente à novíssima luz da racionalidade emancipadora da cultura espírita.

SOBRE A GÉNESE / MUITO IMPORTANTE

Solicitamos a boa atenção dos leitores pata a notícia publicada aqui, no seguinte endereço:  É urgentíssimo despertar e fortalecer a cultura espírita

É fundamental para conhecer factos da maior importância relacionados com “A Génese”, a sua autoria e devir histórico, que inclui gravíssimas distorções da sua mensagem, agora felizmente esclarecidos.

É IMPORTANTÍSSIMO LER O TRABALHO INSERIDO

 

Nova tradução de O LIVRO DOS ESPÍRITOS

Em edição aberta e livre para todo o mundo de língua portuguesa…

.TERCEIRA EDIÇÃO REVISTA

FICHEIRO PDF PROVISÓRIO DA OBRA COMPLETA, DISPONÍVEL AO FUNDO DESTA NOTÍCIA.

.Esta é a terceira edição da nossa tradução de “O Livro dos Espíritos” directamente do francês para português de Portugal, com duas notas de apresentação de grandes amigos nossos e distintos espíritas, JOÃO XAVIER DE ALMEIDA e JOÃO DONHA, ambos notáveis conhecedores da nobre lingua portuguesa, um português, outro brasileiro.

A nossa tradução tem o intuito de ajudar a criar uma nova geração de leitores de “O Livro dos Espíritos”, sobretudo junto de pessoas não espíritas , mas que também poderá, com proveito, ser lido por pessoas já conhecedoras do tema.

Inclui um prefácio dos tradutores, dirigido a essas pessoas e um nutrido grupo de Notas finais acerca das diferenças de cultura, de sensibilidade e de terminologias entre o que era antes e o que é hoje, relativamente ao tempo em que a obra foi organizada por ALLAN KARDEC, em meados do século XIX.

O trabalho geral de revisão do livro traduzido foram movidos pelos seguintes propósitos:

Primeiro
Aproximação mais acentuada do francês praticado pelo autor da obra ao português falado nos nossos dias, com critérios de ordem gramatical e lexical coerentes com o espírito da cultura respectiva.
Segundo
Sendo “O Livro dos Espíritos” a obra basilar da cultura espírita, o leitor terá um acesso mais fácil e penetrará mais fundo na restante obra de Allan Kardec.
Terceiro
A vontade de abertura sinalizada no prefácio de autores e o franco desejo de debate de ideias sugerido nas Notas finais do Livro sugerem o recentramento da obra de Allan Kardec no estudo fundamental da cultura espírita.De João Xavier de Almeida,
recebemos a mensagem de um prestigiado e histórico dinamizador e organizador da cultura espírita em Portugal.
Do seu valioso prefácio colhemos o seguinte momento, que convida todos os leitores à leitura completa do texto:

Jamais nos demitamos do dever de gratidão ao Brasil, pelas diversas traduções (totalizando, todas, muitos milhões de exemplares editados) que facultaram ao leitor português a obra colossal de Allan Kardec; convenhamos porém: a tradução que ora ouso prefaciar supre finalmente uma nada lisonjeira omissão editorial lusitana, tão longa e desconfortável aos nossos brios.
Dizer grandiosa e transcendente a obra traduzida, O Livro dos Espíritos, nada tem de exagero. Ela integra um pentateuco hodierno de que é o volume basilar, e configura um relevante marco civilizacional judaico-cristão de cultura universal. Sagra-se como a terceira dum ciclo de grandes revelações, iniciado com Moisés e aperfeiçoado por Cristo. Mas… revelação agora em estilo direto, lógico, assertivo, coerente com a profundeza latente das duas precedentes; uma revelação já não necessitada de alegorias e formalismos requeridos outrora pelo verdor evolutivo do Homem. Enfim, uma revelação sobre factos e leis naturais sistematizados com inatacável metodologia científica. Consistente, elucidativa, ela emerge vigorosa duma época onde o racionalismo, inebriado pela emancipação da opressiva tutela eclesiástica, derrapava no materialismo presunçoso que decretou “a morte de Deus” e entronizou a Deusa Razão.

De João Donha,
da cidade de Curitiba, no Brasil recebemos o favor fundamental de um testemunho de leitura; palavras de acolhimento e abertura de horizontes, para inspirarem à leitura mais proveitosa deste Livro, que nos oferece:
“…o novo paradigma do Espírito, da imortalidade, da responsabilidade individual pelos próprios atos, e da multiplicação ao infinito das oportunidades de correção e progresso…”

alguns parágrafos de João Donha:

1
…o paradigma teocrático… gerava um Estado teocrático, sustentado por uma poderosa instituição sacerdotal, com sua hierarquia sólida, seus ritos mágicos e sua capacidade de sugestão controlando as massas. O comportamento era subordinado à suposta vontade divina e, a adoração aos seus desejos. E, muito sangue foi derramado pelas religiões em nome da Divindade.

2
…o paradigma humanista, onde a ênfase é retirada da Divindade e passa a ser dada ao Homem, suas necessidades, seus direitos, suas aspirações e suas destinações. E, novamente, muito sangue foi derramado pelas revoluções em nome da Humanidade.

3
…um novo paradigma, onde a ênfase que já foi exclusiva da Divindade e, depois do Homem, transcende o imediato e passa a ser dada ao Espírito, ou seja, à nossa individualidade que sobrevive à extinção do corpo físico.

Este é o novo paradigma que o presente livro e as obras subsequentes que o completam está construindo. O Paradigma do Espírito, da imortalidade, da responsabilidade individual pelos próprios atos e, da multiplicação ao infinito das oportunidades de correção e progresso

NOTA:o ficheiro aqui disponibilizado foi tratado por amadores desinteressados de quaisquer direitos autorais ou de afirmação pessoal, completamente INDEPENDENTES DE QUALQUER ORGANIZAÇÃO IDEOLÓGICA, CULTURAL OU POLÍTICA.
Poderá pois, de momento, incluir algumas falhas de que pedimos desculpa e que irão sendo rectificadas.

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Notícias da nossa livraria…

A estatística é-nos fornecida dia a dia pela plataforma WordPress:

A Génese…………………………………………………..    189 exemplares
O Livro dos Espíritos………………………………….     169        “
O Evangelho Segundo o Espiritismo………………      70       “
O Livro dos Médiuns……………………………………      57        “

O roustainguismo nas obras de Chico Xavier, por SÉRGIO ALEIXO

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O artigo que aqui se publica, da autoria de SÉRGIO ALEIXO tem muita importância e foi publicado em vários blogues (citado por vários autores) e na sua importantíssima obra “O PRIMADO DE KARDEC”

PREFÁCIO do livro da autoria de
Artur Felipe de A. Ferreira

Allan Kardec, o insigne Codificador do Espiritismo, inspirado nos ditados dos espíritos superiores, por chamou-nos a atenção para o perigo de aceitarmos sem exame o que nos chega do mundo espiritual.
Ressaltou, sempre que o pôde, a importância do estudo e do aprofundamento das questões, em nossa incessante busca pela verdade, para que não nos deixássemos levar por concepções fantasiosas e exóticas, sempre oriundas da ignorância acerca das leis naturais que nos regem a todos.
Confirmando este esforço conjunto dos espíritos verdadeiramente comprometidos com o bem e a justiça, o Espírito Erasto, presente à reunião geral dos espíritas de Bordéus—cidade em que o advogado J. B. Roustaing estava prestes a desenvolver suas estranhas teses —, advertiu acerca da luta que teriam aqueles adeptos do Espiritismo contra uma turba de espíritos inferiores, razão pela qual afirmou ser-lhe obrigação premuni-los contra o perigo.
Da mesma forma, Sérgio Aleixo nos brinda com a presente obra, cumprindo com o seu dever de espiritista, preocupado que é, e como todos o devemos ser, com os rumos do movimento espírita no Brasil e no mundo.
Deixou corajosamente de lado a postura inerme que predomina no nosso meio que, a pretexto de caridade, fecha os olhos para os desvios, adulterações e tentativas de ridicularização do Espiritismo.
Munido de dados históricos hauridos em fontes fidedignas, como bom discípulo de J. Herculano Pires, Sérgio Aleixo utiliza seu grande poder de observação e análise para mostrar que as teses rustenistas (roustainguistas) aportaram no Brasil, depois de ignoradas na França à época de Kardec, como um autêntico“Cavalo de Tróia”, que tem por objectivo provocar a cizânia, o cisma em nossas fileiras, justamente como Erasto, em Bordéus, previra que aconteceria, pela acção de “ditados mentirosos e astuciosos,emanados de uma turba de espíritos enganadores,imperfeitos e maus”.
Nada mais exacto, já que, para melhor ludibriarem, os espíritos que se comunicaram com Roustaing, através de uma só médium, Émilie Collignon, valeram-se, em seus ditados, de nomes venerados: os apóstolos de Jesus, Moisés, etc.
Porém, como os prezados leitores poderão observar,foram e ainda são muitos os artifícios utilizados na tentativa de impor aos espíritas toda uma série de conceitos, ideias e teorias que, além de antidoutrinárias, são absurdas e ilógicas e que, por diversas vezes,se chocam com a razão e o bom-senso.

Este trabalho de Sérgio Aleixo é, portanto, de fundamental importância, como mais um alerta que nos chega, para que possamos separar o joio do trigo em matéria de Espiritismo, ajudando-nos, ao demais, a entender como tudo se passou (e passa) e os meios empregados pelos espíritos mistificadores e falsos sábios na tentativa inglória de provocar a derrocada do Espiritismo com enxertias que se vão espraiando pouco a pouco, tal qual erva daninha num jardim de flores. Aproveitemos todos esta oportunidade de estudo e reflexão, de modo que possamos colaborar para a unidade doutrinária a partir do melhor entendimento do Espiritismo em suas bases sólidas, que se assentam na codificação kardeciana.
É seguindo este imperativo que o confrade Sérgio Aleixo nos presenteia, mais uma vez, com estudos diligentes e questionadores, que merecem, por parte de todos os espíritas sérios, muita atenção e respeito, a fim de que não nos tornemos pedra de tropeço àquilo que nos é mais caro: o Espiritismo.

 

Ao fim desta publicação encontra-se um vídeo recente, também da autoria de Sérgio Aleixo, que actualiza o tema do artigo.

 

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.SergAl(o termo “rustenismo” é usado no Brasil como equivalente a “roustainguismo”, isto é, referido à obra de Jean-Baptiste Roustaing)


O rustenismo é deturpação perigosa, porque se alastra sorrateiro, não em suas obras principais, mas mediante livros psicografados por Chico Xavier.

Conforme prevê o assim chamado “Pacto Áureo” (05/10/1949), “cabe aos espíritas do Brasil porem em prática a exposição contida no livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, de maneira a acelerar a marcha evolutiva do Espiritismo”. Pois bem! Isto passou ao art. 63 do estatuto da Casa-Mater do rustenismo no mundo, que regista:

O Conselho [Federativo Nacional da F.E.B.] fará sentir a todas as sociedades espíritas do Brasil que lhes cabe pôr em prática a exposição contida no livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, de Francisco Cândido Xavier.

Entre outras piadas de além-túmulo, no capítulo I desta obra, “a amargura divina” de Jesus “empolga” toda uma “formosa assembleia de querubins e arcanjos” e ele, “que dirige este globo”,[1] não sabe sequer onde é o Brasil.
Não bastasse isto, no cap. XXII, o confuso Jean-Baptiste Roustaing emerge do estatuto da F.E.B. para ser equiparado a Léon Denis e a Gabriel Delanne, figurando adiante destes na condição de cooperador de Allan Kardec para “o trabalho da fé”.
Subsiste ainda o questionamento levantado por Júlio Abreu Filho em O Verbo e a Carne, isto é, por que Humberto de Campos se referiu a Roustaing, Denis e Delanne em Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho de 1938 e, no livro Crónicas de Além-Túmulo, de 1937, reportou-se tão só a Denis e Delanne?

Em O Consolador, de Emmanuel, há, igualmente, certas estranhezas. Será que houve, então, uma afronta à integridade conceitual do movimento espírita, do tipo “pílula dourada”, sob a chancela do trabalho do médium de maior projecção dos últimos tempos? Foi isto à revelia dele ou, por outra, com sua anuência? Mas como provar qualquer hipótese? Da própria F.E.B., em 1942, Chico Xavier recebeu a informação de que seus originais, após publicação, eram inutilizados por aquela instituição.[2]

A contradição seguinte parece mesmo sugerir o douramento da pílula rustenista na obra de Chico Xavier: o problema do Espírito Santo, expresso nos ns. 303 e 312 de O Consolador. O Espírito Santo não pode ser “a centelha do espírito divino, que se encontra no âmago de todas as criaturas” e, a um só tempo, uma “falange de Espíritos”. Só a primeira resposta, à questão 303, faz sentido à luz do Evangelho e da codificação kardeciana. Já a segunda, à pergunta 312, reflecte o rustenismo e, se for interpolação febiana, que ironia, porque se esmera em elucidar outra interpolação, mas bíblica.

O texto oferecido pelo interlocutor da F.E.B. (abaixo, a negrito), conforme parecer insuspeito do tradutor da Bíblia de Jerusalém (Paulinas, 1985), apresenta “um inciso ausente dos antigos manuscritos gregos, das antigas versões e dos melhores manuscritos da Vulgata, […] uma glosa marginal introduzida posteriormente” em 1.ª João, cap. 5, vv. 7-8, onde se lê: “Porque há três que testemunham [no céu: o Pai, o Verbo e o Espírito Santo, e esses três são um só; há três que testemunham na terra]: o espírito, a água e o sangue, e esses três são um só”.

Portanto, o interlocutor febiano, no n. 312 de O Consolador, driblou a parte do texto bíblico que se refere ao testemunho de Jesus em “espírito, água e sangue”, para só se referir à glosa marginal, ensejando a Emmanuel esta interpretação da Trindade: “Pai” => Deus, “Verbo” => Jesus, e “Espírito Santo” => “legião dos Espíritos redimidos e santificados que cooperam com o Divino Mestre, desde os primeiros dias da organização terrestre”. Definição tipicamente rustenista do Espírito Santo, assim como, por vezes, do Espírito da Verdade e mesmo do Consolador: “conjunto dos Espíritos puros, dos Espíritos superiores e dos bons Espíritos”; ou “falange sagrada dos Espíritos do Senhor”.[3]

Há, no entanto, um prefácio amistoso de Emmanuel ao livro Vida de Jesus, de Antonio Lima (F.E.B.) Na obra é defendida a tese do corpo meramente fluídico do Cristo. Da mesma forma em relação a Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, que menciona Roustaing ao lado de Delanne e Denis como cooperador de Kardec, e que é prefaciado por Emmanuel. Sobre A Grande Síntese, de P. Ubaldi, escritor que reeditou a queda angélica e a involução como pressuposto para a evolução, postulados afins do rustenismo, o jesuíta disse:

Aqui, fala a Sua Voz [de Jesus] divina e doce, austera e compassiva. […] é o Evangelho da Ciência, renovando todas as capacidades da religião e da filosofia, reunindo-as à revelação espiritual e restaurando o messianismo do Cristo, em todos os institutos da evolução terrestre. Curvemo-nos diante da misericórdia do Mestre e agradeçamos de coração genuflexo a sua bondade. Acerquemo-nos deste altar da esperança e da sabedoria, onde a ciência e a fé se irmanam para Deus.[4]

Ante um comunicado destes, natural é que alguns mais exaltados digam que Kardec foi superado por Ubaldi. Quanto a este pensador italiano, ao indigesto Roustaing e até ao excêntrico Ramatis, será que adeptos de suas doutrinas heterodoxas podem ter pleiteado para publicações afins o “aval” dos já cultuados instrutores de Chico Xavier, na intenção de facilitar a infiltração de tais obras no movimento espírita? E Chico? Analisava tudo? Infelizmente, não. Ele dizia que não era da sua competência entrar na apreciação sequer dos livros que psicografava, sendo um simples “animal de carga”.[5] E os Espíritos que davam o “aval”? Eram mesmo os seus guias? Em caso positivo, são confiáveis?
Normal é que o estudioso se reserve o direito de duvidar, até porque a codificação kardeciana assegura que “o melhor [médium] é o que, simpatizando somente com os bons Espíritos, tem sido enganado menos vezes”, assim como preconiza que, “por melhor que seja um médium, jamais é tão perfeito que não tenha um lado fraco, pelo qual possa ser atacado”.[6] Kardec já advertira também: “Pelo próprio fato de o médium não ser perfeito, Espíritos levianos, embusteiros e mentirosos podem interferir em suas comunicações, alterar-lhes a pureza e induzir em erro o médium e os que a ele se dirigem”. Consignara o mestre que este é, sim, “o maior escolho do Espiritismo” e que o meio determinante para evitá-lo é o “discernimento”; e por quê? Kardec assim responde:

As boas intenções, a própria moralidade do médium nem sempre são suficientes para o preservarem da ingerência dos Espíritos levianos, mentirosos ou pseudossábios, nas comunicações. Além dos defeitos de seu próprio Espírito, pode dar-lhes guarida por outras causas, das quais a principal é a fraqueza de carácter e uma confiança excessiva na invariável superioridade dos Espíritos que com ele se comunicam.[7]

O problema, todavia, é mais complexo, transcende a simetria óbvia entre a F.E.B. e a obra de Roustaing. Não constitui rustenismo a doutrina das almas gémeas, que, segundo Emmanuel, são criadas umas para as outras e umas às outras destinadas na eternidade, contrariando o comentário kardeciano ao n. 303-a de O Livro dos Espíritos, que diz: “É necessário rejeitar esta ideia de que dois espíritos, criados um para o outro, devem um dia fatalmente reunir-se na eternidade”. A F.E.B. até questionou o ensino das almas gémeas na obra O Consolador, ali o deixando, contudo, a pedido do próprio jesuíta.[8]

Quanto a isto, já não faz o menor sentido a hipótese de interpolação da Casa-Mater por força do rustenismo, que nunca professou a existência de almas gémeas, assim como jamais disse, por exemplo, que Marte é mais avançado em civilização do que a Terra, ou que os exilados adâmicos vieram de um suposto orbe não purificado física e moralmente, que guarda muitas afinidades com nosso mundo na órbita do “magnífico sol” Capela; na verdade, segundo a astronomia, um sistema de sóis com ausência de planetas.[9]

De fato, consta que Emmanuel teria dito a Chico Xavier que deveria permanecer com Jesus e Kardec caso lhe aconselhasse algo em desacordo com as palavras de ambos.[10] Mas nenhum ensino contrário a Kardec deixou de ser publicado por essa razão. Eis o fato.[11] De mais consistente lógica e de melhor proveito à clareza analítica, portanto, é que se atribua ao próprio Emmanuel tudo aquilo que dos seus livros conste.
Só Chico Xavier teve o poder de dirimir as dúvidas, mas nunca o fez, nunca levantou uma suspeita sequer sobre a F.E.B.; ao contrário, não é difícil encontrar-lhe pronunciamentos com os mais efusivos aplausos à Casa do “Anjo” Ismael, assim como ao grande J. Herculano Pires, maior opositor do rustenismo febiano. O médium sempre aparece ao lado de todos os partidos.
De tudo, restam os objectos, milhares de milhares de livros, o papel e a tinta, a confusão nas estantes, sempre bem acessível aos neófitos que chegam às casas espíritas e aos incautos leitores em busca de um Consolador que lhes dê milagrosas respostas. Só se pode julgar do que foi publicado. Eis a verdade. Cabe, pois, aos espíritas atentos a apreciação rigorosa de toda obra mediúnica, segundo os padrões de Kardec. Este deve ser o procedimento dos adeptos estudiosos, e a produção atribuída a qualquer Espírito não pode nem deve escapar a isso, seja quem for ou quem se diga ser.
Não passa de temeridade, com lamentáveis consequências já em curso, a ideia de que não se deve agir deste modo para não confundir ou chocar os simples. Na prática, isto é licitar ao Espiritismo que erros manifestos sejam arrolados à conta de patrimônio das consolações que prodigaliza a seus adeptos.
Encaminhemos os simples à segurança e pureza da fonte original do Espiritismo, à codificação kardeciana, em vez de entretê-los com equívocos que, mais tarde, os surpreenderão desprevenidos e, quem sabe, os convidarão à apostasia. O que disse Erasto a Kardec?
Deve-se eliminar sem piedade toda palavra e toda frase equívocas, conservando no ditado somente o que a lógica aprova ou o que a Doutrina já ensinou. […] Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos antigos provérbios. Não admitais, pois, o que não for para vós de evidência inegável. Ao aparecer uma nova opinião, por menos que vos pareça duvidosa, passai-a pelo crivo da razão e da lógica. O que a razão e o bom-senso reprovam, rejeitai corajosamente. Mais vale rejeitar dez verdades do que admitir uma única mentira, uma única teoria falsa. Com efeito, sobre essa teoria poderíeis edificar todo um sistema que desmoronaria ao primeiro sopro da verdade, como um monumento construído sobre a areia movediça.[12]
Para o movimento espírita, no entanto, isto não há passado de meras frases de efeito, inseridas em retóricas quase sempre desmentidas pelo cotidiano institucional da maior parte dos adeptos do espiritismo à moda da Casa-Máter do rustenismo. Sobre o assunto espinhoso deste capítulo, decerto que muito a propósito são as reflexões de nosso valoroso confrade Artur Felipe de A. Ferreira, em seu artigo “De Que Lado Está Emmanuel?”.[13]


[1] Revista Espírita. Jan/1864. Um Caso de Possessão. Senhorita Júlia. Nota: O sábio Hahnemann é quem afirma ali que o Espírito de Verdade dirige este globo, ou seja, a Terra.
[2] Cf. SCHUBERT, Sueli Caldas. Testemunhos de Chico Xavier, p. 23-24. Apud DA SILVA, Gélio Lacerda. Conscientização Espírita. Chico Xavier, Emmanuel e a F.E.B.
[3] Os Quatro Evangelhos. Vol. I, n. 9; Vol. II, n. 187; Vol. IV, n. 1.

Nota: Quanto ao Espírito da Verdade, é curioso, o rustenismo muito se divide, porque subsiste na obra a instrução dos bons Espíritos que, em Bordéus — na casa de Roustaing e na de Sabo —, chegaram a revelar que se tratava de Jesus, como o próprio advogado fez questão de consignar a Kardec, bem antes do cisma que promoveria. (Cf. Revista Espírita. Jun/1861. Correspondência.) Evidentemente, os Espíritos que passaram a substituir os Iniciadores se valeram de uma autêntica revelação destes para impor aos bordeleses mais incautos lamentáveis sistemáticas a título de comandos do Cristo, de Moisés, dos evangelistas, de Maria e dos apóstolos. J.-B. Roustaing, infelizmente, faliu ante provável missão que não chegou a cumprir, tornando um pouco mais árdua a gigantesca tarefa do gênio lionês. Não foi sem motivo que disse o mestre sobre o livro rustenista: “[…] ao lado de coisas duvidosas, em nosso ponto de vista, encerra outras incontestavelmente boas e verdadeiras, e será consultada com proveito pelos espíritas sérios […]”. (Revista Espírita. Jun/1866. Os Evangelhos Explicados.)

[4] Ob. cit. 18.ª ed. Trad.: Carlos Torres Pastorino e Paulo Vieira da Silva. Vol. II. Z
5] Cf. Emmanuel. 15.ª ed., F.E.B., Prefácio, p. 21. Cf. DVD Pinga-Fogo 2. Clube de Arte. Cf. ALEIXO. Ensaios da Hora Extrema. Não Há Médiuns Infalíveis.
[6] O Livro dos Médiuns. XX, 226, 9.ª e 10.ª
[7] Revista Espírita. Fev/1859. Escolhos dos Médiuns.
[8] Cf. n. 323 e nota à primeira edição.
[9] Cf. Emmanuel, “A Tarefa dos Guias Espirituais”. A Caminho da Luz, cap. 3. Cf. ALEIXO. Ensaios da Hora Extrema. Kardec e os Exilados.
[10] Diálogo dos Vivos [em parceria com Herculano Pires], cap. 23: Permanecer com Jesus e Kardec.
[11] Cf. ALEIXO. Ensaios da Hora Extrema. Léon Denis, Emmanuel e as Almas Gêmeas; Mística Marciana e Segurança Doutrinária; Kardec e os Exilados; Sobre André Luiz.
[12] O Livro dos Médiuns, 230.
[13] http://coerenciaespirita.blogspot.com/2008/10/de-que-lado-est-emmanuel.html

O vídeo acima, encontra-se no YouTube horizontalmente invertido, da direita para a esquerda. Isso deforma inclusivamente o título do livros que Sérgio Aleixo segura na mão “Francisco Cândido Xavier, Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”. Tentei mudar isso, mas não consegui. O próprio rosto de Sérgio Aleixo está um pouco deformado.

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Restabelecer o espiritismo ensinado por Allan Kardec

A nossa luta em defesa do espiritualismo racional
baseia-se no estudo dos antecedentes histórico-culturais que fazem da Humanidade o coração sensível e fundamental da Criação, entendendo os Universos como produto de uma Inteligência Superior impossível de definir no âmbito do nosso entendimento.
A nossa luta pela divulgação do espiritismo
adquire um sentido universalista e totalmente liberto de tutelas dogmáticas, redutoras da AUTONOMIA moral ou autogoverno.
A mensagem de ALLAN KARDEC na edificação da ideologia espírita foi, após o seu falecimento, objecto de modificações abusivas nas suas duas últimas obras, por figuras que desejavam transformá-la numa religião dogmática, destinada a comandar colectivos obedientes a projectos de poder, negócios políticos rentáveis para os seus dirigentes.
O roustainguismo (das teorias criadas pela iniciativa de Jean-Baptiste Roustaing) foi instituído no Brasil pela FEB – Federação Espírita Brasileira, que inscreveu nos seus estatutos a prática que tem levado a cabo durante de mais de um século, de divulgar o ROUSTAINGUISMO e ensiná-no metodicamente a todos os seus associados, em todos os centros espíritas brasileiros
Tendo retirado recentemente essa determinação do artigo nº 2 dos seus estatutos, pelo escândalo que representava, permanece essa determinação por efeito de outro artigo dos mesmos estatutos, conforme nos é explicado pelo investigador espírita SÉRGIO ALEIXO.
VAMOS DAR INÍCIO A UM CONJUNTO DE PUBLICAÇÕES QUE PRETENDEM CLARIFICAR ESSE TIPO DE ANORMALIDADES, GRANDEMENTE PREJUDICIAIS PARA O ENTENDIMENTO DA VERDADEIRA ALMA DAS IDEIAS ESPÍRITAS, PELO MENOS EM LÍNGUA PORTUGUESA.

 

 

Página 22 deste livro:

“…Pretendemos demonstrar nesta obra que a doutrina dos espíritos defende e fundamenta uma revolucionária moralidade descoberta na era moderna: a autonomia moral ou o autogoverno.
Durante milénios, as religiões tradicionais e seu clero sustentaram a moral como sinónimo de submissão a um deus que castiga e condena por toda a eternidade aqueles que ousam enfrentar as suas ordens, perdoando e deixando todas as recompensas aos obedientes e submissos, quando chegasse o fim do mundo.
Essa é a tese da heteronomia.
Todavia, afirma o espiritismo, a transformação do nosso mundo, superando o predomínio do mal e abrindo nova era para a humanidade, não se dará por uma intervenção divina, mas pela adesão voluntária e consciente de cada ser humano.
A autonomia estará estabelecida quando os indivíduos se reconhecerem livres e responsáveis, agindo de forma solidária seguindo a lei presente na sua consciência e não obedecendo aos outros homens. Essa mudança de paradigma representa aquela modificação na disposição moral capaz de regenerar a Humanidade, como previu Allan Kardec.
Surgida na época em que os dogmas caíam no descrédito, a teoria espirita é moderna, progressista, liberal, adequada para extinguir os equívocos do velho mundo, de tal forma que “não é o Espiritismo que cria a renovação social, é a maturidade da Humanidade que faz dessa renovação uma necessidade.” (RE66, 196).
Assim, a regeneração da humanidade ocorrerá progressivamente, pela consciencialização do homem novo. Deste modo, a vocação revolucionária do espiritismo está nessa mudança de paradigma quanto ao principio moral.
No entanto, o entusiasmo de Kardec não corresponde ao que hoje se divulga como sendo sua doutrina.
Como bem viu o filósofo Herculano Pires, o espiritismo tem sido considerado como uma “seita comum, carregada de superstições.
Muitos vêem-no como uma tentativa de sistematização de crendices populares, onde todos os absurdos podem ser encontrados”, concluindo que, “na verdade os seus próprios adeptos não o conhecem (…).
O espiritismo, nascido ontem, nos meados do século passado, é hoje o grande desconhecido dos que o aprovam e o louvam e dos que o atacam e o criticam” (PIRES, 1979, p. 11). Sejam opositores ou simpatizantes, adeptos ou divulgadores, todos desconhecem o verdadeiro espiritismo.
A teoria revolucionária dos Espíritos está esquecida.
Tendo surgido num cenário histórico e cultural complexo e muito diferente do actual, o pensamento liberal espiritualista do século 19, contemporâneo da doutrina espírita, almejava a real conquista de uma sociedade solidária, livre e igualitária estabelecida pela educação universal.
Pretendia superar em definitivo os preconceitos de raça, género e classes sociais, pela igualdade de oportunidades para todos…

Acaba aqui a página 22 de “REVOLUÇÃO ESPÍRITA” da autoria de Paulo Henrique de Figueiredo.

Se desejar fortemente continuar a ler, é um sintoma óptimo. Faça o favor de adquirir o livro, como nós fizemos!….

Pedimos a boa atenção dos leitores para a série de ESTUDOS que vão continuar a ser publicados neste ponto do nosso MENU

 

“A Génese” – as edições de 1868 e de 1872, uma comparação ponto por ponto

PARA ACEDER A ESTE TRABALHO BASTA CLICAR NA IMAGEM ACIMA

La Genèse, les miracles et les prédictions selon le spiritisme” (A Génese os milagres e as profecias segundo o espiritismo), de Allan Kardec

 

Comparação ponto por ponto, das diferenças entre as edições originais francesas: 1ª edição de 1868, feita por ALLAN KARDEC, e a 5ª edição de 1872, depois do seu falecimento, resultante de importantes adulterações.

Da pesquisa que fizemos e como nota explicativa inicial, referimos a importante publicação do investigador espírita brasileiro João Donha, intitulada “A GÉNESE (ATÉ QUE PONTO) DE KARDEC”, que nos serviu de orientação no nosso trabalho e a quem, desde já, agradecemos. Além disso, fizemos todas as leituras que encontrámos sobre este tema e seguimos as palestras de Paulo Henrique de Figueiredo e de Simoni Privato Goidanich. Consultamos ainda várias revistas espíritas brasileiras, entre elas vários números de “O dirigente espírita”. Por fim, optámos por traduzir a 1ª edição de A Génese, de 1968, que, sem qualquer dúvida, foi escrita por Allan Kardec .

Resumindo o que concluímos:

Em 2018, ano em que se comemorava o 150º aniversário da publicação de “ A Génese”, veio à luz um cuidadoso trabalho de pesquisa da autoria de Simoni Privato Goidanich, investigadora espírita e diplomata brasileira, a trabalhar e residir na Argentina, publicado nesse país com o título de “ El legado de Allan Kardec”, depois traduzido no Brasil com o nome de “O legado de Allan Kardec”. Abriu-se assim a discussão, já antiga.

Vamos transcrever, em parte, o texto da contra capa do livro para melhor esclarecimento:

“Este livro é uma investigação histórica e doutrinária do movimento espírita em França, entre os anos de 1867 e 1887. Trata-se da questão da adulteração da obra “La Genèse, les miracles et les prédictions selon le spiritisme” (A Génese os milagres e as profecias segundo o espiritismo), de Allan Kardec, de outros factos muito graves no movimento espírita da época, bem como do exemplo de espíritas pioneiros que se mantiveram fiéis ao legado de Kardec. Este livro pretende contribuir para que se corrija o erro histórico que tem levado tantas gerações, desde o século XIX, a lerem e a difundirem em vários países – como se fosse o definitivo – o conteúdo adulterado da 5ª edição de “La Génese, les miracles et les prédictions selon le spiritisme”

Decidimos dar o nosso contributo, fazendo a comparação, como dissemos acima, parágrafo por parágrafo, ítem por ítem, das diferenças entre as edições originais francesas: 1ª edição de 1868 e 5ª edição de 1872. Para melhor compreensão dos leitores portugueses, fizemos também a comparação entre as duas edições na tradução portuguesa, da nossa autoria. As alterações são muitas. Todas foram assinaladas por nós, mas, devido aos nossos limitados conhecimentos e com a humilde pesquisa que pudemos fazer, não conseguimos encontrar a razão para muitas delas. Contudo, algumas são tão graves, do ponto de vista dos preciosos princípios que A.K. nos deixou, que não hesitámos em apresentar uma explicação. Seria interessante que cada um dos nossos leitores fizesse esse exercício, em defesa da verdade do Espiritismo. Tendo decidido iniciar a tradução de “La Génese, les miracles et les prédictions selon le spiritisme”, optámos por traduzir uma edição de 1868. A razão é simples: temos a certeza que foi escrita por A.K.

MUITO IMPORTANTE

PARA COMPREENSÃO DO DOCUMENTO :

Na coluna da esquerda está a 1ª edição, de 1868.
Na coluna da direita está a 5ª edição, de 1872.
Só transcrevemos os itens em que houve alterações.
O que está marcado a negrito, na 1ª edição, foi retirado.
O que está a negrito, na 5ª edição, foi acrescentado.
O que está a letra tipo normal está igual nas duas edições, e no mesmo lugar.
O que está a letra azul está igual nas duas edições, mas na 5ª edição mudou de lugar.
As observações estão escritas a vermelho

Tradução de “A Génese” de Allan Kardec, para português de Portugal

para ter acesso é favor clicar no livro ou nesta legenda

 

O ESPIRITISMO, REENCONTRO E CLARIFICAÇÃO

O Espiritismo encontra-se num momento extraordinário de reencontro e de clarificação de erros fundamentais que o mantiveram na penumbra dos mais graves equívocos, desde o momento em que faleceu o seu fundador, Allan Kardec.

É essencial que os leitores de “A Génese”, e também de “O Céu e o Inferno”, cuja tradução inteiramente fiel aos originais legítimos também já estamos a fazer, tomem conhecimento das falsificações deliberadas que foram feitas nestas duas obras, logo após o falecimento do seu autor.
Essas versões falsificadas têm sido publicadas durante todo o tempo até hoje, com um conteúdo que não é especiosamente diferente das obras originais: é o conteúdo dessas obras especializadamente alterado.

O ESCLARECIMENTO FUNDAMENTAL DE QUEM INVESTIGOU

Para ilustrar convenientemente estes temas recorremos, como finalização desta abertura, a dois textos muito importantes e recentes da autoria do conhecidíssimo investigador espírita Paulo Henrique de Figueiredo e da sua compatriota, igualmente investigadora e ativa divulgadora do espiritismo: Simoni Privato Goidanich.
Têm o intuito de revelar acontecimentos que tiveram lugar em França, logo após o falecimento de Allan Kardec, e que viriam a ter consequências muitíssimo graves para o teor e desenvolvimento do espiritismo.
Esclarecemos que a tradução que fizemos deste livro, seguiu os verdadeiros originais da autoria de Allan Kardec, expurgando todas as modificações muito especializadas que transformam radicalmente a sua verdadeira mensagem. Um prefácio que explicasse toda esta complexa ordem de razões, além de certos aspectos dos nossos próprios pontos de vista seria impossível, porque os temas são vastos.
Nestas nossas páginas da internet publicaremos em breve bibliografias base a respeito destes temas, de obras para descarga livre.

Temos dedicado os últimos anos da nossa vida a ler e a traduzir Kardec, tarefa que se nos afigura fundamental para nossa própria conveniência intelectual e moral.
Felizmente que o espiritismo é uma cultura para ser assimilada pelo indivíduo, de acordo com a liberdade que a sua intuição lhe permite alcançar. A autonomia da vontade e do raciocínio confere a independência necessária para ir adiante, adotando as melhores ideias e o nível da evolução espiritual de cada um.
Embora achemos fundamental a comunicação entre as pessoas, na troca de ideias de progresso e evolução, aconselhamos que essa busca seja independente e livre, apelando à razão e ao livre arbítrio.
Esse é, na assimilação de princípios de humanismo progressista, o caminho mais concreto para o entendimento, para a compreensão, numa palavra – PARA A PAZ NO MUNDO.

 Não fazemos parte de nenhum grupo espírita, nem obedecemos aos princípios de nenhum sector de opiniões. Fazemos a nossa própria investigação, de acordo com as nossas possibilidades e a nossa sensibilidade intelectual.

Maria da Conceição Brites e José da Costa Brites
Lousã/Portugal −  Ano de 2020

Para ter acesso à apresentação completa e ao ficheiro Pdf da obra completa é favor visitar:

Tradução de “A Génese” de Allan Kardec, para português de Portugal

RESUMO DE IDEIAS SOBRE A VIDA DEPOIS DA MORTE

Há dias um amigo telefonou-me fazendo perguntas a respeito daquilo que acontece depois da morte, impressionado pelo facto de sua mãe ter morrido há poucos dias.

É impressionante a ignorância da maioria das pessoas a esse respeito.
Resolvi fazer um resumo de ideias e do conteúdo deste blogue para facilitar ao máximo o acesso ao principal do que SEI a este respeito.
Digo que SEI e não digo que ACREDITO, porque as ideias que existem de parte de muita gente em Portugal e em muitos países estrangeiros, sobretudo os mais evoluídos cientificamente, ESTE ASSUNTO DE HÁ MUITOS ANOS QUE NÃO É MATÉRIA DE FÉ, MAS SIM DE CONHECIMENTO BASEADO EM FACTOS DEMONSTRÁVEIS NA PRÁTICA OBJETIVA.
Vou ordenar a seguir, pela ordem de tamanho e de acessibilidade, os textos que tenho publicados e que podem servir para esclarecer o tema que está em título: RESUMO DE IDEIAS SOBRE A VIDA DEPOIS DA MORTE:

Observar cada um dos textos, escolhendo para ler aquele que parecer mais interessante para leitura imediata. A finalizar o conjunto, está disponível para descarga a nossa tradução de “O Livro dos Espíritos”:

Da cultura da Grécia antiga a Allan Kardec, a falta de memória da Humanidade

O Espiritismo na sua expressão mais simples, de Allan Kardec

Albert de Rochas e a tese das vidas múltiplas

Nova tradução de O LIVRO DOS ESPÍRITOS

A Ciência e Espiritualidade

Uma das áreas de estudo acerca da Vida depois da Morte que temos procurado conhecer é o que diz respeito à sua projecção internacional.  No  último número do órgão de OPINIÃO do Centro de Cultural Espírita de Porto Alegre foram publicados conteúdos importantes que temos muita honra em referir aqui.

CIÊNCIA E ESPIRITUALIDADE 
Será possível reconciliá-las?

Grupo de intelectuais norte-americanos aposta na possibilidade da reconciliação entre ciência e espiritualidade, um sonho que foi também de Allan Kardec.

 Materialismo e Fisicalismo: diferentes faces de um mesmo tema

Nos dois séculos que se seguiram ao de Allan Kardec, parece ter-se consolidado entre psicólogos cognitivos, neuro-cientistas e filósofos o chamado “fisicalismo”.
Kardec teve como objectivo prin­cipal em sua obra contrapor-se ao “materialismo”.
Mais de 160 anos depois, a cultura académica é dominada pelo chamado “fisicalismo”. Ou seja: toda a realidade é determinada exclusivamente por factos fí­sicos e as criaturas humanas são vistas tão somente como máquinas biológicas de extrema complexidade.
Para os padrões científicos ora adoptados, todos os aspectos da mente e da consciência humana são gerados pelos processos neuro-fisiológicos que ocorrem no cérebro. Nessa visão, a consciência nada mais é do que um epifenómeno desses processos neuro-fisiológicos.
Surge, no entanto, importante re­acção de um grupo de cientistas norte-americanos a essa posição das ciên­cias académicas.

Edward F. Kelly

Em artigo publicado no periódico britânico “The Observa­tory”, com o título de “Rumo à Reconciliação da Ciência e Espiritualidade: Uma Breve História do Projeto “SURSEM”, Edward F. Kelly, Professor do Departamento de Psiquiatria e Ciências Neuro-com­portamentais descreve o movimento desencadeado por cerca de 50 cien­tistas da área, desde 1998, para mudar os conceitos acima expostos.
Kelly é autor de obras como Irreducible Mind: Toward a Psychology for the 21st Century (“A Mente Irredutível: Rumo a uma Psicologia para o Século 21”) e Beyond Physicalism: Toward Reconciliation of Science and Spirituality (“Além do Fisicalismo: Rumo à Reconcilia­ção entre Ciência e Espiritualidade”).

O grupo defende ter chegado a hora de derrogar a “arrogância” acadêmica que desprezou toda a sabedoria e a experiência coletiva acumulada pela humanidade, a qual sempre viu na espiritualidade uma fonte de conhecimentos que não podem ser menosprezados pela ciência atual.

Michael Murphy

O Projeto “SURSEM”, por eles criado no INSTITUTO ESALEN, se cons­tituiu numa série de eventos que reuniu, sob a liderança de Michael Murphy, neurocientistas, psiquiatras, filósofos, físicos e historiado­res para avaliar as provas empíricas da so­brevivência humana à morte corporal, suge­rida, segundo o grupo, por fenómenos como experiências de quase morte e fora do corpo, experiências místicas, fenómenos psíquicos e crianças que se lembram de vidas anteriores.
No artigo de “The Observatory”, Edward Kelly sustenta que um dos grandes de­safios da modernidade é “reconciliar, de ma­neira aceitável, inteligível, significativa e re­conhecível, ciência e religião”. O artigo pode ser baixado em versão para o português no site: http://www.mentealemdocerebro.com.br/. 

É favor clicar na imagem para ter acesso

 A experiência de um brasileiro 

O filósofo e historiador das ciências Gustavo Rodrigues Rocha, Professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (BA), que, em seu pós-doutoramento na Universidade da Califórnia, em Berkeley, EEUU, escolheu como estudo de caso o Projeto SURSEM, foi recentemente entrevistado na reportagem A mente além do cérebro e a busca pelo sentido do mundo, do jornal “O Tempo”, de Belo Horizonte.
A matéria pode ser lida neste site: https://www.otempo.com.br/interessa/a-mente .

Para Gustavo, o Projecto SURSEM, reunindo esses intelectuais norte-americanos, trabalha no contexto do sistema académico-científico contemporâneo, com base na tese segundo a qual a mente não pode ser reduzida unicamente ao funcionamento do cérebro.
Segundo ele, o grupo SURSEM caminha no sentido de “apresentar provas experimentais e teorias que afirmam que a consciência não depende do cérebro e, nessa ordem de ideias, “algo de nossa mente sobrevive à morte corpórea”.

O professor brasileiro diz nunca ter encontrado “um grupo de académicos de tal envergadura, com uma construção tão sólida e consistente, decididos a enfrentar, numa perspectiva multi e trans-disciplinar, questões tão avançadas do actual sistema de saberes”.

PRENÚNCIOS DA ERA DO ESPÍRITO?

Parece mesmo mais adequado designar a posição dominante entre os cientistas como “fisicalismo” em vez de “materialismo”.
Entre eles há professores em Universidades religiosas. Outros tantos trabalham em instituições públicas, mas têm crenças religiosas.
Muitos não se definem como materialistas e vivem essa dicotomia: enquanto cientistas, adaptam-se aos padrões vigentes, onde é praticamente vedado atribuir quaisquer actividades da mente humana a causas extra cerebrais.
O “espírito” ou a “alma”, para eles, são abstracções que não se aplicam à condição humana. Fazem parte do mistério do sobrenatural e não podem ser objecto de uma abordagem racional e científica.
O grupo do Projeto SURSEM declara-se composto de “pesquisadores de mentalidade científica com amplos e variados interesses”.
Definem-se como “espiritualizados, mas não religiosos, no sentido convencional”.
Sem se filiar em qualquer crença religiosa específica, dizem-se “ancorados na ciência”, e desejam “ampliar os seus horizontes”.
Identificam o cenário actual como palco de dois fundamentalismos: o religioso e o científico, e assim, propõem “uma via intermédia” entre ambos. É fácil identificar tais propósitos com os que foram expostos por Allan Kardec, ao fundar o espiritismo.
Sem querer fazer dele uma nova religião, propunha explicitamente estabelecer uma “aliança entre a ciência e a religião”, apresentando o espiritismo como o “caminho neutro” a possibilitar essa aliança.

O tempo de Kardec, onde parte da ciência académica admitia o “espiritualismo racional”, era bem mais propício a esse objectivo.

Daí o optimismo presente na obra de Kardec. O século XX, porém, parece ter preferido trilhar o caminho “fisicalista”, atribuindo ao cérebro humano a inteira capacidade de gerar os processos mentais, aprisionando, assim, o espírito nos limites da fé religiosa, onde, aliás, os próprios espíritas preferiram, em maioria, se refugiar.
Menos mal que há reacções, vindas do próprio meio científico, que podem estar gestando um novo tempo: a Era do Espírito, sonho de Kardec e daqueles que bem o compreenderam.

Redacção de CCEPA OPINIÂo

O que realmente acontece quando se morre

Muito agradecidos pelas visitas e, se quiserem colaborar com estas mensagens, inscrevam-se como seguidores e… ajudem a divulgar!…

Este género de publicações dirige-se a um largo número de visitantes que tem o conhecimento de línguas estrangeiras. Estas entrevistas abordam temas fundamentais nos dias de hoje e não posso, infelizmente, incluir traduções de todas elas

What Really Happens When You Die

– Interview with Peter Fenwick
Peter Fenwick (born 25 May 1935) is a neuropsychiatrist and neurophysiologist who is known for his pioneering studies of end-of-life phenomena.
In this interview he talks about near-death-experiences (NDE), death-bed-visitors and how we can achieve a good death.
NDE research is at the cutting edge of consciousness research and offers a convincing model for the understanding of what happens when we die.
Peter Fenwick describes the different transitional phases of the dying process and highlights the importance of letting go at the end of ones life.

He offers fascinating insights into common phenomena at the end of life, such as premonitions, seeing a light, death-bed-visions and coincidences.

In his opinion everybody should know about death and the dying process, because it is a normal part of living.



Rupert Sheldrake / entrevista

Ateísmo, Espiritualidade e Consciência

Galileo Commission adviser Rupert Sheldrake joins Umar & Tahir Nasser, two UK-based doctors and founders of Rational Religion and the In Dialogue podcast.


In this interview with the “world’s most controversial scientist,” Rupert Sheldrake takes us on the journey of his life – from a sceptical undergraduate to a ground-breaking scientist.

Rupert Sheldrake, who gave the famous ‘banned TED talk’, and recently seen on the Joe Rogan podcast and Russell Brand’s ‘Under the Skin’ Podcast, joins Rational Religion for a discussion on atheism, spirituality, and consciousness.

In Dualogue Ep. 5, the author of “The Science Delusion” and “Science and Spiritual Practices,” and originator of the ‘morphic resonance’ theory, discusses the big questions he encountered along the way.

In Dialogue brings you fresh perspectives from a range of diverse voices challenging the status quo in science and society.

University of Virginia – Division of Perceptual Studies

Para conseguir ver todos os elementos do quadro docente desta faculdade é favor clicar na imagem

  Fundada em 1967 pelo Dr. Ian Stevenson, a DOPS (Division of Perceptual Studies) da Universidade de Virgínia, em Charlottesville é um grupo universitário de investigação há muito estabelecido, exclusivamente dedicado à análise de fenómenos que desafiam as correntes principais do paradigma materialista ainda dominante quanto à mente e ao cérebro, como estruturas ligadas e interdependentes. Ao contrário, os investigadores da DOPS estão a avançar no estudo dos fenómenos relacionados com a consciência como entidade independente claramente fora do corpo, bem como os fenómenos que revelam directamente a sobrevivência da consciência humana depois da morte física. Através de estudo cuidadoso, os investigadores do DOPS analisam e documentam os dados empíricos que foram registados quanto às experiências humanas que revelam a sobrevivência da consciência em casos de morte física, aparecendo a mente e o cérebro como diferentes e separados.

“É nossa a esperança de que outros cientistas de mente aberta se aproximem de nós para continuarmos os desafios de um estudo sério, o da natureza da consciência e as suas interacções com o mundo físico.”

O professor Ian Stevenson, fundador do DOPS, (1918 – 2007) que desenvolveu profundos estudos experimentais relacionados com a tese das vidas múltiplas, ou reincarnação.

As investigações da Divisão de Estudos de Perceção (DOPS) da Universidade de Virginia, entre outros, incluem:

  • Investigação dos meninos que, ao redor do mundo, relataram casos de memórias retidas de vidas passadas;
  • Investigação da consciência; casos comprovados de relacionamento da mente separada do corpo;
  • Estudo de imenso número de casos de Experiências de Quase-Morte (EQM, Near Death Experiences, NDE, em inglês), para sistematização científica, mediante entrevistas com os respetivos protagonistas;
  • Estudo de neuro-imagens de casos PSI; etc

 

O vídeo aqui apresentado desenvolve-se, naturalmente, em língua inglesa. Para melhorar a sua compreensão, sugere-se o uso das legendas, também em inglês, que é possível inserir num dos comandos, do lado direito em baixo. O processo de inserção é automático, por isso, não 100% perfeito.

Neste vídeo, a respeito da VIDA DEPOIS DA MORTE está documentado uma série de depoimentos de 5 professores universitários, sendo moderador um conhecidíssimo escritor e actor, John Cleese, um dos fundadores do Monty Python, e teve lugar no dia 12 de Abril de 2018 no Paramount Theatre em Charlottesville, com os seguintes participantes:

O professor Bruce Greyson, um dos fundadores do IANDS e professor da UVA. Para melhor esclarecimento consultar: https://med.virginia.edu/perceptual-studies/dops-staff/bruce-greysons-bio/

O professor James Tucker, continuador de Ian Stevenson: https://med.virginia.edu/perceptual-studies/dops-staff/jim-tuckers-bio/

Emily Williams Kelly, Ph.D. , UVA, Assistant Professor of Research, Division of Perceptual Studies, Department of Psychiatry and Neurobehavioral Sciences:

Emily Kelly’s Bio

Jennifer Penberthy, Ph.D. , Universidade da Virgínia; ABPP:

Jennifer Penberthy, PhD

Edward Kelly, Ph.D. Professor of Research, Division of Perceptual Studies, Department of Psychiatry and Neurobehavioral Sciences | Universidade de Virgínia;

https://med.virginia.edu/perceptual-studies/dops-staff/ed-kellys-bio/

Alguns exemplos de livros editados pelas entidades acima referidas no âmbito do seu trabalho no DOPS

O Evangelho segundo o Espiritismo, esclarecimentos de Milton Medran Moreira

Milton Medran Moreira

diretor do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre / Brasil

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – 150 ANOS em 2014

 .
    O Livro Número Um dos Espíritas
.

Cronologicamente, não foi o primeiro livro de Allan Kardec,  nem é sua mais importante obra, mas “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, que completou 150 anos em 2014 é, para a maioria dos espíritas o principal e, às vezes, o único livro conhecido e referenciado nos Centros Espíritas.


     A obra e seu contexto histórico

Desde que o espiritismo, contra a expressa vontade de seu fundador, Allan Kardec, se tornou uma religião, O Evangelho Segundo o Espiritismo tem sido visto quase como uma nova bíblia. Muito mais lido do que O Livro dos Espíritos, principal obra de Kardec, o ESE é proclamado como a base da “religião espírita”.        

Por outro lado, lembra o escritor espírita Eugénio Lara (São Vicente, SP), há pensadores espíritas de mentalidade não-religiosa que contestam a obra, achando que nem deveria ter sido escrita.
Para Eugénio, nenhuma dessas posições é a melhor: “O livro deve ser visto em seu contexto histórico e no conjunto da obra kardequiana. Nem bíblia, nem concessão, mas uma visão de Kardec dos ensinamentos evangélicos, a visão que ele tinha do cristianismo”.
Eugenio Lara sustenta que “o contexto histórico exigiu de Kardec uma resposta à demanda do movimento espírita nascente”, e que “numa França católica, a posição espírita em relação ao cristianismo era uma necessidade, o que não faz do espiritismo uma nova religião ou teologia cristã”.

Também para o Delegado da CEPA no Rio de Janeiro, Rinaldo Paulino de Souza, o contexto histórico não só da França, mas de todo o mundo ocidental foi relevante, pois o ceticismo trazido pelo Iluminismo levava o Ocidente a perder a crença no mundo extramaterial e em Deus.
Além disso, “era importante destacar as evidências da reencarnação nos livros sagrados cristãos, reforçando tal conexão com as explicações morais”, sustenta Souza.

Dentre os pensadores espíritas que entendem que O Evangelho Segundo o Espiritismo nem precisaria ter sido escrito está o pesquisador Mauro Quintella (Brasília/DF):
“No lugar do OESE, eu teria feito um livro com uma coletânea das melhores proposições éticas da história da Humanidade, onde, evidentemente, poderia entrar o que é aproveitável nos Evangelhos”,
disse Quintella, acrescentando que o nome desse livro teria sido “A Ética do Espiritismo”.


    Consolador Prometido? Terceira Revelação Divina?

Licenciado em Filosofia, e também Delegado da CEPA, Ricardo de Moraes Nunes (Santos/SP), concorda que as circunstâncias históricas justificavam a publicação da obra, mas lhe parece que Kardec e os espíritos foram tomados de um exagerado entusiasmo ao classificarem o espiritismo como “o consolador prometido por Jesus”.
Para ele, trata-se de tese “bastante ideológica, fugindo do campo das ideias práticas tão apreciadas por Kardec”.

         Já o pesquisador Augusto Araujo (Campina Grande/PB) Doutor em Ciência da Religião, vê o ESE justamente como o livro que “inaugura o período religioso do espiritismo, previsto por Kardec em 1863”.
Araujo identifica ali “uma curva em direção aos temas cristãos”, o que se deve a uma razão externa:
“a perseguição do espiritismo principalmente pela Igreja Católica”; e outra interna: “Kardec defende que o espiritismo seja o sucessor histórico e profético do cristianismo”.

A pensadora espírita Glória Vetter (Petrópolis/RJ) sustenta que Allan Kardec não quis um espiritismo “igrejista”, mas “cristocêntrico”.
Ela não vê problema que Kardec tenha proposto que os espíritas se apoiem nos ensinamentos de Jesus ou de outros mestres: “São contributos éticos que fortalecem os espíritos, mormente daqueles carentes de força e direção”, diz.

Matéria de capa do jornal CCEPA OPINIÃO de abril de 2014

 

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Clicar na foto para ter acesso ao artigo e ao filme de Pier Paolo Pasolini

EQM de Maria de Júlia Diniz, transcrição literal parcial

 

Experiência de Quase Morte, durante gravidez de Maria de Júlia Diniz, nos anos sessenta do século passado.

é FAVOR VER NOTÍCIA ANTERIOR
e escutar o depoimento na totalidade

INCLUI TRANSCRIÇÃO LITERAL DE PARTES FUNDAMENTAIS DO DEPOIMENTO.

Maria Júlia Diniz é portuguesa, e teve uma vida muito movimentada. Foi agente de vendas da TAP, dedicou-se muito à arte e fez trabalho voluntário a vida inteira. Casou aos 17 anos, engravidou aos 18 e teve uma Experiência de Quase-Morte, ou EQM. Muitos anos depois, é aposentada e, pela primeira vez na vida, fala sobre esta experiência. Vamos conhecer a história que teve a generosidade de nos contar?

Este registo de parte do seu depoimento é um documento fundamental para comprovar, de forma vivida, a continuidade e qualidade evolutiva de todos os seres humanos para além da morte, sendo a vida terrena apenas um intervalo de experimentação e aprendizagem, sujeito a certas dificuldades que dependem essencialmente da atitude de cada um de nós.

De salientar a perspicácia inteligente das perguntas do Dr.CARLOS MENDES, que nos colocam perante o essencial e fundamental do depoimento feito, quanto ao contexto de realidade concreta vivida por Maria Júlia Diniz.

O momento em que começa esta transcrição situa-se NO 27º MINUTO DA GRAVAÇÃO

Pergunta Dr. Carlos Mendes:
Como entende a relação entre a dimensão em que vivemos aqui, e a dimensão que viveu durante a sua experiência? Diz que sentiu que já lá tinha estado antes, como se tivesse voltado a casa.

Resposta Maria Júlia Diniz:
É um local imenso… de Paz.

P.: Voltando para cá, de que forma essa vivência, essa experiência a mudou em relação a valores, em relação à vida?

R.: Logo a seguir a este EQM fui para África, onde tinha a vontade de ser uma pessoa que cuidava… queria cuidar de todas as pessoas. Apiedava-me muito, pelas crianças, por tudo. Era uma grande empatia que sentia…
Tinha pessoas a trabalhar na minha casa, que mandavam para me ajudar, crianças com 8 ou 9 anos para serem meus criados.
Eu não queria ter uma criança de 8 anos como meu criado. Se isso acontecia… ia comprar uma boneca (risos…) e o que fazia era ensiná-la a fazer um bordado. Todos os garotos que passavam pela minha casa, muito novinhos, que eu não achava que tinham idade para trabalhar… alfabetizei-os!… Eu realmente fiz-me uma mulher virada para os outros.

(Nota histórica/informativa: Durante esses tempos do colonialismo português em África, certos funcionários, como militares e outros, dispunham de apoios especiais, que incluíam o fornecimento de serviçais domésticos…)

P.: Disse portanto que tinha tido uma mudança de visão sobre a vida, que ficou mais altruísta por causa dessa experiência que viveu?

R.: Acho que sim, porque na minha família não há ninguém que tenha a minha atitude. Estranharam muito e até chegaram a dizer-me: “Tu tens que levar dinheiro pelas coisas; não se vive do ar…”
Mas eu tenho uma perspectiva muito diferente. A felicidade para mim está… no olhar da pessoa. Isto talvez seja estranho… Estou a dizer o que é real… Gosto das coisas boas, gosto de ver coisas e fazer visitas… mas não é nisso que está o que é importante na vida.
(…)
P.: Durante o tempo em que a Senhora teve essa EQM, já disse que queria permanecer nela. Mas agora tem declarado que o que quer é viver aqui…?

R.: Agora quero muito viver, porque tenho uma missão. Sempre tive uma missão toda a vida.
Anulei-me pelo meu filho durante 25 anos. Percorri todos os hospitais de Lisboa e do Porto e de todo o lado, para conseguir médicos. E consegui!… Até mentindo, mas consegui!..
(…)
Eu quero viver porque sou uma pessoa. As pessoas precisam de mim!…
Tenho um grande amigo, que foi muito meu amigo quando estava doente.
É muitíssimo doente da cabeça, um rapaz com problemas psiquiátricos graves. Não o largo… porque ele faz parte da minha vida. É minha responsabilidade!…
34:00
P.: Trabalhou num manicómio, esteve em contacto com pessoas que tinham alucinações?

R.: Sim!…

P.: Em algum momento pensou que o que viveu poderia ter sido uma alucinação?

R.: Não! Nem por um minuto. A minha visão modificou-se. Durante a minha vida tenho tido uma miopia acentuada, sem óculos vejo apenas sombras. Durante a minha experiência via perfeitamente sem óculos. Via com nitidez. Via exactamente a realidade, sem precisar de óculos. E via o meu corpo, estando fora dele, passando por coisas difíceis, sem que eu sentisse dores.

P.: Acha que ainda tem alguma ligação com a vida na dimensão em que viveu a sua EQM?

R.: Sim, sinto!… Não tenho nenhum medo de morrer. Tenho medo do sofrimento antes da morte; mas isso é uma coisa que se passa com o corpo.
O nosso corpo é muito pesado!… Muito traidor!… Nós não sabemos porquê, mas tudo pode incomodar-nos. A fome, o frio… Mas quando morrer, imediatamente me sentirei segura!…
Porque aquilo é um lugar de plenitude. Um lugar quente e luminoso e que tem o dom de trazer tranquilidade e protecção. Portanto a pessoa, tem tudo!…

P.: Como é que entende hoje, qual é o estudo, o trabalho, que estão fazendo as pessoas que vivem aqui no mundo material ?

R.: Entendo que estão a tentar compreender se a alma ou a consciência são imortais (se a sua vida continua…). Porque a alma não ocupa provavelmente um espaço, um tempo, e foge para um lugar provavelmente conhecido da alma e conhecido de todas as outras pessoas que lá estão. Estando lá, em espera, estão seguras.
Não sou de praticar religiões. Não sou católica. Sou cristã. Não vou a igrejas. Há coisas nas igrejas de que não gosto.
Mas sei que há uma Luz. Eu estive dentro da Luz.  Dentro da luz não era deficiente da vista. Portanto dentro da luz era perfeita. Isto é a maneira como eu interpreto muito profundamente a situação. Se eu dentro da Luz estava feliz, é porque nada me doía. E se via é porque não era míope. Ali não há defeitos.
30:57
P.: Acha que a nossa passagem por aqui tem algum objetivo específico?

R.: Completamente. É um objetivo de crescimento.
Como já disse a minha vida teve grandes desafios e fiz grandes disparates na vida. Todos nós fazemos. Isso faz parte do percurso. Mas paralelamente acho que respondi muito bem a muitas coisas, a muitos desafios. Portanto se a minha vida foi complicada era porque o percurso tinha que ser complicado.
Portanto o meu objectivo é cumprir para com a pedras que aparecem no caminho.

P.: Sentiu a existência de uma hierarquia?

R.:Sim, o que estava à minha volta era poderoso; e eu era uma migalhinha aconchegada no algodão.

P.: Compara essa hierarquia como sendo o acolhimento de alguma coisa acima de si em termos de conhecimento?

R.: Muito acima, não tem comparação nenhuma. Como se fosse um gigante de algodão que pega numa pequenina coisa de nada, um grão de arroz, que fica feliz com aquele acolhimento. Aquilo… é colo!…

P.: A partir da experiência sentiu alguma mudança nos seus sentidos, premonições ou conhecer os sentimentos de outros?

R.: (…) Se me cruzo com alguém na rua, sinto apenas que aquela pessoa que ali vai precisa de uma palavra. Depois descubro que a pessoa precisa mesmo. Portanto a minha intuição só tem a ver com… necessidades positivas.  (41.41)

P.: No final do seu depoimento gostaria de deixar algum recado para as pessoas, levando em conta toda essa aprendizagem que teve?

R.: Queria deixar aqui muito claro que estive fora do corpo, num local de luz, que me acolheu com muito amor. Apesar dos erros que já naquela altura teria feito.
Ali há muito perdão. Uma compreensão. É um sítio extraordinário.
Acho que todas as pessoas deviam ser menos consumistas, menos preocupadas e menos invejosas por pequenas coisas.
E deviam ter um olhar maior, ter uma visão ampla no seu dia a dia, terem um projecto humano, realmente humano.
Praticar o BEM, até mesmo com um animal. Sem estar ligadas a igrejas ou a movimentos.
Todos os dias podemos encontrar alguém que precisa de nós, ou da nossa compreensão, ou do nosso carinho, ou do nosso conhecimento.
Isso ficou tão presente realmente e foi tão habitual na minha vida, que eu não sei se vem dali esse meu conhecimento.

Nessa experiência, nessa EQM eu conheci a Luz.

EU CONHECI A LUZ

Um dos depoimentos de NDE/EQM mais inteligentes e lúcidos que já ouvimos desde sempre

O site brasileiro “Afinal quem somos nós”, actualmente dirigido pelo Dr. Manuel de Sousa, tem feito um trabalho muito importante na divulgação de depoimentos de “Experiências de Quase Morte”, fenómeno que seguimos há um bom número de anos e que temos publicado no nosso título de Menu dedicado a este tema: https://palavraluz.com/category/nde-eqm/

Os depoimentos a respeito de EQM/NDE são todos diferentes, uns mais simples e desprovidos de “enredo”, outros muito elaborados, cheios de detalhes importantes e variados. Por esse processo confirmam a existência ABSOLUTAMENTE FACTUAL da vida depois da morte, numa sequência de detalhes igual aos que nos descreve o conhecimento espírita, da passagem deste mundo de aprendizagem e colheita de experiências, para a vida espiritual. https://youtu.be/2CRzK3ZaN2o Para este depoimento de uma Senhora portuguesa, a Maria Júlia Dinisz, queremos chamar a atenção de todos, visto que se trata de um dos mais importantes do incontável número de casos de que já tivemos conhecimento desde sempre. E porquê?

Porque sendo uma viagem a outro plano da existência sem a multiplicidade de visões das EQM mais extensas, com variedade de encontros e cenários, teve efeitos construtivos magníficos na sua protagonista, os quais compreendeu e foi desenvolvendo ao longo da sua vida.

A consciência dos seus atos de caridade lúcida, de amor solidário e construtivo foram passos dados em busca do SER SUPERIOR que mora em nós e que necessitamos de conquistar aos longo das nossas vidas como DESTINO PRINCIPAL da alma.

A transformação do carácter moral dos protagonistas de EQM

Conforme se encontra detalhadamente esclarecido nos documentos que temos publicado a este respeito, a característica em subtítulo é das consequências mais importantes deste género de fenómenos. No caso de Maria Júlia Diniz, tendo registado a sua EQM há muitos anos, os efeitos de transformação de carácter moral conduziram  as suas opções de vida marcadas pela generosidade  e solidariedade, com apoio da sua rica personalidade espiritual, intelectual e artística. A única forma que temos de confirmar esta ideia é sugerir que ouçam o seu depoimento, palavra por palavra, observando a sua entrega em benefício dos seus semelhantes necessitados de apoio humano e caridade fraterna.

CEPA – Associação Espírita Internacional

Há muitos anos que seguimos o trabalho desenvolvido pela CEPA Brasil, agora categorizada pela sua importante actividade internacional.
A seguir, uma referência breve às suas características culturais, doutrinárias e intelectuais, seguidas de um importante depoimento sobre a atitude de espiritualidade laica, que é marca distintiva da personalidade que cultivam.
Esta última parte é da autoria de Jon Aizpúrua, Ex-presidente da CEPA (1993/2000) e actual Assessor de Relações Internacionais, para a qual chamamos a melhor atenção de todos os nossos visitantes.

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Nosso empenho maior concentra-se em exteriorizar em toda sua plenitude os postulados que compõem a Doutrina Espírita.
Em sua defesa e preservação nos colocamos acima das cortesias, diplomacias, relações pessoais ou institucionais.

Em consonância com essa linha mestra lutamos por uma Doutrina:

Kardecista,
porque assume os ensinamentos e reflexões apreendidos da obra de Allan Kardec, que representam a essência e a base do edifício doutrinário. Orientado pela bússola da codificação kardecista, o Espiritismo manterá sempre o rumo correto e seguirá por caminhos seguros.

Progressista,
porque o pensamento espírita é um instrumento para o melhoramento individual e social aliado a valores como: liberdade, justiça e igualdade. Porque proporciona uma postura dinâmica, aberta, autocrítica e capaz de ampliar os conceitos como resultado do processo de mudança do mundo.

Livre-pensadora,
porque convida seus integrantes e as pessoas em geral a gozar, em sua plenitude, do direito ao livre exame de todas as idéias e ao aproveitamento de toda reflexão com critérios e métodos dentro e fora do Espiritismo. Liberdade de pensamento, de expressão e crítica são condições necessárias para um espírita autêntico poder se expressar. Direitos a que não se pode renunciar, que a CEPA. garante a todas as pessoas e às instituições a ela vinculadas.

A Palavra da CEPA

Jon Aizpúrua
Ex-presidente da CEPA (1993/2000) e atual Assessor de Relações Internacionais

Denomina-se como laicidade à concepção da vida na qual defende-se a ausência de religião oficial na direcção dos Estados, enquanto que por laicismo entende-se o movimento histórico que reivindica a implantação da laicidade.
Sobre a base de seus fundamentos humanistas, sociológicos e morais, assume-se que a laicidade estabelece um vínculo comum entre as pessoas e facilita que elas convivam respeitosa e cordialmente, processando suas diferentes opiniões em um âmbito civilizado, de liberdade e igualdade. Os princípios laicos de liberdade de consciência, de pensamento, de expressão e de organização; a igualdade de direitos e obrigações, assim como a justiça social, constituem a própria essência do sistema democrático.

É conveniente salientar que um Estado laico e, portanto, não confessional, não implica seja antirreligioso ou ateu. Toda a crença religiosa é respeitável e deve sempre garantir-se a seus adeptos o direito de vivê-la intimamente, compartilhando-a com quem se deseje e difundi-la sem restrições. Diferente há de ser o clericalismo e suas pretensões de gozar de privilégios especiais no âmbito social, situar-se por sobre ou à margem da normativa civil ou jurídica, ou impor critérios teológicos em assuntos morais, científicos ou educativos.

Felizmente, uma porção considerável da humanidade evoluiu no sentido de uma concepção laica que coloca em seus precisos termos a relação entre o mundo civil e o religioso, os Estados e as Igrejas. No mundo ocidental, com maior força, vive-se, cada vez mais, em uma sociedade pós-cristã. Esse tipo de sociedade teve início na Europa a partir do Renascimento, converteu-se em um projeto com o Iluminismo, generalizou-se entre as massas cristãs na segunda metade do século XX e foi se estendendo à América e a outros países influenciados pela cultura ocidental. A partir de um ponto de vista sociológico, não tão religioso, essas sociedades podem qualificar-se de pós-cristãs, o que significa que a cosmovisão baseada no cristianismo, em torno da qual girou a vida individual e social durante séculos, vai deixando de ser sua coluna vertebral. Essa mudança progressiva de cosmovisão na tradição cristã ocidental foi-se manifestando em muitas expressões culturais que estão sendo transformadas ou abandonadas:

  • As festas religiosas determinavam o calendário civil e trabalhista. Agora se eliminaram a maioria delas, embora sigam sendo muito importantes o Natal e a Semana Santa, não tanto no sentido religioso, mas como ocasião de viver em família e oportunidade para férias em campos e praias. O mesmo ocorreu com as festas patronais das pequenas localidades que eram dedicadas a um santo e que agora são apenas o motivo para celebrações civis e folclóricas

  • Os nomes que os pais davam a seus filhos eram buscados no calendário santo e que agora são apenas motivo de celebrações civis e folclóricas. Hoje se lhes põem nomes inventados, surgidos de combinações originais, muitas vezes estranhas e até impronunciáveis.

  • Muitas manifestações públicas, como procissões, romarias ou peregrinações, foram se despojando de seu sentido religioso original e se vão convertendo em festas folclóricas e populares, que costumam se aproveitadas pelos líderes políticos para promover sua imagem pessoal com fins eleitorais.

  • Em muitos países da órbita cristã, o registo eclesiástico de batizados e matrimónios era utilizado pelos Estados como registo civil. Há muito tempo que ambos registos obedecem a propósitos diferentes e somente o civil é obrigatório e possui efeitos legais.

  • Os símbolos religiosos cristãos, como o crucifixo ou o juramento pela Bíblia, eram frequentes em âmbito público, como escolas e repartições governamentais. Cada vez mais se impõe a tendência de suprimir qualquer exibição religiosa pública e se reduz a presença de autoridades civis a atos religiosos, reservando-se nada mais que aqueles de especial solenidade.

  • A moral estabelecida pelos cultos cristãos impunha as regras para o comportamento dos cidadãos. Actualmente discutem-se, questionam-se ou se rechaçam muitos desses critérios e comportamentos, especialmente no âmbito da sexualidade e da legítima diversidade de opções que cada pessoa tem direito de escolher sem ser discriminada ou estigmatizada.

  • A linguagem religiosa perdeu actualidade, pertinência e relevância social. Palavras e expressões como pecado, céu e inferno, salvação, culpa, penas eternas, castigos divinos, etc. foram desaparecendo do linguajar corrente e circunscrevendo-se aos actos de culto.

  • Em matéria educativa pública, já não se discute a primordial competência do Estado, ficando reservado o ensino da religião ao âmbito familiar e das organizações eclesiásticas.

  • “Crentes mas não praticantes” declaram-se muitos hoje em dia. Essa é outra característica da sociedade pós-cristã que merece atenção. Expressa-se de muitas formas: “Eu creio em Deus, mas não nos sacerdotes”, “eu me confesso directamente a Deus, não com um homem”, “a Igreja reprime minha liberdade”, etc. Nestas e outras manifestações reflecte-se uma espécie de alergia e rechaço às instituições eclesiásticas.

  • Outra característica importante da sociedade pós-cristã é a separação entre confissão religiosa e organização política e social. A liberdade de culto impôs-se nos países modernos e, como consequência, o catolicismo e outras religiões cristãs deixam de gozar de privilégios e vantagens por parte de um Estado que se declara laico. Um governante, incluindo todos os membros de seu governo, podem ser crentes, mas sua fé é um assunto pessoal e não a podem impor ao resto da sociedade.

Como é muito bem sabido, o espiritismo, desde seu início, a partir do ato fundacional que o aparecimento de O Livro dos Espíritos significou, em 1857, desfraldou a bandeira do laicismo, ressaltando o valor irrenunciável da liberdade que permite a cada ser humano administrar suas crenças em matéria de religião, de fé, de transcendência, conforme os ditames de sua razão e sem temor de ser condenado, castigado, anatemizado ou perseguido.

Claro está que o laicismo no qual se inscreve o espiritismo possui uma base inequivocamente espiritualista.
Muito distanciado de um laicismo materialista e ateu que promove a indiferença frente às perguntas radicais da existência humana: sua origem e destino, assim como sua referência centrada em uma explicação exclusivamente física, química, biológica, psicológica ou sociológica da vida e da morte, o espiritismo reafirma o reconhecimento da existência de Deus como Inteligência suprema e causa primeira de todas as coisas;
do espírito como entidade psíquica transcendente que preexiste ao nascimento e sobrevive depois do falecimento;
do processo evolutivo ascendente do espírito que se verifica em inumeráveis e sucessivas existências;
da incessante comunicação entre desencarnados e encarnados por diversidade de meios;

e deriva desses princípios uma cosmovisão humanista e progressista que convida à transformação pessoal e social, no quadro dos mais elevados princípios éticos.

Convidando para a compreensão do sentido espiritual da vida,
insistindo no respeito pleno e na liberdade das pessoas e dos povos, e sustentado na razão e na ciência, o espiritismo conduz a uma espiritualidade laica, equidistante do catecismo sem esperança, do materialismo e do dogmatismo sectário e alheio à ciência e à racionalidade das teologias.

Uma espiritualidade aberta e tolerante, que, por sobre a base de princípios universais, promove uma cultura de entendimento, convivência, harmonia, generosidade, solidariedade e fraternidade.

  • Uma cultura de respeito pela vida em todas as suas formas.

  • Uma cultura que garanta o exercício da liberdade de pensamento, consciência e crença.

  • Uma cultura de não violência que promova o encontro e a solução pacífica das controvérsias.

  • Uma cultura da solidariedade que impulsione a criação e a consolidação de uma ordem mundial justa, em que se apaguem as ignominiosas diferenças entre privilegiados e deserdados.

  • Uma cultura da verdade no plano da transmissão da informação e o conhecimento, que erradique a mentira.

  • Uma cultura da igualdade entre os povos, as nacionalidades, as etnias ou identidades sexuais, onde não haja lugar para a discriminação.

  • Uma cultura do trabalho, reconhecido como instrumento fundamental da riqueza social, e que seja devidamente remunerado em um ambiente de relações justas e honestas entre empresários e trabalhadores.

  • Uma cultura que promova o funcionamento democrático no exercício político das nações, sustentada no sufrágio livre e transparente, e que erradique toda a sorte de regimes autoritários e tirânicos, com independência do matiz ideológico com que se identificam.

Conceitos como estes, e muitos outros que se podem acrescentar, integram o que denominamos uma espiritualidade ética de orientação espírita sustentada na cultura do amor, e traduzem em termos concretos e actuais a proposta central de Allan Kardec e dos espíritos sábios que o assessoraram, respeito à marcha evolutiva da humanidade rumo a um horizonte superior que se definiu como “um mundo de regeneração moral e social”.

Muito bem faz nossa Associação Espírita Internacional CEPA em conceituar o espiritismo como uma visão laica, humanista, livre-pensadora, plural e progressista, porque ela coincide cabalmente com o modelo de espiritismo pensado e sonhado por Allan Kardec, seu ilustre fundador e codificador.



A Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA – CEPABrasil completou 15 anos de atividades, no dia de 19 de outubro passado. Fundada em 2003, adotou até outubro de 2009 a sigla CEPAmigos. A CEPABrasil tem como objetivo reunir amigos e simpatizantes da CEPA residentes no Brasil, realizando atividades doutrinárias de estudos e difusão do espiritismo com base nas obras de Allan Kardec, sublinhando seu caráter livre-pensador, humanista, laico, plural, evolucionista e universalista.

Nestes breves quinze anos, foram realizados oito Fóruns do Livre-Pensar Espírita, pela ordem: João Pessoa (PB), Pelotas(RS), Guarulhos (SP), João Pessoa(PB), Fortaleza(CE), Porto Alegre(RS), Domingos Martins (ES), Salvador (BA), e quatro Encontros Nacionais, em: Itapecerica da Serra(SP), Bento Gonçalves(RS), João Pessoa (PB) e Fortaleza (CE).

A CEPABrasil foi presidida por Sandra Régis, Jacira Jacinto da Silva, Alcione Moreno, Homero Ward da Rosa e, atualmente, por Jailson Lima Mendonça.

Parabéns e muito obrigado a todos os amigos que participam com suas ideias, reflexões e sugestões, sendo presença constante nos espaços sociais e eventos da CEPABrasil e da CEPA. Vocês, amigos de todas as nacionalidades, constroem e fortalecem a união, a tolerância, a empatia e a alteridade em nosso pequeno e valoroso grupo de espíritas.

Amigos, espaços de convivência democrática não estão prontos; eles resultam do aprendizado, do esforço e do respeito às diferenças. Não pretendemos hegemonia, pois queremos continuar pensando, concordando, discordando, aprendendo e avançando… A experiência humana se alicerça em erros e acertos – mas é insubstituível.

Diretoria da CEPABrasil

Nova tradução de O Evangelho segundo o Espiritismo – português de Portugal

O Evangelho segundo o Espiritismo,
prefácio dos tradutores


O que é o Espíritismo?

Ideias colhidas em
“O que é o Espiritismo”
de Allan Kardec, 1859

 

“…O espiritismo funda-se na existência de um mundo invisível, formado pelos seres incorpóreos que povoam o espaço e que são as almas daqueles que viveram na terra, ou noutros planetas.
São os seres a que chamamos Espíritos, que nos cercam, exercendo sobre nós uma grande influência e desempenhando papel muito ativo no mundo moral…”
 “…o Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica.
Como ciência prática consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos; como filosofia, analisa todas as consequências morais que derivam dessas relações.
Podemos defini-lo assim:

“…é uma ciência que trata da natureza, da origem e do destino dos Espíritos, bem como das suas relações com o mundo corporal…”
 “…o Espiritismo, depois de se tornar conhecido, esclareceu grande número de problemas, até certa altura insolúveis ou mal compreendidos. O seu verdadeiro caráter é o de uma ciência e não de uma religião…”

“O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO” de Allan Kardec

Conforme está na capa da obra original, trata-se categoricamente de: “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO” e de forma nenhuma “o Espiritismo segundo o Evangelho”. Convém fixar esta ideia claríssima e conservá-la em mente, porque é fundamental.
Ou seja, em nenhum dos aspetos desta obra nos é apresentada uma versão do Espiritismo paralela ou diretamente derivada do conteúdo narrativo dos Evangelhos, exceto na parte subjacente que corresponde a ensinamentos de Jesus de Nazaré, coincidentes com o ensino moral dos Espíritos, esse sim, fonte legítima e atualizada do Espiritismo.

Portanto, para todos aqueles que têm este livro como uma aproximação tácita a uma conceção evangélica do ensino dos Espíritos, afirmamos redondamente que não é esse o significado que lhe atribuiu o seu autor ou as entidades espirituais que comunicaram os seus conteúdos.
A presença na obra de citações escolhidas dos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João destinam-se predominantemente à descodificação de fragmentos desses Evangelhos concebidos com o carácter de metáforas ou de parábolas, muitas vezes redigidos numa linguagem místico-alegórica, de situações que nem sequer poderiam ter sido vividas por Jesus de Nazaré.

Citamos apenas um exemplo, entre muitos que poderíamos mostrar: as cenas referíveis a tentações a que Jesus teria sido sujeito pelo próprio “diabo”, que inconcebivelmente o teria levado para o deserto para esse efeito.
Sabemos, pelo estudo da escala espírita que está incluída em “O Livro dos Espíritos” que Jesus, sendo um Espírito puro, estaria definitivamente acima dessa eventualidade, além de que a figura de “o diabo” é meramente teórica e que “o Inferno” não existe. Pela sua intensidade imaginária, episódios como este, tão totalmente fora da possibilidade real, têm sido expressivamente ilustrados, até em cinema e em vídeo, arrastando a equívocos de carácter lamentável.
Que fique bem claro, portanto, que as explicações dos capítulos que foram acrescentadas pelo autor de “O Evangelho segundo o Espiritismo” a cada conjunto de citações dos Evangelhos, explicam o verdadeiro sentido que lhes é associável no âmbito específico do ensino dos Espíritos.

O ENSINO DOS ESPIRITOS É BEM CONHECIDO DESDE A ANTIGUIDADE

O livro que apresentamos, logo no número IV da Introdução, inclui um resumo com algum detalhe de um fenómeno geralmente desconhecido e muito pouco discutido nas suas razões histórico-culturais: Sócrates e Platão percursores da ideia cristã e do espiritismo.
Esse interessantíssimo momento desta obra fornece uma detalhada referência que comprova que os princípios do espiritismo estão no arquivo dos conhecimentos da Humanidade há muito mais de vinte séculos.
Conhecimentos resultantes de muito numerosas trocas de impressões com os Espíritos, exatamente do mesmo tipo de comunicações que foram levadas à prática por Allan Kardec e seus colaboradores, já muito conhecidas nessas recuadas épocas da história da Humanidade.
 Esses conhecimentos tiveram condições para se implantarem numa vasta sociedade culta, com grande projeção civilizacional, informando os estudos de notáveis filósofos, grandes homens de ideias e até importantes e diferenciados sectores da sociedade.

Qualquer enciclopédia nos dará uma ideia bastante concreta de “pré-socráticos”, como Pitágoras, fundador da duradoura Escola Pitagórica, com notáveis estudos sobre a alma e a reencarnação e um numeroso grupo de discípulos que se projetou por séculos, em pleno coração da Antiguidade Clássica.

Chamamos a atenção para um simples detalhe, ainda relativo à obra de Platão. Da sua importantíssima obra “A República”, faz parte “O Mito de Er”, a narrativa de um fenómeno do mesmo género de experiências que na atualidade têm atingido notoriedade mundial, com milhões de exemplos registados, investigados em numerosos países com a designação de “EQM – Experiências de Quase-Morte” ou, em inglês, as conhecidíssimas “NDE – Near Death Experiences”.

O DESCONHECIMENTO DO FUTURO EVOLUTIVO – MOTIVO DE MEDOS E ANGÚSTIAS

Uma complexa ordem de transformações que colocaram termo à Antiguidade Clássica, fez com que o ensino dos Espíritos e a vasta zona de influência de que dispunha, tivesse sido irradiado das práticas socio-culturais e ideológicas de toda a sociedade organizada.
Os vestígios de toda essa imensa cultura, foram sendo implacavelmente combatidos pela que se foi instalando nas áreas de predominância dogmática.
Não tardaria que as pessoas que praticavam a mediunidade fossem presas e condenadas, como gente que praticava feitiçarias e “falava com o diabo”. Séculos e séculos duraram em que eram queimadas vivas, como gente maldita e cúmplices do demónio.
O espiritualismo teórico e prático, o conhecimento da vida depois da morte e a evolução da humanidade concebida pelo processo das vidas sucessivas, permaneceu largamente ignorado durante cerca de vinte séculos, que mergulharam no silêncio a consciência fundamental da sequência das vidas e das mortes.
Ao longo desse imenso lapso de tempo as desigualdades e os conflitos sangrentos tiveram a palavra mais pesada nas atitudes e dores da Humanidade, cujas nefastas sementes continuam a ser plantadas num
mundo ansioso e desigual, agora já com mais de sete mil milhões de almas.
A ignorância da verdadeira natureza, da origem e do destino dos Espíritos, fez com que se tenham generalizado culturas dominadas pelo materialismo mais violento, causador de desigualdades e conflitos, como bem registam os livros de História de vários continentes.
O medo da morte aflige uma grande maioria dos habitantes da Terra, trazendo a inquietação e a angústia, sobretudo para aqueles cuja morte se aproxima. Outra situação de dor e de incerteza é a perda de entes queridos, atingindo o falecimento de parentes na idade juvenil uma incompreensão dolorosa, muito difícil de entender, para além do negrume inexplicável da própria morte.

A VIDA DEPOIS DA MORTE – CONHECIMENTO AO ALCANCE DE TODOS

Na atualidade, o estudo dessas ideias, com elevado nível de aprofundamento e de provas experimentais muito sólidas está ao pleno alcance de todas as pessoas. Só depende de cada um de nós interessarmo-nos e desejar abordar esse estudo. Tem sido feito desse há muitos anos, como é de há muitos séculos, nas reuniões tidas com assistência de pessoas especialmente dotadas com o naturalíssimo sentido da mediunidade, em reuniões especialmente organizadas para esse efeito.

Desde fins do século XIX, começos do século XX já não foi só em reuniões geralmente confidenciais e muito recolhidas.

Já de há muito são feitas por médiuns muito conhecidos e prestigiados, sob os auspícios de investigadores de elevado nível académico, em instituições especializadas.
Estudos devidamente organizados por interessados conhecidos, que já não foram perseguidos pela medonha inquisição para serem torturados ou queimados vivos por… “falarem com o demónio”.
É fácil conhecer todo esse universo, está ao alcance de todos.

O ESTUDO ESSENCIAL E COMPLETO DA OBRA DE ALLAN KARDEC

Chamamos a atenção de uma ideia que se aplica a todos os escritos de Allan Kardec: não são obras para ler; as obras de Allan Kardec, são obras para estudar!…
Não é por uma simples leitura que se chega à compreensão adequada dos temas que devem ser articulados a partir da leitura da obra, relacionando conteúdos entre si, pelo estudo cuidadoso das outras obras do mesmo autor.
Chamamos a atenção para a importância fundamental da REVISTA ESPÍRITA, tão largamente ignorada.
Há estudos sobre as obras de Allan Kardec que fazem referências concretas a certas passagens da mesma, sendo possível ter acesso imediato aos trechos citados e respetiva interpretação através da sua abundante disponibilidade internet.

Sugerimos como base de dados muitíssimo completa, a visita de: https://kardecpedia.com/.

COMO E ONDE EXISTE O ESPIRITISMO

O espiritismo, se existe e merece nome, é construído por nós, na autonomia do nosso pensamento. É fruto da nossa condição de Espíritos sujeitos ao itinerário já percorrido, ansiosos por avançar honestamente na parcela da verdade que nos for permitido construir no território amplo e livre da nossa consciência.
Ler, estudar e pesquisar é fundamental, para que o nosso pensamento se encontre com ideias novas, diferentes, pesquisadas e descobertas por outros seres como nós, empenhados na sua própria evolução, suficientemente generosos na partilha.

Vivemos a vida material responsáveis por todos os nossos atos e pensamentos, solidários com todos os nossos semelhantes. Enquanto vivos a categoria de seres dotados de consciência autónoma e livre arbítrio, permite-nos todo o tipo de diligências de associação cultural.

Mas no momento do regresso à pátria espiritual, no voo livre pelo túnel palpitante que nos conduz à luz da paz infinita, vamos sós, levando connosco o que pensámos, dissemos e fizemos durante toda uma curta vida. São essas aquisições que nos guiam, frente a novos e magníficos desafios que se seguirão.

 

José da Costa Brites e Maria da Conceição Brites

Notas importantes:

Os autores da tradução desta e de outras obras de Allan Kardec têm seguido com muita atenção todos estes estudos, individualmente, em clima de total independência cultural e ideológica.
Seguem as suas próprias ideias e não são afetos a nenhum sector com diretrizes pré-definidas.
O nosso trabalho de investigação e estudo do espiritismo encontra-se à disposição de todos em fontes de consulta residentes na internet, entre elas: “palavraluz.com” e “espiritismocultura.com”.

Pessoalmente estamos totalmente disponíveis para depoimentos, observações e críticas, através do e-mail: espiritismo.cultura@gmail.com

 

 

 

A todos seguidores, visitantes e amigos

Praia da Nazaré, vista do Sítio, com horizonte de luz e gaivotas

Muito estimados seguidores, visitantes e amigos

A continuidade de publicações tem tido uma pausa que não significa desinteresse nem falta de atenção nem da Vossa parte nem da nossa.

Informamos que estamos (eu e minha esposa) profundamente empenhados no estudo e tradução das obras de Allan Kardec.

Há uma simpática e valiosa instituição espírita que fez o favor de solicitar os nossos serviços de tradutores e amigos, e estamos a prosseguir um tratamento muito atento do texto de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, para que apareça, logo que possível, disponível para os leitores de português de Portugal.

Entretanto temos à Vossa disposição as traduções de “O Livro dos Espíritos” e de “O Livro dos Médiuns”. 

A leitura paciente e metódica das obras de Allan Kardec deve ser um hábito de todos os interessados pelo estudo do decurso e da continuação da vida, fenómeno que faz de todos nós entidades privilegiadíssimas no contexto da prodigiosa CRIAÇÃO.

Só o estudo atento da continuidade da VIDA nos sucessivos episódios da sua esplendorosa EVOLUÇÂO pode conferir sentido profundo e riquíssimo de toda a sequência diária das existências.

A leitura continuada e muito atenta de todas as obras de Allan Kardec, apesar da sua relativa antiguidade, fornece-nos palavra por palavra, linha a linha e página a página, conhecimentos importantíssimos muito úteis para compreender com muito entusiasmo o fenómeno das nossas vidas, a riqueza da nossa convivência solidária e qualificada com todos os nossos semelhantes, a caminho da paz, da solidariedade activa e da inteligência criativa que só a civilização espiritualizada e caridosa pode permitir.

As nossas melhores saudações a todos

INSCREVAM-SE COMO SEGUIDORES, PARTILHEM AS NOSSAS PUBLICAÇÕES, RECOMENDEM AS NOSSAS TRADUÇÕES E SEJAM MUITO FELIZES NO DIA A DIA, COM TODO O OPTIMISMO, CONFIANÇA NO FUTURO E ALEGRIA DE VIVER!…

E VIVA DEUS!…

Painel de azulejos presente na capelinha do mirante no Sítio da Nazaré.

Nova tradução de “O Livro dos Médiuns” em português de Portugal


Prefácio dos tradutores

Achámos fundamental redigir este prefácio, primeiro para dar o devido relevo a uma obra que, embora escrita numa linguagem e com argumentos fortemente datados, continua a ser da máxima importância para a configuração da cultura a que diz respeito, que tem sido pouco estudada e ainda menos seguida cuidadosamente nos princípios que enuncia.
A nossa tradução de “O Livro dos Médiuns”, da mesma forma como dissemos no prefácio de tradutores de “O Livro dos Espíritos”:
…resulta da imensa admiração e respeito que temos pelo ensinamento dos Espíritos, na forma que foi metodicamente organizada por Hipólito Leão Dénisard Rivail, aliás Allan Kardec.
Confirmando as intenções que nos animaram quando começámos a traduzir Kardec, repetimos que “… se destina tanto a leitores espíritas como não espíritas… dando a conhecer as condições essenciais para aceder à mensagem da obra e aos seus ensinamentos.”

Sendo este livro o desenvolvimento da vertente científica do espiritismo, sentimo-nos agora obrigados a dirigir a nossa palavra às pessoas que têm assumido a nobre tarefa de possibilitar a “comunicação dos Espíritos com o mundo material”, tal como foi afirmado na conhecida definição da autoria de Allan Kardec.

“O Livro dos médiuns”, aquele que ensina a aprender com os Espíritos

A base do entendimento dos valores da mediunidade está no edifício de conhecimentos que nos foi deixado por Allan Kardec, mensagem exemplar que podia e devia ter continuado a evoluir usando os métodos e critérios por ele mesmo instituídos.
Sobretudo aqueles que têm o privilégio de falar pelos Espíritos, na nossa opinião, nunca deveriam ter abandonado a pesquisa mediúnica, abrindo cada vez mais o património das informações sobre as vidas depois das vidas, tendo em atenção aquilo que está claramente delineado em muitas das páginas deste livro.

É, pois, urgente, relançar as perspetivas da filosofia que nos legou Kardec, com a ajuda principal do ensino dos Espíritos e com raízes no pensamento da religião natural, configurada antes por filósofos e homens de cultura como Immanuel Kant, Jean-Jacques Rousseau e seus sucessores e discípulos.

Coroando esta ideia, citamos de seguida palavras de Sandro Fontana, inseridas no texto de abertura da Revista Ciência Espírita, Edição 7 de Março de 2016, onde é referida a importância do Controlo Universal do Ensino dos Espíritos (CUEE), tão fundamental para Kardec e, por vezes, tão esquecido nos nossos dias:

“É de conhecimento básico do espiritismo que a mediunidade é o seu principal “agente”, ou seja, sem a mediunidade não existiria o espiritismo, principalmente porque a fonte base de informações é proveniente do trabalho beneficente dos médiuns; afinal, são eles quem transmite a informação proveniente do mundo espiritual.

Também é de conhecimento geral espirita que, “a opinião de um Espirito é somente uma opinião”, sendo assim esse pressuposto garante que um Espirito, ao comunicar, está passando as informações que lhe são tangíveis baseada nas suas próprias perceções e seu grau evolutivo.

Tanto é assim que Kardec elaborou um método que “cruzava” informações de vários médiuns e espíritos para poder chegar a alguma conclusão sobre um assunto ou tema, lembrando que isso nunca foi, nem deve ser definitivo, como muitos idólatras e dogmáticos pretendem, isso porque a conclusão final ainda é humana e condicionada ao tempo do observador/pesquisador, que é limitado.

Então, se toda a fonte básica de conhecimento (e ajuda em muitos casos) é proveniente da mediunidade, por que motivo os Centros Espiritas limitam o desenvolvimento mediúnico?

A Humanidade, como nunca, à beira de compreender factualmente a vida depois da morte

A conceção intelectual do espiritismo foi uma extraordinária realização, se atendermos à época em que foi concretizada, com imensa dedicação intelectual e desprendimento pessoal de Allan Kardec, que não quis ser fundador nem dirigente de qualquer movimento instituído. Levava o seu sentido da tolerância até aos limites, sem qualquer desejo abusivo de poder.

A leitura das suas obras, deste “Livro dos Médiuns” e de todos os conteúdos da Revista Espírita, é ainda hoje surpreendente, quer sob o ponto de vista filosófico e científico, a que hoje ─ muito mais do que há um século e meio de distância – vastas áreas da cultura científica se vão rapidamente abrindo.

O espiritualismo científico – uma cultura em explosiva transformação

Julgamos não ser necessário reunir argumentos detalhados para demonstrar a evidência deste subtítulo. A explosão citada diz respeito ao esclarecimento da vida depois da morte em praticamente todo o mundo, no contexto das imensas facilidades que os meios de comunicação nos oferecem e da crescente intervenção de cada vez mais qualificadas entidades de pesquisa. Vamos por partes.

Visitas ao “céu”, com direito a receção e outros detalhes fantásticos…

Há vários domínios da evolução da Humanidade que têm dado passos de gigante na aprendizagem da natureza, da origem e do destino dos seres vivos, sendo de referir em especial o aparecimento – propiciado pelo desenvolvimento técnico-científico dos métodos de ressuscitação – das chamadas “experiências de quase-morte”, as EQM, referidas em inglês como “Near-Death Experiences” − NDE’s.
O número das pessoas que já referiram ter vivido tais experiências – por todo o mundo – conta-se por muitos milhões, em rápida expansão. Muitos dos depoimentos que chegam agora ao nosso conhecimento derivam de fenómenos decorridos há dezenas de anos, visto que estão a ser vencidos os preconceitos e as inibições em falar abertamente sobre esse tema.
Um dos argumentos que confere especial credibilidade à solidez das suas perceções é o facto de serem todas essencialmente semelhantes umas às outras, seja qual for a língua, a cultura e a localização geográfica dos protagonistas.
Os meios internacionais de comunicação e um já larguíssimo número de instituições de pesquisa, a nível mundial, revelam que esses factos são a porta aberta para uma nova visão da vida e da sua continuação para além da morte, apesar de não serem nem novos nem recentes, havendo relatos de tais acontecimentos há já muitos séculos, originários de praticamente todas as grandes culturas.
O despertar do nosso interesse por esses fenómenos data de há mais de vinte anos, e foi em 2013 que publicámos, na internet, uma análise das principais facetas dos depoimentos respetivos, conotando-os com os ensinamentos que nos foram deixados por Allan Kardec:
É favor consultar a página: https://palavraluz.com/2019/12/29/ndeeqmesp-2/

Esses fenómenos, no entanto, são muito antigos…

Afirmámos acima a perenidade no tempo das “Experiências de Quase-Morte”, sendo muito conhecido “O mito de Er”, um dos exemplos mais remotos que se podem referir, contado por Platão no Livro X de “A República”.
Trazendo essas referências para mais perto de nós referimos seguidamente temas da autoria de Kardec que mencionam a ocorrência desses factos, que não tinham ainda adquirido as modernas designações e siglas respetivas.
O primeiro caso foi publicado em 1858, no ano inaugural da Revista Espírita, no mês de Setembro: “Conversas familiares de Além-Túmulo”, em que o fenómeno narrado na América acerca duma Senhora Schwabenhaus foi designado por Allan Kardec como um episódio de “letargia estática”.
Outro exemplo pode ler-se em “O Céu e o Inferno”, Segunda Parte – Exemplos; Capítulo III – Espíritos em condição mediana; Senhor Cardon, Médico; e que também foi publicado na “Revue Spirite” de Agosto de 1863/Conversas familiares de Além-Túmulo; Monsieur Cardon, médico, morto em Setembro de 1862.
Sugerimos a leitura destes dois casos, que não transcrevemos aqui devido à sua extensão. Sobre o Mito de Er é muito fácil encontrar referências concretas disponíveis nas Enciclopédias da Internet.

A grande obra de Allan Kardec, vítima de maus continuadores

Hipólito Leão Denisard Rivail foi um cidadão francês do século XIX, especialmente notável pela sua capacidade de organização intelectual, embora não pertencesse às camadas socialmente privilegiadas dessa época, o que lhe granjeou um perfil cívico e intelectual especialmente notável.
Tendo sido convidado por conhecidos e amigos, a sistematizar o resultado de certas pesquisas mediúnicas que tinham levado a cabo, acabou por aceitar, embora se tivesse declarado à partida muito cético relativamente a toda a matéria que lhe foi proposta.
Foi penetrando no estudo do tema até se ter convencido – pela evidência natural e óbvia dos fenómenos apresentados para estudo – de que era matéria muito importante e merecedora da sua total dedicação.
Nos últimos onze anos da sua vida entregou-se generosamente a essa tarefa tendo deixado atrás de si um importantíssimo património de estudos e observações que constitui o que conhecemos como “espiritismo”.
Não é de estranhar que, após o momento em que faleceu, repentinamente e, pode dizer-se, por exaustão, o escasso número de apoiantes dedicados e coerentes não teve a capacidade de manter ativa e segura a instituição que ele tinha estruturado, e dar continuidade ao trabalho de defesa e promoção das ideias espíritas.
Esse fenómeno acontece, quase por via de regra, com todos os movimentos de transformação profunda da sociedade, sendo todas as alterações positivas combatidas e desvalorizadas pelos seus detratores. Com o espiritismo também isso aconteceu, e foi Pierre-Gaëtan Leymarie que tomou conta dos destinos da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e operou uma enorme quantidade de oportunismos deformadores das ideias que inspiravam Kardec.
Todas essas modificações abusivas, de desvalorização cultural e científica do espiritismo, conduziram ao seu desprestígio e quase esvaziamento, em França.
Tendo sido levado para o Brasil, por intelectuais muito sérios e bem informados, foi institucionalmente condenado, logo de início, à sua desfiguração, pela adoção de alguns princípios antagónicos das ideias promovidas por Allan Kardec.
Esse foi um dos problemas que apoquentou muitíssimo o desenvolvimento e a unidade dos grupos de interessados no espiritismo, sendo legítimo e da maior utilidade não manter ignorado esse problema pelas suas nefastas consequências, cuja origem e desenvolvimentos são bem conhecidos em Portugal e no Brasil.
Felizmente, 160 anos depois, está em marcha, no Brasil, um vigoroso movimento de recuperação da autenticidade espírita. Várias equipas de trabalho, de pessoas bem qualificadas para o efeito, têm em mãos documentos da época, incluindo grande número de escritos originais redigidos por Allan Kardec, até aqui inteiramente desconhecidos. Essas equipas estão a trabalhar para dar acesso, na sua totalidade, à verdadeira versão do espiritismo proposta por Allan Kardec.

Sugestões para a leitura de “O Livro dos Médiuns”

Também aqui vamos referir algumas ideias que inserimos no prefácio dos tradutores de “O Livro dos Espíritos”.
“…Para quem começa, este não é um livro para ler de empreitada, como uma peregrinação e, muito menos, como uma penitência. Alguns conselhos que aqui registamos aumentarão a recetividade de muitos leitores, dando-lhes a exata noção do que vão encontrar pela frente…”
“…O leitor deve ter a liberdade de procurar inicialmente no livro o que mais lhe interessar, lendo por aqui e por ali os temas mais apetecíveis. Poderá, para esse efeito, consultar primeiramente o Índice.
Leia e releia com atenção o que achar mais válido e interessante.…”

Estas sugestões de leitura têm o propósito de não vincular o leitor a uma leitura demorada de uma obra que não foi redigida de acordo com as modernas técnicas de comunicação e na qual, o seu autor, se dirige a sectores de opinião enfronhados na cultura dessa época, hoje em dia completamente ultrapassada.

Traduzir é escrever tudo de novo, amar como quem dá à luz

Temos lido Kardec com a máxima atenção, usando o conhecimento da língua francesa que, no tempo da nossa juventude, era a segunda língua mais estudada, por ser, como o português, de origem latina, e por ser oriunda de um país de vasta cultura, de onde nos veio – sem ser por acaso – a grande cultura espírita.
Entregámo-nos de início ao trabalho de tradução com o objetivo principal de desvendar com minúcia o significado de cada página, de cada frase, de cada expressão e de todas as palavras, uma a uma. Quando acabámos a tradução do primeiro livro – “O Livro dos Espíritos” – não tínhamos a mínima ideia de podermos um dia tê-lo na nossa mão, impresso em papel como qualquer outro livro.
Serve isto para dizer que, para nós, o principal objetivo − ler o livro com atenção de minúcia e pleno entendimento − estava plenamente alcançado.
Quanto à tradução que foi feita, deu-nos coragem para continuar traduzindo Kardec, maneira excelente de o ler com a máxima penetração que nos é possível.
Após a tradução da primeira obra, já aspiramos ver completa a conclusão dos seus principais cinco livros.
Se Deus nos der vida e saúde, gostaríamos ainda de fazer uma tradução antológica de textos da Revista Espírita, que temos amplamente explorado, visto que é fundamental para instalar devidamente a noção completa do espiritismo edificado pelo nosso grande e íntimo amigo Hipólito Leão, generosamente ajudado pelos Espíritos superiores.

Sonhar é fácil e ninguém pode levar-nos a mal que sonhemos.

Porque também temos filhos e netos, esse é apenas um dos nossos principais desejos!…

E que Deus nos ajude a todos.

Para ter acesso ao PDF com a obra acima indicada, é favor clicar sobre a imagem da capa

Apresentação do Cercle Spirite Allan Kardec, de Nancy / França

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Há já muitos anos que visitamos o site do Cercle Spirite Allan Kardec, que conhecemos os seus principais expoentes e a sua extraordinária tarefa em favor da cultura espírita.
Lemos livros que estão publicitados na sua livraria, muitos textos publicados na internet, nos diversos sites que tem em França e no seu forum e sobretudo, temos tido a possibilidade de acompanhar a imensa riqueza que vem sendo publicada há vários anos no seu Journal Spirite.
É costume ouvir dizer que o espiritismo decaiu em França desde o falecimento de Allan Kardec, sendo de lamentar o facto que tenham sido exatamente os seus compatriotas que deixaram esquecer o seu precioso património de conhecimentos e de ideias.
No que nos diz respeito, consideramos que em França – sem desprimor para outras entidades igualmente ativas na divulgação e no estudo do espiritismo – o profundo conhecimento dessa cultura e dessa atitude do intelecto e do conhecimento humanos estão magnificamente representados pelo Cercle Spirite Allan Kardec.
O que se passa é que em França, como em muitos outros países, determinantes insondáveis relacionadas com o próprio desenvolvimento das pessoas, muitos fatores se têm conjugado para que a Humanidade permaneça distante do interesse ativo e esclarecido de fenómenos que nos determinam de forma transcendentemente complexa.
A atenção, apreciação e o estudo de todo o imenso saber e de toda a dinâmica de intervenção cultural que caracterizam o Cercle Spirite Allan Kardec pode abrir, a todos nós, uma nova e extraordinária perspetiva da vida e do mundo, isto é, da magnífica transcendência da natureza, da origem e do destino de toda a criação.

Teríamos muitíssimo gosto em poder apresentar todo este manancial traduzido em português. De todo o trabalho que aqui temos apresentado constam trabalhos importantes, originalmente escritos noutras línguas estrangeiras. Mas essa tarefa, pela sua extensão, ser-nos-ia impossível de realizar. Confiamos mesmo assim que o francês, por ser uma língua que nos é muito próxima pelas suas origens e pelo seu desenvolvimento cultural, seja do conhecimento de um vasto número dos nossos visitantes de língua portuguesa.

Le Cercle Spirite Allan Kardec

http://www.spiritisme.com/

A la rencontre des espritsLes premières séances spirites qui furent à l’origine du cercle remontent à 1974. L’association fut créée en 1977 à Nancy sous l’appellation « Cercle Spirite Allan Kardec ». Elle s’est donnée pour buts, d’une part, de poursuivre les expériences de communications avec les esprits, et d’autre part, de promouvoir une large diffusion de la pensée spirite.

Après plusieurs décennies de dérives religieuses, ésotériques et commerciales du spiritisme en France, le cercle assure un renouveau, dans le sens philosophique et non religieux d’une actualisation indispensable face aux avancées de la science et aux transformations de la société.

Un cercle spirite est une structure appropriée dans laquelle les médiums peuvent exercer et développer leurs facultés en toute sérénité, en évitant les écueils et les dangers inhérents à une pratique empirique et hasardeuse. La communication avec l’au-delà fait intervenir plusieurs types de médiumnités qui sont pratiquées dans notre cercle : l’incorporation, l’écriture automatique, les médiumnités artistiques (peinture, sculpture, musique), le oui ja et le sommeil magnétique.

Sont développées d’autres facultés, non médiumniques comme la clairvoyance, la psychométrie, la psychokinèse, la radiesthésie, l’hypnose et le magnétisme.

Le cercle compte plus de 50 magnétiseurs ; certains d’entre eux sont responsables des cellules de soins magnétiques ouvertes au public, dans les villes où le cercle est représenté : Nancy, Paris, Besançon, Belfort, Montpellier, Toulouse et Lyon. L’association compte des adhérents à part entière, des membres sympathisants et des abonnés à la revue trimestrielle Le Journal Spirite.

 

Esta apresentação está substancialmente desenvolvida em duas notícias publicadas noutra das nossas páginas dedicadas à cultura espírita:

Cercle Spirite ALLAN KARDEC – Nancy / França
A magnífica revista do CENTRE SPIRITE ALLAN KARDEC

 

 

Uma epidemia nova num tempo diferente

A Humanidade já foi numerosas vezes atacada por epidemias, terríveis ameaças à vida de muitas pessoas. As mesmas dificuldades, o medo e o desespero visitam-nos mais uma vez, mas de uma maneira nova e diferente.
Entretanto, os efeitos da doença em si, a nível global, não são de proporções muito elevadas perante gravíssimos problemas aos quais a sociedade continua indiferente.
O número das pessoas que diariamente são vítimas da FOME por todo o mundo é LARGAMENTE MAIS ELEVADO que o número de vítimas desta epidemia.
Com a diferença de que as grandes fomes e as carências de justiça e fraternidade são de todos os tempos e têm podido sobreviver a todas as epidemias.
O número de pessoas transtornadas e feridas por tudo o que há de mau na GUERRA e nos seus múltiplos sucedâneos, É MUITO MAIS GRAVE E DOLOROSO que todo o desarranjo causado por esta epidemia.
As vítimas da FOME e da GUERRA, fazem parte duma naturalidade aparente e estão reduzidas ao silêncio. Estão longe, ninguém as vê.

O que tem de diferente a nova epidemia é estar a desenvolver-se muito perto das pessoas que sabem ler e ocupam lugares confortáveis nas chamadas “civilizações Ocidentais” (com maiúscula!).
Entretanto, só tem aparecido como enormemente diferente, porque tem a possibilidade evidente de transtornar radicalmente o sistema económico da maioria dos países do mundo.
Caiu sobre nós de um instante para o outro e já encerrou um número incontável de empresas e lançou grande número de trabalhadores no desespero da falta imediata de recursos, em sociedades nas quais a capacidade de sobrevivência sem dinheiro é praticamente nula.
Nas ruas e lugares frondosos dos países civilizados não estão plantadas bananeiras às quais possamos subir, para colher grátis um cacho de bananas, que possamos comer durante uma semana, como acontecia em grandes áreas do mundo, em que a vida das pessoas pôde continuar com grande escassez de meios.

NO SISTEMA ECONÓMICO E NO DINHEIRO, AÍ SIM, É QUE RESIDE A ALMA AFLITA DESTA CRISE.

Visitem por favor as estatísticas das vitimas das principais guerras por todo o mundo e comparem. Façam o mesmo em relação com o número aproximado dos que passam e morrem de fome no mundo inteiro, e verão onde quero chegar.
Uma pobre mulher vestida de negro, falando algures num país devastado pela guerra, dizia num noticiário que, se a morte lhe chegasse pelo vírus, seria bom, porque poderia finalmente descansar desta vida.
O vírus desta epidemia, contudo, parece ter a ductilidade suficiente para não matar só mulheres de negro em países onde persiste a angústia de crónicas rebeliões armadas.
Por isso é tão temido no Ocidente (com maiúscula…) onde ninguém esperava por uma coisa assim.
Vou continuar a falar aqui da vida depois da morte, na paz de espírito dos cidadãos sem história que não fazem noticiários, mas olham sem medo o mundo inquieto.
Esperamos com paciência e fé que os homens, de uma vez por todas, resolvam dar-se as mãos, construindo a verdade e a justiça em paz, num mundo de igualdade e de confiança.
Nesse, mesmo que apareçam epidemias, tudo deverá ser muito mais fácil de resolver. Por existirem vacinas muito boas?
Não. Porque haverá fraternidade para tratar toda a gente com o mesmo amor diligente que une aqueles que são da mesma casa e da mesma família.

Conclusão:
É sabido que uma pequena percentagem dos orçamentos militares do mundo poderia irradicar a pobreza e resolver outros problemas centrais das sociedades humanas, caso houvesse vontade e coragem para tomar essa decisão.
Pensemos agora o que seria possível fazer deste planeta e de todas as suas populações se fosse possível acabar com a corrida aos armamentos e se se utilizassem todos esses milionários orçamentos em benefício do bem estar, da cultura e  da educação, em benefício da paz e do progresso moral da Humanidade!…

 

Autor: CB

“…navegar é solitário e cansa-se o navegante à medida do silêncio
da esperança do mar
do ardor da viagem
não se cansa não”

Da cultura da Grécia antiga a Allan Kardec, a falta de memória da Humanidade

Da cultura da Grécia antiga a Allan Kardec, passando por Jesus de Nazaré, a falta de memória da Humanidade

 

socr-e-plat
Sócrates e Platão

SÓCRATES (469—399 AC.) É um dos poucos indivíduos dos quais se poderá dizer, pela influência cultural e intelectual que exerceu no mundo, que sem ele a história teria sido profundamente diferente. Ficou especialmente conhecido pelo método, que tem o seu nome, de pergunta e resposta, pela noção que tinha da sua própria ignorância e pela afirmação de que uma vida sem o questionamento de si mesma não merece a pena ser vivida.

PLATÃO (427—347 AC.) é um dos mais conhecidos, lidos e estudados filósofos do mundo. Foi aluno de Sócrates e professor de Aristóteles, e viveu na Grécia em meados do século IV A.C. Embora influenciado inicialmente por Sócrates, a tal ponto de o ter tornado a principal figura dos seus escritos, também foi influenciado por Heráclito, Parménides e pelos Pitagóricos.


Sócrates e Platão, precursores do cristianismo e do espiritismo


O Capítulo IV da Introdução de “O Evangelho segundo o Espiritismo” surpreende-nos com uma referência fortíssima ao legado de Platão e de Sócrates que está na linha do que nos informa a Introdução de “O Livro dos Espíritos”, no número VI – Resumo dos ensinamentos dos Espíritos, e é coerente com a restante obra de Allan Kardec.
São esses os temas desta publicação, que apresenta os seguintes conteúdos:

  • NOTA PRÉVIA alertando para a falta de memória da Humanidade e os seus trágicos efeitos.
  • CAPÍTULO IV da Introdução de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, com o texto introdutório e resumo do legado de Sócrates e Platão, em vinte e cinco pontos, a maioria dos quais é seguido por um comentário de Allan Kardec, salientado a azul;
  • Como elemento de contextualização do texto anterior, referência de um valioso trabalho de Reinaldo Di Lucia, apresentado no VII Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita, São Paulo, Brasil, em 2001, cujo ficheiro PDF incluímos e cuja leitura e análise completa empenhadamente recomendamos;
  • Inserção Capítulo VI da Introdução de “O Livro dos Espíritos”, para os visitantes poderem reler e comparar o seu conteúdo com o Capítulo IV da Introdução de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” e o referido legado de Sócrates/Platão.

A FALTA DE MEMÓRIA DA HUMANIDADE E OS SEUS TRÁGICOS EFEITOS

A impiedosa e quase sempre cruel marcha da História impediu que a sequência das culturas e das sensibilidades pudessem ter tido acesso, ao longo dos séculos, às conceções filosóficas aqui referidas e à sua proveitosa utilidade no estabelecimento da paz e na manutenção da tolerância.
Referimos, é claro, o manancial de informações científico-filosóficas que nos apresenta a cultura espírita dos nossos dias, em paralelo com o conhecimento já em evidência na Grécia Clássica, plasmado há mais de dois mil anos por alguns dos mais insignes pensadores da História da Humanidade.

Levando em conta o momento superior da civilização, salto qualitativo da Humanidade, durante o qual passou pelo planeta a presença, a palavra e o exemplo de Jesus de Nazaré, muito se perdeu na memória dos homens desde o classicismo Grego até aos tempos de hoje.

Entre o pensamento dos Clássicos Gregos e a actualidade posterior a Allan Kardec, não estamos perante conhecimentos casuais ou desirmanados. Foram informações coligidas a seu tempo exatamente pelos mesmos métodos e derivaram das mesmas fontes de que ainda hoje nos servimos, OS ESPÍRITOS.
Os Espíritos na Grécia falaram aos viventes na Terra, irmãos seus como nós o somos agora, com os mesmos propósitos, a mesma vontade generosa e, tantas vezes, para minorar as saudades da pátria espiritual daqueles que prestavam provas e cumpriam expiações como nós o fazemos nas nossas vidas.
Profundo e precioso é o património de conhecimentos da Humanidade, mas lamentável a força dispersiva das piores tendências do Homem, em luta consigo mesmo!…
Com a prática condizente com as ideias aqui expostas, os critérios dogmáticos não teriam surgido ou podiam ter-se resolvido em paz, em harmonia e convivência.

De nada serviram, pelo caminho, os hábitos de milhões de vidas sombrias orientadas pelo medo dos infernos e purgatórios, DAS CRUZADAS ‒ exportação da violência pelo recurso organizado dos organismos político-estratégicos EM ESTREITA CUMPLICIDADE com o DOGMATISMO RELIGIOSO, as conversões à força, a colonização dos corpos, das mentes e das culturas, o pretexto das dilatações da FÉ e dos IMPÉRIOS para a prática dos maiores abusos históricos de todos os tempos, o silêncio mantido à custa de TORMENTOS INQUISITORIAIS e tantas outras abominações que esmagaram as sociedades e foram transportados por todos os continentes, num delírio materialista, desalmado e cego!…

A acentuação destas ideias nada tem de despropositado, antes pelo contrário. A senda pedregosa dos dogmatismos está aberta, e muitos milhões de almas e poderosas forças obscuras continuam a trilhá-la.
Por isso temos recomendado, ao longo destas páginas, uma atenção permanente à memória dos povos e à História da Humanidade. Porque, com o conhecimento dos erros do passado, se resolvem os erros do presente e se evitam as infelicidades injustas do futuro. Muitíssimo grande é a responsabilidade dos portadores de mensagens do ESPÍRITO EMANCIPADOR.

Capítulo IV da Introdução de “O Evangelho segundo o Espiritismo”

A morte de Sócrates, de Jacques-Louis David (1787)

Resumo dos conceitos de Sócrates e Platão que elucidam a ideia da origem e do destino do homem:
Depois de cada tema segue a azul comentários de Allan Kardec.

I – “O homem é uma alma encarnada. Antes da sua encarnação, existia junto aos modelos primordiais, às ideias do verdadeiro, do bem e do belo. Separou-se deles ao encarnar e, lembrando o seu passado, sente-se mais ou menos atormentada pelo desejo de lá voltar.”

Não se pode enunciar mais claramente a distinção e a independência do princípio inteligente e do princípio material. É, além disso, a doutrina da preexistência da alma, da vaga intuição que ela conserva da existência de outro mundo ao qual aspira, da sua sobrevivência à morte do corpo, da sua saída do mundo espiritual para encarnar, e do seu regresso a esse mundo após a morte. É, enfim, o germe da doutrina dos anjos caídos.

II – “A Alma perturba-se e confunde-se quando se serve do corpo para analisar algum objeto. Sente vertigens, como se estivesse ébria, porque se liga a coisas que são, pela sua natureza, sujeitas a transformações. Em vez disso, quando contempla a sua própria essência volta-se para o que é puro, eterno, imortal, e sendo da mesma natureza, aí permanece ligada tanto tempo quanto possa. Cessam então as suas perturbações, porque está unida ao que é imutável. Este estado da alma é o que chamamos sabedoria”.

Assim, o homem que considera as coisas vistas de baixo, terra à terra, do ponto de vista material, vive iludido. Para as apreciar com clareza é necessário vê-las do alto, ou seja, do ponto de vista espiritual. O verdadeiro sábio deve, por qualquer forma, isolar a alma do corpo, para ver com os olhos do Espírito. É isso o que ensina o Espiritismo (Cap. II, n° 5).

III – “Enquanto tivermos o nosso corpo, e a nossa alma se encontrar mergulhada nessa corrupção, nunca possuiremos o objeto dos nossos desejos ─ a verdade. De facto, o corpo oferece-nos mil obstáculos, pela necessidade que temos de cuidar dele. Além disso, enche-nos de desejos, de apetites, de temores, de mil quimeras e de mil tolices, de maneira que, com ele, é impossível ser sensato, mesmo por um momento. Mas, se nada se pode conhecer verdadeiramente enquanto a alma está unida ao corpo, uma destas duas coisas se impõe: ou que nunca se conhecerá a verdade, ou que se conhecerá depois da morte. Livres da loucura do corpo, então conversaremos, é de esperar-se, com pessoas igualmente livres, e conheceremos por nós mesmos a essência das coisas. É por isso que os verdadeiros filósofos se preparam para morrer e a morte não lhes parece de maneira alguma temível”. (Ver O Céu e o Inferno, 1ª parte, cap. II, e 2ª parte, cap. I).

Aqui está o princípio das faculdades da alma, obscurecidas devido aos órgãos corporais, e da expansão dessas faculdades depois da morte. Mas trata-se aqui das almas evoluídas, já depuradas. Não acontece o mesmo com as almas impuras.

IV – “A alma impura, nesse estado, encontra-se pesada e é novamente arrastada para o mundo visível, pelo horror ao que é invisível e imaterial. Vagueia, então, segundo se diz, ao redor dos monumentos e dos túmulos, junto dos quais foram vistos, às vezes, fantasmas tenebrosos. Assim devem ser as imagens das almas que deixaram o corpo sem estar inteiramente puras, e que conservam alguma coisa da forma material, o que permite aos nossos olhos apercebê-las. Essas não são as almas dos bons, mas as dos maus, que são forçadas a vaguear nesses lugares, onde carregam as penas das suas vidas passadas e onde continuam a vaguear até que os apetites inerentes à sua forma material as coloquem de novo a habitar um corpo. Então, retomam sem dúvida os mesmos costumes que, durante a vida anterior, eram da sua predileção”.

Não somente o princípio da reencarnação está aqui claramente expresso, mas também o estado das almas, que ainda estão sob o domínio da matéria, é descrito tal como o Espiritismo o demonstra nas evocações. E há mais, pois afirma-se que a reencarnação é uma consequência da impureza da alma, enquanto as almas purificadas estão livres dela.
O Espiritismo diz isto mesmo, apenas acrescenta que a alma que tomou boas resoluções na erraticidade, e que tem conhecimentos adquiridos, trará ao renascer menos defeitos, mais virtudes e mais ideias intuitivas do que na existência anterior. Assim, cada existência marca para ela um progresso intelectual e moral. (O Céu e o Inferno, 2ª parte: Exemplos).

V – “Após a nossa morte, o génio (daïmon, em grego) que nos fora designado durante a vida, leva-nos a um lugar onde se reúnem todos os que devem ser conduzidos ao Hades, para aí serem julgados. As almas, depois de permanecerem no Hades o tempo necessário, são reconduzidas a esta vida por numerosos e longos períodos”.

Esta é a doutrina dos Anjos da Guarda ou Espíritos protetores, e das reencarnações sucessivas, após intervalos mais ou menos longos de erraticidade.

VI – “Os demónios preenchem o espaço que separa o Céu da Terra, são os laços que ligam o Grande Todo consigo mesmo. A divindade nunca entra em comunicação direta com os homens, é por meio dos demónios que os deuses se relacionam e conversam com ele, quer durante o estado de vigília quer durante o sono”.

A palavra “daïmon”, que originou o termo “demónio”, na Antiguidade não tinha o sentido do mal, como acontece entre nós. Não se aplicava essa palavra exclusivamente aos seres maldosos, mas a todos os Espíritos em geral, entre os quais se distinguiam os espíritos superiores chamados deuses e os Espíritos menos elevados ou demónios propriamente ditos, que comunicavam diretamente com os homens. O Espiritismo ensina também que os Espíritos povoam o espaço, que Deus não comunica com os homens senão por intermédio dos Espíritos puros, encarregados de nos transmitir a sua vontade, que os Espíritos comunicam connosco durante o estado de vigília e durante o sono.
Substituindo a palavra demónio pela palavra Espírito teremos a doutrina espírita; usando a palavra anjo, teremos a doutrina cristã.

VII – “A preocupação constante do filósofo (tal como o compreendiam Sócrates e Platão) é a de ter o maior cuidado com a alma, não tanto por esta vida, que é apenas um instante, mas tendo em vista a eternidade. Se a alma é imortal, não é sábio viver para a eternidade?”

O Cristianismo e o Espiritismo ensinam a mesma coisa.

VIII – “Se a alma é imaterial, deve voltar, após esta vida, a um mundo igualmente invisível e imaterial, da mesma forma que o corpo, ao decompor-se, volta à matéria. Importa somente distinguir bem a alma pura, verdadeiramente imaterial, que se alimenta, como Deus, da sabedoria e dos pensamentos, da alma mais ou menos manchada por impurezas materiais, que a impedem de se elevar ao divino, retendo-a nos lugares da sua passagem pela Terra”.

Sócrates e Platão, como se vê, compreendiam perfeitamente os diferentes graus de desmaterialização da alma. Insistem nas diferenças que resultam da sua maior ou menor pureza. O que eles diziam por intuição, o Espiritismo prova-o, pelos numerosos exemplos que nos põe diante dos olhos (O Céu e o Inferno, 2ª parte).

IX – “Se a morte fosse o desaparecimento total do homem, isso seria de grande vantagem para os maus, que após a morte estariam livres, ao mesmo tempo, dos seus corpos, das suas almas e dos seus vícios.
Só aquele que enriqueceu a sua alma, não com estranhas ornamentações, mas com as que lhe são próprias, poderá esperar tranquilamente a hora da sua partida para o outro mundo”.

Por outras palavras: o materialismo, que proclama o nada após a morte, seria a negação de todas as responsabilidades morais posteriores e, por conseguinte, um estímulo ao mal. O malvado tem tudo a ganhar com o nada, o homem que se livrou dos seus vícios e se enriqueceu de virtudes é o único que pode esperar tranquilamente o despertar na outra vida. O Espiritismo mostra-nos, pelos exemplos que diariamente nos apresenta, quanto é penosa a passagem desta para a outra vida e a entrada na vida futura, para os que praticam o mal. (O Céu e o Inferno, 2ª parte, cap. I).

X – “O corpo conserva bem marcados os vestígios dos cuidados que se teve com ele ou dos acidentes que sofreu. Acontece o mesmo com a alma. Quando está separada do corpo conserva os traços evidentes do seu caráter, dos seus sentimentos, e as marcas que nela deixaram os atos que praticou durante a vida. Assim, a maior desgraça que pode acontecer a um homem é a de ir para o outro mundo com uma alma carregada de crimes. Tu vês, Callicles, que nem tu, nem Polus, nem Górgias, podereis provar que se deve levar outra vida que nos seja mais útil quando formos para o outro mundo. De tantas opiniões diferentes, a única que permanece inabalável é a de que mais vale receber uma injustiça do que cometê-la, e que antes de tudo devemos aplicar-nos, não a parecer, mas a ser um homem de bem”. (Conversas de Sócrates com os discípulos na prisão).

Aqui encontra-se outro ponto capital hoje confirmado pela experiência, segundo o qual a alma não purificada conserva as ideias, as tendências, o caráter e as paixões que tinha na Terra. Esta máxima: mais vale receber uma injustiça do que cometê-la, não é totalmente cristã? É o mesmo pensamento que Jesus exprime por este juízo: “Se alguém te bater numa face, oferece-lhe a outra”. (Cap. XII, nºs 7 e 8)).

XI – “De duas, uma: ou a morte é a destruição absoluta, ou é a passagem da alma para outro lugar. Se tudo deve extinguir- se, a morte será como uma dessas raras noites que passamos sem sonhar e sem nenhuma consciência de nós mesmos. Mas se a morte é apenas uma mudança de morada, a passagem para um lugar onde os mortos se devem reunir, que felicidade a de ali reencontrarmos os nossos conhecidos! O meu maior prazer seria o de examinar de perto os habitantes dessa outra morada e distinguir entre eles, como aqui, os que são sensatos dos que creem sê-lo e não o são. Mas já é tempo de partirmos, eu para morrer e vós para viver”. (Sócrates aos seus juízes).

Segundo Sócrates, os homens que viveram na Terra encontram-se depois da morte e reconhecem-se. O Espiritismo no-los mostra, continuando as suas relações, de tal maneira que a morte não é uma interrupção, nem uma cessação da vida, mas uma transformação sem solução de continuidade.
Sócrates e Platão, se tivessem conhecido os ensinamentos transmitidos por Jesus quinhentos anos mais tarde, e os que o Espiritismo nos transmite hoje, não teriam falado de outra maneira. Nisso, nada há que nos deva surpreender, se considerarmos que as grandes verdades são eternas e que os Espíritos adiantados devem tê-las conhecido antes de vir para a Terra, para onde as trouxeram. Sócrates, Platão e os grandes filósofos do seu tempo poderiam estar, mais tarde, entre aqueles que secundaram Jesus na sua divina missão, sendo escolhidos precisamente porque estavam mais aptos do que outros a compreenderem os seus sublimes ensinamentos. E pode acontecer que façam agora parte da grande plêiade de Espíritos encarregados de virem ensinar aos homens as mesmas verdades.

XII – “Não se deve nunca retribuir a injustiça com a injustiça, nem fazer mal a ninguém, qualquer que seja o mal que nos tenha feito. Poucas pessoas, contudo, admitem este princípio, e as que não concordam com ele só podem desprezar-se umas às outras”.

Não é este o princípio da caridade, que nos ensina a não retribuir o mal com o mal e a perdoar aos inimigos?

XIII – “É pelos frutos que se conhece a árvore. É necessário qualificar cada ação por aquilo que ela produz: chamá-la má quando a sua consequência é má, e boa quando produz o bem”.

Esta expressão: “É pelos frutos que se reconhece a árvore”, encontra-se textualmente repetida, muitas vezes, no Evangelho.

XIV – “A riqueza é um grande perigo. Todo o homem que ama a riqueza, não se ama a si próprio nem ao que é seu, mas ama algo que lhe é mais estranho do que aquilo que é dele”. (Cap. XVI).

XV – “As mais belas preces e os mais belos sacrifícios agradam menos à Divindade do que uma alma virtuosa que se esforce por se lhe assemelhar. Seria grave que os deuses se interessassem mais pelas nossas oferendas do que pelas nossas almas. Se tal acontecesse, os maiores culpados poderiam conquistar os seus favores. Mas não, pois só são verdadeiramente retos e justos os que, pelas suas palavras e pelos seus atos, cumprem os deveres para com os deuses e os homens”. (Cap. X, nºs 7 e 8).

XVI – “Chamo homem violento ao amante vulgar, que ama mais o corpo do que a alma. O amor está por toda a natureza que nos convida a exercitar a nossa inteligência. Encontramo-lo até mesmo no movimento dos astros. É o amor que ornamenta a natureza com os seus admiráveis adornos. Enfeita-se e fixa a sua morada onde encontra flores e perfumes. É ainda o amor que traz a paz à Humanidade, a calma ao mar, o silêncio aos ventos e o sossego à dor”.

O amor, que deve unir os seres humanos por um sentimento de fraternidade, é uma consequência desta teoria de Platão sobre o amor universal, como lei da natureza. Sócrates disse que “o amor não é um deus nem um mortal, mas um grande Daïmon”, ou seja, um grande Espírito que preside ao amor universal. Foi sobretudo esta afirmação que lhe foi imputada como crime.

XVII – “A virtude não pode ser ensinada, vem por um dom de Deus aos que a possuem”.

É quase como a graça no conceito cristão. Mas se a virtude é um dom de Deus, um favor, pode perguntar-se por que razão não é concedida a todos? Por outro lado, se é um dom, não há mérito da parte do que a possui? O Espiritismo é mais explícito, ensina que aquele que a possui já a adquiriu pelos seus esforços nas vidas sucessivas, ao livrar-se pouco a pouco das suas imperfeições. A graça é a força que Deus concede aos homens de boa vontade, para se livrarem do mal e fazerem o bem.

XVIII – “Há uma disposição natural em cada um de nós, é a de nos apercebermos muito menos dos nossos defeitos do que dos defeitos alheios”.

O Evangelho diz: “Vês o argueiro no olho do teu irmão, e não vês a trave no teu?” (Cap. X, nº 9 e 10).

XIX – “Se os médicos não conseguem debelar a maior parte das doenças, é porque tratam o corpo sem a alma, e porque, se o todo não se encontra em bom estado, é impossível que as suas partes estejam bem”.

O Espiritismo esclarece as relações entre a alma e o corpo, e prova que um atua incessantemente sobre o outro. Assim, abre um novo caminho à ciência. Mostrando-lhe a verdadeira causa de certas doenças, dá-lhe, pois, o meio de as combater. Quando a ciência levar em conta a ação do elemento espiritual no conjunto orgânico, será mais eficaz.

XX – “Todos os homens, desde a infância, fazem mais mal do que bem”.

Estas palavras de Sócrates tocam a grave questão da predominância do mal sobre a Terra, questão insolúvel sem o conhecimento da pluralidade dos mundos e do destino da Terra, onde habita apenas uma pequena parte da Humanidade. Só o espiritismo lhe dá a solução, que se encontra desenvolvida mais adiante, nos capítulos II, III e V.

XXI – “A sabedoria está em não julgares que sabes aquilo que não sabes”.

Isto vai dirigido àqueles que criticam as coisas de que, frequentemente, nada sabem. Platão completa este pensamento de Sócrates, ao dizer: “Tentemos primeiro torná-los, se possível, mais honestos nas palavras. Se não conseguirmos, não nos preocupemos com eles e busquemos nós a verdade. Tratemos de nos instruir, mas sem nos incomodarmos“. É assim que devem agir os espíritas, em relação aos seus contraditores de boa ou má-fé. Se Platão vivesse hoje encontraria as coisas mais ou menos como no seu tempo e poderia usar a mesma linguagem. Sócrates também encontraria quem zombasse da sua crença nos Espíritos e o tratasse como se fosse louco, assim como ao seu discípulo Platão.
Foi por ter professado esses princípios que Sócrates foi ridicularizado, primeiro, depois acusado de impiedade e condenado a beber a cicuta. É bem certo que as grandes e novas verdades, levantando contra si os interesses e os preconceitos que elas ferem, não podem ser estabelecidas sem lutas e sem mártires.


Para as pessoas interessadas em documentar histórico-culturalmente, identificando bem a origem destas referências a Sócrates e Platão, recomendo a leitura integral do seguinte trabalho de Reinaldo Di Lucia:

VII Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita /
São Paulo 2001
da autoria de REINALDO DI LUCIA

Sócrates e Platão: percursores do espiritismo
de REINALDO DI LUCIA – PDF


A Escola de Atenas, de Raffaello Sanzio (pintura de 1509-1511), uma das obras mais extraordinárias do Museu do Vaticano que representa grande número de pensadores, entre os quais Platão e Sócrates.
A Escola de Atenas, de Raffaello Sanzio (pintura de 1509-1511), uma das obras mais extraordinárias do Museu do Vaticano que representa grande número de pensadores, entre os quais Platão e Sócrates.

Para completar e actualizar as referências aqui expostas, nada como a palavra de ALLAN KARDEC, com a conhecida síntese:

 

Resumo dos ensinamentos dos Espíritos, conforme o Capítulo VI da Introdução de “O Livro dos Espíritos”:

Os seres que deste modo comunicam designam-se a si mesmos – como já dissemos – pelo nome de Espíritos ou génios, e como tendo pertencido, pelo menos alguns, a pessoas que viveram na Terra. Constituem o mundo espiritual, como nós constituímos, durante a vida, o mundo corporal. Resumimos a seguir, em poucas palavras, os pontos mais salientes dos ensinamentos que nos transmitiram:

Deus é eterno, imutável, imaterial, único, todo poderoso, soberanamente justo e bom. Criou o Universo que inclui todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais. Os seres materiais constituem o mundo visível ou corporal e os seres imateriais constituem o mundo invisível ou espírita, isto é, dos Espíritos.

O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo.

O mundo corporal é secundário, poderia deixar de existir ou nunca ter existido sem alterar a essência do mundo espírita. Os Espíritos animam temporariamente um corpo material perecível, cuja morte os devolve à liberdade.

Entre as diferentes espécies de seres corporais, Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos Espíritos que chegaram a um certo grau de desenvolvimento, o que lhe dá superioridade moral e intelectual sobre as outras. A alma é um Espírito encarnado num corpo material.

Há nos seres humanos três coisas:

1º) O corpo ou ser material, semelhante ao dos animais e animado pelo mesmo princípio vital;
2º) A alma ou ser imaterial, Espírito encarnado no corpo;
3º) O sistema de ligação que une a alma ao corpo, o perispírito, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito.

O ser humano tem assim duas naturezas: pelo corpo participa da natureza dos animais, dos quais possui os instintos; pela alma participa da natureza dos Espíritos. O sistema de ligação entre corpo e Espírito, o perispírito, é um complexíssimo sistema semimaterial.

A morte é o falecimento do corpo mais denso. O Espírito conserva o organismo de ligação ou perispírito, que lhe serve como corpo semimaterial, de muito baixa densidade, invisível para nós no seu estado normal. O Espírito pode torná-lo circunstancialmente visível e mesmo tangível, como acontece no fenómeno das aparições.

O Espírito não é, portanto, um ser abstrato, indefinido, que só o pensamento pode compreender. É um ser real, definido, que em certos casos pode ser apreendido pelos nossos sentidos da vista, da audição e do tato. Os Espíritos pertencem a diferentes níveis, não sendo iguais em poder, inteligência, saber ou moralidade:

– Os da primeira ordem são os Espíritos superiores que se distinguem dos outros pela perfeição, pelos conhecimentos, pela proximidade de Deus, pela pureza dos sentimentos e pelo seu amor ao bem: são os anjos ou Espíritos puros.

− Os dos outros níveis distanciam-se progressivamente desta perfeição.

– Os dos níveis inferiores são propensos às nossas paixões: o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho, etc. e comprazem-se no mal.

Neste número há os que não são muito bons nem muito maus, são mais perturbadores e intrigantes do que maus. A malícia e as inconsequências parecem ser as suas características: são os Espíritos tolos ou frívolos.

Os Espíritos não pertencem eternamente à mesma ordem. Todos se vão aperfeiçoando, passando pelos diferentes graus da hierarquia espírita. Esta evolução dá-se mediante a encarnação, imposta a uns como expiação e a outros como missão.

A vida material é uma prova a que devem submeter-se repetidas vezes até atingirem a perfeição absoluta: é uma espécie de filtro purificador, do qual vão saindo mais ou menos aperfeiçoados.

Deixando o corpo, a alma regressa ao mundo dos Espíritos, do qual saíra para reiniciar uma nova existência material, após um lapso de tempo mais ou menos longo, durante o qual fica no estado de Espírito errante. Devendo o Espírito passar por muitas encarnações, conclui-se que todos nós tivemos muitas existências e que teremos ainda outras, mais ou menos aperfeiçoadas, seja na Terra, seja noutros mundos. A encarnação dos Espíritos ocorre sempre na espécie humana. Seria um erro acreditar que a alma ou Espírito pudesse encarnar no corpo de um animal. (Ver pergunta 611 e seguintes.)

As diversas existências corporais do Espírito são sempre de evolução positiva e nunca de evolução negativa ou retrógrada: a rapidez desse progresso evolutivo, contudo, depende dos esforços que fazemos para chegar à perfeição. As qualidades da alma são as do Espírito que está encarnado em nós. Assim, o homem de bem é a encarnação de um bom Espírito e o homem perverso a de um Espírito impuro.

A alma tinha a sua individualidade antes da encarnação e conserva-a após a separação do corpo. No seu regresso ao mundo dos Espíritos, a alma reencontra ali todos os que conheceu na Terra e todas as suas existências anteriores desfilam na sua memória, com a recordação de todo o bem e de todo o mal que fez. (Ver perguntas 305 a 307)

O Espírito encarnado está sob a influência da matéria. O ser humano que supera essa influência, pela elevação e purificação da sua alma, aproxima-se dos bons Espíritos com os quais estará um dia. Aquele que se deixa dominar pelas más paixões, e põe todas as suas alegrias na satisfação dos apetites mais rudes, aproxima-se dos Espíritos impuros, dando preponderância à sua natureza animal.

Os Espíritos encarnados habitam a multiplicidade dos astros do Universo.

Os Espíritos não encarnados ou errantes não ocupam nenhuma região determinada ou circunscrita. Estão por toda a parte, no espaço e ao nosso lado, vendo-nos e convivendo connosco com grande proximidade: é toda uma população invisível que se agita em nosso redor.

Os Espíritos exercem sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico uma ação incessante. Agem sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das forças da natureza, causa eficiente de uma multidão de fenómenos até agora inexplicados ou mal explicados, que só encontram solução racional no espiritismo.

As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons Espíritos estimulam-nos para o bem, apoiam-nos nas provas da vida e ajudam-nos a suportá-las com coragem e resignação. Os maus instigam-nos ao mal: para eles é um prazer ver-nos sucumbir e tornarmo-nos iguais a eles.

As comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As comunicações ocultas têm lugar pela boa ou má influência que exercem sobre nós sem o sabermos, cabendo ao nosso julgamento discernir as más e as boas inspirações. As ostensivas realizam-se por meio da escrita, da palavra ou de outras manifestações materiais, na maioria das vezes através dos médiuns que lhes servem de instrumentos.

Os Espíritos manifestam-se espontaneamente ou pela evocação.

Podemos evocar todos os Espíritos:

− Os que animaram homens obscuros e os das personagens mais ilustres, qualquer que seja a época em que tenham vivido;

− Os dos nossos parentes, dos nossos amigos ou inimigos e deles obter, por comunicações escritas ou verbais, conselhos, informações sobre a situação em que se acham além túmulo, sobre os seus pensamentos a nosso respeito, assim como as revelações que lhes seja permitido fazer-nos.

Os Espíritos são atraídos em função da sua simpatia pela natureza moral do meio que os evoca. Os Espíritos superiores gostam das reuniões sérias, dominadas pelo amor do bem e pelo desejo sincero de instrução e de melhoria. A sua presença afasta os Espíritos inferiores que, pelo contrário, têm acesso fácil e liberdade de ação entre pessoas frívolas guiadas apenas pela curiosidade, onde quer que predominem os maus instintos.

Longe de obter bons conselhos e informações úteis, só é possível esperar desses Espíritos futilidades, mentiras, brincadeiras de mau gosto ou mistificações, pois servem-se frequentemente de nomes veneráveis para melhor induzirem em erro.

Distinguir os bons dos maus Espíritos é extremamente fácil. A linguagem dos Espíritos superiores é constantemente digna, nobre, cheia da mais alta moralidade, livre de qualquer paixão inferior. Os seus conselhos revelam a mais pura sabedoria e têm sempre por alvo o nosso progresso e o bem da Humanidade.

A dos Espíritos inferiores, pelo contrário, é inconsequente, muitas vezes banal e mesmo grosseira; se dizem às vezes coisas boas e verdadeiras, dizem com mais frequência falsidades e absurdos, por malícia ou por ignorância. Zombam da credulidade e divertem-se à custa dos que os interrogam, lisonjeando-lhes a vaidade e alimentando os seus desejos com falsas esperanças. Em resumo, as comunicações sérias, na verdadeira aceção da palavra, só se verificam nos centros sérios, cujos membros estão unidos por uma íntima comunhão de pensamentos dirigidos para o bem.

A moral dos Espíritos superiores resume-se, como a de Jesus, nesta máxima evangélica: “Fazer aos outros o que desejamos que os outros nos façam”, ou seja, fazer o bem e não o mal. O ser humano encontra nesse princípio a regra universal de conduta, mesmo para as ações menores.

Os Espíritos superiores ensinam-nos que:
─ O egoísmo, o orgulho e a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria;
─ Aqueles que neste mundo se libertam da matéria, pelo desprezo das futilidades mundanas e pelo exercício do amor ao próximo, se aproximam da natureza espiritual;
─ Cada um de nós se deve tornar útil segundo as faculdades e os meios que Deus nos colocou nas mãos, como prova;
─ O forte e o poderoso devem apoio e proteção ao fraco, porque aquele que abusa da sua força e do seu poder para oprimir o seu semelhante viola a lei de Deus.

Ensinam-nos, enfim:
─ No mundo dos Espíritos, onde nada pode estar escondido, o hipócrita será desmascarado e todas as suas torpezas reveladas;
─ A presença inevitável e incessante daqueles que prejudicámos é um dos castigos que nos estão reservados;
─ Ao estado de inferioridade e de superioridade dos Espíritos correspondem penas e alegrias que nos são desconhecidas na Terra.

Os Espíritos superiores ensinam-nos, também, que não há faltas cujo perdão seja impossível e que não possam ser apagadas pela expiação. É nas sucessivas existências que o ser humano encontra os meios que lhe permitem avançar, segundo o seu desejo e os seus esforços, no caminho do progresso que conduz à perfeição, que é o seu objetivo final.”

Este é o resumo do espiritismo tal como resulta do ensino dado pelos Espíritos superiores.

É urgentíssimo despertar e fortalecer a cultura espírita

para ter acesso ao ficheiro PDF é favor clicar na imagem

O presente trabalho tem como referência qualitativa a importante obra de PAULO HENRIQUE DE FIGUEIREDO, de quem já lemos:

  • duas obras importantes “MESMER – A ciência negada do magnetismo animal” e a “REVOLUÇÃO ESPÍRITA – A teoria esquecida de Allan Kardec”;
  • Todo o conteúdo organizado da sua página pessoal: http://revolucaoespirita.com.br/
  • Muito do conteúdo de palestras e entrevistas publicadas no YouTube que temos visitado assiduamente e temos escutado com atenção.
  • Estamos a par de vários episódios da sua longa carreira como investigador e, por consideração ao seu trabalho e propósitos, inscrevemo-nos como modestos apoiantes, há mais de um ano, do projeto CARTAS DE KARDEC (ID do apoio: 60809270).
  • Não incluímos aqui a sua última publicação “AUTONOMIA”, dado que não conseguimos ainda fazer a sua aquisição directamente do Brasil. Manifestamos aqui o desgosto que temos pelas dificuldades impostas à compra de livros brasileiros daqui de Portugal. Temos a encomenda feita a uns amigos brasileiros que vão ao Brasil neste fim de ano. Oxalá chegue depressa o livro pelo qual tanto temos esperado!…

O presente trabalho foi baseado no teor de mais do que uma das suas palestras, mas não é uma transcrição literal das suas palavras.

Fazemos também referência às importantíssimas investigações de: SIMONI PRIVATO GOIDANICH

Contem várias particularidades específicas do nosso trabalho e algumas notas e comentários de nossa autoria, que julgámos oportunos. De resto, estão sujeitas à aprovação de PHF.

O trabalho de PAULO HENRIQUE DE FIGUEIREDO, pela sua inteligente aproximação a interesses de nível cultural histórico-filosófico e científico, é perfeitamente compatível e valoriza as origens e as perspetivas da grande cultura espírita.

O espiritismo é uma visão aberta e profunda da natureza, da origem e do destino da Humanidade. As suas raízes mergulham nos mais avançados valores da cultura deste terceiro milénio, com sentido universalista que leva em conta o percurso de todos os seres, desde os mais remotos inícios.

Tendo essa imagem do espiritismo e achando que merece novas gerações de interessados capazes de fazê-lo progredir, estamos atentos às mudanças necessárias de uma cultura que nos parece não ter adquirida ainda a projeção que podia e devia ter tido, caso tivesse sido, desde há mais de século e meio, defendida e divulgada com a devida seriedade e rigor merecidos.

Novembro de 2019
José da Costa Brites

 

“Roustainguismo” – a teoria de falsificação do espiritismo e os enormes prejuízos que causou

Para cada salto em frente da Humanidade há sempre tentativas perversas para falsificar, adulterar e contrariar o progresso que desperta e a esperança que se configura.

O espiritismo, logo de início, defrontou-se com uma teoria que o reduzia aos horizontes retrógrados do dogmatismo imperante em todas as religiões, que se servem da heteronomia para imporem o seu poder pelo medo dos infernos, do sentimento do pecado e da culpa!…

Essa teoria foi criada por iniciativa de um francês contemporâneo de Allan Kardec que se chamava Jean-Baptiste Roustaing, que se tornou malfadadamente conhecida como “roustainguismo” e foi adotado no Brasil, há mais de 100 anos, como tema obrigatório de estudo e divulgação pela federação espírita brasileira. E como o tal o inscreveu nos seus próprios estatutos oficiais.

As consequências culturais de um tal absurdo são incalculáveis dada a enorme quantidade de mal-entendidos, conceitos erróneos, conflitos e divisões a que deu origem no seio do movimento espírita, durante mais de 100 anos.

Foi, no nosso entender, o mais extraordinário factor para a falta de prestígio científico e cultural, que fez do espiritismo uma cultura confidencial, altamente minoritária e confinada a pequenos círculos de carácter místico e ritualista, quando poderia ter-se tornado uma frente de reforço consistente da PAZ, do PROGRESSO e da EVOLUÇÂO de toda a Humanidade.

O espiritismo é um avanço inovador que oferece à Humanidade as perspectivas mais avançadas da AUTONOMIA que é tema de uma valiosa obra de Paulo Henrique de Figueiredo, cuja leitura se recomenda a todos os visitantes: “A HISTÓRIA JAMAIS CONTADA DO ESPIRITISMO”:

Esperamos que, com a devida celeridade, esta lúcida mensagem, apoiada em factos concretos e investigações idóneas, abranja o maior número possível de interessados, para que o espiritismo possa, o mais urgentemente possível, alcançar a notoriedade prestigiada que merece.

Acrescentamos apenas a página disponínel para poderem ter acesso a um alargado conjunto de palestras e apresentações de Paulo Henrique de Figueiredo:

É favor clicar na imagem para ter acesso

Wilson Garcia, as federações e o movimento espírita

As Federações e o seu Papel no Movimento Espírita

 

Escolhemos das nossas pesquisas na Internet um artigo escrito por Wilson Garcia, importante estudioso e autor espírita com vasta obra feita e muitíssimo conhecido no Brasil, que no trabalho a seguir inserido apresenta o problema muito sério do papel que as federações desempenharam, e desempenham ainda, no movimento espírita. Já nos interessaria muito se fosse só isso, mas a sua publicação aqui tem o intuito de levar até junto dos leitores portugueses ideias bem claras e documentadas a respeito da história do espiritismo no Brasil.

Tendo a Federação Espírita Portuguesa ao que nos parece, pelas mais do que evidentes aparências, posicionamentos estratégicos francamente coincidentes com os da FEB, embora nunca tenha inserido nos seus estatutos a divulgação organizada e sistemática da mensagem roustainguista,
julgamos muito importante o retrato bastante realista que nos apresenta Wilson Garcia, para podermos avaliar o que tais afinidades poderão significar para o espiritismo em Portugal.
O trabalho em questão foi enviado ao “Portal do Espírito”
por Wilson Garcia em 30/12/2015

Para ter acesso ao artigo é favor clicar nesta frase

 

A teoria esquecida de Allan Kardec, palestra de Paulo Henrique de Figueiredo

AS INVESTIGAÇÕES DE PAULO HENRIQUE DE FIGUEIREDO

Um passo em frente na caracterização filosófica da ideia espírita

De Immanuel Kant se disse que, depois dele, nada seria como dantes no pensamento ocidental. Depois de assimilado o avanço conceptual proposto por Paulo Henrique de Figueiredo, nada será igual no espiritismo em português.


RECEBI, OPORTUNAMENTE,  DE UM JOVEM BOM AMIGO BRASILEIRO O FAVOR DA REMESSA DE DOIS LIVROS IMPORTANTÍSSIMOS PARA O PRESENTE E PARA O FUTURO DO ENSINO DOS ESPÍRITOS, TAL COMO NOS FOI LEGADO POR ALLAN KARDEC.
SÃO
OBRAS ESSENCIAIS, RESULTANTES DE MUITOS ANOS DE PESQUISAS DE PAULO HENRIQUE DE FIGUEIREDO, PARA QUE DESPERTE E SE RENOVE UMA CULTURA QUE MUITOS INSISTEM EM  ANESTESIAR, DETURPAR OU DEMOLIR:

REVOLUÇÃO ESPÍRITA – A teoria esquecida de ALLAN KARDEC
MESMER – A ciência negada do magnetismo animal

O essencial desta notícia é a oferta aos visitantes de uma introdução às ideias de PAULO HENRIQUE DE FIGUEIREDO, de que tomei conhecimento pela generosidade comunicativa das suas palestras e da sua página pessoal.

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AO FUNDO está incluído para descarga um ficheiro PDF da transcrição livre de uma dessas palestras de 17 de Setembro de 2016.
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Reparei depois que o texto da mensagem de agradecimento que mandara ao meu jovem amigo brasileiro, com o entusiasmo com que a escrevi, pode servir como abertura para esse tema:

Caríssimo amigo “J”

“…Deves estar lembrado do Pdf que te enviei a respeito das ideias e da investigação de Paulo Henrique de Figueiredo…”
A propósito disso, tenho estado a assentar ideias a respeito de Immanuel Kant e de todos os antecedentes culturais que poderão fundamentar a lógica histórico-filosófica do aparecimento do ensino dos Espíritos, tal como nos foram transmitidos pela notabilíssima  obra de Allan Kardec.
Esse processo implica a visão abrangente e coordenada da História da Humanidade e da marcha do pensamento filosófico, tarefa a que PHF tem vindo a dedicar a sua melhor atenção, já há dezenas de anos, e que preenche uma lacuna antiga do estudo e da apreciação do conhecimento espírita em português.
Faço esta compartimentação linguística da grande cultura, porque os franceses, que foram os seus legítimos percursores – quer na teoria, quer na prática – deram-se ao luxo de a deixar um pouco ao Deus dará e não a integraram de forma consequente na vasto seio da cultura europeia.
A essa tarefa meteu ombros este brasileiro universalista iluminado por uma formidável lucidez cultural, que veio buscar ao velho continente – provando largamente a abundância de dados e conceitos entretanto negligenciados – a panaceia adequada para um sem número de sincretismos já dramaticamente enraízados na versão tropical do legado de Allan Kardec.
Levará tempo a clarear essa mescla de impulsos desencontrados, conforme também esclarece Paulo Henrique de Figueiredo. Felizmente que a clarividência emancipadora do ensino dos Espíritos não nos foi comunicada por palavras limitadas do quotidiano confuso do suor e das lágrimas de quem caminha lenta, mas persistentemente, para a Luz. Foi-nos comunicada pelo pensamento enorme de quem contempla o mundo de alto e de largo.

Por isso também nós traduzimos “O Livro dos Espíritos” para a língua portuguesa dos dias de hoje, para novas gerações de leitores, alheios à estratificação do pensamento formalista. O que está nas páginas daquele livro não são as palavras petrificadas de um século passado. São ideias luminosas e esclarecidas que dia a dia se renovam, assim haja a lucidez para entender a cada instante a libertadora mensagem dos Espíritos.

Sendo o ensino dos Espíritos uma culminância da modernidade é evidente que os pontos mais elevados e sensíveis da marcha das ideias filosóficas e do desenvolvimento dos factos históricos, têm obrigatoriamente de ter uma correspondência activa e consequente com o seu aparecimento.

Kant não hesitou em definir a sua filosofia como uma “revolução copernicana” na história do pensamento, pois a sua obra significava uma revolução equivalente à que representara o heliocentrismo de Copérnico para a ciência.
Kant foi, indiscutivelmente, o fundador da filosofia moderna: com a sua obra completa-se essa viragem rumo à subjectividade, timidamente iniciada por Descartes e radicalizada por David Hume, que caracterizou toda a filosofia até aos nossos dias.
Após as suas famosas três Críticas (Crítica da Razão Pura, 1781; Crítica da Razão Prática, 1788 e Crítica do Juízo (ou da Faculdade de Julgar), 1790) nada voltaria a ser como dantes.

 A importância fantástica que tem a obra de Paulo Henrique de Figueiredo é ser o avanço mais consequente e organizado que eu conheço no estabelecimento e solidificação dessa correspondência activa!…
A virtude conceptual e ideológica que tem esse avanço é constituir uma ultrapassagem, uma superação, de um conjunto de debates mesquinhos e infindáveis, que estorvam a compreensão das qualidades essenciais do espiritismo, mesmo para alguns que – de certa forma – se julgam adeptos certificados.
PHF, para além de lançar um desafio sem precedentes aos interessados activos na proposta espírita, tal como foi delineada por ALLAN KARDEC, identifica vários aspectos em que tem sido omissa a compreensão dos antecedentes  que possibilitaram a sua eclosão e de várias contingências do seu devir histórico.
Relativamente ao seu próprio país, a redescoberta e elucidação de estudiosos fundadores como Manuel José de Araújo Porto-Alegre, Gonçalves de Magalhães e Gonçalves Dias, desmistifica mitos pseudo-inauguradores de um movimento irremediavelmente marcado por cismas fracturantes e sincretismos incompatíveis com o espiritismo como impulso intelectual emancipador e universalista com profundas raízes intelectuais.
Há sectores, ditos “progressistas”, do espiritismo, que ainda não chegaram às ideias de Immanuel Kant, resumidamente, porque ainda não perceberam a natureza de uma ideologia e de um exercício programático caracterizado pelo sentido da AUTONOMIA, pela ideia da EVOLUÇÃO, e pela CONSCIÊNCIA como residência originária da orientação MORAL, ou seja – ainda não chegaram ao ponto zero da “revolução copernicana” de Kant!…
Estou a ler um livro muito inspirado e envolvente, que é da autoria de Joan Solé, um jovem catalão para aí da tua idade, excepcionalmente bem escrito, que oferece numa bandeja de analogias multi culturais (até artísticas…) o perfil das ideias de Kant, e que se chama exactamente ” A revolução copernicana na filosofia”:

Nota: Esse livro faz parte de uma colecção de 40 obras a respeito dos principais filósofos e da marcha das ideias filosóficas; foi editada em Portugal, por um semanário, sob o título “Descobrir a Filosofia”. Deve ter sido editada no Brasil, pela certa.
Se leres bem em Espanhol (a língua castelhana, atenção…) posso-te mandar 30 pdf’s de 30 dessas obras. Para quem quiser completar ideias a respeito da Filosofia, ou inaugurá-las, é um apetitoso convite à leitura.

O projecto da colecção foi dirigido por Manuel Cruz, catedrático de Filosofia na Universidade de Barcelona, com a colaboração de muito conceituados especialistas!…
O Paulo Henrique de Figueiredo tem sido muito simpático e já pré-anunciou a sua autorização para publicar o Pdf com a transcrição  da apresentação do livro: Revolução Espírita – A Teoria Esquecida de Allan Kardec

Aqui fica o link para a notícia que diz respeito à obra. O site – do próprio autor – tem uma variedade de artigos a não perder. Como requinte técnico que é raro, cada artigo é antecedido da indicação do número de minutos que leva a ler!…

Felicidades e os melhores votos de saúde

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PDF com a transcrição livre, de minha inteira responsabilidade, da palestra devidamente identificada de PAULO HENRIQUE DE FIGUEIREDO:

REVOLUÇÃO ESPÍRITA – A teoria esquecida de ALLAN KARDEC.

 

 

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fragmento de uma pintura da série “Peregrinação” (construida lendo Fernão Mendes Pinto) , de Costa Brites

Muito importante será que cada um dos amigos procure alargar o círculo dos interessados em seguir uma cultura não dogmática de enriquecimento moral e intelectual, em plena liberdade e independência.

fragmento de uma pintura: “Visões do Céu – memórias da infância” , de Costa Brites, 2008

 

NDE * EQM * Espiritismo – revisto e simplificado

.É favor clicar na imagem para ter acesso ao PDF
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Desde há mais de 20 anos, em que casualmente me foi dado conhecer a existência das Experiências de Quase-Morte, convenci-me de que estava perante um fenómeno suscetível de transformar os paradigmas culturais mundiais em torno da questão da vida para além da morte.
Resolvi publicar este resumo, inicialmente em 2013, a respeito do que tinha aprendido sobre este tema.
Culturalmente julgo ter interesse ter feito agora uma breve revisão simplificativa, visto que se mantém uma possível utilidade para vasto número de leitores.

O que não está é atualizado quanto às fontes de pesquisa, visto que se trata de uma área de interesses em contínua expansão. Dizendo melhor: em contínua e explosiva expansão!
Envolvido numa quantidade de interesses culturais, não me é possível fazer melhor, peço desculpa.
Até à presente data, o tema tratado tem passado por desenvolvimentos fantásticos, que se vão alargando em todas as direções, ganhando horizontes, nomeadamente, nas áreas de nível académico, nos países cientificamente mais evoluídos.
A capacidade que qualquer de nós tem de se aperceber dessa extensão evolutiva, depende da capacidade de ler em línguas estrangeiras. A esse nível, o que está ao nosso alcance na Internet, NÃO TEM LIMITES.

Vou colocar aqui dois exemplos apenas, mas poderia acrescentar centenas de referências:

https://med.virginia.edu/perceptual-studies/our-research/near-death-experiences-ndes/

https://www.galileocommission.org/?s=nde

O presente trabalho, como o que fiz em 2013, tenta escalpelizar de modo breve as relações entre o espiritismo como área de interesses científico-filosóficos com vincadas preocupações morais e as Experiências de Quase-Morte, nas suas mais imediatas e importantes características.

As minhas melhores saudações.
José da Costa Brites
Lousã − PORTUGAL / Dezembro de 2019

Revolução Espírita, de Paulo Henrique de Figueiredo

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Este trabalho, feito no interesse de pesquisa de dois portugueses, seguidores e divulgadores da mensagem de Paulo Henrique de Figueiredo, apresenta a leitura integral e cuidadosa, com facilidade de pesquisa e inter-relação de conteúdos, de todos os artigos publicados entre 12/Jun/2016 e 28/Set/2017, por Paulo Henrique de Figueiredo na sua página pessoal.
Está publicado num ficheiro PDF, ao fundo deste artigo.>

A REVOLUÇÃO ESPÍRITA é o título de um livro que recebemos do Brasil, que começámos a ler com entusiasmo no momento em que nos demos conta da importância da sua mensagem, das reflexões e das propostas construtivas que consigo transporta.
Como é sabido de muitos e muitos milhares de referências Históricas, a REVOLUÇÃO FRANCESA, assim escrita, com maiúsculas, representa – com as inerências dolorosas de todos os grandes dramas da História da Humanidade, e estamos a pensar, nada mais nada menos que no sacrifício do cidadão Jesus de Nazaré – um ponto absolutamente essencial na viragem dos tempos, das atitudes e das conceções das sociedades organizadas, pelo menos no hemisfério que habitamos.
A REVOLUÇÃO ESPÍRITA de Paulo Henrique de Figueiredo, evidencia à partida o lúcido reconhecimento das realidades que estiveram na base do maior levantamento político-social e ideológico que sacudiu a Europa, ao fim de muitos séculos de abominável dogmatismo, intolerância, desigualdades e inenarráveis violências institucionais, quase sempre “sacralizadas”.

A REVOLUÇÃO ESPÍRITA que Paulo Henrique de Figueiredo nos apresenta possui, porém, potencial transformador muito mais vasto, pode dizer-se, universal, porque reside na consciência; procede pelo raciocínio, pelo sentido de liberdade e pelo mais absoluto respeito pela paz e pela elevação moral.

Intelectualmente pode abarcar a antiguidade e a seriedade das mesmas razões que fundamentaram a Revolução Francesa. Surgem deste modo, aglutinando muitas outras, as referências ao pensamento inspirador de Jean-Jacques Rousseau e ao seu desenvolvimento filosófico levado a cabo por Immanuel Kant.
Segue-se, no encadeado complexo de muitas razões e acontecimentos (entre elas o avanço científico proposto por Franz Anton Mesmer) a tarefa de metodização efetuada por Allan Kardec de conhecimentos excecionais, embora radicados na antiguidade do Homem, e que o relacionam com a transcendência, a sua origem e o seu destino.
Uma Revolução faz pensar na outra. Não são iguais nem parecidas, nem nas suas motivações fundamentais, nem nos processos utilizados e muito menos nos objetivos alcançáveis.
Uma faz pensar na outra porque ambas permanecem dificílimas de concretizar, e porque oferecem a perspetiva de mudanças radicais. Mas a Revolução Espírita, no âmbito e na projeção dos seus objetivos é muitíssimo mais vasta, profunda e intemporal.
O desenvolvimento da sociedade humana é de uma complexidade trágica. Mas é o único caminho inevitável e indispensável, porque vai ordenando lentamente as vontades e as atitudes individuais e coletivas em direção ao grande e necessário Progresso.
Haja a coragem para estudá-las a ambas, na íntegra seriedade das suas causas e consequências.

Quanto à que chamaremos nossa, a REVOLUÇÃO ESPÍRITA, a ser conduzida em PAZ, progresso intelectual e elevação moral será certamente – neste Terceiro Milénio – a grande – a SUPERIOR transformação de toda a HUMANIDADE!…

Para ter acesso ao ficheiro PDF com a totalidade dos artigos acima referida,
é favor clicar neste “link”:

REVOLUÇÃO ESPÍRITA, de Paulo Henrique de Figueiredo

O UMBRAL, sucedâneo do INFERNO, desmistificado pelo ensino dos Espíritos

O elemento principal deste artigo é a entrevista dada a respeito do tema em título por Paulo Henrique de Figueiredo, à TV Mundo Maior, cuja transcrição integral se encontra mais abaixo.

Como elemento bibliográfico de muito interesse é anexado um PDF que foi feito a partir de um artigo da Drª Maria das Graças Cabral de 9 de Outubro de 2011, devidamente referenciado, sobre o mesmo tema, com consultas efectuadas nas obras de Alan Kardec e considerandos da autora.>

Cena pertencente ao filme brasileiro “Nosso Lar” dirigido por Walter de Assis baseado no livro do mesmo nome, psicografado por Francisco de Paula Cândido Xavier, e que documenta visualmente o suposto “umbral”, aqui discutido.

Uma das ferramentas das doutrinas dogmáticas para amedrontarem as pessoas, mantendo-as prisioneiras do medo do futuro e obrigando-as a obedecer inflexivelmente aos seus mandamentos sacramentais, foi terem inventado o Inferno, ideia completamente inclassificável numa base minimamente racional.
Como poderia uma entidade criadora de seres naturalmente vulneráveis e tantas vezes desprovidos de recursos para enfrentarem as dificuldades naturais do mundo e da vida, estabelecer regras tão cruéis e que conduzissem tais seres aos sofrimentos eternos?

Uns ricos e poderosos, outros pobres e desvalidos, uns saudáveis e corajosos outros fracos e doentes, todos ameaçados desde o nascimento ao risco eminente (sobretudo para aqueles que morrem com poucos anos, ou meses, ou dias de vida!…) todos, sem apelo nem agravo, sujeitos obrigatoriamente à obediência sacramental de permanentes imposições incompreensíveis e de rigores implacáveis das condenações aos sofrimentos mais horríveis, por todos os séculos dos séculos!…
Quem domina os mecanismos dessas obrigações litúrgicas e sacramentais, em proveito próprio, mantendo os cidadãos mais humildes durante toda a vida, à beira do precipício de julgamentos tão infernalmente intolerantes?
Todos sabemos do que estou a falar, a cultura de milhares de milhões de pessoas em todo o mundo permanece prisioneira desse género de perspetivas, seja qual for a denominação religiosa que continua a alimentar e explorar – repito, em proveito próprio – tais abominações sem nome!…

E então o espiritismo que diferença faz se também nos ameaça com o UMBRAL?

O dia a dia de grande quantidade de frequentadores de centros espíritas está habituado ao elevado nível de teorias penalizadoras, da ideias do “carma”, que não pertence de todo ao vocabulário espírita e cuja lógica é absolutamente alheia à cultura respetiva, já para não falarmos de cenas alucinantes de filmes e vídeos “espíritas” que “mostram” cenários alucinantes povoados por fantasmas andrajosos nos “umbralinos” vales dos suicidas!….

A COMPLETA DESMISTIFICAÇÃO da ideia do UMBRAL, pela palavra de Paulo Henrique de Figueiredo

O artigo de hoje de “espiritismo cultura” apresenta a transcrição (o mais fiel possível) de uma palestra já não muito recente de Paulo Henrique de Figueiredo que, coerentemente com pontos de vista plenamente fundamentados já abordados aqui (ver A Revolução Espírita – A teoria esquecida de Allan Kardec, de Paulo Henrique de Figueiredo), clarifica de forma resumida e inexistência no mundo espiritual de lugares reservados para coletivos de Espíritos, seja qual for o seu nível de evolução e, muito menos, a prevalência de sistemas punitivos sistematizados e muito menos dogmaticamente fechados.

A responsabilidade espiritual das pessoas tem carácter individual, e depende unicamente da sua autodeterminação em liberdade e do nível de afirmação da sua consciência moral.
De resto, está ao alcance de todos a adoção de atitudes construtivas e de evoluções positivas.
A todos é acessível o auxílio, através do conselho e da solidariedade dos bons Espíritos que, libertos do orgulho, podemos e devemos solicitar a todo o momento e seja qual for a nossa circunstância específica.

UMBRAL VISÃO ESPÍRITA/ TV mundo maior

Olá amigos da TVMUNDO MAIOR!
Muitas das histórias que ouvimos a respeito do UMBRAL relatam um local de dor e sofrimento. Para falar sobre este assunto e esclarecer alguns pontos nós vamos receber o pesquisador e escritor espírita Paulo Henrique de Figeiredo.

 ELEN ARÇA
̶  Paulo seja bem vindo!
Paulo Henrique de Figueiredo:
̶  Eu é que agradeço o convite!
O que é o UMBRAL para o espiritismo?
̶  A grande maioria dos espíritas que participa no movimento espírita foram educados nas religiões cristãs, protestantes e, na maioria, católicos.
Há uma tradição do entendimento do que ocorre na espiritualidade, desde as religiões antigas, de uma semelhança entre o que se vive neste mundo e o que acontece no outro. Um exemplo disso é o que acontece após o julgamento final.  A ideia é que os bons vão viver no paraíso e usufruir do prazer. E os maus vão viver no sofrimento. Mas o sofrimento que se imagina é um sofrimento físico.
Na Índia por exemplo, eram concebidos dois infernos, o inferno quente e o inferno gelado, da neve, do sofrimento do frio. O que se tornou clássico na Grécia e na tradição cristã foi o inferno quente.

O espiritismo traz uma inovação ao explicar o que é o mundo espiritual que não tem paralelo nas metafísicas anteriores a ele. E o espiritismo é muito recente, tem apenas 160 anos.

Então, compreender bem o que o espiritismo explica não é muito corrente.
As pessoas normalmente associam o entendimento das descrições, por exemplo, lendo em André Luís a descrição do “umbral”. Imaginam a vivência lá equivalente à que existe aqui no mundo material. Ou seja, um lugar onde se sente muito sofrimento. Seria um paralelo relativo ao inferno.
A questão é que os Espíritos, na obra de Kardec, demonstram que o mundo espiritual é muito diferente do que normalmente se imagina. No mundo material estamos determinados pelo ambiente em que nos encontramos. Se estivermos num ambiente muito quente, não importa quem seja, vai sofrer com o calor. Dos simples aos inteligentes, o bandido ou um santo, vão sentir muito calor, porque no mundo físico o organismo é igual para todos.
Quando formos para o mundo espiritual, as pessoas não percebem que o nosso corpo espiritual, num grau de evolução mediano, tem aparência equivalente à vivência que temos aqui. Muitas das pessoas que desencarnam, nem percebem que morreram, quando regressam ao mundo espiritual!…

A realidade do mundo espiritual é determinada pelo seguinte facto: O que se pensa e se sente altera as condições físicas do corpo espiritual, do perispírito.
Exemplificando: quando mais ligado às questões deste mundo, quanto mais ligado aos instintos, às paixões, às emoções, mais denso fica o perispírito, mais pesado.
E quanto menos apegado, mais desprendido, menos denso e mais leve ficará o seu perispírito.
A densidade do perispírito é que determina a localização do mundo espiritual a que vai estar associado, o nível de sintonia a que o seu perispírito está situado.
A associação que você fez do mundo espiritual com a ideia do inferno, corresponde à ideia de que quem comete erros, vai ser julgado e colocado num local de sofrimento.
O que o espiritismo veio ensinar-nos é de que o local onde estamos ambientados depende do que pensamos e sentimos.
Portanto, quando as pessoas morrem, vítimas de apegos, remorsos, desejos de vingança, sentimentos desses aproximam-nos da condição animal. No mundo espiritual a consequência disso é ter um corpo espiritual denso, pesado.
Esse corpo espiritual mais denso e pesado vai situar-se num ambiente com outras pessoas que se encontram nas mesmas condições.

Muito diferente da ideia do inferno, que é um lugar sem saída, o verdadeiro mundo espiritual como explica o espiritismo é formado por níveis diferenciados – onde se entra e de onde se sai – pela livre escolha de cada um.
Quem muda o seu padrão de pensamento, modifica o nível de sintonia com aquele lugar.
Muitas pessoas que desencarnam, regressando ao mundo espiritual, não têm uma noção do mundo em que se encontram, passam a viver do mesmo modo que viviam no mundo material. Procuram as mesmas coisas e mantêm os mesmos hábitos, as mesmas emoções e o mesmo medo, procurando satisfazer as mesmas necessidades.
Quanto mais medo tiver, mais denso e pesado se torna. Sem modificar essas tendências essas características as entidades espirituais não percebem que estar ali é uma decisão deles mesmo.

Conclusão: no mundo espiritual não existem lugares determinados por Deus para alojar este ou aquele Espírito. Não há nenhum castigo pré-determinado ou condição de sofrimento que seja imposta. Tudo é fundamentado no conceito de liberdade. Cada um vai para onde quer e fica onde quer. E essa decisão é tomada em função do seu padrão de pensamento e sentimento.

E nós encarnados, em sonhos ou desdobramentos, podemos entrar nessas zonas mais densas?

̶  Veja bem: o que significa estar encarnado? Significa que antes de nascermos, estávamos no mundo espiritual. E ligámo-nos à primeira célula que representou o surgimento do nosso corpo físico. Quando as células se vão multiplicando o ser vai-se ligando a cada uma delas, até ao momento que está ligado ao embrião, e depois, quando a criança nasce, a sua consciência como espírito passa a ser determinada pelo cérebro. Passa a pensar pelo cérebro. No momento, os que estamos a conversar aqui e os que nos estão escutando, encontramo-nos na condição de pessoas que pensam pelo corpo. Isso não significa, porém, que não estejamos presentes no mundo espiritual.
Como a nossa consciência está no corpo é como se o nosso perispírito ficasse ligado a ele, mais ou menos na mesma localização. Se vamos dormir, ou no caso do desdobramento como na pergunta que me fez, o corpo dorme, a consciência desliga-se do nosso cérebro e passamos a pensar com o corpo espiritual, com perispírito.
Estando de posse desse perispírito, onde estaremos? Estaremos num ambiente com o qual estivermos em sintonia.
Enquanto encarnados, nós já temos um ambiente espiritual determinado pelos nossos padrões de pensamento.
Há pessoas que ficam preocupadas e que me perguntam:

Para onde vamos depois da morte?

̶  Eu respondo-lhes que a pergunta que me fazem não devia ser essa. Deveriam perguntar-me onde é que estão nesse mesmo momento, agora. Porque onde estamos agora é exatamente aí onde vamos estar depois da morte.
Como espírita, a melhor maneira de entender o espiritismo é reconhecermos que somos espíritos, nós somos espíritos!…
As consequências dos nossos atos, portanto, não são futuras, são imediatas. Todas as decisões que tomamos no nosso quotidiano, elas devem estar voltadas para termos controle das nossas emoções, não é não termos emoções, porque o nosso corpo necessita delas. Necessitamos de medo, de raiva, precisamos de ter fome, necessitamos dos prazeres, tudo isso está ligado à sobrevivência do organismo.
A nossa capacidade, como espíritos conscientes é fazer uso de todas essas emoções e sentimentos e paixões nos limites do necessário.
Se morreu alguém, ficamos tristes com esse facto, e experimentar essa tristeza é extremamente natural, mas isso tem de ir-se extinguindo e recuperarmos esses factos como lembranças do passado.
Ficar a viver essas penas permanentemente no futuro, é uma coisa que não devemos fazer.
Em paralelo podemos observar o comportamento dos animais, que vivem as emoções nas circunstâncias, mas não guardam a lembrança das circunstâncias passadas, nem ficam projetando um futuro ruim.
O Homem, nessas condições, ganha a liberdade e tem que aprender que fazer uso dela, mantendo o equilíbrio, é a grande saída para a saúde, para o bem estar e para a felicidade.

E quanto aos espíritos desencarnados que se encontram num estado mais evoluído, conseguem transitar para essas regiões, passam por alguma orientação? Como se passa isso?

̶  Imagine o seguinte: se você tiver um objetivo determinado, vai onde for necessário para alcançá-lo! Imaginemos que está a fazer certa prova, de corrida de bicicleta, ou de esforço extremo em que tem que rastejar na lama, atravessar o mato. Se esse for um objetivo determinado e que vai terminar em breve, mas que é necessário para conquistar algo, isso deixa de ser um sofrimento.
Os bons espíritos, contrariamente ao que certas pessoas imaginam, não ficam como se fosse num céu, muito contentes por estarem num lugar bom.
Os bons espíritos vão onde podem ser úteis!
Têm por isso a capacidade de alterar a densidade do seu organismo, e essa alteração de densidade não representa de forma nenhuma uma situação de mal estar. Fazem isso com a intenção de estarem próximos daqueles que vão ajudar.
Se estiverem invisíveis podem inspirar alguém, mas se forem surgir a um outro espírito em estado de igualdade, conseguem ser muito mais tocantes na sua mensagem e no seu conselho.
Os bons espíritos, portanto, em muitos momentos das suas missões, passeiam pelo mundo espiritual do mais denso para menos denso, sempre tentando levar a sua mensagem, o seu entendimento. Fazendo com que os espíritos que estão ali despertem.
O que eles não podem é agir pelo outro. Se alguém estiver, portanto, no mundo espiritual, passando por uma situação de dificuldade, o espírito bom pode aproximar-se e sugerir que o outro mude o seu modo de pensar, que seja otimista, que peça ajuda.

Porque o que mais dificulta um Espírito no mundo espiritual é o orgulho. É o não pedir ajuda, é o não reconhecer que precisa de recomeçar, e esse é o primeiro passo para a mudança.

É recomendável vibrar ou fazer preces pelos espíritos que se encontram nessas regiões?

̶  Não há a mínima dúvida!
Todos os espíritos vivem num ambiente que se estabelece de tal forma que o que se pensa e sente determina o seu corpo e o ambiente em que ele está. Se tiver alguma ligação afetiva com alguém, seja qual for a condição em que se encontre, o espírito que procura ajudar pode ter acesso à sua mente.
Se pensar em alguém que se foi deste mundo, com tristeza, com pesar excessivo, estaremos a transmitir-lhe angústia.
Se a energia transmitida for otimista, vai dar tudo certo, vai superar, esse é o pensamento que temos que transmitir-lhe.  Porque ao receber esse pensamento, ele vai sentir um impulso, uma força, uma luz que o motivam. A soma dessas motivações mais a vontade dele vai possibilitar-lhe ultrapassar a condição em que se encontra.
Portanto, é sempre útil, estabelecer esses pensamentos, para aqueles que nós conhecemos e também para os que não conhecemos.
Mas sempre numa atitude de otimismo, boa vontade.
Se formos espectadores de uma corrida, e estimularmos com entusiasmo, aplausos e frases de encorajamento aqueles que começam a fraquejar, ajudamo-los a prosseguir. Passa-se o mesmo com os espíritos, sobretudo os que estiverem com dificuldades. Os sentimentos otimistas e estimulantes vão chegar-lhes como um impulso.
A pessoa que transmite essa ajuda é realmente como alguém que também se encontra a competir enfrentando-se a si mesmo naquela prova, tentando superar os seus limites. De resto, todos os bons espíritos já passaram por situações semelhantes!
Enfrentaram as dificuldades e superaram-nas pelo seu próprio esforço. Os que estimulam terceiros têm sempre o argumento principal que é o de poderem dizer que já estiveram numa situação semelhante e conseguiram superá-la.

Muito obrigada Paulo!
̶  Eu é que agradeço!

Cena pertencente ao filme brasileiro “Nosso Lar” dirigido por Walter de Assis baseado no livro do mesmo nome psicografado por Francisco de Paula Cândido Xavier, e que documenta visualmente o suposto “Nosso Lar”, aqui discutido


PDF de um artigo da Drª Maria das Graças Cabral de 9 de Outubro de 2011, devidamente referenciado, sobre o mesmo tema, com consultas efectuadas nas obras de Alan Kardec e considerandos da autora:


+ UMBRAL E NOSSO LAR


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“O Inferno”, painel do retábulo “O Jardim das Delícias”, de Hieronymus Bosch, 1504 (Museu do Prado, Madrid)

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A Génese de Allan Kardec, tradução de Gustavo N. Martínez

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Aqui apresentamos para todos os nossos visitantes a belíssima tradução em castelhano de “A Génese” de Allan Kardec, da autoria de Gustavo N. Martínez

Está adiantada a nossa tradução em português de Portugal.

Para aceder ao PDF do livro, é favor clicar na imagem da capa.

 

 

 

A prodigiosa mediunidade de Augustin Lesage, humilde mineiro e pintor espírita (1876-1954)

Nota para os visitantes conhecidos: este é o texto publicado aqui há vários anos,  com mais imagens e apresentação mais completa, resultante de textos traduzidos, publicados em:

Humilde e prestigiado servidor da arte mediúnica, expôs as suas telas surpreendentes de beleza e de luz, não obstante a sua avançada idade.

 

 

Deixemos que ele mesmo se nos apresente:

“…Chamo-me Augustin Lesage, nascido a 9 de Agosto de 1876, em St Pierre les Auchel, perto de Béthune, no Pas-de-Calais. O meu pai era mineiro, pois que vivia nesta região de minas. Andei na escola primária de St-Pierre-les-Auchel até à idade de 14 anos, altura em que fui trabalhar nas minas. Conheci ali o mais duro trabalho, durante 27 anos; deixei a mina a 23 de Julho de 1923.
Foi em Janeiro de 1912 que os poderosos Espíritos vieram manifestar-se-me, ordenando que desenhasse e pintasse, coisa que jamais havia feito anteriormente. Nunca tendo visto, até esse momento, um simples tubo de tinta para pintar, imaginem a minha surpresa perante tal revelação.
Ignoro completamente seja o que for a respeito de pintura.
– Não te inquietes por causa desse pormenor insignificante, responderam os espíritos. Seremos nós a conduzir as tuas mãos.
Recebi então, por escrito, o nome das cores e dos pincéis de que necessitava e comecei a pintar sob a influência dos artistas do além, sempre que chegava a casa extenuado depois do trabalho na mina. Tal fadiga, contudo, desaparecia quando me encontrava sob a influência dos espíritos.
Recebo sempre, por escrito, conselhos favoráveis a respeito dos trabalhos, que executo sem modelo, o que é uma grande facilidade para mim, por não ter de procurar compreender, visto que as composições não são de minha autoria. Sou apenas a mão que executa e não o cérebro que concebe o que faço.
Pinto sempre desperto, mas sem poder estar na presença de quem quer que seja. Represento aquilo que os vivos não podem ver, enquanto que os artistas pintores representam o que a natureza coloca perante o seu olhar. Permaneço em relação permanente com os nossos queridos amigos do além, que me trazem grandes revelações.
Raros são aqueles que concebem a fé vivida com esses espíritos, não material, mas espiritualmente.

Nada compreendo da confusão de cores diversas que aplico sobre a tela. De acordo com os conselhos que dão os meus amigos do espaço, as obras que executo representam todas as religiões associadas do passado longínquo. Tais enigmas serão por nós conhecidos um dia. De momento podemos chamar-lhe “pintura nova”…”.

Texto escrito por Augustin Lesage em Barbuse (Pas-de-Calais) a 20 de Maio de 1925
Este depoimento, de autoria do próprio Augustin Lesage foi confirmado por declarações emitidas por entidades independentes e organismos públicos, além de ser do conhecimento de muitos vizinhos e de grande quantidade de personalidades do mundo artístico e cultural com que o mesmo se relacionou ao longo da sua vida. Entre os quais, os seguintes:

“… o Presidente da Câmara da comuna de Burbure certifica que o Senhor Augustin Henri Lesage, aqui residente, nascido em Auchel no dia 9 de Agosto de 1876, exerceu sempre a profissão de mineiro e nunca frequentou nenhuma escola de desenho ou de pintura. Assinado em Burbure a 22 de Maio de 1925 pelo Maire Decroix…”

“…O abaixo assinado Emile Lacroze, engenheiro, director das minas de Ferfay-Cauchy, declara que Augustin Henri Lesage trabalhou como mineiro nas nossas explorações, de 23 de Agosto de 1890 a 14 de Novembro de 1897, (serviço militar), de 27 de Setembro de 1900 a 12 de Julho de 1913 e de 11 de Março de 1916 a 6 de Julho de 1923. Ass. 22 de Maio de 1925…”

De 7 a 14 de Junho de 1953 foram expostas na “Maison des Spirites”, situada no nº 8 da Rue de Copernic, em Paris, várias obras de Augustin Lesage, o mineiro pintor..

“…Observar-se-á nas obras qualquer coisa de completamente diferente de uma habilidade adquirida pela prática manual continuada que pudesse servir uma documentação recolhida aqui e ali e engenhosamente interpretada.
Aquilo que caracteriza a sua arte é incontestavelmente a invenção, e – em verdade – é impossível conceber de acordo com o raciocínio corrente como poderá Lesage, ao longo dos anos e isolado na localidade onde viveu, longe de qualquer fonte de informação, ter adquirido primeiro uma destreza técnica tal, e depois o conhecimento de utilização dos temas decorativos de que se serve – os quais evocam – com toda a originalidade pessoal e novidade – reminiscências persas e hindus.
Como poderá o extenuado mineiro, finda a sua jornada de trabalho, ter regressado para defronte da sua tela com capacidade para construir com pinceladas fáceis e subtis, esses pagodes fantásticos, e desenrolar seus bordados soberbos, associar harmonias cromáticas e coordenar tão enorme variedade de combinações gráficas?…”

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Quando pela primeira vez o médium se exercitou numa tarefa que ele julgava impossível, serviu-se – aconselhado pelas “vozes” e pelas mensagens escritas – de uma tela de 9 metros quadrados. Para começar era uma audácia. Estendeu-a como pôde, na sala inferior da casa, transformada em atelier. Era forçado, aliás, a tê-la parcialmente enrolada, de modo a poder avançar com o trabalho, dado que as dimensões da tela eram tais que excediam o tamanho do compartimento. As mensagens inspiradoras também lhe tinham dado instruções relativas à compra das tintas de óleo e respectivas cores, dos pincéis e dos godés nos quais diluía as cores com essência. Fora-lhe dado igualmente conselho de se ajoelhar e de orar, tal como fazia Fra Angelico, antes de iniciar o seu trabalho de pintor.

A partir desse momento o trabalho tornava-se fácil: empunhar ao acaso um pincel e erguer uma mão que um tremor súbito anima, colher tinta de um dos godés e, em gestos agora firmes, pigmentar a composição, já começada, de pequenos pontos, cuja justaposição, no seu conjunto, determina o conjunto das formas e define as gradações de cor e os detalhes da obra.

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Trabalho de uma extrema lentidão e de rigor impressionante. Labor de miniaturista, de iluminura, ocupava decorativamente vastas superfícies, porventura concebidas para um trabalho a fresco. Contudo, à força de preserverança, de dócil impassibilidade, Lesage acaba por cobrir toda a tela até ao limite das suas margens, sem esquecer, durante a execução, os retoques, repetições e rectificações que não derivam de seu motu próprio, mas da orientação do espírito artista ao qual obedece o artesão respeitoso. Estas referências e acentuações não são a parte menos extraordinária do trabalho. Sucede por vezes que o “inspirador” insatisfeito consigo mesmo, retém o pincel, durante várias semanas, sobre uma superfície de alguns centímetros quadrados, sempre, sempre rectificando as linhas e a coloração, correndo o risco de empastar ou produzir a confusão.
Não se passa nada diso. Os detalhes assim aprofundados são frequentemente os mais notáveis, pela sua estrutura de mosaico e o seu gosto cromático. É com espanto que se descobrem alusões à paleta e aos tons pastel do grande visionário que foi Odilon Redon.
Não é exagero dizer-se que no tempo presente, ninguém poderia inventar ritmos ornamentais, com tal fantasia e riqueza. Tais são os que criou o pincel de Lesage, achados com tanta felicidade, que os criadores de rendas de Calais vieram a Burbure procurar ideias para novos modelos.
Que ali não se busquem regras de composição escolástica. Nem mais ciência no equilíbrio de volumes que no jogo de valores. Poderia falar-se de valores. Ou de ramos de flores, de vagas iridiscentes e de vibrações luminosas.
Perto, arquitecturas atrevidas, acentuadamente alinhadas e fantasticamente sobrepostas; pés-direitos que sustêm arcadas, cúpulas às quais se associam galerias de onde se projectam abóbadas, recortadas por pilares incrustados de pedrarias, que conduzem a miradouros, ameias e lanternins. Nestas estruturações acontece que uma cripta sustem uma nave e os seus altares, contudo, sem obediência à realidade. Lesage (ou o espírito, mais propriamente) ultrapassa as circunstâncias, zomba da resistência dos materiais, cria a instabilidade, lança um piso imenso sobre uma cúpula central, reedifica um segundo templo por cima dum primeiro. Um arquitecto rir-se-ia. Um pedreiro diria: “é impossível!”; um decorador exclamaria: “é improvável, mas com estilo, brilhantismo e um emaranhado que encanta a vista!…”.

M. Cassiopée.
Extrait de la Revue Spirite de Mai-Juin 1953.

 

.“…Em geral as coisas são vistas em corte. O olhar do espectador mergulha no interior de um movimento prodigioso, ali se perde e se conduz no entanto através de uma multiplicidade de artérias, de capelas e naves laterais, onde se mostram – em tonalidades neutras – misteriosas neblinas nas quais flutuam cintilantes painéis, caixotões e nervuras, nas quais se dispersam em leves grinaldas – pérolas, corais, safiras, esmeraldas e rubis.
Lesage teve, pelo menos, duas fases, precedidas de uma primeira, feita um tanto às apalpadelas, que produziu painéis que se encontram expostos em diversas instituições, à maneira de estuques relevados nos quais se encontra toda a delicadeza e as cores aveludadas de um Vuillard. A primeira fase é menos sensacional que a segunda.
(…)
Como artista, “Augustin Lesage apresenta-nos um dos mais belos casos de mediunidade pictórica …”.
“…atingiu uma arte depurada, lúcida, suave, leve, onde a invenção decorativa retoma curso livre com à-vontade e variedade, extremamente sedutora, pela franqueza de toques feitos em geito de esmalte. É-se levado a pensar que talvez o artista mineiro tenha tido dois “guias” pintores, o que não é hipótese sem fundamento.
No dia em que visitámos em Burbure o atelier do médium, exprimimos essa opinião ao comparar as telas antigas com as actuais. Lesage teve imediatamente uma comunicação psicografada, cujos termos elucidavam que o pintor tinha sido conduzido na execução da sua obra por duas entidades distintas, uma delas dedicada aos temas arquitectónicos e outra para a vertente puramente decorativa. As nossas suposições foram desse modo confirmadas e bem assim o facto de os seus inspiradores serem de origem asiática, o que se encontrava esclarecido na já mencionada comunicação: a primeira entidade era Indu e a segunda vivera muito tempo no Extremo Oriente…” 

 

 

A história da Colheita Egípcia

Procurámos sem êxito uma reprodução da Colheita Egípcia…

Um facto mais do que marcante, nós diríamos revelador, é o da história da “Colheita Egípcia”.
Em Outubro de 1938, Augustin Lesage começou a tela da “Colheita Egípcia”. Terminou-a dois meses depois, em Dezembro.
As suas disponibilidades financeiras mantinham-se escassas, fiéis à definição que Allan Kardec fornecia da mediunidade de que o que é um dom da mediunidade não é para ser objecto de negócio.
Bela lição para aqueles que, nos nossos dias, se proclamam mestres em ciências do espiritismo e que fazem negócio com ele.
Sabe-se que a coberto das interpretações de tais “mestres”, a mediunidade é afastada do seu sentido espiritual. Para isso fazem uso da palavra “parapsicologia” e de outras designações,  para enganar todos aqueles que desejam compreender o sentido cristalino da alma tal como era entendido por Allan Kardec.
Saberão escutar as suas vozes interiors? Saberão o que é de facto a mediunidade?
Desejamos que sim muito fraternalmente, antes de mais por si próprios, e por uma questão de respeito por tudo aquilo que recebemos do mundo espiritual, portanto da fonte divina.
Regressemos contudo a Augustin Lessage, num dia de 1939, em que almoçava com seu amigo Fournier. Foi informado que a Associação Guillaume Budé estava a organizar um cruzeiro ao Egipto e de que esse mesmo amigo lhe oferecia a viagem.

Marie-Christine Victor conta no seu livro:.

“…Em Marselha, no dia 29 de Fevereiro de 1939, ao meio dia, Augustin Lesage embarcou com o seu amigo Fournier no navio “El Mansour” (…). Teve oportunidade de conhecer a bordo um egiptólogo de nomeada que se manifestou muito interessado na obra que descobrira por ter visto uma dúzia de quadros seus, dentre os quais a “Colheita Egípcia”.
– Porque é que atribui tanta importância a esta última tela? Perguntou ao velho mineiro.
– Porque, respondeu ele, não é apenas da última que pintei, mas porque os meus guias me revelaram que eu iria reencontrar o fresco da época egípcia que representam os trabalhos da colheita…”.
“…o egiptólogo não partilhou essa opinião, derivada mais de um acto de fé que de um processo científico, dado que apenas é científico e válido aquilo que é material e tangível. Não acreditou pois um só instante que a tela de Lesage pudesse ser outra coisa que não produto da sua imaginação ou dos seus fantasmas. O artista não ficou minimamente impressionado pelo espírito científico do seu companheiro de viagem e preferiu tomar a atitude prudente de quem está tomado pela certeza profunda, logo, fora do comum…”
“… No Domingo 26 de Fevereiro chegámos a Alexandria e no dia imediato ao Cairo. Foi a tomada de conctacto com o Egipto moderno.
…arquólogos franceses tinham por missão acompanhar e dar explicações aos turistas dos quais fazia parte Augustin, a respeito da história e do significado dos monumentos da época faraónica…”
“…Augustin viu a imensa estátua de Ramsés II caída na areia, e a esfinge de Memfis, a pirâmide de Sakkarah, construída 5000 anos antes da nossa era, no tempo do rei Toser. Por fim as grandes pirâmides de Kéops, Kefren e Mikerinos, a grande esfíngie de Gizé, conhecida em todo o mundo. Experimentou um sentimento profundo:
– Como se tudo aquilo fosse para mim mais do que uma curiosidade, como se as pedras me fossem familiares, como se esse novo país que nunca tinha visto não me fosse inteiramente desconhecido, causando-me mais um sentimento de apego que de admiração…”

Tal caso não nos surpreende, tendo sucedido o mesmo, mas com muito mais rigor e certeza no caso de Lucienne Marmonnier, igualmente uma artista médium. Para nós, espíritas, é facto adquirido que Augustin Lessage deve ter vivido uma encarnação no Antigo Egipto; de outro modo o sentimento do momento já vivido não teria em si uma tão grande ressonância.

“…Nos dias seguintes visitámos o Museu do Cairo onde se encontram expostos, em especial, todos os objectos encontrados no túmulo de Toutankhamon. No dia 4, Sábado, partimos para o Sul, até à primeira catarata, tendo a visita ao Alto Egipto começado por Assouan.
Augustin Lesage, depois de ter visitado Luxor e e visto a base sobre a qual estava colocado o obelisco que actualmente se encontra na Praça de la Concorde, em Paris, chegou ao Vale das Rainhas.

Escutemos aquilo que nos contou:
– Dois anos antes, neste vale, fora desenterrada uma pequena povoação. O arqueólogo contou-nos que no tempo de Ramsés II, da XVIII dinastia, cerca de 1.500 anos antes da nossa era, a mesma povoação era habitada por 700 a 800 operários especializados em trabalhos funerários. Tais operários eram preciosos porque os Egípcios davam mais importância à sua morada eterna que às casas em que habitavam durante a sua vida, e que não necessitavam de uma decoração tão rica, dado o curto lapso de tempo que dura a vida.
Um dos operários chamava-se Mena. Encontrámos o seu túmulo, com muitas inscrições e cenas que descrevem o que foi a sua vida. Desse modo ficámos a saber como se chamava. Nos momentos durante os quais não trabalhava na execução dos túmulos oficiais , Mena tinha sido autorizado a trabalhar no seu próprio túmulo, um pouco afastado da localidade. Visitámos esse pequeno túmulo que continha uma vintena de sarcófagos e, de repente, apercebi-me de um fresco bem pintado numa das paredes, bem conservado e – nesse mesmo fresco – reconheci a cena da “Colheita Egípcia”.
“Apoderou-se de mim uma forte e complexa emoção, que teria grande dificuldade em descrever com exactidão. Pareceu-me, de repente, sentir-me muito próximo dessa pequena cena ainda intacta, ao vê-la tão parecida com aquela que havia pintado, e pareceu-me que também eu era o seu autor.

Estabeleceu-se entre a pintura e eu uma relação indefinível, sem ser possível esclarecer se tinha acabado de pintá-la ou se apenas a encontrara. Desejei ter ficado junto daquela comovente e fresca pintura mural. Senti-me imobilizado, simultaneamente suspenso e esmagado pela surpresa.”
“…E a alegria, uma imensa alegria me invadiu, como se fosse a de um exilado de regresso ao seu povoado…”

Claro e perceptível se torna que, as coisas a que somos sensíveis, não se encontram no ensino dos livros, mas sim na mais profunda intimidade da alma.

“…Fiquei tomado de entusiasmo, o meu sangue pulsava, era puro e carregado de afecto o ar que respirava dentro do túmulo e a experiência que tivera entrava com toda a nitidez comovida nas minhas recordações, o acontecimento mais claramente marcante da minha vida, de resto, bem repleta de surpresas…”
(…)
No dizer do arqueólogo que nos acompanhava, o túmulo, descoberto havia apenas dois anos, era pouco conhecido e tinha sido até então muito pouco visitado. Acentuou, face às perguntas dos turistas, que não poderiam existir reproduções do fresco em França. O que excluiu a ideia de uma cópia a partir de qualquer revista ou uma reprodução inconsciente depois de leituras feitas sobre o assunto…”

Augustin Lesage concluiu depois esta maravilhosa revelação de uma vida anterior:

“…Compreendo enfim aquela viagem, desejada durante tanto tempo, e que fora impossível até àquele momento. Não era necessário que visitasse o Egipto antes da descoberta do fresco; era necessário que a visse para que ficasse provado que os meus quadros não são o fruto da minha imaginação, e que a minha mão é o instrumento de um cérebro que não é meu…”.

Marie-Christine Victor pensa da seguinte forma:.

“…Como poderia existir trucagem num caso somo este? Como é que um mineiro que não saiu da sua aldeia poderia ter visto e reproduzido um fresco que se encontrava a tantas léguas de sua casa, que até os próprios egiptólogos desconheciam ainda e que, por isso, nenhuma revista poderia ter publicado?…”

É bem entendido que as críticas mais preversas e mais dolorosas para Augustin Lesage não faltaram, mas amar e servir a Deus também é aprender o que está por detrás do sofrimento, e qual o motivo porque, como dizia Santa Teresa de Ávila “há tão poucos amigos”..

Augustin Lesage dizia:
“… Não quero enganar ninguém. Não odeio ninguém. Não desejo mal a ninguém… Não desejo nem a riqueza nem a celebridade. Não tenho senão o desejo ardente de ser acreditado, porque aquilo que digo é verdade, porque aquilo que vivi é autêntico. Desejo sobretudo que a mensagem do invisível seja recebida e compreendida por todo o mundo, com o respeito e a admiração que ela não pode deixar de suscitar…”

Marie-Christine Victor afirma que a prece de Lesage não ficou sem resposta (como, de resto, todas as preces sinceras). Os seus guias avisaram-no de que iriam executar um trabalho e que seria necessário convidar um público que viesse vê-lo trabalhar.

A prova seria dada dessa forma de que toda a obra do pintor tinha sido feita de forma honesta e com pureza de intenções.
Desta forma, no dia 24 de Fevereiro de 1947, em Marrocos, pintou uma tela em público. Foi feito nessa altura um abaixo-assinado com 112 assinaturas entre as quais médicos, psiquiatras, professores, jornalistas, comissários de polícia, pintores, arquitectos…”
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Composição Simbólica  do Mundo Espiritual, Augustin Lesage, 1923

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Razões válidas para ler o livro do Juiz Patterson-Hatch / Comentário 01

 

Cartas de um Espírito Vivo e Lúcido
depois da sua morte física / comentário 01

Elsa Barker foi a médium que emprestou a mão a David Patterson-Hatch para escrever as suas cartas com um resumo prático e vivido no MUNDO ESPIRITUAL, logo a seguir à sua morte física em 1912, com muitíssimas informações interessantes e valiosas, a respeito dessa sua magnífica experiência.

Elsa Barker (1869–1954)

Lá para o fim da sua Introdução da obra, diz-nos Elsa Barker:


“…O efeito que estas Cartas produziram em mim, foi o de me libertarem completamente do medo da morte, que teria tido desde sempre, fortificando a minha crença na imortalidade e fazendo da vida de além-túmulo uma viabilidade tão real e vital como a que vivemos aqui à luz do Sol.


Se estas Cartas conseguirem produzir numa única pessoa o mesmo sentido exultante da imortalidade que tiveram em mim, já me sentirei inteiramente compensada pelo meu trabalho.


Para aqueles que quiserem censurar-me, apenas posso dizer que sempre tentei dar o meu melhor ao mundo e que estas Cartas talvez sejam uma das melhores coisas que tenho para lhe dar…”

Numa das suas primeiras cartas diz-nos o verdadeiro autor:

Carta 5 – a promessa de coisas nunca ditas


Depois de certo tempo irei partilhar consigo certos conhecimentos que adquiri desde que saí daí. Vejo agora o passado como por uma janela aberta. Vejo a estrada que percorri, e posso traçar um mapa do caminho que quero seguir a partir de agora.

Tudo parece fácil agora. Poderia fazer o dobro do trabalho que faço – sinto-me forte. Até agora não me fixei em lado nenhum, ando por aqui e por ali, ao sabor da fantasia. É assim que eu gostaria de ter feito enquanto vivo no corpo, e nunca tive essa possibilidade.


Nunca tema a morte, mas fique na Terra o máximo tempo que possa. Não levando em conta as companhias que tenho aqui, lamento não ter aproveitado o mundo ao máximo. Os lamentos aqui, contudo, valem muito menos que aí – como os corpos.

Tudo está bem comigo.

Vou contar-lhe coisas que nunca foram contadas!



Este foi um primeiro comentário publicado aqui, para motivar os nossos visitantes para a utilíssima descarga e leitura da obra traduzida. Os comentários, com uma síntese prática do conteúdo do livro, não vão ficar por aqui…

O leitor/tradutor que muito aprendeu com a tarefa

José da Costa Brites
Lousã, Portugal

 

A Serra da Lousã, que eu vejo todos os dias…  (clicar…sff)

Cartas de um vivo depois de morto, de Elsa Barker, apresentação e tradução

 

Cartas de um vivo depois de morto

Algumas pessoas exactamente como nós têm o dom da  audição e da escrita automática, entre outros, a que se chama “mediunidade”.
São detentoras de uma sensibilidade especial, até sem o saberem em muitos casos, podendo ouvir as vozes dos seres já ausentes no mundo espiritual, por ter falecido o seu corpo, mantendo-se viva a sua consciência moral e intelectual, como nos acontecerá a todos.
É um facto que se pode comprovar experimentalmente com toda a clareza e permite-nos saber exactamente o que irá suceder-nos depois da relativamente breve viagem da vida terrena. 

A autora desta obra, Elsa Barker tinha essa capacidade e, num serão de 1912, vivendo em Paris, sentiu-se inspirada para escrever uma mensagem de alguém que de início se identificou apenas como “Senhor X”. Depois de ter revelado isso a um amigo bastante próximo, foi-lhe retorquida a pergunta se não sabia quem era o tal “Senhor X”, amigo seu, o Juiz David Patterson-Hatch. Assim começou a série de cartas enviadas “do lado de lá”, com a narrativa das aventuras do Juiz Hatch após a sua vida. Essas cartas foram publicadas numa obra com o título “Lettres from a Living Dead Man” (tradução à letra: “cartas de um vivo morto”), em 1914.

Desconhecido da Senhora Barker, ao tempo da primeira mensagem, o Juiz  tinha falecido recentemente, a muito mais do que 9.000 quilómetros, na Califórnia. Isso foi confirmado por uma carta recebida dias depois:

“Nas primeiras cartas não disse quem era o autor, por não estar ainda autorizada pela sua família. No Verão de 1914, estando eu a viver na Europa, uma longa entrevista com o Senhor Bruce Hatch publicada no New York Sunday World, exprimiu a convicção de que as “Cartas” eram comunicações autênticas de seu pai, o falecido Juiz David P. Hatch, de Los Angeles, na Califórnia.

Depois disso Elsa sentiu-se livre para revelar o seu verdadeiro nome, quando fosse oportuno.

Quem era Elsa Barker?

Elsa Barker, poetisa, novelista e escritora, nasceu em 1869 em Vermont, estado da Nova Inglaterra. O pai era pessoa interessado pelo oculto, e ela partilhava esse interesse. Tornou-se membro da Sociedade Teosófica e também se iniciou na Ordem Rosacruz. Foi professora durante um breve período, tendo passado a dedicar-se a escrever para jornais e revistas. Em determinada altura conheceu o Juiz Hatch, tendo-se tornado amigos. Por ironia do destino, nunca se tornou muito conhecida pelos livros de sua própria autoria.

“Letters from a Living Dead Man” é um conjunto de comunicações inspiradas e otimistas, feitas depois da morte que, depois de 1914 alcançaram alargada popularidade. Foram consagradas como ajuda importante para dissipar o medo da morte. O livro descreve a vida depois da morte com numerosos detalhes, incluindo as consequências do suicídio, a forma como os entes queridos se encontram e o relacionamento com os seres altamente evoluídos.

O juiz David Patterson-Hatch

David Patterson-Hatch nasceu em 1846 no Estado do Maine, numa família de agricultores. Licenciou-se em Direito na Michigan Law School, em Ann Arbor, em 1872. Em 1875 mudou-se para Santa Barbara, na Califórnia onde desenvolveu uma carreira respeitável. Em 1880 foi eleito Juiz do Supremo Tribunal.

O Juiz Hatch não era um homem vulgar. Sempre se interessou pela metafísica e pelas religiões orientais. Passava muito tempo em contacto com a natureza, meditando na floresta. Escreveu e publicou trabalhos de carácter filosófico e outros a respeito do oculto. Quando faleceu em 1912 o “Los Angeles Times” designou-o como “um homem notável” que era “extremamente versado em profundas filosofias da vida” e que obtivera “profundo conhecimento das leis universais que, embora naturais para si mesmo, tinham dimensão mística para aqueles que não tinham acompanhado o seu notável avanço mental”.

As “Cartas de um Vivo depois de Morto” foi começado a escrever em 1912 e publicado em 1914, imediatamente antes da primeira Guerra Mundial.

Depois da publicação do livro, o espírito de David fez uma viagem pelos reinos celestes, estando a preparar-se para escrever a esse respeito. O início da guerra, contudo fizeram com que mudasse de ideias, por julgar que era mais importante escrever a respeito dos efeitos que a guerra tinha sobre a realidade do mundo espiritual e das suas ligações com o mundo material.

O Espírito de David Patterson-Hatch escreveu mais dois livros, um publicado em 1915  “Cartas da Guerra de um Vivo depois de Morto” e em 1919 “Últimas cartas de um Vivo depois de Morto”.
Elsa Barker faleceu em 1954.

Os livros referidos estão amplamente divulgados na Internet,  livres de direitos de autor, pelo menos para fins de divulgação cultural, não comercial. Têm sido lidos por uma imensa quantidade de interessados.

“Cartas de um vivo depois de morto” em português, prefácio do tradutor

Para ler as CARTAS DE UM VIVO DEPOIS DE MORTO:

– Manter uma atitude de curiosidade liberta;
– Respeitar a intenção generosa e desapaixonada do autor;
– Não formalizar nem tornar definitivas as informações transmitidas;
– Não sustentar visões preconcebidas procurando “comprovar coisas”;
E principalmente:
– Aceitar a subjectividade do que é dito, atendendo que não se trata de um telefonema daqui perto…

Tendo encontrado este livro, originalmente escrito em língua inglesa, li-o numa versão americana de 1914 que me interessou imenso.
Tendo uma vaga ideia de como funciona o meio espírita, concluí imediatamente que iria permitir a algumas pessoas chegar a conclusões erróneas, quer quanto ao conteúdo das informações nele contidas, quer para justificar e “comprovar” certas teorias relativas a conveniências doutrinárias.
Trago aqui este trabalho sem intenções ocultas, para poderem alargar ideias sobre a “naturalidade” otimista e luminosa do futuro extraordinário que nos está reservado, em contexto de abertura de espírito.

Uma leitura deste como de outros livros, tem que ser aberta e lúcida. Só assim respeita o melhor que nos quer dar o autor, da forma mais proveitosa para nós próprios

José da Costa Brites
Lousã/Portugal – Julho de 2019
https://palavraluz.com/

 

Para ter acesso ao PDF com a tradução em português da obra acima apresentada,
é favor clicar no link abaixo:

Cartas de um Vivo depois de Morto

 

Novo texto de recordações de Leiria, cidade de tradição espírita

Este registo de memórias é feito com uma diminuta porção das minhas magníficas recordações da cidade de Leiria, de todas as suas gentes e da sua riquíssima cultura sensível de humanidades, de que fui amplamente beneficiário.

Também quero prestar homenagem, que não ficará por aqui, a todos os portadores da filosofia espiritualista que ali conheci, entre eles os mais dedicados militantes e organizações espíritas, ali activas, pelo menos desde Maio de 1917, o antigo Centro Espírita de Leiria, encerrado pelo fascismo dogmático de 28 de Maio de 1926, e da Associação Espírita de Leiria, ali reerguida depois de 25 de Abril de 1974.

Muito perto do antigo Centro Espírita de Leiria, pintura de 70×90 cm, feita pelo autor desta página em 1990. Mostra uma das extremidades de uma espaçosa praça conhecida pelo nome de “O Terreiro”. Col. Agostinho de Almeida Santos

– As raízes da cultura espírita na minha família;

– O Centro Espírita de Leiria, fundado em 2 de Maio de 1917;

Augusta Pereira Brites; contactos com a Dª Adolfina Carriço Portugal e trabalho no Centro Espírita de Leiria;

– A intolerância dos tempos passados;

– A minhas percepções e primeiros entendimentos do fenómeno espírita; fenómenos benévolos e experiências dolorosas; O auxílio da Dª Adolfina e os apoios de minha avó Cristina e tia Augusta;

– A Senhora Dª Adolfina Carriço; memória breve e longínqua;

– A minha amizade e contactos com o Senhor Delfim Luís Pires;

– memórias de Leiria; o Senhor Vasconcelos (Joaquim Inácio Zapata de Vasconcelos).


Nota de lembrança muito agradecida inserida na nossa tradução de “O Livro dos Espíritos”, pelo imenso valor que teve para nós a mensagem que nos deixou:

Saudações espirituais, com votos da mais intensa LUZ para o nosso querido amigo Joaquim Inácio Zapata de Vasconcelos que, por iniciativa generosa, nos entregou com entusiasmo espontâneo uma nova e maravilhosa imagem do mundo e da vida.

Já lá vão uns bons sessenta anos, passeando à noite, ao longo das margens do Rio Lis.

JCB/MCB


As raízes da cultura espírita na minha família derivam das iniciativas de contactos estabelecidos pela minha avó paterna Cristina Pereira Brites (n. 1884) e suas duas irmãs Maria Pereira Brites (um pouco mais velha) e Augusta Pereira Brites (n. 1888). Eram filhas de  Joaquina de Jesus Brites, da Martinela, freguesia do Arrabal, e de Paulino Pereira, da Abadia, freguesia de Cortes.
Foram eles que fundaram a casa situada na Martinela onde viveu até ao seu falecimento recente, uma filha de Augusta, Celeste do Rosário Brites Soares Pinto, e onde fundaram um pequeno negócio, na Ribeira da Martinela junto do Padrão, na estrada que vai de Tomar a Leiria (EN. 113), no tempo em que ainda não havia carros e o local era paragem para muitos viajantes, apenas a 7 km de Leiria.
Os maridos das duas irmãs de Augusta, Maria (com três filhos muito pequenos) e Cristina (à espera de um menino que viria a ser meu pai, José Pereira da Costa Brites) emigraram para Moçambique tendo, por grande desgraça, falecido ambos por enfermidades ali contraídas.
Traumatizadas por esse facto e desejosas de se aproximarem da vida do Além, onde acreditavam encontrar-se, bem vivos, os seus amados maridos, estabeleceram contactos em Leiria (nos fins dos anos 20 do século passado) onde facilmente se integraram na comunidade espírita, dado que eram – apesar de gente modesta – pessoas de fino trato, com educação ainda assim preciosa nesse tempo. A minha tia Maria tinha feito a quarta classe e a minha avó Cristina tinha estudado dois anos em Moçambique num colégio de freiras, por ali ter vivido em companhia de seu pai.

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Família de Joaquina de Jesus Brites (n. 1855) e Paulino Pereira. Joaquina está sentada ao centro rodeada, à sua direita pelas suas filhas Cristina e à sua esquerda, Augusta Pereira Brites. As duas figuras masculinas do lado direito da foto, foram acrescentados a esta imagem, por estarem noutra fotografia, feita em Lourenço Marques. Sentado está o meu bisavô Paulino Pereira e seu filho Alfredo Pereira Brites, jornalista e Cônsul de Portugal na Rodésia. De pé, da esquerda para a direita filhos de Joaquina: Albina, Maria, Conceição e José Pereira Brites.

– Augusta Pereira Brites; contactos com a Dª Adolfina Carriço Portugal e trabalho no Centro Espírita de Leiria;

A minha tia Augusta Pereira Brites, no dizer de sua filha Celeste do Rosário, era pessoa “visitada pelos espíritos”. Tinha uma elevada receptividade e possuía uma fina sensibilidade literária. Sob a orientação doutrinária da Senhora Dª Adolfina Carriço, com quem manteve contactos de confiança e proximidade, exerceu as suas capacidades mediúnicas no Centro Espírita de Leiria, situado perto do Terreiro, como esclareceu a minha prima Celeste. Em criança, acompanhava a mãe e as tias a essas sessões, tendo a ideia da existência de um salão espaçoso onde decorriam as sessões de doutrinação e encontros vários. Lembra-se de ser acarinhada pelo professor Nicolau Ferreira, que mais tarde – na sua adolescência – colocou à disposição dela a sua bem nutrida biblioteca, por ser muito interessada pela leitura.

J. Nicolau Ferreira, entre outras funções e actividades, foi director de “O Sol do Porvir”, belíssimo e bem documentado jornal publicado durante bom número de anos pelo Centro Espírita de Leiria, que teve largo número de leitores e assinantes, espalhados por Portugal e pelo mundo, como pode ser documentado.

Lembrava-se Celeste, e deu-me confirmação do facto de que era a Dª. Adolfina Carriço que dirigia os trabalhos e era a médium superior. Ouvia as mensagens do além e transmitia-as.
Num maço de antigos papéis que a minha mãe guardou de forma reservada, disponho de vários documentos de alguma importância evocativa, um dos quais contém alusões específica à “irmã Adolfina” e ao “irmão Pinto” (muito certamente Joaquim Mateus Ramos Pinto) e que é uma cópia escrita pelo próprio punho de minha mãe, de uma comunicação de 26 de Janeiro de 1929, feita ao Grupo Luz da Verdade, no qual participaria minha avó e minhas tias.

A intolerância dogmática dos tempos passados

A tia Augusta, integrando um grupo familiar, depois da proibição governamental e do encerramento do Centro Espírita de Leiria, passou a usar os seus dotes mediúnicos, fazendo uso deles para ajudar pessoas que a procuravam. Estes auxílios, como é norma da doutrina espírita, eram sempre dados de forma gratuita.
As irmãs Maria e Cristina que viviam em Leiria não tiveram problemas, dado que havia uma maior tolerância mas na Martinela o meio era hostil, tanto por parte dos padres católicos como em geral das pessoas a eles afectas.
Tiveram de deixar de frequentar a Igreja Católica que não as admitia. A Celeste e a Mãe foram postas de parte e até o telhado lhe apedrejavam de noite, com grande transtorno que sofreram, sendo como eram uma mulher só e uma filha ainda criança, que tinham ficado ali devido à exploração do pequeno negócio que haviam herdado de seus pais.
As miúdas, na escola, diziam à minha prima Celeste: “Tu quando morreres vais para o Inferno, com a tua Mãe, porque vocês falam com o diabo”. Sofreram muito e a Celeste decidiu afastar-se do espiritismo.

Ainda criança, Celeste do Rosário decidiu candidatar-se à primeira comunhão e declarou ao padre da freguesia do Arrabal que era essa a sua vontade. Narra igualmente o episódio da conversa havida com ele, a entrega do livro com a teoria da catequese e o dia dessa comunhão, em que sua mãe a acompanhou à igreja e a partir do qual passou a ir à missa com ela. Comenta a propósito não ter sido a mãe que a levou à missa, e sim ela que levou a própria mãe.
Mas as dificuldades e barreiras da intolerância duraram tanto que, quando a minha avó Cristina faleceu na Martinela, já em Janeiro de 1968, nenhum padre quis acompanhar o funeral, apesar da solicitação insistente da nora Maria de Lurdes Brites, minha mãe. Nessa mesma altura foi a minha prima Celeste que teve a iniciativa de se substituir ao padre, fazendo as orações de encomendação da alma da defunta conforme eu próprio mantenho em memória viva e sensibilizada.

A minha querida tia-avó, Augusta Pereira Brites, nascida em 26 de Fevereiro de 1888

A menção que faço da minha tia Augusta Pereira Brites não tem por objectivo glorificá-la como personalidade ligada ao antigo Centro Espírita de Leiria.
O que faz justiça, sim, é a um grande número de pessoas simples, que – de forma altamente modesta e abnegada – foram alimentando a chama de uma cultura e de uma percepção das realidades de aquém e de além vida, que dessa forma foram atravessando o tempo e a sociedade em que vivemos, como facho de luz apontado a um futuro esclarecido e repleto de justas esperanças.
Mais me ocorre certificar, pelo conhecimento que tenho das adversidades que enfrentou e das muitas dores que padeceu – no corpo e no espírito – que tais pessoas arderam nas chamas de uma inquietação sem refrigérios de paz, tolerância e sem o devido apoio da sociedade que as rodeava.
As minhas preces, ainda hoje se elevam em preito de gratidão e memória que tenho da sua abnegada solidão, de que fui conhecedor ainda em sua vida, e permanece nas recordações da filha Celeste, muito recentemente falecida, já com 93 anos de idade, e que tão elegantemente exprime nas suas palavras ditas e na sua vasta obra escrita, por ter herdado de sua mãe um cristalino talento poético e um invulgar bom gosto literário.

Eu, José da Costa Brites e a minha prima Celeste do Rosário Brites Soares Pinto, em Setembro de 2012, no Padrão/Martinela/Leiria.

As minhas percepções e primeiros entendimentos do fenómeno espírita; fenómenos benévolos e experiências dolorosas; o auxílio da Dª Adolfina Carriço e os apoios de minha avó Cristina e tia Augusta;

Uma fase marcante na minha própria assimilação intuitiva das realidades da vida dos espíritos teve lugar entre os meus sete e nove anos, logo após o falecimento de meu pai, no dia 15 de Dezembro de 1949, por desastre de automóvel, por terem ocorrido comigo alguns episódios de hipersensibilidade.
Tinha-se dado com a minha mãe, por essa altura, o mesmo fenómeno que se havia passado com a sua sogra Cristina e tia Augusta (por afinidade): um desejo de aproximação do Além. Conservo dessa altura em meu poder, escrito pelo próprio punho de minha Mãe, o texto de uma comunicação espírita efectuada por intermédio dos dotes mediúnicos da minha tia Augusta, datado de 7 de Fevereiro de 1950 e que reputo – pela claridade da linguagem e pela contida elaboração das ideias – um documento de preciosidade espiritual.
Os fenómenos por que passei a que acima aludo foram de vária ordem, alguns de carácter benévolo (e até inspirador), mas outros foram de tipo acentuadamente negativo. Aqueles que eram de tipo benfazejo fazem parte de um grupo que eu chamo as minhas “memórias do céu”. Ocorriam quando eu estava acordado, e surgiam – teria eu cerca de 5 anos, ainda era vivo meu pai – como visões de paisagens, cores, nuvens e horizontes abertos por sobre a vastidão do “céu”. O disparador dessas visões era a contemplação de qualquer imagem ou figura que tivesse cores ou sugestões figurativas de certo tipo.
Quando eu folheava uma qualquer revista, e a minha visão captava uma dessas imagens, sentia abrir-se perante o meu olhar como um “prolongamento”, ou uma amplificação de horizontes sugestivos que eu aceitava com vaga admiração a que a frescura da infância tornava quase natural, mas que comunicava uma certa vertigem.
Há um termo na pintura (que vim a praticar mais tarde) ou na poesia – o das “paisagens interiores” – que, tenha o sentido que tiver para quem a usa, ficou – no que me toca – para sempre ligado a essa vertigem feita de luz, espaço coroado de nuvens coloridas que abrem para a altitude sem margens, nem chão, num cenário que é um convite ao voo, infinito além.
Quanto às minhas vivências negativas, só num documento específico para esse efeito, dada a sua complexidade e consequências respectivas.

Nessa altura, foi a Senhora Dona Adolfina Carriço, solicitada por intermédio de minha avó Cristina e de minha tia Augusta, que exerceu o seu ministério espiritual em minha defesa e aconselhamento
Foram também preciosos os ensinamentos carinhosos de minha avó Cristina e de minha tia Augusta, que me ensinaram a aplicar a vontade, a exercer o direito de recusa da abordagem dos espíritos que frequentemente me abordavam mediunicamente.
Esse sentimento experimentei eu ainda, de quando em vez, até à minha adolescência, em episódios cada vez mais espaçados, de uma certa “distracção” que conduzia à vulnerabilidade.
A idade adulta varreu (ou não…) o acesso a essa angústia. Julgo que alguma coisa porventura ficou e que persiste em mim, algures, em espaços de inquietação da mente objectiva e subjectiva.

A Senhora Dª Adolfina Carriço; memória breve e longínqua;

Da Senhora Dona Adolfina, a cuja presença fui levado, com menos de dez anos, na companhia de minha mãe, à sua casa na Rua Comandante João Belo, guardo uma memória cheia de respeito e grande mistério.
Era uma pessoa por cuja fisionomia e por cujas palavras não passava a mínima aragem de frivolidade ou de alegria leve. Era duma serenidade grave, interiorizada e – nos breves encontros que me foi dado ter com ela, em sua casa ou em raras abordagens na companhia de minha mãe, recolhi a percepção de que carregava sobre os seus ombros o peso imenso de uma profunda responsabilidade.
A sua presença física era de uma enorme fragilidade, dir-se-ia quase imponderável. Quando passava por mim na rua, olhava-a com o receio das pessoas muito jovens que vêem alguém todo feito de respeitabilidade intocável. Ou era de desgostos porque tivesse passado, ou porque não ia ali nada que fosse superficialmente natural, ou fácil ou sem o artifício complexo do que é sabiamente oculto.
Fosse outro porventura o seu feitio perante pessoas da sua intimidade, foi este a impressão sensibilizada que me foi dado captar, em encontros já muito longínquos.

A minha amizade com o Senhor Delfim Luís Pires

Anos mais tarde, teria eu doze anos (portanto 1954 e daí por diante) a minha mãe dirigiu-se ao Senhor Delfim Luís Pires, conhecidas que eram as afinidades entre ele e minhas tias e avó e a consideração que tinha tido pelo meu pai, para lhe pedir auxílio nos meus estudos. Eu não tinha má vontade no trabalho, mas era comandado por uma fragilidade hipersensível a que a viuvez deprimida da minha mãe não era alheia.

casa onde morava o Senhor Delfim Luís Pires, situada no “Largo do Sete” ou seja, o largo que confinava com o Regimento de Infantaria Sete, junto da Igreja de Stº Agostinho. A porta por onde entrava para as minhas explicações era aquela que se vê do lado direito, ao fundo.

A casa do Senhor Pires passou, portanto, a ser destino assíduo de visitas minhas, tendo-se a sua sala de explicações e de convívios diversos transformado na minha sala de estudo e de interessantíssimas conversas.
Julgo que a minha mãe terá pago alguma coisa por essas explicações, mas coisa muito modesta, dado que o principal da ajuda que me deu foi pela consideração e pelo sentido de solidariedade.
O Senhor Delfim Pires era um empenhado e metódico pesquisador de todos os saberes da idade moderna, de todas as disciplinas principais do conhecimento, dentro do espírito universal duma procura aberta à transcendência. Já nessa altura era muito conhecido e respeitado em Leiria, tendo-se afirmado mais tarde, no dealbar do regime democrático instaurado a 25 de Abril de 1974, como uma das figuras tutelares da comunidade espírita de Leiria, e era carinhosamente apelidado de “Pai Pires”, nome porque era conhecido em sua casa.
Vi e tive acesso à sua larga biblioteca, foi-me explicando os variadíssimos passos do seu método de busca do conhecimento, ao mesmo tempo que me ia dando, sim senhor, explicações a respeito das minhas “coisas da escola”.
Eu diria, contudo, que o mais importante que fui recebendo da parte dele, foi o desvelar de um alargado universo de interesses sem tabus, sem margens e sem inibições. Falou-me e ensinou-me de tudo, como um mestre no mais clássico sentido do termo, generosidade a que eu correspondia com grande interesse e toda a atenção.
Os temas escolares eram mais essencialmente do domínio da matemática e da língua portuguesa; mas daí facilmente se passava a uma grande largueza de temas culturais que eu estimulava com perguntas e a que ele correspondia sempre com respostas cativantes.
A moral e os seus critérios eram o paralelo condutor de todos os temas, as origens da vida e as estruturas da matéria (foi ele que me falou pela primeira vez e em detalhe sobre os átomos, as células e as moléculas); os factos da vida, o casamento, a ética dos afectos, a música (era maestro numa banda muito conhecida, por ter sido sargento músico), os domínios da filosofia, etc. tudo com a simplicidade acessível de quem é capaz de dizer o fácil e o transcendente, parando ao meio das frases para dar lugar à reflexão, ou entremeando graças, pequenos episódio raros, uma pequena anedota, e tantas expressões escolhidas que ficaram – aqui e ali – na minha recordação.
Falou-me da sua amada primeira esposa e explicou-me com interioridade sentimental como se tinha casado, depois de enviuvar, com uma mulher mais simples – e tão simpática – que eu tive o prazer de conhecer. Confidências raras para um rapazito de doze ou treze anos como eu, mas que não caíram em cesto roto, porque tudo guardei com atenção e respeito, e o grave sentimento de estar a receber de longe e do alto, uma serena mensagem de códigos seguros para o entendimento real da vida.

Outra visita que o Senhor Pires costumava ter, de que me lembro bem, era a de um senhor já de cabelos brancos, muito experimentado na pesquisa e na colheita de ervas aromáticas e plantas medicinais. Não me recordo do seu nome. Recordo sim da meticulosa paixão de ambos em analisar e discutir as características e propriedades de cada planta. E da, para mim, confusa e remota ciência das plantas recordo-me dum nome só, que ficou nos resquícios da memória, com cheiro a flores: a “inca pervinca” ou “vincapervinca” como agora certifiquei na internet!
O Senhor Pires (como era conhecido em minha casa) agraciou-me com a sua confiança e sempre que passava pelo seu modesto escritório onde trabalhava, numa recauchutagem ali numa esquina ao lado da Fonte Grande, ia cumprimentá-lo e trocar com ele breves palavras.
Tudo isto foi muitíssimo antes do 25 de Abril, estava inactivado pela polícia política o antigo Centro Espírita de Leiria.
Eu conhecia as suas inclinações espíritas, de várias coisas me falou a esse respeito, mas sem se sentir muito livre para o fazer, creio que pensando nas preocupações de minha Mãe. A meu pedido chegou a emprestar-me, por exemplo, “O Conceito Rosacruz do Cosmos”.
O livro era bastante antigo, e não não tinha nada a ver com uma organização de que mais tarde tive conhecimento, por intermédio de um colega mais velho que se associara a uma entidade residente nos EUA e dali recebia abundante material que chegou a mostrar-me, mas que não exerceu sobre mim qualquer interesse sugestivo, apesar do entusiasmo que esse colega me tentou comunicar.
Nesse tempo a aprendizagem das coisas do espiritismo era praticamente clandestina e, quando comecei a ir a Lisboa, fui algumas vezes a uma livraria semi-clandestina situada num andar de um prédio (sem montra para a rua) onde se vendiam livros dessa orientação na Rua do Salitre, e outros de temáticas semi-ocultas com grande mescla de orientações.
Outro livro também da vertente teosófica a que tive acesso foi “O Homem condenado a ser Deus”, de Félix Bermudes, livro que li com interesse. Já não sabendo ao certo se foi nessa dita livraria que o comprei.
Apesar de ter nessa altura uma vida menos estável, sempre guardei comigo e ainda o possuo como recordação. Também em relação ao seu autor recolhi entretanto referências diversas que o mostram deslocado da doutrina espírita. Na altura o livro foi interessante para mim, porque – além de estar bem escrito – esclarecia muita coisa, nomeadamente a respeito da reencarnação e tinha um longo poema doutrinário, que li com sentimento e de que nunca me esqueci.

Leiria, vista parcial / nanquim s/ papel / 35,5 x 49,5 / Costa Brites 1990

Memórias de Leiria; o Senhor Vasconcelos (Joaquim Inácio Zapata de Vasconcelos)

Vivendo em Coimbra e nas suas proximidades há cinquenta anos não consigo dizer, em lado nenhum, que sou dali. Nasci em casa do meu avô em Cernache do Bonjardim, mas toda a apreensão do mundo e da vida se foi construindo em Leiria e no seu universo de relações pessoais e culturais, que reconhecia como fortemente estimulante e valioso.

Gente de cultura espírita era fácil de encontrar e a abordagem do assunto não estava sujeita a constrangimentos, certamente pelo elevado prestígio social e cultural de que gozavam muitos dos aderentes e participantes na vida espírita, de cujos elementos destacados ainda conheci mais alguns, já para não falar no Senhor Capitão Ribeiro e na Srª Dª Joaninha, pais de um condiscípulo meu de ensino primário, o José Jaime Fernandes.
Houve entretanto uma pessoa de grande abertura cultural que igualmente me prodigalizou a sua simpatia, o Senhor Vasconcelos, que já faleceu há muito, que era tipógrafo compositor na Gráfica de Leiria e músico (clarinetista, saxofonista e flautista) e ensaiador no Orfeão, de que eu fui membro.

Entre muitas conversas que travei com ele, saliente-se um enorme serão que passamos, acompanhados ainda por terceiro elemento, colega meu de escola e igualmente 2º tenor do orfeão (naipe ensaiado pelo Senhor Vasconcelos).
Por uma serena noite de Verão passeámos lentamente ao longo de todo o enorme “Marachão”, abaixo e acima, desenvolvendo ele uma apresentação bem detalhada de todo o conceito das ideias do espiritismo, a organização do cosmos, a reencarnação, etc.
Não me esquecerei jamais da fórmula com que deu início à longa e para mim inesquecível conversa havida:

“…Caros amigos, talvez não seja por acaso que nos encontrámos hoje, pelo que vou aproveitar, se não recusam a oportunidade, para vos falar de um assunto bastante interessante…”

Encontrei muito mais tarde o terceiro presente nessa ocasião (o meu amigo EMC), que disse nada ter retido de aproveitável dessa conversa, o que lamentei sem dramatismos, certo que para ele também chegará a hora de entender.
No que me toca a mim, devo confirmar com imensa gratidão espiritual e a maior alegria de alma, que não foi de facto “por acaso” que o Senhor Vasconcelos teve aquela generosa ideia e desenvolveu toda a sua convicta eloquência.

Tenho-o recordado com imensa fraternidade nas minhas preces e espero um dia reencontrá-lo, para passear de novo com ele, longamente, por veredas frondosas inundadas de luz, recordando com imenso carinho a fresca humidade nocturna das margens do Rio Lis, de um serão iluminado por revelações generosas e descobertas surpreendentes.

Fins de Junho de 2011 (redacção inicial, com algumas actualizações).

José da Costa Brites

Lindíssimo soneto de minha querida Tia Augusta Pereira Brites:

Feliz por ir nascer noutro lugar

Subi ao monte, aonde os olhos meus
Viram o dia já no entardecer;
Viram a luz do Sol ruborescer,
Dourados dedos a dizer-me adeus!

Ia cantar alvores noutros céus,
Dar cor às rosas; vida a todo o ser.
Eu fico em treva, até amanhecer…
Até nascer em mim a luz de Deus.

Com dedos de ouro e alma de luar
Feliz por ir nascer noutro lugar,
O Sol, quando se esconde, vai sorrindo!

O corpo frio desce à terra mãe,
A alma feliz vai acordar além,
Cheia de luz, sorri, ao céu subindo.

Augusta Pereira Brites

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O livro “Já estive clinicamente morto”, de Stephan von Jankovich

Estamos a querer recordar-nos de alguns artigos aqui já antes publicados, porque a seu interesse não perdeu a actualidade…

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Tradução em português da parte do livro acima referido, que descreve a experiência de Stephan von Jankovich e todos os seus acontecimentos antecedentes e consequentes:.

 

(…) Um homem de negócios amigo meu (M.) telefonou-me para solicitar os meus serviços de arquitecto num negócio imobiliário. Combinámos uma visita ao terreno da obra, nos arredores de Lugano, para o dia 16 de Setembro de 1964. Lá nos encontraríamos no Café Federale, na Praça Riforma, às duas da tarde. Tirei bilhete para o comboio que seguia de manhã de Zürich para Lugano, para estar disponível com pontualidade para o encontro. Mais lá para o fim da tarde tinha um encontro marcado em Morcote. Ao serão estava combinada a visita a minha casa, em Cadro, do conhecido cantor de ópera Alexander Sved e da esposa. Era meu intuito aproveitar a oportunidade para fazer algumas gravações. Estava tudo portanto muito bem planeado.

Contudo, os desígnios de Deus tinham destinado para mim algo de diferente. Era tempo de levar um abanão no meu curso de vida neste mundo material, lançando-me num itinerário evolutivo completamente diferente. “Lá em cima” as agulhas já tinham sido mexidas. Nada entretanto me passava pela cabeça. Passou-se que o meu amigo me telefonou para Zürich na véspera do nosso encontro, perguntando como é que eu pensava ir para Lugano. Convidou-me para que, em vez de comboio, fosse com ele de automóvel. Fazia pouco sentido que nos deslocássemos por separado e poderíamos ir conversando pelo caminho a respeito do negócio.

(…) Depois da troca de razões e porque não queria ser indelicado, concordei aceitar a boleia. No dia imediato de manhã veio buscar-me às nove horas num rápido cabriolet Alfa Romeo, vermelho. Era dia 16 de Setembro de 1964 e pusemo-nos em marcha. Acenei ainda longamente pela janela à minha mulher. Tinha frequentemente viajado desportivamente pelo Gotthard , tão velozmente quanto era possível. Ultrapassava grande quantidade de viaturas e não tinha por isso a oportunidade de observar a paisagem.

A estrada de Tremola dava-me sempre imenso prazer. A emoção desportiva, a performance, os tempos, o número de carros ultrapassados eram nesse tempo uma alegria para mim. Desta vez, contudo, admirei o conhecido trajecto, as montanhas ainda coroadas de neve, os bosques e os rios Reuss e Ticino. Não íamos exageradamente depressa, de modo a podermos conversar comodamente. Perto de Claro, antes de Bellinzona, seguíamos no nosso caminho para o Sul, com bastante tráfico na direcção oposta. Olhei descontraído à direita enquanto o meu amigo conduzia o seu Alfa pela recta, a cerca de 110 km/h.

Subitamente ouvi-o invectivar em voz alta. Virei o rosto e dei com um enorme camião que vinha na nossa pista de encontro a nós. A intenção era a de ultrapassar a coluna militar que se cruzava lentamente connosco, a cerca de 60 km/h. Comecei eu próprio então a invectivar. O meu motorista fez sinal de luzes, buzinou, gritando, e como o camião não tivesse aproveitado o intervalo entre duas viaturas da coluna para se desviar, resolveu travar a fundo. Derrapámos para a esquerda com toda a força, de rodas bloqueadas. Na via da esquerda vinham mais viaturas militares e na nossa direcção o camião desvairado. Tudo se passou em breves instantes.

O camião disparava na nossa direcção, no intento de se escapar pela frente do primeiro carro da coluna militar, mas não conseguiu. Apercebi-me do iminente perigo de morte e gritei como último sinal de desespero. Uma mescla de visões da guerra, da vela e de Budapeste, fechando com a face transtornada da minha mulher, bailaram repentinamente perante o meu olhar, projectadas de forma surpreendente pela passagem vertiginosa do enorme guarda-lamas do camião. Fui projectado contra o painel de instrumentos (nesse tempo não se usava ainda cinto de segurança), gritando a plenos pulmões. Seguiu-se um enorme estrondo e um poderoso impulso arrastou-me para a frente. Despedacei o pára-brisas com a testa. Nessa altura fez-se um completo silêncio e não ouvi mais nada.

(…) O meu falecimento deve ter tido início no momento em que o meu coração parou, isto é, após a cessação da circulação sanguínea. Durante esse processo não registei nenhuma percepção, pelo menos que me recorde. O consciente bem como o subconsciente estavam completamente desactivados. Estava insensível: era uma pessoa viva com a percepção desligada.

No instante do início da morte clínica, separou-se da parte grosseira do meu corpo ferido um outro, a parte mais subtil e elevada do meu ser, abrindo-se perante mim uma cortina como se fora de um teatro.

Uma apresentação teve o seu início que me permitiu reviver a vida terrena e o lado de lá da sua projecção sobrenatural. Tal apresentação englobava actas, etapas ou fases. Desse número desconhecido de fases pude participar das três primeiras, o que fez perdurar em mim uma tão profunda impressão que me tornei desde então numa pessoa completamente diferente.

A partir da morte clínica passei a existir “fora do corpo”, numa situação que se caracterizava por um permanente e acentuado alargamento do EU e dos sentidos. Este alargamento teve lugar, contudo, no âmbito imaterial, que não no aspecto material.

As três fases de que atrás falei foram as seguintes:

1. Consciencialização da morte;
2. Contemplação da minha própria morte;
3. Revisão da vida e julgamento.

Entre elas situaram-se algumas transições que eu designei como “Intervalos”.

Consciencialização da morte (Fase 1)

Teve o seu início quando o coração parou motivada pela carência de oxigénio no cérebro, impedido de funcionar como agente da consciência pessoal, ao que se seguiu a separação entre o meu corpo material e a sua componente não-material.


Imediatamente recuperei a consciência de mim mesmo, o que me libertou de uma assustadora, opressiva e constrangedora situação. Muitos reanimados relataram ter transposto um túnel que os conduziu à liberdade. Com alívio tomei conta de uma readquirida consciência: “consegui sobrevir ao acidente!” foi a minha primeira impressão.

O “despertar”, contudo, não foi como esperava, dado que logo me apercebi claramente de que o que estava a passar-se era a minha própria morte!

Espantava-me imenso o facto de que morrer não era de modo nenhum desagradável. Aliás a iminência da morte em nada me assustava. Era tudo tão natural, tão evidente, deixar esta vida e abandonar a presença neste mundo. Nunca tinha pensado antes que as pessoas se separassem de modo tão simples e natural desta vida, deixando de estar crispadamente apegados a ela. O desconhecimento é a razão pela qual tanto nos apegamos à vida. A nossa religião cristã oferece-nos muito poucas perspectivas a respeito daquilo que nos espera depois da morte.

Devido ao acidente não tive, felizmente, que travar uma arrastada luta com a morte. No seguimento da colisão viram-se a minha percepção do EU, o meu corpo astral, a minha alma e o meu espírito instantaneamente separados do meu corpo material. Por isso me senti pessoalmente muito aliviado, numa situação plenamente agradável, natural, engraçada, até. Senti-me perfeitamente liberto e tive a sensação: “Até que enfim!”

Sem medo nenhum pensei: “é uma felicidade, estar a morrer”. Contudo fiquei à espera, com certa curiosidade, do que viria a seguir. Estava feliz, descontraído e ansioso como uma criança em noite de Natal.

Senti-me a deslizar ao mesmo tempo que se fazia ouvir uma música maravilhosa, que sugeria a correspondência harmónica com formas, movimentos e cores. Tinha de certa forma a percepção de que não estava sozinho, embora não visse vivalma. Senti-me invadido por uma paz divinal e por um sentimento de harmonia jamais experimentado. Estava completamente feliz e sem problema algum. Estava só: nenhum ser terreal (pais, esposa, filhos amigos ou inimigos) estorvava a minha divina tranquilidade.

Tenho pensado frequentemente no facto de não me ter vindo naquela altura à ideia qualquer espécie de problema ou ser do nosso mundo; mas era coisa que não me passava pela cabeça. Encontrava-me, como já disse, inteiramente só, completamente feliz e numa situação de harmonia sem precedentes. Apenas um outro sentimento estava comigo, comparável ao coro da melodia “Näher mein Gott zu Dir” (para mais perto de ti, Meu Deus, de Sarah F.Adams,1805-1848).

E continuava a deslizar sempre para mais perto da Luz.
Esta primeira fase da feliz morte, do encantamento, transformou-se num dos primeiros acima mencionados “Intervalos”.

Invadia-me um sentimento crescente da divina harmonia. Os sons musicais tornavam-se ainda mais transparentes, mais sonoros e belos submergiam tudo acompanhados de cores, formas e movimentos. As cores, resplandecentes e luminosas, surgiam envolvidas de tons suaves e eram inacreditavelmente belas. Posso vagamente compará-las àquelas que contemplei ao pôr do sol, a grande altitude, no voo que fiz de Geneva para Nova York. Achei tão belas essas cores que pude presenciar que desde então procuro consegui-las na arte do vitral a que me dediquei. As tonalidades dos fragmentos usados para compor vitrais, nos seus pontos de ruptura e se inundados de luz, trazem-me à lembrança esses surpreendentes reflexos coloridos.

2. Contemplação da minha própria morte;

Depois deste maravilhoso “Intervalo” abriu-se o pano de novo repentinamente, e nova fase teve o seu início. Era bastante estranho que me sentisse flutuando. De facto, levitava por sobre o local do acidente rodoviário, podendo observar o meu próprio corpo, gravemente ferido e sem vida, exactamente no mesmo sítio do qual mais tarde tive conhecimento por intermédio dos médicos e do relatório de polícia. Pude contemplar toda a cena simultaneamente de vários lados, com rigor e transparência. Vi também o carro em que seguíamos e as pessoas aglomeradas em torno do acidente, e a própria coluna militar que ficara retida pelo aglomerado de pessoas.

As pessoas agrupavam-se à minha volta. Observei um homem baixo e encorpado, aí pelos 55 anos, que tentava reanimar-me. Pude ouvir claramente aquilo que as pessoas diziam umas às outras, embora “ouvir” não seja o termo adequado, dado que flutuava por cima de todos e o meu corpo estava estendido no chão. Pude aperceber-me daquilo que as pessoas diziam e mesmo das coisas que pensavam, provavelmente por intermédio de uma espécie de transmissão de pensamento, mediante uma percepção fora dos princípios do mundo material. O homem ajoelhou do meu lado direito e deu-me uma injecção no braço esquerdo. Duas outras pessoas seguravam-me do lado oposto e libertaram-me do vestuário. Vi como o médico me abriu a boca com uma espátula para me livrar de estilhaços de vidro. Além de outras coisas também me apercebi de que o médico, quando me segurou, notou que eu tinha os membros partidos e de que a meu lado se formava uma poça de sangue. Depois observei as tentativas que o médico fez para me reanimar, e do modo como concluiu que tinha as costelas quebradas. “Não posso fazer-lhe massagem cardíaca”, observou. Alguns minutos depois levantou-se e disse: “Não dá, não é possível fazer mais nada, está morto”. Falava em dialecto suíço misturado com um italiano um tanto esquisito.

Tive quase vontade de rir da estranha cena, porque sentia que estava “vivo”, ao contrário de “morto”. O que ali jazia por terra era o meu anterior corpo físico. Achei tudo muito estranho, mas de forma alguma perturbador. Ao contrário: era bastante divertido poder observar os esforços de toda aquela gente. Desejaria dizer-lhes “lá de cima”: “Olá, estou aqui, e bem vivo! Deixem lá o meu corpo como está; sinto-me vivo e perfeitamente bem”. Porém, embora me sentisse bem, ninguém me ouvia e não conseguia produzir som que fosse audível, porque não tinha garganta nem boca para falar.

Extraordinário era entretanto que pudesse entender, não apenas as palavras proferidas em voz alta pelos presentes, mas entender os seus próprios pensamentos. Uma mulher de Tessino, por exemplo, com uma menina de cerca de sete anos, sua filha, ficou muito chocada quando viu o meu cadáver. A menina quis imediatamente fugir, mas a senhora segurou-a com a mão esquerda durante alguns minutos e rezou em pensamento um “padre nosso” e uma “avé Maria”, orando em seguida pelo perdão dos pecados do infeliz acidentado. Fiquei profundamente impressionado com essa desinteressada prece, que muito me alegrou. Senti conjuntamente a radiação de um sentimento cheio de afecto.

Ao contrário um homem idoso, de bigode, teve pensamentos negativos a meu respeito: “Ora aí está; já apanhou! Mas deve ter sido culpado. Deve ser daqueles que anda sem cuidado por aí com carros de corrida”. Bem quis dizer-lhe “lá de cima” : “Deixa-te lá de disparates, eu nem sequer vinha a conduzir, era o pendura!” Foram nítidas para mim as radiações dos seus sentimentos negativos e desagradáveis.

Em suma era bastante interessante ver-me morto “de cima”, como espectador, sem emoções, e tudo poder observar com a maior nitidez de uma posição celestial, posto que “sobrevivera”. Os meus órgãos imateriais funcionavam bem e o meu pensamento registava tudo. Podia aliás tomar decisões sem qualquer limitação própria da vida terrena. Vogava a cerca de três metros por cima de toda a cena, num espaço multidimensional.

Sucedeu então um segundo “Intervalo”. A cena anterior chegara ao fim e a aparição que surgira anteriormente, começava a desenvolver-se.

Afastei-me do local do acidente, porque tinha deixado de me interessar. Desejava voar dali, e assim fiz. Tudo estava tranquilo, radioso e belo. As sonoridades, os jogos de luz, iam ganhando expressão, cada vez mais fortes, invadindo-me bem como toda a região envolvente. Chegou até mim uma harmónica vibração. Vi então o Sol algures em cima, pulsante, do lado direito, mas não directamente por cima de mim. Voei por isso naquela direcção. O Sol tornava-se cada vez mais claro, cada vez mais esplendoroso e vibrante. Percebo finalmente a razão pela qual tantas pessoas e tantas religiões encaram o Sol como símbolo divino, chegando a adorá-lo.

Ao prosseguir no meu voo tive, contudo, a sensação de que não estava só, ao contrário, senti-me rodeado de espíritos bondosos. Tudo era tranquilo, aprazível e admirável.

A experiência da condição de imponderabilidade e do voo livre impressionou-me de tal forma que, depois da minha convalescença, matriculei-me numa escola Suíça de pilotagem. Quando tenho tempo, ainda voo por cima dos vales envoltos pelas nuvens, em cujas profundidades vivem pessoas oprimidas pelos seus problemas. Sigo de Lugano, sobrevoando a planície do rio Pó, até ao Mediterrâneo. Ao fim da tarde, quando o Sol se põe lá ao fundo, à direita, revivo o modo como tudo fica envolto pela divina luz, e resplandece, inundado de energia e de verdade. Se tenho problemas, faço essa esotérica terapia, de modo a reunir novas forças.

3. Revisão da vida e julgamento

Este “Intervalo” durou relativamente pouco, começando de seguida uma fantástica e pluridimensional peça de teatro, que reproduziu cenas da minha vida mediante inúmeras associações de imagens. Para configurar uma ordem de grandeza, posso referir terem sido duas mil, ou qualquer coisa entre as 500 e as 10.000 imagens.

Na primeira semana logo após o acidente conseguia ainda lembrar-me de algumas centenas. Infelizmente é impossível registá-las a todas no gravador.

A sua quantidade não é, em si mesma, importante. Cada cena era profundamente bem torneada. O “realizador” dessa “peça de teatro” desenrolou-a de modo estranho, de forma que a primeira cena que observei foi a do acidente de automóvel na estrada, sendo o último acto revisto o do meu nascimento à luz das velas na minha casa de Budapeste.

Comecei então por reviver o meu falecimento. Na segunda cena vi-me como acompanhante de viagem através do Gotthard. Sob um sol resplandecente revi os cumes orlados de neve. Senti-me descontraído e feliz. Tive também a ocasião de presenciar cenas não na qualidade de protagonista, mas sim na de observador, por outras palavras:

Observava-me a mim mesmo e tudo em redor numa pluridimensionalidade espacial, de todas as direcções, revivendo por completo os acontecimentos. Com todos os órgãos dos sentidos registava o que via e ouvia, além de me aperceber dos meus próprios pensamentos. Os pensamentos tornados realidade!…

A minha alma avaliava o meu comportamento e os meus pensamentos instantaneamente e fazia de imediato o seu julgamento, designando como bom ou mau aquilo que fizera.

Era notável que eram salientadas como positivas lembranças cuja apreciação fora considerada negativamente pela sociedade ou tidas como pecado (mesmo mortal) pela religião do seu tempo.

Pelo contrário são tidas como negativas certas “boas acções” deliberadamente cometidas, consequência dos erros contidos na sua origem, como é o caso de actos conduzidos com finalidades egoístas.

Os maus actos que não passaram no exame foram “apagados” por mim, depois de uma tomada de consciência e profundo remorso, quer dizer, deixaram de contar – ficando apenas comigo os bons pensamentos e os bons actos, que foram aprovados, de que pude desfrutar logo de seguida como um grande ramo de flores.

Também poderá dizer-se que só radicaram em mim as cenas relativamente às quais fiquei feliz, bem como todos os que nelas estiveram envolvidos; as cenas nas quais permaneceu reinante a harmonia não apenas em mim, mas junto de todos, participantes na positiva intenção da minha parte.

Encaro a terra desde esse momento como um campo de treinos ou uma instituição de aprendizagem onde as pessoas vivem condições provavelmente semelhantes ao purgatório. Caso não sejamos bem sucedidos nas provas a que somos sujeitos nesta vida, é sabido que a ela tornaremos para repetir as mesmas. Tal apenas pode acontecer nas mesmas condições de espaço-tempo e dimensões do nosso mundo na terra. Reencarnaremos para fazer algo melhor do que antes. É nisto que se manifesta a infinita misericórdia de Deus.Entretanto nada existe de mau além disto. Tudo não passa de uma carência do bem; tal como a escuridão é a ausência de luz. Nada existe que não tenha o seu sentido próprio.

O bem e o mal são avaliados no além mediante uma escala completamente diferente. Absoluta e, por isso, não limitada a opinições humanas e formas de pensar preconcebidas , de modo nenhum sujeitas a formulações ou interpretações confusas – como as de certas pessoas que acreditam estar na posse da verdade única de que se sentem autorizadas a ser “pregadores”. Quantas ideologias, religiões, seitas e grupos filosóficos ou religiosos, que proliferam como cogumelos por entre aqueles que perderam a sua fé originária, reclamam a posse dessa única verdade. Verifiquei que “lá em cima”, nenhum modelo de pensamento tem garantia de validade, e que apenas ali vigora uma invulgar lei cósmica geral do amor. A dificuldade reside em não termos dela conhecimento, de modo a podermos formulá-la para nosso uso próprio.

Creio que esta é uma das características de Deus, nomeadamente, o amor absoluto; o perdão mediante o perfeito bem e a infinidade positiva. Sigamos pois este princípio com firmeza, no dever de libertarmos a nossa consciência de todos os actos e pensamentos negativos, para podermos unir-nos a Ele inteiramente.

Esta estranha avaliação judicativa dos actos praticados em vida pareceu-me de início extraordinária, mas depois de pensar durante vários anos reconheci que é nisso que se manifesta o admirável sentido da justiça divina, em concordância com os princípios da criação do universo.

Depois da apresentação atrás descrita da minha “Revisão de Vida e Julgamento “ no fantástico ambiente de pluridimensionalidade em que decorreu, surgiu um balanço final que foi efectuado por mim próprio, cuja formulação exacta já não me é possível reproduzir. Na circunstância consegui aperceber-me entretanto que novas oportunidades de evolução me seriam ainda reservadas.

O terceiro “Intervalo” seguiu-se finalmente. O banho de luz que me inundava de felicidade tomou-me de novo ao som de uma música magnífica de ressonância espacial. O Sol pulsava, dando-me a ideia de um símbolo representativo do princípio de todas as coisas e fonte de toda as energias, que suponho ser o próprio Deus.

O que eu via não era de facto o sol que na terra nos aquece, mas sim uma aparição de luz maravilhosa e quente que se lhe pode comparar, princípio originário do Universo que por sobre nós se estende. Crescentemente vibrante, pulsava com harmonia, ao qual começava a adaptar-se a minha alma incorpórea, o meu espírito, crescentemente repletos de felicidade, à medida que a capacidade perceptiva se alargava a esta nova Dimensão.

Penso hoje que isso era o sinal de que se aproximava a minha morte cerebal, e que todo o processo tinha chegado ao ponto em que era irreversível o meu ingresso no além.

(…) De acordo com registo temporal na terra, teriam decorrido durante a minha morte clínica apenas alguns minutos. Nessa outra dimensão, contudo, não vigoram as nossas leis do tempo e do espaço. Como tal, a percepção que tive foi a de ter vivido o equivalente a vários dias ou semanas, dada a enorme extensão dos acontecimentos pelos quais passei.

A minha vida terrena no mundo a quatro dimensões, no plano espacio-temporal, com percepção da matéria tal como é por nós entendida, estava a terminar nos instantes do acidente. Encontrava-me num estádio de travessia, de nascimento num outro mundo de mais vastas dimensões, onde a vibração energética já não produz o que é entendido como matéria. Por outras palavras, estava a dar entrada numa nova esfera onde espírito e alma, livres do corpo, passavam a reger-se por novas leis.

O regresso à Vida

A eufórica experiência ia infelizmente a caminho do seu termo. Vi, agora no local do acidente, um jovem magro, de calção de banho preto, descalço, com uma bolsa na mão, correr direito ao meu corpo sem vida. Exprimia-se com clareza e vigor em bom alemão com o outro médico. A cena deixara já de me interessar, pelo que não prestei muita atenção. O jovem manteve uma breve troca de impressões com o médico a meu respeito. Ajoelhou e certificou-se de que estava morto, desenhou com um pedaço de giz a minha silhueta no chão e deixou-me ser levado. Fui colocado na beira da estrada e o militar que presenciava perguntou se não haveria algures um pano com que o meu cadáver fosse coberto.

O jovem, que ali permanecia dirigiu-se de novo ao médico: “Se o caro colega não tiver nada contra…” e resolveu dar-me uma injecção de adrenalina directamente no coração.

Pude nessa altura fixar a atenção no seu rosto, cuja lembrança guardei comigo.

Alguns dias mais tarde, veio visitar-me ao Hospital em Bellinzona. Vestia um facto completo. Reconheci-o imediatamente e cumprimentei-o, cheio de dores:

– Bom dia senhor doutor, porque razão me deu o diabo daquela injecção?

Consegui reconhecer com toda a clareza a sua voz clara. Ficou supreendidíssimo e perguntou-me como podia conhecê-lo. Contei-lhe tudo. Tornámo-nos mais tarde bons amigos. Recebeu até a condecoração dos “cavaleiros da estrada” por me ter feito regressar a este mundo, digo eu, infelizmente.

Depois da injecção de adrenalina, provavelmente no momento em que o meu coração foi estimulado a bater de novo, aconteceu-me uma coisa horrível: caí num abismo de negrume. Com um safanão esquisito e um choque senti-me escorregar para dentro do meu corpo. Toda a beleza se dissipou. Percebi que estava de regresso. Recuperei o conhecimento e passei a sentir dores indescritíveis. Acabei por desmaiar de dor, embora já na condição de sobrevivente.

Com a perícia de um bom médico tinha sido feito regressar à força, porque “por acaso” se encontrava no exacto local do acidente e “por acaso” trazia consigo o tipo exacto de injecção.

A sobrevivência fora conseguida “casualmente”, portanto. Os socorristas foram chamados e fui conduzido em corpo e alma, com sirenes e luzes azuis ao Ospedale San Giovanni, em Bellinzona.

“Por acaso” era lá que se encontrava presente na altura o brilhante cirurgião Clemente Mob, regressado recentemente de férias, nem de propósito, de visita ao seu gabinete. Começou logo a operar-me e salvou de novo a minha vida. Por esse motivo, no entanto, recomeçou de novo a minha penosa história.

Desde essa altura é meu cuidado dizer que o mais belo acontecimento da minha vida foi… a minha morte!

Nunca fui tão feliz em vida como fui durante a minha episódica morte, embora tenha que colocar aspas na palavra “morte”, pois que – tal como agora sei – não passava de uma situação clínica.

Decidi então registar tudo o que se tinha passado comigo, como sendo um autêntico “caso de experiência de morte”.

 

NOTA: para as pessoas que desejem, por qualquer razão, ter acesso ao documento na sua língua original, clicar aqui:

Ich war klinisch tot

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Peço aos leitores que entrarem nesta tradução de parte do livro acima que, para efectuarem uma necessária contextualização do seu conteúdo, leiam primeiramente a notícia:

O primeiro caso de Experiência de Quase-Morte (EQM) de que tive conhecimento detalhado

Além das outros trabalhos aqui publicados a respeito do mesmo tema, nomeadamente o livro:

Livro sobre NDE * EQM * Espiritismo

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A indesmentível realidade das reencarnações!….

A vida para além da morte está cabalmente provada pela absoluta evidência da vida antes da vida!…


Se observarmos uma qualquer criança pequenina no dia a dia dos seus primeiros meses ou anos de vida, poderemos notar  que revela de forma evidente ter guardada na sua capacidade de ver e de sentir uma vastíssima e complexa memória de percepções e sentimentos baseados em muitas vidas já vividas.


É impossível que a inteligência afectiva, os recursos de ordem prática e todas as variadíssimas reacções  de carácter intelectual objectivo e subjectivo possam ter sido achados e desenvolvidos por acaso, sem memórias muito anteriores ao seu respectivo nascimento.


É evidente que o materialismo dogmático vai poder encontrar razões unicamente materiais e orgânicas para tudo isso…


Onde as coisas podem atingir uma incompreensível e inatingível complexidade é nos casos como o dos meninos  Tsung Tsung, Evan Le, Shinichi Nakamoto, e Anna Lee, tocando Paganini… solista de orquestra! abaixo documentados, por tantas e tão intrincadas razões que não ousamos (nem é preciso…) enumerá-las.

 

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