University of Virginia – Division of Perceptual Studies

Para conseguir ver todos os elementos do quadro docente desta faculdade é favor clicar na imagem

  Fundada em 1967 pelo Dr. Ian Stevenson, a DOPS (Division of Perceptual Studies) da Universidade de Virgínia, em Charlottesville é um grupo universitário de investigação há muito estabelecido, exclusivamente dedicado à análise de fenómenos que desafiam as correntes principais do paradigma materialista ainda dominante quanto à mente e ao cérebro, como estruturas ligadas e interdependentes. Ao contrário, os investigadores da DOPS estão a avançar no estudo dos fenómenos relacionados com a consciência como entidade independente claramente fora do corpo, bem como os fenómenos que revelam directamente a sobrevivência da consciência humana depois da morte física. Através de estudo cuidadoso, os investigadores do DOPS analisam e documentam os dados empíricos que foram registados quanto às experiências humanas que revelam a sobrevivência da consciência em casos de morte física, aparecendo a mente e o cérebro como diferentes e separados.

“É nossa a esperança de que outros cientistas de mente aberta se aproximem de nós para continuarmos os desafios de um estudo sério, o da natureza da consciência e as suas interacções com o mundo físico.”

O professor Ian Stevenson, fundador do DOPS, (1918 – 2007) que desenvolveu profundos estudos experimentais relacionados com a tese das vidas múltiplas, ou reincarnação.

As investigações da Divisão de Estudos de Perceção (DOPS) da Universidade de Virginia, entre outros, incluem:

  • Investigação dos meninos que, ao redor do mundo, relataram casos de memórias retidas de vidas passadas;
  • Investigação da consciência; casos comprovados de relacionamento da mente separada do corpo;
  • Estudo de imenso número de casos de Experiências de Quase-Morte (EQM, Near Death Experiences, NDE, em inglês), para sistematização científica, mediante entrevistas com os respetivos protagonistas;
  • Estudo de neuro-imagens de casos PSI; etc

 

O vídeo aqui apresentado desenvolve-se, naturalmente, em língua inglesa. Para melhorar a sua compreensão, sugere-se o uso das legendas, também em inglês, que é possível inserir num dos comandos, do lado direito em baixo. O processo de inserção é automático, por isso, não 100% perfeito.

Neste vídeo, a respeito da VIDA DEPOIS DA MORTE está documentado uma série de depoimentos de 5 professores universitários, sendo moderador um conhecidíssimo escritor e actor, John Cleese, um dos fundadores do Monty Python, e teve lugar no dia 12 de Abril de 2018 no Paramount Theatre em Charlottesville, com os seguintes participantes:

O professor Bruce Greyson, um dos fundadores do IANDS e professor da UVA. Para melhor esclarecimento consultar: https://med.virginia.edu/perceptual-studies/dops-staff/bruce-greysons-bio/

O professor James Tucker, continuador de Ian Stevenson: https://med.virginia.edu/perceptual-studies/dops-staff/jim-tuckers-bio/

Emily Williams Kelly, Ph.D. , UVA, Assistant Professor of Research, Division of Perceptual Studies, Department of Psychiatry and Neurobehavioral Sciences:

Emily Kelly’s Bio

Jennifer Penberthy, Ph.D. , Universidade da Virgínia; ABPP:

Jennifer Penberthy, PhD

Edward Kelly, Ph.D. Professor of Research, Division of Perceptual Studies, Department of Psychiatry and Neurobehavioral Sciences | Universidade de Virgínia;

https://med.virginia.edu/perceptual-studies/dops-staff/ed-kellys-bio/

Alguns exemplos de livros editados pelas entidades acima referidas no âmbito do seu trabalho no DOPS

A Ciência e Espiritualidade

Uma das áreas de estudo acerca da Vida depois da Morte que temos procurado conhecer é o que diz respeito à sua projecção internacional.  No  último número do órgão de OPINIÃO do Centro de Cultural Espírita de Porto Alegre foram publicados conteúdos importantes que temos muita honra em referir aqui.

CIÊNCIA E ESPIRITUALIDADE 
Será possível reconciliá-las?

Grupo de intelectuais norte-americanos aposta na possibilidade da reconciliação entre ciência e espiritualidade, um sonho que foi também de Allan Kardec.

 Materialismo e Fisicalismo: diferentes faces de um mesmo tema

Nos dois séculos que se seguiram ao de Allan Kardec, parece ter-se consolidado entre psicólogos cognitivos, neuro-cientistas e filósofos o chamado “fisicalismo”.
Kardec teve como objectivo prin­cipal em sua obra contrapor-se ao “materialismo”.
Mais de 160 anos depois, a cultura académica é dominada pelo chamado “fisicalismo”. Ou seja: toda a realidade é determinada exclusivamente por factos fí­sicos e as criaturas humanas são vistas tão somente como máquinas biológicas de extrema complexidade.
Para os padrões científicos ora adoptados, todos os aspectos da mente e da consciência humana são gerados pelos processos neuro-fisiológicos que ocorrem no cérebro. Nessa visão, a consciência nada mais é do que um epifenómeno desses processos neuro-fisiológicos.
Surge, no entanto, importante re­acção de um grupo de cientistas norte-americanos a essa posição das ciên­cias académicas.

Edward F. Kelly

Em artigo publicado no periódico britânico “The Observa­tory”, com o título de “Rumo à Reconciliação da Ciência e Espiritualidade: Uma Breve História do Projeto “SURSEM”, Edward F. Kelly, Professor do Departamento de Psiquiatria e Ciências Neuro-com­portamentais descreve o movimento desencadeado por cerca de 50 cien­tistas da área, desde 1998, para mudar os conceitos acima expostos.
Kelly é autor de obras como Irreducible Mind: Toward a Psychology for the 21st Century (“A Mente Irredutível: Rumo a uma Psicologia para o Século 21”) e Beyond Physicalism: Toward Reconciliation of Science and Spirituality (“Além do Fisicalismo: Rumo à Reconcilia­ção entre Ciência e Espiritualidade”).

O grupo defende ter chegado a hora de derrogar a “arrogância” acadêmica que desprezou toda a sabedoria e a experiência coletiva acumulada pela humanidade, a qual sempre viu na espiritualidade uma fonte de conhecimentos que não podem ser menosprezados pela ciência atual.

Michael Murphy

O Projeto “SURSEM”, por eles criado no INSTITUTO ESALEN, se cons­tituiu numa série de eventos que reuniu, sob a liderança de Michael Murphy, neurocientistas, psiquiatras, filósofos, físicos e historiado­res para avaliar as provas empíricas da so­brevivência humana à morte corporal, suge­rida, segundo o grupo, por fenómenos como experiências de quase morte e fora do corpo, experiências místicas, fenómenos psíquicos e crianças que se lembram de vidas anteriores.
No artigo de “The Observatory”, Edward Kelly sustenta que um dos grandes de­safios da modernidade é “reconciliar, de ma­neira aceitável, inteligível, significativa e re­conhecível, ciência e religião”. O artigo pode ser baixado em versão para o português no site: http://www.mentealemdocerebro.com.br/. 

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 A experiência de um brasileiro 

O filósofo e historiador das ciências Gustavo Rodrigues Rocha, Professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (BA), que, em seu pós-doutoramento na Universidade da Califórnia, em Berkeley, EEUU, escolheu como estudo de caso o Projeto SURSEM, foi recentemente entrevistado na reportagem A mente além do cérebro e a busca pelo sentido do mundo, do jornal “O Tempo”, de Belo Horizonte.
A matéria pode ser lida neste site: https://www.otempo.com.br/interessa/a-mente .

Para Gustavo, o Projecto SURSEM, reunindo esses intelectuais norte-americanos, trabalha no contexto do sistema académico-científico contemporâneo, com base na tese segundo a qual a mente não pode ser reduzida unicamente ao funcionamento do cérebro.
Segundo ele, o grupo SURSEM caminha no sentido de “apresentar provas experimentais e teorias que afirmam que a consciência não depende do cérebro e, nessa ordem de ideias, “algo de nossa mente sobrevive à morte corpórea”.

O professor brasileiro diz nunca ter encontrado “um grupo de académicos de tal envergadura, com uma construção tão sólida e consistente, decididos a enfrentar, numa perspectiva multi e trans-disciplinar, questões tão avançadas do actual sistema de saberes”.

PRENÚNCIOS DA ERA DO ESPÍRITO?

Parece mesmo mais adequado designar a posição dominante entre os cientistas como “fisicalismo” em vez de “materialismo”.
Entre eles há professores em Universidades religiosas. Outros tantos trabalham em instituições públicas, mas têm crenças religiosas.
Muitos não se definem como materialistas e vivem essa dicotomia: enquanto cientistas, adaptam-se aos padrões vigentes, onde é praticamente vedado atribuir quaisquer actividades da mente humana a causas extra cerebrais.
O “espírito” ou a “alma”, para eles, são abstracções que não se aplicam à condição humana. Fazem parte do mistério do sobrenatural e não podem ser objecto de uma abordagem racional e científica.
O grupo do Projeto SURSEM declara-se composto de “pesquisadores de mentalidade científica com amplos e variados interesses”.
Definem-se como “espiritualizados, mas não religiosos, no sentido convencional”.
Sem se filiar em qualquer crença religiosa específica, dizem-se “ancorados na ciência”, e desejam “ampliar os seus horizontes”.
Identificam o cenário actual como palco de dois fundamentalismos: o religioso e o científico, e assim, propõem “uma via intermédia” entre ambos. É fácil identificar tais propósitos com os que foram expostos por Allan Kardec, ao fundar o espiritismo.
Sem querer fazer dele uma nova religião, propunha explicitamente estabelecer uma “aliança entre a ciência e a religião”, apresentando o espiritismo como o “caminho neutro” a possibilitar essa aliança.

O tempo de Kardec, onde parte da ciência académica admitia o “espiritualismo racional”, era bem mais propício a esse objectivo.

Daí o optimismo presente na obra de Kardec. O século XX, porém, parece ter preferido trilhar o caminho “fisicalista”, atribuindo ao cérebro humano a inteira capacidade de gerar os processos mentais, aprisionando, assim, o espírito nos limites da fé religiosa, onde, aliás, os próprios espíritas preferiram, em maioria, se refugiar.
Menos mal que há reacções, vindas do próprio meio científico, que podem estar gestando um novo tempo: a Era do Espírito, sonho de Kardec e daqueles que bem o compreenderam.

Redacção de CCEPA OPINIÂo

O Evangelho segundo o Espiritismo, esclarecimentos de Milton Medran Moreira

Milton Medran Moreira

diretor do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre / Brasil

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – 150 ANOS em 2014

 .
    O Livro Número Um dos Espíritas
.

Cronologicamente, não foi o primeiro livro de Allan Kardec,  nem é sua mais importante obra, mas “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, que completou 150 anos em 2014 é, para a maioria dos espíritas o principal e, às vezes, o único livro conhecido e referenciado nos Centros Espíritas.


     A obra e seu contexto histórico

Desde que o espiritismo, contra a expressa vontade de seu fundador, Allan Kardec, se tornou uma religião, O Evangelho Segundo o Espiritismo tem sido visto quase como uma nova bíblia. Muito mais lido do que O Livro dos Espíritos, principal obra de Kardec, o ESE é proclamado como a base da “religião espírita”.        

Por outro lado, lembra o escritor espírita Eugénio Lara (São Vicente, SP), há pensadores espíritas de mentalidade não-religiosa que contestam a obra, achando que nem deveria ter sido escrita.
Para Eugénio, nenhuma dessas posições é a melhor: “O livro deve ser visto em seu contexto histórico e no conjunto da obra kardequiana. Nem bíblia, nem concessão, mas uma visão de Kardec dos ensinamentos evangélicos, a visão que ele tinha do cristianismo”.
Eugenio Lara sustenta que “o contexto histórico exigiu de Kardec uma resposta à demanda do movimento espírita nascente”, e que “numa França católica, a posição espírita em relação ao cristianismo era uma necessidade, o que não faz do espiritismo uma nova religião ou teologia cristã”.

Também para o Delegado da CEPA no Rio de Janeiro, Rinaldo Paulino de Souza, o contexto histórico não só da França, mas de todo o mundo ocidental foi relevante, pois o ceticismo trazido pelo Iluminismo levava o Ocidente a perder a crença no mundo extramaterial e em Deus.
Além disso, “era importante destacar as evidências da reencarnação nos livros sagrados cristãos, reforçando tal conexão com as explicações morais”, sustenta Souza.

Dentre os pensadores espíritas que entendem que O Evangelho Segundo o Espiritismo nem precisaria ter sido escrito está o pesquisador Mauro Quintella (Brasília/DF):
“No lugar do OESE, eu teria feito um livro com uma coletânea das melhores proposições éticas da história da Humanidade, onde, evidentemente, poderia entrar o que é aproveitável nos Evangelhos”,
disse Quintella, acrescentando que o nome desse livro teria sido “A Ética do Espiritismo”.


    Consolador Prometido? Terceira Revelação Divina?

Licenciado em Filosofia, e também Delegado da CEPA, Ricardo de Moraes Nunes (Santos/SP), concorda que as circunstâncias históricas justificavam a publicação da obra, mas lhe parece que Kardec e os espíritos foram tomados de um exagerado entusiasmo ao classificarem o espiritismo como “o consolador prometido por Jesus”.
Para ele, trata-se de tese “bastante ideológica, fugindo do campo das ideias práticas tão apreciadas por Kardec”.

         Já o pesquisador Augusto Araujo (Campina Grande/PB) Doutor em Ciência da Religião, vê o ESE justamente como o livro que “inaugura o período religioso do espiritismo, previsto por Kardec em 1863”.
Araujo identifica ali “uma curva em direção aos temas cristãos”, o que se deve a uma razão externa:
“a perseguição do espiritismo principalmente pela Igreja Católica”; e outra interna: “Kardec defende que o espiritismo seja o sucessor histórico e profético do cristianismo”.

A pensadora espírita Glória Vetter (Petrópolis/RJ) sustenta que Allan Kardec não quis um espiritismo “igrejista”, mas “cristocêntrico”.
Ela não vê problema que Kardec tenha proposto que os espíritas se apoiem nos ensinamentos de Jesus ou de outros mestres: “São contributos éticos que fortalecem os espíritos, mormente daqueles carentes de força e direção”, diz.

Matéria de capa do jornal CCEPA OPINIÃO de abril de 2014

 

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EQM de Maria de Júlia Diniz, transcrição literal parcial

 

Experiência de Quase Morte, durante gravidez de Maria de Júlia Diniz, nos anos sessenta do século passado.

é FAVOR VER NOTÍCIA ANTERIOR
e escutar o depoimento na totalidade

INCLUI TRANSCRIÇÃO LITERAL DE PARTES FUNDAMENTAIS DO DEPOIMENTO.

Maria Júlia Diniz é portuguesa, e teve uma vida muito movimentada. Foi agente de vendas da TAP, dedicou-se muito à arte e fez trabalho voluntário a vida inteira. Casou aos 17 anos, engravidou aos 18 e teve uma Experiência de Quase-Morte, ou EQM. Muitos anos depois, é aposentada e, pela primeira vez na vida, fala sobre esta experiência. Vamos conhecer a história que teve a generosidade de nos contar?

Este registo de parte do seu depoimento é um documento fundamental para comprovar, de forma vivida, a continuidade e qualidade evolutiva de todos os seres humanos para além da morte, sendo a vida terrena apenas um intervalo de experimentação e aprendizagem, sujeito a certas dificuldades que dependem essencialmente da atitude de cada um de nós.

De salientar a perspicácia inteligente das perguntas do Dr.CARLOS MENDES, que nos colocam perante o essencial e fundamental do depoimento feito, quanto ao contexto de realidade concreta vivida por Maria Júlia Diniz.

O momento em que começa esta transcrição situa-se NO 27º MINUTO DA GRAVAÇÃO

Pergunta Dr. Carlos Mendes:
Como entende a relação entre a dimensão em que vivemos aqui, e a dimensão que viveu durante a sua experiência? Diz que sentiu que já lá tinha estado antes, como se tivesse voltado a casa.

Resposta Maria Júlia Diniz:
É um local imenso… de Paz.

P.: Voltando para cá, de que forma essa vivência, essa experiência a mudou em relação a valores, em relação à vida?

R.: Logo a seguir a este EQM fui para África, onde tinha a vontade de ser uma pessoa que cuidava… queria cuidar de todas as pessoas. Apiedava-me muito, pelas crianças, por tudo. Era uma grande empatia que sentia…
Tinha pessoas a trabalhar na minha casa, que mandavam para me ajudar, crianças com 8 ou 9 anos para serem meus criados.
Eu não queria ter uma criança de 8 anos como meu criado. Se isso acontecia… ia comprar uma boneca (risos…) e o que fazia era ensiná-la a fazer um bordado. Todos os garotos que passavam pela minha casa, muito novinhos, que eu não achava que tinham idade para trabalhar… alfabetizei-os!… Eu realmente fiz-me uma mulher virada para os outros.

(Nota histórica/informativa: Durante esses tempos do colonialismo português em África, certos funcionários, como militares e outros, dispunham de apoios especiais, que incluíam o fornecimento de serviçais domésticos…)

P.: Disse portanto que tinha tido uma mudança de visão sobre a vida, que ficou mais altruísta por causa dessa experiência que viveu?

R.: Acho que sim, porque na minha família não há ninguém que tenha a minha atitude. Estranharam muito e até chegaram a dizer-me: “Tu tens que levar dinheiro pelas coisas; não se vive do ar…”
Mas eu tenho uma perspectiva muito diferente. A felicidade para mim está… no olhar da pessoa. Isto talvez seja estranho… Estou a dizer o que é real… Gosto das coisas boas, gosto de ver coisas e fazer visitas… mas não é nisso que está o que é importante na vida.
(…)
P.: Durante o tempo em que a Senhora teve essa EQM, já disse que queria permanecer nela. Mas agora tem declarado que o que quer é viver aqui…?

R.: Agora quero muito viver, porque tenho uma missão. Sempre tive uma missão toda a vida.
Anulei-me pelo meu filho durante 25 anos. Percorri todos os hospitais de Lisboa e do Porto e de todo o lado, para conseguir médicos. E consegui!… Até mentindo, mas consegui!..
(…)
Eu quero viver porque sou uma pessoa. As pessoas precisam de mim!…
Tenho um grande amigo, que foi muito meu amigo quando estava doente.
É muitíssimo doente da cabeça, um rapaz com problemas psiquiátricos graves. Não o largo… porque ele faz parte da minha vida. É minha responsabilidade!…
34:00
P.: Trabalhou num manicómio, esteve em contacto com pessoas que tinham alucinações?

R.: Sim!…

P.: Em algum momento pensou que o que viveu poderia ter sido uma alucinação?

R.: Não! Nem por um minuto. A minha visão modificou-se. Durante a minha vida tenho tido uma miopia acentuada, sem óculos vejo apenas sombras. Durante a minha experiência via perfeitamente sem óculos. Via com nitidez. Via exactamente a realidade, sem precisar de óculos. E via o meu corpo, estando fora dele, passando por coisas difíceis, sem que eu sentisse dores.

P.: Acha que ainda tem alguma ligação com a vida na dimensão em que viveu a sua EQM?

R.: Sim, sinto!… Não tenho nenhum medo de morrer. Tenho medo do sofrimento antes da morte; mas isso é uma coisa que se passa com o corpo.
O nosso corpo é muito pesado!… Muito traidor!… Nós não sabemos porquê, mas tudo pode incomodar-nos. A fome, o frio… Mas quando morrer, imediatamente me sentirei segura!…
Porque aquilo é um lugar de plenitude. Um lugar quente e luminoso e que tem o dom de trazer tranquilidade e protecção. Portanto a pessoa, tem tudo!…

P.: Como é que entende hoje, qual é o estudo, o trabalho, que estão fazendo as pessoas que vivem aqui no mundo material ?

R.: Entendo que estão a tentar compreender se a alma ou a consciência são imortais (se a sua vida continua…). Porque a alma não ocupa provavelmente um espaço, um tempo, e foge para um lugar provavelmente conhecido da alma e conhecido de todas as outras pessoas que lá estão. Estando lá, em espera, estão seguras.
Não sou de praticar religiões. Não sou católica. Sou cristã. Não vou a igrejas. Há coisas nas igrejas de que não gosto.
Mas sei que há uma Luz. Eu estive dentro da Luz.  Dentro da luz não era deficiente da vista. Portanto dentro da luz era perfeita. Isto é a maneira como eu interpreto muito profundamente a situação. Se eu dentro da Luz estava feliz, é porque nada me doía. E se via é porque não era míope. Ali não há defeitos.
30:57
P.: Acha que a nossa passagem por aqui tem algum objetivo específico?

R.: Completamente. É um objetivo de crescimento.
Como já disse a minha vida teve grandes desafios e fiz grandes disparates na vida. Todos nós fazemos. Isso faz parte do percurso. Mas paralelamente acho que respondi muito bem a muitas coisas, a muitos desafios. Portanto se a minha vida foi complicada era porque o percurso tinha que ser complicado.
Portanto o meu objectivo é cumprir para com a pedras que aparecem no caminho.

P.: Sentiu a existência de uma hierarquia?

R.:Sim, o que estava à minha volta era poderoso; e eu era uma migalhinha aconchegada no algodão.

P.: Compara essa hierarquia como sendo o acolhimento de alguma coisa acima de si em termos de conhecimento?

R.: Muito acima, não tem comparação nenhuma. Como se fosse um gigante de algodão que pega numa pequenina coisa de nada, um grão de arroz, que fica feliz com aquele acolhimento. Aquilo… é colo!…

P.: A partir da experiência sentiu alguma mudança nos seus sentidos, premonições ou conhecer os sentimentos de outros?

R.: (…) Se me cruzo com alguém na rua, sinto apenas que aquela pessoa que ali vai precisa de uma palavra. Depois descubro que a pessoa precisa mesmo. Portanto a minha intuição só tem a ver com… necessidades positivas.  (41.41)

P.: No final do seu depoimento gostaria de deixar algum recado para as pessoas, levando em conta toda essa aprendizagem que teve?

R.: Queria deixar aqui muito claro que estive fora do corpo, num local de luz, que me acolheu com muito amor. Apesar dos erros que já naquela altura teria feito.
Ali há muito perdão. Uma compreensão. É um sítio extraordinário.
Acho que todas as pessoas deviam ser menos consumistas, menos preocupadas e menos invejosas por pequenas coisas.
E deviam ter um olhar maior, ter uma visão ampla no seu dia a dia, terem um projecto humano, realmente humano.
Praticar o BEM, até mesmo com um animal. Sem estar ligadas a igrejas ou a movimentos.
Todos os dias podemos encontrar alguém que precisa de nós, ou da nossa compreensão, ou do nosso carinho, ou do nosso conhecimento.
Isso ficou tão presente realmente e foi tão habitual na minha vida, que eu não sei se vem dali esse meu conhecimento.

Nessa experiência, nessa EQM eu conheci a Luz.

EU CONHECI A LUZ

Um dos depoimentos de NDE/EQM mais inteligentes e lúcidos que já ouvimos desde sempre

O site brasileiro “Afinal quem somos nós”, actualmente dirigido pelo Dr. Manuel de Sousa, tem feito um trabalho muito importante na divulgação de depoimentos de “Experiências de Quase Morte”, fenómeno que seguimos há um bom número de anos e que temos publicado no nosso título de Menu dedicado a este tema: https://palavraluz.com/category/nde-eqm/ Os depoimentos a respeito de EQM/NDE são todos diferentes, uns mais simples e desprovidos de “enredo”, outros muito elaborados, cheios de detalhes importantes e variados. Por esse processo confirmam a existência ABSOLUTAMENTE FACTUAL da vida depois da morte, numa sequência de detalhes igual aos que nos descreve o conhecimento espírita, da passagem deste mundo de aprendizagem e colheita de experiências, para a vida espiritual.
Para este depoimento de uma Senhora portuguesa, a Maria Júlia Dinisz, queremos chamar a atenção de todos, visto que se trata de um dos mais importantes do incontável número de casos de que já tivemos conhecimento desde sempre. E porquê?

Porque sendo uma viagem a outro plano da existência sem a multiplicidade de visões das EQM mais extensas, com variedade de encontros e cenários, teve efeitos construtivos magníficos na sua protagonista, os quais compreendeu e foi desenvolvendo ao longo da sua vida.

A consciência dos seus atos de caridade lúcida, de amor solidário e construtivo foram passos dados em busca do SER SUPERIOR que mora em nós e que necessitamos de conquistar aos longo das nossas vidas como DESTINO PRINCIPAL da alma.

A transformação do carácter moral dos protagonistas de EQM

Conforme se encontra detalhadamente esclarecido nos documentos que temos publicado a este respeito, a característica em subtítulo é das consequências mais importantes deste género de fenómenos. No caso de Maria Júlia Diniz, tendo registado a sua EQM há muitos anos, os efeitos de transformação de carácter moral conduziram  as suas opções de vida marcadas pela generosidade  e solidariedade, com apoio da sua rica personalidade espiritual, intelectual e artística. A única forma que temos de confirmar esta ideia é sugerir que ouçam o seu depoimento, palavra por palavra, observando a sua entrega em benefício dos seus semelhantes necessitados de apoio humano e caridade fraterna.

CEPA – Associação Espírita Internacional

Há muitos anos que seguimos o trabalho desenvolvido pela CEPA Brasil, agora categorizada pela sua importante actividade internacional.
A seguir, uma referência breve às suas características culturais, doutrinárias e intelectuais, seguidas de um importante depoimento sobre a atitude de espiritualidade laica, que é marca distintiva da personalidade que cultivam.
Esta última parte é da autoria de Jon Aizpúrua, Ex-presidente da CEPA (1993/2000) e actual Assessor de Relações Internacionais, para a qual chamamos a melhor atenção de todos os nossos visitantes.

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Nosso empenho maior concentra-se em exteriorizar em toda sua plenitude os postulados que compõem a Doutrina Espírita.
Em sua defesa e preservação nos colocamos acima das cortesias, diplomacias, relações pessoais ou institucionais.

Em consonância com essa linha mestra lutamos por uma Doutrina:

Kardecista,
porque assume os ensinamentos e reflexões apreendidos da obra de Allan Kardec, que representam a essência e a base do edifício doutrinário. Orientado pela bússola da codificação kardecista, o Espiritismo manterá sempre o rumo correto e seguirá por caminhos seguros.

Progressista,
porque o pensamento espírita é um instrumento para o melhoramento individual e social aliado a valores como: liberdade, justiça e igualdade. Porque proporciona uma postura dinâmica, aberta, autocrítica e capaz de ampliar os conceitos como resultado do processo de mudança do mundo.

Livre-pensadora,
porque convida seus integrantes e as pessoas em geral a gozar, em sua plenitude, do direito ao livre exame de todas as idéias e ao aproveitamento de toda reflexão com critérios e métodos dentro e fora do Espiritismo. Liberdade de pensamento, de expressão e crítica são condições necessárias para um espírita autêntico poder se expressar. Direitos a que não se pode renunciar, que a CEPA. garante a todas as pessoas e às instituições a ela vinculadas.

A Palavra da CEPA

Jon Aizpúrua
Ex-presidente da CEPA (1993/2000) e atual Assessor de Relações Internacionais

Denomina-se como laicidade à concepção da vida na qual defende-se a ausência de religião oficial na direcção dos Estados, enquanto que por laicismo entende-se o movimento histórico que reivindica a implantação da laicidade.
Sobre a base de seus fundamentos humanistas, sociológicos e morais, assume-se que a laicidade estabelece um vínculo comum entre as pessoas e facilita que elas convivam respeitosa e cordialmente, processando suas diferentes opiniões em um âmbito civilizado, de liberdade e igualdade. Os princípios laicos de liberdade de consciência, de pensamento, de expressão e de organização; a igualdade de direitos e obrigações, assim como a justiça social, constituem a própria essência do sistema democrático.

É conveniente salientar que um Estado laico e, portanto, não confessional, não implica seja antirreligioso ou ateu. Toda a crença religiosa é respeitável e deve sempre garantir-se a seus adeptos o direito de vivê-la intimamente, compartilhando-a com quem se deseje e difundi-la sem restrições. Diferente há de ser o clericalismo e suas pretensões de gozar de privilégios especiais no âmbito social, situar-se por sobre ou à margem da normativa civil ou jurídica, ou impor critérios teológicos em assuntos morais, científicos ou educativos.

Felizmente, uma porção considerável da humanidade evoluiu no sentido de uma concepção laica que coloca em seus precisos termos a relação entre o mundo civil e o religioso, os Estados e as Igrejas. No mundo ocidental, com maior força, vive-se, cada vez mais, em uma sociedade pós-cristã. Esse tipo de sociedade teve início na Europa a partir do Renascimento, converteu-se em um projeto com o Iluminismo, generalizou-se entre as massas cristãs na segunda metade do século XX e foi se estendendo à América e a outros países influenciados pela cultura ocidental. A partir de um ponto de vista sociológico, não tão religioso, essas sociedades podem qualificar-se de pós-cristãs, o que significa que a cosmovisão baseada no cristianismo, em torno da qual girou a vida individual e social durante séculos, vai deixando de ser sua coluna vertebral. Essa mudança progressiva de cosmovisão na tradição cristã ocidental foi-se manifestando em muitas expressões culturais que estão sendo transformadas ou abandonadas:

  • As festas religiosas determinavam o calendário civil e trabalhista. Agora se eliminaram a maioria delas, embora sigam sendo muito importantes o Natal e a Semana Santa, não tanto no sentido religioso, mas como ocasião de viver em família e oportunidade para férias em campos e praias. O mesmo ocorreu com as festas patronais das pequenas localidades que eram dedicadas a um santo e que agora são apenas o motivo para celebrações civis e folclóricas

  • Os nomes que os pais davam a seus filhos eram buscados no calendário santo e que agora são apenas motivo de celebrações civis e folclóricas. Hoje se lhes põem nomes inventados, surgidos de combinações originais, muitas vezes estranhas e até impronunciáveis.

  • Muitas manifestações públicas, como procissões, romarias ou peregrinações, foram se despojando de seu sentido religioso original e se vão convertendo em festas folclóricas e populares, que costumam se aproveitadas pelos líderes políticos para promover sua imagem pessoal com fins eleitorais.

  • Em muitos países da órbita cristã, o registo eclesiástico de batizados e matrimónios era utilizado pelos Estados como registo civil. Há muito tempo que ambos registos obedecem a propósitos diferentes e somente o civil é obrigatório e possui efeitos legais.

  • Os símbolos religiosos cristãos, como o crucifixo ou o juramento pela Bíblia, eram frequentes em âmbito público, como escolas e repartições governamentais. Cada vez mais se impõe a tendência de suprimir qualquer exibição religiosa pública e se reduz a presença de autoridades civis a atos religiosos, reservando-se nada mais que aqueles de especial solenidade.

  • A moral estabelecida pelos cultos cristãos impunha as regras para o comportamento dos cidadãos. Actualmente discutem-se, questionam-se ou se rechaçam muitos desses critérios e comportamentos, especialmente no âmbito da sexualidade e da legítima diversidade de opções que cada pessoa tem direito de escolher sem ser discriminada ou estigmatizada.

  • A linguagem religiosa perdeu actualidade, pertinência e relevância social. Palavras e expressões como pecado, céu e inferno, salvação, culpa, penas eternas, castigos divinos, etc. foram desaparecendo do linguajar corrente e circunscrevendo-se aos actos de culto.

  • Em matéria educativa pública, já não se discute a primordial competência do Estado, ficando reservado o ensino da religião ao âmbito familiar e das organizações eclesiásticas.

  • “Crentes mas não praticantes” declaram-se muitos hoje em dia. Essa é outra característica da sociedade pós-cristã que merece atenção. Expressa-se de muitas formas: “Eu creio em Deus, mas não nos sacerdotes”, “eu me confesso directamente a Deus, não com um homem”, “a Igreja reprime minha liberdade”, etc. Nestas e outras manifestações reflecte-se uma espécie de alergia e rechaço às instituições eclesiásticas.

  • Outra característica importante da sociedade pós-cristã é a separação entre confissão religiosa e organização política e social. A liberdade de culto impôs-se nos países modernos e, como consequência, o catolicismo e outras religiões cristãs deixam de gozar de privilégios e vantagens por parte de um Estado que se declara laico. Um governante, incluindo todos os membros de seu governo, podem ser crentes, mas sua fé é um assunto pessoal e não a podem impor ao resto da sociedade.

Como é muito bem sabido, o espiritismo, desde seu início, a partir do ato fundacional que o aparecimento de O Livro dos Espíritos significou, em 1857, desfraldou a bandeira do laicismo, ressaltando o valor irrenunciável da liberdade que permite a cada ser humano administrar suas crenças em matéria de religião, de fé, de transcendência, conforme os ditames de sua razão e sem temor de ser condenado, castigado, anatemizado ou perseguido.

Claro está que o laicismo no qual se inscreve o espiritismo possui uma base inequivocamente espiritualista. Muito distanciado de um laicismo materialista e ateu que promove a indiferença frente às perguntas radicais da existência humana: sua origem e destino, assim como sua referência centrada em uma explicação exclusivamente física, química, biológica, psicológica ou sociológica da vida e da morte, o espiritismo reafirma o reconhecimento da existência de Deus como Inteligência suprema e causa primeira de todas as coisas; do espírito como entidade psíquica transcendente que preexiste ao nascimento e sobrevive depois do falecimento; do processo evolutivo ascendente do espírito que se verifica em inumeráveis e sucessivas existências; da incessante comunicação entre desencarnados e encarnados por diversidade de meios; e deriva desses princípios uma cosmovisão humanista e progressista que convida à transformação pessoal e social, no quadro dos mais elevados princípios éticos.

Convidando para a compreensão do sentido espiritual da vida, insistindo no respeito pleno e na liberdade das pessoas e dos povos, e sustentado na razão e na ciência, o espiritismo conduz a uma espiritualidade laica, equidistante do catecismo sem esperança, do materialismo e do dogmatismo sectário e alheio à ciência e à racionalidade das teologias. Uma espiritualidade aberta e tolerante, que, por sobre a base de princípios universais, promove uma cultura de entendimento, convivência, harmonia, generosidade, solidariedade e fraternidade.

  • Uma cultura de respeito pela vida em todas as suas formas.

  • Uma cultura que garanta o exercício da liberdade de pensamento, consciência e crença.

  • Uma cultura de não violência que promova o encontro e a solução pacífica das controvérsias.

  • Uma cultura da solidariedade que impulsione a criação e a consolidação de uma ordem mundial justa, em que se apaguem as ignominiosas diferenças entre privilegiados e deserdados.

  • Uma cultura da verdade no plano da transmissão da informação e o conhecimento, que erradique a mentira.

  • Uma cultura da igualdade entre os povos, as nacionalidades, as etnias ou identidades sexuais, onde não haja lugar para a discriminação.

  • Uma cultura do trabalho, reconhecido como instrumento fundamental da riqueza social, e que seja devidamente remunerado em um ambiente de relações justas e honestas entre empresários e trabalhadores.

  • Uma cultura que promova o funcionamento democrático no exercício político das nações, sustentada no sufrágio livre e transparente, e que erradique toda a sorte de regimes autoritários e tirânicos, com independência do matiz ideológico com que se identificam.

Conceitos como estes, e muitos outros que se podem acrescentar, integram o que denominamos uma espiritualidade ética de orientação espírita sustentada na cultura do amor, e traduzem em termos concretos e actuais a proposta central de Allan Kardec e dos espíritos sábios que o assessoraram, respeito à marcha evolutiva da humanidade rumo a um horizonte superior que se definiu como “um mundo de regeneração moral e social”.

Muito bem faz nossa Associação Espírita Internacional CEPA em conceituar o espiritismo como uma visão laica, humanista, livre-pensadora, plural e progressista, porque ela coincide cabalmente com o modelo de espiritismo pensado e sonhado por Allan Kardec, seu ilustre fundador e codificador.



A Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA – CEPABrasil completou 15 anos de atividades, no dia de 19 de outubro passado. Fundada em 2003, adotou até outubro de 2009 a sigla CEPAmigos. A CEPABrasil tem como objetivo reunir amigos e simpatizantes da CEPA residentes no Brasil, realizando atividades doutrinárias de estudos e difusão do espiritismo com base nas obras de Allan Kardec, sublinhando seu caráter livre-pensador, humanista, laico, plural, evolucionista e universalista.

Nestes breves quinze anos, foram realizados oito Fóruns do Livre-Pensar Espírita, pela ordem: João Pessoa (PB), Pelotas(RS), Guarulhos (SP), João Pessoa(PB), Fortaleza(CE), Porto Alegre(RS), Domingos Martins (ES), Salvador (BA), e quatro Encontros Nacionais, em: Itapecerica da Serra(SP), Bento Gonçalves(RS), João Pessoa (PB) e Fortaleza (CE).

A CEPABrasil foi presidida por Sandra Régis, Jacira Jacinto da Silva, Alcione Moreno, Homero Ward da Rosa e, atualmente, por Jailson Lima Mendonça.

Parabéns e muito obrigado a todos os amigos que participam com suas ideias, reflexões e sugestões, sendo presença constante nos espaços sociais e eventos da CEPABrasil e da CEPA. Vocês, amigos de todas as nacionalidades, constroem e fortalecem a união, a tolerância, a empatia e a alteridade em nosso pequeno e valoroso grupo de espíritas.

Amigos, espaços de convivência democrática não estão prontos; eles resultam do aprendizado, do esforço e do respeito às diferenças. Não pretendemos hegemonia, pois queremos continuar pensando, concordando, discordando, aprendendo e avançando… A experiência humana se alicerça em erros e acertos – mas é insubstituível.

Diretoria da CEPABrasil

Nova tradução de O Evangelho segundo o Espiritismo – português de Portugal

O Evangelho segundo o Espiritismo,
prefácio dos tradutores


O que é o Espíritismo?

Ideias colhidas em
“O que é o Espiritismo”
de Allan Kardec, 1859

 

“…O espiritismo funda-se na existência de um mundo invisível, formado pelos seres incorpóreos que povoam o espaço e que são as almas daqueles que viveram na terra, ou noutros planetas.
São os seres a que chamamos Espíritos, que nos cercam, exercendo sobre nós uma grande influência e desempenhando papel muito ativo no mundo moral…”
 “…o Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica.
Como ciência prática consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos; como filosofia, analisa todas as consequências morais que derivam dessas relações.
Podemos defini-lo assim:

“…é uma ciência que trata da natureza, da origem e do destino dos Espíritos, bem como das suas relações com o mundo corporal…”
 “…o Espiritismo, depois de se tornar conhecido, esclareceu grande número de problemas, até certa altura insolúveis ou mal compreendidos. O seu verdadeiro caráter é o de uma ciência e não de uma religião…”

“O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO” de Allan Kardec

Conforme está na capa da obra original, trata-se categoricamente de: “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO” e de forma nenhuma “o Espiritismo segundo o Evangelho”. Convém fixar esta ideia claríssima e conservá-la em mente, porque é fundamental.
Ou seja, em nenhum dos aspetos desta obra nos é apresentada uma versão do Espiritismo paralela ou diretamente derivada do conteúdo narrativo dos Evangelhos, exceto na parte subjacente que corresponde a ensinamentos de Jesus de Nazaré, coincidentes com o ensino moral dos Espíritos, esse sim, fonte legítima e atualizada do Espiritismo.

Portanto, para todos aqueles que têm este livro como uma aproximação tácita a uma conceção evangélica do ensino dos Espíritos, afirmamos redondamente que não é esse o significado que lhe atribuiu o seu autor ou as entidades espirituais que comunicaram os seus conteúdos.
A presença na obra de citações escolhidas dos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João destinam-se predominantemente à descodificação de fragmentos desses Evangelhos concebidos com o carácter de metáforas ou de parábolas, muitas vezes redigidos numa linguagem místico-alegórica, de situações que nem sequer poderiam ter sido vividas por Jesus de Nazaré.

Citamos apenas um exemplo, entre muitos que poderíamos mostrar: as cenas referíveis a tentações a que Jesus teria sido sujeito pelo próprio “diabo”, que inconcebivelmente o teria levado para o deserto para esse efeito.
Sabemos, pelo estudo da escala espírita que está incluída em “O Livro dos Espíritos” que Jesus, sendo um Espírito puro, estaria definitivamente acima dessa eventualidade, além de que a figura de “o diabo” é meramente teórica e que “o Inferno” não existe. Pela sua intensidade imaginária, episódios como este, tão totalmente fora da possibilidade real, têm sido expressivamente ilustrados, até em cinema e em vídeo, arrastando a equívocos de carácter lamentável.
Que fique bem claro, portanto, que as explicações dos capítulos que foram acrescentadas pelo autor de “O Evangelho segundo o Espiritismo” a cada conjunto de citações dos Evangelhos, explicam o verdadeiro sentido que lhes é associável no âmbito específico do ensino dos Espíritos.

O ENSINO DOS ESPIRITOS É BEM CONHECIDO DESDE A ANTIGUIDADE

O livro que apresentamos, logo no número IV da Introdução, inclui um resumo com algum detalhe de um fenómeno geralmente desconhecido e muito pouco discutido nas suas razões histórico-culturais: Sócrates e Platão percursores da ideia cristã e do espiritismo.
Esse interessantíssimo momento desta obra fornece uma detalhada referência que comprova que os princípios do espiritismo estão no arquivo dos conhecimentos da Humanidade há muito mais de vinte séculos.
Conhecimentos resultantes de muito numerosas trocas de impressões com os Espíritos, exatamente do mesmo tipo de comunicações que foram levadas à prática por Allan Kardec e seus colaboradores, já muito conhecidas nessas recuadas épocas da história da Humanidade.
 Esses conhecimentos tiveram condições para se implantarem numa vasta sociedade culta, com grande projeção civilizacional, informando os estudos de notáveis filósofos, grandes homens de ideias e até importantes e diferenciados sectores da sociedade.

Qualquer enciclopédia nos dará uma ideia bastante concreta de “pré-socráticos”, como Pitágoras, fundador da duradoura Escola Pitagórica, com notáveis estudos sobre a alma e a reencarnação e um numeroso grupo de discípulos que se projetou por séculos, em pleno coração da Antiguidade Clássica.

Chamamos a atenção para um simples detalhe, ainda relativo à obra de Platão. Da sua importantíssima obra “A República”, faz parte “O Mito de Er”, a narrativa de um fenómeno do mesmo género de experiências que na atualidade têm atingido notoriedade mundial, com milhões de exemplos registados, investigados em numerosos países com a designação de “EQM – Experiências de Quase-Morte” ou, em inglês, as conhecidíssimas “NDE – Near Death Experiences”.

O DESCONHECIMENTO DO FUTURO EVOLUTIVO – MOTIVO DE MEDOS E ANGÚSTIAS

Uma complexa ordem de transformações que colocaram termo à Antiguidade Clássica, fez com que o ensino dos Espíritos e a vasta zona de influência de que dispunha, tivesse sido irradiado das práticas socio-culturais e ideológicas de toda a sociedade organizada.
Os vestígios de toda essa imensa cultura, foram sendo implacavelmente combatidos pela que se foi instalando nas áreas de predominância dogmática.
Não tardaria que as pessoas que praticavam a mediunidade fossem presas e condenadas, como gente que praticava feitiçarias e “falava com o diabo”. Séculos e séculos duraram em que eram queimadas vivas, como gente maldita e cúmplices do demónio.
O espiritualismo teórico e prático, o conhecimento da vida depois da morte e a evolução da humanidade concebida pelo processo das vidas sucessivas, permaneceu largamente ignorado durante cerca de vinte séculos, que mergulharam no silêncio a consciência fundamental da sequência das vidas e das mortes.
Ao longo desse imenso lapso de tempo as desigualdades e os conflitos sangrentos tiveram a palavra mais pesada nas atitudes e dores da Humanidade, cujas nefastas sementes continuam a ser plantadas num
mundo ansioso e desigual, agora já com mais de sete mil milhões de almas.
A ignorância da verdadeira natureza, da origem e do destino dos Espíritos, fez com que se tenham generalizado culturas dominadas pelo materialismo mais violento, causador de desigualdades e conflitos, como bem registam os livros de História de vários continentes.
O medo da morte aflige uma grande maioria dos habitantes da Terra, trazendo a inquietação e a angústia, sobretudo para aqueles cuja morte se aproxima. Outra situação de dor e de incerteza é a perda de entes queridos, atingindo o falecimento de parentes na idade juvenil uma incompreensão dolorosa, muito difícil de entender, para além do negrume inexplicável da própria morte.

A VIDA DEPOIS DA MORTE – CONHECIMENTO AO ALCANCE DE TODOS

Na atualidade, o estudo dessas ideias, com elevado nível de aprofundamento e de provas experimentais muito sólidas está ao pleno alcance de todas as pessoas. Só depende de cada um de nós interessarmo-nos e desejar abordar esse estudo. Tem sido feito desse há muitos anos, como é de há muitos séculos, nas reuniões tidas com assistência de pessoas especialmente dotadas com o naturalíssimo sentido da mediunidade, em reuniões especialmente organizadas para esse efeito.

Desde fins do século XIX, começos do século XX já não foi só em reuniões geralmente confidenciais e muito recolhidas.

Já de há muito são feitas por médiuns muito conhecidos e prestigiados, sob os auspícios de investigadores de elevado nível académico, em instituições especializadas.
Estudos devidamente organizados por interessados conhecidos, que já não foram perseguidos pela medonha inquisição para serem torturados ou queimados vivos por… “falarem com o demónio”.
É fácil conhecer todo esse universo, está ao alcance de todos.

O ESTUDO ESSENCIAL E COMPLETO DA OBRA DE ALLAN KARDEC

Chamamos a atenção de uma ideia que se aplica a todos os escritos de Allan Kardec: não são obras para ler; as obras de Allan Kardec, são obras para estudar!…
Não é por uma simples leitura que se chega à compreensão adequada dos temas que devem ser articulados a partir da leitura da obra, relacionando conteúdos entre si, pelo estudo cuidadoso das outras obras do mesmo autor.
Chamamos a atenção para a importância fundamental da REVISTA ESPÍRITA, tão largamente ignorada.
Há estudos sobre as obras de Allan Kardec que fazem referências concretas a certas passagens da mesma, sendo possível ter acesso imediato aos trechos citados e respetiva interpretação através da sua abundante disponibilidade internet.

Sugerimos como base de dados muitíssimo completa, a visita de: https://kardecpedia.com/.

COMO E ONDE EXISTE O ESPIRITISMO

O espiritismo, se existe e merece nome, é construído por nós, na autonomia do nosso pensamento. É fruto da nossa condição de Espíritos sujeitos ao itinerário já percorrido, ansiosos por avançar honestamente na parcela da verdade que nos for permitido construir no território amplo e livre da nossa consciência.
Ler, estudar e pesquisar é fundamental, para que o nosso pensamento se encontre com ideias novas, diferentes, pesquisadas e descobertas por outros seres como nós, empenhados na sua própria evolução, suficientemente generosos na partilha.

Vivemos a vida material responsáveis por todos os nossos atos e pensamentos, solidários com todos os nossos semelhantes. Enquanto vivos a categoria de seres dotados de consciência autónoma e livre arbítrio, permite-nos todo o tipo de diligências de associação cultural.

Mas no momento do regresso à pátria espiritual, no voo livre pelo túnel palpitante que nos conduz à luz da paz infinita, vamos sós, levando connosco o que pensámos, dissemos e fizemos durante toda uma curta vida. São essas aquisições que nos guiam, frente a novos e magníficos desafios que se seguirão.

 

José da Costa Brites e Maria da Conceição Brites

Notas importantes:

Os autores da tradução desta e de outras obras de Allan Kardec têm seguido com muita atenção todos estes estudos, individualmente, em clima de total independência cultural e ideológica.
Seguem as suas próprias ideias e não são afetos a nenhum sector com diretrizes pré-definidas.
O nosso trabalho de investigação e estudo do espiritismo encontra-se à disposição de todos em fontes de consulta residentes na internet, entre elas: “palavraluz.com” e “espiritismocultura.com”.

Pessoalmente estamos totalmente disponíveis para depoimentos, observações e críticas, através do e-mail: espiritismo.cultura@gmail.com

 

 

 

A todos seguidores, visitantes e amigos

Praia da Nazaré, vista do Sítio, com horizonte de luz e gaivotas

Muito estimados seguidores, visitantes e amigos

A continuidade de publicações tem tido uma pausa que não significa desinteresse nem falta de atenção nem da Vossa parte nem da nossa.

Informamos que estamos (eu e minha esposa) profundamente empenhados no estudo e tradução das obras de Allan Kardec.

Há uma simpática e valiosa instituição espírita que fez o favor de solicitar os nossos serviços de tradutores e amigos, e estamos a prosseguir um tratamento muito atento do texto de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, para que apareça, logo que possível, disponível para os leitores de português de Portugal.

Entretanto temos à Vossa disposição as traduções de “O Livro dos Espíritos” e de “O Livro dos Médiuns”. 

A leitura paciente e metódica das obras de Allan Kardec deve ser um hábito de todos os interessados pelo estudo do decurso e da continuação da vida, fenómeno que faz de todos nós entidades privilegiadíssimas no contexto da prodigiosa CRIAÇÃO.

Só o estudo atento da continuidade da VIDA nos sucessivos episódios da sua esplendorosa EVOLUÇÂO pode conferir sentido profundo e riquíssimo de toda a sequência diária das existências.

A leitura continuada e muito atenta de todas as obras de Allan Kardec, apesar da sua relativa antiguidade, fornece-nos palavra por palavra, linha a linha e página a página, conhecimentos importantíssimos muito úteis para compreender com muito entusiasmo o fenómeno das nossas vidas, a riqueza da nossa convivência solidária e qualificada com todos os nossos semelhantes, a caminho da paz, da solidariedade activa e da inteligência criativa que só a civilização espiritualizada e caridosa pode permitir.

As nossas melhores saudações a todos

INSCREVAM-SE COMO SEGUIDORES, PARTILHEM AS NOSSAS PUBLICAÇÕES, RECOMENDEM AS NOSSAS TRADUÇÕES E SEJAM MUITO FELIZES NO DIA A DIA, COM TODO O OPTIMISMO, CONFIANÇA NO FUTURO E ALEGRIA DE VIVER!…

E VIVA DEUS!…

Painel de azulejos presente na capelinha do mirante no Sítio da Nazaré.

Nova tradução de “O Livro dos Médiuns” em português de Portugal


Prefácio dos tradutores

Achámos fundamental redigir este prefácio, primeiro para dar o devido relevo a uma obra que, embora escrita numa linguagem e com argumentos fortemente datados, continua a ser da máxima importância para a configuração da cultura a que diz respeito, que tem sido pouco estudada e ainda menos seguida cuidadosamente nos princípios que enuncia.
A nossa tradução de “O Livro dos Médiuns”, da mesma forma como dissemos no prefácio de tradutores de “O Livro dos Espíritos”:
…resulta da imensa admiração e respeito que temos pelo ensinamento dos Espíritos, na forma que foi metodicamente organizada por Hipólito Leão Dénisard Rivail, aliás Allan Kardec.
Confirmando as intenções que nos animaram quando começámos a traduzir Kardec, repetimos que “… se destina tanto a leitores espíritas como não espíritas… dando a conhecer as condições essenciais para aceder à mensagem da obra e aos seus ensinamentos.”

Sendo este livro o desenvolvimento da vertente científica do espiritismo, sentimo-nos agora obrigados a dirigir a nossa palavra às pessoas que têm assumido a nobre tarefa de possibilitar a “comunicação dos Espíritos com o mundo material”, tal como foi afirmado na conhecida definição da autoria de Allan Kardec.

“O Livro dos médiuns”, aquele que ensina a aprender com os Espíritos

A base do entendimento dos valores da mediunidade está no edifício de conhecimentos que nos foi deixado por Allan Kardec, mensagem exemplar que podia e devia ter continuado a evoluir usando os métodos e critérios por ele mesmo instituídos.
Sobretudo aqueles que têm o privilégio de falar pelos Espíritos, na nossa opinião, nunca deveriam ter abandonado a pesquisa mediúnica, abrindo cada vez mais o património das informações sobre as vidas depois das vidas, tendo em atenção aquilo que está claramente delineado em muitas das páginas deste livro.

É, pois, urgente, relançar as perspetivas da filosofia que nos legou Kardec, com a ajuda principal do ensino dos Espíritos e com raízes no pensamento da religião natural, configurada antes por filósofos e homens de cultura como Immanuel Kant, Jean-Jacques Rousseau e seus sucessores e discípulos.

Coroando esta ideia, citamos de seguida palavras de Sandro Fontana, inseridas no texto de abertura da Revista Ciência Espírita, Edição 7 de Março de 2016, onde é referida a importância do Controlo Universal do Ensino dos Espíritos (CUEE), tão fundamental para Kardec e, por vezes, tão esquecido nos nossos dias:

“É de conhecimento básico do espiritismo que a mediunidade é o seu principal “agente”, ou seja, sem a mediunidade não existiria o espiritismo, principalmente porque a fonte base de informações é proveniente do trabalho beneficente dos médiuns; afinal, são eles quem transmite a informação proveniente do mundo espiritual.

Também é de conhecimento geral espirita que, “a opinião de um Espirito é somente uma opinião”, sendo assim esse pressuposto garante que um Espirito, ao comunicar, está passando as informações que lhe são tangíveis baseada nas suas próprias perceções e seu grau evolutivo.

Tanto é assim que Kardec elaborou um método que “cruzava” informações de vários médiuns e espíritos para poder chegar a alguma conclusão sobre um assunto ou tema, lembrando que isso nunca foi, nem deve ser definitivo, como muitos idólatras e dogmáticos pretendem, isso porque a conclusão final ainda é humana e condicionada ao tempo do observador/pesquisador, que é limitado.

Então, se toda a fonte básica de conhecimento (e ajuda em muitos casos) é proveniente da mediunidade, por que motivo os Centros Espiritas limitam o desenvolvimento mediúnico?

A Humanidade, como nunca, à beira de compreender factualmente a vida depois da morte

A conceção intelectual do espiritismo foi uma extraordinária realização, se atendermos à época em que foi concretizada, com imensa dedicação intelectual e desprendimento pessoal de Allan Kardec, que não quis ser fundador nem dirigente de qualquer movimento instituído. Levava o seu sentido da tolerância até aos limites, sem qualquer desejo abusivo de poder.

A leitura das suas obras, deste “Livro dos Médiuns” e de todos os conteúdos da Revista Espírita, é ainda hoje surpreendente, quer sob o ponto de vista filosófico e científico, a que hoje ─ muito mais do que há um século e meio de distância – vastas áreas da cultura científica se vão rapidamente abrindo.

O espiritualismo científico – uma cultura em explosiva transformação

Julgamos não ser necessário reunir argumentos detalhados para demonstrar a evidência deste subtítulo. A explosão citada diz respeito ao esclarecimento da vida depois da morte em praticamente todo o mundo, no contexto das imensas facilidades que os meios de comunicação nos oferecem e da crescente intervenção de cada vez mais qualificadas entidades de pesquisa. Vamos por partes.

Visitas ao “céu”, com direito a receção e outros detalhes fantásticos…

Há vários domínios da evolução da Humanidade que têm dado passos de gigante na aprendizagem da natureza, da origem e do destino dos seres vivos, sendo de referir em especial o aparecimento – propiciado pelo desenvolvimento técnico-científico dos métodos de ressuscitação – das chamadas “experiências de quase-morte”, as EQM, referidas em inglês como “Near-Death Experiences” − NDE’s.
O número das pessoas que já referiram ter vivido tais experiências – por todo o mundo – conta-se por muitos milhões, em rápida expansão. Muitos dos depoimentos que chegam agora ao nosso conhecimento derivam de fenómenos decorridos há dezenas de anos, visto que estão a ser vencidos os preconceitos e as inibições em falar abertamente sobre esse tema.
Um dos argumentos que confere especial credibilidade à solidez das suas perceções é o facto de serem todas essencialmente semelhantes umas às outras, seja qual for a língua, a cultura e a localização geográfica dos protagonistas.
Os meios internacionais de comunicação e um já larguíssimo número de instituições de pesquisa, a nível mundial, revelam que esses factos são a porta aberta para uma nova visão da vida e da sua continuação para além da morte, apesar de não serem nem novos nem recentes, havendo relatos de tais acontecimentos há já muitos séculos, originários de praticamente todas as grandes culturas.
O despertar do nosso interesse por esses fenómenos data de há mais de vinte anos, e foi em 2013 que publicámos, na internet, uma análise das principais facetas dos depoimentos respetivos, conotando-os com os ensinamentos que nos foram deixados por Allan Kardec:
É favor consultar a página: https://palavraluz.com/2019/12/29/ndeeqmesp-2/

Esses fenómenos, no entanto, são muito antigos…

Afirmámos acima a perenidade no tempo das “Experiências de Quase-Morte”, sendo muito conhecido “O mito de Er”, um dos exemplos mais remotos que se podem referir, contado por Platão no Livro X de “A República”.
Trazendo essas referências para mais perto de nós referimos seguidamente temas da autoria de Kardec que mencionam a ocorrência desses factos, que não tinham ainda adquirido as modernas designações e siglas respetivas.
O primeiro caso foi publicado em 1858, no ano inaugural da Revista Espírita, no mês de Setembro: “Conversas familiares de Além-Túmulo”, em que o fenómeno narrado na América acerca duma Senhora Schwabenhaus foi designado por Allan Kardec como um episódio de “letargia estática”.
Outro exemplo pode ler-se em “O Céu e o Inferno”, Segunda Parte – Exemplos; Capítulo III – Espíritos em condição mediana; Senhor Cardon, Médico; e que também foi publicado na “Revue Spirite” de Agosto de 1863/Conversas familiares de Além-Túmulo; Monsieur Cardon, médico, morto em Setembro de 1862.
Sugerimos a leitura destes dois casos, que não transcrevemos aqui devido à sua extensão. Sobre o Mito de Er é muito fácil encontrar referências concretas disponíveis nas Enciclopédias da Internet.

A grande obra de Allan Kardec, vítima de maus continuadores

Hipólito Leão Denisard Rivail foi um cidadão francês do século XIX, especialmente notável pela sua capacidade de organização intelectual, embora não pertencesse às camadas socialmente privilegiadas dessa época, o que lhe granjeou um perfil cívico e intelectual especialmente notável.
Tendo sido convidado por conhecidos e amigos, a sistematizar o resultado de certas pesquisas mediúnicas que tinham levado a cabo, acabou por aceitar, embora se tivesse declarado à partida muito cético relativamente a toda a matéria que lhe foi proposta.
Foi penetrando no estudo do tema até se ter convencido – pela evidência natural e óbvia dos fenómenos apresentados para estudo – de que era matéria muito importante e merecedora da sua total dedicação.
Nos últimos onze anos da sua vida entregou-se generosamente a essa tarefa tendo deixado atrás de si um importantíssimo património de estudos e observações que constitui o que conhecemos como “espiritismo”.
Não é de estranhar que, após o momento em que faleceu, repentinamente e, pode dizer-se, por exaustão, o escasso número de apoiantes dedicados e coerentes não teve a capacidade de manter ativa e segura a instituição que ele tinha estruturado, e dar continuidade ao trabalho de defesa e promoção das ideias espíritas.
Esse fenómeno acontece, quase por via de regra, com todos os movimentos de transformação profunda da sociedade, sendo todas as alterações positivas combatidas e desvalorizadas pelos seus detratores. Com o espiritismo também isso aconteceu, e foi Pierre-Gaëtan Leymarie que tomou conta dos destinos da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e operou uma enorme quantidade de oportunismos deformadores das ideias que inspiravam Kardec.
Todas essas modificações abusivas, de desvalorização cultural e científica do espiritismo, conduziram ao seu desprestígio e quase esvaziamento, em França.
Tendo sido levado para o Brasil, por intelectuais muito sérios e bem informados, foi institucionalmente condenado, logo de início, à sua desfiguração, pela adoção de alguns princípios antagónicos das ideias promovidas por Allan Kardec.
Esse foi um dos problemas que apoquentou muitíssimo o desenvolvimento e a unidade dos grupos de interessados no espiritismo, sendo legítimo e da maior utilidade não manter ignorado esse problema pelas suas nefastas consequências, cuja origem e desenvolvimentos são bem conhecidos em Portugal e no Brasil.
Felizmente, 160 anos depois, está em marcha, no Brasil, um vigoroso movimento de recuperação da autenticidade espírita. Várias equipas de trabalho, de pessoas bem qualificadas para o efeito, têm em mãos documentos da época, incluindo grande número de escritos originais redigidos por Allan Kardec, até aqui inteiramente desconhecidos. Essas equipas estão a trabalhar para dar acesso, na sua totalidade, à verdadeira versão do espiritismo proposta por Allan Kardec.

Sugestões para a leitura de “O Livro dos Médiuns”

Também aqui vamos referir algumas ideias que inserimos no prefácio dos tradutores de “O Livro dos Espíritos”.
“…Para quem começa, este não é um livro para ler de empreitada, como uma peregrinação e, muito menos, como uma penitência. Alguns conselhos que aqui registamos aumentarão a recetividade de muitos leitores, dando-lhes a exata noção do que vão encontrar pela frente…”
“…O leitor deve ter a liberdade de procurar inicialmente no livro o que mais lhe interessar, lendo por aqui e por ali os temas mais apetecíveis. Poderá, para esse efeito, consultar primeiramente o Índice.
Leia e releia com atenção o que achar mais válido e interessante.…”

Estas sugestões de leitura têm o propósito de não vincular o leitor a uma leitura demorada de uma obra que não foi redigida de acordo com as modernas técnicas de comunicação e na qual, o seu autor, se dirige a sectores de opinião enfronhados na cultura dessa época, hoje em dia completamente ultrapassada.

Traduzir é escrever tudo de novo, amar como quem dá à luz

Temos lido Kardec com a máxima atenção, usando o conhecimento da língua francesa que, no tempo da nossa juventude, era a segunda língua mais estudada, por ser, como o português, de origem latina, e por ser oriunda de um país de vasta cultura, de onde nos veio – sem ser por acaso – a grande cultura espírita.
Entregámo-nos de início ao trabalho de tradução com o objetivo principal de desvendar com minúcia o significado de cada página, de cada frase, de cada expressão e de todas as palavras, uma a uma. Quando acabámos a tradução do primeiro livro – “O Livro dos Espíritos” – não tínhamos a mínima ideia de podermos um dia tê-lo na nossa mão, impresso em papel como qualquer outro livro.
Serve isto para dizer que, para nós, o principal objetivo − ler o livro com atenção de minúcia e pleno entendimento − estava plenamente alcançado.
Quanto à tradução que foi feita, deu-nos coragem para continuar traduzindo Kardec, maneira excelente de o ler com a máxima penetração que nos é possível.
Após a tradução da primeira obra, já aspiramos ver completa a conclusão dos seus principais cinco livros.
Se Deus nos der vida e saúde, gostaríamos ainda de fazer uma tradução antológica de textos da Revista Espírita, que temos amplamente explorado, visto que é fundamental para instalar devidamente a noção completa do espiritismo edificado pelo nosso grande e íntimo amigo Hipólito Leão, generosamente ajudado pelos Espíritos superiores.

Sonhar é fácil e ninguém pode levar-nos a mal que sonhemos.

Porque também temos filhos e netos, esse é apenas um dos nossos principais desejos!…

E que Deus nos ajude a todos.

Para ter acesso ao PDF com a obra acima indicada, é favor clicar sobre a imagem da capa

Apresentação do Cercle Spirite Allan Kardec, de Nancy / França

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Há já muitos anos que visitamos o site do Cercle Spirite Allan Kardec, que conhecemos os seus principais expoentes e a sua extraordinária tarefa em favor da cultura espírita.
Lemos livros que estão publicitados na sua livraria, muitos textos publicados na internet, nos diversos sites que tem em França e no seu forum e sobretudo, temos tido a possibilidade de acompanhar a imensa riqueza que vem sendo publicada há vários anos no seu Journal Spirite.
É costume ouvir dizer que o espiritismo decaiu em França desde o falecimento de Allan Kardec, sendo de lamentar o facto que tenham sido exatamente os seus compatriotas que deixaram esquecer o seu precioso património de conhecimentos e de ideias.
No que nos diz respeito, consideramos que em França – sem desprimor para outras entidades igualmente ativas na divulgação e no estudo do espiritismo – o profundo conhecimento dessa cultura e dessa atitude do intelecto e do conhecimento humanos estão magnificamente representados pelo Cercle Spirite Allan Kardec.
O que se passa é que em França, como em muitos outros países, determinantes insondáveis relacionadas com o próprio desenvolvimento das pessoas, muitos fatores se têm conjugado para que a Humanidade permaneça distante do interesse ativo e esclarecido de fenómenos que nos determinam de forma transcendentemente complexa.
A atenção, apreciação e o estudo de todo o imenso saber e de toda a dinâmica de intervenção cultural que caracterizam o Cercle Spirite Allan Kardec pode abrir, a todos nós, uma nova e extraordinária perspetiva da vida e do mundo, isto é, da magnífica transcendência da natureza, da origem e do destino de toda a criação.

Teríamos muitíssimo gosto em poder apresentar todo este manancial traduzido em português. De todo o trabalho que aqui temos apresentado constam trabalhos importantes, originalmente escritos noutras línguas estrangeiras. Mas essa tarefa, pela sua extensão, ser-nos-ia impossível de realizar. Confiamos mesmo assim que o francês, por ser uma língua que nos é muito próxima pelas suas origens e pelo seu desenvolvimento cultural, seja do conhecimento de um vasto número dos nossos visitantes de língua portuguesa.

Le Cercle Spirite Allan Kardec

http://www.spiritisme.com/

A la rencontre des espritsLes premières séances spirites qui furent à l’origine du cercle remontent à 1974. L’association fut créée en 1977 à Nancy sous l’appellation « Cercle Spirite Allan Kardec ». Elle s’est donnée pour buts, d’une part, de poursuivre les expériences de communications avec les esprits, et d’autre part, de promouvoir une large diffusion de la pensée spirite.

Après plusieurs décennies de dérives religieuses, ésotériques et commerciales du spiritisme en France, le cercle assure un renouveau, dans le sens philosophique et non religieux d’une actualisation indispensable face aux avancées de la science et aux transformations de la société.

Un cercle spirite est une structure appropriée dans laquelle les médiums peuvent exercer et développer leurs facultés en toute sérénité, en évitant les écueils et les dangers inhérents à une pratique empirique et hasardeuse. La communication avec l’au-delà fait intervenir plusieurs types de médiumnités qui sont pratiquées dans notre cercle : l’incorporation, l’écriture automatique, les médiumnités artistiques (peinture, sculpture, musique), le oui ja et le sommeil magnétique.

Sont développées d’autres facultés, non médiumniques comme la clairvoyance, la psychométrie, la psychokinèse, la radiesthésie, l’hypnose et le magnétisme.

Le cercle compte plus de 50 magnétiseurs ; certains d’entre eux sont responsables des cellules de soins magnétiques ouvertes au public, dans les villes où le cercle est représenté : Nancy, Paris, Besançon, Belfort, Montpellier, Toulouse et Lyon. L’association compte des adhérents à part entière, des membres sympathisants et des abonnés à la revue trimestrielle Le Journal Spirite.

 

Esta apresentação está substancialmente desenvolvida em duas notícias publicadas noutra das nossas páginas dedicadas à cultura espírita:

Cercle Spirite ALLAN KARDEC – Nancy / França
A magnífica revista do CENTRE SPIRITE ALLAN KARDEC

 

 

Uma epidemia nova num tempo diferente

A Humanidade já foi numerosas vezes atacada por epidemias, terríveis ameaças à vida de muitas pessoas. As mesmas dificuldades, o medo e o desespero visitam-nos mais uma vez, mas de uma maneira nova e diferente.
Entretanto, os efeitos da doença em si, a nível global, não são de proporções muito elevadas perante gravíssimos problemas aos quais a sociedade continua indiferente.
O número das pessoas que diariamente são vítimas da FOME por todo o mundo é LARGAMENTE MAIS ELEVADO que o número de vítimas desta epidemia.
Com a diferença de que as grandes fomes e as carências de justiça e fraternidade são de todos os tempos e têm podido sobreviver a todas as epidemias.
O número de pessoas transtornadas e feridas por tudo o que há de mau na GUERRA e nos seus múltiplos sucedâneos, É MUITO MAIS GRAVE E DOLOROSO que todo o desarranjo causado por esta epidemia.
As vítimas da FOME e da GUERRA, fazem parte duma naturalidade aparente e estão reduzidas ao silêncio. Estão longe, ninguém as vê.

O que tem de diferente a nova epidemia é estar a desenvolver-se muito perto das pessoas que sabem ler e ocupam lugares confortáveis nas chamadas “civilizações Ocidentais” (com maiúscula!).
Entretanto, só tem aparecido como enormemente diferente, porque tem a possibilidade evidente de transtornar radicalmente o sistema económico da maioria dos países do mundo.
Caiu sobre nós de um instante para o outro e já encerrou um número incontável de empresas e lançou grande número de trabalhadores no desespero da falta imediata de recursos, em sociedades nas quais a capacidade de sobrevivência sem dinheiro é praticamente nula.
Nas ruas e lugares frondosos dos países civilizados não estão plantadas bananeiras às quais possamos subir, para colher grátis um cacho de bananas, que possamos comer durante uma semana, como acontecia em grandes áreas do mundo, em que a vida das pessoas pôde continuar com grande escassez de meios.

NO SISTEMA ECONÓMICO E NO DINHEIRO, AÍ SIM, É QUE RESIDE A ALMA AFLITA DESTA CRISE.

Visitem por favor as estatísticas das vitimas das principais guerras por todo o mundo e comparem. Façam o mesmo em relação com o número aproximado dos que passam e morrem de fome no mundo inteiro, e verão onde quero chegar.
Uma pobre mulher vestida de negro, falando algures num país devastado pela guerra, dizia num noticiário que, se a morte lhe chegasse pelo vírus, seria bom, porque poderia finalmente descansar desta vida.
O vírus desta epidemia, contudo, parece ter a ductilidade suficiente para não matar só mulheres de negro em países onde persiste a angústia de crónicas rebeliões armadas.
Por isso é tão temido no Ocidente (com maiúscula…) onde ninguém esperava por uma coisa assim.
Vou continuar a falar aqui da vida depois da morte, na paz de espírito dos cidadãos sem história que não fazem noticiários, mas olham sem medo o mundo inquieto.
Esperamos com paciência e fé que os homens, de uma vez por todas, resolvam dar-se as mãos, construindo a verdade e a justiça em paz, num mundo de igualdade e de confiança.
Nesse, mesmo que apareçam epidemias, tudo deverá ser muito mais fácil de resolver. Por existirem vacinas muito boas?
Não. Porque haverá fraternidade para tratar toda a gente com o mesmo amor diligente que une aqueles que são da mesma casa e da mesma família.

Conclusão:
É sabido que uma pequena percentagem dos orçamentos militares do mundo poderia irradicar a pobreza e resolver outros problemas centrais das sociedades humanas, caso houvesse vontade e coragem para tomar essa decisão.
Pensemos agora o que seria possível fazer deste planeta e de todas as suas populações se fosse possível acabar com a corrida aos armamentos e se se utilizassem todos esses milionários orçamentos em benefício do bem estar, da cultura e  da educação, em benefício da paz e do progresso moral da Humanidade!…

 

Autor: CB

“…navegar é solitário e cansa-se o navegante à medida do silêncio
da esperança do mar
do ardor da viagem
não se cansa não”

Espiritismo – Capítulo 01

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Querer explicar:

A razão de existirmos;
O funcionamento da realidade;
O sentido da vida e o seu aperfeiçoamento
é um objectivo bastante difícil…

As primeiras noções que recebi do ESPIRITISMO causaram-me a impressão de que – com o esclarecimento dessa visão do mundo – era possível encontrar a resposta clara para essas três questões cruciais. Por outro lado produziram em mim um tão enorme entusiasmo e uma tão grande fé e confiança no futuro, que me atrevo a vir aqui divulgar uma visão breve e simplificada do mesmo.
Não se trata de apresentar uma nova religião com rituais, clero hierarquizado, dogmas e ortodoxia, mas sim de esquematizar: uma cultura abrangente com carácter filosófico, método científico e objectivos morais.

PRIMEIRA NOÇÃO ESSENCIAL

O espiritismo baseia-se no conhecimento do contacto com o mundo dos espíritos, ou seja, na COMUNICAÇÃO COM O OUTRO LADO DA VIDA, numa abordagem cultural integralmente liberta de  dogmatismo.
Essa comunicação efectua-se, conforme o que está dito mais abaixo, através de um sentido especial de que só são dotadas certas pessoas, o sentido da MEDIUNIDADE.

A dificuldade em entender as características desse sentido especial resulta do facto de ser, ainda assim, bastante raro. E não é compreendido pela maioria, da mesma forma que não poderíamos entender o sentido da vista se fossemos cegos, ou o da audição se fossemos surdos.
Por falta de esclarecimento há até muitas pessoas que possuem esse dom e não têm consciência disso.
Sofrem de certas perturbações, por serem dotadas com o dom da mediunidade e andam a tomar comprimidos receitadas por psiquiatras SEM NECESSIDADE NENHUMA, sendo até prejudicadas por causa disso.

Se procurarem aconselhamento junto de pessoas conhecedoras (ver esclarecimentos mais adiante) poderão evitar tais problemas, visto que a mediunidade é um sentido como a vista ou o ouvido e se enquadra perfeitamente:
– nas LEIS DA NATUREZA;
– na realidade espiritual vivida por muitíssimas pessoas ao longo dos séculos e que permaneceram longe do estudo e do esclarecimento devido às mais diversas razões:

As religiões oficiais são sistemas DOGMÁTICOS de poder fortemente hierarquizado, sujeitam as pessoas a normas rígidas de rituais que se repetem sem esclarecimento concreto da realidade das coisas.
A sua acção tem-se mantido ao longo de séculos, reduzindo a noção de Deus a fórmulas acanhadas de visão quase antropomórfica, que tem conduzido inúmeros fiéis à descrença, quando não ao ateísmo.
Para esclarecer de modo elevado este tema recomendo a leitura da obra “Depois da Morte” de Léon Denis, senão por inteiro, pelo menos a primeira parte “Crenças e Negações”.
A ciência materialista e académica, de costas voltadas para a transcendência do Espírito,  a seu modo também inteiramente DOGMÁTICA, só aceita aquilo que vêem os olhos do corpo, aquilo que pode pesar-se numa balança ou que pode manipular-se na mesa dum laboratório, ignorando – ou fazendo orelhas moucas – ao facto de que toda a estrutura do espiritismo passa por uma abordagem com carácter científico,  fundamentado no método observativo e na experimentação aferida com toda a isenção e critério intelectual.

Em que é que se baseia o espiritismo?

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O espiritismo baseia-se fundamentalmente no conhecimento, devidamente metodizado há cerca de 160 anos, em Paris, por Hippolyte Leon Dénisard Rivail (aliás Allan Kardec) – Vidé também o Capítulo II – depois de estudados e coligidos os resultados de inúmeros contactos estabelecidos com o MUNDO DOS ESPÍRITOS, por intermédio de pessoas dotadas dos necessários dotes mediúnicos para esse efeito.

  • A colheita desses testemunhos não foi feita ao acaso, mas sim com metodologia aferida pelos mais rigorosos moldes de honestidade intelectual e o acompanhamento de observadores independentes;
  • resulta da convergência de multiplicidade de tais depoimentos feitos em lugares diferentes, através de individualidades que nada sabiam umas das outras e em ocasiões diferenciadas no tempo;
  • Muitas dessas comunicações tinham essencialmente propósitos de carácter informativo/formativo de importância universal e são compagináveis com a ciência e com os métodos de observação das LEIS DA NATUREZA;

Outras comunicações mediúnicas, que continuam a decorrer nos autênticos e legítimos Centros Espíritas de todo o mundo, são efectuados com propósitos de auxílio moral, esclarecimento de problemas sensíveis e solidariedade espiritual COMPLETAMENTE LIVRES DE PAGAMENTO MONETÁRIO.
Fique perfeitamente entendido que, nos autênticos e devidamente credenciados Centros Espíritas tais trabalhos são movidos com exclusivo objectivo de SOLIDARIEDADE FRATERNA, tendo produzido em imensidade de casos efeitos comprovadamente úteis para as pessoas neles participantes, de acordo com os mais honestos, concretos e comprováveis testemunhos.

Ainda a respeito da mediunidade:

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Tal faculdade, na grande maioria das pessoas, resulta apenas – o que já é muito
– numa percepção subentendida de coisas que connosco se passam (e que tantas vezes acabamos, inconscientemente, de designar como o nosso “6º sentido”):
– numa intuição secreta e disfarçada,  de causas e efeitos de que não temos consciência plena, mas que nos afectam seja de que maneira for.

O “psicológico”, a tristeza ou a alegria, os sentimentos depressivos, as quebras de ânimo, os entusiasmos ocasionais, a tão celebrada “inspiração” que nos anima, por vezes, são o combustível de acção e intervenção das pessoas sensíveis, dos artistas e criativos e de quase todos nós, de uma maneira ou de outra.
Tudo isso se encontra dependente desse território desconhecido a que continuamos ligados sem o saber, que não controlamos, mas que nos condiciona de muitas e variadas maneiras.
Nos casos das pessoas em que a MEDIUNIDADE é mais explícita e – melhor ainda – nos casos em que é orientada e estudada de modo cultural e cientificamente adequado, é uma ferramenta importante para conhecer coisas fundamentais, instrumento de intervenções de solidariedade e auxílio precioso, esclarecendo o verdadeiro destino do homem, o lugar e as circunstâncias de que derivamos e o caminho que nos resta percorrer.

Apresentação desta versão resumida do espiritismo:

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Este trabalho irá ser desenvolvido em capítulos sucessivos que irão sendo publicados aqui.
Escrito como está, corresponde àquela conversa sossegada e íntima que gostaria de ter com toda e qualquer pessoa que desejasse ouvir-me.
Lembrei-me de a escrever pensando num grande amigo que fez o favor de ter comigo uma conversa semelhante, mas sem ser por escrito: o Senhor Joaquim Inácio Zapata de Vasconcelos, tipógrafo, músico ensaiador do meu naipe no Orfeão de Leiria, o dos segundos tenores, há uns bons 60 anos!…
Considerem, por favor, que se trata de uma conversa entre amigos, ultrapassando a dificuldade formal e a extensão de alguns cursos de qualidade que existem na internet. Críticas e comentários, agradecem-se.

Ideias essenciais deste Capítulo:

Allan Kardec definiu o Espiritismo como sendo:
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“…uma ciência que trata da natureza, da origem e destino dos Espíritos, e das suas relações com o mundo corporal”.
“É ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que decorrem dessas relações”.
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In: “O que é o Espiritismo”, de Allan Kardec
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Espiritismo – Capítulo 02

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O segundo capítulo desta nossa conversa vai tratar de dois assuntos:
I A REENCARNAÇÃO; por ser um aspecto fundamental de toda a razão de ser da ciência de observação que também é doutrina filosófica com consequências morais que se chama espiritismo.
II A construção metodológica do espiritismo da autoria de ALLAN KARDEC ; por ser um dado histórico já mencionado no Capítulo I.

I A REENCARNAÇÃO

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A reencarnação é o conceito de que o espírito, como princípio inteligente dos seres, vai acumulando experiência e conhecimentos, vai-se aperfeiçoando intelectual e moralmente, não apenas na fugaz oportunidade de uma existência neste mundo através do seu corpo, veículo material – cuja associação forma aquilo que os espíritas designam como alma.

O espírito regressa todas as vezes necessárias para que se enriqueça e alcance os necessários dotes da inteligência e as qualidades morais que lhe permitam avançar para outros horizontes de perfeição iluminada.

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O corpo físico, veículo transitório da eternidade do espírito
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O corpo físico, nessa ordem de ideias, não passa de um meio transitório, com durabilidade dependente de factores os mais diversos – inclusive dos que dependem de acidentes que ocorrem por aparente fatalidade.
O progresso dos Espíritos processa-se, sempre no sentido ascendente, isto é sem regressões, até um ponto de aperfeiçoamento que os liberta da sucessão das vidas.
Desses Espíritos (e usamos aqui o critério do uso de maiúsculas esclarecido por Allan Kardec em “O Livro dos Espíritos”), só regressam à vida aqueles que, por generosa abnegação, se dispõem – de acordo com decisões tomadas a níveis superiores – a servir de guias orientadores da humanidade que habita este nosso mundo que é caracterizado, na hierarquia respectiva, como mundo de “expiação e de provas”.
Este é o caso do planeta Terra, entre o incontável número de mundos igualmente habitados por todo o Universo, cada um deles servindo a seu modo, de conformidade com o seu nível, os desígnios do Criador,

“…A doutrina da REENCARNAÇÃO, que consiste em admitir para o ser humano muitas existências sucessivas, é a única que corresponde à ideia que fazemos da justiça de Deus, para com os que se encontram colocados numa condição moral inferior, a única que pode explicar o nosso futuro e fundamentar as nossas esperanças, dado que nos oferece o meio de redimir os nossos erros através de novas provas. A razão assim nos diz, e os Espíritos nos ensinam.…”
In “O Livro dos Espíritos” comentário de Allan Kardec à pergunta 171..

Sem admitirmos a REENCARNAÇÃO, nada faz sentido no mundo e na natureza das nossas vidas como consequência inteligente de uma causa inteligente que garanta a todos os seres um futuro de evolução e aperfeiçoamento em condições de perfeita igualdade.

O espiritismo serve-se da sua cultura, e do exercício da mesma, para comprovar – mediante a “ciência de observação” que de facto é – essa antiquíssima teoria, comum a uma grande variedade de concepções históricas do mundo e da vida, inclusivamente a que vigorava na contemporaneidade de Jesus e que se manteve nos “textos sagrados” até ao segundo Concílio de Constantinopla no ano 553 e de onde foi retirada por determinantes ilegítimas que conduziram à adulteração dogmatizante da mensagem de Jesus de Nazaré.
O espiritismo não inventou a reencarnação, cujo conhecimento é tão antiga como a Humanidade.

Aliás, também o sentido orgânico da mediunidade é um fenómeno natural familiar e utilizado pelos mais diversos povos de todo o mundo desde a noite dos tempos.

Ambos são elementos de fundamentação e de prova da vida depois da morte, da pluralidade das existências – ou reencarnação, isto é, dos fundamentos principais da natureza e do funcionamento do mundo material e do mundo espiritual, e da interacção entre ambos.

A evolução de estudos conduzidos por todo o mundo a respeito da reencarnação e o alargamento dos conhecimentos científicos a seu respeito, já fizeram com que ingressasse na área de investigações académicas em importantes institutos científicos e universitários não-espíritas.
Dessa realidade, crescentemente tratada e divulgada em variadíssimos círculos já temos dado conhecimento nestas páginas.

A doutrina da criação da alma no instante do nascimento

De acordo com algumas concepções religiosas conhecidas, a alma é criada no instante do nascimento dos indivíduos, dando a uns o destino de imperadores, a outros o de pedintes; a uns a categoria de intelectuais de valor, a outros a de analfabetos
Algumas pessoas têm prestações excelentes e gloriosas, de acordo com a sua inteligência superior, outros arrastam-se na carência de meios e na inferioridade moral. Uns são abnegados e justos, outros arrogantes e desrespeitadores, praticamente desde a mais tenra idade. Como se o Criador tivesse como método natural criar almas de primeira, de segunda, etc.

A desigualdade de destinos que isso pressupõe, ao fim de apenas uma existência terrena, às vezes muito curta e muito acidentada, não é compreensível perante as perspectivas de evolução equivalente a que todas as pessoas têm direito.

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A admissão de apenas uma existência também não explica um grande número de factos notáveis da nossa mente, como as pré-aquisições, a memória intuitiva de factos inexplicáveis, a sensação do “momento já vivido”, as crianças prodigiosas que nascem com dotes surpreendentes e impossíveis de enquadrar na realidade simples e toda a infinita assimetria de capacidades e particularismos das condições de vida de cada um.

A intuição sensível dos artistas e o “pecado original”

Dos génios pintores e poetas, por exemplo, toda a gente entende que a sensibilidade e os saberes que tão bem dominam não foram “aprendidos” em lado nenhum. Há visões e percepções na criação artística que surgem “naturalmente” NÃO SE SABE DE ONDE.
Todas essas realidades como muitas outras que dizem respeito à natureza intuitiva da Humanidade, às suas qualidades sensíveis e à sua profunda memória, em evidência em todos os seres, mesmo nas crianças de tenra idade, se encontram devidamente explicadas e justificadas no contexto de justiça e de igualdade de direitos que pode entender-se considerando a tese da sucessão das vidas ou da pluralidade das existências.
O que seria do ser humano, do seu génio, da sua criatividade, do seu desejo de futuro e de progresso, se todos fossemos criados a partir do nível zero de conhecimentos, de sensibilidade e de memória afectiva e cultural?
E a maldade, o vício e a violência, perguntará o leitor. Sim tudo isso faz parte do Universo criado e das contingências dependentes do ilimitado e consciente livre arbítrio de que fomos dotados pela inteligência superior que criou todas as coisas.
Mais uma razão ponderosa para estudarmos com atenção a doutrina emancipadora e luminosa dos Espíritos que também a respeito disso, como da imensidade de outras coisas, nos esclarecerá com razões lógicas e comprováveis.

Quanto ao pecado original, muito haveria para dizer, mas basta delinear as contradições sem sentido que imporia a todos os seres humanos uma condenação antecipada, ou teoria da queda, que tem como única razão o simples facto de terem nascido.
Nasceste, como tal já és culpado!.. Que absurdo lamentável!…

As religiões dogmáticas declaram-se únicas detentoras da faculdade de libertar os seres desse pecado, através do baptismo, evidentemente. É uma sujeição abusiva e destinada a cimentar o seu poder.
Há dias, ouvi um sacerdote que celebrava um ofício de defuntos, dizer publicamente numa igreja que “fulano”, o falecido, tinha tido muita sorte, porque fora baptizado conforme preceito de catecismo da sua religião.
Por isso se transformara “em filho de Deus”. Por isso poderia “ir para o Céu”!…
Perguntei-me, mergulhado em espanto, qual é a ideia que aquela autoridade religiosa alimenta na sua mente e na sua consciência a respeito dos milhares de milhões de pessoas, seres humanos, que não foram baptizados na “sua igreja”?
Só de pensar que o infeliz julga que todos eles NÃO SÃO FILHOS DE DEUS, me faz rezar por ele uma prece, pedindo que se lhe abra o entendimento e que os bem intencionados fiéis que o procuram não fiquem com esse mau conceito do seu Criador, que os elege só a eles como privilegiados filhos de Deus, mas só se tiverem sido baptizados naquela ( E SÓ NAQUELA!…) Igreja.
Seria, só de pensá-lo, um grave atentado ao mínimo sentido da bondade e da justiça divina.

E é nestes pressupostos que se baseou a dominação de povos inteiros, com guerras, cruzadas dentro e fora dos países e das culturas, injustiças medonhas, inquisições, perseguições, torturas e assassinatos bárbaros, durante praticamente dezassete séculos.
Será que foram eliminadas no mundo todas as consequências de tão abomináveis alienações?

A evolução em regime de igualdade universal

A chocante variedade de destinos que acima se refere tem sido, ao longo de toda vida, motivo de crises existenciais sem fim, arrastando ao descrédito uma concepção da vida sem projecto inteligente respeitador de todos os seres e das suas legítimas aspirações.
Os incrédulos estribam-se nesse tipo de razões para desacreditarem a tese da existência de um Deus criador que a uns dá o corpo de beldades e mentes de inteligência genial e a outros dá o corpo retorcido do sofrimento informe e a mente entorpecida do tresloucado.

O espiritismo inclui a visão racional de todo esse tipo de circunstâncias, que pode comprovar mediante o exercício do “diálogo entre humanidades”, servindo de guia e amparo substancial a todos os sofredores e de estímulo de aperfeiçoamento a todos os que não forem muito bem sucedidos, conforme as justificáveis circunstâncias e apenas temporariamente.

Se é importante a primeira das ideias, a de amparo dos menos felizes, enfermos ou aparentemente deserdados, muito importante também é orientar os beneficiados por um quadro de vida pleno de felicidade e favores do destino – em direcção a atitudes conscientemente justas, modestas e solidárias para com todos os seus semelhantes.
As informações disponíveis a respeito deste assunto esclarecem devidamente a longa marcha dos espíritos para aprender, melhorar e aperfeiçoar-se até atingir a clarividência e a plenitude dos Espíritos de Luz.


II – A construção metodológica do espiritismo da autoria de Allan Kardec

..
O ordenamento metódico e sistemático dos conhecimentos espíritas foi feito há cerca de 160 anos, em Paris, por Hippolyte Léon Denizard Rivail (que adoptou o pseudónimo de Allan Kardec).
Nascido em 1804 e falecido em 1869, foi um prestigiado pedagogo e homem de ciência (discípulo de Johann Heinrich Pestalozzi ver a Nota final nº 67 da nossa tradução de “O Livro sos Espíritos” à disposição de todos os leitores nestas páginas) que lançou mão dos recursos da sua formação académica para dar início a uma investigação metódica de algo que nessa época surpreendia a França e variados círculos espalhados pelo mundo.
No agitado universo de profundas transformações de meados do século XIX, largo número de interessados se mobilizava em torno de manifestações surpreendentes, cujos contornos não se conheciam devidamente: o fenómeno das comunicações espíritas, cuja ocorrência – por numerosa e evidente – não podia deixar as pessoas indiferentes.
A sistemática ordenação metodológica foi feita a partir da recolha de elementos colhidos por vários grupos de investigadores e o professor Hippolyte Léon foi convidado por um amigo seu, que com ele se dedicava ao estudo do magnetismo humano (o Senhor Fortier), para coligir o conteúdo de perguntas e respostas de um famoso conjunto de cinquenta cadernos com notas tomadas em múltiplos círculos de reuniões espíritas.

O espiritismo foi, portanto – e continuará a ser – obra de uma colectividade de seres que, em plena independência e liberdade, se dão as mãos na construção de um novo horizonte de esperança e evolução para toda a humanidade.

É a uma nova visão do mundo e do homem como ser espiritual dirigido por princípios inteligentes e destinados a uma evolução sem fronteiras.
Tais objectivos são para dar frutos futuros e também poderão contribuir para uma acentuada evolução positiva do nível de entendimento e do progresso espiritual no mundo em que habitamos.
Pressupõem uma vivência e uma partilha de valores como jamais tinha havido na História e corresponde ao levantar da esperança e de progresso para toda a humanidade, que coroa as melhores conquistas da era moderna.

Anexo I

De acordo com Allan Kardec, no Capítulo I da sua obra “A Génese”, três foram as grandes revelações da Lei de Deus: A primeira representada por Moisés; a segunda por Jesus de Nazaré e a terceira a que foi efectuada pelo Espiritismo.
Do ponto de vista de uma revelação religiosa, o Espiritismo apresenta algumas características muito específicas:

a) Estruturação Colectiva:
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“…as duas primeiras revelações, sendo fruto do ensino pessoal ficaram forçosamente localizadas, isto é, apareceram num só ponto, em torno do qual a ideia se propagou pouco a pouco; mas foram precisos muitos séculos para que atingissem as extremidades do mundo, sem mesmo o invadirem inteiramente. A terceira tem isto de particular: não estando personificada num só indivíduo, surgiu simultaneamente em milhares de pontos diferentes, que se tornaram centros ou focos de irradiação.”
A Génese, Allan Kardec
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b) Origem Humano-Espiritual:

O Espiritismo tem uma dupla origem:
espiritual dado que a sua estrutura doutrinária foi em grande parte ditada por Espíritos superiores e, por isso, tem sido considerado uma revelação;
e humana, dado que foi e continua sendo enriquecido e trabalhado por espíritas cultos e dedicados que dão o melhor de si no seu aperfeiçoamento.

c) Carácter Progressivo:

A ordenação cultural espírita, apoiando-se em factos, tem de ser, e não pode deixar de ser, essencialmente progressiva como todas as ciências de observação.

“Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará.”
A Génese, Allan Kardec; cap I ,it 55
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Anexo II

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O ESPIRITISMO

  • Parte originariamente dos ensinamentos conhecidos de Jesus de Nazaré, Espírito muito antigo de elevadíssimo nível evolutivo, mas filho de Deus como nós mesmos e que nos é proposto em “O Livro dos Espíritos” como modelo de virtudes morais; Os ensinamentos conhecidos de Jesus de Nazaré e que foram levados em conta por Allan Kardec, estão devidamente esclarecidos na sua obra “O Evangelho segundo o Espiritismo”;
  • Revela a origem e a natureza mundo espiritual e suas relações com o mundo material;
  • Levanta o véu dos “mistérios” do nascimento e da morte;
  • O espírita sabe de onde vem, porque razão está na Terra, porque motivos sofre, qual é o seu destino e a razão de existir;
  • Nos princípios e claramente apresentados pela sua cultura filosófica com objectivos morais, vê em tudo e por toda a parte a justiça de Deus;
  • Sabe que alma progride incessantemente, pela pluralidade das existências, até atingir o grau de perfeição que o aproxima de Deus;
  • O espírita toma conhecimento da pluralidade dos mundos habitados;
  • Descobre o livre-arbítrio;
  • É demonstrada a existência do perispírito, cuja natureza e propriedades são de fundamental importância;
  • Todos estas aquisições científico-filosóficas se encontram devidamente ordenadas e esclarecidas nos restantes quatro livros da autoria de Allan Kardec: “O Livro dos Espíritos”, “O Livro dos Médiuns”, “A Génese” e “O Céu e o Inferno”.
A nossa época e o privilégio da informação fácil; PRECAUÇÕES ACONSELHADAS

A clarificação de horizontes tão empolgantes como os que se descrevem, solicitam evidentemente grande número de esclarecimentos.
O objectivo desta visão resumida do espiritismo e da sua doutrina, tem como único propósito falar com toda a abertura e muito sinteticamente a todos aqueles que têm tido a curiosidade, mas não ousaram aproximar-se com mais cuidado e atenção.
Meios, documentos e elucidação mais completa é o que não falta, desde logo na enorme rede de relacionamentos que é a internet.
Para fazer essa buscas é importante ter cuidado e usar das necessárias precauções de natureza cultural, porque nem todos bebem nas melhores fontes.

Aqui se propõe aos interessados uma cautela permanente e, na dúvida, devem ter como fonte original de conhecimentos o estudo cuidadoso, metódico e a profundado das obras da autoria de ALLAN KARDEC, profundamente documentada nas suas restantes obras, nomeadamente na sua REVISTA ESPÍRITA, publicada por ele mesmo durante 11 anos.

Espiritismo – Capítulo 03

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. desenho lápis de cor sobre papel – cb 2010

DE HIPPOLYTE LÉON DENIZARD RIVAIL A ALLAN KARDEC

O conhecimento do exemplo de vida e dedicação intelectual de Hippolyte Léon/Allan Kardec é um estímulo valioso para qualquer um de nós.
A enorme virtude que teve, foi o de estar atento, disponível, e de actuar de acordo com o que via com os olhos da inteligência sensível. Não se deixou levar na corrente destrutiva do materialismo imediato e foi premiado com a descoberta de uma das ideias mais extraordinariamente libertadoras da era moderna: o conhecimento certificado da origem e do destino do homem enquanto ser ligado à transcendência.
Hippolyte Léon/Allan Kardec, abriu resolutamente a cortina que escondia a nossa “sala comum” da entrada franca da luz do Sol, ou mais além, da Luz-Luz!…
Só não sabe quem não quiser ser informado.
Só não acredita quem não se consentir uma hora de atenção e diálogo.
No estado actual dos conhecimentos, a percepção e a intimidade com a transcendência já não é uma questão de fé subjectiva ou de predestinação casual: É uma questão de querer saber e ser informado.
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Hippolyte Léon Denizard Rivail/Allan Kardec (1804-1869)

Neste terceiro capítulo vamos falar um pouco sobre Hippolyte Léon Denizard Rivail, o homem que mais tarde veio a ser conhecido por Allan Kardec, tendo por base uma obra da autoria de Henri Sausse, considerado o seu mais importante biógrafo.
Não ignorei também o trabalho de um outro biógrafo, muito mais recente, André Moreil, sobre cuja personalidade não se encontram dados disponíveis na internet e cujas obras terão sido publicadas, de acordo com as referências mais antigas que encontrei, a partir de 1961.

Hippolyte Léon, aquele que não cuidou de poder nem de imagem para a posteridade

Enquanto Hippolyte Léon, e muito menos como Allan Kardec, não foi uma personalidade que tenha gasto tempo a notabilizar-se a si próprio, contrariamente ao que acontece com aqueles que parecem obcecados pela acumulação dos fugazes vestígios que irão deixar neste mundo.
Não registou impressões suas que constituíssem “curriculum vitae”, não fez considerandos subjectivos que não fossem ao essencial dos temas que ocupavam a sua mente e, muito menos, criou uma qualquer fundação ou museu com o seu próprio nome.
Tendo sido uma pessoa perfeitamente normal, como qualquer de nós, ou seja: nem santo nem profeta, o seu percurso em direcção ao esclarecimento das causas fundamentais da origem e razão de ser do homem como ser espiritual tem uma exemplaridade tão notável que constituem – conforme será possível demonstrar factualmente – um marco essencial na evolução presente e futura da humanidade.

A aceitação da validade e da importância do trabalho de Allan Kardec não se coloca no plano da fé, no facto de acreditar ou de não acreditar em coisas vulgarmente consideradas – e de forma errónea – misteriosas e vagas. Situa-se unicamente no plano da vontade do esclarecimento de factos identificados com a observação experimental, hoje exemplarmente esclarecidos por estudiosos do mais notável prestígio e autoridade.
Depende da coragem intelectual de enfrentar realidades claríssimas de grande actualidade, mas com as suas raízes profundamente lançadas na antiguidade histórica e antropológica.

O que é de salientar à partida é que Hippolyte Léon, ele próprio;

• viveu a maior parte de sua vida sem que tenha existido o espiritismo na sua cabeça;
• a codificação do mesmo resultou de um conjunto de razões e de factos que se impuseram à sua consciência científica e cultural, depois de ter começado a estudá-los, a pedido e por insistência de amigos seus;
• verificando-se a circunstância concreta de que, para a sua anterior formação, tais fenómenos tinham um carácter estranho e até francamente duvidoso.

A determinação de Allan Kardec em abordar “os fenómenos” que lhe foram recomendados por amigos surgiu, é preciso acentuar-se, já depois de ter atingido os cinquenta anos de idade.
Note-se que nessa altura o marco dos cinquenta era uma idade muito mais madura do que é agora devido à mudança do tipo de vida e à esperança de longevidade muito mais alargada.
Isto para além de que, sendo a sua cultura perfeitamente académica, positivista mesmo, a uma primeira solicitação para estudar “uns certos fenómenos magnéticos” que lhe foi feita por um amigo que se chamava Fortier, a resposta dele foi pouco entusiástica, mesmo francamente dubitativa.

As origens, a família e as circunstâncias históricas em França

Cerftif naiss
certidão de nascimento de Denisard Hypolite Leon Rivail. Notar a forma um pouco estranha como se encontra redigido o nome, com acentuadas diferenças relativamente aos nossos hábitos e ao modo como é geralmente identificado.

A sua infância e juventude têm sido resumidas de forma muito diferente da realidade, como filho de gente de boa sociedade e haveres, residente em Lyon com um pai juiz bem instalado que o teria mandado estudar para um colégio prestigiado na Suiça.
Nada mais irreal e fantasioso do que de facto sucedeu.
Seu pai, que não chegou a dar o nome a sua mãe, foi alistado nas tropas de Napoleão, era Hipólito Leão muito menino. Quem o levou para a Suiça foi sua mãe,  dado que o ambiente em França era caracterizado por uma instabilidade enorme, com imensas hipóteses de trágicos acontecimentos.

Não uma simples “crise”, mas conflagrações sociais medonhas que fizeram de todo o século XIX, em França como no resto da Europa, um cenário de violências, guerras, miséria e instabilidade.
Do lado positivo dos acontecimentos registaram-se avanços e progressos notáveis, apesar de tudo. A cultura, a arte e as ciências avançaram extraordinariamente em inúmeros domínios, sendo pena que regimes arrogantes e insensíveis tenham permanecido alheios ao sofrimento dos povos, presos às paixões materialistas, à cupidez egocêntrica e a uma insaciável sede de poder.
Guerras entre estados, revoluções e contra revoluções, amotinações dos desesperados e dos desvalidos reprimidas com mão de ferro, prisões e fuzilamentos, fazem com que este século não tenha constituído uma excepção no conjunto de tantos séculos igualmente saturados da sem razão das guerras, da injustiça e da má distribuição das riquezas.

Já no fim do século dezoito haviam ocorrido factos poderosamente transformadores da ordem e do sistema vigentes (com a Revolução Francesa), e todo o período subsequente, sem esquecer o primeiro império e as guerras napoleónicas, tão devastadoramente trágicas para tantos milhares de vítimas, pese muito embora o efeito das transformações sociais e culturais que arrastaram consigo.

Em 1848 houve milhares de prisões e um número indeterminado de cidadãos foram fuzilados em Paris; em 1851, de novo barricadas em Paris com fuzilaria e muitos mortos e execuções; em 53 a França declara guerra à Turquia e à Rússia, com tudo o que isso envolve para o povo combatente e tributário, sem falar de uma longa lista de missões francesas de colonização e conquista e outros conflitos coroados pela guerra franco-prussiana em 1870, com uma vastíssima a invasão da França e o cerco de Paris, seguido da sublevação da Comuna afogada em sangue durante a “semana sangrenta” (cerca de 30 mil mortos, um número suposto jamais confirmado visto que os combatentes eram anónimos cidadãos que se haviam amotinado, cansados da sua miséria).

Gravura ilustrando um dos inúmeros fuzilamentos de populares amotinados que tomaram parte no conhecido episódio histórico da “Comuna de Paris”, que é dado como uma das consequências da guerra franco-prussiana, em 1870. De salientar, entretanto, que as condições de vida da imensa maioria dos trabalhadores, nessa época, assumiam aspectos da mais dramática miséria e falta de justiça social. Foi muito desse povo que engrossou o número daqueles que seguiram com esperança e fé os ensinamentos propagados na altura pela pela mensagem espírita propagada pela obra de Allan Kardec.

A eclosão do espiritismo teve lugar durante o período chamado do Segundo Império de Napoleão III, de 1852 à 1870. Este mesmo homem de estado, primeiramente eleito presidente da república e logo depois auto-consagrado como imperador e o “préfet Haussmann” renovaram de modo espectacular o urbanismo parisiense, tendo inovado com a abertura dos larguíssimos “Grands Boulevards” e das praças vastíssimas.
De visita à “cidade luz”, qualquer guia turístico vos dirá, contudo, que um dos propósitos dessa medida formidável que fez da capital da França aquilo que ela é, seria o de abrir espaços amplos por onde esquadrões de cavalaria pudessem carregar sobre cidadãos amotinados pela fome, e regimentos de artilharia pudessem esfrangalhar à bomba as trágicas barricadas populares, celebradas no luto de milhares em muitas cantigas de camisardos tornadas conhecidas pelos piores motivos.

Estampa popular ilustrando o cerco e o bombardeamento de Paris pelos exércitos da Prússia

Basta dar uma pequena vista de olhos pelos compêndios de história e mergulhar na leitura dos monumentos literários da época, tais como, por simples exemplo, “Os Miseráveis” de Victor Hugo – artista e grande herói da França – notório adepto do pensamento espírita e mentor de reuniões mediúnicas que a história abundantemente documenta.
O esclarecimento das características sociopolíticas e culturais vigentes durante todo esse século foram de uma complexidade impossível de abordar aqui, sendo entretanto indispensável referir que eram muitíssimo adversas ao estudo e à divulgação de ideias estranhas ao regime, de que o poderosíssimo catolicismo fazia parte.
Certos estavam aqueles avisos e considerandos que foram conscienciosamente feitos por Hyppolite Léon, no que toca às imensas dificuldades, azedumes e perseguições de que iria ser vítima, obstáculos que – tendo iniciado a tarefa a que entretanto se propôs – não enfraqueceram em nada o seu ânimo, antes pelo contrário.

A cronologia dos acontecimentos a partir da juventude

1823, o interesse pelo magnetismo

Ainda muito novo, pelos 19 anos (1823), um dos assuntos de exploração científica que motivou o jovem Hippolyte Léon, era o magnetismo, as fases do sonambulismo e todos os mistérios adjacentes, conforme esclareceu muito mais tarde, em Março de 1858, a pgs. 92 da Revue Spirite.

«…O magnetismo preparou o acesso ao espiritismo, e os rápidos progressos desta doutrina devem-se incontestavelmente à vulgarização das ideias daquele.
Dos fenómenos do magnetismo, do sonambulismo ao êxtase próprio das manifestações espíritas não dista senão um passo; a ligação é tal que, por assim dizer, é impossível falar de um sem falar do outro.
Se tivéssemos que nos manter afastados da ciência magnética, o quadro ficaria incompleto e seríamos comparáveis a um professor de física que se abstivesse de falar da luz.
Todavia, como o magnetismo já possui entre nós entidades devidamente acreditadas, seria desnecessário insistir num assunto tratado com a superioridade do talento e da experiência; não falaremos nele senão de modo acessório, o suficiente para mostrar as íntimas relações das duas ciências que, na realidade, não passam de uma só…”.

Porém, conforme nos diz Henri Sausse:

“…Não nos antecipemos; a conclusão final não fora ainda atingida. Allan Kardec não tinha encontrado ainda a via que o conduziria à imortalidade…”.

1854 – a maturidade e a proposta do Senhor Fortier

Em 1854, uma das pessoas que como ele se interessava pelos fenómenos do magnetismo, o Senhor Fortier, falou-lhe no caso das mesas girantes que “falavam”. A resposta que lhe deu o professor Rival ficou registada para o futuro de forma explícita, para que não restassem dúvidas quanto à sua atitude céptica que tais fenómenos lhe inspiravam:

«…Acredito quando puder ver, quando me tiverem dado provas de que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que pode tornar-se sonâmbula. Até lá permita-me que veja nisso apenas uma historieta para fazer dormir de pé…».

(NOTA: Antes da adopção pelos espíritas do termo “médium” utilizava-se a expressão “sonâmbulo”, oriundo dos estudos sobre o magnetismo, para designar as pessoas que, num estado hipnótico, evidenciavam uma sensibilidade excepcional ou comportamentos fora da sua personalidade habitual.).

Nos dois anos seguintes iria desenrolar-se uma enorme quantidade de observações e de experiências que iriam mudar a face dos conhecimentos relativos ao espírito, à origem e ao destino da humanidade e que correspondem ao aparecimento de uma nova cultura, cujo ressonância vibra no coração e na mente de todos nós: a cultura espírita.

1855 – Carlotti, Fortier, a Senhora Plainemaison e muitos outros

A partir daqui vale a pena citar as próprias palavras de Allan Kardec:

« …No ano seguinte (começos de 55) encontrei Carlotti, um amigo de 25 anos, que me ocupou durante mais de uma hora a respeito do fenómeno das “mesas falantes”», com o entusiasmo que dedicava a todas as ideias novas.
Falou-me, antes de mais, na intervenção dos espíritos, o que aumentou as minhas dúvidas.
– O meu amigo será um dia dos nossos, asseverou.
– Veremos isso mais tarde, retorqui.
Pelo mês de Maio, estando em casa da Senhora Roger com Fortier, seu magnetizador, encontrei o Senhor Pâtier e a Senhora Plainemaison, que me falaram dos mesmos assuntos que abordara Carlotti, mas num tom completamente diferente.
Pâtier era funcionário público de certa idade, grave, frio e calmo. A sua linguagem ponderada, livre de entusiasmos, impressionou-me bastante e resolvi aceitar com empenho o convite que me fez para assistir às experiências que eram feitas em casa da Senhora Plainemaison.

Foi lá, pela primeira vez, que fui testemunha do fenómeno das “mesas girantes”, em condições tais que não havia lugar a dúvidas.
Assisti também a alguns ensaios muito imperfeitos de escrita «medianímica» feita numa ardósia por meio de uma cestinha.
As minhas ideias não se encontravam definidas, mas um facto de tal natureza devia ter necessariamente uma causa. Por detrás daquelas aparentes futilidades e daquela espécie de brincadeira, descortinei algo de sério, como que a revelação de uma nova lei que prometi aprofundar.

Num dos serões da Senhora Plainemaison conheci a família Baudin, que me convidou a assistir a uma das suas sessões semanais, das quais passei a ser visita assídua.
Foi lá que fiz os meus primeiros estudos sérios de espíritismo, ainda não tanto pelas revelações como pelas observações…”

A dúvida metódica e o método da experimentação

“…Apliquei a esta nova ciência, tal como costumava fazer até então, o método da experimentação.
Nunca estabeleci teorias preconcebidas, observava com atenção, comparava e deduzia as conclusões; Procurava encontrar para os efeitos as respectivas causas, pela dedução, e pelo encadeamento lógico dos factos, não assumindo como válida uma explicação senão quando ela esclarecia todas as dificuldades da questão.

Era assim que tinha procedido sempre nos meus trabalhos anteriores, desde a idade de quinze ou dezasseis anos.
Estava consciente, antes de mais, da seriedade da exploração que ia levar a cabo.
Entrevi no seio dos fenómenos estudados, a chave do problema tão profundo e controverso do passado e futuro da humanidade, cuja solução tinha buscado toda a minha vida: era, numa palavra, uma revolução de ideias e de crenças.
Era por isso necessário agir com ponderação e profundidade; ser positivista e não idealista, para não embarcar em ilusões.
Um dos resultados das minhas observações foi de que os espíritos, sendo as almas dos homens, não possuem a sabedoria plena nem a ciência esclarecida;
O seu saber depende do seu grau de evolução e a sua opinião só tem o valor de uma opinião pessoal.

Esta verdade, reconhecida desde o princípio, livrou-me do grave inconveniente de acreditar na sua infalibilidade e impediu-me de formular teorias prematuras baseado na opinião de um só ou de vários testemunhos.

O facto de existir uma comunicação com os espíritos, dissessem eles o que dissessem, provava por si só a existência de um mundo invisível envolvente.

Esse facto já era de importância capital, um campo imenso aberto às nossas explorações, a chave de uma multidão de fenómenos inexplicáveis;
O segundo ponto, não menos importante, era conhecer o estado desse mundo, os seus costumes, se assim se pode dizer;

Depressa concluí que cada Espírito, em função da sua posição pessoal e dos seus conhecimentos, me revelava uma faceta, tal e qual como quando se procura conhecer o estado de um país interrogando os habitantes de todas as classes e de todas as condições, cada qual podendo ensinar-nos algo, sem nenhum poder, individualmente, ensinar-nos tudo;

É ao observador que compete formar o quadro geral com a ajuda de documentos recolhidos de fontes diversas, comparados, conjugados e controlados uns pelos outros.
Agi portanto com os Espíritos do mesmo modo como teria feito com os vivos; foram para mim, desde o mais modesto ao mais notável, meios de me informar e não reveladores predestinados…”

Henri Sausse prossegue:

“…Conforme sabemos convém acrescentar que, de início, o Senhor Rivail, longe de ser um entusiasta destas manifestações e, absorvido por outros afazeres, esteve a ponto de abandonar o seu estudo.
O que teria feito sem as empenhadas solicitações de Carlotti, René Taillandier – membro da Academia das Ciências, Tiedeman-Mantèse, Sardou pai e filho, e Didier, editor, que há cinco anos seguiam o estudo destes fenómenos e que tinham reunido cinquenta cadernos de comunicações diversas que não haviam conseguido ordenar de forma adequada.

Conhecedores do raro espírito de síntese de Rivail, entregaram-lhe esses cadernos pedindo-lhe que tomasse deles conhecimento e que organizasse devidamente o seu conteúdo.
Era um trabalho árduo que exigia muito tempo, em função das lacunas e da obscuridade das comunicações, e o enciclopédico conhecedor que era Rivail recusou uma tão absorvente como cansativa tarefa, em nome de outras que tinha entre mãos…»

1856-57 – o “surgimento” de Allan Kardec e a primeira edição do “livro dos Espíritos”

Rivail toma em mãos a tarefa para a qual fora convocado, analisa o conteúdo da enorme quantidade de comunicações mediúnicas que tinha ao seu alcance, fez todas as anotações necessárias, eliminou as repetições, ordenou as matérias em registo, além de ter identificado as lacunas e pontos duvidosos, preparando questões específicas para esclarecer em comunicações futuras.

Ainda ele próprio:

«…até então, as sessões em casa do Senhor Baudin não tinham nenhum objectivo determinado.
O que levei a cabo então foi esclarecer os problemas que me interessavam do ponto de vista filosófico, psicológico e da natureza do mundo invisível;
para cada sessão preparava um conjunto de perguntas metodicamente ordenadas, as quais sempre obtinham respostas precisas, aprofundadas e de sentido lógico, donde a modificação completa do carácter de tais reuniões.
Estas eram, além disso, presenciadas por pessoas sérias e vivamente interessadas. Se por acidente faltava a uma reunião, os assistentes ficavam como que perdidos, perdendo sentido para a maioria a futilidade das questões.

O meu intento não era o da minha própria aprendizagem; mais tarde, quando senti que o conjunto de noções disponível formava conjunto e tomava as proporções de uma doutrina, pensei publicá-las para elucidação geral.
Foi esse conjunto de ideias, sucessivamente desenvolvidas e completadas, que constituiu a base de «O Livro dos Espíritos…».

Em 1856 Rivail seguiu as reuniões que se realizavam na Rua Tiquetonne, na casa do Senhor Roustan (não confundir com advogado Jean-Baptiste Roustaing, de Bordéus, promotor do gravoso “cisma roustainguista”, de que teremos de falar mais tarde) com a presença da Mademoiselle Japhet, médium, que trabalhava ainda pelo processo da cesta que produzia, aliás, comunicações muito interessantes. Essas sessões foram dirigidas no sentido de controlar as noções anteriormente organizadas.

Allan Kardec esclarece:

«…A verificação feita desse modo não me satisfazia ainda de acordo com a recomendação que recebera dos Espíritos. As circunstâncias tinham-me posto em contacto com outros médiuns e, cada vez que a ocasião se apresentava, fazia perguntas de modo a resolver as questões mais espinhosas.
Deste modo houve mais de dez médiuns a colaborar na realização desta tarefa. É da comparação e da combinação de todas essas respostas, devidamente ordenadas e muitas vezes cruzadas no silêncio da meditação, que redigi a primeira edição do « Livro dos Espíritos » publicado no dia 18 de Abril de 1857… »

Publicada sob a autoria do seu pseudónimo a obra conheceu um sucesso tal que se esgotou em pouco tempo. No ano seguinte houve uma reedição revista e largamente aumentada.
Houve nova edição em Abril de 1860, outra em Agosto de 1860, outra ainda em Fevereiro de 1861 ou seja, três edições em menos de um ano,

OLE Fr marg

 

1858, a “Revue Spirite”

Pressionado pelos acontecimentos e pelos documentos que tinha na sua posse, Allan Kardec – com razões fundamentadas no sucesso do « Livro dos Espíritos » –concebeu o projecto de criar um jornal espírita, para o que se dirigiu ao Senhor Tiedeman em busca de apoio financeiro, o que este recusou.
Consultou por isso os seus guias espirituais, por intermédio do médium Senhora E. Dufaux, tendo-lhe sido dito que lançasse mãos à obra, sem se inquietar com nada.

O primeiro número saiu no dia 1 de Janeiro de 1858, à sua exclusiva responsabilidade, não tendo tido que se arrepender, dado que o êxito da iniciativa ultrapassou de longe todas as expectativas.
Esta tarefa iria ampliar-se, tanto no que toca ao trabalho como às responsabilidades, em luta contra toda a sorte de entraves, obstáculos e perigos. À medida que isso sucedia ia também aumentando a sua coragem e determinação, o que produziu frutos durante onze anos de publicação da «REVUE SPIRITE» cujo bom acolhimento e cujos conteúdos constituem um marco histórico de toda a importância no devir e no alargamento das conquistas da doutrina dos Espíritos.

Em 12 de Junho de 1856 havia-lhe sido feita uma comunicação mediúnica do ESPIRITO DA VERDADE, seu guia, por intermédio do médium Mademoiselle Aline C., para as enormes dificuldades e campanhas negativas que iria ter de enfrentar ao longo do cumprimento da sua tarefa.
Dez anos depois, diria Allan Kardec a esse respeito :

«…Escrevo esta nota no dia 1 de Janeiro de 1867, dez anos e meio depois dessa comunicação me ter sido feita, e concluo que ela se concretizou em todos os detalhes, dado que sofri todos as vicissitudes nela indicados.
Fui ameaçado pelo ódio de inimigos encarniçados, à injúria, à calúnia, à inveja e ao ciúme; libelos infames foram publicados contra mim; as minhas melhores indicações foram desvirtuadas; fui traído por aqueles em quem tinha depositado toda a confiança, e recebi a ingratidão como pagamento de serviços prestados.
A «Société de Paris» foi um alfobre de contínuas intrigas urdidas por aqueles que se diziam do meu lado, que me faziam boa cara pela frente e me dilaceravam por detrás. Disseram que aqueles que tomavam o meu partido estavam subornados por mim com dinheiro que ganhava com o espiritismo.
Nunca mais tive descanso; mais do que uma vez sucumbi sob o excesso de trabalho, a minha saúde degradou-se e a minha vida foi prejudicada. No entanto, graças à protecção e à assistência dos bons espíritos que sem cessar me deram provas da sua solicitude, estou feliz por reconhecer que nem um só instante passei pelo desfalecimento ou pela falta de coragem, e que sempre persisti na minha tarefa com o mesmo ardor, sem me preocupar pela malevolência de que era objecto.
De acordo com a comunicação que havia recebido de parte do ESPÍRITO DA VERDADE, deveria contar com todas essas coisas, o que veio realmente a suceder…»

Estas e outras realidades, passados muitos anos, continuam a marcar o nosso quotidiano e as limitações e dificuldades daqueles que, honesta e generosamente, continuam a desejar o progresso moral da humanidade, o seu aperfeiçoamento espiritual e o bom viver que pressupõe a difusão da nossa doutrina.

1867, Léon Denis e… uma sessão à luz das estrelas

O segundo Império de Napoleão III reinou em França de 1852 a 1870 de forma autoritária e teve, além de muitos episódios dolorosos para o seu povo um fim catastrófico com o desastre da guerra franco-prussiana e a morte no exílio.
Para ilustrar o ambiente, apenas um pequeno incidente “normal” do que se passava na sociedade francesa durante esses tempos, descrito por Léon Denis: este havia lido aos 18 anos “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, o que constituiu para ele “uma súbita iluminação de todo o seu ser” e, cerca de três anos mais tarde (tendo 21 anos de idade e Hippolyte Léon 63) colaborou com a organização de uma sessão de esclarecimento feita por Allan Kardec na cidade de Tours, em 1867.
Léon Denis havia alugado uma sala onde o mesmo teria lugar.
A polícia imperial não esteve pelos ajustes e a sessão foi proibida, acabando por decorrer, “à luz das estrelas” como refere Léon, no jardim de um amigo. Nessa sessão campestre dirigida por Allan Kardec teriam estado presentes cerca de trezentos devotados seguidores.
Por essa altura o interesse pelo espiritismo tinha já feito caminho e a adesão à doutrina, que mais tarde foi decaindo em França devido à pressão da cultura oficial materialista, e registava um progresso pujante, em clima de grande desespero moral dos cidadãos.

 

 

Léon Denis 1846 – 1927

Filósofo, escritor, conferencista, Léon Denis, desenvolveu intensa actividade na divulgação do espiritismo e assinou, em 1927, o prefácio de uma nova edição do livro da autoria de Henri Sausse, um dos mais devotados investigadores da biografia de Allan Kardec.
Muito mais tarde viria a merecer o epíteto de “Apóstolo do Espiritismo” e a ser aclamado em 1925 presidente do Congresso Espírita em Paris.

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Regresso de Hippolyte Léon ao mundo dos Espíritos

Depois de uma vida magnificamente intensa coroada pela concretização de uma tarefa que representa o esclarecimento das questões centrais da vida do homem, sua origem e seu futuro, Hipollyte Léon/Allan Kardec acabou por falecer naturalmente, pela ruptura de um aneurisma, entregue a tarefas normais de uma programada mudança de residência.
O seu funeral foi um acontecimento público do maior relevo, acompanhado por uma multidão de pessoas, entre as quais figuravam numerosas individualidades ligadas aos interesses de carácter científico de que abundantemente compartilhava.

Camille Flammarion (1842 – 1925)

Muito adequadamente, um dos cientistas que usou da palavra, tanto por ser seu amigo como por ser adepto das mesmas concepções, foi o prestigiado astrónomo Camille Flamarion, cujo discurso passou a constituir um marco referencial dos depoimentos a respeito de Allan Kardec, de que a seguir se incluem alguns fragmentos:

“…Com efeito, seria um acto importante aqui estabelecer (…) que o exame metódico dos fenómenos, erradamente chamados sobrenaturais, longe de renovar o espírito supersticioso e de enfraquecer a energia da razão, ao contrário, afasta os erros e as ilusões da ignorância e serve melhor ao progresso que a negação ilegítima dos que não se querem dar ao trabalho de ver…”
“…Allan Kardec era o que eu chamarei simplesmente “o bom senso encarnado”. Raciocínio recto e judicioso, aplicava, sem esquecer, à sua obra permanente as indicações íntimas do senso comum. Aí não estava uma qualidade menor, na ordem das coisas que nos ocupam. Era – pode-se afirmar – a primeira de todas e a mais preciosa, sem a qual a obra não poderia tornar-se popular, nem lançar no mundo as suas raízes imensas…”
“…O espiritismo não é uma religião, mas uma ciência, da qual apenas conhecemos o á-bê-cê. O tempo dos dogmas terminou. A Natureza abarca o Universo. O próprio Deus, que outrora foi feito à imagem do homem, não pode ser considerado pela Metafísica moderna senão como um espírito na Natureza. O sobrenatural não existe. As manifestações obtidas através dos médiuns, como as do magnetismo e do sonambulismo, são de ordem natural e devem ser severamente submetidas ao controle da experiência. Não há mais milagres. Assistimos à aurora de uma Ciência desconhecida. Quem poderá prever a que consequências conduzirá, no mundo do pensamento, o estudo positivo desta Psicologia nova?…”
“…tu foste o primeiro que, desde o começo de minha carreira astronómica, testemunhou uma viva simpatia por minhas deduções relativas à existência das Humanidades Celestes; porque, tomando nas mãos o livro “Pluralidade dos mundos habitados”, puseste-o a seguir na base do edifício doutrinário que sonhaste…”
“…O corpo cai, a alma fica e retorna ao Espaço. Encontrar-nos-emos num mundo melhor. E, no céu imenso, onde se exercitarão as nossas mais poderosas faculdades, continuaremos os estudos que na Terra dispunham de local muito acanhado para os conter. Preferimos saber esta verdade, a crer que jazes por inteiro neste cadáver, e que tua alma tenha sido destruída pela cessação do jogo de um órgão. A imortalidade é a luz da vida, como este sol brilhante é a luz da Natureza…”

“…Até logo, meu caro Allan Kardec, até logo”.

(publicado na Revue Spirite, em 1869).

Henri Sausse, o mais importante biógrafo de Allan Kardec

A biografia de Allan Kardec da autoria de Henri Sausse é um livro que francamente recomendo a qualquer interessado. Foi escrita uma primeira versão em Março de 1896 para acudir a uma solicitação feita pelos seus amigos de Lyon da Federação Espírita Lionesa, por altura da comemoração do dia 31 de Março, data do falecimento do codificador, e mais tarde publicado nessa cidade – também em 31 de Março – mas de 1909. A versão que consultei para redigir este breve resumo é consultável aqui. Além dos dois prefácios, é seguida do historial comentado da vida de Hippolyte Léon/Allan Kardec e tem como anexos artigos importantíssimos da autoria do mesmo e que constituem, como afirma Henri Sausse, uma espécie complementar de autobiografia do próprio, dada a raridade de referências exactas a respeito da sua personalidade propriamente dita.

Uma visão resumida das obras de Allan Kardec

Allan Kardec


O LIVRO DOS ESPÍRITOS /1857

É a sistematização metodológica do ensino coletivo dos Espíritos, quanto às Causas Primárias, ao Mundo Espírita e às suas relações com os homens, às Leis Morais e às Esperanças e Consolações. Sublinhe-se que os restantes livros principais da obra de Allan Kardec são desenvolvimentos, mais ou menos por capítulos, dos conteúdos deste livro, que é a obra fundadora da visão espírita do mundo e da vida.


REVISTA ESPÍRITA / 1858 a 1869

A Revista Espírita foi criada por Allan Kardec em janeiro de 1858 e foi publicada mensalmente sob a sua direção até março de 1869, mês em que faleceu, tendo sido ainda publicado o número que tinha preparado para o mês seguinte. Representa um trabalho gigantesco de 136 fascículos mensais, com uma totalida­de de cerca de 4.000 páginas, ao longo das quais está documentado todo o seu tra­balho na defesa e divulgação do espiritismo. Contou com inúmeras colaborações das mais diversas origens na Europa e no mundo, sobre os mais diversos aspetos da fenomenologia espírita e outros assuntos relacionados.
Segundo palavras do próprio Allan Kardec eram do interesse da Revista Espirita:
“O relato das manifestações materiais ou inteligentes dos Espíritos, aparições, evocações, etc., bem como todas as notícias relativas ao espiritismo; o ensino dos Espíritos sobre as coisas do mundo visível e do invisível; sobre as ciências, a moral, a imortalidade da alma, a natureza do homem e o seu futuro; A história do espiritismo na antiguidade; as suas relações com o magnetismo e com o sonambulismo; a explicação das lendas e das crenças populares, da mitologia de todos os povos, etc.”.

A Revista também dá testemunho das controvérsias que Allan Kardec enfrentou na defesa e na divulgação da nova cultura. Apresenta a correspondência que trocou com inúmeros opositores a quem respondia sempre de forma construtiva, dialogante e racional. Descreve a sua atividade no seio de um movimento que se afirmou muito rapidamente na sociedade francesa, sobretudo no mundo do trabalho e dos direitos sociais.
A Revista foi um instrumento fundamental na construção do espiritismo, por documentar e abrir horizontes sobre todos os temas que Allan Kardec tratou nas outras cinco obras fundamentais.
Dá-nos uma ideia do seu esforço e sofrimento pessoal, ao longo de 11 anos, dando a conhecer o homem por detrás do escritor.

O LIVRO DOS MÉDIUNS / 1861

Este é considerado o livro científico do espiritismo, por tratar do carácter experimental das comunicações entre o mundo espiritual e o mundo material, esclarecendo as principais dificuldades que se podem encontrar na prática do espiritismo. É um guia, tanto para os médiuns como para os evocadores e doutrinadores. Faz o desenvolvimento da matéria constante dos capítulos I a VIII do Livro Segundo de O Livro dos Espíritos, cujo tema é o “Mundo Espírita ou dos Espíritos”.

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO / 1864

É a obra que desenvolve o Livro Terceiro de O Livro dos Espíritos, isto é, a matéria relacionada com as Lei Morais. Abordando o ensino moral contido nos quatro Evangelhos canónicos, fornece-nos a visão espírita dos principais episódios da vida de Jesus, clarificando a subjetividade alegórica dos seus ensinamentos.

O CÉU E O INFERNO – ou “A Justiça Divina segundo o Espiritismo” / 1865.

Faz o desenvolvimento do Livro Quarto de O Livro dos Espíritos que tem por título “Esperanças e Consolações”; expõe alguns conceitos segundo a óptica espírita: a vida após a morte, o Céu, o Inferno, o Purgatório e a Justiça Divina, seguido de numerosos exemplos acerca da situação real da alma durante e depois da morte.

A GÉNESE, os Milagres e as Profecias segundo o Espiritismo / 1868

– É o desenvolvimento do Livro Primeiro de O Livro dos Espíritos que trata das causas primárias, com uma análise da génese, ou criação do mundo, contida no primeiro livro da Bíblia (Génesis), vista a uma nova luz
“…graças à qual o homem sabe de onde vem e para onde vai, porque se encontra agora no planeta Terra e porque sofre; sabe que tem o seu futuro nas mãos e que a duração do seu cativeiro depende de si. A Génese, saída da alegoria, mostra-se-lhe grande e digna da majestade, da bondade e da justiça do Criador. Sob este ponto de vista, a Génese irá ultrapassar e vencer a incredulidade…” citação de um breve trecho de A Génese, n° 26 do capítulo XII – sobre a Génese Mosaica (os seis dias e o paraíso perdido).
No restante, a obra debruça-se sobre o fenómeno dos “milagres e das profecias do Evangelho”, igualmente à novíssima luz da racionalidade emancipadora da cultura espírita.

SOBRE A GÉNESE / MUITO IMPORTANTE

Solicitamos a boa atenção dos leitores pata a notícia publicada aqui, no seguinte endereço:  É urgentíssimo despertar e fortalecer a cultura espírita

É fundamental para conhecer factos da maior importância relacionados com “A Génese”, a sua autoria e devir histórico, que inclui gravíssimas distorções da sua mensagem, agora felizmente esclarecidos.

É IMPORTANTÍSSIMO LER O TRABALHO INSERIDO

 

RESUMO DE IDEIAS SOBRE A VIDA DEPOIS DA MORTE

Há dias um amigo telefonou-me fazendo perguntas a respeito daquilo que acontece depois da morte, impressionado pelo facto de sua mãe ter morrido há poucos dias.

É impressionante a ignorância da maioria das pessoas a esse respeito.
Resolvi fazer um resumo de ideias e do conteúdo deste blogue para facilitar ao máximo o acesso ao principal do que SEI a este respeito.
Digo que SEI e não digo que ACREDITO, porque as ideias que existem de parte de muita gente em Portugal e em muitos países estrangeiros, sobretudo os mais evoluídos cientificamente, ESTE ASSUNTO DE HÁ MUITOS ANOS QUE NÃO É MATÉRIA DE FÉ, MAS SIM DE CONHECIMENTO BASEADO EM FACTOS DEMONSTRÁVEIS NA PRÁTICA OBJETIVA.
Vou ordenar a seguir, pela ordem de tamanho e de acessibilidade, os textos que tenho publicados e que podem servir para esclarecer o tema que está em título: RESUMO DE IDEIAS SOBRE A VIDA DEPOIS DA MORTE:

Observar cada um dos textos, escolhendo para ler aquele que parecer mais interessante para leitura imediata. A finalizar o conjunto, está disponível para descarga a nossa tradução de “O Livro dos Espíritos”:

Da cultura da Grécia antiga a Allan Kardec, a falta de memória da Humanidade

O Espiritismo na sua expressão mais simples, de Allan Kardec

Albert de Rochas e a tese das vidas múltiplas

Nova tradução de O LIVRO DOS ESPÍRITOS

Da cultura da Grécia antiga a Allan Kardec, a falta de memória da Humanidade

Da cultura da Grécia antiga a Allan Kardec, passando por Jesus de Nazaré, a falta de memória da Humanidade

 

socr-e-plat
Sócrates e Platão

SÓCRATES (469—399 AC.) É um dos poucos indivíduos dos quais se poderá dizer, pela influência cultural e intelectual que exerceu no mundo, que sem ele a história teria sido profundamente diferente. Ficou especialmente conhecido pelo método, que tem o seu nome, de pergunta e resposta, pela noção que tinha da sua própria ignorância e pela afirmação de que uma vida sem o questionamento de si mesma não merece a pena ser vivida.

PLATÃO (427—347 AC.) é um dos mais conhecidos, lidos e estudados filósofos do mundo. Foi aluno de Sócrates e professor de Aristóteles, e viveu na Grécia em meados do século IV A.C. Embora influenciado inicialmente por Sócrates, a tal ponto de o ter tornado a principal figura dos seus escritos, também foi influenciado por Heráclito, Parménides e pelos Pitagóricos.


Sócrates e Platão, precursores do cristianismo e do espiritismo


O Capítulo IV da Introdução de “O Evangelho segundo o Espiritismo” surpreende-nos com uma referência fortíssima ao legado de Platão e de Sócrates que está na linha do que nos informa a Introdução de “O Livro dos Espíritos”, no número VI – Resumo dos ensinamentos dos Espíritos, e é coerente com a restante obra de Allan Kardec.
São esses os temas desta publicação, que apresenta os seguintes conteúdos:

  • NOTA PRÉVIA alertando para a falta de memória da Humanidade e os seus trágicos efeitos.
  • CAPÍTULO IV da Introdução de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, com o texto introdutório e resumo do legado de Sócrates e Platão, em vinte e cinco pontos, a maioria dos quais é seguido por um comentário de Allan Kardec, salientado a azul;
  • Como elemento de contextualização do texto anterior, referência de um valioso trabalho de Reinaldo Di Lucia, apresentado no VII Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita, São Paulo, Brasil, em 2001, cujo ficheiro PDF incluímos e cuja leitura e análise completa empenhadamente recomendamos;
  • Inserção Capítulo VI da Introdução de “O Livro dos Espíritos”, para os visitantes poderem reler e comparar o seu conteúdo com o Capítulo IV da Introdução de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” e o referido legado de Sócrates/Platão.

A FALTA DE MEMÓRIA DA HUMANIDADE E OS SEUS TRÁGICOS EFEITOS

A impiedosa e quase sempre cruel marcha da História impediu que a sequência das culturas e das sensibilidades pudessem ter tido acesso, ao longo dos séculos, às conceções filosóficas aqui referidas e à sua proveitosa utilidade no estabelecimento da paz e na manutenção da tolerância.
Referimos, é claro, o manancial de informações científico-filosóficas que nos apresenta a cultura espírita dos nossos dias, em paralelo com o conhecimento já em evidência na Grécia Clássica, plasmado há mais de dois mil anos por alguns dos mais insignes pensadores da História da Humanidade.

Levando em conta o momento superior da civilização, salto qualitativo da Humanidade, durante o qual passou pelo planeta a presença, a palavra e o exemplo de Jesus de Nazaré, muito se perdeu na memória dos homens desde o classicismo Grego até aos tempos de hoje.

Entre o pensamento dos Clássicos Gregos e a actualidade posterior a Allan Kardec, não estamos perante conhecimentos casuais ou desirmanados. Foram informações coligidas a seu tempo exatamente pelos mesmos métodos e derivaram das mesmas fontes de que ainda hoje nos servimos, OS ESPÍRITOS.
Os Espíritos na Grécia falaram aos viventes na Terra, irmãos seus como nós o somos agora, com os mesmos propósitos, a mesma vontade generosa e, tantas vezes, para minorar as saudades da pátria espiritual daqueles que prestavam provas e cumpriam expiações como nós o fazemos nas nossas vidas.
Profundo e precioso é o património de conhecimentos da Humanidade, mas lamentável a força dispersiva das piores tendências do Homem, em luta consigo mesmo!…
Com a prática condizente com as ideias aqui expostas, os critérios dogmáticos não teriam surgido ou podiam ter-se resolvido em paz, em harmonia e convivência.

De nada serviram, pelo caminho, os hábitos de milhões de vidas sombrias orientadas pelo medo dos infernos e purgatórios, DAS CRUZADAS ‒ exportação da violência pelo recurso organizado dos organismos político-estratégicos EM ESTREITA CUMPLICIDADE com o DOGMATISMO RELIGIOSO, as conversões à força, a colonização dos corpos, das mentes e das culturas, o pretexto das dilatações da FÉ e dos IMPÉRIOS para a prática dos maiores abusos históricos de todos os tempos, o silêncio mantido à custa de TORMENTOS INQUISITORIAIS e tantas outras abominações que esmagaram as sociedades e foram transportados por todos os continentes, num delírio materialista, desalmado e cego!…

A acentuação destas ideias nada tem de despropositado, antes pelo contrário. A senda pedregosa dos dogmatismos está aberta, e muitos milhões de almas e poderosas forças obscuras continuam a trilhá-la.
Por isso temos recomendado, ao longo destas páginas, uma atenção permanente à memória dos povos e à História da Humanidade. Porque, com o conhecimento dos erros do passado, se resolvem os erros do presente e se evitam as infelicidades injustas do futuro. Muitíssimo grande é a responsabilidade dos portadores de mensagens do ESPÍRITO EMANCIPADOR.

Capítulo IV da Introdução de “O Evangelho segundo o Espiritismo”

A morte de Sócrates, de Jacques-Louis David (1787)

Resumo dos conceitos de Sócrates e Platão que elucidam a ideia da origem e do destino do homem:
Depois de cada tema segue a azul comentários de Allan Kardec.

I – “O homem é uma alma encarnada. Antes da sua encarnação, existia junto aos modelos primordiais, às ideias do verdadeiro, do bem e do belo. Separou-se deles ao encarnar e, lembrando o seu passado, sente-se mais ou menos atormentada pelo desejo de lá voltar.”

Não se pode enunciar mais claramente a distinção e a independência do princípio inteligente e do princípio material. É, além disso, a doutrina da preexistência da alma, da vaga intuição que ela conserva da existência de outro mundo ao qual aspira, da sua sobrevivência à morte do corpo, da sua saída do mundo espiritual para encarnar, e do seu regresso a esse mundo após a morte. É, enfim, o germe da doutrina dos anjos caídos.

II – “A Alma perturba-se e confunde-se quando se serve do corpo para analisar algum objeto. Sente vertigens, como se estivesse ébria, porque se liga a coisas que são, pela sua natureza, sujeitas a transformações. Em vez disso, quando contempla a sua própria essência volta-se para o que é puro, eterno, imortal, e sendo da mesma natureza, aí permanece ligada tanto tempo quanto possa. Cessam então as suas perturbações, porque está unida ao que é imutável. Este estado da alma é o que chamamos sabedoria”.

Assim, o homem que considera as coisas vistas de baixo, terra à terra, do ponto de vista material, vive iludido. Para as apreciar com clareza é necessário vê-las do alto, ou seja, do ponto de vista espiritual. O verdadeiro sábio deve, por qualquer forma, isolar a alma do corpo, para ver com os olhos do Espírito. É isso o que ensina o Espiritismo (Cap. II, n° 5).

III – “Enquanto tivermos o nosso corpo, e a nossa alma se encontrar mergulhada nessa corrupção, nunca possuiremos o objeto dos nossos desejos ─ a verdade. De facto, o corpo oferece-nos mil obstáculos, pela necessidade que temos de cuidar dele. Além disso, enche-nos de desejos, de apetites, de temores, de mil quimeras e de mil tolices, de maneira que, com ele, é impossível ser sensato, mesmo por um momento. Mas, se nada se pode conhecer verdadeiramente enquanto a alma está unida ao corpo, uma destas duas coisas se impõe: ou que nunca se conhecerá a verdade, ou que se conhecerá depois da morte. Livres da loucura do corpo, então conversaremos, é de esperar-se, com pessoas igualmente livres, e conheceremos por nós mesmos a essência das coisas. É por isso que os verdadeiros filósofos se preparam para morrer e a morte não lhes parece de maneira alguma temível”. (Ver O Céu e o Inferno, 1ª parte, cap. II, e 2ª parte, cap. I).

Aqui está o princípio das faculdades da alma, obscurecidas devido aos órgãos corporais, e da expansão dessas faculdades depois da morte. Mas trata-se aqui das almas evoluídas, já depuradas. Não acontece o mesmo com as almas impuras.

IV – “A alma impura, nesse estado, encontra-se pesada e é novamente arrastada para o mundo visível, pelo horror ao que é invisível e imaterial. Vagueia, então, segundo se diz, ao redor dos monumentos e dos túmulos, junto dos quais foram vistos, às vezes, fantasmas tenebrosos. Assim devem ser as imagens das almas que deixaram o corpo sem estar inteiramente puras, e que conservam alguma coisa da forma material, o que permite aos nossos olhos apercebê-las. Essas não são as almas dos bons, mas as dos maus, que são forçadas a vaguear nesses lugares, onde carregam as penas das suas vidas passadas e onde continuam a vaguear até que os apetites inerentes à sua forma material as coloquem de novo a habitar um corpo. Então, retomam sem dúvida os mesmos costumes que, durante a vida anterior, eram da sua predileção”.

Não somente o princípio da reencarnação está aqui claramente expresso, mas também o estado das almas, que ainda estão sob o domínio da matéria, é descrito tal como o Espiritismo o demonstra nas evocações. E há mais, pois afirma-se que a reencarnação é uma consequência da impureza da alma, enquanto as almas purificadas estão livres dela.
O Espiritismo diz isto mesmo, apenas acrescenta que a alma que tomou boas resoluções na erraticidade, e que tem conhecimentos adquiridos, trará ao renascer menos defeitos, mais virtudes e mais ideias intuitivas do que na existência anterior. Assim, cada existência marca para ela um progresso intelectual e moral. (O Céu e o Inferno, 2ª parte: Exemplos).

V – “Após a nossa morte, o génio (daïmon, em grego) que nos fora designado durante a vida, leva-nos a um lugar onde se reúnem todos os que devem ser conduzidos ao Hades, para aí serem julgados. As almas, depois de permanecerem no Hades o tempo necessário, são reconduzidas a esta vida por numerosos e longos períodos”.

Esta é a doutrina dos Anjos da Guarda ou Espíritos protetores, e das reencarnações sucessivas, após intervalos mais ou menos longos de erraticidade.

VI – “Os demónios preenchem o espaço que separa o Céu da Terra, são os laços que ligam o Grande Todo consigo mesmo. A divindade nunca entra em comunicação direta com os homens, é por meio dos demónios que os deuses se relacionam e conversam com ele, quer durante o estado de vigília quer durante o sono”.

A palavra “daïmon”, que originou o termo “demónio”, na Antiguidade não tinha o sentido do mal, como acontece entre nós. Não se aplicava essa palavra exclusivamente aos seres maldosos, mas a todos os Espíritos em geral, entre os quais se distinguiam os espíritos superiores chamados deuses e os Espíritos menos elevados ou demónios propriamente ditos, que comunicavam diretamente com os homens. O Espiritismo ensina também que os Espíritos povoam o espaço, que Deus não comunica com os homens senão por intermédio dos Espíritos puros, encarregados de nos transmitir a sua vontade, que os Espíritos comunicam connosco durante o estado de vigília e durante o sono.
Substituindo a palavra demónio pela palavra Espírito teremos a doutrina espírita; usando a palavra anjo, teremos a doutrina cristã.

VII – “A preocupação constante do filósofo (tal como o compreendiam Sócrates e Platão) é a de ter o maior cuidado com a alma, não tanto por esta vida, que é apenas um instante, mas tendo em vista a eternidade. Se a alma é imortal, não é sábio viver para a eternidade?”

O Cristianismo e o Espiritismo ensinam a mesma coisa.

VIII – “Se a alma é imaterial, deve voltar, após esta vida, a um mundo igualmente invisível e imaterial, da mesma forma que o corpo, ao decompor-se, volta à matéria. Importa somente distinguir bem a alma pura, verdadeiramente imaterial, que se alimenta, como Deus, da sabedoria e dos pensamentos, da alma mais ou menos manchada por impurezas materiais, que a impedem de se elevar ao divino, retendo-a nos lugares da sua passagem pela Terra”.

Sócrates e Platão, como se vê, compreendiam perfeitamente os diferentes graus de desmaterialização da alma. Insistem nas diferenças que resultam da sua maior ou menor pureza. O que eles diziam por intuição, o Espiritismo prova-o, pelos numerosos exemplos que nos põe diante dos olhos (O Céu e o Inferno, 2ª parte).

IX – “Se a morte fosse o desaparecimento total do homem, isso seria de grande vantagem para os maus, que após a morte estariam livres, ao mesmo tempo, dos seus corpos, das suas almas e dos seus vícios.
Só aquele que enriqueceu a sua alma, não com estranhas ornamentações, mas com as que lhe são próprias, poderá esperar tranquilamente a hora da sua partida para o outro mundo”.

Por outras palavras: o materialismo, que proclama o nada após a morte, seria a negação de todas as responsabilidades morais posteriores e, por conseguinte, um estímulo ao mal. O malvado tem tudo a ganhar com o nada, o homem que se livrou dos seus vícios e se enriqueceu de virtudes é o único que pode esperar tranquilamente o despertar na outra vida. O Espiritismo mostra-nos, pelos exemplos que diariamente nos apresenta, quanto é penosa a passagem desta para a outra vida e a entrada na vida futura, para os que praticam o mal. (O Céu e o Inferno, 2ª parte, cap. I).

X – “O corpo conserva bem marcados os vestígios dos cuidados que se teve com ele ou dos acidentes que sofreu. Acontece o mesmo com a alma. Quando está separada do corpo conserva os traços evidentes do seu caráter, dos seus sentimentos, e as marcas que nela deixaram os atos que praticou durante a vida. Assim, a maior desgraça que pode acontecer a um homem é a de ir para o outro mundo com uma alma carregada de crimes. Tu vês, Callicles, que nem tu, nem Polus, nem Górgias, podereis provar que se deve levar outra vida que nos seja mais útil quando formos para o outro mundo. De tantas opiniões diferentes, a única que permanece inabalável é a de que mais vale receber uma injustiça do que cometê-la, e que antes de tudo devemos aplicar-nos, não a parecer, mas a ser um homem de bem”. (Conversas de Sócrates com os discípulos na prisão).

Aqui encontra-se outro ponto capital hoje confirmado pela experiência, segundo o qual a alma não purificada conserva as ideias, as tendências, o caráter e as paixões que tinha na Terra. Esta máxima: mais vale receber uma injustiça do que cometê-la, não é totalmente cristã? É o mesmo pensamento que Jesus exprime por este juízo: “Se alguém te bater numa face, oferece-lhe a outra”. (Cap. XII, nºs 7 e 8)).

XI – “De duas, uma: ou a morte é a destruição absoluta, ou é a passagem da alma para outro lugar. Se tudo deve extinguir- se, a morte será como uma dessas raras noites que passamos sem sonhar e sem nenhuma consciência de nós mesmos. Mas se a morte é apenas uma mudança de morada, a passagem para um lugar onde os mortos se devem reunir, que felicidade a de ali reencontrarmos os nossos conhecidos! O meu maior prazer seria o de examinar de perto os habitantes dessa outra morada e distinguir entre eles, como aqui, os que são sensatos dos que creem sê-lo e não o são. Mas já é tempo de partirmos, eu para morrer e vós para viver”. (Sócrates aos seus juízes).

Segundo Sócrates, os homens que viveram na Terra encontram-se depois da morte e reconhecem-se. O Espiritismo no-los mostra, continuando as suas relações, de tal maneira que a morte não é uma interrupção, nem uma cessação da vida, mas uma transformação sem solução de continuidade.
Sócrates e Platão, se tivessem conhecido os ensinamentos transmitidos por Jesus quinhentos anos mais tarde, e os que o Espiritismo nos transmite hoje, não teriam falado de outra maneira. Nisso, nada há que nos deva surpreender, se considerarmos que as grandes verdades são eternas e que os Espíritos adiantados devem tê-las conhecido antes de vir para a Terra, para onde as trouxeram. Sócrates, Platão e os grandes filósofos do seu tempo poderiam estar, mais tarde, entre aqueles que secundaram Jesus na sua divina missão, sendo escolhidos precisamente porque estavam mais aptos do que outros a compreenderem os seus sublimes ensinamentos. E pode acontecer que façam agora parte da grande plêiade de Espíritos encarregados de virem ensinar aos homens as mesmas verdades.

XII – “Não se deve nunca retribuir a injustiça com a injustiça, nem fazer mal a ninguém, qualquer que seja o mal que nos tenha feito. Poucas pessoas, contudo, admitem este princípio, e as que não concordam com ele só podem desprezar-se umas às outras”.

Não é este o princípio da caridade, que nos ensina a não retribuir o mal com o mal e a perdoar aos inimigos?

XIII – “É pelos frutos que se conhece a árvore. É necessário qualificar cada ação por aquilo que ela produz: chamá-la má quando a sua consequência é má, e boa quando produz o bem”.

Esta expressão: “É pelos frutos que se reconhece a árvore”, encontra-se textualmente repetida, muitas vezes, no Evangelho.

XIV – “A riqueza é um grande perigo. Todo o homem que ama a riqueza, não se ama a si próprio nem ao que é seu, mas ama algo que lhe é mais estranho do que aquilo que é dele”. (Cap. XVI).

XV – “As mais belas preces e os mais belos sacrifícios agradam menos à Divindade do que uma alma virtuosa que se esforce por se lhe assemelhar. Seria grave que os deuses se interessassem mais pelas nossas oferendas do que pelas nossas almas. Se tal acontecesse, os maiores culpados poderiam conquistar os seus favores. Mas não, pois só são verdadeiramente retos e justos os que, pelas suas palavras e pelos seus atos, cumprem os deveres para com os deuses e os homens”. (Cap. X, nºs 7 e 8).

XVI – “Chamo homem violento ao amante vulgar, que ama mais o corpo do que a alma. O amor está por toda a natureza que nos convida a exercitar a nossa inteligência. Encontramo-lo até mesmo no movimento dos astros. É o amor que ornamenta a natureza com os seus admiráveis adornos. Enfeita-se e fixa a sua morada onde encontra flores e perfumes. É ainda o amor que traz a paz à Humanidade, a calma ao mar, o silêncio aos ventos e o sossego à dor”.

O amor, que deve unir os seres humanos por um sentimento de fraternidade, é uma consequência desta teoria de Platão sobre o amor universal, como lei da natureza. Sócrates disse que “o amor não é um deus nem um mortal, mas um grande Daïmon”, ou seja, um grande Espírito que preside ao amor universal. Foi sobretudo esta afirmação que lhe foi imputada como crime.

XVII – “A virtude não pode ser ensinada, vem por um dom de Deus aos que a possuem”.

É quase como a graça no conceito cristão. Mas se a virtude é um dom de Deus, um favor, pode perguntar-se por que razão não é concedida a todos? Por outro lado, se é um dom, não há mérito da parte do que a possui? O Espiritismo é mais explícito, ensina que aquele que a possui já a adquiriu pelos seus esforços nas vidas sucessivas, ao livrar-se pouco a pouco das suas imperfeições. A graça é a força que Deus concede aos homens de boa vontade, para se livrarem do mal e fazerem o bem.

XVIII – “Há uma disposição natural em cada um de nós, é a de nos apercebermos muito menos dos nossos defeitos do que dos defeitos alheios”.

O Evangelho diz: “Vês o argueiro no olho do teu irmão, e não vês a trave no teu?” (Cap. X, nº 9 e 10).

XIX – “Se os médicos não conseguem debelar a maior parte das doenças, é porque tratam o corpo sem a alma, e porque, se o todo não se encontra em bom estado, é impossível que as suas partes estejam bem”.

O Espiritismo esclarece as relações entre a alma e o corpo, e prova que um atua incessantemente sobre o outro. Assim, abre um novo caminho à ciência. Mostrando-lhe a verdadeira causa de certas doenças, dá-lhe, pois, o meio de as combater. Quando a ciência levar em conta a ação do elemento espiritual no conjunto orgânico, será mais eficaz.

XX – “Todos os homens, desde a infância, fazem mais mal do que bem”.

Estas palavras de Sócrates tocam a grave questão da predominância do mal sobre a Terra, questão insolúvel sem o conhecimento da pluralidade dos mundos e do destino da Terra, onde habita apenas uma pequena parte da Humanidade. Só o espiritismo lhe dá a solução, que se encontra desenvolvida mais adiante, nos capítulos II, III e V.

XXI – “A sabedoria está em não julgares que sabes aquilo que não sabes”.

Isto vai dirigido àqueles que criticam as coisas de que, frequentemente, nada sabem. Platão completa este pensamento de Sócrates, ao dizer: “Tentemos primeiro torná-los, se possível, mais honestos nas palavras. Se não conseguirmos, não nos preocupemos com eles e busquemos nós a verdade. Tratemos de nos instruir, mas sem nos incomodarmos“. É assim que devem agir os espíritas, em relação aos seus contraditores de boa ou má-fé. Se Platão vivesse hoje encontraria as coisas mais ou menos como no seu tempo e poderia usar a mesma linguagem. Sócrates também encontraria quem zombasse da sua crença nos Espíritos e o tratasse como se fosse louco, assim como ao seu discípulo Platão.
Foi por ter professado esses princípios que Sócrates foi ridicularizado, primeiro, depois acusado de impiedade e condenado a beber a cicuta. É bem certo que as grandes e novas verdades, levantando contra si os interesses e os preconceitos que elas ferem, não podem ser estabelecidas sem lutas e sem mártires.


Para as pessoas interessadas em documentar histórico-culturalmente, identificando bem a origem destas referências a Sócrates e Platão, recomendo a leitura integral do seguinte trabalho de Reinaldo Di Lucia:

VII Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita /
São Paulo 2001
da autoria de REINALDO DI LUCIA

Sócrates e Platão: percursores do espiritismo
de REINALDO DI LUCIA – PDF


A Escola de Atenas, de Raffaello Sanzio (pintura de 1509-1511), uma das obras mais extraordinárias do Museu do Vaticano que representa grande número de pensadores, entre os quais Platão e Sócrates.
A Escola de Atenas, de Raffaello Sanzio (pintura de 1509-1511), uma das obras mais extraordinárias do Museu do Vaticano que representa grande número de pensadores, entre os quais Platão e Sócrates.

Para completar e actualizar as referências aqui expostas, nada como a palavra de ALLAN KARDEC, com a conhecida síntese:

 

Resumo dos ensinamentos dos Espíritos, conforme o Capítulo VI da Introdução de “O Livro dos Espíritos”:

Os seres que deste modo comunicam designam-se a si mesmos – como já dissemos – pelo nome de Espíritos ou génios, e como tendo pertencido, pelo menos alguns, a pessoas que viveram na Terra. Constituem o mundo espiritual, como nós constituímos, durante a vida, o mundo corporal. Resumimos a seguir, em poucas palavras, os pontos mais salientes dos ensinamentos que nos transmitiram:

Deus é eterno, imutável, imaterial, único, todo poderoso, soberanamente justo e bom. Criou o Universo que inclui todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais. Os seres materiais constituem o mundo visível ou corporal e os seres imateriais constituem o mundo invisível ou espírita, isto é, dos Espíritos.

O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo.

O mundo corporal é secundário, poderia deixar de existir ou nunca ter existido sem alterar a essência do mundo espírita. Os Espíritos animam temporariamente um corpo material perecível, cuja morte os devolve à liberdade.

Entre as diferentes espécies de seres corporais, Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos Espíritos que chegaram a um certo grau de desenvolvimento, o que lhe dá superioridade moral e intelectual sobre as outras. A alma é um Espírito encarnado num corpo material.

Há nos seres humanos três coisas:

1º) O corpo ou ser material, semelhante ao dos animais e animado pelo mesmo princípio vital;
2º) A alma ou ser imaterial, Espírito encarnado no corpo;
3º) O sistema de ligação que une a alma ao corpo, o perispírito, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito.

O ser humano tem assim duas naturezas: pelo corpo participa da natureza dos animais, dos quais possui os instintos; pela alma participa da natureza dos Espíritos. O sistema de ligação entre corpo e Espírito, o perispírito, é um complexíssimo sistema semimaterial.

A morte é o falecimento do corpo mais denso. O Espírito conserva o organismo de ligação ou perispírito, que lhe serve como corpo semimaterial, de muito baixa densidade, invisível para nós no seu estado normal. O Espírito pode torná-lo circunstancialmente visível e mesmo tangível, como acontece no fenómeno das aparições.

O Espírito não é, portanto, um ser abstrato, indefinido, que só o pensamento pode compreender. É um ser real, definido, que em certos casos pode ser apreendido pelos nossos sentidos da vista, da audição e do tato. Os Espíritos pertencem a diferentes níveis, não sendo iguais em poder, inteligência, saber ou moralidade:

– Os da primeira ordem são os Espíritos superiores que se distinguem dos outros pela perfeição, pelos conhecimentos, pela proximidade de Deus, pela pureza dos sentimentos e pelo seu amor ao bem: são os anjos ou Espíritos puros.

− Os dos outros níveis distanciam-se progressivamente desta perfeição.

– Os dos níveis inferiores são propensos às nossas paixões: o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho, etc. e comprazem-se no mal.

Neste número há os que não são muito bons nem muito maus, são mais perturbadores e intrigantes do que maus. A malícia e as inconsequências parecem ser as suas características: são os Espíritos tolos ou frívolos.

Os Espíritos não pertencem eternamente à mesma ordem. Todos se vão aperfeiçoando, passando pelos diferentes graus da hierarquia espírita. Esta evolução dá-se mediante a encarnação, imposta a uns como expiação e a outros como missão.

A vida material é uma prova a que devem submeter-se repetidas vezes até atingirem a perfeição absoluta: é uma espécie de filtro purificador, do qual vão saindo mais ou menos aperfeiçoados.

Deixando o corpo, a alma regressa ao mundo dos Espíritos, do qual saíra para reiniciar uma nova existência material, após um lapso de tempo mais ou menos longo, durante o qual fica no estado de Espírito errante. Devendo o Espírito passar por muitas encarnações, conclui-se que todos nós tivemos muitas existências e que teremos ainda outras, mais ou menos aperfeiçoadas, seja na Terra, seja noutros mundos. A encarnação dos Espíritos ocorre sempre na espécie humana. Seria um erro acreditar que a alma ou Espírito pudesse encarnar no corpo de um animal. (Ver pergunta 611 e seguintes.)

As diversas existências corporais do Espírito são sempre de evolução positiva e nunca de evolução negativa ou retrógrada: a rapidez desse progresso evolutivo, contudo, depende dos esforços que fazemos para chegar à perfeição. As qualidades da alma são as do Espírito que está encarnado em nós. Assim, o homem de bem é a encarnação de um bom Espírito e o homem perverso a de um Espírito impuro.

A alma tinha a sua individualidade antes da encarnação e conserva-a após a separação do corpo. No seu regresso ao mundo dos Espíritos, a alma reencontra ali todos os que conheceu na Terra e todas as suas existências anteriores desfilam na sua memória, com a recordação de todo o bem e de todo o mal que fez. (Ver perguntas 305 a 307)

O Espírito encarnado está sob a influência da matéria. O ser humano que supera essa influência, pela elevação e purificação da sua alma, aproxima-se dos bons Espíritos com os quais estará um dia. Aquele que se deixa dominar pelas más paixões, e põe todas as suas alegrias na satisfação dos apetites mais rudes, aproxima-se dos Espíritos impuros, dando preponderância à sua natureza animal.

Os Espíritos encarnados habitam a multiplicidade dos astros do Universo.

Os Espíritos não encarnados ou errantes não ocupam nenhuma região determinada ou circunscrita. Estão por toda a parte, no espaço e ao nosso lado, vendo-nos e convivendo connosco com grande proximidade: é toda uma população invisível que se agita em nosso redor.

Os Espíritos exercem sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico uma ação incessante. Agem sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das forças da natureza, causa eficiente de uma multidão de fenómenos até agora inexplicados ou mal explicados, que só encontram solução racional no espiritismo.

As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons Espíritos estimulam-nos para o bem, apoiam-nos nas provas da vida e ajudam-nos a suportá-las com coragem e resignação. Os maus instigam-nos ao mal: para eles é um prazer ver-nos sucumbir e tornarmo-nos iguais a eles.

As comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As comunicações ocultas têm lugar pela boa ou má influência que exercem sobre nós sem o sabermos, cabendo ao nosso julgamento discernir as más e as boas inspirações. As ostensivas realizam-se por meio da escrita, da palavra ou de outras manifestações materiais, na maioria das vezes através dos médiuns que lhes servem de instrumentos.

Os Espíritos manifestam-se espontaneamente ou pela evocação.

Podemos evocar todos os Espíritos:

− Os que animaram homens obscuros e os das personagens mais ilustres, qualquer que seja a época em que tenham vivido;

− Os dos nossos parentes, dos nossos amigos ou inimigos e deles obter, por comunicações escritas ou verbais, conselhos, informações sobre a situação em que se acham além túmulo, sobre os seus pensamentos a nosso respeito, assim como as revelações que lhes seja permitido fazer-nos.

Os Espíritos são atraídos em função da sua simpatia pela natureza moral do meio que os evoca. Os Espíritos superiores gostam das reuniões sérias, dominadas pelo amor do bem e pelo desejo sincero de instrução e de melhoria. A sua presença afasta os Espíritos inferiores que, pelo contrário, têm acesso fácil e liberdade de ação entre pessoas frívolas guiadas apenas pela curiosidade, onde quer que predominem os maus instintos.

Longe de obter bons conselhos e informações úteis, só é possível esperar desses Espíritos futilidades, mentiras, brincadeiras de mau gosto ou mistificações, pois servem-se frequentemente de nomes veneráveis para melhor induzirem em erro.

Distinguir os bons dos maus Espíritos é extremamente fácil. A linguagem dos Espíritos superiores é constantemente digna, nobre, cheia da mais alta moralidade, livre de qualquer paixão inferior. Os seus conselhos revelam a mais pura sabedoria e têm sempre por alvo o nosso progresso e o bem da Humanidade.

A dos Espíritos inferiores, pelo contrário, é inconsequente, muitas vezes banal e mesmo grosseira; se dizem às vezes coisas boas e verdadeiras, dizem com mais frequência falsidades e absurdos, por malícia ou por ignorância. Zombam da credulidade e divertem-se à custa dos que os interrogam, lisonjeando-lhes a vaidade e alimentando os seus desejos com falsas esperanças. Em resumo, as comunicações sérias, na verdadeira aceção da palavra, só se verificam nos centros sérios, cujos membros estão unidos por uma íntima comunhão de pensamentos dirigidos para o bem.

A moral dos Espíritos superiores resume-se, como a de Jesus, nesta máxima evangélica: “Fazer aos outros o que desejamos que os outros nos façam”, ou seja, fazer o bem e não o mal. O ser humano encontra nesse princípio a regra universal de conduta, mesmo para as ações menores.

Os Espíritos superiores ensinam-nos que:
─ O egoísmo, o orgulho e a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria;
─ Aqueles que neste mundo se libertam da matéria, pelo desprezo das futilidades mundanas e pelo exercício do amor ao próximo, se aproximam da natureza espiritual;
─ Cada um de nós se deve tornar útil segundo as faculdades e os meios que Deus nos colocou nas mãos, como prova;
─ O forte e o poderoso devem apoio e proteção ao fraco, porque aquele que abusa da sua força e do seu poder para oprimir o seu semelhante viola a lei de Deus.

Ensinam-nos, enfim:
─ No mundo dos Espíritos, onde nada pode estar escondido, o hipócrita será desmascarado e todas as suas torpezas reveladas;
─ A presença inevitável e incessante daqueles que prejudicámos é um dos castigos que nos estão reservados;
─ Ao estado de inferioridade e de superioridade dos Espíritos correspondem penas e alegrias que nos são desconhecidas na Terra.

Os Espíritos superiores ensinam-nos, também, que não há faltas cujo perdão seja impossível e que não possam ser apagadas pela expiação. É nas sucessivas existências que o ser humano encontra os meios que lhe permitem avançar, segundo o seu desejo e os seus esforços, no caminho do progresso que conduz à perfeição, que é o seu objetivo final.”

Este é o resumo do espiritismo tal como resulta do ensino dado pelos Espíritos superiores.

É urgentíssimo despertar e fortalecer a cultura espírita

para ter acesso ao ficheiro PDF é favor clicar na imagem

O presente trabalho tem como referência qualitativa a importante obra de PAULO HENRIQUE DE FIGUEIREDO, de quem já lemos:

  • duas obras importantes “MESMER – A ciência negada do magnetismo animal” e a “REVOLUÇÃO ESPÍRITA – A teoria esquecida de Allan Kardec”;
  • Todo o conteúdo organizado da sua página pessoal: http://revolucaoespirita.com.br/
  • Muito do conteúdo de palestras e entrevistas publicadas no YouTube que temos visitado assiduamente e temos escutado com atenção.
  • Estamos a par de vários episódios da sua longa carreira como investigador e, por consideração ao seu trabalho e propósitos, inscrevemo-nos como modestos apoiantes, há mais de um ano, do projeto CARTAS DE KARDEC (ID do apoio: 60809270).
  • Não incluímos aqui a sua última publicação “AUTONOMIA”, dado que não conseguimos ainda fazer a sua aquisição directamente do Brasil. Manifestamos aqui o desgosto que temos pelas dificuldades impostas à compra de livros brasileiros daqui de Portugal. Temos a encomenda feita a uns amigos brasileiros que vão ao Brasil neste fim de ano. Oxalá chegue depressa o livro pelo qual tanto temos esperado!…

O presente trabalho foi baseado no teor de mais do que uma das suas palestras, mas não é uma transcrição literal das suas palavras.

Fazemos também referência às importantíssimas investigações de: SIMONI PRIVATO GOIDANICH

Contem várias particularidades específicas do nosso trabalho e algumas notas e comentários de nossa autoria, que julgámos oportunos. De resto, estão sujeitas à aprovação de PHF.

O trabalho de PAULO HENRIQUE DE FIGUEIREDO, pela sua inteligente aproximação a interesses de nível cultural histórico-filosófico e científico, é perfeitamente compatível e valoriza as origens e as perspetivas da grande cultura espírita.

O espiritismo é uma visão aberta e profunda da natureza, da origem e do destino da Humanidade. As suas raízes mergulham nos mais avançados valores da cultura deste terceiro milénio, com sentido universalista que leva em conta o percurso de todos os seres, desde os mais remotos inícios.

Tendo essa imagem do espiritismo e achando que merece novas gerações de interessados capazes de fazê-lo progredir, estamos atentos às mudanças necessárias de uma cultura que nos parece não ter adquirida ainda a projeção que podia e devia ter tido, caso tivesse sido, desde há mais de século e meio, defendida e divulgada com a devida seriedade e rigor merecidos.

Novembro de 2019
José da Costa Brites

 

“Roustainguismo” – a teoria de falsificação do espiritismo e os enormes prejuízos que causou

Para cada salto em frente da Humanidade há sempre tentativas perversas para falsificar, adulterar e contrariar o progresso que desperta e a esperança que se configura.

O espiritismo, logo de início, defrontou-se com uma teoria que o reduzia aos horizontes retrógrados do dogmatismo imperante em todas as religiões, que se servem da heteronomia para imporem o seu poder pelo medo dos infernos, do sentimento do pecado e da culpa!…

Essa teoria foi criada por iniciativa de um francês contemporâneo de Allan Kardec que se chamava Jean-Baptiste Roustaing, que se tornou malfadadamente conhecida como “roustainguismo” e foi adotado no Brasil, há mais de 100 anos, como tema obrigatório de estudo e divulgação pela federação espírita brasileira. E como o tal o inscreveu nos seus próprios estatutos oficiais.

As consequências culturais de um tal absurdo são incalculáveis dada a enorme quantidade de mal-entendidos, conceitos erróneos, conflitos e divisões a que deu origem no seio do movimento espírita, durante mais de 100 anos.

Foi, no nosso entender, o mais extraordinário factor para a falta de prestígio científico e cultural, que fez do espiritismo uma cultura confidencial, altamente minoritária e confinada a pequenos círculos de carácter místico e ritualista, quando poderia ter-se tornado uma frente de reforço consistente da PAZ, do PROGRESSO e da EVOLUÇÂO de toda a Humanidade.

O espiritismo é um avanço inovador que oferece à Humanidade as perspectivas mais avançadas da AUTONOMIA que é tema de uma valiosa obra de Paulo Henrique de Figueiredo, cuja leitura se recomenda a todos os visitantes: “A HISTÓRIA JAMAIS CONTADA DO ESPIRITISMO”:

Esperamos que, com a devida celeridade, esta lúcida mensagem, apoiada em factos concretos e investigações idóneas, abranja o maior número possível de interessados, para que o espiritismo possa, o mais urgentemente possível, alcançar a notoriedade prestigiada que merece.

Acrescentamos apenas a página disponínel para poderem ter acesso a um alargado conjunto de palestras e apresentações de Paulo Henrique de Figueiredo:

É favor clicar na imagem para ter acesso

Wilson Garcia, as federações e o movimento espírita

As Federações e o seu Papel no Movimento Espírita

 

Escolhemos das nossas pesquisas na Internet um artigo escrito por Wilson Garcia, importante estudioso e autor espírita com vasta obra feita e muitíssimo conhecido no Brasil, que no trabalho a seguir inserido apresenta o problema muito sério do papel que as federações desempenharam, e desempenham ainda, no movimento espírita. Já nos interessaria muito se fosse só isso, mas a sua publicação aqui tem o intuito de levar até junto dos leitores portugueses ideias bem claras e documentadas a respeito da história do espiritismo no Brasil.

Tendo a Federação Espírita Portuguesa ao que nos parece, pelas mais do que evidentes aparências, posicionamentos estratégicos francamente coincidentes com os da FEB, embora nunca tenha inserido nos seus estatutos a divulgação organizada e sistemática da mensagem roustainguista,
julgamos muito importante o retrato bastante realista que nos apresenta Wilson Garcia, para podermos avaliar o que tais afinidades poderão significar para o espiritismo em Portugal.
O trabalho em questão foi enviado ao “Portal do Espírito”
por Wilson Garcia em 30/12/2015

Para ter acesso ao artigo é favor clicar nesta frase

 

A teoria esquecida de Allan Kardec, palestra de Paulo Henrique de Figueiredo

AS INVESTIGAÇÕES DE PAULO HENRIQUE DE FIGUEIREDO

Um passo em frente na caracterização filosófica da ideia espírita

De Immanuel Kant se disse que, depois dele, nada seria como dantes no pensamento ocidental. Depois de assimilado o avanço conceptual proposto por Paulo Henrique de Figueiredo, nada será igual no espiritismo em português.


RECEBI, OPORTUNAMENTE,  DE UM JOVEM BOM AMIGO BRASILEIRO O FAVOR DA REMESSA DE DOIS LIVROS IMPORTANTÍSSIMOS PARA O PRESENTE E PARA O FUTURO DO ENSINO DOS ESPÍRITOS, TAL COMO NOS FOI LEGADO POR ALLAN KARDEC.
SÃO
OBRAS ESSENCIAIS, RESULTANTES DE MUITOS ANOS DE PESQUISAS DE PAULO HENRIQUE DE FIGUEIREDO, PARA QUE DESPERTE E SE RENOVE UMA CULTURA QUE MUITOS INSISTEM EM  ANESTESIAR, DETURPAR OU DEMOLIR:

REVOLUÇÃO ESPÍRITA – A teoria esquecida de ALLAN KARDEC
MESMER – A ciência negada do magnetismo animal

O essencial desta notícia é a oferta aos visitantes de uma introdução às ideias de PAULO HENRIQUE DE FIGUEIREDO, de que tomei conhecimento pela generosidade comunicativa das suas palestras e da sua página pessoal.

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AO FUNDO está incluído para descarga um ficheiro PDF da transcrição livre de uma dessas palestras de 17 de Setembro de 2016.
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Reparei depois que o texto da mensagem de agradecimento que mandara ao meu jovem amigo brasileiro, com o entusiasmo com que a escrevi, pode servir como abertura para esse tema:

Caríssimo amigo “J”

“…Deves estar lembrado do Pdf que te enviei a respeito das ideias e da investigação de Paulo Henrique de Figueiredo…”
A propósito disso, tenho estado a assentar ideias a respeito de Immanuel Kant e de todos os antecedentes culturais que poderão fundamentar a lógica histórico-filosófica do aparecimento do ensino dos Espíritos, tal como nos foram transmitidos pela notabilíssima  obra de Allan Kardec.
Esse processo implica a visão abrangente e coordenada da História da Humanidade e da marcha do pensamento filosófico, tarefa a que PHF tem vindo a dedicar a sua melhor atenção, já há dezenas de anos, e que preenche uma lacuna antiga do estudo e da apreciação do conhecimento espírita em português.
Faço esta compartimentação linguística da grande cultura, porque os franceses, que foram os seus legítimos percursores – quer na teoria, quer na prática – deram-se ao luxo de a deixar um pouco ao Deus dará e não a integraram de forma consequente na vasto seio da cultura europeia.
A essa tarefa meteu ombros este brasileiro universalista iluminado por uma formidável lucidez cultural, que veio buscar ao velho continente – provando largamente a abundância de dados e conceitos entretanto negligenciados – a panaceia adequada para um sem número de sincretismos já dramaticamente enraízados na versão tropical do legado de Allan Kardec.
Levará tempo a clarear essa mescla de impulsos desencontrados, conforme também esclarece Paulo Henrique de Figueiredo. Felizmente que a clarividência emancipadora do ensino dos Espíritos não nos foi comunicada por palavras limitadas do quotidiano confuso do suor e das lágrimas de quem caminha lenta, mas persistentemente, para a Luz. Foi-nos comunicada pelo pensamento enorme de quem contempla o mundo de alto e de largo.

Por isso também nós traduzimos “O Livro dos Espíritos” para a língua portuguesa dos dias de hoje, para novas gerações de leitores, alheios à estratificação do pensamento formalista. O que está nas páginas daquele livro não são as palavras petrificadas de um século passado. São ideias luminosas e esclarecidas que dia a dia se renovam, assim haja a lucidez para entender a cada instante a libertadora mensagem dos Espíritos.

Sendo o ensino dos Espíritos uma culminância da modernidade é evidente que os pontos mais elevados e sensíveis da marcha das ideias filosóficas e do desenvolvimento dos factos históricos, têm obrigatoriamente de ter uma correspondência activa e consequente com o seu aparecimento.

Kant não hesitou em definir a sua filosofia como uma “revolução copernicana” na história do pensamento, pois a sua obra significava uma revolução equivalente à que representara o heliocentrismo de Copérnico para a ciência.
Kant foi, indiscutivelmente, o fundador da filosofia moderna: com a sua obra completa-se essa viragem rumo à subjectividade, timidamente iniciada por Descartes e radicalizada por David Hume, que caracterizou toda a filosofia até aos nossos dias.
Após as suas famosas três Críticas (Crítica da Razão Pura, 1781; Crítica da Razão Prática, 1788 e Crítica do Juízo (ou da Faculdade de Julgar), 1790) nada voltaria a ser como dantes.

 A importância fantástica que tem a obra de Paulo Henrique de Figueiredo é ser o avanço mais consequente e organizado que eu conheço no estabelecimento e solidificação dessa correspondência activa!…
A virtude conceptual e ideológica que tem esse avanço é constituir uma ultrapassagem, uma superação, de um conjunto de debates mesquinhos e infindáveis, que estorvam a compreensão das qualidades essenciais do espiritismo, mesmo para alguns que – de certa forma – se julgam adeptos certificados.
PHF, para além de lançar um desafio sem precedentes aos interessados activos na proposta espírita, tal como foi delineada por ALLAN KARDEC, identifica vários aspectos em que tem sido omissa a compreensão dos antecedentes  que possibilitaram a sua eclosão e de várias contingências do seu devir histórico.
Relativamente ao seu próprio país, a redescoberta e elucidação de estudiosos fundadores como Manuel José de Araújo Porto-Alegre, Gonçalves de Magalhães e Gonçalves Dias, desmistifica mitos pseudo-inauguradores de um movimento irremediavelmente marcado por cismas fracturantes e sincretismos incompatíveis com o espiritismo como impulso intelectual emancipador e universalista com profundas raízes intelectuais.
Há sectores, ditos “progressistas”, do espiritismo, que ainda não chegaram às ideias de Immanuel Kant, resumidamente, porque ainda não perceberam a natureza de uma ideologia e de um exercício programático caracterizado pelo sentido da AUTONOMIA, pela ideia da EVOLUÇÃO, e pela CONSCIÊNCIA como residência originária da orientação MORAL, ou seja – ainda não chegaram ao ponto zero da “revolução copernicana” de Kant!…
Estou a ler um livro muito inspirado e envolvente, que é da autoria de Joan Solé, um jovem catalão para aí da tua idade, excepcionalmente bem escrito, que oferece numa bandeja de analogias multi culturais (até artísticas…) o perfil das ideias de Kant, e que se chama exactamente ” A revolução copernicana na filosofia”:

Nota: Esse livro faz parte de uma colecção de 40 obras a respeito dos principais filósofos e da marcha das ideias filosóficas; foi editada em Portugal, por um semanário, sob o título “Descobrir a Filosofia”. Deve ter sido editada no Brasil, pela certa.
Se leres bem em Espanhol (a língua castelhana, atenção…) posso-te mandar 30 pdf’s de 30 dessas obras. Para quem quiser completar ideias a respeito da Filosofia, ou inaugurá-las, é um apetitoso convite à leitura.

O projecto da colecção foi dirigido por Manuel Cruz, catedrático de Filosofia na Universidade de Barcelona, com a colaboração de muito conceituados especialistas!…
O Paulo Henrique de Figueiredo tem sido muito simpático e já pré-anunciou a sua autorização para publicar o Pdf com a transcrição  da apresentação do livro: Revolução Espírita – A Teoria Esquecida de Allan Kardec

Aqui fica o link para a notícia que diz respeito à obra. O site – do próprio autor – tem uma variedade de artigos a não perder. Como requinte técnico que é raro, cada artigo é antecedido da indicação do número de minutos que leva a ler!…

Felicidades e os melhores votos de saúde

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PDF com a transcrição livre, de minha inteira responsabilidade, da palestra devidamente identificada de PAULO HENRIQUE DE FIGUEIREDO:

REVOLUÇÃO ESPÍRITA – A teoria esquecida de ALLAN KARDEC.

 

 

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fragmento de uma pintura da série “Peregrinação” (construida lendo Fernão Mendes Pinto) , de Costa Brites

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fragmento de uma pintura: “Visões do Céu – memórias da infância” , de Costa Brites, 2008

 

NDE * EQM * Espiritismo – revisto e simplificado

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Desde há mais de 20 anos, em que casualmente me foi dado conhecer a existência das Experiências de Quase-Morte, convenci-me de que estava perante um fenómeno suscetível de transformar os paradigmas culturais mundiais em torno da questão da vida para além da morte.
Resolvi publicar este resumo, inicialmente em 2013, a respeito do que tinha aprendido sobre este tema.
Culturalmente julgo ter interesse ter feito agora uma breve revisão simplificativa, visto que se mantém uma possível utilidade para vasto número de leitores.

O que não está é atualizado quanto às fontes de pesquisa, visto que se trata de uma área de interesses em contínua expansão. Dizendo melhor: em contínua e explosiva expansão!
Envolvido numa quantidade de interesses culturais, não me é possível fazer melhor, peço desculpa.
Até à presente data, o tema tratado tem passado por desenvolvimentos fantásticos, que se vão alargando em todas as direções, ganhando horizontes, nomeadamente, nas áreas de nível académico, nos países cientificamente mais evoluídos.
A capacidade que qualquer de nós tem de se aperceber dessa extensão evolutiva, depende da capacidade de ler em línguas estrangeiras. A esse nível, o que está ao nosso alcance na Internet, NÃO TEM LIMITES.

Vou colocar aqui dois exemplos apenas, mas poderia acrescentar centenas de referências:

https://med.virginia.edu/perceptual-studies/our-research/near-death-experiences-ndes/

https://www.galileocommission.org/?s=nde

O presente trabalho, como o que fiz em 2013, tenta escalpelizar de modo breve as relações entre o espiritismo como área de interesses científico-filosóficos com vincadas preocupações morais e as Experiências de Quase-Morte, nas suas mais imediatas e importantes características.

As minhas melhores saudações.
José da Costa Brites
Lousã − PORTUGAL / Dezembro de 2019

Revolução Espírita, de Paulo Henrique de Figueiredo

Este trabalho, feito no interesse de pesquisa de dois portugueses, seguidores e divulgadores da mensagem de Paulo Henrique de Figueiredo, apresenta a leitura integral e cuidadosa, com facilidade de pesquisa e inter-relação de conteúdos, de todos os artigos publicados entre 12/Jun/2016 e 28/Set/2017, por Paulo Henrique de Figueiredo na sua página pessoal.
Está publicado num ficheiro PDF, ao fundo deste artigo.>

A REVOLUÇÃO ESPÍRITA é o título de um livro que recebemos do Brasil, que começámos a ler com entusiasmo no momento em que nos demos conta da importância da sua mensagem, das reflexões e das propostas construtivas que consigo transporta.
Como é sabido de muitos e muitos milhares de referências Históricas, a REVOLUÇÃO FRANCESA, assim escrita, com maiúsculas, representa – com as inerências dolorosas de todos os grandes dramas da História da Humanidade, e estamos a pensar, nada mais nada menos que no sacrifício do cidadão Jesus de Nazaré – um ponto absolutamente essencial na viragem dos tempos, das atitudes e das conceções das sociedades organizadas, pelo menos no hemisfério que habitamos.
A REVOLUÇÃO ESPÍRITA de Paulo Henrique de Figueiredo, evidencia à partida o lúcido reconhecimento das realidades que estiveram na base do maior levantamento político-social e ideológico que sacudiu a Europa, ao fim de muitos séculos de abominável dogmatismo, intolerância, desigualdades e inenarráveis violências institucionais, quase sempre “sacralizadas”.

A REVOLUÇÃO ESPÍRITA que Paulo Henrique de Figueiredo nos apresenta possui, porém, potencial transformador muito mais vasto, pode dizer-se, universal, porque reside na consciência; procede pelo raciocínio, pelo sentido de liberdade e pelo mais absoluto respeito pela paz e pela elevação moral.

Intelectualmente pode abarcar a antiguidade e a seriedade das mesmas razões que fundamentaram a Revolução Francesa. Surgem deste modo, aglutinando muitas outras, as referências ao pensamento inspirador de Jean-Jacques Rousseau e ao seu desenvolvimento filosófico levado a cabo por Immanuel Kant.
Segue-se, no encadeado complexo de muitas razões e acontecimentos (entre elas o avanço científico proposto por Franz Anton Mesmer) a tarefa de metodização efetuada por Allan Kardec de conhecimentos excecionais, embora radicados na antiguidade do Homem, e que o relacionam com a transcendência, a sua origem e o seu destino.
Uma Revolução faz pensar na outra. Não são iguais nem parecidas, nem nas suas motivações fundamentais, nem nos processos utilizados e muito menos nos objetivos alcançáveis.
Uma faz pensar na outra porque ambas permanecem dificílimas de concretizar, e porque oferecem a perspetiva de mudanças radicais. Mas a Revolução Espírita, no âmbito e na projeção dos seus objetivos é muitíssimo mais vasta, profunda e intemporal.
O desenvolvimento da sociedade humana é de uma complexidade trágica. Mas é o único caminho inevitável e indispensável, porque vai ordenando lentamente as vontades e as atitudes individuais e coletivas em direção ao grande e necessário Progresso.
Haja a coragem para estudá-las a ambas, na íntegra seriedade das suas causas e consequências.

Quanto à que chamaremos nossa, a REVOLUÇÃO ESPÍRITA, a ser conduzida em PAZ, progresso intelectual e elevação moral será certamente – neste Terceiro Milénio – a grande – a SUPERIOR transformação de toda a HUMANIDADE!…

Para ter acesso ao ficheiro PDF com a totalidade dos artigos acima referida,
é favor clicar neste “link”:

REVOLUÇÃO ESPÍRITA, de Paulo Henrique de Figueiredo

 

O UMBRAL, sucedâneo do INFERNO, desmistificado pelo ensino dos Espíritos

O elemento principal deste artigo é a entrevista dada a respeito do tema em título por Paulo Henrique de Figueiredo, à TV Mundo Maior, cuja transcrição integral se encontra mais abaixo.

Como elemento bibliográfico de muito interesse é anexado um PDF que foi feito a partir de um artigo da Drª Maria das Graças Cabral de 9 de Outubro de 2011, devidamente referenciado, sobre o mesmo tema, com consultas efectuadas nas obras de Alan Kardec e considerandos da autora.>

Cena pertencente ao filme brasileiro “Nosso Lar” dirigido por Walter de Assis baseado no livro do mesmo nome, psicografado por Francisco de Paula Cândido Xavier, e que documenta visualmente o suposto “umbral”, aqui discutido.

Uma das ferramentas das doutrinas dogmáticas para amedrontarem as pessoas, mantendo-as prisioneiras do medo do futuro e obrigando-as a obedecer inflexivelmente aos seus mandamentos sacramentais, foi terem inventado o Inferno, ideia completamente inclassificável numa base minimamente racional.
Como poderia uma entidade criadora de seres naturalmente vulneráveis e tantas vezes desprovidos de recursos para enfrentarem as dificuldades naturais do mundo e da vida, estabelecer regras tão cruéis e que conduzissem tais seres aos sofrimentos eternos?

Uns ricos e poderosos, outros pobres e desvalidos, uns saudáveis e corajosos outros fracos e doentes, todos ameaçados desde o nascimento ao risco eminente (sobretudo para aqueles que morrem com poucos anos, ou meses, ou dias de vida!…) todos, sem apelo nem agravo, sujeitos obrigatoriamente à obediência sacramental de permanentes imposições incompreensíveis e de rigores implacáveis das condenações aos sofrimentos mais horríveis, por todos os séculos dos séculos!…
Quem domina os mecanismos dessas obrigações litúrgicas e sacramentais, em proveito próprio, mantendo os cidadãos mais humildes durante toda a vida, à beira do precipício de julgamentos tão infernalmente intolerantes?
Todos sabemos do que estou a falar, a cultura de milhares de milhões de pessoas em todo o mundo permanece prisioneira desse género de perspetivas, seja qual for a denominação religiosa que continua a alimentar e explorar – repito, em proveito próprio – tais abominações sem nome!…

E então o espiritismo que diferença faz se também nos ameaça com o UMBRAL?

O dia a dia de grande quantidade de frequentadores de centros espíritas está habituado ao elevado nível de teorias penalizadoras, da ideias do “carma”, que não pertence de todo ao vocabulário espírita e cuja lógica é absolutamente alheia à cultura respetiva, já para não falarmos de cenas alucinantes de filmes e vídeos “espíritas” que “mostram” cenários alucinantes povoados por fantasmas andrajosos nos “umbralinos” vales dos suicidas!….

A COMPLETA DESMISTIFICAÇÃO da ideia do UMBRAL, pela palavra de Paulo Henrique de Figueiredo

O artigo de hoje de “espiritismo cultura” apresenta a transcrição (o mais fiel possível) de uma palestra já não muito recente de Paulo Henrique de Figueiredo que, coerentemente com pontos de vista plenamente fundamentados já abordados aqui (ver A Revolução Espírita – A teoria esquecida de Allan Kardec, de Paulo Henrique de Figueiredo), clarifica de forma resumida e inexistência no mundo espiritual de lugares reservados para coletivos de Espíritos, seja qual for o seu nível de evolução e, muito menos, a prevalência de sistemas punitivos sistematizados e muito menos dogmaticamente fechados.

A responsabilidade espiritual das pessoas tem carácter individual, e depende unicamente da sua autodeterminação em liberdade e do nível de afirmação da sua consciência moral.
De resto, está ao alcance de todos a adoção de atitudes construtivas e de evoluções positivas.
A todos é acessível o auxílio, através do conselho e da solidariedade dos bons Espíritos que, libertos do orgulho, podemos e devemos solicitar a todo o momento e seja qual for a nossa circunstância específica.

UMBRAL VISÃO ESPÍRITA/ TV mundo maior

Olá amigos da TVMUNDO MAIOR!
Muitas das histórias que ouvimos a respeito do UMBRAL relatam um local de dor e sofrimento. Para falar sobre este assunto e esclarecer alguns pontos nós vamos receber o pesquisador e escritor espírita Paulo Henrique de Figeiredo.

 ELEN ARÇA
̶  Paulo seja bem vindo!
Paulo Henrique de Figueiredo:
̶  Eu é que agradeço o convite!
O que é o UMBRAL para o espiritismo?
̶  A grande maioria dos espíritas que participa no movimento espírita foram educados nas religiões cristãs, protestantes e, na maioria, católicos.
Há uma tradição do entendimento do que ocorre na espiritualidade, desde as religiões antigas, de uma semelhança entre o que se vive neste mundo e o que acontece no outro. Um exemplo disso é o que acontece após o julgamento final.  A ideia é que os bons vão viver no paraíso e usufruir do prazer. E os maus vão viver no sofrimento. Mas o sofrimento que se imagina é um sofrimento físico.
Na Índia por exemplo, eram concebidos dois infernos, o inferno quente e o inferno gelado, da neve, do sofrimento do frio. O que se tornou clássico na Grécia e na tradição cristã foi o inferno quente.

O espiritismo traz uma inovação ao explicar o que é o mundo espiritual que não tem paralelo nas metafísicas anteriores a ele. E o espiritismo é muito recente, tem apenas 160 anos.

Então, compreender bem o que o espiritismo explica não é muito corrente.
As pessoas normalmente associam o entendimento das descrições, por exemplo, lendo em André Luís a descrição do “umbral”. Imaginam a vivência lá equivalente à que existe aqui no mundo material. Ou seja, um lugar onde se sente muito sofrimento. Seria um paralelo relativo ao inferno.
A questão é que os Espíritos, na obra de Kardec, demonstram que o mundo espiritual é muito diferente do que normalmente se imagina. No mundo material estamos determinados pelo ambiente em que nos encontramos. Se estivermos num ambiente muito quente, não importa quem seja, vai sofrer com o calor. Dos simples aos inteligentes, o bandido ou um santo, vão sentir muito calor, porque no mundo físico o organismo é igual para todos.
Quando formos para o mundo espiritual, as pessoas não percebem que o nosso corpo espiritual, num grau de evolução mediano, tem aparência equivalente à vivência que temos aqui. Muitas das pessoas que desencarnam, nem percebem que morreram, quando regressam ao mundo espiritual!…

A realidade do mundo espiritual é determinada pelo seguinte facto: O que se pensa e se sente altera as condições físicas do corpo espiritual, do perispírito.
Exemplificando: quando mais ligado às questões deste mundo, quanto mais ligado aos instintos, às paixões, às emoções, mais denso fica o perispírito, mais pesado.
E quanto menos apegado, mais desprendido, menos denso e mais leve ficará o seu perispírito.
A densidade do perispírito é que determina a localização do mundo espiritual a que vai estar associado, o nível de sintonia a que o seu perispírito está situado.
A associação que você fez do mundo espiritual com a ideia do inferno, corresponde à ideia de que quem comete erros, vai ser julgado e colocado num local de sofrimento.
O que o espiritismo veio ensinar-nos é de que o local onde estamos ambientados depende do que pensamos e sentimos.
Portanto, quando as pessoas morrem, vítimas de apegos, remorsos, desejos de vingança, sentimentos desses aproximam-nos da condição animal. No mundo espiritual a consequência disso é ter um corpo espiritual denso, pesado.
Esse corpo espiritual mais denso e pesado vai situar-se num ambiente com outras pessoas que se encontram nas mesmas condições.

Muito diferente da ideia do inferno, que é um lugar sem saída, o verdadeiro mundo espiritual como explica o espiritismo é formado por níveis diferenciados – onde se entra e de onde se sai – pela livre escolha de cada um.
Quem muda o seu padrão de pensamento, modifica o nível de sintonia com aquele lugar.
Muitas pessoas que desencarnam, regressando ao mundo espiritual, não têm uma noção do mundo em que se encontram, passam a viver do mesmo modo que viviam no mundo material. Procuram as mesmas coisas e mantêm os mesmos hábitos, as mesmas emoções e o mesmo medo, procurando satisfazer as mesmas necessidades.
Quanto mais medo tiver, mais denso e pesado se torna. Sem modificar essas tendências essas características as entidades espirituais não percebem que estar ali é uma decisão deles mesmo.

Conclusão: no mundo espiritual não existem lugares determinados por Deus para alojar este ou aquele Espírito. Não há nenhum castigo pré-determinado ou condição de sofrimento que seja imposta. Tudo é fundamentado no conceito de liberdade. Cada um vai para onde quer e fica onde quer. E essa decisão é tomada em função do seu padrão de pensamento e sentimento.

E nós encarnados, em sonhos ou desdobramentos, podemos entrar nessas zonas mais densas?

̶  Veja bem: o que significa estar encarnado? Significa que antes de nascermos, estávamos no mundo espiritual. E ligámo-nos à primeira célula que representou o surgimento do nosso corpo físico. Quando as células se vão multiplicando o ser vai-se ligando a cada uma delas, até ao momento que está ligado ao embrião, e depois, quando a criança nasce, a sua consciência como espírito passa a ser determinada pelo cérebro. Passa a pensar pelo cérebro. No momento, os que estamos a conversar aqui e os que nos estão escutando, encontramo-nos na condição de pessoas que pensam pelo corpo. Isso não significa, porém, que não estejamos presentes no mundo espiritual.
Como a nossa consciência está no corpo é como se o nosso perispírito ficasse ligado a ele, mais ou menos na mesma localização. Se vamos dormir, ou no caso do desdobramento como na pergunta que me fez, o corpo dorme, a consciência desliga-se do nosso cérebro e passamos a pensar com o corpo espiritual, com perispírito.
Estando de posse desse perispírito, onde estaremos? Estaremos num ambiente com o qual estivermos em sintonia.
Enquanto encarnados, nós já temos um ambiente espiritual determinado pelos nossos padrões de pensamento.
Há pessoas que ficam preocupadas e que me perguntam:

Para onde vamos depois da morte?

̶  Eu respondo-lhes que a pergunta que me fazem não devia ser essa. Deveriam perguntar-me onde é que estão nesse mesmo momento, agora. Porque onde estamos agora é exatamente aí onde vamos estar depois da morte.
Como espírita, a melhor maneira de entender o espiritismo é reconhecermos que somos espíritos, nós somos espíritos!…
As consequências dos nossos atos, portanto, não são futuras, são imediatas. Todas as decisões que tomamos no nosso quotidiano, elas devem estar voltadas para termos controle das nossas emoções, não é não termos emoções, porque o nosso corpo necessita delas. Necessitamos de medo, de raiva, precisamos de ter fome, necessitamos dos prazeres, tudo isso está ligado à sobrevivência do organismo.
A nossa capacidade, como espíritos conscientes é fazer uso de todas essas emoções e sentimentos e paixões nos limites do necessário.
Se morreu alguém, ficamos tristes com esse facto, e experimentar essa tristeza é extremamente natural, mas isso tem de ir-se extinguindo e recuperarmos esses factos como lembranças do passado.
Ficar a viver essas penas permanentemente no futuro, é uma coisa que não devemos fazer.
Em paralelo podemos observar o comportamento dos animais, que vivem as emoções nas circunstâncias, mas não guardam a lembrança das circunstâncias passadas, nem ficam projetando um futuro ruim.
O Homem, nessas condições, ganha a liberdade e tem que aprender que fazer uso dela, mantendo o equilíbrio, é a grande saída para a saúde, para o bem estar e para a felicidade.

E quanto aos espíritos desencarnados que se encontram num estado mais evoluído, conseguem transitar para essas regiões, passam por alguma orientação? Como se passa isso?

̶  Imagine o seguinte: se você tiver um objetivo determinado, vai onde for necessário para alcançá-lo! Imaginemos que está a fazer certa prova, de corrida de bicicleta, ou de esforço extremo em que tem que rastejar na lama, atravessar o mato. Se esse for um objetivo determinado e que vai terminar em breve, mas que é necessário para conquistar algo, isso deixa de ser um sofrimento.
Os bons espíritos, contrariamente ao que certas pessoas imaginam, não ficam como se fosse num céu, muito contentes por estarem num lugar bom.
Os bons espíritos vão onde podem ser úteis!
Têm por isso a capacidade de alterar a densidade do seu organismo, e essa alteração de densidade não representa de forma nenhuma uma situação de mal estar. Fazem isso com a intenção de estarem próximos daqueles que vão ajudar.
Se estiverem invisíveis podem inspirar alguém, mas se forem surgir a um outro espírito em estado de igualdade, conseguem ser muito mais tocantes na sua mensagem e no seu conselho.
Os bons espíritos, portanto, em muitos momentos das suas missões, passeiam pelo mundo espiritual do mais denso para menos denso, sempre tentando levar a sua mensagem, o seu entendimento. Fazendo com que os espíritos que estão ali despertem.
O que eles não podem é agir pelo outro. Se alguém estiver, portanto, no mundo espiritual, passando por uma situação de dificuldade, o espírito bom pode aproximar-se e sugerir que o outro mude o seu modo de pensar, que seja otimista, que peça ajuda.

Porque o que mais dificulta um Espírito no mundo espiritual é o orgulho. É o não pedir ajuda, é o não reconhecer que precisa de recomeçar, e esse é o primeiro passo para a mudança.

É recomendável vibrar ou fazer preces pelos espíritos que se encontram nessas regiões?

̶  Não há a mínima dúvida!
Todos os espíritos vivem num ambiente que se estabelece de tal forma que o que se pensa e sente determina o seu corpo e o ambiente em que ele está. Se tiver alguma ligação afetiva com alguém, seja qual for a condição em que se encontre, o espírito que procura ajudar pode ter acesso à sua mente.
Se pensar em alguém que se foi deste mundo, com tristeza, com pesar excessivo, estaremos a transmitir-lhe angústia.
Se a energia transmitida for otimista, vai dar tudo certo, vai superar, esse é o pensamento que temos que transmitir-lhe.  Porque ao receber esse pensamento, ele vai sentir um impulso, uma força, uma luz que o motivam. A soma dessas motivações mais a vontade dele vai possibilitar-lhe ultrapassar a condição em que se encontra.
Portanto, é sempre útil, estabelecer esses pensamentos, para aqueles que nós conhecemos e também para os que não conhecemos.
Mas sempre numa atitude de otimismo, boa vontade.
Se formos espectadores de uma corrida, e estimularmos com entusiasmo, aplausos e frases de encorajamento aqueles que começam a fraquejar, ajudamo-los a prosseguir. Passa-se o mesmo com os espíritos, sobretudo os que estiverem com dificuldades. Os sentimentos otimistas e estimulantes vão chegar-lhes como um impulso.
A pessoa que transmite essa ajuda é realmente como alguém que também se encontra a competir enfrentando-se a si mesmo naquela prova, tentando superar os seus limites. De resto, todos os bons espíritos já passaram por situações semelhantes!
Enfrentaram as dificuldades e superaram-nas pelo seu próprio esforço. Os que estimulam terceiros têm sempre o argumento principal que é o de poderem dizer que já estiveram numa situação semelhante e conseguiram superá-la.

Muito obrigada Paulo!
̶  Eu é que agradeço!

Cena pertencente ao filme brasileiro “Nosso Lar” dirigido por Walter de Assis baseado no livro do mesmo nome psicografado por Francisco de Paula Cândido Xavier, e que documenta visualmente o suposto “Nosso Lar”, aqui discutido


PDF de um artigo da Drª Maria das Graças Cabral de 9 de Outubro de 2011, devidamente referenciado, sobre o mesmo tema, com consultas efectuadas nas obras de Alan Kardec e considerandos da autora:


+ UMBRAL E NOSSO LAR


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“O Inferno”, painel do retábulo “O Jardim das Delícias”, de Hieronymus Bosch, 1504 (Museu do Prado, Madrid)

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A Génese de Allan Kardec, tradução de Gustavo N. Martínez

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Aqui apresentamos para todos os nossos visitantes a belíssima tradução em castelhano de “A Génese” de Allan Kardec, da autoria de Gustavo N. Martínez

Está adiantada a nossa tradução em português de Portugal.

Para aceder ao PDF do livro, é favor clicar na imagem da capa.

 

 

 

A prodigiosa mediunidade de Augustin Lesage, humilde mineiro e pintor espírita (1876-1954)

Nota para os visitantes conhecidos: este é o texto publicado aqui há vários anos,  com mais imagens e apresentação mais completa, resultante de textos traduzidos, publicados em:

Humilde e prestigiado servidor da arte mediúnica, expôs as suas telas surpreendentes de beleza e de luz, não obstante a sua avançada idade.

 

 

Deixemos que ele mesmo se nos apresente:

“…Chamo-me Augustin Lesage, nascido a 9 de Agosto de 1876, em St Pierre les Auchel, perto de Béthune, no Pas-de-Calais. O meu pai era mineiro, pois que vivia nesta região de minas. Andei na escola primária de St-Pierre-les-Auchel até à idade de 14 anos, altura em que fui trabalhar nas minas. Conheci ali o mais duro trabalho, durante 27 anos; deixei a mina a 23 de Julho de 1923.
Foi em Janeiro de 1912 que os poderosos Espíritos vieram manifestar-se-me, ordenando que desenhasse e pintasse, coisa que jamais havia feito anteriormente. Nunca tendo visto, até esse momento, um simples tubo de tinta para pintar, imaginem a minha surpresa perante tal revelação.
Ignoro completamente seja o que for a respeito de pintura.
– Não te inquietes por causa desse pormenor insignificante, responderam os espíritos. Seremos nós a conduzir as tuas mãos.
Recebi então, por escrito, o nome das cores e dos pincéis de que necessitava e comecei a pintar sob a influência dos artistas do além, sempre que chegava a casa extenuado depois do trabalho na mina. Tal fadiga, contudo, desaparecia quando me encontrava sob a influência dos espíritos.
Recebo sempre, por escrito, conselhos favoráveis a respeito dos trabalhos, que executo sem modelo, o que é uma grande facilidade para mim, por não ter de procurar compreender, visto que as composições não são de minha autoria. Sou apenas a mão que executa e não o cérebro que concebe o que faço.
Pinto sempre desperto, mas sem poder estar na presença de quem quer que seja. Represento aquilo que os vivos não podem ver, enquanto que os artistas pintores representam o que a natureza coloca perante o seu olhar. Permaneço em relação permanente com os nossos queridos amigos do além, que me trazem grandes revelações.
Raros são aqueles que concebem a fé vivida com esses espíritos, não material, mas espiritualmente.

Nada compreendo da confusão de cores diversas que aplico sobre a tela. De acordo com os conselhos que dão os meus amigos do espaço, as obras que executo representam todas as religiões associadas do passado longínquo. Tais enigmas serão por nós conhecidos um dia. De momento podemos chamar-lhe “pintura nova”…”.

Texto escrito por Augustin Lesage em Barbuse (Pas-de-Calais) a 20 de Maio de 1925
Este depoimento, de autoria do próprio Augustin Lesage foi confirmado por declarações emitidas por entidades independentes e organismos públicos, além de ser do conhecimento de muitos vizinhos e de grande quantidade de personalidades do mundo artístico e cultural com que o mesmo se relacionou ao longo da sua vida. Entre os quais, os seguintes:

“… o Presidente da Câmara da comuna de Burbure certifica que o Senhor Augustin Henri Lesage, aqui residente, nascido em Auchel no dia 9 de Agosto de 1876, exerceu sempre a profissão de mineiro e nunca frequentou nenhuma escola de desenho ou de pintura. Assinado em Burbure a 22 de Maio de 1925 pelo Maire Decroix…”

“…O abaixo assinado Emile Lacroze, engenheiro, director das minas de Ferfay-Cauchy, declara que Augustin Henri Lesage trabalhou como mineiro nas nossas explorações, de 23 de Agosto de 1890 a 14 de Novembro de 1897, (serviço militar), de 27 de Setembro de 1900 a 12 de Julho de 1913 e de 11 de Março de 1916 a 6 de Julho de 1923. Ass. 22 de Maio de 1925…”

De 7 a 14 de Junho de 1953 foram expostas na “Maison des Spirites”, situada no nº 8 da Rue de Copernic, em Paris, várias obras de Augustin Lesage, o mineiro pintor..

“…Observar-se-á nas obras qualquer coisa de completamente diferente de uma habilidade adquirida pela prática manual continuada que pudesse servir uma documentação recolhida aqui e ali e engenhosamente interpretada.
Aquilo que caracteriza a sua arte é incontestavelmente a invenção, e – em verdade – é impossível conceber de acordo com o raciocínio corrente como poderá Lesage, ao longo dos anos e isolado na localidade onde viveu, longe de qualquer fonte de informação, ter adquirido primeiro uma destreza técnica tal, e depois o conhecimento de utilização dos temas decorativos de que se serve – os quais evocam – com toda a originalidade pessoal e novidade – reminiscências persas e hindus.
Como poderá o extenuado mineiro, finda a sua jornada de trabalho, ter regressado para defronte da sua tela com capacidade para construir com pinceladas fáceis e subtis, esses pagodes fantásticos, e desenrolar seus bordados soberbos, associar harmonias cromáticas e coordenar tão enorme variedade de combinações gráficas?…”

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Quando pela primeira vez o médium se exercitou numa tarefa que ele julgava impossível, serviu-se – aconselhado pelas “vozes” e pelas mensagens escritas – de uma tela de 9 metros quadrados. Para começar era uma audácia. Estendeu-a como pôde, na sala inferior da casa, transformada em atelier. Era forçado, aliás, a tê-la parcialmente enrolada, de modo a poder avançar com o trabalho, dado que as dimensões da tela eram tais que excediam o tamanho do compartimento. As mensagens inspiradoras também lhe tinham dado instruções relativas à compra das tintas de óleo e respectivas cores, dos pincéis e dos godés nos quais diluía as cores com essência. Fora-lhe dado igualmente conselho de se ajoelhar e de orar, tal como fazia Fra Angelico, antes de iniciar o seu trabalho de pintor.

A partir desse momento o trabalho tornava-se fácil: empunhar ao acaso um pincel e erguer uma mão que um tremor súbito anima, colher tinta de um dos godés e, em gestos agora firmes, pigmentar a composição, já começada, de pequenos pontos, cuja justaposição, no seu conjunto, determina o conjunto das formas e define as gradações de cor e os detalhes da obra.

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Trabalho de uma extrema lentidão e de rigor impressionante. Labor de miniaturista, de iluminura, ocupava decorativamente vastas superfícies, porventura concebidas para um trabalho a fresco. Contudo, à força de preserverança, de dócil impassibilidade, Lesage acaba por cobrir toda a tela até ao limite das suas margens, sem esquecer, durante a execução, os retoques, repetições e rectificações que não derivam de seu motu próprio, mas da orientação do espírito artista ao qual obedece o artesão respeitoso. Estas referências e acentuações não são a parte menos extraordinária do trabalho. Sucede por vezes que o “inspirador” insatisfeito consigo mesmo, retém o pincel, durante várias semanas, sobre uma superfície de alguns centímetros quadrados, sempre, sempre rectificando as linhas e a coloração, correndo o risco de empastar ou produzir a confusão.
Não se passa nada diso. Os detalhes assim aprofundados são frequentemente os mais notáveis, pela sua estrutura de mosaico e o seu gosto cromático. É com espanto que se descobrem alusões à paleta e aos tons pastel do grande visionário que foi Odilon Redon.
Não é exagero dizer-se que no tempo presente, ninguém poderia inventar ritmos ornamentais, com tal fantasia e riqueza. Tais são os que criou o pincel de Lesage, achados com tanta felicidade, que os criadores de rendas de Calais vieram a Burbure procurar ideias para novos modelos.
Que ali não se busquem regras de composição escolástica. Nem mais ciência no equilíbrio de volumes que no jogo de valores. Poderia falar-se de valores. Ou de ramos de flores, de vagas iridiscentes e de vibrações luminosas.
Perto, arquitecturas atrevidas, acentuadamente alinhadas e fantasticamente sobrepostas; pés-direitos que sustêm arcadas, cúpulas às quais se associam galerias de onde se projectam abóbadas, recortadas por pilares incrustados de pedrarias, que conduzem a miradouros, ameias e lanternins. Nestas estruturações acontece que uma cripta sustem uma nave e os seus altares, contudo, sem obediência à realidade. Lesage (ou o espírito, mais propriamente) ultrapassa as circunstâncias, zomba da resistência dos materiais, cria a instabilidade, lança um piso imenso sobre uma cúpula central, reedifica um segundo templo por cima dum primeiro. Um arquitecto rir-se-ia. Um pedreiro diria: “é impossível!”; um decorador exclamaria: “é improvável, mas com estilo, brilhantismo e um emaranhado que encanta a vista!…”.

M. Cassiopée.
Extrait de la Revue Spirite de Mai-Juin 1953.

 

.“…Em geral as coisas são vistas em corte. O olhar do espectador mergulha no interior de um movimento prodigioso, ali se perde e se conduz no entanto através de uma multiplicidade de artérias, de capelas e naves laterais, onde se mostram – em tonalidades neutras – misteriosas neblinas nas quais flutuam cintilantes painéis, caixotões e nervuras, nas quais se dispersam em leves grinaldas – pérolas, corais, safiras, esmeraldas e rubis.
Lesage teve, pelo menos, duas fases, precedidas de uma primeira, feita um tanto às apalpadelas, que produziu painéis que se encontram expostos em diversas instituições, à maneira de estuques relevados nos quais se encontra toda a delicadeza e as cores aveludadas de um Vuillard. A primeira fase é menos sensacional que a segunda.
(…)
Como artista, “Augustin Lesage apresenta-nos um dos mais belos casos de mediunidade pictórica …”.
“…atingiu uma arte depurada, lúcida, suave, leve, onde a invenção decorativa retoma curso livre com à-vontade e variedade, extremamente sedutora, pela franqueza de toques feitos em geito de esmalte. É-se levado a pensar que talvez o artista mineiro tenha tido dois “guias” pintores, o que não é hipótese sem fundamento.
No dia em que visitámos em Burbure o atelier do médium, exprimimos essa opinião ao comparar as telas antigas com as actuais. Lesage teve imediatamente uma comunicação psicografada, cujos termos elucidavam que o pintor tinha sido conduzido na execução da sua obra por duas entidades distintas, uma delas dedicada aos temas arquitectónicos e outra para a vertente puramente decorativa. As nossas suposições foram desse modo confirmadas e bem assim o facto de os seus inspiradores serem de origem asiática, o que se encontrava esclarecido na já mencionada comunicação: a primeira entidade era Indu e a segunda vivera muito tempo no Extremo Oriente…” 

 

 

A história da Colheita Egípcia

Procurámos sem êxito uma reprodução da Colheita Egípcia…

Um facto mais do que marcante, nós diríamos revelador, é o da história da “Colheita Egípcia”.
Em Outubro de 1938, Augustin Lesage começou a tela da “Colheita Egípcia”. Terminou-a dois meses depois, em Dezembro.
As suas disponibilidades financeiras mantinham-se escassas, fiéis à definição que Allan Kardec fornecia da mediunidade de que o que é um dom da mediunidade não é para ser objecto de negócio.
Bela lição para aqueles que, nos nossos dias, se proclamam mestres em ciências do espiritismo e que fazem negócio com ele.
Sabe-se que a coberto das interpretações de tais “mestres”, a mediunidade é afastada do seu sentido espiritual. Para isso fazem uso da palavra “parapsicologia” e de outras designações,  para enganar todos aqueles que desejam compreender o sentido cristalino da alma tal como era entendido por Allan Kardec.
Saberão escutar as suas vozes interiors? Saberão o que é de facto a mediunidade?
Desejamos que sim muito fraternalmente, antes de mais por si próprios, e por uma questão de respeito por tudo aquilo que recebemos do mundo espiritual, portanto da fonte divina.
Regressemos contudo a Augustin Lessage, num dia de 1939, em que almoçava com seu amigo Fournier. Foi informado que a Associação Guillaume Budé estava a organizar um cruzeiro ao Egipto e de que esse mesmo amigo lhe oferecia a viagem.

Marie-Christine Victor conta no seu livro:.

“…Em Marselha, no dia 29 de Fevereiro de 1939, ao meio dia, Augustin Lesage embarcou com o seu amigo Fournier no navio “El Mansour” (…). Teve oportunidade de conhecer a bordo um egiptólogo de nomeada que se manifestou muito interessado na obra que descobrira por ter visto uma dúzia de quadros seus, dentre os quais a “Colheita Egípcia”.
– Porque é que atribui tanta importância a esta última tela? Perguntou ao velho mineiro.
– Porque, respondeu ele, não é apenas da última que pintei, mas porque os meus guias me revelaram que eu iria reencontrar o fresco da época egípcia que representam os trabalhos da colheita…”.
“…o egiptólogo não partilhou essa opinião, derivada mais de um acto de fé que de um processo científico, dado que apenas é científico e válido aquilo que é material e tangível. Não acreditou pois um só instante que a tela de Lesage pudesse ser outra coisa que não produto da sua imaginação ou dos seus fantasmas. O artista não ficou minimamente impressionado pelo espírito científico do seu companheiro de viagem e preferiu tomar a atitude prudente de quem está tomado pela certeza profunda, logo, fora do comum…”
“… No Domingo 26 de Fevereiro chegámos a Alexandria e no dia imediato ao Cairo. Foi a tomada de conctacto com o Egipto moderno.
…arquólogos franceses tinham por missão acompanhar e dar explicações aos turistas dos quais fazia parte Augustin, a respeito da história e do significado dos monumentos da época faraónica…”
“…Augustin viu a imensa estátua de Ramsés II caída na areia, e a esfinge de Memfis, a pirâmide de Sakkarah, construída 5000 anos antes da nossa era, no tempo do rei Toser. Por fim as grandes pirâmides de Kéops, Kefren e Mikerinos, a grande esfíngie de Gizé, conhecida em todo o mundo. Experimentou um sentimento profundo:
– Como se tudo aquilo fosse para mim mais do que uma curiosidade, como se as pedras me fossem familiares, como se esse novo país que nunca tinha visto não me fosse inteiramente desconhecido, causando-me mais um sentimento de apego que de admiração…”

Tal caso não nos surpreende, tendo sucedido o mesmo, mas com muito mais rigor e certeza no caso de Lucienne Marmonnier, igualmente uma artista médium. Para nós, espíritas, é facto adquirido que Augustin Lessage deve ter vivido uma encarnação no Antigo Egipto; de outro modo o sentimento do momento já vivido não teria em si uma tão grande ressonância.

“…Nos dias seguintes visitámos o Museu do Cairo onde se encontram expostos, em especial, todos os objectos encontrados no túmulo de Toutankhamon. No dia 4, Sábado, partimos para o Sul, até à primeira catarata, tendo a visita ao Alto Egipto começado por Assouan.
Augustin Lesage, depois de ter visitado Luxor e e visto a base sobre a qual estava colocado o obelisco que actualmente se encontra na Praça de la Concorde, em Paris, chegou ao Vale das Rainhas.

Escutemos aquilo que nos contou:
– Dois anos antes, neste vale, fora desenterrada uma pequena povoação. O arqueólogo contou-nos que no tempo de Ramsés II, da XVIII dinastia, cerca de 1.500 anos antes da nossa era, a mesma povoação era habitada por 700 a 800 operários especializados em trabalhos funerários. Tais operários eram preciosos porque os Egípcios davam mais importância à sua morada eterna que às casas em que habitavam durante a sua vida, e que não necessitavam de uma decoração tão rica, dado o curto lapso de tempo que dura a vida.
Um dos operários chamava-se Mena. Encontrámos o seu túmulo, com muitas inscrições e cenas que descrevem o que foi a sua vida. Desse modo ficámos a saber como se chamava. Nos momentos durante os quais não trabalhava na execução dos túmulos oficiais , Mena tinha sido autorizado a trabalhar no seu próprio túmulo, um pouco afastado da localidade. Visitámos esse pequeno túmulo que continha uma vintena de sarcófagos e, de repente, apercebi-me de um fresco bem pintado numa das paredes, bem conservado e – nesse mesmo fresco – reconheci a cena da “Colheita Egípcia”.
“Apoderou-se de mim uma forte e complexa emoção, que teria grande dificuldade em descrever com exactidão. Pareceu-me, de repente, sentir-me muito próximo dessa pequena cena ainda intacta, ao vê-la tão parecida com aquela que havia pintado, e pareceu-me que também eu era o seu autor.

Estabeleceu-se entre a pintura e eu uma relação indefinível, sem ser possível esclarecer se tinha acabado de pintá-la ou se apenas a encontrara. Desejei ter ficado junto daquela comovente e fresca pintura mural. Senti-me imobilizado, simultaneamente suspenso e esmagado pela surpresa.”
“…E a alegria, uma imensa alegria me invadiu, como se fosse a de um exilado de regresso ao seu povoado…”

Claro e perceptível se torna que, as coisas a que somos sensíveis, não se encontram no ensino dos livros, mas sim na mais profunda intimidade da alma.

“…Fiquei tomado de entusiasmo, o meu sangue pulsava, era puro e carregado de afecto o ar que respirava dentro do túmulo e a experiência que tivera entrava com toda a nitidez comovida nas minhas recordações, o acontecimento mais claramente marcante da minha vida, de resto, bem repleta de surpresas…”
(…)
No dizer do arqueólogo que nos acompanhava, o túmulo, descoberto havia apenas dois anos, era pouco conhecido e tinha sido até então muito pouco visitado. Acentuou, face às perguntas dos turistas, que não poderiam existir reproduções do fresco em França. O que excluiu a ideia de uma cópia a partir de qualquer revista ou uma reprodução inconsciente depois de leituras feitas sobre o assunto…”

Augustin Lesage concluiu depois esta maravilhosa revelação de uma vida anterior:

“…Compreendo enfim aquela viagem, desejada durante tanto tempo, e que fora impossível até àquele momento. Não era necessário que visitasse o Egipto antes da descoberta do fresco; era necessário que a visse para que ficasse provado que os meus quadros não são o fruto da minha imaginação, e que a minha mão é o instrumento de um cérebro que não é meu…”.

Marie-Christine Victor pensa da seguinte forma:.

“…Como poderia existir trucagem num caso somo este? Como é que um mineiro que não saiu da sua aldeia poderia ter visto e reproduzido um fresco que se encontrava a tantas léguas de sua casa, que até os próprios egiptólogos desconheciam ainda e que, por isso, nenhuma revista poderia ter publicado?…”

É bem entendido que as críticas mais preversas e mais dolorosas para Augustin Lesage não faltaram, mas amar e servir a Deus também é aprender o que está por detrás do sofrimento, e qual o motivo porque, como dizia Santa Teresa de Ávila “há tão poucos amigos”..

Augustin Lesage dizia:
“… Não quero enganar ninguém. Não odeio ninguém. Não desejo mal a ninguém… Não desejo nem a riqueza nem a celebridade. Não tenho senão o desejo ardente de ser acreditado, porque aquilo que digo é verdade, porque aquilo que vivi é autêntico. Desejo sobretudo que a mensagem do invisível seja recebida e compreendida por todo o mundo, com o respeito e a admiração que ela não pode deixar de suscitar…”

Marie-Christine Victor afirma que a prece de Lesage não ficou sem resposta (como, de resto, todas as preces sinceras). Os seus guias avisaram-no de que iriam executar um trabalho e que seria necessário convidar um público que viesse vê-lo trabalhar.

A prova seria dada dessa forma de que toda a obra do pintor tinha sido feita de forma honesta e com pureza de intenções.
Desta forma, no dia 24 de Fevereiro de 1947, em Marrocos, pintou uma tela em público. Foi feito nessa altura um abaixo-assinado com 112 assinaturas entre as quais médicos, psiquiatras, professores, jornalistas, comissários de polícia, pintores, arquitectos…”
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Composição Simbólica  do Mundo Espiritual, Augustin Lesage, 1923

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Razões válidas para ler o livro do Juiz Patterson-Hatch / Comentário 01

 

Cartas de um Espírito Vivo e Lúcido
depois da sua morte física / comentário 01

Elsa Barker foi a médium que emprestou a mão a David Patterson-Hatch para escrever as suas cartas com um resumo prático e vivido no MUNDO ESPIRITUAL, logo a seguir à sua morte física em 1912, com muitíssimas informações interessantes e valiosas, a respeito dessa sua magnífica experiência.

Elsa Barker (1869–1954)

Lá para o fim da sua Introdução da obra, diz-nos Elsa Barker:


“…O efeito que estas Cartas produziram em mim, foi o de me libertarem completamente do medo da morte, que teria tido desde sempre, fortificando a minha crença na imortalidade e fazendo da vida de além-túmulo uma viabilidade tão real e vital como a que vivemos aqui à luz do Sol.


Se estas Cartas conseguirem produzir numa única pessoa o mesmo sentido exultante da imortalidade que tiveram em mim, já me sentirei inteiramente compensada pelo meu trabalho.


Para aqueles que quiserem censurar-me, apenas posso dizer que sempre tentei dar o meu melhor ao mundo e que estas Cartas talvez sejam uma das melhores coisas que tenho para lhe dar…”

Numa das suas primeiras cartas diz-nos o verdadeiro autor:

Carta 5 – a promessa de coisas nunca ditas


Depois de certo tempo irei partilhar consigo certos conhecimentos que adquiri desde que saí daí. Vejo agora o passado como por uma janela aberta. Vejo a estrada que percorri, e posso traçar um mapa do caminho que quero seguir a partir de agora.

Tudo parece fácil agora. Poderia fazer o dobro do trabalho que faço – sinto-me forte. Até agora não me fixei em lado nenhum, ando por aqui e por ali, ao sabor da fantasia. É assim que eu gostaria de ter feito enquanto vivo no corpo, e nunca tive essa possibilidade.


Nunca tema a morte, mas fique na Terra o máximo tempo que possa. Não levando em conta as companhias que tenho aqui, lamento não ter aproveitado o mundo ao máximo. Os lamentos aqui, contudo, valem muito menos que aí – como os corpos.

Tudo está bem comigo.

Vou contar-lhe coisas que nunca foram contadas!



Este foi um primeiro comentário publicado aqui, para motivar os nossos visitantes para a utilíssima descarga e leitura da obra traduzida. Os comentários, com uma síntese prática do conteúdo do livro, não vão ficar por aqui…

O leitor/tradutor que muito aprendeu com a tarefa

José da Costa Brites
Lousã, Portugal

 

A Serra da Lousã, que eu vejo todos os dias…  (clicar…sff)

Cartas de um vivo depois de morto, de Elsa Barker, apresentação e tradução

 

Cartas de um vivo depois de morto

Algumas pessoas exactamente como nós têm o dom da  audição e da escrita automática, entre outros, a que se chama “mediunidade”.
São detentoras de uma sensibilidade especial, até sem o saberem em muitos casos, podendo ouvir as vozes dos seres já ausentes no mundo espiritual, por ter falecido o seu corpo, mantendo-se viva a sua consciência moral e intelectual, como nos acontecerá a todos.
É um facto que se pode comprovar experimentalmente com toda a clareza e permite-nos saber exactamente o que irá suceder-nos depois da relativamente breve viagem da vida terrena. 

A autora desta obra, Elsa Barker tinha essa capacidade e, num serão de 1912, vivendo em Paris, sentiu-se inspirada para escrever uma mensagem de alguém que de início se identificou apenas como “Senhor X”. Depois de ter revelado isso a um amigo bastante próximo, foi-lhe retorquida a pergunta se não sabia quem era o tal “Senhor X”, amigo seu, o Juiz David Patterson-Hatch. Assim começou a série de cartas enviadas “do lado de lá”, com a narrativa das aventuras do Juiz Hatch após a sua vida. Essas cartas foram publicadas numa obra com o título “Lettres from a Living Dead Man” (tradução à letra: “cartas de um vivo morto”), em 1914.

Desconhecido da Senhora Barker, ao tempo da primeira mensagem, o Juiz  tinha falecido recentemente, a muito mais do que 9.000 quilómetros, na Califórnia. Isso foi confirmado por uma carta recebida dias depois:

“Nas primeiras cartas não disse quem era o autor, por não estar ainda autorizada pela sua família. No Verão de 1914, estando eu a viver na Europa, uma longa entrevista com o Senhor Bruce Hatch publicada no New York Sunday World, exprimiu a convicção de que as “Cartas” eram comunicações autênticas de seu pai, o falecido Juiz David P. Hatch, de Los Angeles, na Califórnia.

Depois disso Elsa sentiu-se livre para revelar o seu verdadeiro nome, quando fosse oportuno.

Quem era Elsa Barker?

Elsa Barker, poetisa, novelista e escritora, nasceu em 1869 em Vermont, estado da Nova Inglaterra. O pai era pessoa interessado pelo oculto, e ela partilhava esse interesse. Tornou-se membro da Sociedade Teosófica e também se iniciou na Ordem Rosacruz. Foi professora durante um breve período, tendo passado a dedicar-se a escrever para jornais e revistas. Em determinada altura conheceu o Juiz Hatch, tendo-se tornado amigos. Por ironia do destino, nunca se tornou muito conhecida pelos livros de sua própria autoria.

“Letters from a Living Dead Man” é um conjunto de comunicações inspiradas e otimistas, feitas depois da morte que, depois de 1914 alcançaram alargada popularidade. Foram consagradas como ajuda importante para dissipar o medo da morte. O livro descreve a vida depois da morte com numerosos detalhes, incluindo as consequências do suicídio, a forma como os entes queridos se encontram e o relacionamento com os seres altamente evoluídos.

O juiz David Patterson-Hatch

David Patterson-Hatch nasceu em 1846 no Estado do Maine, numa família de agricultores. Licenciou-se em Direito na Michigan Law School, em Ann Arbor, em 1872. Em 1875 mudou-se para Santa Barbara, na Califórnia onde desenvolveu uma carreira respeitável. Em 1880 foi eleito Juiz do Supremo Tribunal.

O Juiz Hatch não era um homem vulgar. Sempre se interessou pela metafísica e pelas religiões orientais. Passava muito tempo em contacto com a natureza, meditando na floresta. Escreveu e publicou trabalhos de carácter filosófico e outros a respeito do oculto. Quando faleceu em 1912 o “Los Angeles Times” designou-o como “um homem notável” que era “extremamente versado em profundas filosofias da vida” e que obtivera “profundo conhecimento das leis universais que, embora naturais para si mesmo, tinham dimensão mística para aqueles que não tinham acompanhado o seu notável avanço mental”.

As “Cartas de um Vivo depois de Morto” foi começado a escrever em 1912 e publicado em 1914, imediatamente antes da primeira Guerra Mundial.

Depois da publicação do livro, o espírito de David fez uma viagem pelos reinos celestes, estando a preparar-se para escrever a esse respeito. O início da guerra, contudo fizeram com que mudasse de ideias, por julgar que era mais importante escrever a respeito dos efeitos que a guerra tinha sobre a realidade do mundo espiritual e das suas ligações com o mundo material.

O Espírito de David Patterson-Hatch escreveu mais dois livros, um publicado em 1915  “Cartas da Guerra de um Vivo depois de Morto” e em 1919 “Últimas cartas de um Vivo depois de Morto”.
Elsa Barker faleceu em 1954.

Os livros referidos estão amplamente divulgados na Internet,  livres de direitos de autor, pelo menos para fins de divulgação cultural, não comercial. Têm sido lidos por uma imensa quantidade de interessados.

“Cartas de um vivo depois de morto” em português, prefácio do tradutor

Para ler as CARTAS DE UM VIVO DEPOIS DE MORTO:

– Manter uma atitude de curiosidade liberta;
– Respeitar a intenção generosa e desapaixonada do autor;
– Não formalizar nem tornar definitivas as informações transmitidas;
– Não sustentar visões preconcebidas procurando “comprovar coisas”;
E principalmente:
– Aceitar a subjectividade do que é dito, atendendo que não se trata de um telefonema daqui perto…

Tendo encontrado este livro, originalmente escrito em língua inglesa, li-o numa versão americana de 1914 que me interessou imenso.
Tendo uma vaga ideia de como funciona o meio espírita, concluí imediatamente que iria permitir a algumas pessoas chegar a conclusões erróneas, quer quanto ao conteúdo das informações nele contidas, quer para justificar e “comprovar” certas teorias relativas a conveniências doutrinárias.
Trago aqui este trabalho sem intenções ocultas, para poderem alargar ideias sobre a “naturalidade” otimista e luminosa do futuro extraordinário que nos está reservado, em contexto de abertura de espírito.

Uma leitura deste como de outros livros, tem que ser aberta e lúcida. Só assim respeita o melhor que nos quer dar o autor, da forma mais proveitosa para nós próprios

José da Costa Brites
Lousã/Portugal – Julho de 2019
https://palavraluz.com/

 

Para ter acesso ao PDF com a tradução em português da obra acima apresentada,
é favor clicar no link abaixo:

Cartas de um Vivo depois de Morto

 

Novo texto de recordações de Leiria, cidade de tradição espírita

Este registo de memórias é feito com uma diminuta porção das minhas magníficas recordações da cidade de Leiria, de todas as suas gentes e da sua riquíssima cultura sensível de humanidades, de que fui amplamente beneficiário.

Também quero prestar homenagem, que não ficará por aqui, a todos os portadores da filosofia espiritualista que ali conheci, entre eles os mais dedicados militantes e organizações espíritas, ali activas, pelo menos desde Maio de 1917, o antigo Centro Espírita de Leiria, encerrado pelo fascismo dogmático de 28 de Maio de 1926, e da Associação Espírita de Leiria, ali reerguida depois de 25 de Abril de 1974.

Muito perto do antigo Centro Espírita de Leiria, pintura de 70×90 cm, feita pelo autor desta página em 1990. Mostra uma das extremidades de uma espaçosa praça conhecida pelo nome de “O Terreiro”. Col. Agostinho de Almeida Santos

– As raízes da cultura espírita na minha família;

– O Centro Espírita de Leiria, fundado em 2 de Maio de 1917;

Augusta Pereira Brites; contactos com a Dª Adolfina Carriço Portugal e trabalho no Centro Espírita de Leiria;

– A intolerância dos tempos passados;

– A minhas percepções e primeiros entendimentos do fenómeno espírita; fenómenos benévolos e experiências dolorosas; O auxílio da Dª Adolfina e os apoios de minha avó Cristina e tia Augusta;

– A Senhora Dª Adolfina Carriço; memória breve e longínqua;

– A minha amizade e contactos com o Senhor Delfim Luís Pires;

– memórias de Leiria; o Senhor Vasconcelos (Joaquim Inácio Zapata de Vasconcelos).


Nota de lembrança muito agradecida inserida na nossa tradução de “O Livro dos Espíritos”, pelo imenso valor que teve para nós a mensagem que nos deixou:

Saudações espirituais, com votos da mais intensa LUZ para o nosso querido amigo Joaquim Inácio Zapata de Vasconcelos que, por iniciativa generosa, nos entregou com entusiasmo espontâneo uma nova e maravilhosa imagem do mundo e da vida.

Já lá vão uns bons sessenta anos, passeando à noite, ao longo das margens do Rio Lis.

JCB/MCB


As raízes da cultura espírita na minha família derivam das iniciativas de contactos estabelecidos pela minha avó paterna Cristina Pereira Brites (n. 1884) e suas duas irmãs Maria Pereira Brites (um pouco mais velha) e Augusta Pereira Brites (n. 1888). Eram filhas de  Joaquina de Jesus Brites, da Martinela, freguesia do Arrabal, e de Paulino Pereira, da Abadia, freguesia de Cortes.
Foram eles que fundaram a casa situada na Martinela onde viveu até ao seu falecimento recente, uma filha de Augusta, Celeste do Rosário Brites Soares Pinto, e onde fundaram um pequeno negócio, na Ribeira da Martinela junto do Padrão, na estrada que vai de Tomar a Leiria (EN. 113), no tempo em que ainda não havia carros e o local era paragem para muitos viajantes, apenas a 7 km de Leiria.
Os maridos das duas irmãs de Augusta, Maria (com três filhos muito pequenos) e Cristina (à espera de um menino que viria a ser meu pai, José Pereira da Costa Brites) emigraram para Moçambique tendo, por grande desgraça, falecido ambos por enfermidades ali contraídas.
Traumatizadas por esse facto e desejosas de se aproximarem da vida do Além, onde acreditavam encontrar-se, bem vivos, os seus amados maridos, estabeleceram contactos em Leiria (nos fins dos anos 20 do século passado) onde facilmente se integraram na comunidade espírita, dado que eram – apesar de gente modesta – pessoas de fino trato, com educação ainda assim preciosa nesse tempo. A minha tia Maria tinha feito a quarta classe e a minha avó Cristina tinha estudado dois anos em Moçambique num colégio de freiras, por ali ter vivido em companhia de seu pai.

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Família de Joaquina de Jesus Brites (n. 1855) e Paulino Pereira. Joaquina está sentada ao centro rodeada, à sua direita pelas suas filhas Cristina e à sua esquerda, Augusta Pereira Brites. As duas figuras masculinas do lado direito da foto, foram acrescentados a esta imagem, por estarem noutra fotografia, feita em Lourenço Marques. Sentado está o meu bisavô Paulino Pereira e seu filho Alfredo Pereira Brites, jornalista e Cônsul de Portugal na Rodésia. De pé, da esquerda para a direita filhos de Joaquina: Albina, Maria, Conceição e José Pereira Brites.

– Augusta Pereira Brites; contactos com a Dª Adolfina Carriço Portugal e trabalho no Centro Espírita de Leiria;

A minha tia Augusta Pereira Brites, no dizer de sua filha Celeste do Rosário, era pessoa “visitada pelos espíritos”. Tinha uma elevada receptividade e possuía uma fina sensibilidade literária. Sob a orientação doutrinária da Senhora Dª Adolfina Carriço, com quem manteve contactos de confiança e proximidade, exerceu as suas capacidades mediúnicas no Centro Espírita de Leiria, situado perto do Terreiro, como esclareceu a minha prima Celeste. Em criança, acompanhava a mãe e as tias a essas sessões, tendo a ideia da existência de um salão espaçoso onde decorriam as sessões de doutrinação e encontros vários. Lembra-se de ser acarinhada pelo professor Nicolau Ferreira, que mais tarde – na sua adolescência – colocou à disposição dela a sua bem nutrida biblioteca, por ser muito interessada pela leitura.

J. Nicolau Ferreira, entre outras funções e actividades, foi director de “O Sol do Porvir”, belíssimo e bem documentado jornal publicado durante bom número de anos pelo Centro Espírita de Leiria, que teve largo número de leitores e assinantes, espalhados por Portugal e pelo mundo, como pode ser documentado.

Lembrava-se Celeste, e deu-me confirmação do facto de que era a Dª. Adolfina Carriço que dirigia os trabalhos e era a médium superior. Ouvia as mensagens do além e transmitia-as.
Num maço de antigos papéis que a minha mãe guardou de forma reservada, disponho de vários documentos de alguma importância evocativa, um dos quais contém alusões específica à “irmã Adolfina” e ao “irmão Pinto” (muito certamente Joaquim Mateus Ramos Pinto) e que é uma cópia escrita pelo próprio punho de minha mãe, de uma comunicação de 26 de Janeiro de 1929, feita ao Grupo Luz da Verdade, no qual participaria minha avó e minhas tias.

A intolerância dogmática dos tempos passados

A tia Augusta, integrando um grupo familiar, depois da proibição governamental e do encerramento do Centro Espírita de Leiria, passou a usar os seus dotes mediúnicos, fazendo uso deles para ajudar pessoas que a procuravam. Estes auxílios, como é norma da doutrina espírita, eram sempre dados de forma gratuita.
As irmãs Maria e Cristina que viviam em Leiria não tiveram problemas, dado que havia uma maior tolerância mas na Martinela o meio era hostil, tanto por parte dos padres católicos como em geral das pessoas a eles afectas.
Tiveram de deixar de frequentar a Igreja Católica que não as admitia. A Celeste e a Mãe foram postas de parte e até o telhado lhe apedrejavam de noite, com grande transtorno que sofreram, sendo como eram uma mulher só e uma filha ainda criança, que tinham ficado ali devido à exploração do pequeno negócio que haviam herdado de seus pais.
As miúdas, na escola, diziam à minha prima Celeste: “Tu quando morreres vais para o Inferno, com a tua Mãe, porque vocês falam com o diabo”. Sofreram muito e a Celeste decidiu afastar-se do espiritismo.

Ainda criança, Celeste do Rosário decidiu candidatar-se à primeira comunhão e declarou ao padre da freguesia do Arrabal que era essa a sua vontade. Narra igualmente o episódio da conversa havida com ele, a entrega do livro com a teoria da catequese e o dia dessa comunhão, em que sua mãe a acompanhou à igreja e a partir do qual passou a ir à missa com ela. Comenta a propósito não ter sido a mãe que a levou à missa, e sim ela que levou a própria mãe.
Mas as dificuldades e barreiras da intolerância duraram tanto que, quando a minha avó Cristina faleceu na Martinela, já em Janeiro de 1968, nenhum padre quis acompanhar o funeral, apesar da solicitação insistente da nora Maria de Lurdes Brites, minha mãe. Nessa mesma altura foi a minha prima Celeste que teve a iniciativa de se substituir ao padre, fazendo as orações de encomendação da alma da defunta conforme eu próprio mantenho em memória viva e sensibilizada.

A minha querida tia-avó, Augusta Pereira Brites, nascida em 26 de Fevereiro de 1888

A menção que faço da minha tia Augusta Pereira Brites não tem por objectivo glorificá-la como personalidade ligada ao antigo Centro Espírita de Leiria.
O que faz justiça, sim, é a um grande número de pessoas simples, que – de forma altamente modesta e abnegada – foram alimentando a chama de uma cultura e de uma percepção das realidades de aquém e de além vida, que dessa forma foram atravessando o tempo e a sociedade em que vivemos, como facho de luz apontado a um futuro esclarecido e repleto de justas esperanças.
Mais me ocorre certificar, pelo conhecimento que tenho das adversidades que enfrentou e das muitas dores que padeceu – no corpo e no espírito – que tais pessoas arderam nas chamas de uma inquietação sem refrigérios de paz, tolerância e sem o devido apoio da sociedade que as rodeava.
As minhas preces, ainda hoje se elevam em preito de gratidão e memória que tenho da sua abnegada solidão, de que fui conhecedor ainda em sua vida, e permanece nas recordações da filha Celeste, muito recentemente falecida, já com 93 anos de idade, e que tão elegantemente exprime nas suas palavras ditas e na sua vasta obra escrita, por ter herdado de sua mãe um cristalino talento poético e um invulgar bom gosto literário.

Eu, José da Costa Brites e a minha prima Celeste do Rosário Brites Soares Pinto, em Setembro de 2012, no Padrão/Martinela/Leiria.

As minhas percepções e primeiros entendimentos do fenómeno espírita; fenómenos benévolos e experiências dolorosas; o auxílio da Dª Adolfina Carriço e os apoios de minha avó Cristina e tia Augusta;

Uma fase marcante na minha própria assimilação intuitiva das realidades da vida dos espíritos teve lugar entre os meus sete e nove anos, logo após o falecimento de meu pai, no dia 15 de Dezembro de 1949, por desastre de automóvel, por terem ocorrido comigo alguns episódios de hipersensibilidade.
Tinha-se dado com a minha mãe, por essa altura, o mesmo fenómeno que se havia passado com a sua sogra Cristina e tia Augusta (por afinidade): um desejo de aproximação do Além. Conservo dessa altura em meu poder, escrito pelo próprio punho de minha Mãe, o texto de uma comunicação espírita efectuada por intermédio dos dotes mediúnicos da minha tia Augusta, datado de 7 de Fevereiro de 1950 e que reputo – pela claridade da linguagem e pela contida elaboração das ideias – um documento de preciosidade espiritual.
Os fenómenos por que passei a que acima aludo foram de vária ordem, alguns de carácter benévolo (e até inspirador), mas outros foram de tipo acentuadamente negativo. Aqueles que eram de tipo benfazejo fazem parte de um grupo que eu chamo as minhas “memórias do céu”. Ocorriam quando eu estava acordado, e surgiam – teria eu cerca de 5 anos, ainda era vivo meu pai – como visões de paisagens, cores, nuvens e horizontes abertos por sobre a vastidão do “céu”. O disparador dessas visões era a contemplação de qualquer imagem ou figura que tivesse cores ou sugestões figurativas de certo tipo.
Quando eu folheava uma qualquer revista, e a minha visão captava uma dessas imagens, sentia abrir-se perante o meu olhar como um “prolongamento”, ou uma amplificação de horizontes sugestivos que eu aceitava com vaga admiração a que a frescura da infância tornava quase natural, mas que comunicava uma certa vertigem.
Há um termo na pintura (que vim a praticar mais tarde) ou na poesia – o das “paisagens interiores” – que, tenha o sentido que tiver para quem a usa, ficou – no que me toca – para sempre ligado a essa vertigem feita de luz, espaço coroado de nuvens coloridas que abrem para a altitude sem margens, nem chão, num cenário que é um convite ao voo, infinito além.
Quanto às minhas vivências negativas, só num documento específico para esse efeito, dada a sua complexidade e consequências respectivas.

Nessa altura, foi a Senhora Dona Adolfina Carriço, solicitada por intermédio de minha avó Cristina e de minha tia Augusta, que exerceu o seu ministério espiritual em minha defesa e aconselhamento
Foram também preciosos os ensinamentos carinhosos de minha avó Cristina e de minha tia Augusta, que me ensinaram a aplicar a vontade, a exercer o direito de recusa da abordagem dos espíritos que frequentemente me abordavam mediunicamente.
Esse sentimento experimentei eu ainda, de quando em vez, até à minha adolescência, em episódios cada vez mais espaçados, de uma certa “distracção” que conduzia à vulnerabilidade.
A idade adulta varreu (ou não…) o acesso a essa angústia. Julgo que alguma coisa porventura ficou e que persiste em mim, algures, em espaços de inquietação da mente objectiva e subjectiva.

A Senhora Dª Adolfina Carriço; memória breve e longínqua;

Da Senhora Dona Adolfina, a cuja presença fui levado, com menos de dez anos, na companhia de minha mãe, à sua casa na Rua Comandante João Belo, guardo uma memória cheia de respeito e grande mistério.
Era uma pessoa por cuja fisionomia e por cujas palavras não passava a mínima aragem de frivolidade ou de alegria leve. Era duma serenidade grave, interiorizada e – nos breves encontros que me foi dado ter com ela, em sua casa ou em raras abordagens na companhia de minha mãe, recolhi a percepção de que carregava sobre os seus ombros o peso imenso de uma profunda responsabilidade.
A sua presença física era de uma enorme fragilidade, dir-se-ia quase imponderável. Quando passava por mim na rua, olhava-a com o receio das pessoas muito jovens que vêem alguém todo feito de respeitabilidade intocável. Ou era de desgostos porque tivesse passado, ou porque não ia ali nada que fosse superficialmente natural, ou fácil ou sem o artifício complexo do que é sabiamente oculto.
Fosse outro porventura o seu feitio perante pessoas da sua intimidade, foi este a impressão sensibilizada que me foi dado captar, em encontros já muito longínquos.

A minha amizade com o Senhor Delfim Luís Pires

Anos mais tarde, teria eu doze anos (portanto 1954 e daí por diante) a minha mãe dirigiu-se ao Senhor Delfim Luís Pires, conhecidas que eram as afinidades entre ele e minhas tias e avó e a consideração que tinha tido pelo meu pai, para lhe pedir auxílio nos meus estudos. Eu não tinha má vontade no trabalho, mas era comandado por uma fragilidade hipersensível a que a viuvez deprimida da minha mãe não era alheia.

casa onde morava o Senhor Delfim Luís Pires, situada no “Largo do Sete” ou seja, o largo que confinava com o Regimento de Infantaria Sete, junto da Igreja de Stº Agostinho. A porta por onde entrava para as minhas explicações era aquela que se vê do lado direito, ao fundo.

A casa do Senhor Pires passou, portanto, a ser destino assíduo de visitas minhas, tendo-se a sua sala de explicações e de convívios diversos transformado na minha sala de estudo e de interessantíssimas conversas.
Julgo que a minha mãe terá pago alguma coisa por essas explicações, mas coisa muito modesta, dado que o principal da ajuda que me deu foi pela consideração e pelo sentido de solidariedade.
O Senhor Delfim Pires era um empenhado e metódico pesquisador de todos os saberes da idade moderna, de todas as disciplinas principais do conhecimento, dentro do espírito universal duma procura aberta à transcendência. Já nessa altura era muito conhecido e respeitado em Leiria, tendo-se afirmado mais tarde, no dealbar do regime democrático instaurado a 25 de Abril de 1974, como uma das figuras tutelares da comunidade espírita de Leiria, e era carinhosamente apelidado de “Pai Pires”, nome porque era conhecido em sua casa.
Vi e tive acesso à sua larga biblioteca, foi-me explicando os variadíssimos passos do seu método de busca do conhecimento, ao mesmo tempo que me ia dando, sim senhor, explicações a respeito das minhas “coisas da escola”.
Eu diria, contudo, que o mais importante que fui recebendo da parte dele, foi o desvelar de um alargado universo de interesses sem tabus, sem margens e sem inibições. Falou-me e ensinou-me de tudo, como um mestre no mais clássico sentido do termo, generosidade a que eu correspondia com grande interesse e toda a atenção.
Os temas escolares eram mais essencialmente do domínio da matemática e da língua portuguesa; mas daí facilmente se passava a uma grande largueza de temas culturais que eu estimulava com perguntas e a que ele correspondia sempre com respostas cativantes.
A moral e os seus critérios eram o paralelo condutor de todos os temas, as origens da vida e as estruturas da matéria (foi ele que me falou pela primeira vez e em detalhe sobre os átomos, as células e as moléculas); os factos da vida, o casamento, a ética dos afectos, a música (era maestro numa banda muito conhecida, por ter sido sargento músico), os domínios da filosofia, etc. tudo com a simplicidade acessível de quem é capaz de dizer o fácil e o transcendente, parando ao meio das frases para dar lugar à reflexão, ou entremeando graças, pequenos episódio raros, uma pequena anedota, e tantas expressões escolhidas que ficaram – aqui e ali – na minha recordação.
Falou-me da sua amada primeira esposa e explicou-me com interioridade sentimental como se tinha casado, depois de enviuvar, com uma mulher mais simples – e tão simpática – que eu tive o prazer de conhecer. Confidências raras para um rapazito de doze ou treze anos como eu, mas que não caíram em cesto roto, porque tudo guardei com atenção e respeito, e o grave sentimento de estar a receber de longe e do alto, uma serena mensagem de códigos seguros para o entendimento real da vida.

Outra visita que o Senhor Pires costumava ter, de que me lembro bem, era a de um senhor já de cabelos brancos, muito experimentado na pesquisa e na colheita de ervas aromáticas e plantas medicinais. Não me recordo do seu nome. Recordo sim da meticulosa paixão de ambos em analisar e discutir as características e propriedades de cada planta. E da, para mim, confusa e remota ciência das plantas recordo-me dum nome só, que ficou nos resquícios da memória, com cheiro a flores: a “inca pervinca” ou “vincapervinca” como agora certifiquei na internet!
O Senhor Pires (como era conhecido em minha casa) agraciou-me com a sua confiança e sempre que passava pelo seu modesto escritório onde trabalhava, numa recauchutagem ali numa esquina ao lado da Fonte Grande, ia cumprimentá-lo e trocar com ele breves palavras.
Tudo isto foi muitíssimo antes do 25 de Abril, estava inactivado pela polícia política o antigo Centro Espírita de Leiria.
Eu conhecia as suas inclinações espíritas, de várias coisas me falou a esse respeito, mas sem se sentir muito livre para o fazer, creio que pensando nas preocupações de minha Mãe. A meu pedido chegou a emprestar-me, por exemplo, “O Conceito Rosacruz do Cosmos”.
O livro era bastante antigo, e não não tinha nada a ver com uma organização de que mais tarde tive conhecimento, por intermédio de um colega mais velho que se associara a uma entidade residente nos EUA e dali recebia abundante material que chegou a mostrar-me, mas que não exerceu sobre mim qualquer interesse sugestivo, apesar do entusiasmo que esse colega me tentou comunicar.
Nesse tempo a aprendizagem das coisas do espiritismo era praticamente clandestina e, quando comecei a ir a Lisboa, fui algumas vezes a uma livraria semi-clandestina situada num andar de um prédio (sem montra para a rua) onde se vendiam livros dessa orientação na Rua do Salitre, e outros de temáticas semi-ocultas com grande mescla de orientações.
Outro livro também da vertente teosófica a que tive acesso foi “O Homem condenado a ser Deus”, de Félix Bermudes, livro que li com interesse. Já não sabendo ao certo se foi nessa dita livraria que o comprei.
Apesar de ter nessa altura uma vida menos estável, sempre guardei comigo e ainda o possuo como recordação. Também em relação ao seu autor recolhi entretanto referências diversas que o mostram deslocado da doutrina espírita. Na altura o livro foi interessante para mim, porque – além de estar bem escrito – esclarecia muita coisa, nomeadamente a respeito da reencarnação e tinha um longo poema doutrinário, que li com sentimento e de que nunca me esqueci.

Leiria, vista parcial / nanquim s/ papel / 35,5 x 49,5 / Costa Brites 1990

Memórias de Leiria; o Senhor Vasconcelos (Joaquim Inácio Zapata de Vasconcelos)

Vivendo em Coimbra e nas suas proximidades há cinquenta anos não consigo dizer, em lado nenhum, que sou dali. Nasci em casa do meu avô em Cernache do Bonjardim, mas toda a apreensão do mundo e da vida se foi construindo em Leiria e no seu universo de relações pessoais e culturais, que reconhecia como fortemente estimulante e valioso.

Gente de cultura espírita era fácil de encontrar e a abordagem do assunto não estava sujeita a constrangimentos, certamente pelo elevado prestígio social e cultural de que gozavam muitos dos aderentes e participantes na vida espírita, de cujos elementos destacados ainda conheci mais alguns, já para não falar no Senhor Capitão Ribeiro e na Srª Dª Joaninha, pais de um condiscípulo meu de ensino primário, o José Jaime Fernandes.
Houve entretanto uma pessoa de grande abertura cultural que igualmente me prodigalizou a sua simpatia, o Senhor Vasconcelos, que já faleceu há muito, que era tipógrafo compositor na Gráfica de Leiria e músico (clarinetista, saxofonista e flautista) e ensaiador no Orfeão, de que eu fui membro.

Entre muitas conversas que travei com ele, saliente-se um enorme serão que passamos, acompanhados ainda por terceiro elemento, colega meu de escola e igualmente 2º tenor do orfeão (naipe ensaiado pelo Senhor Vasconcelos).
Por uma serena noite de Verão passeámos lentamente ao longo de todo o enorme “Marachão”, abaixo e acima, desenvolvendo ele uma apresentação bem detalhada de todo o conceito das ideias do espiritismo, a organização do cosmos, a reencarnação, etc.
Não me esquecerei jamais da fórmula com que deu início à longa e para mim inesquecível conversa havida:

“…Caros amigos, talvez não seja por acaso que nos encontrámos hoje, pelo que vou aproveitar, se não recusam a oportunidade, para vos falar de um assunto bastante interessante…”

Encontrei muito mais tarde o terceiro presente nessa ocasião (o meu amigo EMC), que disse nada ter retido de aproveitável dessa conversa, o que lamentei sem dramatismos, certo que para ele também chegará a hora de entender.
No que me toca a mim, devo confirmar com imensa gratidão espiritual e a maior alegria de alma, que não foi de facto “por acaso” que o Senhor Vasconcelos teve aquela generosa ideia e desenvolveu toda a sua convicta eloquência.

Tenho-o recordado com imensa fraternidade nas minhas preces e espero um dia reencontrá-lo, para passear de novo com ele, longamente, por veredas frondosas inundadas de luz, recordando com imenso carinho a fresca humidade nocturna das margens do Rio Lis, de um serão iluminado por revelações generosas e descobertas surpreendentes.

Fins de Junho de 2011 (redacção inicial, com algumas actualizações).

José da Costa Brites

Lindíssimo soneto de minha querida Tia Augusta Pereira Brites:

Feliz por ir nascer noutro lugar

Subi ao monte, aonde os olhos meus
Viram o dia já no entardecer;
Viram a luz do Sol ruborescer,
Dourados dedos a dizer-me adeus!

Ia cantar alvores noutros céus,
Dar cor às rosas; vida a todo o ser.
Eu fico em treva, até amanhecer…
Até nascer em mim a luz de Deus.

Com dedos de ouro e alma de luar
Feliz por ir nascer noutro lugar,
O Sol, quando se esconde, vai sorrindo!

O corpo frio desce à terra mãe,
A alma feliz vai acordar além,
Cheia de luz, sorri, ao céu subindo.

Augusta Pereira Brites

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O livro “Já estive clinicamente morto”, de Stephan von Jankovich

Estamos a querer recordar-nos de alguns artigos aqui já antes publicados, porque a seu interesse não perdeu a actualidade…

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Tradução em português da parte do livro acima referido, que descreve a experiência de Stephan von Jankovich e todos os seus acontecimentos antecedentes e consequentes:.

 

(…) Um homem de negócios amigo meu (M.) telefonou-me para solicitar os meus serviços de arquitecto num negócio imobiliário. Combinámos uma visita ao terreno da obra, nos arredores de Lugano, para o dia 16 de Setembro de 1964. Lá nos encontraríamos no Café Federale, na Praça Riforma, às duas da tarde. Tirei bilhete para o comboio que seguia de manhã de Zürich para Lugano, para estar disponível com pontualidade para o encontro. Mais lá para o fim da tarde tinha um encontro marcado em Morcote. Ao serão estava combinada a visita a minha casa, em Cadro, do conhecido cantor de ópera Alexander Sved e da esposa. Era meu intuito aproveitar a oportunidade para fazer algumas gravações. Estava tudo portanto muito bem planeado.

Contudo, os desígnios de Deus tinham destinado para mim algo de diferente. Era tempo de levar um abanão no meu curso de vida neste mundo material, lançando-me num itinerário evolutivo completamente diferente. “Lá em cima” as agulhas já tinham sido mexidas. Nada entretanto me passava pela cabeça. Passou-se que o meu amigo me telefonou para Zürich na véspera do nosso encontro, perguntando como é que eu pensava ir para Lugano. Convidou-me para que, em vez de comboio, fosse com ele de automóvel. Fazia pouco sentido que nos deslocássemos por separado e poderíamos ir conversando pelo caminho a respeito do negócio.

(…) Depois da troca de razões e porque não queria ser indelicado, concordei aceitar a boleia. No dia imediato de manhã veio buscar-me às nove horas num rápido cabriolet Alfa Romeo, vermelho. Era dia 16 de Setembro de 1964 e pusemo-nos em marcha. Acenei ainda longamente pela janela à minha mulher. Tinha frequentemente viajado desportivamente pelo Gotthard , tão velozmente quanto era possível. Ultrapassava grande quantidade de viaturas e não tinha por isso a oportunidade de observar a paisagem.

A estrada de Tremola dava-me sempre imenso prazer. A emoção desportiva, a performance, os tempos, o número de carros ultrapassados eram nesse tempo uma alegria para mim. Desta vez, contudo, admirei o conhecido trajecto, as montanhas ainda coroadas de neve, os bosques e os rios Reuss e Ticino. Não íamos exageradamente depressa, de modo a podermos conversar comodamente. Perto de Claro, antes de Bellinzona, seguíamos no nosso caminho para o Sul, com bastante tráfico na direcção oposta. Olhei descontraído à direita enquanto o meu amigo conduzia o seu Alfa pela recta, a cerca de 110 km/h.

Subitamente ouvi-o invectivar em voz alta. Virei o rosto e dei com um enorme camião que vinha na nossa pista de encontro a nós. A intenção era a de ultrapassar a coluna militar que se cruzava lentamente connosco, a cerca de 60 km/h. Comecei eu próprio então a invectivar. O meu motorista fez sinal de luzes, buzinou, gritando, e como o camião não tivesse aproveitado o intervalo entre duas viaturas da coluna para se desviar, resolveu travar a fundo. Derrapámos para a esquerda com toda a força, de rodas bloqueadas. Na via da esquerda vinham mais viaturas militares e na nossa direcção o camião desvairado. Tudo se passou em breves instantes.

O camião disparava na nossa direcção, no intento de se escapar pela frente do primeiro carro da coluna militar, mas não conseguiu. Apercebi-me do iminente perigo de morte e gritei como último sinal de desespero. Uma mescla de visões da guerra, da vela e de Budapeste, fechando com a face transtornada da minha mulher, bailaram repentinamente perante o meu olhar, projectadas de forma surpreendente pela passagem vertiginosa do enorme guarda-lamas do camião. Fui projectado contra o painel de instrumentos (nesse tempo não se usava ainda cinto de segurança), gritando a plenos pulmões. Seguiu-se um enorme estrondo e um poderoso impulso arrastou-me para a frente. Despedacei o pára-brisas com a testa. Nessa altura fez-se um completo silêncio e não ouvi mais nada.

(…) O meu falecimento deve ter tido início no momento em que o meu coração parou, isto é, após a cessação da circulação sanguínea. Durante esse processo não registei nenhuma percepção, pelo menos que me recorde. O consciente bem como o subconsciente estavam completamente desactivados. Estava insensível: era uma pessoa viva com a percepção desligada.

No instante do início da morte clínica, separou-se da parte grosseira do meu corpo ferido um outro, a parte mais subtil e elevada do meu ser, abrindo-se perante mim uma cortina como se fora de um teatro.

Uma apresentação teve o seu início que me permitiu reviver a vida terrena e o lado de lá da sua projecção sobrenatural. Tal apresentação englobava actas, etapas ou fases. Desse número desconhecido de fases pude participar das três primeiras, o que fez perdurar em mim uma tão profunda impressão que me tornei desde então numa pessoa completamente diferente.

A partir da morte clínica passei a existir “fora do corpo”, numa situação que se caracterizava por um permanente e acentuado alargamento do EU e dos sentidos. Este alargamento teve lugar, contudo, no âmbito imaterial, que não no aspecto material.

As três fases de que atrás falei foram as seguintes:

1. Consciencialização da morte;
2. Contemplação da minha própria morte;
3. Revisão da vida e julgamento.

Entre elas situaram-se algumas transições que eu designei como “Intervalos”.

Consciencialização da morte (Fase 1)

Teve o seu início quando o coração parou motivada pela carência de oxigénio no cérebro, impedido de funcionar como agente da consciência pessoal, ao que se seguiu a separação entre o meu corpo material e a sua componente não-material.


Imediatamente recuperei a consciência de mim mesmo, o que me libertou de uma assustadora, opressiva e constrangedora situação. Muitos reanimados relataram ter transposto um túnel que os conduziu à liberdade. Com alívio tomei conta de uma readquirida consciência: “consegui sobrevir ao acidente!” foi a minha primeira impressão.

O “despertar”, contudo, não foi como esperava, dado que logo me apercebi claramente de que o que estava a passar-se era a minha própria morte!

Espantava-me imenso o facto de que morrer não era de modo nenhum desagradável. Aliás a iminência da morte em nada me assustava. Era tudo tão natural, tão evidente, deixar esta vida e abandonar a presença neste mundo. Nunca tinha pensado antes que as pessoas se separassem de modo tão simples e natural desta vida, deixando de estar crispadamente apegados a ela. O desconhecimento é a razão pela qual tanto nos apegamos à vida. A nossa religião cristã oferece-nos muito poucas perspectivas a respeito daquilo que nos espera depois da morte.

Devido ao acidente não tive, felizmente, que travar uma arrastada luta com a morte. No seguimento da colisão viram-se a minha percepção do EU, o meu corpo astral, a minha alma e o meu espírito instantaneamente separados do meu corpo material. Por isso me senti pessoalmente muito aliviado, numa situação plenamente agradável, natural, engraçada, até. Senti-me perfeitamente liberto e tive a sensação: “Até que enfim!”

Sem medo nenhum pensei: “é uma felicidade, estar a morrer”. Contudo fiquei à espera, com certa curiosidade, do que viria a seguir. Estava feliz, descontraído e ansioso como uma criança em noite de Natal.

Senti-me a deslizar ao mesmo tempo que se fazia ouvir uma música maravilhosa, que sugeria a correspondência harmónica com formas, movimentos e cores. Tinha de certa forma a percepção de que não estava sozinho, embora não visse vivalma. Senti-me invadido por uma paz divinal e por um sentimento de harmonia jamais experimentado. Estava completamente feliz e sem problema algum. Estava só: nenhum ser terreal (pais, esposa, filhos amigos ou inimigos) estorvava a minha divina tranquilidade.

Tenho pensado frequentemente no facto de não me ter vindo naquela altura à ideia qualquer espécie de problema ou ser do nosso mundo; mas era coisa que não me passava pela cabeça. Encontrava-me, como já disse, inteiramente só, completamente feliz e numa situação de harmonia sem precedentes. Apenas um outro sentimento estava comigo, comparável ao coro da melodia “Näher mein Gott zu Dir” (para mais perto de ti, Meu Deus, de Sarah F.Adams,1805-1848).

E continuava a deslizar sempre para mais perto da Luz.
Esta primeira fase da feliz morte, do encantamento, transformou-se num dos primeiros acima mencionados “Intervalos”.

Invadia-me um sentimento crescente da divina harmonia. Os sons musicais tornavam-se ainda mais transparentes, mais sonoros e belos submergiam tudo acompanhados de cores, formas e movimentos. As cores, resplandecentes e luminosas, surgiam envolvidas de tons suaves e eram inacreditavelmente belas. Posso vagamente compará-las àquelas que contemplei ao pôr do sol, a grande altitude, no voo que fiz de Geneva para Nova York. Achei tão belas essas cores que pude presenciar que desde então procuro consegui-las na arte do vitral a que me dediquei. As tonalidades dos fragmentos usados para compor vitrais, nos seus pontos de ruptura e se inundados de luz, trazem-me à lembrança esses surpreendentes reflexos coloridos.

2. Contemplação da minha própria morte;

Depois deste maravilhoso “Intervalo” abriu-se o pano de novo repentinamente, e nova fase teve o seu início. Era bastante estranho que me sentisse flutuando. De facto, levitava por sobre o local do acidente rodoviário, podendo observar o meu próprio corpo, gravemente ferido e sem vida, exactamente no mesmo sítio do qual mais tarde tive conhecimento por intermédio dos médicos e do relatório de polícia. Pude contemplar toda a cena simultaneamente de vários lados, com rigor e transparência. Vi também o carro em que seguíamos e as pessoas aglomeradas em torno do acidente, e a própria coluna militar que ficara retida pelo aglomerado de pessoas.

As pessoas agrupavam-se à minha volta. Observei um homem baixo e encorpado, aí pelos 55 anos, que tentava reanimar-me. Pude ouvir claramente aquilo que as pessoas diziam umas às outras, embora “ouvir” não seja o termo adequado, dado que flutuava por cima de todos e o meu corpo estava estendido no chão. Pude aperceber-me daquilo que as pessoas diziam e mesmo das coisas que pensavam, provavelmente por intermédio de uma espécie de transmissão de pensamento, mediante uma percepção fora dos princípios do mundo material. O homem ajoelhou do meu lado direito e deu-me uma injecção no braço esquerdo. Duas outras pessoas seguravam-me do lado oposto e libertaram-me do vestuário. Vi como o médico me abriu a boca com uma espátula para me livrar de estilhaços de vidro. Além de outras coisas também me apercebi de que o médico, quando me segurou, notou que eu tinha os membros partidos e de que a meu lado se formava uma poça de sangue. Depois observei as tentativas que o médico fez para me reanimar, e do modo como concluiu que tinha as costelas quebradas. “Não posso fazer-lhe massagem cardíaca”, observou. Alguns minutos depois levantou-se e disse: “Não dá, não é possível fazer mais nada, está morto”. Falava em dialecto suíço misturado com um italiano um tanto esquisito.

Tive quase vontade de rir da estranha cena, porque sentia que estava “vivo”, ao contrário de “morto”. O que ali jazia por terra era o meu anterior corpo físico. Achei tudo muito estranho, mas de forma alguma perturbador. Ao contrário: era bastante divertido poder observar os esforços de toda aquela gente. Desejaria dizer-lhes “lá de cima”: “Olá, estou aqui, e bem vivo! Deixem lá o meu corpo como está; sinto-me vivo e perfeitamente bem”. Porém, embora me sentisse bem, ninguém me ouvia e não conseguia produzir som que fosse audível, porque não tinha garganta nem boca para falar.

Extraordinário era entretanto que pudesse entender, não apenas as palavras proferidas em voz alta pelos presentes, mas entender os seus próprios pensamentos. Uma mulher de Tessino, por exemplo, com uma menina de cerca de sete anos, sua filha, ficou muito chocada quando viu o meu cadáver. A menina quis imediatamente fugir, mas a senhora segurou-a com a mão esquerda durante alguns minutos e rezou em pensamento um “padre nosso” e uma “avé Maria”, orando em seguida pelo perdão dos pecados do infeliz acidentado. Fiquei profundamente impressionado com essa desinteressada prece, que muito me alegrou. Senti conjuntamente a radiação de um sentimento cheio de afecto.

Ao contrário um homem idoso, de bigode, teve pensamentos negativos a meu respeito: “Ora aí está; já apanhou! Mas deve ter sido culpado. Deve ser daqueles que anda sem cuidado por aí com carros de corrida”. Bem quis dizer-lhe “lá de cima” : “Deixa-te lá de disparates, eu nem sequer vinha a conduzir, era o pendura!” Foram nítidas para mim as radiações dos seus sentimentos negativos e desagradáveis.

Em suma era bastante interessante ver-me morto “de cima”, como espectador, sem emoções, e tudo poder observar com a maior nitidez de uma posição celestial, posto que “sobrevivera”. Os meus órgãos imateriais funcionavam bem e o meu pensamento registava tudo. Podia aliás tomar decisões sem qualquer limitação própria da vida terrena. Vogava a cerca de três metros por cima de toda a cena, num espaço multidimensional.

Sucedeu então um segundo “Intervalo”. A cena anterior chegara ao fim e a aparição que surgira anteriormente, começava a desenvolver-se.

Afastei-me do local do acidente, porque tinha deixado de me interessar. Desejava voar dali, e assim fiz. Tudo estava tranquilo, radioso e belo. As sonoridades, os jogos de luz, iam ganhando expressão, cada vez mais fortes, invadindo-me bem como toda a região envolvente. Chegou até mim uma harmónica vibração. Vi então o Sol algures em cima, pulsante, do lado direito, mas não directamente por cima de mim. Voei por isso naquela direcção. O Sol tornava-se cada vez mais claro, cada vez mais esplendoroso e vibrante. Percebo finalmente a razão pela qual tantas pessoas e tantas religiões encaram o Sol como símbolo divino, chegando a adorá-lo.

Ao prosseguir no meu voo tive, contudo, a sensação de que não estava só, ao contrário, senti-me rodeado de espíritos bondosos. Tudo era tranquilo, aprazível e admirável.

A experiência da condição de imponderabilidade e do voo livre impressionou-me de tal forma que, depois da minha convalescença, matriculei-me numa escola Suíça de pilotagem. Quando tenho tempo, ainda voo por cima dos vales envoltos pelas nuvens, em cujas profundidades vivem pessoas oprimidas pelos seus problemas. Sigo de Lugano, sobrevoando a planície do rio Pó, até ao Mediterrâneo. Ao fim da tarde, quando o Sol se põe lá ao fundo, à direita, revivo o modo como tudo fica envolto pela divina luz, e resplandece, inundado de energia e de verdade. Se tenho problemas, faço essa esotérica terapia, de modo a reunir novas forças.

3. Revisão da vida e julgamento

Este “Intervalo” durou relativamente pouco, começando de seguida uma fantástica e pluridimensional peça de teatro, que reproduziu cenas da minha vida mediante inúmeras associações de imagens. Para configurar uma ordem de grandeza, posso referir terem sido duas mil, ou qualquer coisa entre as 500 e as 10.000 imagens.

Na primeira semana logo após o acidente conseguia ainda lembrar-me de algumas centenas. Infelizmente é impossível registá-las a todas no gravador.

A sua quantidade não é, em si mesma, importante. Cada cena era profundamente bem torneada. O “realizador” dessa “peça de teatro” desenrolou-a de modo estranho, de forma que a primeira cena que observei foi a do acidente de automóvel na estrada, sendo o último acto revisto o do meu nascimento à luz das velas na minha casa de Budapeste.

Comecei então por reviver o meu falecimento. Na segunda cena vi-me como acompanhante de viagem através do Gotthard. Sob um sol resplandecente revi os cumes orlados de neve. Senti-me descontraído e feliz. Tive também a ocasião de presenciar cenas não na qualidade de protagonista, mas sim na de observador, por outras palavras:

Observava-me a mim mesmo e tudo em redor numa pluridimensionalidade espacial, de todas as direcções, revivendo por completo os acontecimentos. Com todos os órgãos dos sentidos registava o que via e ouvia, além de me aperceber dos meus próprios pensamentos. Os pensamentos tornados realidade!…

A minha alma avaliava o meu comportamento e os meus pensamentos instantaneamente e fazia de imediato o seu julgamento, designando como bom ou mau aquilo que fizera.

Era notável que eram salientadas como positivas lembranças cuja apreciação fora considerada negativamente pela sociedade ou tidas como pecado (mesmo mortal) pela religião do seu tempo.

Pelo contrário são tidas como negativas certas “boas acções” deliberadamente cometidas, consequência dos erros contidos na sua origem, como é o caso de actos conduzidos com finalidades egoístas.

Os maus actos que não passaram no exame foram “apagados” por mim, depois de uma tomada de consciência e profundo remorso, quer dizer, deixaram de contar – ficando apenas comigo os bons pensamentos e os bons actos, que foram aprovados, de que pude desfrutar logo de seguida como um grande ramo de flores.

Também poderá dizer-se que só radicaram em mim as cenas relativamente às quais fiquei feliz, bem como todos os que nelas estiveram envolvidos; as cenas nas quais permaneceu reinante a harmonia não apenas em mim, mas junto de todos, participantes na positiva intenção da minha parte.

Encaro a terra desde esse momento como um campo de treinos ou uma instituição de aprendizagem onde as pessoas vivem condições provavelmente semelhantes ao purgatório. Caso não sejamos bem sucedidos nas provas a que somos sujeitos nesta vida, é sabido que a ela tornaremos para repetir as mesmas. Tal apenas pode acontecer nas mesmas condições de espaço-tempo e dimensões do nosso mundo na terra. Reencarnaremos para fazer algo melhor do que antes. É nisto que se manifesta a infinita misericórdia de Deus.Entretanto nada existe de mau além disto. Tudo não passa de uma carência do bem; tal como a escuridão é a ausência de luz. Nada existe que não tenha o seu sentido próprio.

O bem e o mal são avaliados no além mediante uma escala completamente diferente. Absoluta e, por isso, não limitada a opinições humanas e formas de pensar preconcebidas , de modo nenhum sujeitas a formulações ou interpretações confusas – como as de certas pessoas que acreditam estar na posse da verdade única de que se sentem autorizadas a ser “pregadores”. Quantas ideologias, religiões, seitas e grupos filosóficos ou religiosos, que proliferam como cogumelos por entre aqueles que perderam a sua fé originária, reclamam a posse dessa única verdade. Verifiquei que “lá em cima”, nenhum modelo de pensamento tem garantia de validade, e que apenas ali vigora uma invulgar lei cósmica geral do amor. A dificuldade reside em não termos dela conhecimento, de modo a podermos formulá-la para nosso uso próprio.

Creio que esta é uma das características de Deus, nomeadamente, o amor absoluto; o perdão mediante o perfeito bem e a infinidade positiva. Sigamos pois este princípio com firmeza, no dever de libertarmos a nossa consciência de todos os actos e pensamentos negativos, para podermos unir-nos a Ele inteiramente.

Esta estranha avaliação judicativa dos actos praticados em vida pareceu-me de início extraordinária, mas depois de pensar durante vários anos reconheci que é nisso que se manifesta o admirável sentido da justiça divina, em concordância com os princípios da criação do universo.

Depois da apresentação atrás descrita da minha “Revisão de Vida e Julgamento “ no fantástico ambiente de pluridimensionalidade em que decorreu, surgiu um balanço final que foi efectuado por mim próprio, cuja formulação exacta já não me é possível reproduzir. Na circunstância consegui aperceber-me entretanto que novas oportunidades de evolução me seriam ainda reservadas.

O terceiro “Intervalo” seguiu-se finalmente. O banho de luz que me inundava de felicidade tomou-me de novo ao som de uma música magnífica de ressonância espacial. O Sol pulsava, dando-me a ideia de um símbolo representativo do princípio de todas as coisas e fonte de toda as energias, que suponho ser o próprio Deus.

O que eu via não era de facto o sol que na terra nos aquece, mas sim uma aparição de luz maravilhosa e quente que se lhe pode comparar, princípio originário do Universo que por sobre nós se estende. Crescentemente vibrante, pulsava com harmonia, ao qual começava a adaptar-se a minha alma incorpórea, o meu espírito, crescentemente repletos de felicidade, à medida que a capacidade perceptiva se alargava a esta nova Dimensão.

Penso hoje que isso era o sinal de que se aproximava a minha morte cerebal, e que todo o processo tinha chegado ao ponto em que era irreversível o meu ingresso no além.

(…) De acordo com registo temporal na terra, teriam decorrido durante a minha morte clínica apenas alguns minutos. Nessa outra dimensão, contudo, não vigoram as nossas leis do tempo e do espaço. Como tal, a percepção que tive foi a de ter vivido o equivalente a vários dias ou semanas, dada a enorme extensão dos acontecimentos pelos quais passei.

A minha vida terrena no mundo a quatro dimensões, no plano espacio-temporal, com percepção da matéria tal como é por nós entendida, estava a terminar nos instantes do acidente. Encontrava-me num estádio de travessia, de nascimento num outro mundo de mais vastas dimensões, onde a vibração energética já não produz o que é entendido como matéria. Por outras palavras, estava a dar entrada numa nova esfera onde espírito e alma, livres do corpo, passavam a reger-se por novas leis.

O regresso à Vida

A eufórica experiência ia infelizmente a caminho do seu termo. Vi, agora no local do acidente, um jovem magro, de calção de banho preto, descalço, com uma bolsa na mão, correr direito ao meu corpo sem vida. Exprimia-se com clareza e vigor em bom alemão com o outro médico. A cena deixara já de me interessar, pelo que não prestei muita atenção. O jovem manteve uma breve troca de impressões com o médico a meu respeito. Ajoelhou e certificou-se de que estava morto, desenhou com um pedaço de giz a minha silhueta no chão e deixou-me ser levado. Fui colocado na beira da estrada e o militar que presenciava perguntou se não haveria algures um pano com que o meu cadáver fosse coberto.

O jovem, que ali permanecia dirigiu-se de novo ao médico: “Se o caro colega não tiver nada contra…” e resolveu dar-me uma injecção de adrenalina directamente no coração.

Pude nessa altura fixar a atenção no seu rosto, cuja lembrança guardei comigo.

Alguns dias mais tarde, veio visitar-me ao Hospital em Bellinzona. Vestia um facto completo. Reconheci-o imediatamente e cumprimentei-o, cheio de dores:

– Bom dia senhor doutor, porque razão me deu o diabo daquela injecção?

Consegui reconhecer com toda a clareza a sua voz clara. Ficou supreendidíssimo e perguntou-me como podia conhecê-lo. Contei-lhe tudo. Tornámo-nos mais tarde bons amigos. Recebeu até a condecoração dos “cavaleiros da estrada” por me ter feito regressar a este mundo, digo eu, infelizmente.

Depois da injecção de adrenalina, provavelmente no momento em que o meu coração foi estimulado a bater de novo, aconteceu-me uma coisa horrível: caí num abismo de negrume. Com um safanão esquisito e um choque senti-me escorregar para dentro do meu corpo. Toda a beleza se dissipou. Percebi que estava de regresso. Recuperei o conhecimento e passei a sentir dores indescritíveis. Acabei por desmaiar de dor, embora já na condição de sobrevivente.

Com a perícia de um bom médico tinha sido feito regressar à força, porque “por acaso” se encontrava no exacto local do acidente e “por acaso” trazia consigo o tipo exacto de injecção.

A sobrevivência fora conseguida “casualmente”, portanto. Os socorristas foram chamados e fui conduzido em corpo e alma, com sirenes e luzes azuis ao Ospedale San Giovanni, em Bellinzona.

“Por acaso” era lá que se encontrava presente na altura o brilhante cirurgião Clemente Mob, regressado recentemente de férias, nem de propósito, de visita ao seu gabinete. Começou logo a operar-me e salvou de novo a minha vida. Por esse motivo, no entanto, recomeçou de novo a minha penosa história.

Desde essa altura é meu cuidado dizer que o mais belo acontecimento da minha vida foi… a minha morte!

Nunca fui tão feliz em vida como fui durante a minha episódica morte, embora tenha que colocar aspas na palavra “morte”, pois que – tal como agora sei – não passava de uma situação clínica.

Decidi então registar tudo o que se tinha passado comigo, como sendo um autêntico “caso de experiência de morte”.

 

NOTA: para as pessoas que desejem, por qualquer razão, ter acesso ao documento na sua língua original, clicar aqui:

Ich war klinisch tot

>

Peço aos leitores que entrarem nesta tradução de parte do livro acima que, para efectuarem uma necessária contextualização do seu conteúdo, leiam primeiramente a notícia:

O primeiro caso de Experiência de Quase-Morte (EQM) de que tive conhecimento detalhado

Além das outros trabalhos aqui publicados a respeito do mesmo tema, nomeadamente o livro:

Livro sobre NDE * EQM * Espiritismo

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A indesmentível realidade das reencarnações!….

A vida para além da morte está cabalmente provada pela absoluta evidência da vida antes da vida!…


Se observarmos uma qualquer criança pequenina no dia a dia dos seus primeiros meses ou anos de vida, poderemos notar  que revela de forma evidente ter guardada na sua capacidade de ver e de sentir uma vastíssima e complexa memória de percepções e sentimentos baseados em muitas vidas já vividas.


É impossível que a inteligência afectiva, os recursos de ordem prática e todas as variadíssimas reacções  de carácter intelectual objectivo e subjectivo possam ter sido achados e desenvolvidos por acaso, sem memórias muito anteriores ao seu respectivo nascimento.


É evidente que o materialismo dogmático vai poder encontrar razões unicamente materiais e orgânicas para tudo isso…


Onde as coisas podem atingir uma incompreensível e inatingível complexidade é nos casos como o dos meninos  Tsung Tsung, Evan Le, Shinichi Nakamoto, e Anna Lee, tocando Paganini… solista de orquestra! abaixo documentados, por tantas e tão intrincadas razões que não ousamos (nem é preciso…) enumerá-las.

 

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LEIRIA, 25 de Dezembro de 1925 – SOL do PORVIR

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Com a generosa cedência de alguns documentos do seu acervo de obras espíritas, a Associação Espírita de Leiria permite-nos colocar à disposição dos nossos leitores  a digitalização de algumas obras históricas do Movimento Espírita Português, que irão sendo aqui publicadas por nós com o máximo gosto.

Foi naquela cidade que tivemos a dita de encontrar, já há muitos anos, os primeiros conhecimentos a respeito da doutrina espírita, sendo a culta e dinâmica “cidade do Lis” -como é conhecida entre nós – um alfobre histórico muito rico de referências culturais a esse respeito.

Pessoas da família do fundador deste blogue foram activos participantes do Centro Espírita de Leiria nos anos vinte do século transacto, antes do seu encerramento obrigatório, a partir de determinada altura, pelo regime pró-dogmático e fascista, instituído após o 28 de Maio de 1926.

Os conteúdos gráficos consultáveis que vamos publicar, são todos produtos genuínos da cultura espírita, cuja linguagem enaltece e abre horizontes a todos os seres humanos, agora e sempre.

Demonstram que em Leiria, há quase 100 anos, a cultura espírita estava no seu melhor, em termos da afirmação vertical dos seus princípios, da sua independência intelectual e da sua riquíssima sensibilidade espiritual.

 

Para ler os originais aqui apresentados de forma fácil, é favor clicar uma vez para abrir, outra para ampliar.

 

Leiria, Largo 5 de Outubro / Castelo – Acrílico s/ tela – 100 x 70 cm – Costa Brites; Col. Banco de Portugal

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Estatística 03

Mantém-se em bom nível o interesse de pessoas que consultam e descarregam os ficheiros de vários trabalhos de nossa autoria, nomeadamente o ficheiro PDF da tradução de “O Livro dos Espíritos”, com prefácio de autores e alargado conjunto de Notas finais para pessoas espíritas e não espíritas, todas interessadas em conhecer a sua origem e o seu destino como seres superiormente dotados de livre arbítrio e largamente dotados cultural, intelectual e moralmente.
Esse facto encontra-se claramente demonstrado pelas estatísticas de visitas e descargas em grandes plataformas de publicação internáuticas, tal como a Academia.edu, a Kardecpedia, o Archive.org, entre outras.

Abaixo publicamos dados apenas relativos à Academia.edu, que é a plataforma que melhor documenta esse movimento de visitas.
Em cada um dos elementos gráficos, é favor clicar para ver maior, devendo ser tidos em conta os valores e níveis de interesse registados antes. No primeiro gráfico aqui inserido há uma quebra percentual, dados o pico de interesse registado imediatamente antes, mas o número de interessados continua significativo.

Estatística 02

https://www.academia.edu/
https://palavraluz.academia.edu/

 

 

O nosso blogue na plataforma académica ACADEMIA.EDU e as várias publicações que ali inserimos encontram-se muito destacadas no seu volume de visitas, por pertencerem a uma minoria de 4% de todos os visitantes daquela prestigiada plataforma científico-cultural, como podemos ver a seguir:

 

 

 

Para ver em tamanho maior, é favor clicar nas imagens

Amistosas saudações a todos os nossos visitantes;
Façam o favor de se inscreverem como seguidores dos nossos blogues. Em cima, do lado direito:

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Estatística 01

 

Nunca me tinha lembrado de publicar estes elementos de importância relativa. Não vale a pena acrescentar comentários, as figuras falam por si.
Os mapas abaixo referem os núcleos de visitantes durante o período dos últimos 2 meses.

 

Os mapas acima foram retirados do site  estatístico “Statscounter” (gratuito, portanto incompleto e sujeito a falhas)
As indicações abaixo, rigorosamente exactas, foram retiradas da estatística da “WordPress”.

Ano de 2017

50 LikesPEDIMOS AOS VISITANTES INTERESSADOS COM EMPENHO CULTURAL QUE FAÇAM O FAVOR DE DIVULGAR E PROMOVER ESTA PÁGINA E SUAS ASSOCIADAS, SE JULGAREM QUE SE JUSTIFICA.

A ADESÃO COMO SEGUIDORES (ACIMA À DIREITA) COM REGISTO DE E.MAIL, PARA NOTIFICAÇÃO IMEDIATA POR PUBLICAÇÕES É MUITO INTERESSANTE.

FELICIDADES E PROVEITOS CULTURAIS A TODOS

20 Follows!

10 Follows!

Espiritismo Cultura desde 2012:

para ver maior: clicar e ampliar sff
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Terezinha Colle / IPEAK – Reuniões Espíritas Familiares 01 e 02

Aqui se apresentam duas obras de imenso interesse da autoria de TEREZINHA COLLE que tratam do importantíssimo tema das Reuniões Espíritas Familiares da forma como foram desenvolvidas por Allan Kardec, no momento histórico em que fundou o espiritismo.
O tema é muito vasto, vamos por isso dar a palavra à autora dos livros, fazendo uma citação substancial de um capítulo da sua primeira obra, chamando ao fim a Vossa atenção para a segunda.

Para descarregar o ficheiro PDF, basta carregar na imagem

4. As vozes do céu – necessitamos delas e as desejamos

Em nossos dias ainda pensa-se que apenas alguns médiuns têm o privilégio de se comunicar com os Espíritos, ou melhor, receber deles “mensagens”. Fala-se que somente se pode conversar com os Espíritos em determinados lugares, tidos por únicos a receber a “proteção do Alto”. Diz- se que as evocações, as instruções solicitadas aos Espíritos superiores “foram importantes no tempo de Kardec” para estruturação do Espiritismo, e que hoje em dia não se tem mais necessidade delas, ou até mesmo que seria perigoso alguém dedicar-se a tal prática.

Para ilustrar o que acabamos de dizer reproduzimos aqui pequenos trechos de orientações dadas por Espíritos, e que notoriamente são contraditórias com os ensinos de Kardec, mas tidas como verdadeiras por boa parte dos espíritas atuais:

“Coibir-se de evocar a presença de determinada entidade, no curso das sessões, aceitando, sem exigência, os ditames da Esfera Superior no que tange ao bem geral. (André Luiz, Conduta Espírita, cap. 11, “No templo”.)
“Abolir a prática da invocação nominal dessa ou daquela entidade, em razão dos inconvenientes e da desnecessidade de tal procedimento em nossos dias, buscando identificar os benfeitores e amigos espirituais pelos objetivos que demonstrem e pelos bens que espalhem.”
(André Luiz, Conduta Espírita, cap. 25, “Perante os mentores espirituais”.)

369 – É aconselhável a evocação direta de determinados Espíritos?
– “Não somos dos que aconselham a evocação direta e pessoal, em caso algum. Se essa evocação é passível de êxito, sua exequilibilidade somente pode ser examinada no plano espiritual. Daí a necessidade de sermos espontâneos, porquanto, no complexo dos fenômenos espiríticos, a solução de muitas incógnitas espera o avanço moral dos aprendizes sinceros da Doutrina. O estudioso bem-intencionado, portanto, deve pedir sem exigir, orar sem reclamar, observar sem pressa, considerando que a esfera espiritual lhe conhece os méritos e retribuirá os seus esforços de acordo com a necessidade de sua posição evolutiva e segundo o merecimento do seu coração.
Podereis objetar que Allan Kardec se interessou pela evocação direta, procedendo a realizações dessa natureza, mas precisamos ponderar, no seu esforço, a tarefa excepcional do Codificador, aliada a necessidade de méritos ainda distantes da esfera de atividade dos aprendizes comuns.”
(Emmanuel, O Consolador, pergunta 369.)

Preferimos, no entanto, nos embasar, quanto a esses pontos, nas próprias instruções de nosso mestre Allan Kardec, espalhadas por diversos lugares de sua obra, inclusive em uma das mais folheadas pelos Espíritas dos nossos dias: “O Evangelho segundo o Espiritismo”.

Vejamos o que escreveu Kardec:

“Esta obra é para uso de todos. Dela podem todos haurir os meios de conformar com a moral do Cristo o respectivo proceder. Aos espíritas oferece aplicações que lhes concernem de modo especial. Graças às comunicações estabelecidas doravante e de maneira permanente entre os homens e o mundo invisível, a lei evangélica, ensinada a todas as nações pelos próprios Espíritos, não será mais letra morta, porque cada um a compreenderá, e será incessantemente solicitado a colocá-la em prática, a conselho de seus guias espirituais.  As instruções dos Espíritos são verdadeiramente as vozes do céu que vêm esclarecer os homens e convidá-los à prática do Evangelho.” [1]

Kardec deixa claro que as comunicações com os Guias espirituais, para fins de instrução, é para ser estabelecida doravante e permanentemente, e por todos aqueles que desejem viver de conformidade com a moral do Cristo e não se julguem autossuficientes para consegui-lo sem o auxílio dos bons Espíritos.
Ainda a esse respeito, encontramos as respostas dadas por Kardec ao interlocutor que ele denominou “O Visitante”, em seu opúsculo intitulado “O que é o Espiritismo?”

O Visitante – Solicito-vos uma última questão. O Espiritismo tem poderosos inimigos; não poderiam eles fazer interditar seu exercício e as sociedades e, por esse meio deter sua propagação?

Allan Kardec – Seria um modo de perder a partida um pouco mais rápido, pois a violência é o argumento daqueles que não têm boas razões. Se o Espiritismo é uma quimera ele cairá por si mesmo, sem que para isso precise tanto esforço; se o perseguem é por que o temem, e só se teme o que é sério. Se é uma realidade, ele está, como eu disse, em a Natureza, e não se revoga uma lei natural com um traço de pena [caneta].
Se as manifestações espíritas fossem privilégio de um homem, não há dúvida que, colocando-se de lado esse homem, se poria um fim às manifestações; infelizmente para os adversários, elas não são um mistério para ninguém; não contém nada de secreto, nada de oculto, tudo se passa às claras; elas estão à disposição de toda gente, e se produzem desde o palácio até a mansarda. Pode-se proibir seu exercício público, mas sabe-se precisamente que não é em público que elas melhor se produzem; é na intimidade; ora, podendo cada pessoa ser médium, quem pode impedir uma família em seu lar, um indivíduo no silêncio do seu gabinete, o prisioneiro em seu cárcere, de obter comunicações com os Espíritos, mesmo nas barbas da polícia e sem que ela saiba?
Admitamos, entretanto, que um governo fosse forte bastante para impedi-las em seu território; impediria também nos territórios vizinhos, no mundo inteiro, pois não há país algum, nos dois hemisférios, onde não haja médiuns?
O Espiritismo, além disso, não tem sua fonte entre os homens; ele é obra dos Espíritos, que não podem ser queimados nem encarcerados. Ele consiste na crença individual, e não nas sociedades que absolutamente não são necessárias. Se se chegasse a destruir todos os livros espíritas, os Espíritos ditariam outros. (…)[2]

[1] O Evangelho segundo o Espiritismo – Introdução – I – Objetivo desta obra.
[2] O que é o Espiritismo?, cap. I – Pequena conferência Espírita – Segundo diálogo – O céptico – Interdição do Espiritismo.

Mediunidade Limitada – Sandro Fontana / Revista Ciência Espírita Março 2016

Sandro Fontana

– REVISTA CIÊNCIA ESPÍRITA – Março 2016 (Ver abaixo)

ESPAÇO DO EDITOR
MEDIUNIDADE NO “CATIVEIRO”

MEDIUNIDADE LIMITADA

Por que será que muitos dos Centros Espiritas brasileiros limitam tanto os médiuns e a mediunidade?

É de conhecimento básico do espiritismo que a mediunidade é seu principal “agente”, ou seja, sem a mediunidade não existiria o espiritismo, principalmente porque a fonte base de informações é proveniente do trabalho beneficente dos médiuns, afinal, são eles quem transmitem a informação proveniente do mundo espiritual.

Também é de conhecimento geral espirita que, “a opinião de um espírito é somente uma opinião”, sendo assim esse pressuposto garante (e entende) que um espírito, ao se comunicar, está passando as informações que lhe são tangíveis baseada nas suas próprias percepções e seu grau evolutivo.

Tanto é assim que Kardec havia elaborado um método que “cruzava” informações de vários médiuns e espíritos para poder chegar a alguma conclusão sobre um assunto ou tema, lembrando que isso nunca foi, e nem deve ser definitivo, como muitos idólatras e dogmáticos pretendem, isso porque a conclusão final ainda é humana e condicionada ao tempo (Era) do observador/pesquisador, que é limitada.

Então, se toda a fonte básica de conhecimento (e ajuda em muitos casos) é proveniente da mediunidade, por que muitos Centros Espíritas limitam o desenvolvimento mediúnico?

A resposta é simples e o atual cenário mundial a que passamos é o mesmo: Excesso de padronização!

Esse “mal ” não atinge somente o espiritismo, mas empresas onde tem se implantando um sistema de padronização e metodologia de processos que parece, em muitos casos, tender a perdermos os propósitos básicos e a essência do que somos ou devemos fazer.

A padronização não é de toda ruim, melhor dizendo, é necessária, mas parece que esta, ao entrar fortemente num meio, passa a sufocar ou aniquilar a razão básica por excesso. Devido a isso, é possível percebermos que o problema não reside na padronização em si, mas sim nas pessoas que as impõe dentro de um grupo.

Na prática, referindo-me ao meio espirita atual (especificamente aos Centros Espíritas confederados e federados), podemos ver um excesso de controles, tanto de médiuns como de âmbito geral, parecendo que os princípios básicos tem ficado de lado.

Tal fato parece direcionar o entendimento de que os espíritos e médiuns é que trabalham num Centro Espirita e não que este foi criado para permitir o trabalho dos médiuns e dos mentores.

Esse tema vem sendo discutido em diversos grupos e, dias atrás, foi tema num grupo fechado sobre espiritismo.

Quem defende a ideia do controle, argumenta a necessidade e responsabilidade que as entidades possuem perante a sociedade e a Doutrina (dentro de um entendimento restrito do grupo), por outro lado, temos os que defendem maior liberdade aos médiuns e aos trabalhos.

Essa liberdade, por exemplo, é a de exercer a mediunidade de forma plena e não controlada como exigem certos CEs.

Médiuns reclamam de não ser permitido ficarem inconscientes durante as sessões, ou de terem que atuar conforme rege ou organiza-se o mundo encarnado, ao invés de ouvirem os mentores sobre como deveriam ser feitos os trabalhos.

Independente de ambas as opiniões, o fato é que o espiritismo kardequiano brasileiro tomou um rumo arriscado, onde muitos jovens desistem de atuar e onde muitos médiuns preferem abrirem seus próprios estabelecimentos (ou atuar em suas casas) e dai já passam a serem excluídos e chamados de espiritualistas.

Com isso perdemos todos nós, pois assim surge o preconceito, as separações e deixamos de ser uma grande família onde poderíamos avançar juntos, com um desenvolvimento pleno da mediunidade e, consequentemente, de um aprimoramento no conhecimento e na moralidade mais exata.

Não é incomum eu visitar muitos lugares e encontrar os médiuns ostensivos fora dos CE federados, me pergunto então:

Será que os médiuns que permanecem nos CEs Federados, em sua absoluta maioria, não são ostensivos ou não os permitem serem?

É prudente refletirmos sobre isso.

Sandro Fontana

Revista Ciência Espirita – 2016 – Março

 

PERISPÍRITO – 2

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A IMPORTÂNCIA FUNDAMENTAL DO PERISPÍRITO

NOTA: este texto é a Nota final nº 72 da nossa tradução de “O Livro dos Espíritos”

Ao ler o conteúdo de “O Livro dos Espíritos” e tudo o que ele nos diz a respeito da evolução dos seres humanos, já ficámos com uma ideia da “concentração de complexidades” que o nosso veículo perispiritual carrega consigo. A ciência atual, oferecendo-nos informações técnico-científicas que a experiência e os factos confirmam, ajuda-nos a construir uma imagem mais compreensível da sua verdadeira natureza e propriedades.

Apresentamos algumas ideias base, ponto de partida para as pesquisas que os leitores desejarem fazer:

  • Texto de Gabriel Delanne, Carlos de Brito Imbassahy, e Reinaldo di Lucia, importantes expoentes de épocas diversas da investigação científica relativa a temas de espiritismo;
  • A seguir ao texto de Carlos de Brito Imbassahy, por fazer parte dos investigadores que ele mesmo refere, fazemos alusão a um notável cientista norte americano, Harold Saxton Burr, que trabalhou em eletrodinâmica biológica e fez investigações acerca dos “campos de vida” (fields of life) e dos “agentes estruturadores”, termos e ideias fundamentais para a compreensão da natureza e funcionamento do perispírito.

Fragmentos de Gabriel Delanne:

 

“…Se realmente existe no homem um segundo corpo, que é o modelo inabalável pelo qual se ordena a matéria carnal, compreende-se que – apesar do turbilhão de matéria que se movimenta no corpo humano – se mantenha em nós o tipo individual que nos caracteriza, no meio das incessantes mutações resultantes da desagregação e da reconstituição de todas as partes do corpo, comparáveis a uma máquina à qual, a cada instante, se mudassem todas as suas partes constituintes. O perispírito é o regulador das funções, o arquiteto que vela pela manutenção do edifício, porque essa tarefa não pode depender essencialmente das atividades cegas da matéria.

Reflitamos sobre:

  • A diversidade dos órgãos que compõem o corpo humano;
  • Os tecidos que servem à construção dos órgãos;
  • A cifra prodigiosa de muitos triliões de células aglomeradas, que formam todos os tecidos;
  • O número colossal de moléculas do protoplasma;
  • E, enfim, a imensa quantidade dos átomos que constituem as moléculas orgânicas.

Achamo-nos em presença de um verdadeiro Universo, tão variado que ultrapassa em complexidade o que a imaginação possa conceber.

A maravilha é a ordem que reina nesses milhares de milhões de ações enredadas.

(…) Se no meio desse turbilhão existe um factor que permanece estável, é lógico que seja ele o organizador ao qual a matéria obedece. Esse factor é o perispírito, visto que é evidente a sua existência durante a vida, como é evidente que existe para além da morte. Os avanços no conhecimento das suas propriedades resultarão preciosíssimos no domínio da Fisiologia e da Medicina.

O que os antigos chamavam a “vis medicatrix naturae” é o mecanismo estável, incorruptível, sempre ativo, que defende o organismo contra as ações mecânicas, físicas, químicas e microbianas às quais está sempre sujeito, e que recompõe a cada instante a integridade do ser vivo quando é afetada.

Numa palavra, o corpo não é somente um aglomerado de células  justapostas: é um todo harmónico cujas partes constituintes têm funções bem definidas, subordinadas ao papel que desempenham no plano geral.

Claude Bernard (1813 – 1878) Fundador da Medicina Experimental

O perispírito é a realização física dessa “ideia diretora”, que o grande cientista CLAUDE BERNARD assinalou como a verdadeira característica da vida. Essa “ideia diretora” é também o “desígnio vital” que cada um de nós realiza e conserva ao longo de toda a sua existência…”

Texto pesquisado e traduzido a partir da obra “Documents pour servir à l’étude de la Réincarnation” (A Reencarnação). Paris: Éditions de la B.P.S, 1927.

Palavras de Carlos de Brito Imbassahy *

Breve citação de um texto visto no site Era do Espírito enviado a Ellio Mollo pelo autor no dia 2 de novembro de 2007; Tema, “O Perispírito ante a Psico-bio-física”

“…o “campo de vida” seria o que Kardec definiu como perispírito e o “agente estruturador” seria, portanto – e por correspondência – o Espírito encarnante.(.,,)

“… o campo pode ser definido como sendo a área física em torno de um agente qualquer sobre a qual sua ação é percebida. Exemplificando: em torno de uma fogueira há uma região em que seu calor é percebido; será, pois, o campo térmico da mesma. O íman é sempre o exemplo ideal porque em sua volta há uma região restrita de atração fora da qual ela não é sentida.”

“. A primeira característica de qualquer campo é a energia atuante e relacionada com o agente estruturador. O campo do imã tem a propriedade de aglutinar limalhas de ferro e níquel dando-lhes uma formação relacionada com o imã, criando imagens conhecidas como “linhas de força” do campo.

Temos aí uma ideia do que Kardec disse ao definir o perispírito como não sendo material, ou melhor, sendo semimaterial, porque teria esta propriedade aglutinadora de reunir a energia cósmica em si como o campo do imã quando atua sobre as aludidas limalhas.

Esta energia cósmica modulada por um agente físico que atua em determinada região em torno do seu agente estruturador é conhecida como sendo um dos estados físicos da energia fundamental. Assim, o conceito de “semimaterial” emitido à época de Kardec satisfaz plenamente às condições de conhecimento da atualidade. O perispírito só tem sentido porque é capaz de agir de forma semelhante, agregando energia cósmica em seu campo para poder atuar sobre as células orgânicas fetais no útero materno, quando no processo encarnatório.

 

  • campo do íman também é formado de energia agregada a ele, sem o que jamais atuaria sobre as limalhas.

Cabe lembrar que, na época de Kardec, não se conhecia a energia. O próprio Newton teria definido a energia cósmica fundamental como sendo um fluido, o FCU. Portanto, naquela época, não sendo material, só poderia ser considerado como “semimaterial”. Entenda-se, pois, desta forma, o conceito em apreciação.”

Propriedades do perispírito

(…) “…Rigorosamente coerente com o que Kardec informa em O Livro dos Médiuns e na Seleta de artigos da Revista Espírita, vamos chegar às seguintes conclusões obtidas pela verificação feita em laboratório com uso de aparelhos espectrográficos capazes de detetar o aludido “campo de vida”:

  • – O perispírito é elaborado pelo Espírito segundo suas necessidades junto ao mundo cósmico em que vá viver;
  • – É um campo quântico de natureza psíquica capaz de estruturar células orgânicas e formar corpos somáticos;
  • – Em decorrência da propriedade anterior, ele detém a condição de transmitir ao corpo dito somático as suas necessidades orgânicas decorrentes da vida que deva ter;
  • – Como tal, comparando-o ao campo de uma fita de gravador, ele pode interferir diretamente no corpo somático modulando-o para que ele se estruture segundo suas necessidades encarnatórias.
  • – No sentido inverso, ele pode gravar tudo o que o encarnante faça durante sua vida terrena, sendo o arquivo temporário das suas reações; dessa forma, nossas atitudes presentes podem se refletir nas vidas futuras e o “assim como fizeres, assim acharás” terá plena justificativa, lembrando que, como numa pilha elétrica, toda energia que emana de um polo volta para o outro, fechando o circuito; caso contrário, ela não circula pelo mesmo.
  • – Sendo transitório, como todo e qualquer campo, decorrente da ação indutora do agente, ele não poderá ser o registro de nossos atos, ou seja, a “memória inconsciente” freudiana, arquivo de todos os nossos atos passados, mas servirá de elo entre nossa vida encarnada e os demais campos e sistemas integrados do Espírito. – Do mesmo modo que um campo de um condutor elétrico se modifica de acordo com a corrente que passe por ele, também o perispírito será modulado pela índole ou variação de sentimentos do Espírito, motivo pelo qual este necessita de um ambiente compatível com a sua evolução para nele se encarnar, a fim de que seu perispírito possa atuar nas suas energias materiais.

O que se pode concluir é que tudo isso foi comentado por Kardec sem que, à sua época, se tivesse noção ou o conhecimento atual relacionado com um campo energético e principalmente, de natureza psíquica.”

* O Engenheiro e professor universitário Carlos de Brito Imbassahy é investigador espírita com formação científica, muito conhecido no universo espírita brasileiro, tem numerosos artigos e livros publicados a respeito do tema de que tratamos aqui. É filho de Carlos Imbassahy (1883-1969), advogado, jornalista e importante individualidade ligada ao espiritismo brasileiro.

 

– A Eletrodinâmica Biológica e a noção dos “campos de vida” e dos “agentes estruturadores” na obra de Harold Saxton Burr (citado em textos da autoria de Carlos de Brito Imbassahy).

Harold Saxton Burr (1889-1973)
cientista norte americano não espírita, não foi o único investigador a ter interesse por estes temas e a estudá-los.

Na linguagem dos homens de ciência é possível afirmar que tudo o que existe, visível ou invisível, obedece ao potencial organizador de “campos de vida”, “agentes estruturadores” ou “FRAMEWORKERS”.

Harold S. Burr foi professor da “Yale University School of Medicine”, na área da neuroanatomia e da eletrodinâmica biológica. As suas principais áreas de estudo foram: “A teoria eletrodinâmica da vida”; “As características elétricas dos sistemas vivos” e “A comprovação da existência de campos eletrodinâmicos nos organismos vivos”.

Há três obras suas bastante marcantes: “A Natureza do Homem e o Significado da Existência”, “Projeto para a Imortalidade” e “Os Campos de Vida, as Nossas Ligações com o Universo”.

Na sua obra “A Natureza do Homem e o Significado da Existência” de 1962, a que tivemos acesso online, conclui de forma muito expressiva, e com argumentos científico-filosóficos, pela existência de DEUS.

Recomendamos vivamente a leitura desta obra, que pode ser consultada online, e descarregada, página a página, pelo menos nos “sites” de duas bibliotecas universitárias dos EUA.

O Perispírito / Uma abordagem do século XX

Reinaldo Di Lucia *

Incluímos esta breve citação do investigador aqui referido, por ser o documento mais recente que conseguimos encontrar, de fonte espírita, com referências científicas, a respeito do perispírito. Com efeito foi publicado no site do Instituto Cultural Kardecista de Santos em 5 de setembro e 10 de outubro de 2016, como atualização de outro artigo do mesmo autor e com o mesmo título, publicado em outubro de 2002 no Caderno Cultural Espírita.

“…Dentre todos os continuadores do pensamento de Allan Kardec, Delanne é o que maior importância atribui ao perispírito. Provavelmente, isto se dá na medida em que é de grande dificuldade para qualquer pessoa adepta ao positivismo, aceitar que o Espírito, este ser imaterial e, para muitos, puramente abstrato, possa ser o princípio de todas as manifestações intelectivas do homem.

Assim, ele vai atribuir ao perispírito uma gama significativa de funções relativas à organização ou mesmo às capacidades inteligentes do ser humano. As principais funções cujas bases são por ele atribuídas ao perispírito são sumariamente descritas abaixo.

Primeiramente, temos a formação do corpo físico. Delanne depara-se com o problema de explicar como o corpo físico pode ser formado com tantos detalhes e reconstruído, com a mesma semelhança, sempre que certas partes são destruídas. Lança mão então da explicação perispiritual:

A força vital por si só não bastaria para explicar a forma característica de todos os indivíduos, e tampouco justificaria a hierarquia sistematizada de todos os órgãos, sua sinergia em função de um esforço comum, visto serem eles, simultaneamente, autónomos e solidários. Neste ponto é que incide o ascendente da intervenção do perispírito, ou seja, de um órgão que possua as leis organogenéticas, mantenedoras da fixidez do organismo, através de constantes mutações moleculares.”

O perispírito é então, em sua opinião, o modelo fluídico, o molde que servirá para construir o corpo físico. Como veremos, esta também é a opinião de Hernâni Guimarães, atualizando o raciocínio a partir de recentes descobertas científicas.

A grande preocupação desse pensador, para atribuir ao perispírito o papel de molde do corpo está na explicação da forma. Enquanto que ele podia perfeitamente admitir uma força vital primária idêntica para todos os seres vivos, desde a planta até o homem, pressupunha que deveria existir uma outra força que diferenciasse as muitas espécies no que tange à sua forma. Essa força seria o perispírito.

Em segundo lugar, Delanne dá ao perispírito um papel psicológico fundamental. Para ele, o perispírito é a base da memória do homem, a qual, por sua vez, é fundamental para a asseguração contínua de sua identidade.

Ele baseia esta opinião sobre a ideia que, mais que qualquer outra célula do corpo humano, as do cérebro são substituídas rapidamente, o que impossibilitaria a manutenção, neste órgão, da memória.

“O cérebro, porém, muda perpetuamente, as células dos seus tecidos são incessantemente agitadas, modificadas, destruídas por sensações vindas do interior e exterior. Mais do que as outras, essas células submetem-se a uma desagregação rápida e, num período assaz curto, são integralmente substituídas.”

Partindo do principio acima descrito, o eminente pensador espírita debita ao perispírito a função da memória, já que esta não poderia ser unicamente do corpo. Em sua tese, qualquer facto guardado pela memória é registrado no perispírito. Quando uma célula cerebral morre, é substituída por outra formada pelo mesmo perispírito, que lhe imprimirá, qual disco gravado por uma matriz, as mesmas impressões que ele próprio guarda. Fica assim resguardada a memória.

Ideias semelhantes a essas são igualmente defendidas por Léon Denis e Gustave Geley, em vários dos seus livros, o que nos dá a impressão que eram bastante difundidas no meio espirita à época – apesar de não terem sido defendidas por Kardec em sua obra.

(•••)

Em resumo, as principais ideias sobre o perispírito expostas por estes eminentes pensadores, e ainda hoje bastante difundidas no movimento espírita são:

O perispírito é um envoltório do espírito, que o acompanha desde a sua criação e, portanto, preexistente ao nascimento e sobrevive à morte do corpo físico. É composto de matéria, porém, em nível diferente daquela a que os encarnados estão acostumados. Kardec afirma ser uma matéria “quintessenciada”, obtida por modificação direta do fluido cósmico (que é a matéria primordial), contendo ainda elementos do princípio vital e mesmo de componentes físicos e eletromagnéticos.

A sua composição energética é tanto mais densa, ou menos subtil, quanto menos evoluído (do ponto de vista intelectual e moral) for o espírito. Com a evolução deste, vai-se tornando mais subtil, ainda que não se saiba ao certo o que isto significa fisicamente, mas sempre acompanha o espírito.

É totalmente sujeito à vontade do espírito, que pode plasmá-lo a seu gosto e dar-lhe a forma que

Serve como elemento de ligação entre o espírito e o corpo físico, uma vez que um e outro não podem interagir diretamente devido à diferença estrutural entre ambos.

É o elemento que possibilita a manutenção de uma forma para o espírito desencarnado e, assim, permite que este possa identificar-se como uma individualidade.

É o princípio fundamental das manifestações mediúnicas, em especial daquelas caracterizadas como efeitos físicos.

É o molde do corpo físico, uma forma que conteria os elementos informacionais que permitiriam a sua formação e a sua manutenção. Esta função também é a única forma de adequar o surgimento da vida à Segunda Lei da Termodinâmica.

É a sede dos sentimentos e das faculdades, notadamente da memória. Por vezes, é apontado como sede da inteligência.

Possui órgãos e células, como o corpo físico. Este, aliás, é uma cópia daquele.

Reinaldo di Lucia *

(Nota curricular provavelmente desatualizada e inexata)

Engenheiro Químico formado pela Faculdade de Engenharia Industrial, FEI, S.Bernardo,SP; professor universitário, com especialização em Qualidade na Fundação Getúlio Vargas, Reinaldo Di Lucia tem formação em MBA executivo em Gestão Empresarial também pela FGV e pós-graduação em Engenharia de Qualidade pela Faculdade de Engenharia Industrial. Reinaldo di Lucia, da cidade de Santos, Brasil, é membro do Centro                  de Pesquisa    e Documentação Espírita- CPDoc e colunista do Jornal Abertura, mantido pelo Instituto Cultural Kardecista de Santos-ICKS, em que trata de assuntos  contemporâneos sob a ótica progressista do espiritismo.

 

Este artigo está disponível em formato PDF para todos os nossos prezados leitores, aqui:

A IMPORTÂNCIA FUNDAMENTAL DO PERISPÍRITO 02

 

O Espiritismo na sua expressão mais simples, de Allan Kardec

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Exposição sumária do ensino dos Espíritos e da natureza das suas manifestações

Allan Kardec

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sem caridade não há salvação;
Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei;
Fé inquebrantável, só aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade.

Tradução a partir de um texto original francês ao gosto pessoal de leitura do autor deste blogue e conforme a língua portuguesa de Portugal

“O Espiritismo na sua Expressão mais simples”

 Este é um começo ideal no estudo dos textos base mais importantes e legítimos do espiritismo.
O livrinho que Allan Kardec escreveu em 1862, ainda não estava completa a série de obras da codificação, poderá constituir – conforme aqui se procura demonstrar – um precioso auxiliar na divulgação rápida do Espiritismo.
Chamou-se em francês “Le Spiritisme à sa plus Simple Expression”.
Por ser um texto muito rico, recheado de ideias fundamentais e momentos fortes, tomei a iniciativa de criar um encadeado de sub-títulos que servirão para individualizar esses momentos, criando um ritmo de leitura propício à reflexão.
Com a boa-vontade com que foram colocados, tenho a ideia que o professor Hipólito Leão não iria zangar-se…
José da Costa Brites

RESUMO HISTÓRICO DO ESPIRITISMO

O início das comunicações organizadas com os espíritos

Por volta de 1848, começou a prestar-se atenção nos Estados Unidos da América a certos fenómenos estranhos, ruídos, pancadas e movimento de objetos sem causa conhecida.
Esses fenómenos sucediam com frequência de modo espontâneo, com uma intensidade e uma persistência singulares; notou-se também que se produziam especialmente sob influência de certas pessoas designadas como “médiuns”, que podiam provocá-los à sua vontade, ou seja, podiam repetir as experiências.
Foram usadas para isso mesas; não por serem objetos mais práticos do que outros, mas unicamente porque é o móvel mais cómodo para alguém se sentar à sua volta.
Obteve-se, dessa maneira, a rotação das mesas, depois movimentos em todos os sentidos, sobressaltos, quedas, levantamentos, pancadas com violência, etc.

Foi o fenómeno designado a princípio, como das “mesas girantes” ou “dança das mesas”

Até aí o fenómeno podia perfeitamente explicar-se por razões electro-magnéticas, ou por ação energética desconhecida, e essa foi mesmo a opinião que se formou.
Não tardou porém a reconhecer-se nesses fenómenos a categoria de efeitos inteligentes.
Isso porque o movimento obedecia ao que era solicitado; a mesa movia-se para a direita ou para a esquerda em direção à pessoa designada e, uma das pernas da mesa levantava-se podendo dar o número certo de pancadas no chão, a compasso, etc., tudo conforme fosse pedido.

As mesas falavam porque eram controladas por seres inteligentes

Desde então tornou-se evidente que a causa não era puramente física e, de acordo o axioma de que:  “Se todo o efeito tem uma causa, todo o efeito inteligente deve ter uma causa inteligente”.
A conclusão que se tirou foi de que o fenómeno deveria ser provocado por uma vontade inteligente.
Qual era a natureza dessa inteligência?
O primeiro pensamento foi que isso poderia ser um reflexo da inteligência do médium ou dos assistentes, mas a experiência logo demonstrou ser impossível; os resultados obtidos eram completamente alheios ao pensamento e aos conhecimentos das pessoas presentes, e mesmo contrários às suas ideias, à sua vontade e ao seu desejo.

A origem da ação inteligente só podia pertencer a um ser invisível.

O meio para averiguar isso era muito simples: Era necessário entrar em conversação com o ser que provocava os efeitos observados, o que se fez por meio de pancadas da perna da mesa.
De acordo com o número combinado, as pancadas significariam um SIM ou um NÃO a certas perguntas, ou ajudariam a designar certas letras do alfabeto para com elas formar palavras. Inventou-se assim uma forma de fazer perguntas e de obter respostas do ser que provocava os fenómenos.

Os seres inteligentes eram os espíritos e a sua mensagem era coerente

A partir desse momento as mesas deixaram de ser “dançantes” ou “girantes” e passaram a chamar-se MESAS FALANTES porque comunicavam deliberadamente mensagens.
Os seres que comunicavam tais mensagens, interrogados sobre a sua natureza, declararam ser Espíritos e pertencerem a um mundo invisível.
Tendo-se repetido os mesmos efeitos em grande número de localidades, por intermédio de pessoas diferentes e testemunhados por pessoas sérias e esclarecidas, tornou-se impossível aceitar que todos fossem vítimas de ilusão.

Dos Estados Unidos para vários países na Europa

Da América o fenómeno passou para a França e para o resto da Europa onde, durante alguns anos, as mesas girantes e falantes estiveram em moda nos salões onde se buscava entretenimento. Deixando de ser novidade, foram postas de lado em benefício de novas distrações.
O fenómeno não tardou a assumir um novo aspeto, deixando de ser uma mera curiosidade. Dado que a brevidade deste resumo não nos permite descrever todas as fases desse processo, passamos a descrever quais os aspetos que passaram a atrair, sobretudo, a atenção dos mais sérios interessados.
Digamos à partida e de passagem que a realidade do fenómeno encontrou numerosos contraditores; Alguns, sem levarem em conta o desprendimento material e a honradez dos experimentadores, apenas viram neles malabarismo hábil e passes de ilusionismo.
Aqueles que nada admitem para além da matéria, que só acreditam no mundo visível, que pensam que tudo morre com o corpo, os materialistas, numa palavra: aqueles que, por se sentirem “espíritos fortes”, imunes a patranhas, rejeitam a existência dos espíritos invisíveis que arrumam na classe de fábulas absurdas; classificaram de loucos aqueles que levavam essas experiências a sério e tentaram acabrunhá-los com sarcasmos e troça.
Outros, não podendo negar os fatos, e sob o império de uma certa ordem de ideias, atribuíram esses fenómenos à influência exclusiva do diabo e procuraram, por esse meio, atemorizar os tímidos.
Atualmente o medo do diabo perdeu o estatuto que possuía; tanto dele se falou, foi pintado de tão variadas formas que se trivializou, tendo muita gente ficado com a ideia que talvez não fosse pior ideia acabar por conhecê-lo para ver como de facto é.
O resultado disso é que, à parte um pequeno grupo de mulheres receosas, o anúncio de chegada do verdadeiro diabo não deixava de causar sensação junto dos que apenas o tinham visto pintado na tela ou às piruetas no palco.
Tornou-se por isso um atrativo que pregou uma partida aos que quiseram servir-se dele para colocar uma barreira frente a novas ideias, tendo acabado de desempenhar – contra vontade – o papel de eficazes denunciadores dos disparates de que foram inventores.
Os outros críticos não tiveram maior sucesso, porque perante os fatos concretos e os raciocínios categóricos, só puderam opor desmentidos.
Lede o que publicaram e por toda parte encontrareis a prova da ignorância e da falta de observação séria dos fatos, jamais tendo conseguido demonstrar a sua impossibilidade.
Tudo o que afirmaram se resumia a dizer que “não acredito, por isso, nada existe”; “todos os que acreditam são parvos”; “só nós é que temos o privilégio da razão e do bom-senso”.
O número dos adeptos produzidos pela crítica séria ou brincalhona é incalculável, porque por todo o lado só se encontram opiniões pessoais vazias de provas de impossibilidade. Prossigamos, pois, com a nossa apresentação.

A evolução das técnicas de comunicação com os espíritos

As comunicações por pancadas eram lentas e incompletas; Verificou-se que adaptando-se um lápis a um objeto móvel: cesta, prancheta ou outro qualquer que se segurasse com os dedos, esse objeto punha-se em movimento e desenhava letras.
Mais tarde concluiu-se também que tais utensílios eram dispensáveis, demonstrando a prática que o o espírito podia atuar diretamente por intermédio dos membros do médium, que escrevia a mensagem pela sua própria mão. Isso deu origem aos médiuns de escrita, isto é, pessoas que escrevem involuntariamente sob a influência dos espíritos de quem se tornam instrumentos ou intérpretes.

Finalmente: falar em direto com os espíritos

A partir daí as comunicações tornaram-se mais fáceis e a troca de pensamentos pôde começar a fazer-se como entre pessoas vivas, com rapidez e fluência. Foi um vasto campo que se abriu à exploração e descoberta de um mundo novo: o mundo dos invisíveis, da mesma forma que o microscópio tinha revelado o mundo das coisas ínfimas.
O que são esses espíritos? que papel desempenham no universo? Com que propósito comunicam com os mortais? Eram essas as primeiras perguntas que era necessário esclarecer. Em breve se soube, por eles mesmo, que não eram seres à parte na criação, mas sim as próprias almas dos que tinham vivido sobre a terra ou noutros mundos; almas que, libertas do seu veículo, ou envoltório corporal , povoavam e percorriam ainda o espaço.

Os espíritos dão provas porque são pessoas conhecidas ou de família

Deixou de poder duvidar-se da proximidade dos espíritos quando, dentre as várias entidades contactadas, foi possível reconhecer amigos e familiares; Quando estes mesmo vieram dar provas de existirem, demonstrando:

− que neles apenas haviam falecido os corpos;
− que os espíritos continuavam vivos, que estavam ali junto de nós, observando-nos e vendo-nos como quando viviam ainda materialmente, rodeando de atenções os seus entes queridos cuja recordação continuava a ser para eles a mais doce satisfação.

A constituição científica de todos os seres humanos como nós

Tem-se geralmente dos espíritos uma ideia completamente falsa. Não são, como é vulgar imaginá-los, seres abstratos, vagos e indefinidos, nada que se pareça com uma mancha luminosa ou uma centelha. Pelo contrário são seres bem reais, individualizados e com formas definidas. Pode-se ter uma ideia aproximada a seu respeito da seguinte maneira:

As pessoas enquanto materialmente vivas são constituídas por três elementos essenciais:

1º − a alma ou espírito, princípio inteligente no qual reside o pensamento, a vontade e o sentido moral;
2º − O corpo, parcela, ou invólucro material, pesado e comparativamente mais denso, que serve para que o espírito se relacione dom o mundo exterior;
3º − o perispírito, parcela ou sistema energético, muito leve, que serve de elemento de ligação e intermediário entre o espírito e o corpo.

A morte não existe

Quando a parcela ou invólucro material, o corpo, se gasta e deixa de funcionar, o espírito desembaraça-se dele como fruto da casca ou como quem despe um fato já usado.
A morte é só a destruição desse elemento mais denso se comparado com o espírito e que lhe serve de veículo durante a vida terrena.
Durante toda essa vida o espírito está constrangido às limitações da matéria à qual é transitoriamente associado e que condiciona parte significativa das suas faculdades.
A morte do corpo liberta-o desse constrangimento, do qual se vê livre recuperando a liberdade natural que lhe é própria, tal borboleta que se desprende da crisálida.
Mas só se liberta do corpo material, mantendo a seu serviço e levando consigo para o mundo espiritual o já falado perispírito, que passa a ser o seu corpo etéreo e vaporoso, cuja imponderabilidade conserva o aspeto humano, sua forma-tipo.

As propriedades do perispírito

No seu estado normal o perispírito é invisível para nós, podendo o espírito imprimir-lhe modificações que o tornam momentaneamente acessível à vista e ao tato, como se passa com o vapor condensado. É sob essa forma que pode revelar-se-nos em aparições.
Com a ajuda do perispírito, o espírito pode atuar sobre a matéria, produzindo ruídos, movimentando objetos e provocando atos de escrita.

As manifestações dos espíritos

Certos ruídos e movimentação de objetos são meios de que os espíritos se servem para dar provas da sua presença e chamarem a atenção, da mesma forma que fazemos para revelar a nossa presença. Em certos casos não se limitam a ruídos moderados, indo ao ponto de simular grande barulheira de louça partindo-se, portas abrindo e fechando-se, ou móveis que caiem ao chão.
Pelas pancadas e movimentos combinados puderam começar a revelar os seus pensamentos, oferecendo-lhes a escrita um processo mais rápido e cómodo. Foi esse o que preferiram. Do mesmo modo que puderam traçar letras passaram a guiar as mãos executando desenhos, compondo música, e tangendo instrumentos musicais. Numa palavra, não dispondo já de corpo ativo, serviram-se do corpo dos médiuns para se manifestar aos homens de forma percetível.
Há ainda outras formas pelas quais se podem manifestar os espíritos, entre outras pela vista e pela audição. Certas pessoas, chamados médiuns auditivos têm a faculdade de ouvir, e podem por isso conversar com eles.

Os médiuns videntes

Outras pessoas podem ver os espíritos, são os médiuns videntes. Os espíritos que se manifestam dessa forma apresentam-se geralmente de forma análoga àquela que tinham em vida, embora vaporosa.
Certas vezes, porém, esse aspeto reproduz exatamente um ser vivo, ao ponto de provocar a ilusão completa das pessoas em carne e osso com as quais foi possível conversar e apertar a mão, sem reparar que se tratava de espíritos, senão no momento da sua desaparição súbita.
A visão permanente e geral dos espíritos é raríssima, mas as aparições individuais frequentes, sobretudo no momento da morte.  Os espíritos que se libertam da vida material parece terem urgência de ver os seus familiares e amigos, como para avisá-los de que deixaram a terra e que continuam vivos.
(NT.: ter em atenção o fenómeno das “visões no leito de morte” estudado e recenseado por especialistas de diversas áreas, mesmo sem ser espíritas).
Se as pessoas em geral fizerem um inventário de recordações ver-se-á ao certo qual o número de factos deste género a que não se deu atenção e que sucederam não apenas de noite, durante o sono, mas em pleno dia no estado mais completo de vigília. Outrora entendiam-se tais fenómenos como sobrenaturais e maravilhosos, e atribuíam-se à magia ou à feitiçaria. Os incrédulos levam-nos à conta de imaginários, mas, desde a altura que a ciência espírita esclareceu as suas causas, sabemos como se produzem e que são acontecimentos da ordem dos fenómenos naturais.

Os espíritos nem são todos bons nem são todos sábios

Acreditou-se além disso que os espíritos, pela simples razão de o serem, dominariam toda a ciência e toda a sabedoria. É um erro que a experiência não tardou a revelar. Dentre as comunicações dos espíritos há as que têm uma sublime profundidade, eloquência, sabedoria, moral e que só respiram bondade e benevolência. Paralelamente há as que mostram vulgaridade, ligeireza, trivialidade e mesmo grosseria, revelando que o espírito comunicante revela instintos os mais perversos. É evidente que esta diversidade de comunicações não deriva das mesmas fontes e que tanto existem espíritos bons como espíritos maus.
Os espíritos, que não passam de almas humanas, não podem tornar-se perfeitos no momento em que deixam o corpo físico. Até que se não dê a sua evolução, conservam todas as imperfeições da vida corporal. É por esse motivo que existem espíritos de todos os graus de bondade e de maldade, de sabedoria e de ignorância.

Quem fundou o espiritismo foram os espíritos, que são almas dos homens

Os espíritos comunicam com as pessoas deste mundo com prazer, sendo para eles uma satisfação ver que não foram esquecidos. Descrevem com boa vontade as suas impressões a respeito da partida para o mundo espiritual e da sua nova situação, a natureza das suas alegrias e dos seus sofrimentos no mundo em que se encontram,
Uns são muito felizes, outros infelizes, alguns passam mesmo por tormentos horríveis, segundo a maneira como viveram e de acordo com o bom ou mau emprego, útil ou inútil, que fizeram da sua vida. Observando-os em todas as fases da sua nova existência, de acordo com as posições que ocuparam na terra, o género de morte pelo que passaram, os seus caracteres e hábitos enquanto homens chega-se a um conhecimento, senão completo, pelo menos bastante exato do mundo espiritual, o que nos permite avaliar as nossas futuras condições e pressentir que sorte nos espera, feliz ou infeliz.
As instruções dadas por espíritos de ordem elevada a respeito dos assuntos que interessam à humanidade, as respostas que deram às perguntas que lhe foram apresentadas, tendo sido recolhidas e coordenadas com cuidado, constituem toda a ciência, toda a doutrina moral e filosófica que tem o nome de Espiritismo.

O Espiritismo É, POIS, a doutrina fundada sobre a existência, as manifestações e o ensinamento dos espíritos.

Essa doutrina encontra-se exposta de maneira completa em:

− “O Livro dos Espíritos” nos seus aspetos filosóficos;
− “O Livro dos Médiuns” nos aspetos da sua prática experimental;
− “O Evangelho segundo o Espiritismo” nos seus aspetos morais;

(Nota do tradutor: ao tempo da publicação desta pequena obra – em 1862 – não estavam ainda publicados os restantes livros da codificação espírita, a saber: “O Céu e o Inferno” e “A Génese”.)
Podemos ajuizar, pela análise que fornecemos conjuntamente dessas obras da variedade, da extensão e da importância das matérias que a doutrina referida abarca.
Tal como foi dito acima o Espiritismo teve o seu início no fenómeno vulgar das mesas girantes, que falava mais aos olhos que à inteligência e estimulava mais a curiosidade que o sentimento.
Uma vez esgotada a novidade, no caso de nada se ter compreendido, o interesse morria.
Esse panorama mudou por completo quando foram tiradas as devidas conclusões a respeito dos factos e se atingiram as causas respetivas.
Sobretudo quando se concluiu que essas “mesas girantes”, que tinham servido serões de divertimento, tinham a capacidade de produzir uma doutrina moral dirigida às almas;
− dissipando a dúvida angustiante da origem e do futuro das nossas vidas;
− e preenchendo o enorme vazio provocado pela falta de esclarecimento sobre o destino da humanidade;
as pessoas sérias receberam de braços abertos o benefício dessa nova doutrina que, desde logo, longe de declinar, se viu progredir na sociedade com incrível rapidez.

(…)

O Espiritismo, contudo, não é uma descoberta moderna. Os factos e os princípios sobre os quais se apoia perdem-se na noite dos tempos, encontrando-se os seus vestígios nas crenças de todos os povos, em todas as religiões e na maior parte dos escritores dos textos sagrados e profanos. Somente os factos, incompletamente observados foram frequentemente interpretados de acordo com as superstições da ignorância, e deles não se tinham retirado as respetivas conclusões.
Com efeito o Espiritismo fundou-se na existência dos espíritos, que eram exatamente as almas dos homens.
Desde que há homens, há espíritos; o Espiritismo nem os descobriu nem os inventou.
Se as almas, ou espíritos podem manifestar-se aos vivos é porque isso está na própria natureza e é por isso que tais manifestações se verificaram desde sempre.
Por esse facto, são de todos os tempos e de todos os lugares as provas de tais manifestações, especialmente abundantes sobretudo nos textos bíblicos.

O Espiritismo: a verdade comprovada pelos fatos

O que é moderno é a explicação lógica dos factos, o conhecimento mais completo da natureza dos espíritos, do seu papel e das suas formas de agir, da revelação do nosso estado futuro, enfim, da constituição de um corpo científico e doutrinário e suas aplicações.
Os antigos conheciam os princípios e os modernos conhecem os detalhes.
Na antiguidade o estudo destes fenómenos era privilégio de certas castas que só os revelavam aos iniciados em tais mistérios. Na Idade Média aqueles que se dedicavam ostensivamente a tais estudos eram olhados como feiticeiros e eram queimados nas fogueiras.
Hoje não há mistérios para ninguém, já não se mandam pessoas para as fogueiras. Tudo se passa às claras e todos têm o direito de aprender e de fazer experiências, porque os médiuns abundam.
A própria doutrina que é hoje ensinada pelos espíritos nada tem de novo. Encontra-se fragmentada pela maior parte dos filósofos da Índia, do Egito e da Grécia, e por inteiro nos ensinamentos do Cristo.

Os efeitos do Espiritismo

A que vem agora o Espiritismo?
Vem confirmar novos testemunhos, demonstrados pelos factos verdades desconhecidas ou mal compreendidas e colocar no seu devido lugar ideias que têm sido mal interpretadas.
O Espiritismo não ensina nada de novo, é certo. Mas é muito importante provar de modo claro e inegável a existência da alma, a sobrevivência e a conservação da individualidade depois da morte, a imortalidade, as penas e recompensas futuras!…
Imensa gente acredita nessas coisas, mas com uma vaga reserva de incertidão, dizendo de si para consigo: “Se calhar, as coisas não são bem assim!” Muitos terão sido levados à incredulidade por lhes ter sido apresentado o futuro de maneira que não podiam conceber racionalmente.
Para o crente duvidoso é fundamental poder dizer para si próprio de uma vez por todas: “Agora, tenho a certeza!” Tanto como para o cego é fundamental poder ver claramente de novo.

Pelos factos e pela sua lógica o Espiritismo vem

− dissipar a ansiedade da dúvida e trazer à fé aqueles que dela se tinham afastado;
− revelando-nos a existência do mundo invisível que nos rodeia, e no meio do qual vivemos sem disso fazer a mínima ideia, dá-nos a conhecer, pelo exemplo daqueles que deixaram de viver, as condições que nos cabem da felicidade ou da infelicidade que nos espera.
− Explica-nos a causa dos nossos sofrimentos na vida terrena e os meios que de que dispomos para aliviá-los.

A propagação do Espiritismo terá como consequência inevitável a destruição das doutrinas materialistas que não podem resistir à evidência dos fatos.
O homem, convencido da grandeza e da importância da sua existência futura, que é eterna, compara-a à incertidão da vida terrestre, que é tão curta, e eleva-se pelo pensamento acima das questiúnculas humanas.
Conhecendo a causa e o propósito das suas misérias, suporta-as com paciência e resignação, porque sabe que são um meio para alcançar um estado de melhor evolução.
O exemplo daqueles que vêm de além-túmulo descrever o seu júbilo e as suas dores, como provas da vida futura, prova de igual modo que nenhum vício fica impune e nenhuma virtude fica sem recompensa.
Acrescentemos enfim que as comunicações com os entes queridos que nos deixaram são causa da doce consolação de que eles existem, e que mais próximos deles nos encontramos que se – estando vivos – tivessem ido morar para qualquer país estrangeiro.

Em resumo o Espiritismo abranda a a amargura dos desgostos da vida,

− acalma os desesperos e as agitações da alma,
− dissipa as incertezas e os receios do futuro,
− desencoraja o intuito de encurtar a vida pelo suicídio; por isso mesmo torna felizes aqueles que à vida e ao futuro se entregam; e é esse o grande segredo da sua rápida propagação.

Sob o ponto de vista religioso o Espiritismo tem por base as verdades fundamentais de todas as religiões : Deus, a alma, a imortalidade, as penas e recompensas futuras, mas é independente de qualquer espécie de culto.
A sua finalidade é a de provar àqueles que negam ou que duvidam que a alma existe, não só que ela existe como sobrevive ao corpo; que, após a morte, sofre as consequências do bem e do mal que tenha feito durante a vida corporal. Isso, é de todas as religiões.
O Espiritismo, como crença nos espíritos é igualmente de todas as religiões e de todos os povos, porque onde há homens há almas e espíritos e de todos os tempos são as manifestações cujos relatos em todas se podem encontrar sem exceção.
Pode ser-se católico, grego ou romano, protestante judeu ou muçulmano, e acreditar-se nas manifestações dos espíritos e, por conseguinte, ser-se espírita; a prova é que o Espiritismo tem aderentes de todas essas correntes religiosas.
Como moral é essencialmente Cristão, porque a moral que ensina é justamente o desenvolvimento e a aplicação da moral de Jesus, a mais pura de todas e cuja superioridade não é contestada por ninguém, o que faz dela a lei de Deus. A moral está ao serviço de todos os homens.

O Espiritismo não é uma religião

O Espiritismo, sendo independente das formas de culto, não prescreve nenhum; não se ocupando de dogmas, não é religião, dado que nem tem padres nem templos. Aos que lhe perguntam se fazem bem em seguir esta ou aquela prática, responde: “Se acreditais que a vossa consciência nisso vos empenha, fazei-o”: Deus leva sempre em conta as intenções.
Numa palavra, o Espiritismo não se impõe a ninguém nem se dirige aos que têm fé, e aos que com a fé se satisfazem, mas à categoria numerosa dos inseguros e dos incrédulos; não os tira da Igreja da qual se separaram moralmente no todo ou em parte; obriga-os a fazer três quartas partes do caminho para nela entrar – cabendo-lhe a ela fazer a parte restante da tarefa.
É certo que o Espiritismo combate algumas ideias como a das penas eternas, a do fogo do inferno e da figura do diabo, etc. Algumas destas crenças impostas como indiscutíveis produziram incrédulos ao longo dos séculos, tal como ainda hoje o fazem.
O Espiritismo, dando destes dogmas e de alguns outros uma explicação racional, devolve desse modo a fé aos que a haviam abandonado, prestando à religião um serviço de valor. A esse respeito afirmava um venerando membro do clero: “O Espiritismo faz com que se acredite em algo. E é melhor isso do que não acreditar em nada”.
Sendo os espíritos propriamente almas, não podemos negar uns sem negar as outras.
Admitindo-se a existência das almas e dos espíritos na sua expressão mais simples, a questão que se coloca é esta: as almas daqueles que já morreram podem comunicar com os que ainda estão vivos na carne?
O Espiritismo dá a essa pergunta uma resposta afirmativa baseado em factos materiais. Que provas podem dar-se de que tal não é possível?
Se tais comunicação são um facto, nem todas as negações do mundo podem pô-las em dúvida. Essas comunicaçóes não são um sistema ou uma teoria. São uma lei da natureza, contra a qual a vontade do homem nada pode. De boa ou de má vontade é preciso aceitar as suas consequências, acomodando a ela crenças e hábitos.

RESUMO DO ENSINAMENTO DOS ESPÍRITOS

Deus

  1. Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas.
    Deus é eterno, único, imaterial, imutável, todo-poderoso, soberanamente justo e bom. Deve ser infinito em todas as suas perfeições, porque supondo-se um único de seus atributos imperfeito, já não seria Deus.
  2. Deus criou a matéria que constitui os mundos; criou também seres inteligentes, que chamamos Espíritos, encarregados de administrarem os mundos materiais segundo as leis imutáveis da criação, os quais podem ser aperfeiçoados na sua própria natureza, aproximando-se por isso da divindade.

 

O espírito

  1. O espírito propriamente dito é o princípio inteligente. A sua natureza íntima é-nos desconhecida; para nós é imaterial porque não tem nenhuma analogia com o que chamamos matéria.
  2. Os Espíritos são seres individuais; têm um envoltório etéreo, imponderável, chamado perispírito, complexíssimo sistema energéticoflui com configuração semelhante à da forma humana. Povoam os espaços, que percorrem com a rapidez do relâmpago e constituem o mundo invisível.
  3. A origem e o modo de criação dos Espíritos são desconhecidos; sabemos apenas que foram criados simples e ignorantes, quer dizer, sem ciência e sem conhecimento do bem e do mal mas com igual aptidão para tudo porque Deus, em sua justiça, não poderia isentar uns do trabalho que tivesse imposto a outros para chegarem à perfeição. Ao princípio estão numa espécie de infância, sem vontade própria e sem consciência perfeita de sua existência.
  4. Tendo-se desenvolvido o livre arbítrio nos Espíritos ao mesmo tempo que as ideias, disse-lhes Deus: “Podeis todos aspirar à felicidade suprema quando houverdes adquirido os conhecimentos que vos faltam e cumprida a tarefa que vos imponho. Trabalhai, pois, para o vosso aperfeiçoamento. O objectivo é este:  atingi-lo-eis seguindo as leis que gravei na vossa consciência.”

O livre arbítrio e o Mal

Em consequência de seu livre arbítrio, uns tomam a estrada mais curta, que é o do bem, outros a mais longa, que é a do mal.

  1. Deus não criou o mal; estabeleceu leis e essas sempre boas, porque ele é soberanamente bom; aquele que as observasse fielmente seria perfeitamente feliz; mas os Espíritos, tendo seu livre arbítrio, nem sempre as observaram e o mal resultou, para eles, da sua desobediência. Pode dizer-se, pois, que o bem é tudo o que está conforme com a lei de Deus e o mal tudo o que é contrário a essa mesma lei.

A encarnação

  1. Para contribuir, como agentes do poder divino, para a edificação dos mundos materiais, os Espíritos revestem-se temporariamente de um corpo material. Pelo trabalho que sua existência corpórea necessita, aperfeiçoam a sua inteligência e adquirem, observando a lei de Deus, os méritos que devem conduzi-los à felicidade eterna.
  2. A encarnação não foi imposta ao Espírito, de início, como punição; ela é necessária ao seu desenvolvimento e à realização das obras de Deus, e todos devem passar por ela, tomem o caminho do bem ou do mal; somente aqueles que seguem a rota do bem, avançando mais rapidamente, demoram menos a atingir o objetivo e alcançam-no em condições menos penosas.
  3. Os Espíritos encarnados constituem a Humanidade, que não é circunscrita à Terra, mas que povoa todos os mundos disseminados no espaço.
  4. A alma do homem é um Espírito encarnado. Para ajudá-lo no cumprimento da sua tarefa, Deus deu-lhe como auxiliares, os animais que lhe são submissos e cuja inteligência e caráter são proporcionados às suas necessidades.

 

A evolução do espírito

  1. O aperfeiçoamento do Espírito é fruto do seu próprio trabalho; não podendo, numa só existência corpórea, adquirir todas as qualidades morais e intelectuais que devem conduzi-lo ao objetivo, faz isso por uma sucessão de existências, em cada uma das quais dá alguns passos em frente no caminho do progresso.
  2. Em cada existência corpórea, o Espírito deve dedicar-se a uma tarefa proporcional ao seu desenvolvimento; quanto mais rude e laboriosa for, mais mérito tem em cumpri-la. Cada existência, assim, é uma prova que o aproxima do objetivo. O número dessas existências é indeterminado. Depende da vontade do Espírito encurtar o seu número, trabalhando ativamente pelo seu aperfeiçoamento moral; do mesmo modo que depende da vontade do obreiro que tem uma tarefa reduzir o número de dias que leva para cumpri-la.
  3. Quando uma existência foi mal empregada não terá proveito para o Espírito, que deve repeti-la em condições mais ou menos penosas, em função da sua negligência e da sua má vontade; assim é que, na vida, pode ser-se constrangido a fazer no dia seguinte, o que não se fez na véspera, ou a fazer de novo o que se fez mal.

Os espíritos são imortais − a vida normal é passageira

  1. A vida espiritual é a vida normal do Espírito: é eterna; a vida corpórea é transitória e passageira: é apenas um instante na eternidade.
  2. No intervalo de suas existências corpóreas, o Espírito é errante. A erraticidade não tem duração determinada; nesse estado, o Espírito é feliz ou infeliz, segundo o bom ou o mau emprego que fez de sua última existência; estuda as causas que apressaram ou retardaram o seu adiantamento; toma as resoluções que procurará pôr em prática na sua próxima encarnação e escolhe, ele mesmo, as provas que julga mais ajustadas para progredir: algumas vezes engana-se ou sucumbe, não assumindo como homem as resoluções que tomou como Espírito.
  3. O Espírito culpado é punido por sofrimentos morais no mundo dos Espíritos e por penas físicas na vida corpórea. As suas aflições são consequência das faltas cometidas, quer dizer, das infrações à lei de Deus; São por isso, ao mesmo tempo, uma expiação do passado e uma prova para o futuro; o orgulhoso pode vir a ter uma existência de humilhação, o tirano uma de servidão e o mau rico uma de miséria.

A pluralidade dos mundos habitados

  1. Há mundos apropriados para diferentes graus de adiantamento dos Espíritos e onde a existência corpórea se encontra em condições muito diferentes. Quanto mais atrasado é o Espírito, mais os corpos que reveste são pesados e espessos; à medida que se purifica, passa para mundos moral e fisicamente superiores. A Terra não é nem dos primeiros nem dos últimos, mas é do grupo dos mais atrasados.
  2. Os Espíritos culpados encarnam nos mundos menos avançados, onde expiam as suas faltas pelas atribulações da vida material. Esses mundos são para eles verdadeiros purgatórios, mas depende deles saírem dali, trabalhando pelo seu adiantamento moral. A Terra é um desses mundos.

Não existem as penas eternas – a evolução será completa e igual para todos

  1. Deus, sendo soberanamente justo e bom, não condena suas criaturas a castigos perpétuos por faltas transitórias; oferece-lhes permanentemente meios de progredir e de reparar o mal que tenham podido fazer. Deus perdoa mas exige o arrependimento, a reparação e o regresso à prática do bem. A duração do castigo é proporcional à persistência do Espírito no mal; donde se conclui que o castigo seria eterno para aquele que permanecesse eternamente no mau caminho. Se a qualquer momento um clarão de arrependimento entrar no coração do culpado, Deus estende sobre ele a sua misericórdia. A eternidade das penas deve também ser entendida no sentido relativo e não no sentido absoluto.
  2. Os Espíritos, ao virem à carne, trazem com eles o que adquiriram nas suas existências anteriores; é a razão pela qual os homens mostram, instintivamente, aptidões especiais, inclinações boas ou más que parecem inatas.
    As más tendências naturais são os restos das imperfeições do Espírito das quais não está inteiramente despojado; são também os indícios das faltas que cometera anteriormente, que devem ser entendidas como o verdadeiro pecado original. E cada existência deve servir para os homens se irem lavando de algumas impurezas.

O esquecimento das vidas anteriores

  1. O esquecimento das existências anteriores é um benefício de Deus que, na sua bondade, quis poupar ao homem lembranças tantas vezes penosas. Em cada nova existência, ele é aquilo que fez anteriormente de si mesmo; um novo ponto de partida para aquele que conhece os seus defeitos atuais; sabe que esses defeitos são a consequência daqueles que tinha antes e que lhe dá a conhecer o mal que pode ter cometido cometer e isso lhe basta para trabalhar a fim de se corrigir. Se tinha outrora defeitos já vencidos, nada tem a se preocupar com isso; as imperfeições presentes são quanto lhe basta.
  2. Se a alma não viveu antes é porque é criada ao mesmo tempo que o corpo. Supondo isso não pode ter nenhuma relação com as almas que a precederam. Pergunta-se então como é que Deus, que é soberanamente justo e bom, pode tê-la feito responsável por culpas do pai do género humano, manchando-a com um pecado original que não cometeu?
    Dizendo, pelo contrário, que que ela carrega consigo ao nascer o germe das imperfeições de existências anteriores; que ela sofre na existência actual as consequências dos erros cometidos antes, dá-se do pecado original uma explicação lógica que todos podem compreender e aceitar, porque a alma só é responsável pelas suas próprias falhas.

A lógica da Criação confirma-se a si própria

  1. A diversidade das aptidões inatas, morais e intelectuais, é a prova que as almas já tiveram vidas anteriores. Se fossem criadas ao mesmo tempo que o corpo, seria contrário à bondade de Deus ter feito umas mais avançadas que as outras. Como explicar a existência dos selvagens e das pessoas civilizadas, dos bons e dos maus, dos parvos e das pessoas de espírito? Essas diferenças só se explicam dizendo que uns viveram mais do que outros e por isso mais evoluídos se encontram.
  2. Se a existência actual fosse única e determinasse o futuro da alma para todo o sempre, qual seria o destino das crianças que morrem na sua infância? Não tendo feito nem o bem nem o mal, não merecem nem recompensas nem punições. Segundo a palavra do Cristo, sendo cada um recompensado pelas suas obras, não têm direito à felicidade perfeita dos anjos, nem merecem ser privados dela. Digamos que poderão, noutra existência, realizar aquilo que não puderam fazer naquela que foi abreviada, e não há mais excepções.
  3. Pelo mesmo motivo, qual seria a sorte dos cretinos e dos idiotas? Não tendo nenhuma consciência do bem e do mal, não têm nenhuma responsabilidade pelos seus atos. Teria sido Deus justo e bom se criasse almas estúpidas para votá-las a uma existência miserável e sem frutos?
    Se admitirmos, pelo contrário, que o caso da alma de um cretino ou de um idiota se trata de um espírito em punição, vivendo aprisionado num corpo incapaz de pensar, já não haverá motivo nenhum para pensarmos que algo estará em desarmonia com a justiça de Deus.

O fim das existências corpóreas e ajuda para todos na evolução

  1. Na sucessão das encarnações, ficando o Espírito pouco a pouco liberto das suas impurezas e aperfeiçoado pelo trabalho, chega ao fim das suas existências corpóreas; pertence, então, à ordem dos Espíritos puros ou dos anjos e goza ao mesmo tempo, da vida completa de Deus e de uma felicidade sem mácula pela eternidade.
  2. Aos homens em expiação sobre a terra, Deus − como um bom pai − não os deixou entregues a si próprios, sem o amparo de um guia. Em primeiro lugar têm os seus espíritos protectores ou anjos guardiões, que velam por eles e se esforçam por conduzi-los ao bom caminho. Têm ainda os espíritos em missão sobre a terra, espíritos superiores que encarnam em certas alturas entre eles, para iluminarem o caminho pelos trabalhos que realizam e fazer avançar a humanidade. Embora Deus tenha gravado a sua lei na consciência dos homens, entendeu dever formulá-la de uma forma explícita; enviou-lhes primeiro Moisés, cujas leis foram apropriadas para os homens do seu tempo. Só lhes falava da vida terrestre, das penas e recompensas temporais. O Cristo veio de seguida completar a lei de Moisés com ensinamentos mais elevados. A pluralidade das existências, a vida espiritual, as penas e recompensas morais. Moisés conduziu os homens pelo temor, O Cristo conduziu-os pelo amor e pela caridade.
  3. O Espiritismo, melhor compreendido actualmente, associa para os incrédulos as provas à teoria; prova o futuro por meio de factos concretos, diz em termos claros e inequívocos aquilo que Jesus disse por parábolas; explica verdades mal conhecidas ou falsamente interpretadas; revela a existência do mundo visível, ou dos espíritos, e inicia os homens nos mistérios da vida futura; vem combater o materialismo que é uma revolta contra o poder de Deus; vem enfim instaurar entre os homens o reino da caridade anunciada pelo Cristo. Moisés lavrou, o Cristo semeou e o Espiritismo vem fazer a colheita.
  4. O Espiritismo não é uma luz nova, mas uma luz resplandecente, porque surgiu por toda a terra por intermédio das palavras daqueles que já viveram. Tornando claro o que era obscuro, elimina as falsas interpretações ligando os homens em torno de uma mesma crença, porque só existe um Deus, sendo as leis as mesmas para todos os homens; demarca enfim a era dos tempos previamente anunciados pelo Cristo e pelos profetas.
  5. Os males que afligem os homens sobre a terra têm por origem o orgulho, o egoísmo e todas as más paixões. Pelo convívio com os seus vícios os homens tornam-se reciprocamente infelizes e agridem-se uns aos outros. A caridade e a humildade devem substituir o egoísmo e o orgulho, deixando de se causar dano. Respeitarão os direitos de cada um e farão reinar entre si a concórdia e a justiça.
  6. Como destruir o egoísmo e o orgulho que parecem ser inatos no coração do homem? O orgulho e o egoísmo estão no coração do homem, porque os homens são espíritos que seguiram desde o princípio o caminho do mal e foram exilados na terra para punição dos seus vícios; aí reside ainda o seu pecado original do qual muitos ainda não se libertaram. Pelo Espiritismo Deus vem efectuar um último apelo à pratica da lei ensinada pelo Cristo, a lei do amor e da caridade.
  7. Tendo a Terra chegado ao momento marcado para se tornar estância de felicidade e de paz, Deus não quer que os espíritos encarnados continuer a trazer distúrbios em prejuízo dos que são bons. É por isso que devem desaparecer. Irão expiar o seu endurecimento em mundos menos avançados onde continuarão a trabalhar para a sua evolução numa série de existências ainda mais infelizes e penosas que na Terra.
    Formarão nesses mundos uma nova raça mais esclarecida cuja tarefa será de fazer progredir os seres atrasados que ali habitam, com o auxílio dos conhecimentos adquiridos. Só sairão para mundos melhores quando tenham o devido mérito, e assim por diante até terem atingido a purificação completa. Se a Terra fora para eles um purgatório, esses mundos serão o seu inferno, um inferno, contudo, de onde a esperança nunca estará ausente.
  8. Considerando que a geração proscrita vai desaparecer rapidamente, uma nova geração aparecerá, cujas crenças estarão fundadas no Espiritismo cristão. Assistimos à transição que se opera, prelúdio da renovação moral cuja chegada é marcada pelo Espiritismo.

NORMAS DERIVADAS DO ENSINAMENTO DOS ESPÍRITOS

  1. O objectivo essencial do Espiritismo é o aperfeiçoamento dos homens. Essencialmente nos domínios do progresso moral e intelectual.
  2. O verdadeiro espírita não é aquele que acredita nas manifestações, e sim o que tira proveito dos ensinamentos dos espíritos. De nada serve a crença se não servir ao homem para avançar no caminho do progresso e se não o tornar melhor para o seu próximo.
  3. O egoísmo, o orgulho, a vaidade, a ambição, a cupidez, o ódio, a inveja, o ciúme e a maledicência são para a alma as ervas daninhas que é preciso todos os dias ir desbastando, e que têm por antídoto: a caridade e a humildade.
  4. A crença no Espiritismo só é proveitosa para aqueles de quem possa dizer-se: Vale mais hoje do que valia ontem.
  5. A importância que o homem atribui aos bens temporais está na razão inversa da sua fé no mundo espiritual; é a dúvida a respeito do futuro que o leva a procurar as alegrias deste mundo, satisfazendo as suas paixões, nem que seja à custa do próximo.
  6. As aflições sobre a terra são os remédios da alma; tratam-na para o futuro como uma operação cirúrgica salva a vida de um doente. É a razão pela qual o Cristo disse: “bem aventurados os aflitos, porque serão consolados.
  7. Nas vossas aflições, olhai abaixo de vós e não acima; pensai naqueles que sofrem ainda mais que vós.
  8. O desespero é natural naquele que acredita que tudo acaba com a vida do corpo; é um contra-senso naquele que tem fé no futuro.
  9. O homem é, frequentemente, o artífice de sua própria infelicidade neste mundo; Pense na fonte dos seus infortúnios e verá que na sua maior parte são resultado da sua imprevidência , do seu orgulho e da sua avidez e, por conseguinte das suas infracções às leis de Deus.
  10. A prece á um acto de adoração. Orar a Deus é pensar n’Ele, é aproximar-se d’Ele e colocar-se em comunicação com Ele.
  11. Aquele que ora com fervor e confiança fica mais forte contra as tentações do mal e Deus envia bons espíritos para ajudá-lo. É um pedido de ajuda que nunca é recusado quando é feito com sinceridade.
  12. O essencial não é orar muito, mas orar bem. Certas pessoas julgam que todo o mérito está no tamanho da prece, enquanto que ignoram os seus próprios defeitos. A prece é para elas uma ocupação, um passatempo, mas não um estudo de si mesmas.
  13. Aquele que pede a Deus perdão das suas faltas, só o obtêm mudando de conduta. As boas ações são a melhor das preces, porque os atos valem mais do que as palavras.
  14. A prece é recomendada por todos os bons Espíritos; ela é, por outro lado, pedida por todos os Espíritos imperfeitos como um meio de aliviar seus sofrimentos.
  15. A prece não pode mudar os decretos da Providência; mas, vendo que alguém se interessa por eles, os Espíritos sofredores sentem-se menos abandonados; são menos infelizes; a sua coragem é reforçada, aumenta o desejo de se elevarem pelo arrependimento e pela reparação das faltas, e pode desviá-los dos maus pensamentos. É nesse sentido que ela pode não somente aliviar, mas abreviar seus sofrimentos.
  16. Orai, cada um, segundo suas convicções e da maneira que acredita a mais conveniente, porque a forma não é nada, o pensamento é tudo; a sinceridade e pureza de intenção são essenciais; um bom pensamento vale mais que numerosas palavras, que se assemelham ao ruído de um moinho e de onde o coração está ausente.
  17. Deus fez homens fortes e poderosos para serem o sustentáculo dos fracos; o forte que oprime o fraco é maldito de Deus; frequentemente, recebe castigo disso ainda nesta vida, sem prejuízo de possíveis penas futuras.
  18. A fortuna é como um depósito em dinheiro de que o titular não tem mais do que o usufruto temporário. Não o levará para o túmulo e com toda a certeza terá de prestar contas rigorosas do uso que fez com ele.
  19. A fortuna é uma prova mais arriscada do que a miséria porque é uma tentação para cometer abusos e excessos. As pessoas de fortuna têm muito mais dificuldade em ser moderado do que em ser resignado.
  20. O ambicioso que triunfa e o rico que se deleita com prazeres materiais são mais de lastimar do que de invejar, porque é necessário olhar às consequências. O Espiritismo, pelos exemplos terríveis daqueles que viveram e que nos vêm falar da sua sorte, revela a verdade destas palavras do Cristo: “Aqueles que se exalta será humilhado e aquele que se humilha será exaltado”.
  21. A caridade é a lei suprema de Cristo: “Amai-vos uns aos outros como irmãos, amai o vosso próximo como a vós mesmos, perdoai aos vossos inimigos; não façais aos outros o que não quereis que vos façam”, tudo isso se resume numa palavra: caridade.
  22. A caridade não está somente na esmola, porque há caridade em pensamentos, em palavras e em atos. Aquele é caridoso em pensamentos porque é indulgente com as faltas do seu próximo; caridoso em palavras porque nada diz que possa agravar o seu próximo; caridoso em atitudes porque ajuda o próximo na medida das suas possibilidades.
  23. O pobre que reparte o seu pedaço de pão com alguém ainda mais pobre do que ele é mais caridoso e tem mais mérito aos olhos de Deus do que aquele que dá do que lhe é supérfluo sem de nada se privar.
  24. Quem quer que alimenta contra o seu próximo sentimentos de animosidade, ódio, ciúme e rancor não é caridoso, mente se se diz cristão e ofende a Deus.
  25. Homens de todas as castas, de todas as ideologias e de todas as cores, todos vós sois irmãos, porque Deus a todos chama para si; estendei a mão a toda e qualquer pessoa, qualquer que seja a vossa forma de culto ou a vossa maneira de adorar a Deus e não lanceis maldições sobre ninguém, porque a maldição é a violação da lei da caridade proclamada pelo Cristo.

SEM CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO

  1. Com base no egoísmo os homens estão em luta perpétua, com base na caridade viverão em paz.
    Apenas a caridade, como base das instituições, pode garantir a felicidade aos homens neste mundo; de acordo com as palavras do Cristo apenas a caridade pode garantir a felicidade futura, porque encerra em si mesma todas as virtudes que podem conduzir à perfeição.
    Com a verdadeira caridade tal como a ensinou e praticou o Cristo, deixará de haver egoísmo, orgulho, ódio, ciúme e maledicência, além de deixar de haver apego desordenado aos bens materiais deste mundo. É essa a razão pela qual para o Espiritismo cristão tem por lema o seguinte princípio: FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO.

Os incrédulos podem rir dos espíritos e fazer troça daqueles que acreditam nas suas manifestações; Riam se se atrevem do princípio que ele acaba de ensinar e que é a vossa própria salvaguarda, porque se a caridade desaparecesse da face da Terra os homens matavam-se uns aos outros e vós seríeis talvez as primeiras vítimas.
Não está longe o tempo em que esta regra, proclamada abertamente em nome dos Espíritos, será uma garantia protetora e um título de confiança em todos aqueles que a trouxerem gravada no seu coração.
Um Espírito disse: “Troçaram das mesas girantes; não se troçará jamais da filosofia e da moral que delas derivaram”.
Já estamos longe desses primeiros fenómenos que serviram de distração passageira do ócio e da curiosidade. Essa moral é antiquada, dizem alguns: “Os espíritos deveriam ter bastante mais espírito para nos dar realmente novidades”  foi dito por graça por mais de um crítico.
Se é antiquada, tanto melhor, isso prova que é de todos os tempos. Aos homens cabe a culpa de não a ter praticado, porque só as verdades eternas é que são autênticas.   Os Espíritos vêm chamar-vos, não por uma revelação isolada feita a um único homem, mas pela voz dos próprios Espíritos.
Esta, como trombeta final, vêm proclamar: “Podem acreditar  que aqueles que chamam mortos, estão mais vivos que vós, porque eles vêem o que não vedes e ouvem o que não ouvis.
Será fácil reconhecer naqueles que vos vêm falar, os vossos pais, os vossos amigos e todos aqueles que amastes na Terra e que acreditastes perdidos sem regresso.
Infelizes aqueles que julgam que tudo acaba com o corpo, porque serão cruelmente desenganados; infelizes aqueles que tiverem falta de caridade, porque sofrerão o que tiverem feito os outros sofrerem!
Escutem a voz daqueles que sofrem e que vêm dizer: “Nós sofremos por termos ignorado o poder de Deus e por ter duvidado da sua infinita misericórdia; sofremos pelo nosso orgulho, pelo nosso egoísmo, pela nossa avareza e por todas as más paixões que não soubemos  reprimir; sofremos por todo o mal que fizemos aos nossos semelhantes por termos esquecido a caridade”.
Incrédulos! Será para rir uma doutrina que ensina semelhantes coisas? Será boa ou má?

Encarando-a do ponto de vista da ordem social, dizei se os homens que a pratiquem seriam melhores ou piores, felizes ou infelizes!

 

 

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O Amor à Família e aos Amigos, reforço da confiança nos nossos ANJOS…

O percurso pela vida, a prática do carinho devotado, a solidariedade liberta de interesses, o AMOR incondicional, em suma, fazem parte da simplicíssima regra fundamental da vida: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos…

A cultura mais elaborada, a busca incessante de razões, a canseira das letras, nada disso é melhor do que isto que fica dito.

ora visitem e leiam, se fazem favor:

O MEU AVÔ NA AMÉRICA

é favor clicar para ter acesso

 

Itinerário de vida e recordações pessoais

A vida esforçada de Sebastião de Matos Gomes e de sua família, descrita à maneira de narrativa ficcional, forneceria matéria para uma obra muito rica de factos emblemáticos duma epopeia portuguesa de tantas gerações de emigrantes que encontraram na aventura de partir aquilo que não encontraram, de outro modo, na sua pátria de origem.
Tantos são os livros que se não escrevem, tantas as memórias que se perdem, tantos os trabalhos e sacrifícios que ficam por contar que a falta de mais um nada importa no largo oceano dos sonhos ignorados.

A breve resenha que aqui apresento das memórias que tenho da passagem de meu avô pelos Estados Unidos da América é apenas um registo simples de natureza afetiva.

Um conjunto de circunstâncias pessoais fez com que eu tenha sido um dos seus mais íntimos companheiros de conversas no derradeiro período da sua vida. A diferença de idades e o distanciamento no tempo das experiências de cada um, contudo, fazem com que Providence, para mim, não passe de um lugar fora de todos os mapas possíveis deste mundo que contemplo de longe com a saudade inexplicável das coisas que nunca vimos.

 

O percurso pela vida, a prática do carinho devotado, a solidariedade liberta de interesses, o AMOR incondicional, em suma, fazem parte da simplicíssima regra fundamental da vida: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos…

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A não perder… entrevista com LUCAS OLLES

AFINAL, O QUE SOMOS NÓS? / AFTER ALL, WHAT ARE WE?

Uma conversa lindíssima:
quem conta o sucedido, quem pergunta e quer saber; vozes serenas sem palavras demais…

Ouvir os três episódios, a não perder
revelações de ontem, de hoje e de sempre.

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Esta ligação dá acesso ao primeiro dos vídeos, que transita automaticamente para o segundo e para o terceiro. Tem todo o interesse ver e ouvir os três vídeos.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS em português de Portugal, 2018, no “Universal Access to All Knowledge” PODE LER ONLINE

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PODE LER O LIVRO DOS ESPÍRITOS ONLINE
Para ter acesso à biblioteca clicar na imagem

Pode descarregar nesta imensa biblioteca  “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, traduzido para português de Portugal/2018 – 3ª edição completamente revista.

clicar na imagem acima pata ter acesso à biblioteca, depois, no lado direito, abaixo
basta clicar em PDF, na penúltima linha:

Complemento desta notícia a respeito do titulo da mesma:

About the Internet Archive

The Internet Archive, a 501(c)(3) non-profit, is building a digital library of Internet sites and other cultural artifacts in digital form. Like a paper library, we provide free access to researchers, historians, scholars, the print disabled, and the general public. Our mission is to provide Universal Access to All Knowledge.

We began in 1996 by archiving the Internet itself, a medium that was just beginning to grow in use. Like newspapers, the content published on the web was ephemeral – but unlike newspapers, no one was saving it. Today we have 20+ years of web history accessible through the Wayback Machine and we work with 450+ library and other partners through our Archive-It program to identify important web pages.

As our web archive grew, so did our commitment to providing digital versions of other published works. Today our archive contains:

  • 330 billion web pages
  • 20 million books and texts
  • 4.5 million audio recordings (including 180,000 live concerts)
  • 4 million videos (including 1.6 million Television News programs)
  • 3 million images
  • 200,000 software programs

Anyone with a free account can upload media to the Internet Archive. We work with thousands of partners globally to save copies of their work into special collections.

Ver a restante notícia no seguinte endereço:

https://archive.org/about/

 

Antigas e modernas visões do mundo

Esta é a continuação do trabalho iniciado há dias, de publicação de um conjunto de estudos de divulgação dos diversos capítulos de A Génese de Allan Kardec, para estimular o interesse nessa importantíssima obra, recentemente envolvida em problematizações complexas, que também iremos abordar, depois de publicada toda a série destes PowerPoints.

De autoria de uma grande amiga e colaboradora deste blogue, que construiu este interessante conjunto de trabalhos, para divulgação num numa sala de estudos da nossa terra.

Nesta semana trazemos aos nossos leitores o
Capitulo V – Antigas e modernas visões do mundo

O PowerPoint respectivo pode ser descarregado no link abaixo inserido:

A Génese Cap V Antigas e modernas
visões do mundo

O papel da Ciência na Génese

 

 

Uma aplicada colaboradora de “espiritismo cultura” tem estado a realizar um importante trabalho pedagógico num activo centro cultural espírita dirigido por pessoas muito dedicadas e competentes, nossas amigas.

Temos o prazer de iniciar essa proveitosa colaboração, que irá prosseguir, com a publicação do Capítulo IV de A Génese de Allan Kardec, que tem por subtítulo “O Papel da Ciência na Génese”.

O PowerPoint respectivo pode ser descarregado no link abaixo inserido:

 

A Génese Cap IV – O papel da Ciência na Génese

 

Uma maravilhosa prenda de Natal para todos

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BOAS FESTAS E UM ANO NOVO DE 2019 MUITO FELIZ PARA TODOS OS NOSSOS VISITANTES;

Para nos ajudarem na tarefa de divulgação da cultura espírita pedimos que divulguem palavraluz.com e espiritismocultura.com junto de todos os Vossos amigos e conhecidos.
Com o favor de militância espírita de se inscreverem como SEGUIDORES destas duas páginas  e o pedido de que o façam também todos os Vossos amigos e conhecidos.
Já temos mais de 100 seguidores (hoje 121…) mas gostaríamos de chegar AOS MIL  !....

FICAVA A SER O MAIOR CENTRO CULTURAL ESPÍRITA DE TODO O MUNDO… com objectivo na plena liberdade de pensamento e na visão optimista da vida

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PARA ESCUTAR A PORTENTOSA OBRA DE JOHANN SEBASTIAN BACH, A PAIXÃO DE SÃO MATEUS, BWV 244, É FAVOR CLICAR NESTA FRASE

 

Desculpem, estamos a traduzir “O Livro dos Médiuns”, para publicação no primeiro semestre de 2019 (uma novidade de vésperas de Natal…), por isso não há tempo para traduzir o texto abaixo…

MATTHEW-BASICS

Betrayal, judgement and death, but above all love; although most of the words of the St Matthew Passion are almost 2000 years old, the message is still relevant today.

The St Matthew Passion tells the story of the last days of Jesus. He is betrayed, tried, crucified and buried. The lyrics were compiled by Picander (the pseudonym of Christian Friedrich Henrici), probably in close consultation with Bach himself. For their theme, they took the story as told by St Matthew the Evangelist. As different groups or people have their say, the singers get different roles – Christ, Judas, Peter, a slave girl, the pupils, the high priests, the people and the soldiers, etc.

At key moments in the story, Bach and Picander added chorales and arias as a reflection of the biblical story. The action is suspended and the events are placed in the theological context of Bach’s day.
The chorale lyrics and melodies come from the Lutheran hymn book, and were well known to the congregation in Leipzig. Even though Bach’s harmonies were new, everyone would have recognised the melody and the words. The lyrics for the opening and closing choruses and the arias were brand new, however. Both the arias and the chorales often link up seamlessly with the evangelical words.

In his lyrics, Picander distinguishes between two groups of people: the ‘Daughters of Zion’ (Jerusalem) on the one hand, and the faithful souls on the other. Picander often puts these two groups in dialogue with one another. Bach reinforces this dialogue effect by having two separate ensembles of singers and instrumentalists, which he refers to as coro I and coro II. Each of the two ensembles has its own function. The first choir is part of the story and provides the most important emotional reactions, as in the arias ‘Erbarme dich’ and ‘Aus Liebe’. The second choir asks questions, provides commentary and draws conclusions.

In the chorales, Bach combines the two ensembles, and the whole group supports the spoken word. He also uses both choirs together where he wants to portray the furious crowd to maximum effect, as in ‘Lass ihn kreuzigen’. The first choir always takes the lead, and the second follows.

The ‘Dutch’ passion
Whether or not they are lovers of classical music, practically everyone in the Netherlands knows the St Matthew Passion. Every year, there is a real ‘Matthew madness’ in the month before Easter. Each town has its own performance and any reasonably large concert hall has at least two or three. The first performance of the St Matthew Passion in the Netherlands was in Rotterdam in 1870. Amsterdam followed suit in 1874. With the Concertgebouw orchestra, Willem Mengelberg then instituted a Passion tradition in Amsterdam that still continues today. In reaction to the Mengelberg performances, the Netherlands Bach Society was formed in 1921. The founders thought that the St Matthew should be performed where it belonged – in a church. The annual performance by the Bach Society in Naarden grew to become ‘the’ Dutch St Matthew Passion

Publicação de “A Génese” e o Instituto Canuto de Abreu

A FEAL, em Junho de 2018  lançou edição especial de “A Génese” e anunciou o projeto do Instituto Canuto Abreu

Em 8 de Junho de 2018, a capital paulista foi palco de um importante evento espírita promovido pela FEAL – Fundação Espírita André Luiz, com o lançamento de uma edição do livro A Génese de Allan Kardec, que, aliás, está num ano jubilar . Esta publicação da Editora FEAL consagra a campanha de resgate do texto original da obra kardequiana, sendo então traduzida para o nosso português a partir da 1ª edição francesa em alternativa às tradições tradicionais feitas da 5ª edição, que ficou demonstrada, conforme intenso trabalho de pesquisas históricas, ser uma obra adulterada.

O evento contou com a presença da diplomata brasileira e pesquisadora espírita Simoni Privato Goidanich, autora do marcante livro O Legado de Allan Kardec. Na sua exposição, Simoni apresentou um resumo da sua pesquisa na evidenciação da adulteração da obra de Kardec a partir da 5ª edição, de 1872, quando o codificador espírita já tinha desencarnado (31 de março de 1869).

Em seguida, o pesquisador Paulo Henrique de Figueiredo (de São Paulo) discorreu sobre alguns pontos doutrinários atacados nas alterações feitas com a 5ª edição, em prejuízo ao entendimento espírita. Logo após foi a vez do advogado Júlio Nogueira (de Salvador, Bahia) fazer uma leitura técnica sobre a adulteração considerando as normas jurídicas vigentes inerentes aos direitos autorais da obra. E, fechando o ciclo programado da exposição, Marcelo Henrique (Florianópolis, SC), mestre em ciência jurídica, fez palestrou sobre a necessidade de os espíritas tomarem de forma efetiva o legado deixado por Allan Kardec em face do projeto espírita de promover a evolução espiritual da humanidade.

Grande surpresa: projeto Instituto Canuto Abreu
Além do lançamento oficial desta obra histórica, a FEAL fez um anúncio importantíssimo para o Movimento Espírita: o projeto de instauração do Instituto Canuto Abreu, em parceria com familiares herdeiros do emérito médico, advogado e grande pesquisador espírita Canuto Abreu.
Neste espaço será exposto ao público o seu valioso acervo espírita, contando, dentre outras preciosidades, com cartas pessoais e artigos doutrinários originais — muitos dos quais inéditos até então — escritas por Allan Kardec e outros memoráveis colaboradores da primeira geração do Espiritismo, por exemplo, Léon Denis e Gabriel Delanne.
Os participantes do evento da FEAL também tiveram a satisfação de conferir uma pequena amostra do acervo do Dr. Canuto: livros raros, manuscritos de Kardec e Léon Denis, além de algumas fotografias forma exibidas a todos.
Amostra do acervo do Instituto Canuto de Abreu
Essa novidade foi uma surpresa e nos encheu de alegria com a possibilidade de resgatar verdadeiros tesouros históricos e doutrinários do Espiritismo que foram salvos pelo Dr. Canuto Abreu. O material do Instituto, que é de milhares de peças, está sendo catalogado e a promessa é a de que todo o seu conteúdo será disponibilizado ao público.
É FAVOR  CLICAR NA IMAGEM PARA DESCARREGAR PDF

João Donha – Espiritismo / 9 anos / 88 reflexões importantes

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Sem comentários, recomenda-se visita e leitura atenta

Diz-nos João Donha, com toda a razão de sempre:
O inusitado dos blogs é que, tal como nos mangás, os primeiros textos que vemos são, na verdade, os últimos. Assim, quem quiser acompanhar o pensamento do bloguero na sequência em que surgiu, deve começar pelo fim, para encontrar o início.

Hoje Domingo, bom dia a toda a Humanidade….

Johann Sebastian Bach vai começar a visitar assiduamente palavraluz.com e espiritismocultura.com, com as palavras e os sons que nos aguardam, cantadas, quem sabe se por nós mesmos, aprendizes da paz, do progresso e da beleza sem fim da obra de Deus…

Vá lá, comecem, cantando connosco e… Charles Daniels… Bist du bei mir… Bach, com a inspiração sublime de Stölzel, não é bom esquecer….

A token of love

Bach gave the second Notenbüchlein to his wife as a gift.

If Bach wrote one singalong tune, it was surely Bist du bei mir? Unfortunately not. Although Bach did have a hand in it, the song itself is by… Stölzel. The theme was a wonderful choice to open his gift music book to Anna Magdalena: a simple song of gratitude, trust, faith in God and faith in his second wife. We do not know how the couple were familiar with the aria from Stölzel’s Diomedes, but maybe the opera was so fashionable that tout Leipzig was humming the melody.

The Notenbüchlein für Anna Magdalena Bach
Shortly after their arrival in Leipzig in 1723, Johann Sebastian and Anna Magdalena Bach revealed themselves as a cultural power couple. Although Anna Magdalena gave up her successful public singing career, she joined her husband in running a thriving music business, alongside looking after a large and growing family. We have at least two tangible traces of their married life in the form of two Notenbüchlein from 1722 and 1725.

Whereas the first Notenbüchlein was still a sort of notebook, containing things like early versions of five ‘French Suites’ (and who knows what else, as two-thirds of the pages are missing), the second one was definitely intended as a gift from Johann Sebastian to his wife. In fair copy, he notated two Partitas and all sorts of other music of Anna Magdalena’s own choosing, such as the aria from the Goldberg Variations and the song Dir, dir Jehova, BWV 452, as well as music by composers like Couperin and Bach’s stepson Carl Philipp Emanuel. Together, the Notenbüchlein form a colourful mix of arias, chorales and suites.

Vocal Texts

Original
Bist du bei mir, geh’ ich mit Freuden
zum Sterben und zu meiner Ruh’.
Ach, wie vergnügt wär’ so mein Ende,
es drückten deine lieben schönen Hände
mir die getreuen Augen zu!

Translation
Be thou with me and I’ll go gladly
To death and on to my repose.
Ah, how my end would bring contentment,
If, pressing with thy hands so lovely,
Thou wouldst my faithful eyes then close.

Translation: Z. Philip Ambrose

 

 

A VERDADE INDUBITÁVEL DAS COMUNICAÇÕES MEDIÚNICAS

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Gaveta de núvens, acrílico s/ tela s/ platex, Costa Brites 2001

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Conheci em tempos uma pessoa que transcrevia comunicações mediúnicas das reuniões espíritas que frequentava.
Com as responsabilidades familiares que tinha, a tarefa fazia-se longa e cansativa.
Sendo de minha amizade muito próxima permiti-me dizer-lhe um dia:
Olha, sendo assim, não tens que transcrever tudo. Dos apontamentos, passa a limpo só as coisas que tiverem história, que sejam aproveitáveis. Com o resto, não te cansas.

Olhou-me a minha serena e confiante amiga, com aquele silêncio perturbado e suspenso com que olhamos temerosamente as coisas que achamos que podemos perder por descuido, e disse-me:

OBRIGADO QUERIDO AMIGO
com essa bem intencionada proposta com que querias sossegar-me
descobri porque são verdades invencíveis as coisas que nos contam os Espíritos nossos amigos:
Nunca nos contam duas coisas iguais, ou ditas da mesma forma.

As comunicações dos espíritos, além de corresponderem a factos comprováveis pela própria vida vivida,
nunca repetem as mesmas verdades da mesma forma, porque,
como a vida vivida, são sempre diversos, variam como
a água de uma fonte, que a cada instante se renova.
As comunicações dos espíritos são de uma verdade que não ilude e não simulam a realidade
são exatamente como a realidade – irrepetível e infinitamente diversa;
é fundamental aproveitá-las todas
da primeira à última letra

Carlos Lobo, um olhar aberto no meio da multidão ; Publicado no “Diário de Coimbra” de 7 de Dezembro de 2001

 

 

 

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Um convite, para desafiar os leitores…

Quem puder ler a página aqui em baixo reproduzida (que nem está completa…) também poderá ler o livro todo.
Primeiro todos o podem descarregar livremente.
Lê-lo, é só começar, continuar até ao fim, não custa nada…

Trata-se da nossa leitura de “O Livro dos Espíritos”, se não adivinharam já…

Nós, para traduzir e rever 3 edições, já o lemos, em várias línguas, mais de 100 vezes. E cada vez que o lemos, custa-nos sempre menos!…
Ora façam-nos o favor:
terceira edição da tradução de “O Livro dos Espíritos” para português de Portugal, 2018 (clicar nesta frase).

para ver maior, clicar na imagem, depois ampliar

como é evidente, a primeira página do Prefácio dos tradutores não acaba aqui….

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